Nosso Nome Na Lista.

16 Capítulo 16 - A Caixa de Pandora.


Notas iniciais
Oláaaa. Feliz Páscoa para vocês (esqueci de dizer no último post kkkk) GENTE, O QUE VOCÊS ACHARAM DA CAPA NOVA??? FOI FEITA PELA: JStarkweather Agradeço aos reviews de: > Senhorita Foxface > AK > Jaky Fray > Sara Gabriely > MaruShi > Autumn > Laladhu > Pri Faustino > Mine > Delicate > JulietaBlackwood > Alala Chan > Cleozinha > Lara Levesque Blue Muito obrigada por comentarem!! Lamento, mas o Quentin não vai aparecer nesse capítulo. Mas vai aparecer no próximo *ho ho ho ho* ~ e vocês vão surtar. Estou certa. Vou responder aos reviews amanhã, pq hoje estou acabada u.u Bisou

Capítulo 16 – A Caixa de Pandora.

Sábado minha casa estava mergulhada em silêncio.

Riot estava com a cabeça deitada sobre minha coxa, enquanto eu estudava na mesa de centro de nossa sala de estar, e ele somente a ergueu quando Ellen surgiu no cômodo. Ela estava arrumada com um vestido à Barbie Girl e sandálias brilhantes. Seus cabelos loiros estavam ondulados e perfeitamente escovados, causando-me uma pontada de ciúmes. Ela parecia a própria Barbie humana, só que sem a maquiagem ridícula.

– Você vai à festa? – perguntei com curiosidade

Ellen sorri para mim.

– Vou. É claro... Sua mãe vai me encher o saco se eu não for – ela respondeu revirado os olhos e soprando uma mecha para longe do seu rosto. – Você sabe o quanto ser popular é obrigatório nesse concurso de beleza e tudo o mais...

Eu concordei com a cabeça e suspirei.

– Você não vai? Parece que essa festa vai ser boa... – ela comentou.

– Não vou. Eu vou ficar estudando... – respondi com uma careta.

–... Sozinha em casa – ela comenta com tristeza. Seu cenho está franzido. – Lamentável.

Eu fiz uma careta e lhe dei língua. Sabia que ela estava brincando comigo, por isso eu nem me irrito. Fico até feliz de ficar sozinha em casa. Sem dúvida, era melhor do que ficar sozinha com mamãe ou Walter. Walter nunca sabia como me tratar quando estávamos sozinhos (se ele deveria ser como um amigo ou ser como um pai), enquanto minha mãe era extremamente desagradável.

Para a minha sorte, eles haviam resolvido ir à ópera naquele sábado à noite. Walter me chamou, sabendo que eu gostava de ópera (principalmente “A Flauta Mágica” de Mozart), mas recusei. A companhia de minha mãe não era bem-vinda.

– Bem... Então até mais tarde – ela se despede, acenando para mim e para Riot.

– Até mais tarde. Não faça nada que eu não faria! – grito para que ela me escute da antessala e fazendo Riot me olhar.

Como eu a ouvi rir, sei que ela ouviu meu alerta.

Voltei minha atenção aos estudos, perdida entre o lance de taxonomia (a pior matéria já inventada), percebo que não nasci para ser bióloga. De repente, fazendo-me saltar, o telefone toca, interrompendo-me e me desconcentrando.

Levanto-me do chão com um resmungo e caminho em direção à mesinha ao lado do piano quando Tara, uma das empregadas, aparece para atendê-lo.

– Tudo bem, Tara. Eu atendo – eu aviso puxando o telefone do gancho.

– Espere, Srta. Brucena... – ela pede.

Mas eu já tinha atendido, fazendo-a dar de ombros e voltar para a cozinha.

– Alô?

– Victoria?

Meu coração parou no meu peito, para depois retornar batendo com tanta força que sinto o sangue fluir pelos ouvidos. Isso, de algum modo, faz-me ficar ofegante por um momento. Sinto que conheço aquela voz, todavia, já faz um bom tempo desde a última vez em que eu já a ouvira.

– Pai? – eu pergunto com a voz estrangulada. – É... Micha Letterman?

Não. Não podia ser.

Era ridículo cogitar isso. Fazia anos que meu pai não dava notícias. Desde que ele se divorciou da minha mãe, eu nunca mais o vi ou tive notícias sobre ele. Nenhuma carta ou cartão postal, nenhum telefonema... Tudo o que eu sabia, era que ele havia voltado para Alemanha e tinha uma famosa montadora de automóveis.

Brucena?! – ele quase gritou no telefone. O ouço suspirar, e sussurrar com mais ternura: — Letty? Letty é você?

Mordo meu lábio inferior, incapaz de responder ao seu chamado. Meu coração está apertado no peito depois de tanto tempo sem notícias desse homem. Eu deveria odiá-lo por ele não querer saber de mim depois do divórcio, mas não consigo fazê-lo. Meu coração está mergulhado num mar de alívio e isso é muito estranho.

– Por favor, Letty... Não... Não desligue! – ele pede do outro lado. – Sei que você me odeia, mas já faz tantos anos que eu tento falar com você! Por favor, não fuja, tá? Me ouça, primeiro...

Eu franzi o cenho.

– Fugir? – repito, sem compreender. Um bolo se forma na minha garganta, e o mar de alívio se transforma em águas turbulentas de raiva. – Tantos anos que você tenta falar comigo? Do que você está falando?! Depois do divórcio de vocês eu nunca mais tive notícias suas! Nenhuma carta, nenhum postal, nenhum telefonema! Você disse que me ligaria toda semana!

Foi a sua vez de ficar em silêncio. Sua respiração estava tão pesada quanto a minha.

– Letty... Depois do divórcio eu mandei um postal de Berlim – ele comentou, seu tom de voz era controlado, mas tremia pelo nervosismo. – E liguei várias vezes... Quase toda semana... Sua mãe dizia que você não queria falar comigo...

– Minha mãe o que?! – gritei.

Meu grito assusta a mim mesma. Estou confusa e tudo parece estar girando ao meu redor. Sou obrigada a me sentar no sofá e Riot me olha com preocupação (virando sua cabeça para o lado com curiosidade). Respiro fundo e tento assimilar todo aquele absurdo.

– Então... Você disse... Que ela falou que depois do divórcio eu não queria mais saber de você? Que você me ligou inúmeras vezes... E... Até enviou um postal de Berlim? – pergunto com a voz estrangulada.

Sim... E sempre que eu estava na cidade, deixava um recado dizendo o meu hotel e quando você poderia me ver... Se quisesse... Como você nunca aparecia... Resolvi te dar um tempo... – ele contou parecendo inseguro. – O que está havendo, Letty? Por que você está tão...

– Confusa? – sugeri. Sentindo meu rosto ir ficando vermelho e depois... Depois vieram as lágrimas. – Vai ver é porque... Eu passei toda a minha adolescência acreditando que meu pai não estava nem aí para mim!

Eu começo a chorar.

Não sei se é de alívio, não sei se é de raiva... Não sei bem o que eu estou sentindo.

De algum modo, o sumiço repentino do meu pai sempre foi estranho para mim. Sempre fomos muito unidos. Ele sempre foi muito terno e gentil comigo. Animando-me quando eu não era a filha perfeita da Sra. Victoria Letterman. Ele foi a primeira pessoa a me chamar de Letty. Na verdade, ele foi quem me deu o apelido.

Passei anos me perguntando por que ele havia sumido de repente.

E agora, ele estava ali, pelo telefone... Dizendo que minha mãe mentiu para mim!

Ah, mas ela não devia ter se livrado de todas as provas do seu crime, poderia? Será que sobrou alguma coisa no seu quarto? Agora, sei o que estou sentindo: raiva. Sinto que fui enganada durante dez anos pela mulher que me despreza... E não gosto nada disso.

Letty?! Letty você está aí? Pare de chorar filha... – meu pai diz do outro lado.

– Eu... Eu preciso de um tempo... Para digerir tudo isso... – eu gaguejo, apertando o telefone com força. Querendo descontar a raiva em algo. -... Posso tentar ligar... Mais tarde?

Eu não escuto a resposta dele, observo o identificador de chamadas e puxo o meu celular para salvar o número. Desligo logo depois, sem me despedir. Tenho uma missão para fazer, sendo assim, abandono o telefone e subo as escadas.

Riot sobe em meu encalço, não sei se sentindo que eu poderia precisar de apoio ou se era porque já era um hábito seu. Quando eu abro a porta do quarto que minha mãe divide com Walter, eu fico perdida por um momento. Não a conheço tão bem ao ponto de saber em que maldito buraco ela enfiava os papéis importantes ou que ela não queria que ninguém descobrisse.

Mas acho que sabia de alguém.

Pela primeira vez na minha vida, eu gritei a pleno pulmões:

– JULIE!

Durante toda a minha vida, eu nunca chamava as empregadas aos gritos, todavia, hoje era um caso especial. Não era porque eu queria que ela limpasse as necessidades de Riot ou que ela repassasse uma blusa que amassara. Era porque eu tinha certeza que ela deveria saber de algo.

A mulher idosa e de expressão amável aparece poucos minutos depois, aturdida. Eu nunca fui uma garota de chorar na frente das pessoas, eu nunca fui uma pessoa que gritava pelos empregados; mas não sei quem sou hoje. Tara está atrás dela, nervosa. Como se achasse que eu estava tão descontrolada que poderia dar um tapa na outra mulher.

– Sim, Letty? – ela pergunta preocupada.

Como Julie trabalhava para nós desde que eu era pequena, era mais fácil e natural para ela me chamar de “Letty” ou de “Letterman” do que como era para Tara, que ainda colocava o “Srta.” na frete ou me chamava de “Brucena”.

– Onde minha mãe guarda os papéis importantes? – eu pergunto olhando pelo quarto. Desejando ter visão de raio-x. – Onde ela guarda os papéis que não quer que eu encontre?

Julie olha para Tara brevemente. E sua troca de olhares me deixa alerta.

– O que foi? – pergunto com nervosismo. – O que vocês... VOCÊS SABIAM?!

A ficha cai como se fosse algo doloroso. O quê? Todo mundo naquela casa sabia, menos eu?! Será que Ellen sabia também? Walter? O QUE DIABOS HÁ DE ERRADO COM ESSAS PESSOAS?!

A mulher suspirou, parecendo cansada e aliviada.

– Sentimos muito, Srta. Letterman... – Tara pediu, desconsertada.

Eu balanço a cabeça com incredulidade. Voltando a chorar.

– C- como... Por quê?! – pergunto nervosa, querendo socar tudo.

Julie entra no quarto e caminha em direção ao closet.

– Depois do divórcio, seu pai ligou para casa algumas vezes. Na primeira vez, sua mãe disse que você não queria falar com ele porque estava se sentindo traída e abandonada... Quando ela percebeu que eu sabia o que ela estava fazendo, ela mandou que eu não contasse nada para você. Ela me ordenou ficar sempre atenta para que você não atendesse ao telefone... – a mulher conta, puxando uma caixa colorida debaixo dos casacos. Ela volta, e trás uma expressão culpada nos olhos e nos rostos. – Desculpe, Letty, eu realmente queria contar, mas...

– Ela é a mulher que nos paga, Srta. Letterman – Tara concluiu, culpada também. – Quando seu pai descobriu o número da nova casa de vocês... Quando ele descobriu o número daqui... Você estava internada e sua mãe disse a mesma coisa para mim. Mandou-me que eu não te contasse nada. Ela disse que você estava tendo colapsos nervosos e que falar com o seu pai só pioraria...

A mulher mais velha colocou a caixa grande sobre a cama de casal e me lançou um olhar ansioso e culpado. Esperando para ver o que eu iria fazer.

Sinceramente, nem eu sabia o que ia fazer.

Eu estava sentindo que ia desmaiar. Meus olhos já ardiam e doíam por conta das lágrimas, assim como minha garganta estava seca e dolorida; rasgada pelos soluços... E meu coração estava em pedaços. Furado, cortado, esquartejado, pisado... Novamente, parecia que um sushimen o havia cortado para fazer de sashimi.

Respirar era difícil. Eu estava me sentindo uma asmática.

– Deixem-me sozinha... Por favor... – eu peço, quase sem voz.

As duas hesitam, penalizadas por mim, mas Julie puxa Tara pelo braço e ambas me deixam sozinha no quarto da minha mãe.

Sento-me na cama e hesito em abrir a caixa. É preciso que Riot pule ao meu lado e a cheire com curiosidade, para que eu me dê conta de que (por mais que doa) eu preciso confirmar tudo. Sendo assim, eu olho para ele e decido abrir a caixa de pandora.

Está tudo lá.

Poucas cartas, a maioria são cartões postais de algumas partes da Europa. Eles estão guardados com todo cuidado, envoltos com uma fita cor-de-rosa e são todos destinados a mim. Contem frases curtas e diretas como: “Berlim é maravilhosa. Que tal uma visita?”; ou “Você gostaria de Paris. Vamos passar seu aniversário de 16 anos aqui?”... E a cada uma que eu leio, meu coração dói malditamente. Realmente, é uma caixa de pandora.

Porque penso que minha vida poderia ser diferente se eu tivesse conhecimento de tudo isso. Se minha mãe não tivesse mentindo para mim... Eu poderia ter sido feliz.

Eu olho para Riot, ele está cheirando os postais e ele me olha de volta. Como se esperasse que eu brigasse. Mas tudo o que eu estou procurando, é um ponto estável. Todo o meu mundo está rodando, agora eu estou entendo o significado da expressão “ficar sem chão”, e eu preciso de algo que vença a náusea e a sensação de que as paredes estão me sufocando.

De repente, eu me dou conta: preciso sair dali.

Sair daquele quarto impregnado com o cheiro da mulher que eu não conheço. Sair daquela casa que nunca passou perto de ser o meu lar... Eu preciso ir embora. Por que eu não quero olhar para a cara de nenhum desses mentirosos agora.

Sendo assim, pego os postais e me levantado da cama em um pulo. Riot faz o mesmo, seguindo-me, e por um instante, sinto-me mal. Porque eu não posso levá-lo comigo. Ele é de Ellen e sei que ela precisa dele tanto quanto eu mesma. Mesmo assim, vou para o meu quarto e pego a minha mochila. Ele pula na minha cama e me observa enchê-la de roupas.

– Não me olhe assim – eu peço, sem ter coragem de olhar para o cachorro. – Eu preciso sair daqui. Preciso ir embora... Antes que eu surte.

Riot pula para dentro da mala e se deita sobre minhas roupas.

Eu não contenho e dou um sorriso triste. Animais eram melhores que humanos.

Eu o pego no colo e o abraço com tanta força que ele gane. Depois o coloco sobre o meu colchão e digo:

– Você não vai comigo. Desculpe, Riot.

Fecho a mochila e deixo o meu quarto. Ele me segue até a escada, de onde ele para no último degrau e me observa abrir a porta da entrada. Ele me observa como uma mãe que vê o filho sair de casa para fazer uma viagem importante ou algo assim. E isso me faz querer chorar. Quero levá-lo comigo, porque, naquela casa, eu sinto que ele é a única pessoa que realmente se importa comigo. Todavia, não posso.

Ellen precisa dele também.

– Letty? Letty aonde você vai? – Julie pergunta, aparecendo do arco da cozinha.

Eu dou de ombros e tento engolir as lágrimas.

– Embora... Por um tempo... – respondo, mordendo os lábios em seguida.

– Letty... Espere a sua mãe. Conversem e...

– Não! – interrompo. – Não quero ver aquela mulher na minha frente!

Julie tenta argumentar, tal como Tara, mas não escuto e vou embora para o meu carro. Coloco a mochila no banco traseiro e saio da garagem, pensando na casa de quem eu poderia passar uma temporada. Penso em Olivia e Paloma, obviamente, mas me lembro de que elas estão numa maldita festa. E, mais que isso, elas nunca sabiam lidar com a minha carga emocional. Penso em Quentin, mas nossa relação já está complicada demais para eu ir atrás dele numa situação dessas, ainda mais para dormir durante alguns dias.

Respiro fundo e então eu me lembro de Helena.

Paro o carro no encostamento e pego o meu celular.

Ligo para ela e espero. Ela atende no quarto toque.

Alô? Letty?! – ela grita, porque no fundo há uma música eletrônica tocando.

– Helena, eu preciso de ajuda! – eu peço, encostando a cabeça no volante e tentando não chorar. – Por favor... Desculpa incomodar, mas...

– Você está chorando?! Calma, o que houve?! – ela grita, e odeio porque ela está certa. Eu estou chorando, apesar de minha batalha para não fazê-lo. – Espere um instante... CAI FORA! EU ESTOU NO TELEFONE! NEYDE IMBECIL!

Ouvi-la gritar me dá vontade de sorrir, mas sorrir dói.

A vida é uma merda quando estamos decepcionados e quebrados em pedacinhos. Espero um instante e a música ao fundo diminui um pouco. Acho que ela está saindo de onde quer que esteja para um lugar mais afastado do DJ.

– O que foi Letty? Por que você está chorando? – ela pergunta.

Eu respiro fundo. Tentando conter as lágrimas. Não quero chorar.

– Preciso de um lugar para ficar... Durante um tempo... – eu peço.

Helena passa uns minutos sem responder.

– A guerra entre você e sua mãe explodiu enfim? – ela pergunta.

– Quase... Vai explodir se eu continuar naquela casa... – respondo.

Helena passa um tempo sem responder novamente. Até que suspira.

– Tudo bem. Você pode ficar comigo... Só que eu não estou em casa – ela avisa. – Você pode passar aqui e me buscar? Aí eu vou com você.

Eu concordo com a cabeça e me dou conta que ela não está na minha frente.

– Claro. Passa o endereço – eu digo.

Ela me conta o endereço e eu desligo o celular sem pensar em me despedir, mas sei que ela vai entender e que ela vai me perdoar. Não estou com vontade de me despedir de mais ninguém. Respiro fundo, limpo as lágrimas do meu rosto (para poder enxergar a estrada à minha frente) e dou partida no carro. Em direção à casa em que Helena está.