Nos Meus Sonhos Eu Te Encontrei
1 Onde estou?
Notas iniciais
Ok, espero q gostem e mandem reviews!! :3
Boa leitura! ♥
Levantei-me daquele chão frio que cheirava à grama. Olhei ao redor tentando descobrir onde estava; eu conhecia aquele lugar, era a praça onde meus primos brincavam, mas... O que eu estava fazendo ali?
Olhei para meu estado, usava com vestido branco que tampava meus pés, mas não se encostava ao chão, ficavam a milímetros de lá. A manga vinha até a metade de minhas mãos, joguei meus braços para cima fazendo-as voltarem. Senti algo prender minha cintura, coloquei a mão no lugar, eram apenas elásticos. Olhei minha palma, estava branca demais, na verdade, todo meu corpo estava branco demais.
Um grito vibrou por meus ouvidos me fazendo protestar e levar as mãos até eles tampando-os. “Mas que diabos foi isso?” tentei falar tirando minhas mãos esperando não ouvir de novo. Arregalei meus olhos, minha voz não havia saído. Só meus lábios se mexiam.
Olhei para frente pela primeira vez percebendo um velho à frente, me olhando. Hesitei um pouco tentando faze-lo me fazer uma pergunta. Mas não, ele só me olhava pasmo com o casaco em seu colo. “Ajude-me, por favor.” Mexi os lábios esperando que ele pudesse lesse-los. Mas nada, ele só me olhava.
“Senhor!” chamei por ele mais uma vez. “Eu preciso de sua ajuda!” meus lábios se moviam com frequência, sim, isso eu via, mas ninguém me entendia. Fiquei calada para ver o que ele realmente via.
Ele olhava para o que estava atrás de mim. A ideia surgiu de minha mente.
Ouvi o grito fino tremer por meus ouvidos. Dessa vez eu não pus minhas mãos no ouvido, tinha coisas que me distraíram de tudo. Virei-me lentamente e quando fui ver o que o velho realmente estava vendo...
O vento batia em minha nuca com toda força deixando-a fria no local onde o vento ali batia. Estava sendo puxada para trás. E aquilo era forte, sem comparação a nada; parecia que eu estava destro de um furacão, mas sem rodar. O vendo bateu também um minhas costas deixando o vestido longo voar. Um grito foi formado pela minha garganta deixando-a seca e minha voz começou a ficar rouca.
Bati com tudo no chão. – AI! – falei pela primeira vez percebendo minha voz de novo. Minha voz estava estranha com certeza e estava rouca por causa do grito fino que eu dera poucos segundos atrás. Levantei-me com a cabeça latejando de dor. Minha mão acariciou de leve o local onde mais doía. Um galo se formara de leve ali.
Olhei ao meu redor. Estava em um espaço totalmente branco. Não sabia se aquilo realmente existia, mas eu estava ali. “Mas como?” Eu via isso em filmes ou desenhos animados, mas nunca pensei na ideia de ficar em um espaço totalmente branco e sem lugares para onde ir. Olhei para o chão de novo e fechei os olhos tentando evitar a dor.
— Essa deve ter doído – abri meus olhos de uma vez, assustada com a voz fina, mas ao mesmo tempo masculina. Olhei para os tênis a minha frente. Levantei meu rosto e encarei o homem vestido de calças jeans rasgadas no joelho e com uma blusa branca um pouco caída no ombro e a mesma era bem solta. “Muito melhor que esse vestido feio que estou usando” pensei e me levantei quando ele esticou a mão.
— Quem é você? – dei um passo devagar para trás.
— Kim JongHyun. Você? – ele abriu um sorriso e colocou as mãos para trás.
Hesitei. Olhei para ele dos pés até encontrar seus olhos observando meu olhar para ele. – Lorenna – respondi rapidamente.
— Hum... – ele analisou. — É com certeza um nome bonito.
— Obrigada – respondi automaticamente ainda olhando-o com curiosidade. Ele deu um passo a frente.
— Venha comigo – ele esticou a mão e se virou de lado esperando eu a pega-la.
Olhei para mão que ainda permanecia esticada e depois olhei para ele. – Para onde? – perguntei.
Ele riu. – Só venha! – ele pegou minha mão que permanecia do lado de meu corpo e me puxou para a caminhada no espaço branco.
— Como eu estou aqui? Por que eu estou aqui? – pensei que ele talvez pudesse me responder, ele não parecia nem um pouco assustado com isso tudo.
— Quer dizer, se isso existe? – ele me olhou. – Na verdade eu não sei – ele respondeu e voltou seu olhar para frente.
Tá, isso não resolveu muito minha dúvida. – E você não acha isso muito estranho? – perguntei olhando-o.
Ele deu de ombros. – Talvez. Mas já me acostumei com tudo isso – sua resposta tinha sido simples o suficiente para eu saber que tinha mais algo escondido. Olhei mais um pouco para ele e depois desviei o olhar.
Algo me deixou impressionada. O espaço branco estava tomando forma. Os brancos que nos cercavam por todos os lados agora caíam como lágrimas ou gotas de chuva e deixavam as cores azul do Sol e o cinza dos prédios. Apressei meu passo que agora JongHyun agora andava mais rápido e o olhei vendo seu olhar fechado e perdido enquanto eu estava de boca entre aberta impressionada com o que via.
Senti sua mão esquentar-se contra a minha e olhei para elas finalmente me lembrando delas. Suas mãos apertavam de leve as minhas. – O que está acontecendo, JongHyun? – perguntei mais em um sussurro.
Seus olhar agora permanecia no chão enquanto as paredes de prédios iam se formando e o Sol ia nascendo por detrás deles. – Estamos indo para algum lugar... – sua resposta era incompleta, mas ele não se importou em termina-la depois.
Percebi pelas suas mãos quentes que havia algo acontecendo, mas não tinha tanta coragem de perguntar algo enquanto ele parecia tão frio. Quem era essa pessoa ao meu lado?
Quando tudo já havia forma, JongHyun soltou minha mão. O vento frio bateu no lugar onde permanecera tão quente e agora permanecia gélida. Fichei a mão depressa evitando que o frio batesse de novo no lugar.
Eu conhecia aquele lugar, sabia de quem pertenciam aquele muro laranja e sabia quem era aquele vizinho que tanto regava sua flores do jardim sobre a manhã. Era a rua de minha casa!
Meus pés pararam quando tudo aquilo foi claro em minha mente. JongHyun não havia percebido minha ausência ao seu lado e continuou a andar. Andou dois quilômetros à frente e depois parou. – Você não vem?
Eu queria, mas eu não conseguia tirar meus pés de frente a minha casa. Eu queria entrar lá de uma vez só e abraçar minha mãe. Fazia muito tempo que eu não entrava naquele lugar, eu estava vivendo em um hotel. Mas agora eu só queria dar um abraço em minha mãe... Levantei minha cabeça e olhei para JongHyun; não era lá uma imagem muito bem definida, estava turva.
Levei minha mão aos olhos. Claro, agora eu chorava. – Jong... – tentei pronunciar seu nome, mas ele havia saído pela metade. – Por que me trouxe aqui? Como sabia que era minha casa? – perguntei.
Ele continuava a me olhar com aquela expressão vazia e fria. – Eu não sabia, foi você que me trouxe aqui – ele respondeu como se fosse óbvio.
Minha boca se abriu e logo depois se fechou muitas vezes. – Como assim? Como eu que te trouxe aqui? Eu nem sei estou! Nem sei o que está acontecendo! – estava com raiva, não. Estava enfurecida. Por que ele tinha que ter esse jeito tão frio e atordoante? Me irritava.
— Não sabe. Mas foi você que quis vir na sua casa, então aqui estamos. Eu nem ao menos mando aqui, nem ao menos sei o que ou quem você é. Só faço meu trabalho de ajudar as pessoas a descobrirem porque razão estarem perdidas – ele respondeu calmamente sem nenhuma intenção de ficar irritado.
Comecei a ficar tonta. Eu não estava perdida, estava na porta de minha casa, sabia onde estava, estava na rua de minha vizinhança. Ou seja, não havia motivos para ele ficar aqui certo? Olhei para a porta de minha casa mais uma vez, vendo o muro laranja mais uma vez depois de tanto tempo. Cheguei mais perto mesmo sentindo minhas pernas tremerem e perderem a força a cada passo que eu dava. Minhas pernas perderam os sentidos e eu caí de mãos raspando-as no muro. – A-ai... – gemi e JongHyun veio me pegar.
— Tome cuidado! – ele me sentou de leve no chão e se agachou ao meu lado. – Deixe-me ver – ele pegou minhas mãos de leve e a examinou. – Não foi tão grave, só vai sangrar um pouquinho – ele avisou.
Lágrimas escorreram sobre meu rosto e fechei os olhos tentando esconde-las. – Eu quero entrar em casa – pedi. – Eu quero entrar lá e pedir desculpas à todos lá dentro. Quero abraçar minha mãe e quero me ajoelhar ao seu lado... – fui gemendo para mim mesmo querendo com todas minhas forças sair daquele sonho ou ilusão... “Só me deixe sair” pensei.
— Calma, não vai doer tanto assim, eu... – JongHyun fuçou uma pequena bolsa de lado que ele usava e pegou um cano fino branco. – Trouce isso, coloque para... – ele colocou em minhas mãos. – Para proteger – ele disse.
— Não estou chorando por causa disso! – me levantei e joguei minhas mãos para cima e as deixei caírem com força para baixo. – Quero entrar nessa casa, me entende? – apontei furiosa para porta. – Quero entrar e ver minha família, ver meus parentes! Quero morar lá de novo – as lágrimas foram rolando por meus olhos – e pedir desculpas para minha mãe e tentar resolver as coisas que eu estraguei... – meus corpo foi ficando mole com forma eu fui falando e fui escorregando pelo muro até encontrar o chão de novo. – Que eu estraguei...
JongHyun permaneceu calado apenas me observando com cautela esperando que eu me acalmasse. Ele estava em pé e me olhava sentada abraçando os joelhos chorando e soluçando. Eu só queria sair dali. Daquele sonho, ou melhor, pesadelo horrível onde eu nem poderia entrar em minha própria casa...
— Se eu isso te ajudar, — JongHyun se agachou de novo – eu estou aqui para te ajudar, não para te atrapalhar ou tornar isso um pesadelo, que acredite, eu sei que pode se tornar. Então, se quiser me contar o que aconteceu, porque eu estou aqui para...
— Me ajudar. Eu entendi – respondi interrompendo-o.
— Sim, ajudar. Então, eu vou estar aqui – ele se levantou e me esticou a mão. Enxuguei minha lágrimas e a peguei. – Vamos caminhar um pouco para ver se sua memória volta um pouco – ele disse e soltou minha mão.
Assenti. Eu tinha que me lembrar de tudo o que estava acontecendo para saber como vim parar aqui. Andei do seu lado sem fazer nenhuma pergunta e nenhum comentário; calada. Avistei a praça. – Foi aqui onde eu acordei – falei olhando me relembrando de tudo que havia passado antes de estar aqui.
Ele assentiu. – Então vamos lá – ele falou.
Não estava muito longe, na verdade só precisávamos atravessar a rua. Lembrei-me do cheiro forte de grama como se estivesse sentindo-a agora naquele exato momento.
— A praça... – fui caminhando mais rápido passando por JongHyun. Eu precisava ver o que o velho tanto olhava. Comecei a correr contra minha vontade, a ansiedade tomava conta de mim, não podia esperar . Encontrei o velho sentado no mesmo banco, do mesmo jeito. Parei de correr ou andar e tentei recuperar o fôlego sentindo meu cabelo colar no canto de meus lábios. O retirei dali e me virei.
— Lorenna! Espere! – ouvi uma voz distante me chamar, mas agora isso não havia tanta importância. Eu olhava para o lugar repleto de pessoas mutuadas em um mesmo lugar. Ouvi o grito fino de novo, mas dessa vez não me importei de tampar meu ouvidos, comecei a correr de novo.
Passei por meio das pessoas tentando saber o que tanto olhavam. Fui parada bruscamente quando bati meu quadril em uma maca pequena com um corpo infantil deitado ali.
Meu corpo foi perdendo todas as forças de novo. Afastei-me daquele lugar de vagarosamente andando de costas totalmente cocada com o corpo infantil coberto de sangue vivo e fresco e com pequeno pano tampando metade do corpo. Minhas costas bateram em outra coisa. Virei-me rapidamente sentindo as lágrimas voarem de meu olhos e descerem por meu rosto com a mesmo velocidade em que havia me virado.
A pessoa deitada na maca agora na minha frente era alguém maior, com o corpo mais maduro. Era um corpo magro e seu cabelo longo e preto saía da maca. Ela permanecia totalmente quieta, como se não tivesse mais vida. E talvez nem tivesse. E o pior era que aquela pessoa não era qualquer pessoa, essa pessoa era... Bem, ela era eu.
Comecei a gritar descontroladamente. Perdi a visão e o tato. O chão não estava mais sobre meus pés, eu caíra. Parei de gritar, meu corpo doía. Ouvi um grito conhecido, ele era fino; era de uma criança, ouvi freios e minha visão voltara, simplesmente do nada. Mas eu não via os pés das pessoas mutuadas que estavam vendo a consequência do acidente, eu via dois carros se debaterem e capotarem um por cima do outro, se amassando cada vez mais.
As lágrimas rolavam de meus olhos rapidamente, na velocidade mais rápida que eu já vira na vida. Comecei a soluçar. Um soluço forte e desesperador. Eu queria ajuda, queria conseguir parar os dois carros que caiam um por cima do outro. Mas então os dois carros sumiram. Mas ele não simplesmente sumiram, ele... Evaporaram.
Tudo ficou preto. Fechei os olhos querendo acordar daquele pesadelo. Abri os olhos de novo. Havia um espaço com luz. Um círculo amarelo. Uma criança apareceu ali. Ela sorria e segurava um bola rosa. Seu vestido era lindo; era amarelo com pequenas flores vermelhas. Eu me lembrava daquele vestido, era eu quem tinha costurado para minha filha. – Filha... – minha voz fraca produziu. – Filha... – tentei chamar de novo. Ela ouviu.
— Mamãe! Venha até mim, mamãe! – ela falou com aquela voz doce que eu tanto me lembrava. Ela tentou correr, mas se vestido foi ficando vermelho. E não era o vermelho das pequenas flores, era um vermelho de sangue.
— Filha! Corra pra mamãe! Venha até mim! – tentei chama-la desesperada e tentando me levantar.
Minha lágrimas rolaram com mais pressa por meu rosto enquanto a via me olhar com preocupação. – Mamãe, você está ferida? Por que está chorando? – ela falava parecendo nem se preocupar com o sangue manchando o vestido amarelo.
— Não amor, não estou ferida. Venha... – tentei me levantar. Sem sucesso. Meu corpo se contorceu no chão preto e eu fechei os olhos tentando não assustar minha pequena menina.
Ela me olhou e soltou a bola rosa. – Não mamãe, não se esforce. Vai doer mais. Fique deitada – por que ela estava tão preocupada comigo? Seu vestido a cada vez mais ficava manchado e ela nem ao menos reclamava.
— Amor, não está sentindo dor? — resolvi perguntar.
Ela me olhou e depois pegou o vestido sentindo o sangue passar para sua mãozinha delicada. – Isso? Ah, mamãe, eu não sei o que é isso. Mas quero lhe abraçar, mamãe. Por que não posso ir até aí? – sua voz era tão doce que me fez chorar ainda mais.
— Filha, eu... – gemi de dor. Ah! Aquilo doía demais! – A mamãe senti muito, ok? A mamãe senti muito por ter te causado tanta dor nesse dia, ok? – fui falando delicadamente para ela.
Ela sorriu. O sorriso mais lindo de todo mundo. Quanto tempo eu não via aquele sorriso. – Mamãe, eu te amo. Claro que eu te perdoo. Mas venha me abraçar... – ela falou mais uma vez. Ela ficou com a cara preocupada de novo e tirou o sorriso que eu amava. – Mamãe, o que está acontecendo? – agora ela entendera.
— Eu não sei amor. Mas vamos ficar bem, ok? – respondi. Me contorci mais um vez e mordi meu lábio evitando o grito dessa vez.
Ela simplesmente concordou com a cabeça e falou: - Eu te amo, mamãe.
— Eu... – fechei os olhos e mordi o lábio mais uma vez. – Eu também te amo, amor... – e então seu sorriso se abriu de novo e tudo se escureceu.
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