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38 Capítulo 38 - Surpresa!


Notas iniciais
Gente, eu sei que tô postando cedo (geralmente posto de noite kkkkkk), mas não fui pra aula hoje porque as coisas estão tensas aqui na minha cidade... Então fiquei em casa escrevendo, desenhando e tocando violino enquanto a cidade queima kkkkk - soqn Bem, curtam o capítulo ai gente do meu core!! Agradeço aos reviews de: > Cleozinha > Katy Chin > Isah > Elizabeth > Beatriz > Delicate > Sheila Rayane > Nina > Matriciamelo > Born to Die > Lanny Puckett > Matry-chan > Lizzie > LuuhRocha > Laladhu > Matilda > Katp > Miss Herondale > brandi

Capítulo 38 – Surpresa!

Tentei entrar de fininho em casa.

Mas “entrar de fininho” quando se tem um cachorro como Riot não era uma opção muito válida. Mal abri a porta de casa e ele começou a latir e fazer a sua dança de “alguém entrou em casa!” ao meu redor, alternando entre pulos altos e atléticos e equilíbrio em suas patas traseiras. Seu jeitinho me faz sorrir, como sempre, e pegá-lo no meu colo.

– O que foi? Sentiu saudades? – zombei, acariciando o cachorro e esfregando meu rosto em seus pelos macios. Eu sei, anti-higiênico, mas que se dane. Daqui eu vou para o banho e depois para a minha cama.

– Onde você estava, Brucena?

Um arrepio percorreu minha espinha quando percebi o segundo motivo pelo qual, naquele dia, entrar de fininho não era uma escolha: Victoria estava me esperando. Pela primeira vez na vida, ela não estava maquiada, apesar de seus cabelos loiros estarem esplendidamente penteados e caindo em ondulações douradas pelo colo ossudo.

– Não é da sua conta – eu respondi, soando mais agressiva do que pretendia.

Mas eu não me senti culpada.

Ela estreitou seus olhos claros e apertou os lábios quando me viu dar as costas e subir escada acima, para o meu quarto. Não precisei olhar para trás para saber, eu a conhecia bem demais para prevê-la, na maioria das vezes.

– Preciso falar com você – ela avisou, seguindo-me até a escada.

Sinceramente, eu só queria sair correndo para o meu cantinho e dormir até o fim dos tempos, todavia, ouvi aquela vozinha que dizia no meu ouvido: “Escute-a! Ela é a sua mãe!”. Há-há! Eu só queria saber quando ela o fora de fato. Mesmo assim, eu parei no meio da escada e me virei, impaciente.

– Seja rápida. Estou cansada e quero ir dormir – mandei cruzando os braços.

– Serei – ela assegurou inabalável. Então, soltou um suspiro e disse: — Tenho certeza que o seu pai vai te contar ele mesmo... Mas quero lhe contar agora. Seu pai acha que devemos fazer terapia familiar.

Fitei-a sem saber como me sentir.

– O quê?!

Não percebi que minha pergunta havia saído como um grito, até que Ellen apareceu vinda da sala de estar para ver o que estava havendo.

– Quando vocês decidiram isso?! – perguntei, começando a sentir algo ferver dentro de mim. Não sei porque, não era uma notícia ruim... Mas também não era boa.

Depois de tudo o que essa mulher fez... papai ainda quer que eu me entenda com ela? Ele ainda acha que eu posso voltar a vê-la como mãe (e esperar que ela me trate como filha) depois de tudo o que ela fez comigo?! Há-há! Que ingênuo!

– Quando ele me chamou para conversarmos... No mesmo dia em que ele voltou – ela respondeu. – Estou te avisando agora... Porque consegui uma consulta com uma psicóloga muito boa para essa quinta-feira e-...

– Não quero saber. Nem morta eu vou me trancar numa sala com você e ficar te ouvindo manipular uma pobre mulher para ela sentir pena de você – eu a interrompi, tão irritada que mal me ouvi dizer as palavras. – É só isso o que você sabe fazer. Ficar manipulando todo mundo como se fossem bonecos em tamanho real... Eu aceitei fazer terapia sozinha para o meu próprio bem... Mas nem morta eu vou fazer uma com você!

A boca dela se abriu, mas nenhum som saiu. Pela primeira vez, vi a expressão chocada da minha mãe. Um leve lembrete de que ela era humana, apesar de tudo. Mas esse leve lembrete não é o suficiente para me fazer esquecer de que ela é mais um monstro do que qualquer outra coisa.

Antes que ela consiga se recompor e rebater alguma coisa, vou para o meu quarto. Subi a escada de dois em dois degraus, sem coragem de olhar para baixo e encontrá-la me fitando, e sigo quase correndo pelo corredor largo e superdecorado do segundo andar.

Tranquei-me no meu quarto e respirei fundo.

Minha vontade era de chutar a cama e de arranhar o piso, mas ao invés, joguei-me na cama e cobri meu rosto com o travesseiro. O agarrei com força. Contendo o grito de frustração na minha garganta, eu peguei o meu celular e disquei o número do meu pai com uma rapidez incrível.

Pareceu discar durante uma eternidade até ele atender.

– Ei, Letty, o quê-...

– QUE HISTÓRIA É ESSA DE TERAPIA FAMILIAR, MICHA?! – eu gritei, percebendo só então que era isso o que eu queria fazer desde que minha mãe disse aquilo: gritar.

– Letty... É para o bem de vocês duas... – ele começou.

– Não! Isso não é para o nosso bem! Você a conhece tão bem quanto eu! Victoria é tipo uma psicopata que fica brincando com as pessoas e as usando como bonequinhos! – eu disse, não aguentando ficar parada e pulando da cama para o chão. – Ela vai me fazer acreditar em coisas que não são verdades, e quando nós dois acreditarmos nela, que ela passou a se importar conosco... Bam! Uma facada!

Meu pai suspirou do outro lado da linha. Um eco do meu próprio suspiro. Agora eu sentia como se houvesse soltado todo o oxigênio preso nos pulmões. Agora eu havia verbalizado meus medos e tudo pareceu ficar um pouco mais leve. Mas só um pouco.

Eu tenho quase certeza do que aconteceu. Quase consigo visualizar meu pai brigando com a minha mãe e ameaçando processá-la, ou denunciá-la, ou a me levar para a Alemanha... E ela, para não acabar lesada (sei lá porque ela me mantém por perto, mas deve haver algum motivo), deve ter dito que topa fazer qualquer coisa para ele não fazer nada daquilo.

E então ele sugeriu a terapia familiar.

Sim... Deveria ter sido isso...

– Letty... Você devia dar um voto de confiança para a sua mãe... – ele pediu.

– E desde quando ela se mostrou merecedora?! – retruquei, andando pelo quarto.

Ele ficou em silêncio. Sabendo que eu tinha razão. Seu silêncio durou menos de um minuto, todavia, pareceu uma eternidade para mim.

– Eu vou para aí e a gente conversa, está bem?

– Não, – eu resmunguei. – Não está bem. Vou tomar um banho e dormir. A gente se vê no nosso jantar de segunda-feira.

Micha não gostou muito, mas aceitou.

Resmunguei para o celular. Resmunguei até mesmo para a quina da escrivaninha quando meu pé topou nela. Que ótimo! Estar a poucos centímetros do céu esta manhã e horas depois cair direto para o purgatório é simplesmente maravilhoso! E o cretino do meu namorado mentiroso e fechado, nem para estar acordado para me ouvir reclamar da minha vida.

Fui para o meu banheiro, tomei uma ducha rápida, vesti meu pijama e fui para a cama. Mas eu estava tão agitada que não consegui dormir de imediato. Obriguei-me, então, a esquecer-me dos últimos minutos. Pensei em algo mais agradável como quando tudo pareceu maravilhoso quando acordei embaixo de Quentin naquela manhã (apesar de assustador também)... E inevitavelmente, que ele mentiu para mim.

Por quê?

Só por que ele era fechado? Ou por que ele não confiava em mim?

Fechei os olhos com força. Percebendo que eu me sentia mais triste agora do que quando a mãe dele me contou a verdade.

– Letty! – Ellen sussurrou bem perto do meu ouvido.

Eu havia cochilado rapidamente e acordei com o corpo daquela garota envolvendo o meu como se fosse uma segunda pele. Ela estava tão perto que fiquei desconfortável e nem tive coragem de abrir os olhos.

– O que foi? – resmunguei, virando-me na cama para tentar me livrar dela.

– Você tá bem? – ela perguntou.

– Estou. Agora sai. Quero dormir – mandei, aninhando-me no colchão macio.

Ela riu no meu ouvido. Algo em sua risada, me lembrou vagamente uma criancinha... A filha do irmão de Quentin. Abri um olho, para ter certeza de que ela não estava aprontando nada. Na minha linha de visão, não há nada de anormal. Só as roupas espalhadas pelo chão e a poltrona velha coberta por camisetas na minha pressa de arrumar uma roupa ontem à noite.

E então eu percebi o que havia de estranho na risadinha de Ellen: desde que Lucien Escroto Alguma Coisa terminara com ela, ela estava rindo! Não chorando.

Virei-me para ela. É como eu pensei: Ellen não estava mais vestindo preto.

– Quando o burro pediu desculpas? – perguntei.

Ela gargalhou, ficando sentada na minha cama.

– Hoje à tarde. Ele veio aqui e topou com a mamãe de novo! – ela comentou como se ele houvesse feito algo heroico. – E disse na frente dela que me amava e só faltou se ajoelhar pedindo desculpas.

Senti um arrepio. Não imaginava aquele cara fazendo aquelas coisas.

– Ele disse que te amava? Só faltou se ajoelhar? – zombei, sem acreditar.

Ellen suspirou.

– Tudo bem... Ele disse algo do tipo: “Ellen, desculpe por eu não ter confiado em você... Eu só precisava de um tempo... Garotas populares como você tendem a ser filhas da puta e, apesar de você ser filha de uma puta, você não é como elas” – minha irmã loira tentou imitar o tom de voz dele. – Mas foi fofo.

Fiquei observando-a meio sonolenta e meio estarrecida.

– É. Ele sem dúvida sabe o que dizer – ironizei, voltando a me deitar na cama. E briguei: – Você aceitou com tanta facilidade! Deveria ter se feito de difícil! Se não ele não vai te dar valor nenhum...

– Relaxa Letty... Eu não aceitei com facilidade! Disse que estava magoada com ele e que não sabia se poderia perdoá-lo... Fiz todo aquele drama de novela mexicana da Thalía! – Ellen avisou, rindo. – Depois de muitas desculpas, ai eu aceitei, mas disse que mais uma filha da putagem comigo e eu o coloco para correr!

Ela terminou se jogando em cima de mim novamente, fazendo-me soltar um gemido de dor. Ellen obviamente não é pesada, mas quando ela se joga mirando o cotovelo nos meus seios, obviamente é doloroso.

– Obrigada! Nada disso seria possível sem você! – ela disse, beijando o meu rosto.

Tentando me esquivar de sua demonstração nojenta de afeto, eu disse:

– Não agradeça a mim. Quentin foi bem mais persuasivo.

Ela me soltou, mas continuou sentada com os joelhos ao redor dos meus quadris. Por um instante, lembro-me dessa madrugada. De como me agarrei em Quentin e de como ele me agarrou. Eu corei, contra a minha vontade.

– Ah, sim! Eu tinha me esquecido! Quentin está lá embaixo. Disse para você se arrumar que ele quer te levar para um lugar! – Ellen avisou com um sorriso pervertido. – Enquanto você se arruma, eu vou encher o saco dele e agradecer.

Ellen pulou da minha cama e saiu do meu quarto cantarolando. Enquanto isso, um embrulho apareceu no meu estômago. Quentin não é de aparecer em casa do nada... E ele ainda mentira para mim... Ele parecia tão mal hoje de manhã que estou surpresa por ele aparecer com planos para nós.

Olhei para o relógio sobre o criado mudo e quase tenho um enfarto. São seis horas da noite, sendo que cheguei em casa lá para as dez horas da manhã! Como eu pude dormir tanto?! Um arrepio percorre minha espinha e levanto da cama num pulo... Depois parei no lugar e senti vontade de me acertar um tapa na cara.

“Quentin mentiu para mim!” Lembrei-me furiosa.

Com toda a calma do mundo, respirei fundo e relaxei os músculos que nem senti ficarem tensos de raiva. Obriguei-me a caminhar lentamente até o meu armário e escolher uma roupa normal com calma. Na verdade, eu estava mais ocupada pensando no como eu ia me vingar daquele garoto.

Sinceramente, eu gostava de mais de Quentin para terminar com ele porque ele não me contou sobre sua briga com o pai... Mas talvez por eu gostar demais dele tenha doído tanto que ele não me contasse essas coisas. Tínhamos um relacionamento estranho, afinal. Um relacionamento meio.... “Confio meus problemas a você e você me confia os seus”... Pelo menos eu pensei que fosse assim. Talvez tivesse me enganado.

Tomei um banho rápido. Apesar de ainda me sentir meio estranha (como se o álcool ainda estivesse nadando no meu sangue) a água me ajudou a despertar aquela parte que ainda estava dormente. Vesti uma roupa qualquer e desci as escadas.

Ellen, como prometeu, estava irritando Quentin no andar de baixo, na sala de estar.

Nunca achei que veria isso porque ela é meio reservada com algumas pessoas.

– Lucien gostou de você. Disse que você tem culhão – Ellen estava dizendo quando entrei na sala de estar. – Ele é muito lindo, vocês não acharam? É tão durão...

Ela soltou um suspiro que fez meu namorado se encolher no sofá.

– Que bom que vocês se entenderam – Quentin resmungou.

Ele estava um pouco irreconhecível (sua aura estava um pouco sombria, mas de um jeito mais diferente do que aquela vez em que ele descobriu que Olivia era a namorada que chutou Helena), e parecia até disfarçado. Usava uma camiseta cinza, com um casaco tão preto quanto os óculos escuros que realçavam uma palidez incomum na sua pele.

Novamente, ele parecia um vampiro... Um vampiro usando óculos escuros depois de anoitecer... É. Ele estava bizarro.

Mas só de olhar para ele... minha raiva havia sido reduzida a um eco distante. Uma pontada de mágoa que eu poderia ignorar.

– Então... A que devo a honra de sua ilustre e rara visita, Sr. McCullogh? – Eu me anunciei com sarcasmo, cruzando os braços.

Quentin olhou para mim e deu um sorriso de canto.

– Nem vi você sair de casa – ele disse, levantando-se do sofá.

Eu corei. Não por ele ter dito aquilo de forma um tanto manhosa, mas porque Ellen me olhou com uma expressão curiosa e cheia de malícia. Era a última coisa que eu queria: que minha irmã caçula me olhasse assim... Como se eu tivesse feito putaria e ela soubesse. E o pior é que eu nem teria como negar.

– Qual é a dos óculos? Preciso usar também? – perguntei, mudando de assunto.

Quentin me fitou como se minha pergunta fosse engraçada.

– Você nunca ficou de ressaca brava? – questionou. – A luz está me incomodando.

Olhei ao redor, procurando que luz se já estava de noite e escurecendo, todavia, eu não disse mais nada e olhei para Ellen. Perguntando-me o que ela ainda estava fazendo parada ali, escutando-nos falar sobre nossa vida.

– Er... Eu vou pro meu quarto... Ligar para Lucien... – ela disse, dando umas risadinhas que me perturbaram e saindo da sala de estar.

Eu revirei os olhos, incomodada.

– O que você está fazendo aqui? Achei que você estaria muito mal para me ver...

Quentin se encolheu (o máximo que seus ombros largos permitiriam fazer) e mordeu o lábio inferior. Não entendi porque ele parecia desconfortável, mas isso me incomodou tanto quanto me alegrou. Espero que ele tenha percebido minha rispidez.

– Bem... Depois de suas amigas lésbicas jogarem na nossa cara que somos um casal não convencional, e sim, eu percebi a ironia disto; achei que pudéssemos começar a fazer coisas de casais grudentos agora mesmo – ele respondeu, dando um sorriso constrangido.

Cruzei os braços. Querendo calar a pauladas a voz irritante que suspirava: “awn” na minha cabeça. Era difícil ficar com raiva quando Quentin era um ser naturalmente fofo. Duvidava que ele não tivesse me contado por um motivo que não fosse bom.

Para o bem dele, eu esperava um bom motivo.

– Ah – eu respondi, tentando permanecer indiferente. – Bom, como o quê?

Quentin aliviou um pouco os ombros, e bagunçou seus cabelos escuros. Quase suspirei ao vê-lo fazer... E quase pirei com vontade que eu tinha de fazer aquilo; de sentir a textura sedosa dos cabelos dele mais uma vez.

– Bem... Sei lá. Eu ia sugerir um jantar, mas estou meio enjoado... Também ia sugerir irmos ao cinema, mas estou com dor de cabeça... – ele respondeu.

Mordi os lábios para não rir. As pessoas tinham que parar de tentar me deixar de bom humor quando eu estava puta da vida com elas. Isso era quase uma falta de respeito.

– Então... Poderíamos assistir a um filme aqui e pedir alguma coisa para comer – eu comentei, a contra gosto. POR QUE DIABOS EU NÃO CONSEGUIA SER MÁ COM ELE?! – Podemos controlar o volume da televisão e você terá um banheiro perto de você quando quiser pôr tudo para fora.

Ele sorriu, fazendo-me ter a resposta do porque era impossível ser malvada com Quentin: porque ele era, simplesmente, perfeito. Um puto traidor, verdade, mas ainda assim, totalmente perfeito. E eu gostava demais dele. E essa era a última coisa que eu queria. Gostar tanto de um cara a ponto de aceitar que ele fizesse algumas besteiras... Que mais tarde poderiam se tornar enormes.

Notas finais
PREVIEW PRA VOCÊS: "- Bem... – eu comecei, tentando não perder o fio do pensamento. – Quando as pessoas se importam, elas “dão à mínima”... É triste que ninguém pareça se importar com ninguém aqui em casa. Ele me deu um beijo abaixo da orelha, quase me fazendo desfalecer ali. - Eu me importo com você – ele disse."