Nossa Academia de Heróis
6 Capítulo 6: A história por trás
Notas iniciais
Ray´s pov
Eu continuava sentada no banco ao lado da enfermaria, Bakugou estava de pé olhando fixamente a porta.
—A culpa é minha- ele disse baixo
—Ela vai se recuperar- eu respondi um pouco abaixo do meu tom de voz
—Tem certeza? Aquilo parecia feio- disse ele já me encarando
—Nas primeiras vezes foi mais desesperador, admito...- dei uma pausa pensando- mas a cada vez que esses pontos abrem de novo fica mais complicado ela melhorar- complementei pensando alto.
—Como ela conseguiu aquilo?- Questionou
—É uma história complicada, se prometer não contar á ninguém te explico bem resumidamente- disse o fitando, e assim que o mesmo fez que sim com a cabeça voltei a falar- seis meses atrás ela conseguiu esse ferimento numa briga com um vilão que tentou matá-la, depois disso ela nunca mais foi a mesma. Nem em personalidade nem em batalha.
—Como assim ela mudou?-Perguntou curioso ainda de pé
—Ela não falou uma palavra conosco por mais de uma semana, depois só dizia o nome dele por um mês. Só depois disso voltou a conversar mas ainda é muito na dela e não confia muito em novas pessoas. Em questão de batalha, bom, agora ela tem medo de combate corpo a corpo, ela tenta sempre ficar atrás e não precisar lutar fisicamente com ninguém. — Afirmei
O loiro agora tinha um olhar perdido, certamente estava se culpando, afinal se ele ouvisse o plano dela, a mesma tentaria não entrar em combate e isso não aconteceria. Após meia hora de silêncio extremo ouço passos rápidos, Midoryia corria em nossa direção.
—Eu soube o que houve, a Rosa-san está bem?- Questionou entre inspiradas fundas para recuperar o fôlego após a corrida.
—Se você não a tivesse chutado nada disso teria acontecido nerd estúpido- dizia Bakugou já de pé na frente do menino de cabelos verdes.
—E-eu queria me desculpar com ela- respondeu de olhos baixos
—Antes disso eu te explodo!-exclamou o loiro irritado
—Parem com isso!- gritei — só parem...
Eu mal pude sentir, mas rolavam lágrimas pelo meu rosto
Bakugou cerrava seu punho enquanto olhava para a porta novamente, Midoryia estava ao meu lado se desculpando
—Tudo bem Deku-kun, a culpa não é sua, você não tinha como saber-disse secando as lágrimas que ainda teimavam em escorrer.
Mais algumas poucas palavras foram ditas e os três esperaram por mais meia hora até que a porta da enfermaria se abriu, era minha tia.
—Meninos voltem pro dormitório, não será hoje que ela terá alta.- ela disse cabisbaixa
—Mas e o ferimento?- questionei nervosa
—Recovery girl está fazendo o máximo que pode, mas pelo que parece ela vai se recuperar – agora ela lançava um pequeno sorriso
—Que bom! Eu estava muito preocupado com ela- Midoryia disse
—Midoryia Izuku certo? Recovery girl me falou que você é um frequentador assíduo da enfermaria- ela disse tímida para aumentar o astral da conversa
—É-é, pode-se dizer que sim- ele respondeu rindo um pouco com a mão atrás da cabeça.
—Tia, depois eu quero conversar com você- eu disse
—Hoje não, tenho muito trabalho ainda e não devo sair do lado da sua prima.
—Tia? Você é mãe da Rosa-san?- Midoryia questionou nervoso
—sim, sou a auxiliar na enfermaria- ela respondeu
—Me-me desculpa, ela estar aqui é culpa minha, eu lutei contra ela- dizia tropeçando em suas próprias palavras enquanto abaixava sua cabeça
—Está tudo bem, ela treina pra ser heroína, machucados vão acontecer uma hora ou outra- respondia com tristeza em sua voz, ela era sincera mas não queria que nenhuma de nós se machucasse. -Agora vão para o dormitório e descansem, assim que ela melhorar vai voltar a frequentar a aula.- disse, assentimos com a cabeça e ela voltou pra enfermaria.
Fiz o que minha tia mandou e fui para meu quarto, as horas pareciam demorar uma eternidade, não comi naquele dia e apenas esperei notícias de Júlia. Dormi esperando as mesmas. Acordei no dia seguinte e segui para a sala de aula, nenhuma mensagem importante de minha tia. All Might deu o quadro final da atividade do dia anterior, as quatro duplas que haviam passado foram:
Tsuyu Asui e Momo Yaoyozoru -Heróis- quinze pontos
Eijiro Kirishima e Ochaco Uraraka -Heróis- quinze pontos
Campos Rayssa e Todoroki Shouto -Heróis- vinte pontos
Rosa Júlia e Bakugou Katsuki -Heróis- dezoito pontos
Eu havia ficado em primeiro lugar e Júlia em segundo, Logo mais o professor explicou que a pontuação dela e de Bakugou havia diminuído um ponto pela destruição causada e um ponto pelos problemas de interação entre os dois, o que causou os ferimentos da mesma. Nesse pouco tempo que eu frequentava a UA era a primeira vez que eu via o loiro ser o assunto e não prestar atenção, seu foco era em alguma coisa distante. O resto da aula passou mais lento do que o normal, eu só esperava o intervalo para poder ir na enfermaria. Finalmente era hora do intervalo e meus pensamentos foram cortados pela voz de Todoroki-kun que estava na minha frente.
—Passamos afinal- ele dizia sem prestar muito atenção em mim
—sim, graças as suas habilidades – respondi
—E seu plano – ele disse- E como está sua prima?- completou,acredito que ele queria perguntar isso desde o início mas não sabia como
—Na verdade eu não sei, eu ia na enfermaria agora ver se tenho notícias- afirmei me levantando
—Vou com você então — disse e me seguiu
Fomos até lá e bati na porta, Recovery Girl abriu a porta e nos cumprimentou, disse que ela estava na parte de trás da enfermaria, onde ficavam as internações. Chegando lá vi uma cena que nunca imaginaria, minha mãe e Bakugou sentados conversando ao leito de minha prima, que ainda dormia.
—Tia, como ela está?- perguntei me aproximando
—Pelo que tudo indica melhorando- ela respondeu com um sorriso- mas a cicatriz permanece. — Olá Todoroki-san – minha mãe o cumprimentou sorrindo
—Olá Campos-san, que bom que ela está melhor- Respondeu o menino, pera eles já se conheciam?
—Sim, meninos, agora se me dão licença vou ali conversar com a Rayssa, não façam bagunça.- Disse ela me puxando.
Fomos pra uma sala reservada da enfermaria e ela começou a falar
—Recovery Girl a curou em parte, ela continuará fraca por um tempo por causa do ferimento mas terá uma melhor recuperação. Amanhã a tarde ela deve ter alta se tudo der certo, está em coma induzido por causa das dores que ela deve estar sentindo, mas até o fim do dia devem sumir então ela deve acordar na madrugada ou pela manhã. Agora o problema é ela não fazer esforço por um tempo e voltar ás atividades com calma e cautela. Recovery Girl me avisou que se os pontos não abrirem de novo em um mês, a chance de dar problema de novo é quase nula, então vou precisar da sua ajuda pra policiar ela.
Eu ouvi tudo com atenção e percebi o quão difícil isso seria, precisaria de ajuda pra cuidar dela, o que me lembrou de algo.
—Tia, o que aquele menino fazia aqui?- perguntei me referindo a Bakugou
—Ele veio ver como ela estava, é mais educado do que me disseram. Parecia realmente preocupado com ela e me disse que se sentia culpado por tudo que aconteceu... ele é um bom garoto.- Ela me respondeu, assim como a filha tinha um péssimo gosto.
—Mas ela disse que ele poderia ser um bom favorito- questionei
—Isso pode dar merda- disse ela rindo- mas qualquer um é melhor do que 'ele'- disse séria.
O último favorito dela foi um garoto que estudou com ela no ensino fundamental, em seu ultimo ano eles se tornaram muito próximos, porém nenhum de nós sabíamos que ele cresceu no meio de vilões e almejava se tornar um. Assim que sua missão foi acabar com a força especial que havia na cidade seu alvo foi minha tia, então o mesmo fez amizade com Júlia e se aproximou muito dela, ganhando sua confiança, tornando-se seu namorado. Com quatorze anos ela era muito ingênua e seguiu mantendo-o perto mesmo quando eu falava que não gostava dele. E assim seguiram os dois, ela fez seus quinze anos e ainda estavam juntos, então nas últimas semanas de férias a ordem fora dada, exterminar os heróis da força e quem estivesse ligado a eles.
Uma cicatriz que nunca vai curar, a dor da traição, da perda. Ela lutou com ele para proteger nossa mãe, se machucou assim, quase perdendo sua vida para quem mais amava. Por sorte ele foi preso e meses depois descobrimos que fora assassinado na prisão, algo que Júlia também nunca aceitou. Espero que algum dia ela possa voltar ao normal.
—Mas ele pode ajudar muito se quiser- disse pensando
Saímos de onde estávamos e voltamos para o leito de Júlia, o loiro permanecia ali, apenas olhando para seu rosto, parecia até em paz eu diria.
—O Todoroki disse que ia te esperar na porta- Disse ele se afastando um pouco de minha prima ao nos perceber, eu agradeci e saí do quarto deixando os dois conversando, minha tia provavelmente o convenceria botar juízo na cabeça dela.
Na porta da enfermaria estava parado Todoroki-kun, assim que apareci ele me lançou um sorriso tímido
—Me desculpe, não me sinto a vontade estando muito tempo em algo com um hospital, me lembra minha mãe.
—Obrigada por me acompanhar- era tudo que eu conseguia dizer antes de derramar algumas lágrimas.
Fomos andando e expliquei a situação de Júlia para ele e como Bakugou entraria no plano, ele me contou um pouco sobre sua mãe e fiquei muito feliz de poder conversar com ele, o mesmo me contou também que conheceu minha tia ao perguntar na enfermaria quais seriam melhores opções de remédios para dores de cabeça, que sua mãe possuia muitas e ele queria poder ajudar. Quando me dei conta estávamos sozinhos numa mesa no refeitório conversando. Expliquei a ele um pouco de como minha prima conseguiu o ferimento e conversamos um pouco sobre nossa futura tática para ganhar a atividade de All Might. Ao acabar o intervalo seguimos para a sala ainda conversando um pouco e continuamos assim até a aula começar definitivamente. A mesma passou um pouco mais rápido e ao acabar dei uma passada rápida na enfermaria para ver minha prima que ainda dormia, porém sem o auxílio de remédios e fui pros dormitórios. Passei o resto da tarde estudando e vendo TV quando recebi uma mensagem de minha tia quase as nove da noite "Ela acordou" dizia apenas. Após isso pude dormir tranquila. Eu adormeci facilmente.
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