Not Just A Girl.
8 Capítulo 8 - Sudden Red Eyes.
Notas iniciais
Davina desceu as escadas ainda um pouco tonta. As escadas da casa dos Mikaelson rangiam e se agitavam em cada passo, mesmo Davina tentando não emitir sons.
– Nós temos que fazer algo. Ou eles atacam, ou nós atacamos. – Davina ouviu a voz de Marcel, vindo de uma das salas.
– É arriscado, precisamos pensar. Klaus você não ouse a sair dessa casa para ir atrás deles. – Elijah firmou enquanto segurava Klaus, que tentava sair.
– A escolha de ficar e esperar é de vocês. Quanto mais rápido os matarmos, mais rápido isso acaba. – Klaus cuspia as palavras sob o olhar apreensivo de Elijah. Sua paciência deixava Davina admirada.
– Vá fundo e arrisque Klaus, mas dessa vez eu não vou deixar ninguém sair para ir atrás de você. – A voz de Hayley saiu de um dos cantos do cômodo, aumentando a tensão que já estava no ar.
De repente, o celular de Davina toca, e por sorte os outros não a escutaram.
Davina: Alô?
Freya: Onde você está Davina?!
Davina: Calma! Eu estou na casa do Marcel. Davina mentiu. Relaxa! Eu estou bem.
Freya: Como assim Davina? Você foi atacada! Será que poderia deixar a postura de durona de lado por dois minutos e me contar o que aconteceu?
Davina: Marcel já deve ter lhe contado tudo. Você mesma falou, eu fui atacada, e não estou a fim de lembrar daquilo. Eu vou ficar aqui mais um pouco, talvez volte para casa.
Freya: Talvez? Davina sua mãe está morrendo de preocupação!
Davina: Só por que dessa vez não foi ela que quase me matou?
Freya: Davina...
Davina: Tá! Que saco! Passa para ela.
Um silêncio se formou na linha, e a única coisa que se ouvia era a respiração de Davina sem resposta alguma.
Morghanna: Minha filha! Como você está?
Davina: Bem.
Morghanna: Você pode contar o que aconteceu quando se sentir mais calma. Venha para casa, farei algo para você comer.
Davina: Não precisa, vou comer com o Marcel. Mas... Ah... Obrigada. Agora eu preciso desligar, diga para Freya que estou bem e talvez eu volte para casa.
E assim Davina desligou, a tempo de ver a pequena reunião que acontecia no cômodo se explodir em pessoas aborrecidas saindo do quarto e um Klaus raivoso indo até um pequeno escritório na cama. Davina sentiu a curiosidade corroendo-a por dentro e decidiu o seguir.
Já no escritório, Klaus se sentou e cruzou os braços. Seu corpo ia lentamente se acalmando da raiva, mostrando uma respiração lenta e preguiçosa, e foi só aí que Klaus notou os olhinhos azuis que o encaravam. Ele franziu a sobrancelha, mas decidiu que aproveitaria a oportunidade para enfezar a jovem.
– Davina – Ele chamou, despertando a menina. – Entre, eu não mordo. –
Davina entrou relutante rindo com desdém do comentário de Klaus.
– Quem você está querendo liquidar agora? – Davina perguntou se aproximando da mesa.
– O fato de você ser direta é corajoso. Mas às vezes você pode se tornar bem insolente. – Klaus respondeu sorrindo com ironia.
– Seja lá quem for, é mais perigoso que você, para todos estarem tão apreensivos em relação a tal. – Davina revidou depois de um tempo, apenas o encarando firme.
– Cuidado com o que fala bruxinha. Você pode significar algo para Marcel, mas eu não pensarei duas vezes antes de te esmagar como um pequeno vagalume. – A expressão de Klaus se fechou como se tivesse sido ofendido, mas antes que Davina pudesse se pronunciar novamente, Rebekah avisou que o jantar estava pronto, fazendo com que Davina ficasse sozinha no escritório.
– Você tem um belo desejo de morte. – Alguém comentou atrás dela. Ela virou-se e lá estava Kol, um dos irmãos do Klaus. Fazendo força para não sorrir instintivamente, Davina apenas revirou os olhos.
– Não é querendo te chamar de fraco, mas eu não tenho medo do Klaus. – Ela afirmou.
– Ou você é muito corajosa, ou muito burra. – Ele continuou, se aproximando de Davina. – Medo da condição de hibrido? Não, nenhum de nós tem. Na verdade é útil, no caso de Hayley. O pouco de humanidade que Klaus um dia teve foi toda embora, Davina Claire. Aja com cautela. – Ao terminar, Kol se encontrava a centímetros de Davina, que media cada pedacinho de seu rosto com os olhos, fazendo uma parada dramática e cheia de desejo em seus lábios.
– Agradeço a preocupação, mas se for por questão de humanidade, vocês Mikaelson são o maior perigo do qual eu chegaria perto. – Davina comentou e Kol sorriu.
– Exato. Garota esperta. – Kol se afastou para ir embora, parando a porta. – A propósito, eu aviso ao Marcel que você está indo embora. –
– Como sabe que estou indo? – Davina perguntou intrigada.
– Golpe de sorte. – Kol piscou para Davina e saiu, deixando-a toda boba.
Desde que acordou, havia decidido que não ficaria lá. Se contasse para Freya que queria ir para casa, Freya ia busca-la. Se falasse para Marcel, ele faria questão de leva-la. Mesmo que não muito, tudo o que aconteceu esgotou Davina demais. Ela apenas ia até uma estação que passava ali perto, e tinha um ponto perto da rua de sua casa. Pegar um trem e pensar em silêncio, sozinha.
– — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — — -
Chegando à estação, que estava parcialmente cheia, Davina comprou o bilhete e esperou.
A noite estava gelada, ou melhor, madrugada. Era tarde, quase manhã, e era possível ver fumaças de respiração saindo das pessoas. Davina permanecia em um banco, um pouco afastada dos outros, e de cabeça baixa apenas respirava.
Ao ouvir o som do apito do trem, Davina ergueu a cabeça e se levantou. Ao jogar o peso de seu corpo para frente, Davina sentiu uma dor enorme e voltou a se sentar. Ao olhar para baixo, viu que tinha sangue em sua cintura. Por uma das aberturas do vestido, Davina sentiu um arranhão. Ele ardia, mas a angustia de lembrar-se do ataque era maior, e pela primeira vez no dia ela teve vontade de chorar.
– Você está bem? Quer que eu chame ajuda? – Um rapaz, de 17-18 anos, estava parado de frente para Davina, com a mão estendida.
– Não, não precisa. É só um corte, eu vou ficar bem. Obrigada. – Davina sorriu e pegou a mão do rapaz.
– Sou Jake. Seu nome é? – Ele perguntou com um largo sorriso. Seu cabelo era curto, porém eram visíveis alguns cachos negros. Seus olhos eram verdes, e ele usava um suéter azul marinho. Era extremamente fofo de acordo com os pensamentos de Davina.
– Davina. – Eles apertaram as mãos sem desmanchar o sorriso e foram juntos para dentro do trem.
Já lá dentro, meia hora havia passado só de conversa entre Davina e Jake, quando o arranhão de Davina começou a doer. Ela ignorou no inicio, mas começou a doer muito, e quando sua pele em volta dele começou a se rasgar Davina não aguentou e soltou um leve grito.
– O que houve? Está doendo muito? – Jake se assustou e exibia uma expressão de medo no rosto.
Davina não conseguia responder, sua garganta estava seca, suas palavras haviam sumido. De repente, Davina sentiu que algo estava mudando. Olhou para baixo e se sentiu tonta, sentiu seu corpo e tudo em volta girando. Fechou suas duas mãos, mas a força com que pressionava os dedos fez com que pequenos cortes começassem a se formar nas palmas de suas mãos.
– Davina, eu acho melhor eu chamar ajuda... – Jake foi se levantar, mas Davina segurou seu punho, fazendo-o sentar de novo. Suas mãos começavam a sangrar pelo corte feito com a unha. – Ah meu deus... – Jake prendeu a respiração ao ver o sangue, e se contraiu.
Davina, ainda de cabeça baixa, sentiu o pavor tomar conta de si. Mas o pior foi quando ergueu a cabeça para a janela, tentando olhar como estava. Ao ver seu olhar completamente vermelho no reflexo do vidro, foi à deixa para Davina perder o controle. E o que veio depois, não era nem um pouco agradável a qualquer um, muito menos Davina, que era, aparentemente, a culpada.
Fale com o autor