Notas iniciais
Hoje já é segunda-feira. Estou chorando feito uma louca. Julie não conseguiu convencer Enzo de cancelar a viagem. Meu celular não para de toca toda hora desde sábado. Não tenho dúvidas de que é Eric querendo falar comigo.
Pra mim que ele vá para o inferno. Eu nunca amei ele de verdade mesmo. O pior é que Alex me avisou e eu não me importei nenhum pouco.
– May – Meu pai bateu e me chamou na porta.
– Pode entrar – Falei ainda chorando.
Ele entrou devagar e sentou na beirada da cama.
– Vamos levanta dessa cama – Falou tirando o meu cobertor quentinho que estava encharcado com as minhas lagrimas – Se você quiser se despedir de Alex eu te levo agora. Depois você não vai poder vê-lo mais.
Em um pulo eu levantei.
– Você me leva até lá? — Perguntei enxugando as lagrimas.
– Com certeza, mas por favor pare de chorar por que não é pra tanto.
Assenti e quando ele já´estava prestes a sair do quarto o chamei.
– O que foi?
– Alex nunca mais vai voltar né? — Pronto voltei a chorar de novo – Ele já está considerado como morto.
As palavras saim secas e falhas na minha voz.
– Claro que não May.
– Mas o medico disse que quanto mais tempo demora para acordar, menos são as chance de vida.
Ele ficou cabisbaixo.
– Não pense no pior, tenho certeza que tem casos piores.
Ele atravessou a porta e foi embora. Fui para o chuveiro e tomei um banho demorado. Hoje eu me despediria de Alex. E talvez, pra sempre.
Assim que terminei o banho vesti minha calça jeans escura. Meu All Star que já estava ficando surrado e minha famosa e preferida toca preta caída. Meus cabelos ficaram soltos por debaixo dela. Era assim que Alex gosta de me ver arrumada.
Desci para tomar café pois assim que Julie me deu a noticia estava sem coragem de levantar. Mas agora o som da minha barriga roncando falou mais alto.
Sentei-me na mesa e peguei um crossaint de chocolate e um copo cheio de suco de pêssego.
Tomei meu café em silêncio enquanto ouvia a conversa de meu pai com Julie na sala.
“Eu tentei convencê-lo mas você sabe como Enzo é teimoso” — Era oque eu ouvia Julie murmurar com meu pai, com certeza, se sentindo mal por não ter conseguido me animar.
Assim que terminei eu e meu pai fomos até o meu Miata. Ele no volante e eu no banco de carona.
A musica sem medo de amar da banda onze vinte tocava nos meus fones de ouvido. O momento chegou até ser meio cômico. Sabe quando você tá com a cabeça virada para o vidro do carro e tá tocando aquela musica que você gosta e você se sente em um clipe? Pois é, eu estou me sentindo desse jeito.
Alex gostava dessa banda e dessa musica tambem. Que droga, tenho que parar de me torturar se não vou ficar sofrendo pra sempre. Se Allex morrer eu tenho nada a fazer. Talvez Enzo tenha razão. É melhor eu ir do que ficar aqui tendo um surto psicotico.
Meu pai estacionou o Miata e descemos dele. Aquele hospital já estava praticamente virando um lugar turistico pra mim. O que eu mais faço é vir nele.
Entramos no hospital e meu pai conversou com o medico responsavel por Alex para saber se ele tem apresentado alguma melhora. Achei melhor não ficar para ouvir e entrar na sala logo para me despedir.
Alex estava como das ultimas vezes que eu o vi. Seus machucados tem cicatrizado. Sentei na beirada da cama e passei o indicador por seu rosto.
– Serio, será que é verdade que dá pra você me ouvir? — Perguntei baixinho mesmo sabendo que ele não iria me responder.
Uma das curiosidades que eu tenho é saber se ele consegue mesmo me ouvir.
– Olha eu sei que vou parecer meio maluca falando aqui sozinha mas se dizem que dá pra você me ouvir dane-se – Falei olhando para os lados me achando completamente estranha falando numa sala em que só esta eu e uma pessoa que nem pode falar – Olha eu sei que você já me aguentou todo esse tempo mas você pode ter certeza que até em coma eu nunca vou deixar de te pertubar.
Dei uma risada curta. Serio é muito estranho conversar com ele dessa forma. Mas chega até ser cômico.
– Só que infelizmente eu não vou poder ficar aqui pra te fazer sofrer com as minhas pertubações por que estou voltando para o Brasil. Realizei o nosso sonho Alex. O meu, o seu e o da minha mãe. Estou formada em musica. Queria muito que você tambem tivesse realizado isso comigo mas eu prometo que vou seguir uma carreira com musica por nós dois.
Passei a mão no seu cabelo tirando um fio que caia sobre o seu rosto.
– Lembra que meu sonho era escrever um livro? Pois é, eu tambem vou realizar esse sonho e o primeiro livro que eu publicar vai ser sobre você. Sobre nós dois – Uma lagrima escorreu no meu rosto – Eu queria escrever um livro apenas de romance mas pelo jeito vai ser romance dramatico por que você não vai estar pra completar o final do livro. Infelizmente vai ser aqueles tipos de livros em quem sempre um dos personagens fica faltando no final. Tipo a culpa é da estrelas. O livro de John Green.
O abracei, relaxando em seu peito. Ouvindo seu coração bater fraco em meu ouvido.
– Não importa se o abusado que atormenta a invocadinha não vai estar pra preencher o final. O importante é que a invocadinha que ama o abusado vai estar com ele no pensamento.
– Sabe o que eu mais odeio em você? — Falei dando um meio sorriso – É que eu te amo pra caramba. Eu sei que é estranho mas é verdade.
Levantei de seu peito e olhei pra ele.
– Serio por que sua vida tinha que ser tão complicada? Teve que me aguentar e lutar por mim sem que eu me importasse. Quando você me chamava de invocadinha eu ficava com raiva mas agora eu entendo os motivos. Sou chata e teimosa. Não tomei vergonha na cara de acretidar em você. Bem que podia existir aquelas coisas de voltar no passado igual nos filmes. Ta bom isso foi infantil. Eu sei que você iria tá rindo de mim agora seu abusado. Eu tô falando sozinha e ainda por cima falndo coisas sem noção. Mas não importa. Quem ama tambem tem que pagar de doida as vezes não é mesmo?
Olhei meu celular e vi que meu tempo já estava acabando.
– Preciso ir – Falei já chorando – mas quero que saiba que nossa quimica complicadissima ainda continua. Te amo abusado.
Me inclinei e o beijei devagar. Aproveitando os segundos que faltavam. Parei de beija-lo me assustando com o monitor cardiaco de Alex. Estava batendo mais forte do que o normal. O coração dele estava acelerado.
Em um pulo sai correndo da sala em meio as corredores.
– PAI! — Gritei me atacando em seus braços assim que euo vi – O monitor..ele...coração…
– Calma – Ele falou acariciando meu cabelo e me apertando forte em seus braços.
Me soltei e o encarei.
– Pai Alex reagiu. O monitor cardiaco bateu mais forte. Seu coração está acelerado.
Meu pai abriu um sorriso e avisou o medico. Comecei a dar pulinhos de alegria.
– Já falei com o medico – Meu pai falou – Ele correu pra lá.
– E ele disse se pode ser uma melhora?
– Talvez sim.
– Talvez?
– Ele pode estar reagindo ou entrando em um infarto.
– Infarto – Repeti meu zonza.
Em meio a emoção e o medo acabei desmaiando.
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