Not Everything is What You Imagine
4 Capítulo 3 - Fim do Túnel
Notas iniciais
Depois da escola, Emilly chegou em casa e se deparou com seus pais e alguns amigos (que eram vampiros) na sala.
Ela ainda estava estranha em relação à forma como ela falou com Cloe. Mas por quê? Ela sempre foi assim. Por que com a garota nova iria ser diferente?
— Oi, filha — disse sua mãe, que estava em pé. — Como foi o primeiro dia de aula?
— Foi bom — disse Emilly, depois cumprimentou os convidados.
Ela então foi para seu quarto e trocou de roupa.
Seu guarda-roupa, que estava mais bagunçado que um celeiro, estava a incomodando. Então, com um gesto rápido com as mãos na direção do guarda-roupa, as peças começaram a flutuar e a dobrar, enquanto a vampira olhava pela janela.
A floresta estava escura; perfeita para uma corrida.
Desse modo, ela vestiu uma roupa de corrida (que, para variar, era preta) e desceu as escadas. No térreo, onde ainda se encontravam seus pais e os convidados, ela disse:
— Pais, eu vou sair para correr, tudo bem? — disse ela, de uma forma considerada, por seus pais, delicada.
Mas, ao invés de aceitar, todos os adultos se entreolharam.
Emilly estranhou; seus pais sempre respondiam sim imediatamente. Então, sua mãe começou.
— Minha filha — suspirou. — Sente-se aqui, por favor.
Na velocidade de um vampiro, ela obedeceu.
— Bem — disse o pai. — Nossos amigos vieram aqui para nos informar que… — ele fez uma breve pausa. — Que tem…
— Josh — disse um dos convidados —, você sabe que ela vai descobrir.
Recomeçou.
— Tem uma gangue de vampiros que descobriram o seu poder. Você sabe que é uma das mais poderosas vampiras dessa casa. Eles querem… uma amostra de seu DNA*. Com um fio de cabelo seu, o mundo pode virar de cabeça para baixo. Seu poder, Emilly, é tão forte que é perigoso até para você.
Emilly ficou pasma. Vampiros procurando por ela? Querendo o seu DNA? Como?
— Você, Emilly — disse uma linda mulher de cabelos vermelhos. — É uma… fonte de magia tão intensa que pode dominar o mundo.
Silêncio por um longo momento.
Sua mãe se levantou e foi até sua filha.
— Mas, querida, esse poder tem que ser dominado por você. Você é uma vampira que pode entrar na mente das pessoas, controlá-las, ler os pensamentos delas. E é uma maga. Os poderes de uma maga são tão bons, mas eles atrapalham o seu poder de vampira. Temos que treinar e conseguir controlar eles.
— Você entende, filha? — perguntou seu pai.
Ela não respondeu, simplesmente se levantou, atravessou a sala rapidamente e saiu para a luz da lua.
A brisa da noite bagunçou seus cabelos negros. Ela então começou a correr pela floresta.
Correu.
Correu.
Correu.
Correu. Correu, sem encostar em nenhuma árvore ou arbusto. Correu até não sentir suas pernas. Correu até chegar ao ponto mais alto da montanha.
Quando não dava mais para ela correr, estava cansada e não tinha mais chão, apenas uma queda de muitos metros e um rio muito gelado.
Ela não pôde fazer mais nada a não ser dar um grito extremamente agudo enquanto caía de joelhos nas pedras. Seu grito saiu tão fino que as ondas atravessaram a cidade.
Emilly sentia uma onda de raiva.
— Por quê?! — gritou ela para o rio. — Por que eu tenho que ser um monstro?!
Era impossível alguém responder, então ela voltou a correr floresta adentro.
***
Depois de passar a noite inteira correndo pelas ruas de Londres, Emilly entrou em sua casa pela janela. Na manhã seguinte, pegou seu material e foi para a escola. Ela sabia que não conseguiria evitar seus pais por muito tempo. Eles só queriam o seu bem.
O dia estava novamente nublado, porém dava pingos de água gelada na pele de pessoas que não eram vampiros, porque Emilly, que foi atingida assim que passou pelos portões, não sentiu nada. Isso era outro ponto difícil de esconder: quando alguém tocava na garota por acidente, sentia um frio imenso.
A escola estava cheia, mas o foco total da garota vampira era as falas de seus pais na noite passada. Mesmo fingindo que não, ela estava com medo de que algo pudesse acontecer com ela e sua família. O que a deixava mais irritada era que não conseguia controlar seus poderes. Seu cérebro repetia isso todos os dias desde a noite em que descobrira que tinha se transformado.
Mas essa nuvem de pensamentos se desfez quando ela se viu sentada ao lado do unicórnio radioativo.
Ela parecia normal, anotando o conteúdo da aula de matemática. Aquele sorriso que deixava Emilly louca. Não nesse sentido, caso tenha pensado nele. Louca de… raiva.
O professor Charlie estava dando aula para Emilly pela quarta vez. Ele sempre passava os mesmos exercícios. E, claro, que ela tinha as respostas.
A aula se arrastava como uma lesma. Então, com muito cuidado e lembrando das falas de seu pai, ela tentou dar uma espiadinha na mente dos seus colegas de turma.
Começou pelo garoto que sentava atrás dela. Ele era quieto e cheirava a grama recém-cortada.
Ela precisava visualizar, de olhos fechados, a cabeça dele. Como uma câmera. Depois, precisava visualizar com maior intensidade a região de seu cérebro. Assim, com muito cuidado, ela se deixava entrar, como se soltasse uma corda de pouquinho em pouquinho. Até finalmente chegar onde se chama Zona de Visualização Mental. Ela via tudo como se fosse um filme na velocidade vezes dois, mas interpretava muito bem.
O garoto estava olhando pela janela e pensava em sua mãe. Ele estava com medo de deixá-la sozinha com seu pai em casa. Mas o pensamento mudou: o menino pensava em uma pessoa. Ela tinha cabelos curtos e castanhos-claros, tinha tom de pele morena e… era um garoto. Um garoto de quem ele estava gostando.
Emilly achou engraçado e reparou que tinha dado certo.
Então tentou novamente.
Queria ver a mente de uma pessoa.
Sim.
Da Abelha Unicórnio.
Voltou a fechar os olhos novamente e se concentrar na cabeça de Cloe com sua câmera imaginária.
Foi mais fácil do que ela pensou que seria. Logo estava vendo os pensamentos da garota: a Zona de Visualização Mental mostrava uma coreografia de uma trend viral. Emilly sentia repulsa daquilo.
Depois, mostrou uma garota negra, com cabelos presos numa trança, e muito, muito linda. Seus olhos eram pretos como jabuticabas. A maçã do rosto era de um lindo vermelho natural. Mas era um pensamento triste.
Infelizmente, quando o próximo pensamento veio, ela sentiu suas pernas vibrando, como se tivesse correndo sentada. Ela sabia que estava na sala, sentia e ouvia tudo ao seu redor. Mas o que ela precisava era desviar o pensamento para qualquer outra coisa, entretanto sua mente estava sendo dominada pela mente de Cloe.
Seus pés e braços começaram a tremer com mais intensidade.
A sensação era a mesma de estar se afogando e não conseguir puxar ar nem subir para a superfície.
A Zona de Visualização Mental ficava borrada e não era possível entender o que se passava na mente da pessoa. Da mesma forma que não dava para sair daquela situação. Emilly tentou o que seu pai tinha lhe ensinado, mas tudo que tentava era inútil.
Ela perdeu a consciência e teve a mesma sensação de dormir.
*O DNA QUE A GANGUE DE VAMPIROS QUEREM, É TIPO UM SORO QUE CIRCULA PELO VAZIO DOS VAMPIROS, POIS ELES NÃO TEM SANGUE.
Fale com o autor