Nosso Nome Na Lista.

65 Capítulo 65 – Fugir


Notas iniciais
Oiiiiii Eu devia ter postado domingo. Sinto muito. Obrigada a todo mundo que está lendo e acompanhando. Estou continuando essa história não graças à força do ódio, mas à força do carinho que vocês tem por ela (obrigada, e sinto muito por qualquer coisa >.>) AGRADECIMENTOS ESPECIAIS: — sandrinha — Carina — Olhos Castanhos — Sheila Rayane — Juuh Beauchamp — KK Esse capítulo tá meio parado mas prometo que o próximo vai ser BOMBÁSTICO!! Bisou ♥ Belle.Époque

Capítulo 65 – Fugir

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— Aonde você estava?!

O tom de Martha parecia o mesmo que uma mãe usaria a uma filha fugitiva. Ela mesma parecia uma mãe furiosa com as mãos apoiadas na cintura e feições irritadas. Quer dizer, ou como eu achava que uma mãe deveria estar após o desaparecimento da filha noite passada. Não que eu soubesse muito sobre isso, não é mesmo?

Não acho que ela tenha o direito de falar assim comigo, mas talvez ela sentisse que alguém tinha que fazer, já que não havia mais ninguém ali e esse pensamento é tão hilário que me faz dar uma risada sarcástica.

— Na aula – eu respondo, de qualquer forma, de má vontade.

— Desde ontem?! – Ela questiona.

— Fui dormir na casa de uma amiga – eu respondo irritada com o intrometimento dela na minha vida. Ela não era minha enfermeira e muito menos minha babá. – Por quê? Sou obrigada a ficar trancada aqui com ela?

Não me senti mal por mentir.

Muito menos por essa pequena explosão.

Ela não sabia de nada. Nada pelo que eu passei e o que suportei, mas como todos, era fácil ver o que acontece por fora e dizer o que eu devia ou não fazer. O que era certo e o que era errado, sem ter a mínima ideia de quanto tempo eu tentei fazer “o certo”. Martha havia chegado agora na minha vida, o que ela podia saber sobre meu relacionamento com a minha mãe e sobre o quão sufocante e tóxico ele era?

É muito sensato da parte dela quando não responde.

— Ligue para o seu pai – ela manda apenas. – Ele estava desesperado.

Dou um suspiro pesado e vou para o meu quarto.

Como sei que ela tem razão, dou uma ligada para o meu pai, só para ele saber que eu ainda estava viva... e para ouvir um sermão de uma hora e meia sobre responsabilidade, perdão e superioridade. Parecia o discurso de Quentin, o qual escuto por pura educação porque eu não concordava com merda nenhuma.

Quer dizer, ele acha mesmo que pode falar de “perdoar” minha mãe como se ela fosse um coleguinha do colégio que faz bullying comigo? Isso é ridículo. Sem contar a ideia de que “responsabilidade” eu tinha que ter com a minha mãe?

Ela nunca a teve comigo, para começo de conversa.

Isso me deixa com raiva. Porque eu também começo a pensar, enquanto ele ainda está no seu longo discurso, que não é justo meu pai da ALEMANHA me dizer como agir e para perdoar aquela senhora. Minha mãe parecia outra pessoa quando ele estava aqui. Ele não viu o que ela me disse, e não tinha como fazer ideia do que eu estava passando.

Ele não estava aqui para sentir o quão difícil era... tudo isso.

— Desculpa se nem todo mundo pode fugir dela como você – eu resmungo.

— Letty... – Ele me alertou. – Eu não fugi.

Realmente, quando ele falou que voltaria para Alemanha porque havia deixado UMA FAMÍLIA lá, eu havia entendido. “É claro que ele não poderia ficar aqui” eu pensei resignadamente. “É claro que ele tem pessoas lá. Pessoas que ele gosta e que gostam dele” e eu até havia aceitado..., mas a questão era que, até então, eu não sabia que minha mãe agiria daquela forma e que ela ficaria daquele jeito por conta do tratamento.

Aposto que nem ele.

— Não... você não fugiu. Você só deu sorte – eu concordei. Ouvi uma respiração forte do outro lado, como se ele quisesse me repreender, mas não soubesse se devia. – Mas você não está aqui para entender.... Você não sabe o como ela é.... difícil.

Ele fica em silêncio, como se não soubesse o que me dizer. Quase o imagino coçando a testa pensando em como solucionar esse problema.

— Letty... Eu sei que sua mãe é.... complicada – Ele suspira a última palavra como se ela pesasse no ar. – Mas você tem que entender que, não importa o quão forte sua mãe seja, ela não pode ficar sozinha agora...

Eu entendo.

Escuto suas palavras. As absorvo. Reflito. Sinto que toda a raiva que eu sinto se transforma em algo denso e pesado: tristeza. E isso é insuportável.

— Tá – eu digo. – Mas por que eu?

— Porque só sobrou você para ela – ele responde com franqueza.

Parece irônico que “a maior decepção” de Victoria Freeday seja a única pessoa que sobrou para ela. Só consigo imaginar que alguém lá em cima odeia a minha mãe e provavelmente a mim também. Não sei se eu fiz algo ou é apenas aquelas coisas que acontecem por tabela. “Então, quero me vingar dessa mulher, e você vai me ajudar nisso, quer você queira ou não; quer isso te machuque ou não”.

Meu pai não me castiga por dois motivos: o primeiro é que, obviamente, não havia como me castigar estando na Alemanha (talvez até tivesse, mas seria fácil demais fugir do castigo já que eu estava praticamente sozinha aqui); segundo, porque acho que ele tem pena de mim. Antes de desligar, ele diz que eu posso ir para Alemanha quando eu quiser e eu só penso que ele faz essa oferta por peso na consciência.

Eu gostaria de ter aceitado, mas a questão é que eu não me via largando tudo e simplesmente indo embora. Eu também tinha pessoas que amava aqui e que me amavam.

Por um instante, eu imaginei. Eu simplesmente pegando todas as minhas coisas e sumindo. Indo embora para Alemanha. Sem me importar com o estado da minha mãe, sem me importar com Quentin, meus amigos ou quem quer que seja. Apenas ia fingir ser outra pessoa vivendo outra vida. Uma vida nova e sem confusão. Sem problemas alimentares, sem ninguém... sozinha.

Ao invés de me aliviar, ele me preocupa.

Eu não era do tipo de pessoa que se refugiava em fantasias e não era agora que eu viraria esse tipo de pessoa. Talvez Gilliam tivesse razão e eu devesse procurar a psicóloga que ele me indicou. Não que eu ache que ela vai consertar alguma coisa que a incompetente Rebecca falhou. Talvez o problema seja comigo. Talvez eu seja defeituosa.

Uma pessoa odiável.

A pessoa mais odiosa do...

Me levanto da minha cama em um pulo. Tentando fugir desses pensamentos. Coloco um casaco e saio do quarto indo direto para a porta da frente. Não percebo que a porta do quarto da minha mãe está aberta até que passo por ela e a ouço me chamando. Congelo por um momento, olho por sobre o ombro com desprezo, encarando-a me fitar do banco de sua penteadeira, e ignoro seu chamado.

Não quero que ela pense que vou esquecer do que ela disse ontem.

Não quero que ela pense que pode me tratar daquele jeito e achar que vou voltar.

Fico tão irritada que eu saio do apartamento mesmo sem saber ao certo para onde ir. Quentin estava ocupado, obviamente, e não é como se eu quisesse a companhia de minhas amigas naquele momento. Como eu sempre disse, Olivia e Paloma não sabiam como lidar comigo, com os meus problemas..., mas havia Helena. Ela sabia. No entanto, talvez ela estivesse tão ocupada quanto Quentin, ambos no ensaio da peça.

Caminho um tempo sozinha. Sem rumo. Andando pelas ruas familiares e ao mesmo tempo desconhecidas daquela parte da cidade. Sinto que estou me perdendo e me reencontrando constantemente. Algo como: “não faço ideia de onde estou” e “ah tá, ali está a estátua do homem magro”. E então repetindo o processo diversas vezes.

Paro em uma loja de conveniência e me pergunto o que eu poderia comprar ali para passar o tempo. Passo um tempo desnecessário, olhando os preços de coisas inúteis que iam desde bebidas nos refrigeradores, a biscoitos nas prateleiras e óculos baratos. Passo tanto tempo olhando tudo que acho que o caixa provavelmente pensa que estou roubando alguma coisa, mas não é como se eu me importasse com acharem que sou uma ladra em uma loja de conveniência. Isso parecia fichinha perto de tudo o que St. Justine provavelmente pensava de mim pelos boatos da lista passada.

— Posso te pagar uma bebida? – Alguém perguntou atrás de mim.

Dei um pulo no lugar, antes de me virar e ver Luc.

Ele parece achar minha reação engraçada, mas ele é descolado demais para rir.

— O que você está fazendo aqui? – Eu pergunto, surpresa.

Ele dá de ombros.

— Acabou o meu cigarro – ele responde. – E eu moro aqui perto.

Faço uma cara de nojo.

— Você fuma? – Pergunto sem esconder minha reprovação.

Sério, quem Ellen havia escolhido para namorado hein.

— Eu estou tentando parar – ele responde, antes de dizer com sarcasmo: – Que bom que você me lembrou disso porque, se não sua irmã me mataria.

— Antes ou depois do câncer? – Eu retruco com sarcasmo.

Ele dá um meio sorriso de quem gosta do meu senso de humor.

— E você? Tenho certeza de que você não mora por esse lado da cidade – ele pergunta com curiosidade. Sinto que ele está me chamando de “riquinha” de uma maneira mais educada. – Você está do lado errado dos trilhos.

Eu dei de ombros.

— Estou fugindo da minha mãe – eu respondi, voltando a encarar os refrigeradores guarnecidos com todos os tipos de bebida. – Você disse que eu estou do lado errado dos trilhos? Estou procurando o trem que me leva para longe dela.

Eu enfim venço e Luc dá uma risada, abrindo a geladeira e pegando uma Coca-Cola, ele pergunta: – Você quer?

Dou de ombros e ele pega uma para mim também.

— Por aqui é muito perigoso? – Eu pergunto.

Me surpreendo como isso não passou pela minha cabeça em nenhum momento. Talvez fosse porque eu nunca fui do tipo de pessoa que saía andando pela cidade. Batendo perna, conhecendo as coisas. Eu tinha meu carro e antes disso, não era como se eu tivesse amigos de todos os lugares da cidade.

— Só se você não conhece ninguém que mora aqui – ele responde, provocando-me.

Tento não parecer uma garotinha assustada enquanto ele paga os refrigerantes e vamos para fora. Nós nos encostamos na vitrine e ficamos sentados bebendo os refrigerantes. Pergunto-me se aquilo seria seguro, mas acho que era sim e ele só estava zombando de mim para parecer um cara mais durão.

Não conversamos muito, apenas bebemos nossos refrigerantes e ele se oferece para me levar até alguma parte que eu conheça da cidade porque tem medo que eu me perca. Mal ele sabe que meu senso de direção por si só é uma bosta, assim que ele me largar, provavelmente vou me perder de novo.

— Eu costumava treinar atletismo aqui – ele comenta, apontando para uma quadra que parecia bem abandonada.

— Corrida? – Eu pergunto.

Ele confirma com a cabeça.

— Eu era o melhor da escola – ele responde. – Ainda devo ser.

Bem, Luc tinha a postura de um velocista. Ele era alto e magro e não era difícil imaginá-lo correndo muito por aquela pista ou por qualquer outra. O que me surpreende é que, até onde eu sei, ele não estava na equipe de atletismo. Até onde eu sei ele não participava de nada no colégio. Nada que não fosse correto.

— Por que você não está na equipe da escola? – Eu pergunto.

Ele dá uma risada sarcástica.

— Eu já estive – ele responde. – No primeiro ano.

Olho para ele com surpresa, sem saber ao certo se devia perguntar. Mas era tão óbvio que ele queria que eu perguntasse, que ele mesmo respondeu logo em seguida:

— Eu meio que briguei com os veteranos por causa de um trote idiota que eles pregavam nos mais novos.... No dia seguinte, misteriosamente apareci no lado errado da Lista, alguém espalhou que eu usava drogas e fui expulso da equipe. Coincidência?

Eu franzi o cenho. Parecia um motivo fútil.

— Isso é ridículo – eu resmunguei.

— É. Ridículo. Tudo isso – ele concorda. – Josh fazia parte do atletismo também.

Olhei para ele com desconfiança.

— Você acha que é ele, não é? – Eu pergunto.

— Faz sentido ser – ele responde. – Talvez... o tempo todo, ele escolha as pessoas odiadas com base de algo pessoal, e não na opinião pública que as pessoas tem dela. Quer dizer, em várias situações, ele escolheu primeiro e as pessoas simplesmente aceitaram como se isso fosse verdade...

— Então ele usa a Lista para manipular as pessoas? – Pergunto.

Luc dá de ombros, parando de repente.

— Manipular a opinião que as pessoas têm de outras pessoas, sim – ele responde.

— Isso é crime, não é? – Eu pergunto. – Calúnia e difamação?

— Na verdade... não é porque a Lista não diz o que exatamente a pessoa fez de errado. A Lista apontava as pessoas e as pessoas fofocavam sobre o que poderia ter sido feito para ter ido parar ali – Ele responde. – Isso é, até as suas Listas Diferenciadas.

O modo como ele fala “Listas Diferenciadas” me faz rir com deboche.

Realmente, bem diferenciadas.

— Bem, acho que só nos resta descobrir segunda que vem – eu respondo.

Ele concorda com a cabeça.

— Às 6h50? – Ele pergunta.

— Combinamos 6h45, espertinho – retruquei.

Ele faz uma expressão de aborrecimento.

— Cinco minutos fazem muita diferença no sono de um homem – ele resmunga.

...

Quando volto para casa, minha mãe já está recolhida no seu quarto e Martha está se preparando para sair de folga. Ela hesita como se não confiasse muito em mim, o que eu acho um absurdo porque não é como se eu fosse matar a minha mãe enquanto ela dorme. Antes de sair, ela pede para que eu fique de olho em Victoria porque ela está muito triste e pede para que eu tente distraí-la.

Não acho que ela queira se distrair comigo, e eu não sinto a menor vontade de distrai-la, mas concordo apenas para tranquilizar a enfermeira.

Para minha sorte, Quentin veio passar o fim de semana aqui. Eu não o convidei, ele apenas apareceu no dia seguinte, na porta do apartamento com seu sorriso brilhante e um beijo que era capaz de me fazer pensar em nada e tudo ao mesmo tempo. Como eu não disse nada, ele apenas foi entrando no apartamento e se largou no sofá.

— Vamos ver um filme? – Ele pergunta.

— Hum... pode ser – eu concordo. – Acessa a Netflix aí. Vou fazer pipoca.

Passo-lhe o controle remoto, mas ele segura o meu braço.

— Espera, preciso ver sua mãe primeiro – ele pede.

De repente, estreito meus olhos para ele e tudo parece muito confuso. Quentin aparece repentinamente na minha casa, sem avisar, e agora precisa ver a minha mãe? Só posso supor que ele está sendo intrometido como sempre e vai tentar ajudar para que nós duas tentemos fazer as pazes. Isso quase me irrita, se não o conhecesse tão bem.

— Isso não vai dar certo – Eu o aviso.

— O que não vai dar certo? – Ele pregunta fingindo-se de inocente.

Eu apenas lhe encaro, mas não respondo. Faço um sinal para que ele me siga e mostro o quarto da minha mãe. Dou uma batida na porta e digo que Quentin quer vê-la. Minha resposta é um resmungo que eu não sei bem o que significa, não parece nem que sim e nem que não, então arrisco abrir um pouco a porta do quarto.

Tudo parece muito escuro lá dentro, mas consigo distinguir a silhueta da minha mãe jogada na cama como se estivesse se jogado lá de exaustão. Ela se ajeita assim que entramos, apoiando as costas na cabeceira.

— Como a senhora consegue enxergar nesse escuro? – Ele pergunta.

— Não enxergo. Esse é o ponto – ela responde com sarcasmo.

Quentin dá uma risada simpática e pega a mão dela em um cumprimento.

— Letty me contou que a senhora está doente, queria ver como estava.

— Muito gentil – Victoria responde, mas não parece admirar de fato.

Me admira o como minha mãe não tenta nem ser simpática com ele. Isso era estranho até para os padrões dela, já que, bem, ela gostava de Quentin. Ele era bonito, charmoso e educado. Era o filho que ela sempre quis, afinal.

— Vamos assistir um filme na sala, não quer ver com a gente? – Ele oferece. – É um filme bem leve de comédia com romance... Todas as garotas adoraram.

A princípio ela concorda. Chega a ir para a sala enquanto eu faço pipoca e Quentin se senta entre nós duas como se soubesse que eu não queria proximidade dela. Assistimos uns quinze minutos e esse é o máximo de tempo que ela consegue ficar até dizer que não está se sentindo muito bem e ir para o quarto. Ele parece preocupado. Eu também estou, mas não quero que ela saiba que apesar de tudo eu ainda me importo.

Notas finais
PRÉVIA: Capítulo 66 - Existencialismo VS Rolas nas Paredes "mas a verdade é que ele está olhando para a lata de spray, e então olhando para ela, como se ligasse várias coisas na cabeça dele. Como se estivessem fazendo várias conexões que até agora não pareciam fazer sentido... até agora. — Eu não acredito – ele respondeu. – Não acredito que JUSTO VOCÊ fez isso. Ela olhou para ele com choque. — Por que você faria isso?! – Ele perguntou, incrivelmente com raiva. E eu acho que nunca vi Quentin com tanta raiva assim na minha vida. – Nós crescemos juntos! Por que você faria esse bullying à minha namorada?! — POR QUE EU DEVIA SER A SUA NAMORADA! – Ela gritou de volta."