Nosso Nome Na Lista.

31 Capítulo 31 - Lucien


Notas iniciais
Então.... Oi '-' Sim, eu sei que hoje é quinta-feira e desculpem-me pelo atraso. Ontem a minha internet não funcionou e pareceu que minha vida parou naquele momento xD Foi um erro eu não ter programado o capítulo para ser postado naquele dia, prometo que isso não vai acontecer de novo =D Bisou PS: MUITO OBRIGADA PELA DÉCIMA RECOMENDAÇÃO, Patriciamelo, ESPERO QUE MUITAS SIGAM O SEU EXEMPLO ^.~ E AGRADEÇO AOS REVIEWS DE: > Delicate > Sheila Rayane > Gabrielle Chase Jackson > Born to Die > Rafitia > Lanny Puckett > Katp > Laladhu > LuuhRocha > Bruna > V Maria > brandi peterson > allinegmar CLEOZINHA! CADÊ VOCÊ??! OLHA QUE EU NÃO VOU COLOCAR O SEU NOME HEIN! KKKKKKKKK Bisou

Capítulo 31 – Lucien.

No fim das aulas, Quentin me procurou.

Sinceramente, fiquei surpresa, porque eu havia sido bem grossa e irracional com ele. Na verdade, eu me arrependi tanto da minha impaciência que eu nem sabia como olhar na cara dele depois daquilo. Por que parecia que eu só errava com ele? Por que ele tinha que ser tão perfeito e bom em tudo, tão bem resolvido, e eu tinha que ser tão miserável e complicada?

Para minha sorte, ele não comentou nada, só pegou o meu braço e começou a me arrastar. No caminho, senti todo mundo me olhando. Não sabia se era porque eu havia escrotiado com Josh ou se era porque Quentin estava passando.

– Aonde-...

– Lucien – ele me interrompeu. – Sei quem é.

Perguntei-me se a falta de sorriso ali seria algum sinal de que Quentin ainda estava chateado por eu ter ido embora sem olhar para trás. Mordi o lábio inferior só por imaginar que eu teria de lhe pedir desculpas. Eu não era boa nisso.

– Quentin, sério, me...

Ele me soltou e percebi que paramos no fim de um corredor, ele me puxou para ficar entre ele e os armários. Não para me beijar loucamente como naquele dia, mas para me mostrar que naquela esquina, onde acabava um corredor e começava outro... Estava o tal Lucien que deixou Ellen desesperada.

Só não soube o porque estávamos nos escondendo, até ver o grupinho.

Digamos que a palavra-chave para eles seria: problemas. Sabe aquele grupo de velhos que aparece em filmes: que curte rock n’ roll pesado e que anda de motocicleta? Bem, encontramos o grupo mirim deles. Era um grupo de pessoas com casacos de couro, com o rosto coberto de maquiagem e cheios de tatuagem.

– Tá brincando comigo – eu pedi para ele.

Quentin negou com a cabeça.

– Tá vendo o mais alto ali? De cabelos castanhos? – ele disse, apontando para o garoto que tinha a maior cara de “foda-se o mundo”. – É o Lucien.

Olhei para ele novamente. Fazendo uma inspeção minuciosa.

No que eu havia me metido?

Se aquele cara era quem Ellen disse que mamãe convenceu de houver sido traído, ela tinha muita sorte de estar viva! O cara deveria ter uns 1,90m, e isso era alguns centímetros a mais do que Quentin tinha! Seus cabelos estavam bem bagunçados, seus olhos negros pareciam entediados.

– Quando foi que garotos de dezesseis anos começaram a parecer mais velhos? – perguntei sem acreditar. – Como Ellen pode gostar desse cara aí...

– Eu imagino os dois juntos – Quentin confessou, dando de ombros.

Olhei para ele, com uma sobrancelha erguida.

– Depois que seu irmão consegue convencer uma freira a largar a vida da igreja só para dormir com ela, você consegue imaginar todo tipo de coisa absurda – ele admitiu dando de ombros. Diante do meu olhar incrédulo, ele disse: — Histórias de Guilliam.

Senti ânsia de vômito só por me lembrar de que eu beijei aquele cara.

– Não se preocupe. A freira nunca se arrependeu – Quentin disse, interpretando o tom esverdeado no meu rosto de outra forma.

Não respondi nada e voltei a fitar Lucien.

– Como poderemos nos aproximar de um cara assim? – perguntei-lhe, nervosa.

– Podemos chegar até ele, soltar umas verdades na cara e depois sair desfilando como se houvesse feito um bem para a humanidade – ele disse, fitando-me intensamente.

Ele estava me provocando.

– Você soube, foi? – eu perguntei chateada.

– Josh veio se queixando para mim e uns amigos enquanto eu colhia informações sobre o seu Lucien – Quentin respondeu indiferente.

Eu corei, envergonhada. Não queria que Quentin soubesse que eu havia sido cruel com o cara, apesar de ele ter merecido cada vírgula. Eu não me arrependia do que havia dito (desde que eu coloquei meus olhos nele, eu o achava muito gay) por isso, também não adiantava negar.

– E... O que você disse para ele? – eu perguntei curiosa.

Um sorriso deslizou pela face lisa de Quentin. E então ele me olhou. Seus olhos brilhavam sem mágoas e sem raiva. E então eu tive certeza que ele não estava sentido por eu ter sido tão chata no pátio.

– Eu disse: “A Letty é assim mesmo: gosta de tomar as dores dos outros. Também, você queria o quê ofendendo as melhores amigas dela?” – Ele pegou a minha mão, fazendo-me sentir um calor subir por meu braço. – E acrescentei: “Espera, mentira que você não tem um lado gay? Cara, eu jurava que você era todo esse tempo”.

Eu ri sem consegui conter.

A única coisa que me impediu de continuar rindo, foram os lábios de Quentin procurando os meus... E encontrando. Encontrando-os num beijo macio e adocicado que só serviu para espalhar ainda mais aquele calor absurdo que parecia ter surgido do nada.

– Me desculpa... – eu pedi, bem baixinho, esperando até intimamente que ele não ouvisse. -... Por ter sido grosseira... E ter ido embora... E ter sido uma escrota. Nem sei porque eu estava daquele jeito...

– Tudo bem – ele respondeu, no mesmo tom. – Só nunca mais me deixe falando sozinho de novo, se não sou eu quem vai embora e nem olho para trás.

Um arrepio desagradável desceu a minha espinha. Imaginando Quentin realmente indo embora e nem dando a mínima para mim. Quase quis me agarrar nele para impedir que isso acontecesse, mas não foi necessário. Ele acariciou o meu rosto, sua testa se encontrava apoiada na minha e seu hálito estava me deixando bêbada.

Foi quando eu me toquei: se Ellen sentia por esse Lucien o mesmo que eu sentia por Quentin, então eu devia me esforçar; eu não devia perder para o medo.

E foi quando ele magicamente passou por detrás de Quentin. Sozinho.

Sem a sua gangue.

Eu sabia que aquela era a minha chance.

Reuni a Letty-Corajosa, que eu nem percebi estar em pedacinhos dentro de mim, e me afastei de Quentin para ir atrás do garoto. Limpei a garganta, ignorando os sussurros de “vamos pensar num plano melhor” do meu namorado, e o chamei:

– Lucien?

O garoto parou e me olhou sobre o ombro.

Oh, céus, ele era tão intimidante! Tão alto, tão sombrio... E seu rosto era formado por traços tão duros e angulosos... Será que ele já sorrira alguma vez? Ele é o tipo de cara que em livros e filmes usam para um protagonista de pai bêbado que bate na mãe e que crescera amargurado desde então porque não pudera protegê-la durante a infância.

– Te conheço? – ele perguntou me olhando de cima a baixo.

– Bem... Não – eu respondi, hesitante. Quase me virando para ver se Quentin ainda estava lá atrás, mas ele já estava no meu lado. Sem parecer tão intimidado. – Não, mas eu sei quem você é, obviamente...

Um sorriso incrédulo surgiu nos lábios dele. Era um sorriso sombrio.

– E você conhece a minha meia-irmã... Ellen!

Eu estava ofegante de medo e quase solucei o nome dela.

Seu sorriso morreu e ele ficou ainda mais sombrio, mais sério... E mais velho. Ai, deus! Quantos anos esse cara tem?! Ele não pode ter dezesseis ou dezessete anos com uma aparência e um humor desses! Que Deus me ajude!

Os punhos dele se cerraram.

– Não tenho nada para falar dela – ele respondeu, irritado, deu as costas e começou a andar para longe. Parecendo furioso.

Fiquei sem reação. E demorei em reunir a Letty-Corajosa que se escondera em algum canto de mim novamente. Talvez ela não fosse tão corajosa.

– Espere... – Quentin pediu. Ele sim parecia equilibrado e sem medo. – Por favor.

O garoto parou e olhou para ele como se fosse pouca coisa mesmo assim.

– O que você ouviu da mãe delas... Não era verdade. Ela só queria que você terminasse com Ellen porque-...

– Eu já ouvi essa historinha antes – ele interrompeu Quentin, furioso, mas seu tom de voz era contido. – Não acredito que Ellen recorreu a vocês dois para tentar me fazer acreditar nesse lance todo de mãe controladora.

– Ei, — eu disse indignada. – Isso não é uma “historinha”. Isso é sério. Minha mãe é maluca. Maluca mesmo! Ellen me disse que ela sugeriu que você não passava de um brinquedinho, certo? – Ele bufou, irritado. Engoli em seco. – Bem, olhe para Ellen. Você acha que ela é esse tipo de garota?

Ele se aproximou de mim, e eu só não recuei porque Quentin pegou a minha mão. Ele estava daquele jeito de novo. Meio tenso, mas querendo parecer confortável. Querendo parecer normal. Quase parecia dizer: “já lidei com muitos caras como você antes” e isso era calmante. Apesar de não ser verdade.

– Sabe que tipo de garota é a sua irmã? – ele perguntou, bem perto de mim. Parecia um touro inflado de raiva e, sobretudo, mágoa. Mas agora que eu o olhava de perto... Ele era bonitinho. Como Ellen tem bom gosto! – Ela é como todas as outras cretinas populares nessa escola: escolhe o lado mais vantajoso, sempre. Aposto que ela só queria se divertir comigo...

Ele deu um sorriso amargo, enquanto eu piscava, aturdida.

Ellen, se divertindo com as pessoas? Ellen escolhendo um lado mais vantajoso? Eu quase caí na gargalhada na sua cara, se eu não estivesse com tanto medo. Ao invés disso, neguei com a cabeça. Neguei com veemência.

Agora, eu estava começando a sentir raiva.

– Você não sabe de nada. Ellen terminou com Greg por sua causa, há quase duas semanas... Pode perguntar para qualquer um! Ellen ficou arrasada quando mamãe te convenceu de que ela brincava com você...

– Poupe-me desse teatro, tá? – ele desdenhou. – Vocês acham que eu sou burro?

Olhei para ele assustada.

– Não, – eu respondi à sua pergunta, mesmo sendo retórica. – Acho que você é...

Quentin segurou a minha mão com força. Olhei para ele, confusa.

– Vamos embora, Letty – Quentin disse para mim, com a voz calma.

– Mas Quentin...

– Ele não vale a pena, não vê? – Quentin disse para mim, mas estava fitando-o nos olhos com se o que fosse dizer era para ele. – Olha o que ele pensa de Ellen... Você acha que é justo convencer esse cara a voltar para ela, quando ele pensa isso da sua meia-irmã? Ele obviamente não a conhece de verdade... Se voltarem ele estará sempre esperando por alguma coisa que mostre o lado horrível que ele acha que ela tem.

Olhei para o meu namorado, sem palavras.

– Ele nem parou para pensar porque Ellen o escolheria tendo coisa melhor e sendo quem ela é. Ele nem parou para pensar porque ela terminaria com Greg, mesmo sem ter certeza se Lucien gostava dela ou não. Ou porque ela sempre foi legal com ele... Ele não sabe o quanto sua irmã já não está nem aí em ser popular ou não – Quentin concluiu. – Vamos falar para Ellen que ele não vale a pena e ponto.

Antes que eu possa dizer alguma coisa, Quentin sai me arrastando, e dá um encontrão no garoto quatro centímetros mais alto. Eu gelo de medo, mas Quentin não aparece nem um pouco assustado. Deixando o garoto plantado no meio do corredor. O olhar de Lucien, enquanto nos fitava, era de ódio.

– O que você...

– Relaxa – ele sussurrou. – Temos que esperar um tempo, deixar a mágoa e a raiva passar... Ai ele vai parar e pensar com calma.

Eu olhei para ele, assombrada. Como o meu namorado tinha ideias maravilhosas, resolvi concordar com a cabeça e esperar seu plano surtir efeito. Ele me acompanhou até o meu armário, e depois até o carro. Como ele teria ensaio depois das aulas, ele não me chamou para ir a nenhum lugar e nossa despedida teve que ser no estacionamento.

Uma despedida que começou como:

– Onde paramos mesmo? Antes de você me trocar por Lucien?

...

– ELE ME ODEIA! – Ellen gritou no banco do passageiro, se desfazendo em lágrimas.

Eu revirei os olhos enquanto dirigia até em casa. Graças as últimas semanas, eu já sabia voltar sem errar o caminho, todavia, era difícil se concentrar no meu mapa mental quando minha meia-irmã caçula gritava ao meu lado e chorava feito uma condenada.

Hoje, ela milagrosamente não havia ido para a aula de rosa. Não acredito que o imbecil rebelde pelo qual ela estava apaixonada não notara nem isso. Ou será que ele simplesmente fingira não notar? Ou ele achara que ela só estava querendo se fazer de vitima aparecendo toda arrasada na escola?

– Não sabia que você tinha esse moletom preto – eu disse mudando de assunto.

Ela me olhou sobre os cílios úmidos.

– Não tenho... – ela comentou e seu olhar dizia onde ela arrumara.

– Bem que eu reconheci – zombei, estacionando o carro na frente de casa.

Ellen encostou a cabeça no meu ombro o que me desconfortou. Era estranho ser usado como lencinho de papel por Ellen.

– Hum... Meu pai tá recebendo algum amigo? – ela perguntou curiosa, observando o carro preto e elegante estacionado à frente da casa.

Respirei aliviada. Ela desencostou a cabeça de mim.

– Ele faz isso com frequência? – perguntei.

– Raramente. Só quando é um amigo de longa data... Geralmente ele recebe os sócios no escritório ou naquele jantar de todo sábado, sabe? – ela respondeu, saindo do carro e dando uma volta no carro desconhecido. – Não reconheço esse...

Eu dei de ombros e fui para a varanda, Ellen voltou para o meu lado e pegou na minha mão. Caramba, ela realmente parecia desesperada e com medo. Apertei sua mão para dar força e entrei em casa primeiro. Só para ter certeza que mamãe não estava nos esperando no hall de entrada.

Só quem nos recebeu foi Riot. Respiramos aliviada.

– Oi, bebê – Ellen o cumprimentou pegando no colo. – Bebê...

Eu revirei os olhos, tirando o cachorro dela. Ela parecia estar prestes a chorar novamente. Agradecida, ela correu para o seu quarto e se trancou lá, antes que mamãe aparecesse do nada e a deixasse ainda mais infeliz. O cachorro lambeu o meu rosto e caminhei para a sala de estar. Quem sabe se agora pudéssemos voltar à rotina de assistir a filmes e depois passear?

A única coisa que nos impediu... Foram vozes vindas do cômodo.

– Eu juro, se ela não ligou... A culpa não é minha – ouvi Victoria dizer impaciente.

Caminhei até a porta de correr que dava para a sala de estar. A porta estava aberta, e dela, observei minha mãe, com expressão resignada e teimosa, observando a um homem alto, de cabelo loiro escuro, e pele rosada. Um bolo se formou na minha garganta, gerando um enjoo.

– Eu não acredito mais em você... Ficarei aqui até ver Letty e me assegurar de que ela está bem – respondeu o homem, com uma voz decidida.

Era uma voz que eu conhecia.

Reconhecia de dez anos atrás... E conhecia do telefonema.

– P- papai? – consegui dizer, mesmo gaguejando.

Foi tão baixo que eu esperava que ele não ouvisse. Tudo era tão nostálgico. Tão antigo que eu jurava que estava assistindo a uma lembrança do que estar vivendo no presente. Todavia, ele ouviu... E se virou para mim. Oh, Deus, era ele sim!

– Letty? – ele perguntou pasmo.

Foi humilhante o que aconteceu a seguir.

Não sei se fui impelida pelo desespero dos últimos dias, não sei se foi porque eu simplesmente me tornara uma garota chorona e não notara, ou se foi porque eu já estava cansada de tudo o que vinha acontecendo e só não quis dar o braço a torcer... Seja o que for que o tenha causado, eu não viria a saber.

Só sei que não ouvi mais nada, comecei a ver embaçado e o chão desapareceu sob meus pés. Eu havia desmaiado como uma garotinha indefesa do século XIX.

Notas finais
PREVIEW: "- Eu te amo também, pai – eu murmurei, apesar do constrangimento que me fazia corar. – Só espero que você consiga recuperar o tempo perdido nessas semanas. - Se não der... Você vai comigo para Alemanha – ele disse. Suas palavras deveriam me trazer conforto, todavia, tudo o que elas fizeram foi drenar meu sangue do meu rosto. Eu fiquei gélida. Fechei os olhos, rezando para que ele houvesse dito isso brincando, e não de verdade, mas quando ele me soltou, percebi que era sério sim. E ele estava feliz com a ideia."