North Wind
3 Capítulo 3- Home
Notas iniciais
Sansa despertou naquela manhã sentindo o focinho molhado de Fantasma em seu rosto. Com os olhos ainda sonolentos, olhou ao redor e percebeu estar em sua cama, como havia ido parar lá, ela não fazia a menor ideia. Levantou-se preguiçosamente, deixando sua cama quente com muito pesar, fez um carinho em Fantasma e foi lavar o rosto.
Reparou que ainda estava usando seu vestido, passou os dedos pelo lobo bordado em seu peito e concluiu que precisava fazer um novo vestido ou poderia simplesmente poderia ser como Arya e vestir-se como um menino.
A Stark pegou sua capa e saiu de seu quarto, sendo seguida pelo lobo branco até o pátio.
Jon Snow já havia tirado sua capa e a jogado em algum lugar. Seus dedos seguravam firmemente o arco e flecha enquanto atirava e por mais que a neve estivesse caindo, ele sentia calor. Mantinha os olhos castanhos fixos no alvo, lembrando-se de quando ele e Robb ensinaram Bran a atirar, treino este que foi interrompido por uma flecha certeira de Arya. Tempos de paz como aqueles faziam falta ultimamente.
Sentia sua perna latejar um pouco por causa da flecha que passara de raspão em sua coxa, contudo a dor parecia distante, já que estava completamente focado em Little Finger, que montava em seu cavalo para deixar Winterfell. Aparentemente não fazia parte de seus planos continuar por lá após a rejeição de Sansa.
No momento em que o portão se abriu e Little Finger foi embora, Jon virou-se e viu Sansa. O vento lhe bagunçava os cabelos ruivos, soltos e lisos, e alguns flocos de neve caiam para logo derreter como se estivessem tocando no fogo. Seus olhos fitavam o portão se fechando, pareciam frios como o gelo da Muralha e lembravam os de Lady Catelyn quando encarava Jon.
Sansa caminhou até Jon, parando ao seu lado enquanto os olhos continuavam fixos no portão:
—Parte do exercito do Vale ficou por aqui. Só espero que não sejam covardes o suficiente para nos atacar dentro de nossa própria casa.
—Não creio que nos atacariam.
Sansa deu de ombros e pegou uma espada que estava no chão, aos seus pés:
—Acha que pode me ensinar?
—Como? _Questionou Jon arqueando uma sobrancelha
—Usar uma espada. Sabe, no caso de atacarem Winterfell quero poder me defender sozinha. Assim não precisa me proteger de tudo.
Jon sorriu para ela, coisa que fazia muito ultimamente. E ela gostava de vê-lo sorrir, já que vira tão poucas vezes quando eram menores. Ele, então, tirou a espada de suas mãos e jogou-a para algum canto:
—Ei! _Exclamou Sansa. _Como pretende me ensinar sem uma espada!?
—Você não vai começar com uma espada de verdade, pelos deuses, Sansa. _Riu Jon. _Pretendo continuar inteiro por mais um tempo.
Sansa seguiu Jon com os olhos enquanto ele pegava duas espadas de madeira. Reparou que o cabelo, que ele andava usando preso ultimamente, estava solto:
—Vamos começar com o básico, sim? _Sansa assentiu e Jon prosseguiu. _Pegue sua espada.
Sansa pegou sua espada e sentiu a madeira áspera sobre seus dedos:
—Primeiro, respire, relaxe seu corpo. _Começou Jon. _É completamente normal sentir-se tenso em uma luta, mas você precisa se esforçar o máximo para manter a calma, deixar os músculos soltos e controlar sua respiração. A tensão pode impedir você de agir com agilidade e isso pode ser fatal.
Sansa respirou profundamente, fechou os olhos procurando algo que não a deixasse tensa. Pensou em quando era mais nova, sentada em seu quarto, escovando o pelo de Lady:
—Bom, já você que respirou fundo e relaxou, um dos pontos mais importantes de como manusear uma espada é o seu equilíbrio. _Jon caminhou até Sansa, posicionou-se atrás dela com as mãos em sua cintura. _Mantenha suas pernas abertas na direção dos ombros para que possa executar os movimentos. Isso! É importante nunca deixar os pés juntos. Quanto mais as solas de seus pés tocarem o chão, mais base você terá para fortalecer seus ataques.
Por alguma razão Jon era quem estava levemente tenso agora, nunca tivera tanta liberdade para tocar em Sansa assim:
—Procure não levantar os pés quando se movimentar...
—E como eu vou me mexer? _Questionou Sansa virando apenas o bastante para ver o rosto de Jon
—Você vai tentar desliza-los pelo chão, Sansa. Você deve tomar muito cuidado com seu equilíbrio, pois um descuido sequer pode ser a oportunidade perfeita para seu adversário atacar. Mantenha as costas eretas e o peito para fora. _Jon notou que Sansa já mantinha as costas eretas naturalmente. _Ótima postura.
—Septa Mordane me fazia ficar horas assim, acho que já é algo natural para mim.
—Isso é muito bom, pois assim, quando você for girar não irá perder o equilíbrio e vai evitar ataques com mais facilidade.
Jon saiu de trás de Sansa e ficou de frente para ela. Pegou sua espada de volta e encarou-a:
—Avalie a situação, isso é importante. Tente sempre tomar conhecimento do terreno e do ambiente com antecedência, assim como prestar atenção em seu oponente. Ele é muito agressivo? Muito cauteloso? Maior ou mais baixo que você? Todos têm uma fraqueza. Você tem que usar as de seu inimigo ao seu favor.
Jon colocou sua espada mais uma vez no chão e segurou os cotovelos de Sansa:
—Mantenha-os flexionados, muitos novatos pensam em deixar os braços esticados para afastar o inimigo, porém isso atrapalha seu ataque e sua defesa. _Jon afastou-se novamente. _Você tem que manter uma distância baseada na distância do seu equilíbrio entre sua espada e a de seu adversário. Como essa é uma espada média, fique a um passo largo de distância de mim.
Sansa deu um passo para trás e voltou para sua posição, olhando para Jon:
—Agora, creio eu que seja o ponto mais importante, é você encontrar o fluxo da luta e controla-lo, se o encontrar é capaz de toda a luta ser influenciada por seus movimentos. _Jon empunhou sua espada e apontou-a para Sansa. _Ah, é claro, evite dar giros sem propósito. Isso deixa suas costas livres para o adversário. Agora, me ataque.
—Antes disso, você realmente pensa em tudo isso antes de uma luta? _Perguntou Sansa antes de atacar
—Na verdade não. Nem você vai pensar. Mas, por hora é importante que saiba disso. Agora, me ataque.
Sansa respirou fundo, concentrou-se em tudo que Jon havia lhe explicado. Pensava agora no modo como ele lutava e em que fraquezas poderia usar contra ele. No entanto, no primeiro movimento que Sansa fez, esbarrou na barra de seu vestido e caiu sentada sobre o chão.
Jon explodiu em gargalhadas, havia tentado reprimi-las, mas não havia funcionado. Sabia que era errado rir quando ela estava aprendendo, poderia desmotiva-la, mas o jeito que ela estava sentada, com as pernas esticadas e as bochechas vermelhas era algo que lhe dava um ar tão infantil:
—Jon Snow! _Exclamou Sansa vermelha de vergonha e raiva. _Pare de rir de mim e venha me ajudar.
A garganta de Jon começava a doer, assim como sua barriga. E Sansa continuava sentada no chão encarando-o.
Ela nunca o vira rir daquele jeito. Ela não conhecia sua risada, não sabia como Jon Snow ficava em um ataque de risos e agora que vira, havia achado maravilhoso. E aos poucos rendeu-se as risadas do meio-irmão, rindo junto dele:
—Sinto muito, Sansa. _Exclamou Jon entre risadas, estendendo-lhe a mão. _Não devia rir de você.
Sansa segurou a mão de Jon e levantou-se, no entanto, havia pisado mais uma vez na barra de seu vestido e tropeçado. Claro que havia sido amparada por Jon, apoiava uma das mãos em seu peito e a outra continuava a segurar a dele. Olhava-o de baixo para cima, via que o rosto dele estava vermelho por causa do seu ataque de risos:
—Não foi nada, Jon. _Garantiu Sansa ajeitando-se. _Acho que eu deveria aderir o jeito de se vestir de Arya, lutar com vestido não é fácil.
—Não se preocupe, eu ainda vou ter o prazer de ajuda-la a treinar. _Afirmou Jon. _Espero que não tenha a desmotivado com meus risos.
—Imagina. Sabe, eu nunca o vi rir daquele jeito, Jon. _Disse Sansa o encarando. _E acho que se tiver que cair toda vez para vê-lo rindo novamente, eu caio quantas vezes for necessário.
Jon sentiu um súbito calor em seu rosto, torcia para que Sansa não percebesse que estava começando a ficar envergonhado. O que havia de errado com ele? Por que raios todas essas coisas aconteciam quando estava com Sansa?
—Jon. _Chamou Sansa estalando os dedos diante dos olhos dele
—Sim! Desculpe, me distraí.
—Perguntei se sabe como está Tormund, lembro que ele estava bem machucado ontem.
—Ah, ele está bem. Está descansando, acho que quando estiver melhor vai voltar para junto dos Selvagens.
—É uma pena, pois eu acho que ele se interessou por Brienne. _Disse Sansa lembrando do jeito como o Selvagem olhara para Brienne quando ambas chegaram à Muralha.
Jon soltou uma risada e olhou novamente para Sansa:
—Pensei que apenas eu havia percebido os olhares que ele lançava para ela. Quem sabe não escreverão uma canção sobre os dois.
—Podem fazer canções sobre nós também. _Disse Sansa. _"Lord Snow e Lady Stark voltam para casa". Será uma história de como você recuperou Winterfell e como eu vim a ser uma grande protetora do Norte.
—Eu com certeza vou querer ouvir essa canção. _Disse Jon oferecendo o braço para Sansa.
—Apenas torça para estarmos vivos quando escreverem está canção. _Falou Sansa aceitando o braço de Jon enquanto caminhavam para dentro do castelo
—Nós vamos estar, Sansa. Nossa hora ainda está distante.
Sansa olhou para Jon e percebeu que também gostava de quando ele era otimista, tanto quanto gostava de sua risada. Passara tanto tempo na infância o ignorando, que sequer notara como Jon poderia ser o cavaleiro de uma das histórias da velha Ama.
Os dois andavam pelos corredores do castelo, não tinham rumo algum, apenas seguiam em frente. Pareciam querer matar a saudade de cada centímetro daquele lugar. Não falavam nada e o silêncio não parecia tornar o clima pesado.
Sansa sentia que com todo o silêncio, se concentrasse-se bem, seria capaz de ouvir Bran e Rickon brincando com Verão e Cão Felpudo. Ouvir Arya brigando com septa Mordane. Ouvir Robb treinando com Jon. Ouvir seus pais conversando sobre algo relacionado ao bem estar de Winterfell:
—Você também consegue ouvir, Jon? _Perguntou Sansa após longos minutos de silêncio
—Ouvir o que?
—Eu posso estar ficando louca, mas é quase como se ouvisse toda nossa família junta mais uma vez.
Jon parou de andar, fazendo Sansa olhar para ele. Detestava vê-la sentir a dor da saudade, então puxou-a para seus braços, fazendo com que a cabeça dela encostasse em seu peito e acariciou os cabelos ruivos:
—Não perca as esperanças, Sansa. _Pediu Jon fechando os olhos enquanto apoiava sua bochecha no topo da cabeça de Sansa. _Arya e Bran vão retornar para nós.
Sansa passou seus braços ao redor do tronco do Snow e fechou os olhos sentindo o calor do corpo dele:
—Que você tenha razão, Jon. Que você tenha razão.
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