Nossa Hogwarts, Nosso Mundo
2 Nossos estudantes - I
Notas iniciais
Nicolas Cooper
– Vou perguntar pela última vez, Nicolas: O que aconteceu enquanto você estava brincando com aquelas crianças trouxas?
O garoto de cabelos castanhos continuou sem responder à pergunta feita pela mãe, encarando as próprias mãos, pousadas sobre seu colo. Eles estavam na cozinha da casa dos Cooper, assim como o irmão de catorze anos de Nicolas, Bradley. De lá, dava para ouvir o som de piano vindo da sala de jantar – diferente da esposa e dos três filhos, o Sr. Cooper não era bruxo, e dava aulas de música para adolescentes trouxas em casa. Naquele momento mesmo, dois deles estavam tendo aula.
– Muito bem. Não vai responder? – A Sra. Cooper falou, impaciente. – Ótimo. Bradley, por que você não conta para mim o que aconteceu?
– Quando eu cheguei, mamãe, encontrei as crianças trouxas fugindo apavoradas, e a bola com que eles e Nick estavam brincando estava voando pelos ares. – Contou o garoto, feliz por entregar o irmão.
– Não foi culpa minha! – Por fim defendeu-se Nicolas. – Eu não posso controlar a magia ainda. Nós só estávamos brincando, e de repente aquilo começou a voar!
– É por isso que pedem para evitarmos que deixemos nossas crianças bruxas brincar com crianças trouxas. – Disse a Sra. Cooper, com um suspiro. – Mas acredito que você não teve culpa do que aconteceu.
– Então – ele se levantou da cadeira onde estava sentado –, posso sair para brincar de novo?
– Depois do que aconteceu? Não!
– Volto antes do jantar! – Exclamou Nicolas, saindo correndo pela porta da cozinha.
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Laura Jane
Foi uma grande surpresa para Laura encontrar uma carta de um colégio chamado “Hogwarts” quando fora pegar a correspondência, como em todas as manhãs.
– Papai, veja só que coisa engraçada! – Falou ela, correndo de volta para dentro de casa. Seu pai ergueu os olhos do jornal que estava lendo, sentado no sofá da sala, e pareceu completamente alarmado ao ver o que a filha segurava.
– Ah! Laura... Laura, dê isso aqui para mim.
A menina obedeceu. Ao ver o estado em que o pai estava, ela começou a se sentir incomodada.
– Pai... Está escrito algo sobre magia e bruxaria nela. Você não acha que é alguém da escola que mandou isso para mim, para me chatear, não é?
Ela tinha motivos para perguntar aquilo. Desde pequena conseguia fazer coisas que as outras crianças não conseguiam, sendo taxada de “bruxa”.
– Não. – Respondeu ele, após passar os olhos pelo conteúdo da carta. Em seguida, voltou a olhar para ela. – Não é alguém de sua escola. O que a carta diz... é real, Laura. Quando a sua mãe morreu você ainda era um bebê, querida, mas ela era, assim como você, uma... – O Sr. Jane parou ao ver a expressão incrédula de Laura, como se ele mesmo estivesse caçoando dela. O homem estendeu um braço, passando a mão pelos cabelos da filha. – Acho que precisamos ter uma conversa séria.
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Marie François
Com seu caderno de desenhos aberto sobre o colo, Marie desenhava rapidamente, mas no fundo não estava realmente prestando a atenção na atividade.
Ela estava em seu quarto, e ouvia os pais discutindo no andar de baixo, em um francês rápido – embora fossem uma família inglesa, já fazia muitos anos que eles moravam na França, e falar o idioma do país dentro de casa já era comum para eles –. Aquela não era a primeira vez que o casal brigava, mas Marie estava nervosa por causa daquilo por uma questão: eles estavam brigando porque uma carta de um colégio que se dizia de magia e bruxaria havia chegado à casa deles naquela manhã.
– Nossa filha não irá para colégio de bruxaria algum! – Gritava a Sra. François. – Que aberração!
– Bem, Julianie, concordo que isso não se encaixe nos nossos padrões de normalidade, mas acho que deveríamos dar uma chance para esta tal Hogwarts. Por que não?
– Eu não acredito que você está dizendo isso! Não, não vou admitir.
– A Marie disse que quer ir para o colégio. A vida é dela, não nossa.
– Ah, é mesmo? Pois bem! Mas sob o meu teto, não irá morar bruxo algum!
Marie reconhecia o blefe no tom de voz da mãe, por mais decidido que ele estivesse parecendo. Mas o Sr. François não parecia temeroso em desafiar a esposa – pelo menos, não pareceu quando ele abriu a porta do quarto da filha e disse:
– Arrume suas coisas, Marie. Estamos indo embora.
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Charlotte Solar
Ela estava fazendo feitiços. Era a melhor bruxa de todos os tempos, imbatível. Com um único movimento de varinha, podia...
– Charlotte, o que você está fazendo?
A garota enrubesceu ao ouvir a pergunta do pai, e parou de balançar o lápis que segurava.
– Eu estava fingindo que segurava uma varinha. – Admitiu ela. Então, para disfarçar, acrescentou: — Preciso de uma varinha de verdade! Quando iremos ao Beco Diagonal para comprar meu material escolar, papai?
– Assim que eu tiver tempo livre para te levar. – Prometeu ele. – Mas... Não sei exatamente como se chega lá. Teríamos de falar com alguém, e também não consigo imaginar quem.
– Você nunca foi com a mamãe?
Diferentemente do pai, a mãe de Charlotte era uma bruxa. Ela tinha morrido quando a filha ainda era bem pequena, mas o Sr. Solar não escondera da filha que ela tinha origens mágicas simplesmente por não poder lidar com aquilo sem a esposa. Às vezes, de fato, parecia que ele não podia – mas tentava sempre manter Charlotte o mais à par do mundo mágico que ele conseguisse.
– Não cheguei a ter a oportunidade.
– Bem, mas você não precisa ficar chateado por causa disso. – Charlotte girou o lápis nos dedos. – Agora, você vai poder ir lá comigo todos os anos para comprar as minhas coisas.
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Demyan Le’Leukën & Rosemary Le’Leukën
Mesmo que ainda mal passassem de crianças, os gêmeos Le’Leukën já eram muito mais educados do que muitos adultos, e todas as noites, quando eles estavam sentados à mesa jantando com os pais, os dois costumavam demonstrar aquilo muito bem.
Contudo, naquele dia, a garota Rosemary parecia agitada demais para agir como mandava o figurino. Por baixo da mesa, ela balançava as pernas, como se desejasse sair de lá rapidamente. Mas os outros fingiam não notar, até que ela sem querer chutou a perna do pai, sentado à sua frente, e este a fuzilou com o olhar.
– Rosemary, você vai me obrigar a mandá-la para o quarto sem comer sobremesa?
A menina, que gostava bastante de doces, parou de mover as pernas e as cruzou sob a cadeira. Seu irmão Demyan, sentado a seu lado, estava como sempre parecendo indiferente à tudo que estava acontecendo a sua volta, como se nada fosse interessante o suficiente para ele – mas ele se importava com a irmã, então comentou, casualmente:
– Ela só está animada por nós dois termos recebido a carta de Hogwarts hoje cedo.
– Animada por isso? Sabíamos que as cartas iriam chegar, não sabíamos? – Falou o Sr. Le’Leukën. — Assim como também sabemos que vocês dois irão para Hogwarts daqui há algumas semanas, e entrarão para a Sonserina como todos da família.
– Eles certamente vão. – O tom da Sra. Le’Leukën foi tão controlado quanto o do filho. – Mas a perspectiva de estar prestes a começar a poder fazer magia por si próprio, depois de tantos anos assistindo a outros fazerem, deve ser empolgante. Não concorda, Aleksei?
– Desde que meus filhos se comportem à mesa, não me interessa o que eles estejam sentindo.
Os gêmeos nem piscaram – já tinham ouvido coisas piores do que aquela. A Sra. Le’Leukën se calou.
– Então – arriscou falar Rosemary, depois de alguns instantes –, não teremos sobremesa especial hoje, por termos recebido nossas cartas?
O suspiro de Aleksei Le’Leukën foi impaciente, e ele parecia realmente prestes a mandar a filha para o quarto quando pensou melhor e se virou para a mulher.
– Você mandou os elfos-domésticos prepararem algo diferente para a sobremesa?
– Certamente. – Ela respondeu.
– Muito bem. Talvez algo especial até caia bem. – Demyan e Rosemary olharam para o pai como se não o estivessem reconhecendo. Por que tinha mudado de ideia tão de repente?
– Como assim? – Perguntou Demyan.
– Futuros sonserinos não merecem menos do que o melhor. – O homem respondeu, mas continuava sem parecer interessado no que os filhos estavam pensando ou sentindo.
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Elizabeth Anderson
– Mãe, estou de volta! E já comprei todo o meu material! – Foi o que disse Elizabeth ao entrar na loja de sua mãe, no final daquele dia.
A mulher, que atendia a um cliente de meia-idade, piscou para a filha, o que podia ser traduzido como um “já falo com você”. Então, os dois voltaram a discutir qual planta seria melhor para a poção que o homem queria fazer, com a Sra. Anderson mostrando-lhe diversas opções, e Elizabeth foi até os fundos da loja guardar suas pesadas sacolas com o material escolar.
Ela queria que a mãe tivesse ido com ela para comprar, mas esta como sempre estava muito ocupada com a loja de plantas mágicas. Assim, Elizabeth, que era bastante madura para sua idade, tomou a iniciativa de ir sozinha, já que costumava passar os seus dias passeando pelo Beco Diagonal, onde ficava a loja da mãe.
Deixou as sacolas sobre uma bancada e suspirou, aliviada. Ouviu sua mãe se despedindo do cliente e logo foi se juntar à filha, sorrindo.
– Estava te esperando para fechar a loja e irmos embora. – Disse. Abriu uma das sacolas, e puxou o livro “Mil Ervas e Fungos Mágicos”, de Fílida Spore, de dentro. – Ah, esse livro. Foi meu melhor amigo por muito tempo.
Elizabeth não tinha um gosto tão grande por plantas como sua mãe, mas tinha de admitir que também estava muito contente com sua pilha de livros novos. Não gostava de ficar sozinha, e se livros eram amigos tão bons quanto o que sua mãe falava, Elizabeth gostava deles.
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Manuella Brown
Era solitário ficar sozinha em casa o dia inteiro, com ambos os pais trabalhando para o Ministério da Magia, e não era à toa que Manuella desenvolvera um grande afeto por sua gata de estimação, White.
Como em todo o final de tarde, ela estava sentada em um banco do lado de fora de sua casa, com White no colo, e esperando os pais chegarem. Manuella até gostava do silêncio e de ver o Sol se pôr, mas ultimamente, desejava que chegasse logo o dia de ir para Hogwarts, conhecer gente de sua idade e ter mais atividades para ocupar seus dias.
Ao longe, Manuella avistou a silhueta de uma vassoura com duas pessoas montadas se aproximando. Deixando White de lado, a menina correu pelo extenso jardim de sua casa, até chegar ao ponto onde a vassoura parou e seus pais desceram.
– Vocês demoraram! Eu estava preocupada. – Disse ela. A Sra. Brown parecia verdadeiramente cansada quando passou a mão pelos cabelos negros e encaracolados de Manuella.
– Uma família trouxa foi assassinada por Comensais da Morte. – Contou. – Está sendo difícil. Todos estão muito assustados.
– Por causa da reportagem que saiu no Profeta Diário? – Perguntou Manuella.
– Por causa de tudo. Mas, esqueça. Você é nova demais para entender essas coisas.
– Você recebeu sua carta hoje? – Perguntou o Sr. Brown, para a filha não insistir no assunto do assassinato. Manuella negou, e os dois empalideceram. – Como não?!
– Brincadeirinha. – A garota sorriu.
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