Not Everything is What You Imagine
3 Capítulo 2 - Luz no Fim do Túnel
Notas iniciais
Emilly encarou aqueles olhos tranquilos com desprezo, mas respondeu, com sua voz séria:
— Oi.
A garota nem pareceu reparar na grosseria.
— Meu nome é Cloe — disse, animada.
Emilly revirou os olhos.
— O meu é Emilly — Emilly ainda foi rude.
Os dentes de Cloe estavam todos à mostra. Ela aparentava ser o tipo de garota grudenta, que pularia em você e não soltaria nunca mais.
Anotando o título da aula em seu caderno, Cloe olhou para Emilly e disse, ainda sorrindo:
— Posso ficar com você no intervalo?
Emilly suspirou.
— Não.
— Por quê?
Respirando fundo, ela falou:
— Tem trinta pessoas nessa sala, e você quer ficar justo comigo no intervalo? Por quê? Não tem medo de mim?
Todos, incluindo a professora, pararam para ouvir a conversa, chocados.
Então, parecendo um tom de deboche implícito, a garota colorida perguntou, ainda sorrindo:
— Por que eu teria medo de você?
De chocados, os alunos ficaram completamente surpresos.
— Você não sabe o que ela fez? — perguntou um dos valentões da turma.
— Não — respondeu Cloe. — O que ela fez?
O sorriso excessivo da garota estava irritando Emilly.
— Deixa que eu mesma respondo — disse ela, se levantando e olhando para todos, menos para a garota nova. — Eu… Bati numa garota… porque ela me… irritou.
Ela nunca imaginou que ia ter que falar isso em voz alta, por isso gaguejou.
Alguns estremeceram, outros quase choraram, mas a querida abelha colorida não tirou aquele sorriso do rosto.
— Ai, gente — sua gargalhada contagiou a sala. — Eu também já bati numa garota.
Mais risos.
— Você? — perguntou o mesmo valentão. — Por quê?
— Porque ela queria roubar a minha namo… Amiga, amiga — Ela pareceu assustada ao se confundir com as palavras.
Emilly entendeu tudo. Como ela estava quase do lado de Cloe, conseguiu espiar sua mente.
— Bem, pessoal — disse a professora, descongelando de seu medo. — Copiem o que estiver na lousa, por favor.
Todos se sentaram e obedeceram à ordem da docente.
O conteúdo era voltado para as teorias da evolução e genética.
Emilly sabia tudo sobre isso. E, como o conteúdo e textos nunca mudavam, ela já tinha um caderno na bolsa e só fingia copiar.
— Pessoal, faltam cinco minutos para tocar o sinal — disse a professora, após dar os vistos em sua mesa. — Na próxima aula, teremos duplas. Então já pensei nas duplas, hein?
Todos assentiram.
Emilly olhava para a janela.
O dia estava, para variar, nublado. Ela queria estar lá fora. Correndo na floresta, aterrorizando animais. Porém, ela estava presa numa sala de aula ao lado de um unicórnio.
Um barulho ensurdecedor ecoou pela escola, e os estudantes saíram correndo da sala. Emilly detestava aquele hábito, pois era um dos motivos que fazia ela ficar presa na mente dos outros. Então, ela saía sempre por último.
Quando não tinha quase mais ninguém nos corredores, ela saiu e se sentiu mais calma. Mas…
— Oi! — gritou a voz de Cloe em seu ouvido.
Emilly estava perdendo a paciência.
— Oi.
— Então, vamos ficar juntas no intervalo? — Ela estava com uma bolsa com alguns potinhos, contendo bolo de cenoura, um pãozinho de queijo (um típico da Europa, feito de farinha, fermento e queijo, mas era muito bom quando preparado corretamente) e uma garrafa de suco de laranja. — Se você quiser, eu posso…
— Será que você não entende que eu quero ficar sozinha?! — Emilly gritou tão forte que sua garganta doeu.
O rosto de Cloe, pela primeira vez, transmitia tristeza. Seus olhos perderam o brilho e ela ficou mais pálida. Então, deu as costas para Emilly e foi para algum lugar comer seu lanche.
Depois de todas as aulas (que Cloe nem sequer olhou para Emilly), a garota foi para casa pelo mesmo caminho que fora pela manhã.
Mas, o que era totalmente estranho para uma pessoa morta e fria, foi que Emilly se sentia estranha pelo que fez com Cloe. Sentia uma pontada de arrependimento e remorso por ter magoado uma garota tão linda e… e… CHATA!... como ela.
Mas mal sabia ela o que aquela raiva iria se tornar…
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