Not All Roses
4 camisa de força
Estava passando por uma ponte, a brisa batia no meu rosto e meus cabelos desarrumavam facilmente, eu tinha sensação de liberdade, mas aquilo era a ultima coisa que eu tinha naquele momento. Eu conhecia bastante aquele caminho, mas não conseguia me lembrar dele, não sabia pra onde estava indo. Estava suja e segurava um pedaço de madeira grande, andava pelo meio da pista, os carros buzinavam, mas naquele momento eu não estava me importando com nada. Eu podia ouvir nitidamente o barulho da madeira em atrito com o asfalto, os pensamentos dos motoristas que passava por mim, o barulho do rio que corria em baixo da ponte, eram barulhos ensurdecedores para mim só que no fundo desses barulhos eu escutava uma voz era apenas ela que me conduzia naquele momento.
Cheguei no meu apartamento, procurei as Chaves na bolsa e entrei, minha amiga e minha mãe me esperavam aflitas no sofá. Ao entrar elas ficaram surpresas:
-Ester onde você estava minha filha, liguei várias vezes para o seu celular e você não me atendeu, o q aconteceu?- Disse minha mãe. Logo em seguida ela me abraçou, mas eu não tive reação nenhuma, apenas esperei ela me soltar e me dirigi até o quarto para pegar alguns dos meus pertences que eu precisava. Meus olhos mudaram de cor, minha pele estava mais branca do que antes (eu estava praticamente amarela), meus lábios não eram mais corados a cor havia mudado para roxo, eu era uma desconhecida para minha amiga e minha mãe.
Quando estava saindo de casa, como se ninguém estivesse dizendo nada pra mim (e de fato eu estava concentrada apenas na voz que me guiava) minha mãe tentou me impedir
-Ester, volte aqui agora estou preocupada com você e você chega e não diz nada comigo? Eu não admito isso, volte aqui agora !!
Então ela agarrou um meu braço e me virou. Aquilo me irritou de tal forma que eu a empurrei com força q ela caiu no chão, olhei para ela com os olhos cheio de fúria, repuxei os lábios mostrando os dentes como se fosse uma briga entre animais, olhei para a Monique que estava em prantos e voltei a olhar para minha mãe caída no chão e então do nada comecei a falar coisas estranhas em uma língua estranha, não sei como falei aquilo, era uma língua totalmente desconhecida por mim, mas veio tudo aquilo na minha cabeça e eu falei de um jeito que deixou minha amiga e minha mãe horrorizadas. Sai pela porta naturalmente.
Eu estava parecendo uma primata com um pedaço de madeira na mão e toda suja. As pessoas corriam de mim, meus olhos vermelhos afugentava qualquer pessoa maligna que tentava me atacar. Já estava escurecendo e eu resolvi parar em uma praça que ficava em frente a uma igreja, fiquei observando o movimento da igreja atentamente, conseguia ler os pensamentos de cada pessoa que entrava e saia dali. Naquele momento a voz dizia: ‘’Acabe com tudo, liberte-se’’. Meus punhos se contraíram em uma enorme tensão ao escutar aquilo, a fúria era imperceptível naquele momento.
Uma van branca parou logo a minha frente, um homem com um jaleco branco desceu da mesma e veio em minha direção.
-olá, você é a Ester?
Balancei a cabeça positivamente. Eu não desgrudava do pedaço de pau um segundo se quer, a voz me dizia que algo ruim iria acontecer comigo e aquela seria a minha arma.
-Então Ester, sua mãe pediu pra gente vim te buscar, nós vamos te levar para um lugar seguro, certo?- Disse o homem tocando no meu braço, porém eu me esquivei. Segurei o pedaço de madeira com as duas mãos contra meu tórax, meu olhar era furioso, meus lábios estavam esticados sobre meus dentes de uma forma que os deixava a mostra. Mais uma vez eu parecia um predador.
-Eu não vou a lugar algum, ninguém toca em mim. –Disse dando um passo pra trás
-Ester, nós temos que te levar, é para o seu próprio bem.
Enquanto eu estava concentrada no homem de branco que conversava comigo e tentava me levar, outros dois homens desceram da van sem eu perceber, vieram por traz de mim e me agarraram. Eu me debatia na esperança de conseguir me soltar, mas os homens eram muito fortes e apertaram meu braço de um jeito que me fez soltar o pau, logo em seguida me imobilizaram e me levaram a força para dentro da van. Eu ainda me debatia muito. Um dos homens me amarrou numa cadeira enquanto o outro preparava uma injeção. Eu fui ficando sonolenta e não tinha muitas forças para continuar lutando contra eles, então o mesmo homem que me amarrou colocou uma camisa de força em mim depois tudo foi ficando escuro até que apaguei.
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