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39 Capítulo 39 - Abdomens Desejáveis.


Notas iniciais
OLÁ GENTE! OLHA QUEM VOLTOU KKKKK Desculpem eu ter sumido, mas é que estou em semana de provas e tô muito ferrada em pelo menos três matérias... Então eu tive que largar a história por um tempo para terminar os trabalhos e estudar para as provas teóricas. Ainda não to melhor, mas consegui tempo para escrever e isso já é alguma coisa, né? =D Agredeço aos reviews de: > Lizzie > Isah > LuuhRocha > Patriciamelo > Sely Walker > NathySilbar > Zabelita > Ella > V Maria > Elizabeth > Cleozinha > brandi > allinegmar > Katy Chin > LilyEvansPotter > rosexavier > katp > Lady Dead > Lanny Puckett > Born to Die > Lay > Sheila Rayane > Slipcom > Bichinho Roxo > Liz Mar > Sofia Anjos > Chionn > Elidabfr > Laladhu > Mack!!! > Matryoshka >Lizz > Iderlane Queiroz > mariduda E agradeço a Sheila Rayane, que me procurou via MP porque eu tava sem postar kkkk Bisou

Capítulo 39 – Abdomens Desejáveis.

Pedimos uma pizza (que Quentin fez questão de pagar, já que aquele era um “encontro”) e colocamos um filme idiota na televisão. Tivemos que ver com legenda, pois o filme ficou inaudível no volume em que colocamos. Em nenhum momento, Quentin precisou se levantar para vomitar e, mesmo afirmando estar enjoado, ele comeu mais da metade da pizza de mozarela.

Houve um momento em que eu até cogitei que ele estivesse fingindo sua ressaca só para ter ficado em casa comigo e aquela televisão enorme. Pelo menos ele havia tirado os óculos escuros e agora eu podia admirar seus olhos claros livremente, apesar de eles estarem caídos de cansaço.

– Seus pais não estão em casa? – ele perguntou em algum momento, provavelmente estranhando que ninguém houvesse nos interrompido durante o filme e a comida.

– Não sei – respondi. E era verdade, eu não sabia mesmo, praticamente acordei com ele na nossa sala. – Não estranhe a calma por aqui, é sempre assim. Chega a ser triste... Como se pudéssemos fazer o que quisermos que ninguém daria a mínima.

Ele ficou em silêncio por um momento e zapeando pelos canais, em busca de algo bom para assistirmos, até desistir num programa de culinária e se recostou no sofá com um braço em volta do meu ombro, mas a mão ficou na minha cabeça. Mexendo e bagunçando meus cabelos loiros escuros.

– O que tem de triste fazermos o que quisermos sem darem a mínima? – ele perguntou no meu ouvido, num tom rouco e travesso.

Um arrepio percorreu a minha espinha e ficou difícil respirar.

– Bem... – eu comecei, tentando não perder o fio do pensamento. – Quando as pessoas se importam, elas “dão à mínima”... É triste que ninguém pareça se importar com ninguém aqui em casa.

Ele me deu um beijo abaixo da orelha, quase me fazendo desfalecer ali.

– Eu me importo com você – ele sussurrou.

Ao dizer aquelas cinco palavras, meu sague gelou. Tipo, por um instante, pareceu que as reações pelo meu corpo pararam... Mas nesse momento, minha mente pipocava com perguntas que fizeram minha raiva ressurgir mais forte. Perguntas venenosas que me tornariam imunes a “sedução” de Quentin.

Empurrei-o para uma distância segura e me levantei do sofá.

Foi tão repentino que ele me olhou assombrado. Tipo: “como podíamos estar trocando carinhos num momento e no outro eu acabar empurrado”. Bem, ele ia já me ouvir... Eu estava mais puta que antes, agora.

– Se você se importa diga que confia em mim tanto quanto eu estou confiando em você! – mandei o encarando. Quentin ainda estava chocado. – Sabe... É chato chegar alguém do nada capaz de me fazer abaixar a guarda. Chegar alguém que me inspire confiança e me faça falar de tudo como se fosse nada... Que me faça falar dos meus pais, das minhas amigas, da minha doença... Mas é mais chato ainda descobrir que, apesar de você perguntar para essa pessoa se estar tudo bem com ela, descobrir que ela mentiu descaradamente para você!

Quentin umedeceu os lábios com a ponta da língua, de uma maneira que me pareceria muito sexy se eu não estivesse nervosa, e apoiou os antebraços nas pernas. Seu olhar parecia confuso.

Sua calma me deu raiva, mas então eu me lembrei que eu estava lidando com o Quentin. Apesar dos seus momentos “porra louca” ele era um cara calmo e de diálogo. Infelizmente, eu gostava daquilo nele também. Como se eu pudesse contar até que eu matei alguém que ele nem ficaria alterado.

– Posso saber o que eu fiz? – ele pediu.

Mordi o lábio e respirei fundo.

– Por que você não gosta de falar de si mesmo para mim? – perguntei, odiando o como minha voz soou como uma menininha magoada. Eca. – Tipo... Eu tive que encher o seu saco para você falar do Brien, você me falou muito pouco do seu pai... E quando sua mãe falou que você tinha brigado com ele... Me olhando como se eu soubesse, só pude olhar para ela com cara de cú e não entender do que ela tava falando.

Quentin passou a mão pelos seus cabelos sedosos e soltou um suspiro cansado.

Sinceramente, acho que quem devia estar suspirando era eu.

– Olha, Letty... Não é que eu não confie em você nem nada assim... É só que você estava com coisas de mais na cabeça para eu ficar falando dos meus problemas – ele explicou, dando de ombros.

Minha mágoa oscilou, transformando-se em emoção. Afinal, Quentin não me contara nada porque achara que eu estava ocupada demais com os meus próprios problemas para ele falar dos dele próprio... Logo depois, me sinto envergonhada. Envergonhada, pensando sobre o como eu devo parecer frágil para ele. O como eu devo parecer fraca e cheia de problemas para ele.

Esse pensamento não me agradou. Não quero que ele pense que sou uma garota que não sabe cuidar de si sozinha. Que não consegue suportar os problemas familiares ou cotidianos sozinha. Não quero ser a garotinha que chora e se queixa de tudo... Principalmente, não quero que nem Quentin e nem ninguém me veja assim.

– Além do mais, não é como se eu não brigasse com o meu pai toda vez que nos víssemos. Eu sei do que ele fez e ele finge que não sabe o porque eu não o suporto... – Quentin atalhou, apressadamente. Seu tom rápido era causado por raiva. – É tipo um ritual, sairmos nos socos sempre que nos encontramos. Não achei importante comentar...

A raiva já havia se dissipado e, por mais que eu quisesse ouvi-lo (afinal, eu havia pedido aquilo) só conseguia pensar no quão eu era fraca... E no como eu não gostava disso. Suspirei e neguei com a cabeça, tentando mostrar um sorriso de que estava tudo bem agora. Já não me parecia certo cobrar algum ato de confiança de Quentin em mim.

De vagar, aproximei-me dele e lhe disse, com seriedade:

– Não importa quantos problemas eu tenha... Vou ter espaço para os seus também. – E tentei brincar: — Sabe, assim como você tem pros meus... E pros de todo mundo...

Um sorriso se esgueirou pelo rosto de Quentin e ele meneou a cabeça, divertido. Quando a ergueu novamente, para me fitar, ele ergueu o indicador e me lembrou:

– Eu te avisei, se lembra? Eu disse, há um tempo, que eu era muito bom em cuidar dos problemas dos outros... apesar de não saber cuidar dos meus próprios.

Franzi o cenho.

– Quando foi isso? – questionei. – Não me lembro.

Quentin me puxou pela mão para o sofá, ao seu lado. Não mostrei resistência, Quentin conseguira diluir o sentimento de traição por completo. Ele não me contara porque achara que eu estava sobrecarregada afinal. Mesmo que eu odeie que ele pense que sou uma garota frágil (incapaz de suportar os próprios problemas e muito menos os dos outros), admiro que ele tenha pensado em mim.

Algumas pessoas reclamam das suas vidas e nem perguntam para os amigos com quem desabafam como eles estão. Sei que não é de propósito, às vezes, pensar que o outro também tem seus problemas simplesmente não passa pela cabeça... Mas faz bem ter alguém que lhe olhe e pergunte se está tudo bem com você.

– Eu disse algo parecido, pelo menos. Um pouco antes de eu te beijar naquela rua e irmos para o apartamento de Helena – ele respondeu. – Sua raiva passou?

Eu bufei.

– Não estava com raiva – eu disse, apesar de estar, sim, puta da vida. – Eu estava me sentindo traída...

Quentin ergueu uma sobrancelha, não engolindo, e brincou:

– Se você se sentiu traída por eu não te contar que briguei com o meu pai... quero nem imaginar como você vai se sentir se algum dia eu te trair de verdade.

Ele riu, sua risada rouca causa um arrepio na minha espinha que me fascina. Lembra-me à madrugada de hoje e aos sons que ele fez. Mordo o lábio inferior, constrangida com as imagens que invadiram minha mente subitamente. Eu sentia que fiz certo em não dormir com ele. Estávamos muito bêbados e podíamos fazer merda... Mas uma vozinha irritante insistia em ficar perguntando “e se eu tivesse dormido”? Como deve ser? Como seria?

– Tá bom, eu nunca mais brinco com isso. Desfaça essa cara de enterro, por favor – Quentin pediu, estalando os dedos diante dos meus olhos.

Pisquei e foquei nele. Quase corei ao pensar no quão constrangedor aquele momento poderia ter sido se ele lesse mentes. Se ele soubesse que eu estava me perguntando se deveria ter dado para ele ou não... Forcei-me a sorri e beijei-o de leve nos lábios sorridentes.

– Desculpa ter ficado irritada – pedi.

– Não desculpo. Não há nada pra desculpar – ele respondeu, sorrindo. Seus lábios estavam muito próximos dos meus. Embriagando-me com suas palavras e seu hálito. — Voltamos ao amasso que você interrompeu?

– Nem estávamos nos amassando – retruquei teimosa.

– Chegaríamos lá, Letty – ele respondeu divertido.

Concordei com a cabeça. Sem dúvida teríamos chegado... Talvez até passado disso.

...

– Acho que não vou conseguir – resmunguei em tom infeliz.

Quentin desviou o olhar do notebook e me observou. Eu teria corado se estivesse me preocupando em tentar parecer tranquilidade para ele (eu teria ficado vermelha porque obviamente estava falhando nesta missão de ficar calma). Minhas mãos estavam tremendo muito, apesar de eu saber tudo de cor.

– Letty, relaxa. É só uma apresentação de trabalho... – ele disse, colocando uma mão sobre as minhas e sorrindo. – Para alguém que perdeu duas semanas de aulas, você foi muito bem nas provas, só precisa ir bem nessa apresentação também...

Soltei um suspiro e puxei minhas mãos, não queria que ele sentisse o quanto elas tremiam sobre o meu colo, para passá-las nos meus cabelos.

– Não é “só uma apresentação de trabalho”. – Eu suspirei. – Eu praticamente vou dissecar tudo o que eu passei e senti para toda a turma... Isso é constrangedor... Eles vão rir de mim e aposto que virão com gracinhas...

Um arrepio desagradável percorreu a minha espinha ao imaginar as pessoas me zoando mais do que antes. Uma onda de raiva brotou pelo meu corpo, acompanhada de imagens de eu dando um soco na cara da primeira pessoa que me perturbasse.

Quentin soltou um suspiro, negando com a cabeça, e o notebook, que até então apoiava nos joelhos, foi colocado ao seu lado no gramado verde e um pouco ressecado.

– Letty, ninguém vai te zoar e nem vão rir de você – Quentin disse, voltando a segurar minha mão, que se remexia no meu cabelo. – Ninguém é doido de mexer com a minha namorada... Ainda mais porque essa gata tem garras.

Eu ri, mais por nervosismo do que por ter achado engraçado.

– “Essa gata tem garras” – eu repeti.

– Não ria ainda... Tem frases piores. Como: “É como a história de Romeu e Julieta. Você é a lua que orbitou o meu planeta” – Quentin deu uma piscadela sedutora para mim.

Eu ri ainda mais. Eu sabia o que ele estava fazendo.

– Gata, eu tô te seduzindo e você ri de mim? – Quentin brigou de brincadeira. – Você é uma garota estranha, sabia disso?

Eu sorrio, apesar de tentar permanecer séria, e disse:

– Obrigada.

Quentin me olhou e sorriu, sabendo exatamente ao quê eu lhe agradecia, mas não respondeu nada. Seu braço passou pelas minhas costas, puxando meu corpo para o seu, e seus lábios procuraram os meus, famintos.

Desde que Quentin e eu tivemos o que eu chamei de “aquela noite”, as coisas pareceram ter mudado entre nós. Não no sentindo de que ficaram estranhas (bem, talvez só um pouco), mas no sentido de: se antes Quentin não sabia dar um beijo socialmente aceitável em público, ele ficara mil vezes pior.

É como se eu tivesse despertado um lado pervertido, até então desconhecido.

Apesar de saber disso, não deixo de me surpreender quando sinto sua mão deslizar por debaixo da minha blusa e parar em cima do meu seio esquerdo.

Corei e me afastei, sob seus protestos.

– Quentin! – exclamei, um pouco surpresa e inegavelmente assustada.

– O que foi? – ele perguntou, tão inocente que parecia incrível.

Como alguém podia ser tão safado em público e nem se sentir mal por isso? Eu quis rir com sua cara-de-pau, mas ele completou antes que eu o fizesse:

– Não tem ninguém aqui. Só nós.

Observei ao redor, apesar de saber que ele tinha razão. Ambos estávamos matando o penúltimo horário atrás da arquibancada do campo de futebol. O motivo inicial era que íamos ajeitar tudo para a apresentação do nosso sobre Anorexia e Bulimia na aula de biologia, agora, Quentin queria fazer safadezas comigo naquele lugar há quilômetros de testemunhas, como todo e bom clichê estudantil.

– Você é muito sem vergonha, sabia disso? – zombei, um pouco desconfortável. – Viemos aqui fazer o trabalho...

Quentin me olhou como se dissesse: “Você acredita mesmo que eu te chamei aqui para repassarmos o trabalho?”, mas teve o bom senso de não verbalizar isso. Meu tom vermelho, porém, deve ter denunciado o que se passou pela minha cabeça.

Por que sou tão ingênua?

Sério. Meu nível de ingenuidade já deve ser considerado burrice.

– Eu sei que sou sem vergonha – ele respondeu, dando um sorriso que me fez perder o fôlego. – Você não tinha percebido ainda?

– Não achei que você tivesse esse nível tão alto de sem-vergonhice – Teimei.

– Você ainda não descobriu até onde pode ir minha “sem-vergonhice” – ele respondeu em tom malicioso, com aquele seu sorriso que... Meu Deus. Quando percebi ele estava próximo de novo, me desafiando com os olhos e me provocando com aqueles lábios de forma perfeita. – A questão é: você quer descobrir?

Ele devia estar brincando.

Quentin tinha o costume de brincar com essas coisas e me provocar daquele modo. Sinceramente, era uma das coisas que eu gostava nele. O modo com que ele joga com essas coisas constrangedoras. Porém, minha resposta não foi uma brincadeira à altura. Minha resposta foi resultado de um momento em que meu cérebro parou de funcionar.

– Se você tivesse lido meus pensamentos sobre aquela noite... você saberia que eu fazia questão de descobrir até onde iria a sua sem-vergonhice – respondi, me afogando naqueles olhos verde-água. — E o como de vez em quando eu me sinto uma idiota por não ter deixado rolar...

Quentin estava surpreso.

A surpresa estava estampada no arqueado de suas sobrancelhas escuras e no como ele me fitava, mas ao mesmo tempo, ele parecia ter gostado de saber disso. De saber que eu queria ter dormido com ele naquela noite.

– Você não foi uma idiota por não ter deixado rolar – ele disse, acariciando o meu rosto com suavidade. Seu sorriso, então, se desfez. – Posso fazer uma pergunta?

Franzi o cenho. Quentin não precisava pedir permissão para nada, pois até parece que eu diria “não” para aqueles olhos claros ou para aquele corpo perfeito. Mesmo assim, confirmo com a cabeça. Quentin suspirou e então perguntou:

– Você namorou Duncan, então... Me explica como você nunca dormiu com ele? Quer dizer, pensei que os esportivos fossem Neandertais que só pensam em sexo o tempo todo... Estou sendo preconceituoso pensando assim?

Eu ri, negando com a cabeça.

– Olha... Ele bem que tentava... – eu confessei, abaixando o olhar para os rasgos na altura do joelho em sua calça jeans. Comecei a brincar com os desfiados quando suspirei e disse: — Eu não sei bem porque eu não dormi com ele... É só que... Com gente como Duncan o envolvimento é mais físico do que emocional, entende?

Quentin não respondeu e quando arrisquei uma olhadela percebi que ele não entendera. Soltei um suspiro. Merda, eu teria que verbalizar.

– Ele não me conhecia de verdade... – eu disse. – Provavelmente, só estava comigo para fugir da rotina enjoativa de garotas perfeitas e líderes de torcida... Mas eu já tinha chegado a conclusão de que eu nunca dormiria com um cara que não gostasse de mim por quem eu sou.

Arrisquei mais uma olhadela para ele e percebi que agora ele entendia o que eu estava dizendo... Mesmo assim, ele tinha mais perguntas e isso era um saco. O que o meu atual namorado poderia querer saber de um namoro que não havia dado certo?

– Então... Por que diabos você namorou ele? – Quentin perguntou.

Eu ri sem humor.

– Alô. Quentin, ele era Ducan Wade. Isso lhe diz alguma coisa? Eu seria a garota mais esnobe e idiota da escola se o rejeitasse – eu respondi, acrescentando em tom de brincadeira: — Além do mais, eu sempre quis saber como era passar a mão pelo abdômen definido de um garoto...

Ele não gostou da brincadeira. Ouso dizer que ficou enciumado.

– Você teve a chance de fazer isso sábado e não fez – ele comentou, parecendo ofendido. Inesperadamente, ele levantou a camiseta vermelha, surpreendendo-me. – Você tem a chance de fazer isso agora e você não está demonstrando o mínimo de interesse.

Eu fiquei sem palavras, sem saber se eu devia cair na gargalhada ou ter uma hemorragia nasal naquele momento. Aquelas tatuagens... Meu Deus. Aquelas tatuagens nas costelas... Tornavam (quase) qualquer abdômen irresistível e desejável

– Será que eu e meu abdômen não somos dignos de seus desejos ou o abdômen do senhor Wade foi o suficiente para você suprimir essa curiosidade? – Quentin inquiriu.

Eu mordi os lábios, reprimindo um sorriso que eu não sabia de onde vinha, e pisquei um pouco aturdida. Ele estava de sacanagem comigo ou era sério?

De qualquer forma, reuni forças não sei de onde e espalmei minha mão em seu pobre abdômen rejeitado. Quentin tinha a pele tão injustamente macia que foi impossível impedir minha mão de permanecer somente ali. Como se tivesse vida própria, subi para o seu peito e desci novamente, sentindo que por debaixo da textura aveludada da pele de Quentin, os músculos tensos rígidos.

O calor do seu corpo pareceu subir pela minha mão e se espalhar pelo meu corpo.

– Você e seu abdômen são mil vezes mais desejáveis do que os de qualquer outro – respondi, tentando mascarar o constrangimento e a excitação com a brincadeira.

A reação de Quentin foi meio inesperada: ele soltou um gemido baixinho e beijou-me cheio de desejo. Quase até me jogou no gramado atrás da arquibancada. E esse era o perigo de se mexer com um garoto como Quentin: a qualquer momento, ele parecia que ia explodir. Ainda bem que suas “explosões” não machucavam ninguém.

Mas nessa hora, o primeiro sinal tocou. Gerando uma onda de pânico pelo meu corpo. Quentin parou de me beijar e se afastou.

– Só para deixar claro, dessa vez você não precisa se sentir uma idiota por não “deixar rolar” – ele me provocou, fechando seu notebook. – A realidade nos chama, princesa. Temos um trabalho para apresentar.

Soltei um gemido doloroso. Por mim, eu poderia passar a eternidade atrás da arquibancada com Quentin. E isso não seria nenhum sacrifício.

Notas finais
Preview: "- O que foi? – Quentin perguntou, quando interrompi o beijo para rir. - Nada. Pensei merda – respondi, dando de ombros. O moreno ergueu uma sobrancelha para mim. - Conte-me... Desde a arquibancada, estou pensando em como seus pensamentos parecem interessantes para serem mantidos aí dentro – ele respondeu. – Acho que é por isso que você os solta sem perceber de vez em quando."