Nossa Hogwarts, Nosso Mundo
3 Nossos estudantes - II
Notas iniciais
Olivia Chapman
– Você está errando de propósito. – Queixava-se Olivia ao irmão de treze anos Oscar, enquanto eles jogavam uma partida de xadrez de bruxo.
– Não estou. – Defendeu-se o garoto.
– Está sim. – Disse Oliver, o irmão de quinze anos deles, que estava sentado em uma poltrona na sala onde os dois estavam jogando, sem tirar os olhos do livro que estava lendo. – Você está errando de propósito apenas para ver as peças lutando.
– Mas você nem está vendo o jogo!
– Não preciso. Eu te conheço.
– Me chame quando quiser um jogo sério. – Olivia disse, se levantando da cadeira e indo sentar em uma poltrona próxima a de Oliver. Fingiu que não ouviu o comentário que Oscar fez em seguida, sobre ela precisar ser menos competitiva às vezes. – O que você está lendo?
– Algumas coisas para os N.O.M.’s. Esse quinto ano não vai ser brincadeira.
– Ah, mas você é da Corvinal. É inteligente.
– Todos da família são da Corvinal, Liv, mas alguns de nós – Oliver disse “Oscar” em meio a uma tossida – não têm notas tão altas.
– Octavio não é da Corvinal. – Falou Oscar, referindo-se ao irmão deles que estaria indo para o sexto ano. Tinha sido um escândalo na família Chapman quando ele fora selecionado para a Sonserina, quebrando o histórico perfeito de Corvinal que eles tinham.
– Octavio é tão exceção quanto você. – Retrucou Oliver, brincando.
– Você deve ter razão. Ei, será que ele ia querer jogar xadrez comigo, então?
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Dante Rosso
– Dante, pare já com isso. – Disse a Sra. Rosso, arrancando o exemplar de “Hogwarts, Uma História” das mãos do filho, que a olhou atordoado como se ela tivesse acabado de lhe dar um tapa.
– Ahn?
– Desde que aquele professor veio aqui em casa para chamar você para estudar naquela Hogwarts, você não para de ler esses livros bruxos. Meu bem, entendo a sua empolgação, mas sua vida ainda é aqui.
– Desculpe, mamãe. – Dante falou, mas ainda não parecia muito satisfeito com isso. Especialmente quando ela colocou o livro em uma prateleira alta, que ele não alcançaria; o que acabou por levá-lo à uma questão:
– Será que bruxos aprendem a voar, sem ser com vassouras?
– Dante.
– Eu poderia já ter descoberto isso se estivesse lendo “Hogwarts, Uma História”.
Reconhecendo de imediato que o último comentário fora apenas para provocá-la, a Sra. Rosso sorriu.
– Vou te devolver o livro amanhã, se você prometer que vai sair para brincar, antes disso.
– Sem problemas. – Apesar de ultimamente não estar querendo fazer nada além de pesquisar sobre o mundo bruxo, Dante ainda era um menino. Brincar não seria um sacrifício para ele. – Ah! Sabia que as brincadeiras bruxas incluem...
– Dante!
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Amy Smith
Não era a primeira vez em que a Sra. Smith acordava a filha Amy no meio da madrugada porque esta estivera gritando durante o sono.
Amy abraçou a mãe com força, e ela sequer perguntou o que tinha acontecido, já sabendo muito bem do pesadelo que assombrava a menina durante quase todas as noites. E a imagem ainda estava clara na cabeça de Amy: Ela, a mãe e o pai estão num carro, viajando. Ela segura Aly, sua irmã recém-nascida, no colo. Eles sofrem um acidente – Aly morre, e não há nada que Amy possa fazer para ajudá-la.
E a pior parte daquele pesadelo é que ele realmente tinha acontecido, quando ela tinha seis anos.
– Tudo bem, tudo bem. Já passou. – Disse a Sra. Smith, tentando tranquilizá-la.
Aquilo até podia ser verdade. Amy nem ao menos se sentia mais como a garota que era naquela época, que achava que era apenas uma pessoa comum, sem sequer saber que seu pai era um bruxo que mantivera isso em segredo da filha até ela completar onze anos. Agora, ela se sentia praticamente uma nova Amy, e era injusto que as cicatrizes da antiga ainda estivessem marcadas nela. Mas ao mesmo tempo, sabia que aquelas cicatrizes existiriam para sempre.
– Nunca passa, mamãe. – Respondeu, pesarosa.
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Morgana Albini & Lorenzo Albini
Os gêmeos Albini sempre tomavam um extremo cuidado para não irem para muito longe de casa quando decidiam dar um passeio de vassoura. Mas daquela vez, graças à uma provocação de “aposto que eu ganharia uma corrida contra você” por parte de Enzo, os dois acabaram indo à toda velocidade, para no final, por causa de um movimento errado de Morgana, ela ter caído com força no chão, e Enzo ter parado um pouco mais à frente com um sorriso vitorioso.
– Eu disse que venceria. – Cantarolou, mas então reparou no rosto da irmã, de quem segurava o choro. Ela segurava o próprio braço como se estivesse ferido, possivelmente quebrado, e aquilo fez Enzo parar de sorrir na hora, correndo até ela. – Morgana, você está bem?
A garota olhou para ele com lágrimas nos olhos, mas sua voz estava perfeitamente normal quando falou:
– Me responda isso você, bobão.
Sua careta de choro se transformou em um sorriso quando ela (com o braço que fingira estar quebrado) puxou a perna do irmão, fazendo-o ir ao chão também. Então, se levantou e saiu correndo, e Enzo a seguiu no segundo seguinte, gritando entre gargalhadas que era para ela parar e que a corrida não estava mais valendo.
– Certo, isso foi divertido. – Morgana falou, quando eles enfim pararam. Enzo balançou a cabeça.
– Trapaceira.
Ainda rindo, eles voltaram até onde estavam as vassouras. Seria um grande caminho de volta para casa e eles já estavam cansados, sonhando em tomar um banho demorado e jantar.
– Vou sentir saudades desses passeios. – Comentou Enzo, quando eles partiram.
– Os passeios não vão morrer. – Respondeu Morgana, e ele revirou os olhos.
– Mas vamos ir para Hogwarts, e aí vamos ter de apenas estudar, sem poder sequer entrar para o time de Quadribol até o terceiro ano. Estava lá na carta: “Alunos do primeiro ano não estão autorizados a levar vassouras”. Blá, blá, blá.
– Você quer ser jogador de Quadribol quando crescer, não é? – Morgana perguntou. Ela gostava de voar e de Quadribol, mas não era tão fissurada quando o irmão.
– Com certeza!
– Já posso até ver a manchete que vou escrever quando eu for jornalista: “Lorenzo Albini, artilheiro do Tornados de Tutshill, é eleito a maior vergonha da história do time...”
– Pelas barbas de Merlin, Morgana. – Disse Enzo, revirando os olhos pela segunda vez. – Acabo de descobrir que além de trapaceira, você também é piadista.
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Arleen Hafno
Depois de acordar naquela manhã, a primeira coisa que Arleen fizera foi pentear os cabelos curtos e negros, para em seguida prendê-los com fitas. Também escolheu um vestido bonito para usar – se não estivesse enganada, aquele era o dia em que sua carta de Hogwarts chegaria, e seu pai lhe prometera que eles iriam comprar seu material no Beco Diagonal no mesmo dia em que isso acontecesse.
Ao descer para tomar o café da manhã, ficou contente ao ver que a carta endereçada à “Srta. A. Hafno” estava sobre a mesa. Sentou-se e começou a se servir, olhando para a carta ao invés de para a comida e consequentemente derrubando um pouco de leite para fora de seu copo. Seu pai lhe fez uma careta que ela acreditava ser por causa daquilo, mas descobriu estar errada quando ele falou:
– Arleen, que coisas são essas no seu cabelo?
Ela o olhou, sem compreender.
– Minhas fitas?
– Não vou sair com você se estiver usando-as. – Ele declarou, e foi a vez de Arleen fazer uma careta, duas vezes mais feia do que a que ele tinha feito. Se tinha uma coisa que ela não suportava era que alguém lhe desse ordens, mesmo que essa pessoa fosse seu pai.
– Podemos ir outro dia, então. – Disse, e quem a ouvisse nem imaginaria que ela tinha acordado ansiosa para ir ao Beco Diagonal. Sabia que, assim como ela não gostava de receber ordens, o pai não gostava de adiar compromissos, e acabaria cedendo.
Se havia algo que Arleen realmente sabia fazer bem, era de fato fazer as pessoas cederem.
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Anne Jones
– Ah, por favor, Anne, vá para a mesma escola que eu este ano. – Pediu a única amiga da garota, que estava na casa dela naquele dia.
Embora a mãe de Anne fosse uma bruxa, seu pai era trouxa, e insistira que a filha estudasse em um colégio trouxa antes de ir para Hogwarts. Não tinha sido uma das experiências mais agradáveis e ela costumava ter problemas na escola, mas sentiria falta daquela amiga.
– Não posso. Tenho de ir para esta... outra escola.
– Anne? – Chamou a mãe dela, entrando na sala. Anne sentiu uma onda de alívio; a interrupção a pouparia de dar explicações. – A mãe da sua amiga veio buscá-la. Está esperando na porta.
As duas meninas se despediram, e Anne e a Sra. Jones acompanharam-na até a porta.
– Espero ter bons amigos assim em Hogwarts. – Comentou Anne, depois que ela foi embora.
– Você terá. É uma ótima menina. – Disse-lhe a mãe, sorrindo afetuosamente.
Uma coruja entrou sem aviso prévio pela janela da casa naquele instante, e esperou apenas que a Sra. Jones pegasse a carta que trazia antes de sair outra vez. Ela leu-a rapidamente, sobrancelhas erguidas, e então voltou-se a Anne:
– Querida, vou ter de sair. Uma emergência. – Contou. Por ser Auror, aquela não era uma coisa atípica da mãe de Anne. Ela beijou a cabeça da filha. – Eu amo você.
– Eu também amo você. – Respondeu Anne, mas ela já tinha ido.
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Alexander Wings
Alec já estava sentado diante à penteadeira do quarto dos pais há vários minutos, enquanto a mãe tentava pentear seus cabelos cor de ferrugem sem sucesso – por mais que tentasse, eles continuavam apontando para todos os lados. E o menino estava profundamente entediado com aquilo.
– Sabe, Alec, eu queria saber de quem você puxou esse maldito cabelo. – Falava a Sra. Wings, irritadiça, de vinte em vinte segundos. – Não importa o quanto eu os penteie, continuam parecendo desarrumados! Como posso mandá-lo para Hogwarts nestas condições? O que as pessoas vão pensar?
– Talvez que meu cabelo tenha vida. Se estiverem me torrando a paciência, digo que meu cabelo vai comê-los. – Alec respondeu no mesmo segundo. A mãe bateu com a escova em sua cabeça com força, e ele soltou uma exclamação de dor. Ele tinha de se lembrar que as pessoas de sua família não tinham senso de humor.
– Mamãe! – Veio uma voz de criança do corredor, e no segundo seguinte, Emmeline, a irmã de sete anos de Alec, entrou no quarto segurando um pedaço de pergaminho. A expressão da Sra. Wings ficou bem mais simpática ao se virar para a filha. – Veja, desenhei o símbolo da Sonserina!
A mãe pegou o desenho das mãos de Emmeline, com o ar de orgulho que todos os Wings tinham quando falavam da casa para qual todos iam, a Sonserina. Alec deu uma espiada no pergaminho, e só não riu ao ver que Emmeline tinha escrito “Soncerina” para não levar outra escovada na cabeça.
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