Nosso Nome Na Lista.
64 Capítulo 64 – Uma Ajuda Inesperada
Notas iniciais
Capítulo 64 – Uma Ajuda Inesperada
.
.
.
Eu me arrependo no segundo depois que faço aquela pergunta, e ao mesmo tempo não me arrependo. Não me arrependo porque Quentin obviamente quer saber o que aconteceu em casa e eu posso lhe contar o que me fez ir até ali. E eu sinto que contar para ele me faz muito bem, ainda mais quando ele escuta com toda atenção do mundo, com uma máscara neutra e compreensiva, mesmo que eu termine chorando nos seus braços.
De novo.
— Letty... talvez a sua mãe só... estivesse estressada por conta de todo o tratamento – ele diz, em um tom de voz bastante razoável. – Ela é uma mulher narcisista e vaidosa. Se preocupa muito com a aparência... deve estar sendo difícil tudo isso para ela.
Foi exatamente o que eu havia imaginado meu pai dizendo e, por mais sensato que isso fosse, ainda não justificava nada para mim. Como eu falei, não era como se ela não tivesse ideia do que estava falando. Ela sabia. E sabia que magoaria. Quando me viu ir embora, não pediu nem desculpas..., ela havia dito aquilo por pura maldade.
— Eu não aguento mais, Quentin – eu digo, encolhendo os ombros. – Eu sou um ser humano, não a porra de uma princesa da Disney. Eu já fui desprezada por ela a minha vida toda... eu não quero mais.
Como se percebesse que insistir não me faria mudar de ideia, ele apenas dá um sorriso resignado e acaricia o meu rosto. Então me puxa para perto e me beija suavemente.
— Você sabia que faz uma expressão de nojo e desprezo sempre que fala da sua mãe? – Ele pergunta, como se quisesse mudar de assunto. – O diretor do teatro está me fazendo ler um livro sobre linguagem corporal e lá diz que quando demonstramos nojo ao falar de alguém, pode ser porque achamos que aquela pessoa é nociva, tóxica, para nós... isto é, se estamos falando do sentimento que uma pessoa causa e não uma memória particularmente nojenta que temos com ela.
Quando Quentin fala assim há um momento em que minha mente se perde e então se acha novamente. É bizarro e, ao mesmo tempo, maravilhoso.
— Adoro quando você fala difícil – eu murmuro, fazendo-o rir e menear com a cabeça. – O que a minha “linguagem corporal” diz agora?
Ele dá uma risada, desviando o olhar, então me olha de novo.
— Corpo inclinado na minha direção. Pescoço à mostra. Mexendo nervosamente no cabelo... você está claramente interessada. Provavelmente tentando me seduzir, Srta. Letterman – ele responde. – É uma pena que não funcione.
Faço uma expressão de desconfiança.
— Por que não funcionaria? – Pergunto.
— Porque eu já estou seduzido – ele responde, me provocando.
Desvio olhar, me sentindo um pouco culpada por estar rindo tanto com ele. Quando o olho de volta, ele se aproxima e me beija de novo. Seus lábios se movem sobre o meu com tanto cuidado, e ao mesmo tempo tanta intensidade, que eu me sinto derreter em seus braços. Então ele me segura com mais força contra ele.
— Esse parece ser um bom livro, me passe depois que terminar com ele – eu peço.
Ele sorri e concorda com a cabeça. Chega a se inclinar para voltar a me beijar, quando sua mãe bate da porta e nos chama para jantar. Por algum motivo, Christine parece bem animada por eu ficar para jantar e ela faz muita comida para nós. Pelo menos, o irmão mais velho de Quentin, não fico muito surpresa quando vejo Joseph na sala de jantar também, com uma expressão de puro tédio.
— Olha só, Sandy e Danny. Já acabou o número musical? – Ele nos provoca.
— Ora, se você está reclamando porque acabou e não teve um ingresso para assistir, ficaremos mais que felizes por repetir o nosso show para você – Quentin retruca.
— Me poupe de te ouvir agonizando, Quentin – é o que ele responde, fazendo meu namorado rir. – E aí, Letty?
— Oi, Joseph – é tudo o que eu respondo.
De todos os irmãos de Quentin, Joseph parece ser o mais distante. O único que não está envolto por aquela aura de brilhos e sorrisos encantadores. Na verdade, ele tem uma certa expressão de desprezo estampada no rosto que me intimidava um pouco. E só fica mais óbvia quando Charles, seu outro irmão, aparece na sala de jantar com uma travessa com alguma coisa cheirosa.
— Ah, Letty, que legal você ficar para jantar – ele diz, quando me vê. – Você vai adorar meu famoso macarrão de cenoura com pesto fitness.
Não sei porque, mas não fico muito animada quando o ouço dizer “macarrão de cenoura” seguido de “pesto fitness”, mas tento confirmar com a cabeça com um sorriso falso e olho para Quentin pelo canto do olho.
— Eu duvido que ela goste. Até hoje, depois de cinco anos, eu ainda acho intragável – meu namorado responde, provocando o irmão.
Como resposta para aquela provocação, Charles pega Quentin em um mata-leão de brincadeira e bagunça os cabelos escuros dele. Não me passa despercebido o modo como os músculos de fisiculturista dele se contraem em desenhos bonitos, bem visível pela regata sem mangas que ele usava.
— Você fala isso porque tem inveja do meu corpo, pequeno Quentin – Charles responde, provocando seu irmão mais novo.
— Será que você pode ser menos selvagem, Charles? Temos visita – Christine pede deixando outra travessa sobre a mesa. Ela olha para mim como se pedisse desculpas, enquanto seu filho brutamontes solta o irmão mais novo. – Parece que eu ganhei Ogros ao invés de filhos.
— Engraçado, eu também sinto isso a respeito dos meus irmãos – Joseph concorda.
Ela olha para ele pelo canto do olho, mas não responde nada.
.
O jantar estava bom, apesar de eu não me sentir muito confortável para comer com os outros, ou para comer em si, mas Christine estava se esforçando tanto que eu me sentiria mais mal ainda se não comesse nada. Joseph passa o jantar inteiro sem falar nada, lendo um livro que parece difícil. Ele me lembra um daqueles caras nerds que tentam ser hipsters e se acham bom demais para uma conversa banal.
O único momento em que ele esboça uma reação é quando Quentin vira para a mãe e pergunta:
— Mãe, Letty pode dormir aqui?
Assim, na lata. Na frente de todo mundo. Acabo me engasgando com aquela porcaria de macarrão de cenoura (que sinceramente, NUNCA seria igual a um macarrão feito de massa). Sério, me pergunto o que Quentin tem na cabeça para perguntar isso e acho que Joseph também porque ele ergue o olhar do livro e arqueia as sobrancelhas para o irmão mais novo como se não acreditasse.
Meu deus, o que ele pensaria de mim?
— Hum... acho que pode. Os seus pais sabem? – Christine pergunta.
— Sim... – eu minto.
Ela dá de ombros.
— Acho que não tem problema então – ela responde.
E então Joseph ergue o olhar para o céu e resmunga alguma coisa, antes de voltar sua atenção ao seu livro. Ele provavelmente deve ter pensado que sua família era maluca.
E é assim que eu consigo permissão para dormir na casa do meu namorado, perfeito. Quando voltamos ao seu quarto eu estou tão sem graça, que tenho a vontade de sair correndo e passar a noite em qualquer outro lugar que não fosse ali.
— Você tinha que pedir isso na frente de TODO mundo ali?! – Eu pergunto.
Quentin me olha como se não entendesse meu constrangimento.
— Seria pior se eles percebessem amanhã, não? – Ele pergunta.
— Seu irmão deve estar pensando que vamos passar a noite inteira transando! – Eu retruquei, com a voz esganiçada de nervosismo.
— Mas nós não vamos... Opa, nós vamos? – Ele pergunta, desviando-se do foco da questão.
Sinto meu rosto ficar vermelho, então eu pego o travesseiro da cama dele e atiro nele. Sério, Quentin tinha um dom de ser cara-de-pau às vezes que eu me surpreendia. Só consigo pensar algo como “não deve ser a primeira vez que alguma namorada dele dorme aqui”, ou “o irmão dele deve achar que eu sou uma piranha que fica indo para a casa do namorado transar com ele”, ou “MEU DEUS O QUE A MÃE DELE ESTÁ PENSANDO DE MIM NAQUELE MOMENTO?!”.
— Calma, não precisa ficar nervosa, Letty – ele pede, rindo e segurando o travesseiro contra o peito. – Eles não se importam. Estão nem aí para quem dorme aqui ou não, acredite. E tenho certeza que Gilliam e Charles já fizeram coisas pior do que chamar a namorada para dormir aqui.
É estranho. Estranho porque não sei como as coisas funcionam na casa dele, mas obviamente não eram como na casa de qualquer outra pessoa. Bem que eu havia percebido quando a mãe dele me chamou para aquela conversa estranha depois que me pegou saindo do quarto dele outro dia, depois da festa.
Ele se aproxima de mim, mas não tenho outro travesseiro para jogar na sua cara, então ele me puxa pela cintura e me beija.
— Eu estou muito, muito feliz por você dormir aqui – ele diz, entre beijos. – Enfim vamos poder fazer algo que eu sempre quis fazer com você.
Eu umedeço os lábios. Pelo seu olhar, poderia sugerir que ele estava falando de transar, mas nós já havíamos transado antes, então só posso pensar que talvez ele realmente esteja pensando em “transarmos a noite inteira” o que não havíamos feito ainda, no entanto, sou surpreendida quando ele pega seu notebook e diz:
— Assistir Netflix!
Tento não parecer decepcionada porque assistir Netflix parece um bom plano para mim. E é assim que vestimos nossos pijamas, quer dizer, meu pijama não passava de uma camiseta de Quentin, mesmo assim, acho que era melhor que qualquer um que eu já tenha usado em toda a minha vida; e nos deitamos na sua cama com o notebook apoiado sobre o colchão. Quentin coloca uma série de comédia que ele adora e que eu PRECISO ver chamada Brooklyn Nine-Nine e, eu tenho que admitir, é engraçada.
Estou completamente entretida e atenta à série, quando Quentin começa a me provocar, beijando o meu pescoço. Não sei se é um teste para saber se eu estou prestando atenção ou se ele realmente está tentando alguma coisa, mas tento não me distrair.
Só não achei que fosse tão difícil até que sinto sua mão descendo pelas minhas costas, em um caminho extremamente sexy e.... excitante. Ah, não, esse filho da puta está realmente me provocando. Quando vejo ele está, literalmente, me virando de costas para a cama e em cima de mim, beijando meu pescoço, meu colo... fazendo com que eu só consiga pensar na sensação prazerosa que é ter seus lábios em mim o tempo todo.
Eu achava transar superestimado.
Nunca senti necessidade de transar, como se fosse alguma espécie de vontade incontrolável. Mas, pode parecer até clichê, quando você transar com alguém que você gosta... é bom. É muito bom. Como se fosse um sentimento mais intenso, algo instintivo e natural, que fazia parte das coisas. Você conhece um lado vulnerável daquela pessoa, que poucas pessoas conhecem. E é sempre uma boa sensação quando quem você gosta está tão vulnerável quanto você.
Por isso transar era bom.
Transar com quem você gosta é melhor ainda.
E transar com Quentin era perfeito.
...
Não sei como consigo tomar café-da-manhã na casa dele, olhar para dona Christine, e fingir que NADA aconteceu na manhã seguinte. Talvez o fato dela fingir também ajudasse um pouco com aquela situação constrangedora. De qualquer forma, eu fico tão nervosa que como pouco, porque estou enjoada, e isso faz com que Quentin pegue no meu pé, o tempo todo, até eu comer uma quantidade suficiente para ele.
Sua intromissão me irrita, mas tento relevar. Não quero que ele pense que minhas palavras de ontem foram da boca para fora, só para fazermos as pazes. No entanto, ainda penso que ele tem sorte por ter um rosto tão bonito que me faz não sentir vontade de lhe dar um soco na cara, como eu geralmente sentia.
— Você não trouxe uma muda de roupa, né Letty? – Christine comenta, fingindo que não ouvia seu filho pegando no meu pé e empurrando comida para o meu prato. – Vou lhe emprestar um vestido, vai ficar um pouco grande, mas não acho que vá ficar estranho. Ele fica pequeno em mim.
Ela sai da cozinha saltitante.
— Ela sempre quis ter uma filha – Quentin comenta, como se achasse engraçado. – Alguém para falar de vestidos, maquiagens e ir aos salões de beleza.
Penso, por um instante, que nossas mães se parecem um pouco nisso, mas tenho quase certeza que ela não obrigava Quentin ou qualquer um de seus irmãos a ir ao salão com ela, ou os vestia com os vestidos que ela queria.... Tenho certeza que Christine sabia que seus filhos eram seres humanos e não bonecos.
— Deve ser chato ter uma nora que seja uma decepção nesses aspectos – eu observei, com um meio sorriso de auto depreciação. – Mas, ei, ela tem uma neta agora.
— Verdade – ele concordou. – Não sobre você ser uma decepção, claro.
Ele se enrola de um jeito que me faz sorrir, e lhe dou um beijo no rosto. Provavelmente não um beijo na boca porque a mãe dele volta, com um vestido roxo e diferente de mais para ter sido comprado em uma loja física. Sinto que é uma daquelas compras que você faz pela internet e quando chega você fica decepcionada por não dar em você. Felizmente, Christine parece muito feliz com a ideia de alguém poder usar ele.
— Tome. Tenho certeza roxo vai ficar ótimo em você – ela diz com emoção. – Se gostar pode até ficar. Não tenho mais ninguém que possa usar mesmo.
Ela dá uma risada divertida. E, por um instante cruel, eu penso que gostaria de ter uma mãe como Christine. Penso, por um segundo, o quanto a minha vida poderia ter sido diferente e isso faz meus olhos arderem. Como sei que é um pensamento repreensível, apenas agradeço e fujo para o quarto de Quentin.
Tomo um banho rápido e coloco o vestido. Ele realmente fica um pouco grande, mas não fica estranho. Ele fica um pouco comprido, passando um pouco dos meus joelhos, porque sou baixa, mas sua manga caí charmosamente pelo meu ombro e combina com meus sapatos e meu casaco.
— Você e minha mãe tem um estilo parecido – Quentin comenta quando eu saio do seu banheiro. – Meio hippie, meio... sexy.
Faço uma careta.
— Você acabou de dizer que sua mãe é sexy? – Eu digo, fingindo nojo.
— Toda minha família é bem sexy – ele responde.
Eu o puxo pela gola do casaco, para perto de mim. A respiração dele fica pesada com a proximidade. Seus olhos fitam o meu com um brilho realmente sexy.
— Até você? – Provoco, sem beijá-lo.
— Inclusive eu – Ele responde, engolindo em seco. – E nós só podemos nos relacionar com pessoas sexys. Faz parte da nossa tradição familiar.
Desvio o olhar e dou uma risada, quando ele me puxa pela cintura e então me beija afoitamente. Sinto que é um beijo de cinema. Do tipo que ele lhe inclina para trás e te apoia para não cair, e então você tem que ter confiança de que ele não vai te largar para poder se entregar ao momento.
— Você beija as meninas do teatro assim? – Eu brinco, quando ele se afasta.
É apenas uma brincadeira, mas não gosto de imaginá-lo beijando alguém assim. Nem que seja no teatro ou em qualquer peça ou lugar.
— Não beijo as meninas do teatro – ele responde, divertido, com um meio sorriso arrogante de quem capta um pouco do meu pensamento. – Principalmente porque as meninas do teatro geralmente gostam de beijar outras meninas. E a menina que eu gosto de beijar não é do teatro.
Faço uma careta e aperto a bochecha dele.
— Você é muito bom com respostas, McCullogh – provoco.
— É de família também – ele responde.
.
Nós vamos juntos para o colégio e, por um instante, tenho uma neura inexplicável de que as pessoas devem achar que eu sou uma piranha. Isso é, se elas soubessem onde eu havia passado a noite. Não que houvesse algo de errado em eu dormir na casa do meu namorado... né? Quer dizer, as pessoas já achavam que eu era piranha por boatos de que eu beijei o irmão dele.
Mas de alguma forma, eu me sinto segura com Quentin do meu lado. Sentindo o seu braço apoiado ao redor dos meus ombros. Inesperadamente, não me sentia mais fraca por ter conversado com ele. De alguma maneira, sinto-me mais forte. Bizarro, não é? Você se sentir mais forte após ter estado tão vulnerável na frente de alguém.
Na entrada, nos encontramos com Ellen e Luc. Pareciam estar nos esperando, pois ambos se levantam da escada no momento em que nos veem juntos. Deve ser um grupo esquisito: dois odiados namorando dois populares. Sinto que está todo mundo nos encarando com curiosidade. Somos os centros das atenções.
Tento não me irritar com isso, mas acho que Luc se irrita, porque ele se levanta e vai embora para um lugar mais afastado e longe dos olhares. Nós o seguimos, porque nenhum de nós estava confortável.
— Então? – Ellen pergunta ansiosa.
Quentin responde com uma negada de cabeça.
— Nada novo – ele responde. – Ninguém sabe de nada.
— Ou fingem não saber – Luc comentou, com uma expressão de desprezo.
Ele pareceu dez anos mais velho, e ele já parecia bem velho normalmente. Penso em como contar para eles sobre o plano meio idiota que eu tive, quando vejo Yvonne se aproximando. Fazia tempo que eu não a via ou falava com ela e, quando percebo isso, fico surpresa. Parte de mim se pergunta se ela não poderia deixar as coisas como estavam.
— Hum..., mas que grupo estranho temos aqui – ela comentou, naquele tom de deboche que sempre me irritou. Seu olhar analisa todo mundo, e um sorriso aparece quando ela fala com Quentin. – Parecem garotos procurando problemas.
Ela dá um meio sorriso. Estreito os olhos em desconfiança.
— Sempre achei que fosse isso do que se tratava ensino médio – Quentin responde, encantador como sempre. – Sermos garotos procurando problemas.
Ela dá uma risada e ajeita os cabelos escuros.
Por que tinha que ser irritantemente linda?
— Ouvi dizer que você andou fazendo perguntas por aí... sobre os bilhetes que sumiram e apareceram misteriosamente na Lista para Brucena – Ela comenta.
Seu olhar sobre mim parece arrogante. Quase a imagino dizendo para que nós paremos de fazer perguntas. Pergunto-me se seria ela quem estaria por trás de tudo isso.... Não seria surpreendente. Na verdade, seria surpreendente se ela não houvesse feito isso desde o início, desde Duncan.
— Você sabe algo sobre isso? – Eu questiono com agressividade.
Ela deu de ombros.
— Talvez – ela confessa. – Mas se eu contasse você acreditaria?
Eu estreitei meus olhos para ela.
— Conta e aí eu decido – Eu respondo, cruzando os braços.
— Sua namorada me intimida – Ela acusa à Quentin, cruzando os braços.
Ele dá de ombros.
— Faz parte do charme dela – ele responde.
— Conta logo – Luc pede com impaciência.
Mesmo que o assunto sequer dissesse respeito a ele. Só posso cogitar que ele tinha muita raiva dessa Lista e tudo o que ela representava. Pela cara de Ellen, só posso supor que deve ser algo perto disso mesmo; ela parece muito preocupada.
— Eu... perguntei à algumas pessoas, se eles sabiam algo sobre isso... sobre os bilhetes e a Lista – Ela comentou diminuindo o tom de voz. Aproximando-se de mais do meu namorado. Me meti na frente dele, desafiando-a a se aproximar mais. – Todo mundo com quem eu falei sobre os bilhetes sumidos, me contaram que eles sempre sumiam quando paravam na cadeira do Josh.
Minha primeira reação é dar uma risada sarcástica.
— Como Josh entraria no banheiro feminino? – Eu questionei. – Mais do que isso, como você acha que ele faria isso SOZINHO?
Ela revirou os olhos e soltou um suspiro de condescendência.
— Eu não disse que ele fez sozinha, Bruce – Ela respondeu com sarcasmo. – Eu o vi andando com umas meninas estranhas, antes das aulas. Depois do treino.... Achei estranho porque não sei o que poderia ter algo em comum com elas.
Ainda estou um pouco cética. Quer dizer, Josh? Sério?
— Ele teria motivos o suficiente – Quentin comentou.
— Pera, você não pode achar mesmo-... – Eu comecei, mas nem terminei.
Ele estava pensando naquilo seriamente, assim como Ellen e Luc.
— Que motivos ele teria? – Eu perguntei com sarcasmo, dando de ombros. – Quer dizer, tudo bem que ele me odeia agora, mas antes ele era... O.K. comigo.
— Exatamente por isso – Ellen respondeu em tom baixo. – Ele era O.K. com você, e então começou a ficar irritado porque você não era como as outras garotas.... Você não estava grata por estar na Lista e muito menos desesperada para ser descolada.
— Em outras palavras, você não dançou a música dele – Luc comentou.
Eu ainda não conseguia acreditar, apesar de parecer óbvio agora.
— Tudo isso começou a piorar quando você começou a se desentender com ele... Coincidência? – Yvonne pergunta, dando de ombros respondendo a si mesma. – Ele te chamava à festas que você não queria ir, te empurrou caras que você não queria, e isso o irritou porque, bem, ele acha que manda em todo mundo.
Olhei para ela com estupefação. Por que tudo parecia fazer tanto sentido de repente?! E SÓ AGORA?!
— Poxa, Yvie, quando você ficou tão inteligente assim? – Perguntei com deboche.
— Eu sempre fui inteligente – ela responde dando de ombros. – Eu que esperava mais de você...
Ela tenta me provocar pegando no meu cabelo e me afasto imediatamente.
— Por quê? – Pergunto. – Por que tentar nos ajudar de tão boa vontade?
— É... Pensei que você gostasse da Lista – Quentin comentou.
Ela deu de ombros, com o seu jeito blasé de sempre.
— A Lista só está falando dela – Ela me olha de cima a baixo. – Perdeu a graça já.
Não sei porque, mas sinto como se essas não fossem as únicas palavras que ela queria me dizer. O único motivo pelo qual ela estava contando aquilo e explicando tudo. Encaro-a um longo tempo com desconfiança, esperando pela facada.
Inesperadamente ela não vem.
— Sabe, Bruce... No fundo eu meio que te admirei – Ela comentou de repente. – Não importa o que acontecesse, você... sempre pareceu saber bem quem você é. Não importa o que as pessoas digam ou o que a Lista aponte, você sempre foi a MESMA pessoa. Talvez por isso eu sempre tenha perdido para você nas nossas competições bobas – Ela dá de ombros com um suspiro. – Sempre senti que escolhi uma boa adversária.
Não sei o que ela espera dizendo isso. Que eu a abrace e que sejamos melhores amigas? A ideia me parece absurda (e pela careta que Luc faz tenho quase certeza que para ele também, estou começando a gostar muito desse garoto), mas incrivelmente, Yvonne não parece esperar por nada. Ela ajeita seus cabelos e diz:
— Bem, é isso. Espero que você dê um jeito em Josh – Ela termina. – Esse jeitinho de garota vingativa fez tudo perder a graça. Boa sorte.
Ela se vira para ir embora, mas eu seguro o seu braço.
— Ei... a secretária é a sua tia, não é?
Ela arqueia uma sobrancelha com desconfiança.
— É.... – responde com hesitação.
— Você não quer me ajudar a dar um jeito nessa “garota vingativa”? – Pergunto.
Fale com o autor