Nossa História

2 Nossa História - Ato 02


Notas iniciais
* FELIZ ANIVERSÁRIO, YACCHAN! Que hoje você coma quantos bolos aguentar o/ * Desculpe o atraso ne ;; Estou dividindo o quarto com um libriano desequilibrado que eu chamo de irmão. -Q * Desculpem a demora, aconteceram muitas e muitas coisas aqui em SP ( passando as férias -q ) E quase não tive tempo de pegar no notebook. Mas aqui estou 8D * Boa leitura

Depois de uma torturante e longa estrada, enfim chegaram à Espanha. Aioros havia acordado e contara algumas piadas, rindo sozinho delas para a sua decepção. Inclusive comentou que Shura era melhor que seu travesseiro, pensando se assim ele riria, mas não aconteceu nada. Por fim, não tinha nada mais para pensar, exceto no café da manhã. Com cuidado deixaram o vagão e enquanto caminhavam calados rumo a saída da estação, Sagitário reparava no mais novo. Notou um pequeno e breve sorriso brotar na sua face, lembrando que uma vez ouvira Camus comentar que quando as pessoas pisam no lugar onde nasceram, elas se sentiam felizes, revigoradas até. Mesmo que não queiram demonstrar. Nostalgia, será?

Isso era um bom sinal. Indicava que Shura não estava totalmente insensível, mas que só estava sendo o mesmo Shura de sempre. Aioros gostava disso. Gostava desse jeito do espanhol, que por muitos era incompreendido. O grego tinha uma enorme satisfação quando percebia que ele era o único que fazia o outro rir. Por isso não compreendia como foram parar naquela situação esquisita e estúpida entre eles.

— O que fazemos agora? – Ele perguntou, quebrando o silêncio incômodo.

— Se sentirmos a cosmo energia da qual o Mestre Shion falou, devemos segui-la. Entretanto, não capto sinal algum... E você? – Shura respondeu sem virar o rosto para o moreno.

— Também não. – Comentou, voltando a olhar para frente. – Sabe? Eu acho que esse cosmo é de alguém que o despertou, mas não sabe como controlá-lo.

— É bem possível. – O espanhol pausou. Observou a cidade em que estavam. Não era a mais bonita, ou a mais moderna. Era simples, muito simples. Lembrava bastante a sua, só que bem melhor de se viver apesar dos pesares. Respirou fundo. Outra coisa a qual evitava pensar era na sua casa e em sua família. Não sabia o que havia acontecido com seus pais e irmãos. Nunca mais soube deles e não sabia se queria procurá-los ou não. Até deixara de usar seu nome de batismo.

Ele não sabia mais qual era o seu sobrenome. Já seu primeiro nome, Aioros fazia questão de lembrá-lo todos os dias. O rapaz gostava do som suave que tinha e vivia falando que tal nome derivava do grego, portanto isso os deixavam mais próximos e Sagitário amava essa sensação. Shura foi e ainda era seu melhor amigo. Não tinham a mesma idade, não tinham muitas coisas em comum e talvez não fossem de personalidades compatíveis. Mas havia algo que os unia. Alguma coisa em Aioros encantava Shura e alguma coisa em Shura encantava Aioros. Fosse nos treinos ou em casa, o pequeno espanhol estava sempre com aquele olhar radiante voltado para o mais velho, que por sua vez o olhava com grande ternura.

— Hm... Bom, então vamos procurar um lugar para comer e descansar enquanto a cosmo energia misteriosa não se revela para nós. – Aioros respondeu de forma descontraída e indo em frente.

— Você só pensa em comida? – Indagou Shura, ficando para trás.

— Não. Penso em você também. – Disse Sagitário, com a esperança de que isso causasse uma reação diferente no amigo. Queria que ele risse ou que ficasse sem jeito e soltasse aquelas caretas de indignação, que para ele eram tão divertidas.

Porém aconteceu o contrário. Shura abaixou o rosto, mordeu de leve os lábios e aumentou os passos, ultrapassando o outro. Se distanciando.

— Ah, merda... – Aioros o seguiu depressa. Talvez ter dito isso tenha sido demais. Quando o alcançou, o parou para se desculpar. – Eu falei bobagem, né? Desculpe...

— Não. Você não falou... Eu só... Só estou com dor de cabeça. Apenas isso. – Não que o quê ouviu tivesse sido ruim. Não era. Saber que Aioros pensava nele era reconfortante, mas aquela não era a melhor hora para tomar conhecimento disso. E mais, entendia que ele só dissera aquilo como uma inocente brincadeira. Afinal, Aioros não era do tipo que... Pensaria em algo a mais, certo?

— Dor de cabeça? Muito forte?

— Não. Eu aguento. Vamos prosseguir com a missão e voltar o quanto antes.

— Tem certeza?

— Tenho. Procuramos uma hospedaria ou coisa do tipo e descanso um pouco por lá. E você pode comer para saciar esse buraco negro que existe em seu estômago. – Ele brincou, finalizando com um sorriso sincero. Isso acalmaria Aioros, pelo menos.

— Se você diz... Posso comprar um remédio para você.

— Agradeço, mas estou bem. De verdade. Deitando um pouco, logo melhorarei. Você verá.

— Espero.

Os dois continuaram a caminhar. Passaram pelo centro comercial da cidade. As condições não eram as melhores, mas podia-se viver naquele lugar. Shura era familiarizado com aquele tipo de cenário. Passou a infância correndo por becos parecidos, fugindo de donos de comércios de quem ele roubava algumas coisas. Às vezes nem era para consumo próprio, e sim para uns valentões que o forçavam a pegar comida e outras coisas para eles. Quando não conseguia, geralmente apanhava. Antigamente, ele abaixaria a cabeça e receberia tudo calado. Muito diferente de hoje em dia.

Seguindo para outras ruas, encontraram um hotel. Era barato e parecia ser próprio para viajantes. Resolveram que parariam ali mesmo e entraram. Lá não tinha elevadores, somente escadas. Tudo bem, eles estavam acostumados a subir e descer degraus. Os piores segundo o grego. Shura esperou perto da escadaria, enquanto o mais velho cuidava de arranjar quartos para eles na recepção. Mesmo sendo natural espanhol, Capricórnio não estava afim de trocar idiomas naquela hora. O Cavaleiro de Sagitário foi até ele, com uma expressão bastante cômica. Como se não soubesse falar o que a recepcionista lhe dissera, e não sabia mesmo.

— Ahn... Shura... – Aioros olhava para os lados, para cima e para baixo. Fazia umas expressões esquisitas com a boca. Parecia uma criança com medo de pedir algo dos pais.

— O que foi? – Shura perguntou levantando uma das sobrancelhas.

— Só tem um quarto vago...

— E?

— ... Ele só tem uma cama... De... Casal.

O mais novo arregalou de leve os olhos. Isso seria um problema, um grande problema. Dividir a cama com Aioros seria demais. Embora já o tenha feito quando criança, como adulto era algo impossível, estranho, desconcertante... Mesmo que no fundo ansiasse por isso.

— Tudo bem. Durmo na ponta, de costas. Não vou te perturbar. – Ele respondeu sucinto. – Em que andar?

— Terceiro, número 33...

— Vamos indo...

Pegaram seus pertences e subiram, sem trocarem nenhuma palavra. Aioros tinha a chave então fez a honra de abrir a porta. Quarto pequeno, com direito a varanda, banheiro, armário e a bendita cama.

— Shu, você pode descansar. Eu vou conferir os arredores.

— Você vai é atrás de comida. – Ele riu – Eu iria com você, se não precisasse mesmo descansar. Se acontecer algo, me avise.

— Pode deixar.

Aioros estava envergonhado. Quando Shura e Aiolia eram pequenos dormiam juntos com ele na mesma cama. Era gozado ver o pequeno Olia fazendo o espanhol de travesseiro e vice-versa. Para o sagitariano, eles eram a sua família. Shura era um irmão mais novo que ele mesmo adotara, sem dar quaisquer satisfações para ninguém. Dividir a cama com um garotinho de oito, nove anos quando ele mesmo também era praticamente uma criança ainda era uma coisa. Mas esse garotinho cresceu. Era um adulto como ele. Um homem como ele. E homens não dividem a mesma cama, por mais chegados que sejam...

Mas alguns sim.

Shura jogou-se na cama. Até que era macia e confortável. Perfeita para um cochilo, que não veio. O rapaz se viu em um dilema. O que faria a partir dali? Abriria o jogo? Perguntaria o que queria saber ou diria aquilo que estava entalado em seu peito há anos? Fosse o que fosse, Shura tinha medo de que isso fizesse com que perdesse Aioros mais uma vez.

Ficou cerca de uma hora ponderando suas dúvidas e angustias, até que finalmente sentiu seus olhos pesarem.

— Dane-se a missão, eu só quero dormir...

Notas finais
* Acho que posto o terceiro capitulo mais tarde! :3