Nosso Nome Na Lista.

13 Capítulo 13 - Porco-Espinho.


Notas iniciais
Olá gente!! Sinto muitíssimo (sério) pelo chá de sumiço, eu fui forçada a tomar xP ~água suja ~. Enfim... É que eu estava querendo postar a um bom tempo, mas como achei o número de review meio baixo - pessoas deixaram de comentar e geralmente elas tinham o hábito de comentar direto - tentei segurar o capítulo um pouco mais que o normal. Todavia, antes que eu me desse conta estava entrando na primeira NI de arquitetura (PROVAS! PROVAS! PROVAS! TRABALHOS! TRABALHOS! TRABALHOS!). Então, eu resolvi postar depois que esse período passasse (pois é, ele passou! AEEEE o/ ) e eu estou na média!! AEEEEE o/ o/ Venus! Resolvi postar logo antes que algumas pessoas me matem xP Agradeço aos reviews e a paciência de: > Leth > Cleozinha > Senhorita Foxface > Laladhu > Alala Chan > Lara Levesque Blue > Gib1234 MUITO OBRIGADA MESMO BOA LEITURA!!! Bisou

Capítulo 13 – Porco-Espinho.

Quando eu me encontrei com Ellen de novo, na hora do jantar, perguntei discretamente se estava bem. Claro que eu não esperava que ela me olhasse na cara e dissesse que estava tudo bem com o sorriso mais largo do mundo... Mas foi exatamente isso o que ela fez. Seu pai gostou do seu entusiasmo, mas eu estranhei. Cadê a garota que havia saído de casa feito um furacão?

Ela deu uma de Quentin. Numa hora ele estivera sorridente, simpático e só flores... Noutra estava irritado, surpreso e impaciente. O que será que havia acontecido? De quem era aquele anuário e porque diabos aquilo importava a ele?

“Você fez algo para o Quentin?” perguntei à Olívia via SMS.

“Naum sei... Pq?” respondeu-me ela.

Argh, arrepios! Odeio quem escreve assim!

“Hm... Nada não” respondi, deixando o celular de lado.

Se Quentin não havia falado com ela, não seria eu quem iria. Nem sabia qual era o problema dele, daquele anuário, da assinatura... De um namorado cujo conhecimento eu nem sabia! Bela amiga essa vaca era!

Ops, falando em amiga... Se eu negligenciar Helena hoje, tenho certeza que ela me mata!

Ah, até que enfim! – ela reclamou quando atendeu ao meu telefonema.

– Ei, ei, ei! Vai abaixando a bola aí, minha filha, que eu não sou tuas negas! – brinquei, ignorando totalmente a veracidade dos fatos. – É difícil voltar ao ensino médio perdendo mais de uma semana de aula, viu? Tô tentando recuperar o ritmo.

– E você acha que eu não sei disso? Mas diferente da nerd do outro lado da linha, eu estou pouco me fudendo para a escola – ela respondeu com o seu tom arrastado habitual.

Eu revirei os olhos. Helena havia posto na cabeça que, só porque eu praticamente lia um livro por dia no hospital, eu era uma nerd. Não que eu ache feio ser nerd (honestamente, isso meio que está se tornando moda hoje em dia), mas eu não era isso. Sem dúvida.

E aí? Como foi sua gloriosa volta? – ela perguntou.

Dei um suspiro.

– Numa das três semanas que eu faltei, me disseram que eu estava na lista dos odiados... Claro que todo mundo sabia o motivo, mas não foi como se eu me importasse – respondi.

– Não sei como você consegue aturar esse colégio, Letty – ela respondeu, cansada. – Sinceramente, prefiro aturar uma patricinha que tem a escola na mão, do que essa maldita lista... Sabe como é, né? Poder centralizado é mais fácil de ser derrubado.

Eu dei uma risada divertida com a comparação dela.

– Se esse seu modelo é um “absolutismo”, então qual seria o modelo da St. Justine? – perguntei curiosa. – Como será que eles escolhem quem vai ou não aparecer na lista?

Essa é uma boa pergunta... Devemos investigar, Nancy Drew?

Fiz uma careta.

– Prefiro ser Sherlock Holmes – confessei.

– Ok, então, Sr. Holmes... Esse é um mistério para nós?

– Nós? Você pulou fora do colégio! – retruquei. – Não, não... Se tiver alguém que vai fazer uma investigação, esse alguém será eu. Sozinha.

– Ah, mas eu tenho um agente infiltrado aí no St. Justine! – Ela deu uma risada maléfica. – Eu mandei minha arma mais poderosa! Esse povo não perde por esperar!

Eu ri dela. Pronto, nossa conversa já havia se tornado numa tremenda besteira, em que começamos falando do colégio e terminamos falando sobre o como era estranho que rosas e morangos fossem da mesma família.

...

Quentin estava muito sombrio no dia seguinte.

Encostado na porta de um armário quase na entrada, numa pose que conseguia ser ainda mais sexy e perigosa do que seus olhos, Quentin analisava o rosto de cada aluno que entrava no prédio principal. Sua expressão estava fechada e seus cumprimentos eram acenos duros com a cabeça. Ele parecia tão... Vampiresco e roqueiro malvado daquele jeito.

– Uau, alguém se esqueceu de vestir sua máscara brilhante e simpática hoje – zombei, chamando a sua atenção ao parar na sua frente.

A expressão dele se suavizou, mas só um pouco. A testa e os cantos da boca ainda estavam tensos demais para esboçarem um sorriso. Mas seus olhos sorriram para mim.

– E aí? – ele me cumprimentou.

Dei de ombros em resposta.

– “E aí?” eu quem pergunto. Você está com cara de quem quer matar alguém – eu disse. Quentin encolheu seus ombros, mas só um pouco. Isso me deixou preocupada. – Tá tudo bem?

Quentin mordeu o lábio inferior.

Perguntei-me o que aquele gesto significaria além da enorme conotação sexual que ele tinha. Que vontade de morder aqueles lábios eu mesma... Ai, meu deus! Para, Letty, para! Ele é seu amigo! Você não deveria ter pensamentos assim pelo seu amigo! Bem, certamente é porque eu nunca tive um amigo tão gostoso.

– Se alguém fizesse muito mal para uma das suas amigas, quase a levando à morte, você odiaria essa pessoa? – ele perguntou com seriedade.

Franzi o cenho.

Tá, primeiro... Por que diabos alguém faria mal para Paloma ou Olivia até o ponto de quase matá-las? Segundo, eu nunca fui do tipo que acreditava que, só porque um amigo meu não suporta alguém, eu deveria entrar no grupo e odiar essa pessoa também.

– Não sei – eu respondi. – Sou mais do tipo porco-espinho: só machuco quem mexe comigo.

Quentin continuou com o cenho franzido, mas ele sorriu com minha comparação.

– Porco-espinho, é? – ele perguntou, sua voz soando maliciosa demais para o meu gosto. De repente, sua mão segura o meu braço e desliza suavemente por ele. Arrepiei-me com o calor delicado que se espalhou ali, com o seu toque. Quase me desconcentrando de sua próxima declaração: – Sua pele não me machuca. Na verdade, é bem macia.

Quase morri ali.

Quentin havia passado a mão no meu braço.

Não só isso... Ele havia dito que minha pele era macia.

– Experimente a língua.

Oh, espere... Aquela não era a minha voz, era? Não havia sido eu quem tinha dito aquilo, tinha? Não, não pode ser... Isso havia ficado no meu balão de pensamentos!

Mas pela expressão surpresa de Quentin, eu havia mesmo dito aquilo.

Oh, merda. Merda. Merda... Porra! Caralho!

– O quê? – ele perguntou, entre o surpreso e o divertido.

– Eu... Eu disse que tenho que ir para a minha aula! Minha aula! Até mais! – respondi.

Quentin abriu os lábios para declarar mais alguma coisa, mas saí correndo antes disso. Dei graças a Deus por nenhuma das minhas próximas aulas serem com ele. As pessoas com quem eu havia almoçado ontem me cumprimentaram no corredor como eu fosse a sua melhor amiga. Confesso que, sem Paloma ou Olivia do meu lado, eu não me importei em retrucar do mesmo jeito. Dei somente um aceno ou um sorriso educado e saí correndo para o meu armário.

Abri meu armário, pegando as coisas correndo (porque Quentin sabia onde o meu armário ficava e tinha o hábito de aparecer lá vez ou outra) com a minha paranoia e quase dei um pulo quando um bilhetinho azul pulou para fora; em direção ao chão.

O que diabo era aquilo?

Peguei-o delicadamente e meu coração quase deu um pulo.

Era um cartão azul claro de cartolina. As bordas estavam decoradas com nuvens pintadas com caneta rosada e as letras bastão estavam em cor azul-céu. Lia-se no centro: “Parabéns por sua primeira aparição na lista quente. O que você vai fazer com esse toque instantâneo de popularidade?”.

Olhei ao redor, procurando por alguém que estivesse me observando.

Mas que ridículo. Eu estou na lista, então quase todo mundo estava me olhando. Esperando pelo momento em que eu olharia ao redor, para as pessoas, para que elas pudessem sorrir e acenar para mim na esperança de que eu puxasse assunto ou algo do tipo.

Quando o cara era popular, a etiqueta era como na antiguidade: Você se apresentar para ele, era considerado algo rude – como em “Orgulho e Preconceito”.

Revirei os olhos para a ignorância daquilo.

– Ei, Letty. Tá fazendo o quê aí no chão?

Olhei para cima e encontrei Josh me encarando curiosamente, ao seu lado estava Gabriel.

– Hm... Nada, não... – respondi, colocando o cartãozinho no bolso da minha calça jeans e me levantando. – E aí? Como vão?

– Bem... – Josh respondeu. – Eu tava falando com Gabriel agora... E estou planejando dar uma festa em casa, esse sábado... Você vem? – Como se eu demorasse demais para responder, o garoto acrescentou apontando para o loiro: — Ele topou.

Eu analisei os dois com incredulidade. Será que eu era a única pessoa na escola que se lembrava que semana que vem teríamos prova? Uma maldita semana não era tempo o suficiente para eu aprender a matéria de três semanas.

– Essa é uma ótima ideia. Letty estava mesmo querendo se divertir!

Olhei para Olivia, que se materializou como mágica ao meu lado, atônita.

– Eu estava?

– Claro que sim, não se lembra do que você mesma disse? – Paloma comentou, aparecendo no meu outro lado como um fantasma.

Eu me afastei das duas, quase me espremendo contra o meu armário, e disse:

– Temos prova semana que vem!

– E? – Josh perguntou debochado. – Seus pais tem algo contra você sair fim de semana antes das provas?

Que vontade de dizer à ele que minha mãe estava pouco se importando se eu saía ou não de casa. Na verdade, eu duvidava que ela sequer desse conta se eu saía ou não.

– Mas é claro que não! E mesmo que tivessem, saíamos escondidos – Olivia disse, rindo.

Olhei para ela. Quem era aquela garota e o que ela fizera com a minha amiga? Sair escondidos? Isso não era algo que a gente fazia... Quer dizer, Olivia talvez, Paloma e eu, nunca.

– Essa é das minhas! – exclamou o festeiro, fazendo um high-five com a minha amiga.

– Então... Você vai? – Gabriel perguntou para mim.

Seus olhos imploravam por um “sim”, tanto quanto os olhos de Josh, Paloma e Olivia se arregalavam em expectativa à minha resposta. Eu tive vontade de gritar, mas somente engoli em seco para reprimir essa necessidade. Era óbvio que os três estavam tentando “nos arranjar”, mas consigo imaginar em um bando de outras situações cuja ideia poderia ser mais bem-vinda: uma sessão de estudos de tarde (olha a desculpa perfeita), aulas particulares pré-prova, uma ida à biblioteca... Mas uma festa?

– Tô fora dessa. Desculpem. Tenho que estudar a matéria de três semanas perdidas – eu respondi. – Fica para próxima.

Claro que eu sabia que, provavelmente, não teria uma próxima.

Antes que eles dissessem mais alguma coisa, esquivei-me deles e segui pelo corredor.

– Letty! Ei, Letty! – Paloma me chamou, indo atrás de mim. – O que há de errado com você?

Olhei para as feições meio espanholas de Paloma e soltei um suspiro cansado e irritado.

– Gabriel está totalmente na sua e você não deu a mínima? – ela perguntou.

Eu revirei os olhos e parei.

– Ah, qual é, Paloma? – eu perguntei debochadamente. – Aquele cara lá não gosta de mim. A gente, sequer, chegou a conversar direito. Ele gosta é da “Letty da Lista”, ou da “Letty audaciosa da camisa transparente”, ou da “Letty quase-bêbada daquela maldita festa”. Ele não me conhece.

– Bem... Você não deu chance – ela disse.

– Eu dei sim. E tudo o que ele soube falar foi sobre “Jersey Shore” e, pelo amor de Deus, tem alguém que realmente assiste à essa merda? – perguntei irônica. – Segundo... Ele não me atrai, tá?

Eu suspirei e voltei ao meu caminho em direção a sala de aula.

– Como... Quentin te atrai? – ela perguntou, cautelosa.

Ok, congelei no lugar. Ela havia dito. Ela havia...

Comecei a suar e meu rosto ficou quente. Eu estava corando.

Ela andou até mim e parou ao meu lado. Odiei quando ela analisou o meu rosto, mas eu não tive a reação de reconstruir uma faixada menos delatora.

– Letty... Vamos ser sinceras... Quentin atrai pelo menos metade das garotas desse colégio – ela disse. Sua voz assumiu um tom perigosamente calculista. – Ele pode ter grudado em você... Mas, o que parece, é que vocês estão mais pendendo para a “Friendzone” do que para um relacionamento.

Olhei para ela. Chateada.

Ela não sabia de nada. Não sabia daqueles momentos de tensões em que brincávamos com coisas sérias e nem quando, de repente, no meio dessas brincadeiras, percebíamos que estávamos falando sobre coisas constrangedoras.

Mas... E se ela tivesse razão?

E se Quentin estivesse me empurrando para a Friend Zone e eu nem houvesse me tocado? Ele estava olhando para os seios de Yvonne outro dia...

– E... Quem disse que eu quero um relacionamento? – eu perguntei.

Paloma ergueu as sobrancelhas.

Surpresa como de “Letty Constrangida” eu me tornei a “Letty fria e centrada”.

– Escute... Eu sou alguém chata, complicada e... Sinceramente, depois de ter uma experiência com Duncan, decidi que não estou pronta para um relacionamento agora – eu disse, calmamente. – Nem com Duncan, nem com Gabriel e nem com Quentin. Não quero saber de ninguém desse jeito, entendeu?

Era mentira.

Tudo o que eu havia dito era mentira, e eu podia me imaginar sendo renegada da Franqueza, mas eu também nunca havia dito tanta verdade em toda minha vida.

Depois de Duncan... Como é que eu iria conseguir namorar alguém? Quer dizer, não que ninguém se comparasse à ele (Quentin obviamente estava bem acima do jogador de futebol), mas... Se eu não conseguia sequer deixar um cara tão persuasivo me levar para a cama... Como eu conseguiria com qualquer outro?

Eu preferia não pensar nisso, mas chega um tempo que o cara se cansa das minhas frescuras de carícias restritas e beijos desconfortáveis. Duncan ia se cansar da minha frescura. A única coisa que o impediu foi eu mesma, quando eu terminei com ele.

E mesmo assim... Eu ainda conseguia me imaginar beijando Quentin McCullogh.

– Ok... – ela aceitou, enfim.

Não porque ela aceitasse meu discurso, mas porque ela percebera que não conseguiria nada agora. Sendo assim, ela me deixou ir primeiro para a sala de aula e ficou no corredor. Esperando Olivia. Mas quando eu me viro... Meu coração quase perde uma batida.

Olhando-me com malícia, está Yvonne.

Muito satisfeita com o que ouviu.

“Não liga. Não liga. Não liga” mandei a mim mesma, passando por ela.

– Chata e complicada... Que bom que você se conhece – ela disse, rindo.

– Você deveria tentar se conhecer também – eu respondi, dando um sorriso maldoso. — Assim você encontra o caminho para ser uma pessoa melhor.

Yvonne riu de mim, novamente.

– Você não quer ser uma boa garota, Bruce. Garotas boas só se ferram – ela respondeu com uma piscadela.

Notas finais
Cara... As vezes eu acho que Yvonne e a mãe da Letty se merecem '-' Elas falam IGUALZINHO '-' E não foi intensional... Review??? *--* (estou fazendo Puppy eyes na frente do notebook, por favor!!!) Bisou