Not All Roses
3 Possessão
Depois de mais um sonho com meu “anjo’’ eu acordei um pouco confusa. Era madrugada e não havia mais ninguém no quarto alem de mim, porém estava escutando vozes, muitas vozes ao mesmo tempo algumas gritavam por socorro, outras tentavam bolar plano de fuga, mas eu não entedia o porque. Olhava para os lados na esperança de esperança de descobrir de onde vinham os gritos, mas não via nada além do vazio.
Eu estava atordoada com aquilo pois nunca havia acontecido nada parecido, então uma voz na minha cabeça falou: “ Você tem que sair daqui, fuja, liberte-se de tudo que te faz mal”. Imediatamente arranquei todos os tubos e agulham que estavam presos a minha pele e pulei da maca e fui para o canto da parede, sentei no chão com as pernas dobras e os joelhos na altura do rosto. O sentimento de aflição era grande, não sabia o que fazer, via sombras vindas em minha direção. Para tentar me refugiar, coloquei a cabeça entre os joelhos e procurei pensar nos sonhos bons que tive com meu anjo, porém vinha um turbilhão de vozes em minha mente, aquilo me deixou exausta e ali mesmo adormeci.
Fui acordada pela enfermeira apalpando o meu braço.
-Ester tudo bem com você?-disse ela num tom sério e de preocupação.
-NÃO TOCA EM MIM- gritei
Levantei-me rapidamente para me desviar dela e fui para o outro canto da parede.
-Não agüento mais sentir dores, ouvir vozes, me deixa em paz, parem de me fazer mal.
-Fique calma Ester, nós só queremos te ajudar então é melhor você se deitar e descansar, logo, logo você irá sair daqui.
Rios de lágrimas brotavam no meu rosto, eu estava aos prantos. A enfermeira foi se aproximando calmamente, segurou minhas mãos que estavam pressionando a minha cabeça com uma forte tensão na esperança de fazer sumir todas aquelas vozes que me perturbava e as relaxou me levou até a maca onde me deitei e fiquei ali imóvel olhando para o teto ainda com lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
-Olha fique calma, não irei te sedar, mas eu preciso que você se mantenha calma, certo?
A enfermeira saiu do quarto e eu continuei imóvel. De repente senti algo diferente no meu corpo, era uma sensação indescritível, ia me possuindo inteira, eu me debatia na maca, meus olhos reviravam. Por um momento as vozes param de se manifestar em minha mente, era como se todas elas estivessem tentando procurar algum meio de se manifestar através de mim, meu coração foi a mil. Eu desmaiei.
Quando acordei minha mãe e minha amiga Monique estavam ao meu lado, aparentemente eu estava bem, mas eu sentia que dentro de mim algo havia mudado, parecia outra pessoa dentro de mim. Enquanto olhava para o rosto delas me vinham más lembranças, não conseguia ver mais uma mãe e uma amiga ao meu lado, apenas pessoas que poderiam me fazer mal, muito mal.
-Olá filha, quanta saudade de você, como se sente?
Minha mãe parecia estar super feliz com a minha recuperação, ela acariciava meu rosto como se nunca tivesse me conhecido, mas não tive nenhuma reação às carícias dela, apenas me levantei , troquei de roupa, peguei a bolsa e sai ignorando todos.
-Ester aonde você pensa que vai? Volte aqui, você não pode sair assim- Disse Monique tentando me impedir. Minha mãe chamou a enfermeira que logo informou a segurança, mas eu fui mais esperta que eles, entrei em outro quarto, abri a janela, me pendurei num galho de árvore bem forte e desci.
Estava procurando algum lugar para me esconder quando de repente as vozes voltaram a me atormentar, porém uma voz era mais forte, eu a escutava com mais clareza, parecia voz de criança, ela me alertava e me guiava para eu fazer o que ela julgava ser certo.
Notas finais
Review, por favor ):
Vitória, obrigado pela inspiração
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