Not Just A Girl.

9 Capítulo 9 - From Beauty to Beast


Notas iniciais
Sou a pior autora do mundo, eu sei! Eu to a anos sem postar e juro que estou me torturando por isso, mas estive com alguns probleminhas... Enfim, voltei! Queria agradecer demais por todos os comentários, esse cap é só pra vocês. Prometo que não vou demorar para postar o outro!

Davina fechou os olhos por dois segundos, e ao abri-los se deparou com os estragos de um monstro. Ela se encontrava no final de um dos vagões do trem, que estava parado numa estação abandonada e escura. Ela olhou as horas pela janela, agora quebrada, e o relógio da estão marcava algo em torno das 05:40 da manhã. Davina respirou e sentiu o cheiro pungente e forte de ferro que vinha do trem, mas não era por suas engrenagens, mas pelo sangue que se encontrava no vagão. Era impossível ver tal cena e ficar calmo. Os corpos que antes se encontravam em conversas alheias, movimentos comuns e com vida, estavam estilhaçados, abertos, partidos e amaçados no chão e nos bancos. As orbitas oculares de cada um deles estavam assustadoramente apagadas, o que trouxe a Davina uma agoniante vontade de gritar. Começou a olhar para os lados procurando pelo autor de tal feio imaginando quando seria atacada, mas foi surpreendida por uma voz conhecida.

– Para uma pessoa tão pequena o estrago feito é enorme. Tenho que admitir, me impressionou. – Kol estava parado a porta do vagão onde Davina se encontrava.

– Você acha que eu que fiz isso? – Davina arregalou os olhos, pasma. – A propósito, você está me seguindo? –

– Marcel me mandou quando viu a ferida na sua cintura. – Kol respondeu após rir da pergunta de Davina. – Eu não acho que você fez. Eu tenho certeza. Olhe para suas mãos. –

Davina baixou os olhos, relutante e notou que sua mão encontrava-se completamente empapada de sangue. Seus olhos se encheram d’agua ao pensar em todas aquelas pessoas mortas. Que ela matou.

– Olha, e-eu não sei o que aconteceu! – Davina sentiu-se fraquejando, mas permaneceu em pé. Kol chegou perto, talvez com desejo de confortá-la, mas não a abraçou ou a tocou, apenas a olhou, sentindo algo começando a pesar dentro de si.

– Eu acho que tem algo a ver com a marca, que o homem deixou em você. Acho que Marcel sabia por isso me mandou vir. – Kol tentou achar uma explicação para acalma-la, mas ela pareceu apenas mais assustada. Ele levou suas duas mãos ao rosto de Davina, erguendo-o. – Nós vamos resolver Ok? –

Davina fez que sim com a cabeça, se sentindo estranhamente mais tranquila.

– O que fazemos com os corpos? – Davina perguntou, tentando não soar como um serial killer.

– Vamos deixar aqui. Hayley virá com alguns da matilha dela, farão parecer o ataque de um animal faminto e raivoso. – Davina deu um soco no braço de Kol, que riu. – Tem ideia melhor? –

– Desde que você não me lembre disso, faça o que quiser. – Davina cedeu, dando de ombros.

– Então agora está cooperando? – Kol ergueu a sobrancelha ao fato de Davina ter concordado tão rápido. – Ótimo. Vou te levar para casa. –

– Assim? – Davina levantou as mãos com as palmas abertas, que estavam repletas de sangue, assim como seus braços, pernas e, bom, o resto todo.

– Tem um banheiro com chuveiros na estação. A gente entra fácil. –

– E o que vou usar? – Davina indagou.

– Acho que tem algumas peças de roupa da Rebekah no carro. – Kol respondeu dando ombros.

– Por que sua irmã deixa roupas no carro? – Davina perguntou enquanto saiam do trem.

– O carro é do Marcel. Pergunte a ele. – Kol respondeu e Davina riu pela primeira vez descontraída depois de tudo que aconteceu. – Vá tomar seu merecido banho, vou pegar as roupas e te encontro no banheiro. –

– Kol espera – Davina segurou o braço de Kol antes que ele pudesse ir. – Você vai voltar mesmo? –

– Sua desconfiança é enorme eu vejo. – Ele virou-se para ela, encarando-a fundo num atrito de olhos azuis. – Mas vai ter que confiar em mim dessa vez se quiser voltar para casa rápido e vestida. – Davina revirou os olhos e soltou Kol, que foi em direção ao carro que estava atrás da estação.

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Aquele foi sem dúvida o banho mais tenso que Davina já tivera. Seu corpo estava completamente tensionado, e a água, surpreendente morna, não fazia diferença alguma. Ao ver o sangue cair de seu corpo e se misturar com a agua, Davina se sentiu realmente culpada. As lágrimas se prenderam em seus olhos ao pensar em todas as pessoas naquele trem, mas foram impedidas de cair. Davina nunca se sentiu tão arrependida, mas agora ela precisava se concentrar para descobrir o que era e parar o mais rápido o possível, para que episódios semelhantes não aconteçam novamente. Ela se sentia tão perdida... Mas não pensaria em nada daquilo agora.

– Davina? Eu trouxe as roupas. – Davina ouviu a voz de Kol soar pelo banheiro.

O banheiro era composto por alguns vasos masculinos, algumas cabines com vasos femininos do lado oposto, no fundo os compartimentos com os chuveiros e na ultima parede do banheiro quadrado uma enorme pia com umas 5 ou 6 torneiras e um largo e continuo espelho borrado.

– Tem algo que eu possa me enxugar? – Davina perguntou de dentro do boxe, desligando o chuveiro, deixando o banheiro bem silencioso.

– Tem papel higiênico. – Kol comentou. – Posso até te dar uma ajuda se quiser. – Ele concluiu e Davina gargalhou.

– Tem algumas toalhas aqui, mas ou estão empoeiradas ou com teias de – Antes que pudesse concluir, metade de uma toalha bateu na cabeça de Davina, tendo a outra metade pendurada na porta do boxe. – Ah... Obrigada. –

– Disponha. – Mesmo que não pudesse ver, Davina sentiu pela voz de Kol que ele estava sorrindo, o que de certa forma a animou.

Kol se afastou do boxe e voltou para perto do espelho com as roupas ensanguentadas de Davina. As jogou fora sem a menina olhar, para o caso de ela reclamar. Ninguém quer roupas com mistura de comida de séculos atrás e outras coisas nojentas de volta.

– Assim está bem melhor. – Kol ouviu-a dizer e levantou a cabeça.

Por um momento, seus pensamentos foram completamente interrompidos pela imagem refletida no espelho. No inicio, era desconcertante e Kol não tinha ideia de como reagir, mas isso logo se esvaeceu. Davina estava atrás dele, andando em sua direção, mas usava apenas uma toalha. Seu rosto e corpo, agora livres do sangue, se tornaram uma imagem fixa na cabeça de Kol.

– Pode respirar Kol. – Davina comentou quando chegou ao lado de Kol que mantinha uma postura tensa e nervosa. Ele riu.

– É um belo traje, mas é melhor você por a roupa. – Kol virou-se para Davina sorrindo, o que a fez perder qualquer confiança que tinha.

– É uma pena que você não possa apreciar por muito tempo. – Davina logo se descontraiu e pegou as peças de roupa de cima da pia.

– Algo me diz que essa não será a ultima vez que vou te ver assim. – Kol exibia um sorriso de canto de boca que trazia arrepios a Davina. Ela mordeu o lábio rindo e decidiu se concentrar na roupa antes que algo acontecesse.

Já de roupa mudada, Davina entrou no carro junto a Kol. O sol começava a dar resquícios de sua aparição quando Kol deu a partida, e eles rumaram para casa de Davina.

No caminho, os dois se mantiveram em silêncio. O único som que se ouvia era o dos civis determinados e malucos o suficiente para começar a vida junto com o sol. O carro estava bem quieto, mas isso não foi nem de longe desconfortável. Durante a troca de olhares brincalhona e intensa entre Kol e Davina, as palavras se fizeram desnecessárias. Apenas ao chegarem à porta de Davina, as palavras voltaram.

– Obrigada. Por... Tudo. – Davina falou sem olhar para Kol. Tirou o sinto e abriu a porta, e assim que saiu ouviu Kol a chamando e virou-se.

– Um conselho de um estranho. – Ele começou, e Davina já imaginava o que estava por vir. Sorriu se controlando para não protestar e apenas ouviu. – Fique longe do perigo. –

– Como se você não fosse. – Davina rebateu, tendo tempo de ver Kol sorrir antes de subir o vidro do carro e ir embora.

Virou-se para frente e tocou a campainha, esperando que alguém estivesse acordado a essa hora.

Notas finais
Espero que tenham gostado! De novo, muito obrigada a todos! Até o proximo!