North Wind
4 Capítulo 4- The nightmare
Naquele mesmo dia, quando foi servido o almoço, Jon e Sansa sentaram-se lado a lado, nos lugares que um dia pertenceram à Ned e Catelyn Stark.
Sansa olhava e ouvia com atenção todas aquelas pessoas no salão. Eles riam, bebiam, falavam sobre a batalha do dia anterior e todas essas simples coisas pareciam aquecer o coração da nova protetora do Norte. Ver aquele salão cheio mais uma vez a deixava feliz.
Jon virou um pouco o rosto, apenas o bastante para ver Sansa, reparou que ela mal havia tocada em sua comida. Ela apenas mantinha os olhos fixos nos soldados que tomavam conta do salão, sorria para eles do mesmo modo que uma mãe sorri para seus filhos:
—O que foi? _Perguntou Sansa rindo quando viu que Jon a olhava
—Você os olha como se eles fossem seus filhos.
Sansa deu uma breve risada e baixou os olhos para seu prato:
—Devo muito à eles. E também não consigo lembrar de nenhum Stark, além de mim, que recebeu os Selvagens em sua mesa. _Sansa tornou a olhar Jon com um sorriso de ponta a ponta. _É uma honra tê-los aqui.
Cada vez mais Jon se impressionava com Sansa. Ela já não era mais a miniatura resmungona de Catelyn como antigamente, agora ela deixava o sangue Stark, o gelo que corria em suas veias, falar mais alto. Ela também o tratava de igual para igual, óbvio que ela havia pedido desculpas quando chegara à Muralha, mas vê-la daquele jeito ainda o impressionava.
De repente, Jon já não ouvia mais as risadas ou as conversas, sua mente viajara para longe. Mais especificamente para alguns dias atrás, quando ele e Sansa se reencontraram. O sensação estranha que sentira quando ela pulou em seus braços e a vontade que sentira de não solta-la quando a teve em seus braços ainda estavam muito presentes em si. Tinha total consciência de que Sansa estava quebrada, afinal ela havia lhe contado tudo que passara. A condenação de sua querida Lady por algo que ela sequer fizera; Joffrey obrigando-a a olha para a cabeça do pai em uma estaca, das vezes que ele a batia e de como contara, com detalhes, de como os Frey puseram a cabeça de Vento Cinzento em Robb; havia também Cersei, torturando-a mentalmente e a mantendo prisioneira na Fortaleza Vermelha. E claro, Ramsay, apenas esse nome fazia o sangue de Jon ferver, queria ressuscitá-lo apenas para socar-lhe a cara mais uma vez.
Sansa olhou para Jon e viu seu rosto tenso com algo. Ele cerrava as mãos tão fortemente, que ela chegara a acreditar que ele machucava-as:
—Jon. _Chamou Sansa pondo sua mão sobre a dele
Jon deixou cada músculo de seu corpo relaxar ao sentir a mão de Sansa sobre a sua. A mão dela era quente e macia, enquanto a sua parecia um cubo de gelo áspero e calejado:
—Você faz jus ao nome. _Riu Sansa. _Acho que o sangue frio dos Stark corre mais nas suas veias do que nas minhas. Pode até me chamar de rainha do Norte, Jon. Mas, você é o Norte.
Quando Jon se preparava para responder Sansa com alguma resposta animada, apenas para vê-la rir, sor Davos apareceu diante dele:
—Com licença, Lady Sansa, poderia tomar a atenção de Lord Snow por alguns minutos.
—Claro, sor Davor. _Disse Sansa. _Apenas o devolva inteiro para mim.
Quando Sansa tirou a mão da sua, Jon sentiu um súbito frio, como se tivesse sido largado em meio uma tempestade de neve à própria sorte. Queria pedir para ela que continuasse a segura-la, não sabia o porquê que querer dizer a sor Davos que não iria com ele, não sabia o porquê de querer permanecer a todo momento ao lado de Sansa. Naquele momento só conseguia ouvir a voz de Ygritte em sua mente dizendo: "Você não sabe de nada, Jon Snow".
Jon então levantou-se para acompanhar sor Davos, e antes de deixarem o salão, o Snow deu uma última olhada para trás e viu Sansa conversando com Tormund.
O cavaleiro das cebolas guiava Jon até uma parte mais afastada do castelo, indo até uma das torres abandonadas que haviam por Winterfell:
—Lady Sansa parece feliz. _Afirmou sor Davos após um tempo
—Depois de tudo que ela passou, creio que deve ser bom finalmente voltar para casa.
Sor Davos lançou um meio sorriso para Jon antes de concluir seu pensamento:
—E vejo que vocês têm se dado muito bem. É aqui. _Disse Davos parando em frente a uma torre abandonada
Jon sequer teve tempo de achar tudo aquilo estranho, pois havia acabado de ver os cabelos vermelhos de Melisandre em uma janela. Quando subiram até onde a mulher vermelha se encontrava, Jon percebeu que seus olhos pareciam cansados e seus olhos levemente abatido, como se passasse noites sem dormir:
—Jon Snow. _Cumprimentou Melisandre
—Lady Melisandre. _Jon virou-se para Davos. _Ela é o assunto sobre o qual queria tratar?
Sor Davos assentiu e deu alguns passos, parando entre Jon e Melisandre. Olhou para a mulher vermelha, seus olhos pareciam em chamas, o ódio brilhava em seus olhos:
—Vamos, conte a ele! _Exclamou Davos, mas Melisandre apenas abaixou os olhos. _ Conte a ele o que você fez!
Jon havia se assustado com o grito de Davos e soube, naquele momento, que fosse o que Melisandre tivesse feito, havia irritado profundamente o cavaleiro das cebolas.
Davos esticou a mão para Jon e entregou-lhe algo.
Jon olhou o veado de madeira que sor Davos lhe estregara, lembrava-se vagamente de ver a princesa Shireen com ele:
—O que isso... _Começou Jon
—Eu matei a princesa Shireen. _Interrompeu Melisandre. _Essa era a vontade do senhor da Luz.
Jon Snow sentiu suas pernas fraquejarem por um momento, olhou para Melisandre:
—O seu senhor manda você matar uma criança inocente e você acata essa ordem!? _Perguntou Jon abismado.
—O rei Stannis também aceitou essa vontade. _Respondeu ela.
—Ele era doente! _Exclamou o ex-lorde comandante. _Ele faria de tudo para ser rei! Você nunca devia ter me dito isso.
—Mate-me então, Jon Snow. _Disse Melisandre ajoelhando-se perante Jon. _Acabe com isso de uma vez, mas jamais se esqueça do que vou dizer: você é o verdadeiro príncipe prometido. Você está destinado a sentar-se no trono de ferro.
—Acha que acreditarei em você? _Questionou Jon encarando-a. _Você afirmava que Stannis era quem sentaria no trono, que seria rei de Westeros, mas agora ele está morto. Matou a filha dele achando que isso a ajudaria a vencer a batalha. Sei que me trouxe a vida, mas me poupe de suas profecias e sua "magia"!
Davos observava tudo um pouco mais afastado, queria que Jon arrancasse a cabeça de Melisandre com um único golpe de Garralonga:
—Eu não vou matar você, pois as leis de Winterfell pertencem à Sansa e não cabe a mim determina-las. _Jon soltou um longo suspiro. _Vá embora, nunca mais quero vê-la ou ouvir falar de você.
Jon virou as costas para Melisandre e saiu da torre. Caminhava em passos duros de volta para o castelo. Precisava ver Sansa, precisava falar com ela, precisava que ela lhe desse um pouco de paz. Sua cabeça estava a mil, não conseguia parar de pensar em Melisandre e suas loucuras de "magia" e senhor da luz, até mesmo aquela maldita profecia de "príncipe" escolhido o atormentava.
Quando chegou ao salão, Jon viu apenas alguns soldados e alguns selvagens conversando. Perguntou por Sansa e lhe disseram que ela havia ido para o quarto. Snow agradeceu e subiu as escadas.
Chegando ao quarto de Sansa, ouvia-a cantando. Abriu a porta, apenas uma fresta, conseguindo vê-la costurar algo com Fantasma aos seus pés:
—Amei uma donzela tão justa quanto o verão, com a luz solar em seus cabelos. Amei uma donzela tão vermelha quanto o outono, com o pôr do sol em seus cabelos. Eu amei uma donzela tão branca quanto o inverno, com o luar em seus cabelos...
Jon fechou os olhos aproveitando o som da voz de Sansa por alguns segundos antes de entrar. Lembrava-se de quando ela era mais nova e da todas as vezes que ele achava algum motivo para passar perto de seu quarto, apenas para ouvi-la cantar.
Sansa ouviu batidas na porta e viu Jon ali parado. Sorriu para ele, até que reparou em seu rosto abatido. Jon sentou-se a sua frente e ela continuava a encara-lo:
—O que sor Davos queria? _Perguntou Sansa largando sua costura sobre sua cama e voltando a sentar. _Parece que ele não me devolveu você inteiro.
—Não é sor Davos que me aflige. _Suspirou Jon apoiando os cotovelos dos joelhos para logo em seguida apoias a cabeça nos braços. _Melisandre é o problema.
—O que ela fez? _Perguntou Sansa colocando sua mão sobre a perna de Jon. _Sabe que pode me contar.
Jon levantou a cabeça, e olhou no fundo dos olhos de Sansa. Viu que ela se preocupava com ela e mais do que nunca, um calor inexplicável cresceu no seu peito. Como se tudo se aquecesse só com um olhar:
—Ela matou a princesa Shireen, filha de Stannis. _Sansa pôs as mãos sobre a boca e Jon continuo. _Disse que foi um "pedido" do senhor da luz, para que Stannis pudesse ganhar a batalha contra Ramsay. Agora ele está morto, a filha dele está morta e creio que a mulher também. E mesmo assim ela inssiste em dizer que sou o tal "príncipe escolhido" que o trono de ferro é meu...
A raiva começava a tomar conta de Jon mais uma vez. Até que sentiu as mãos de Sansa em seu rosto, ela segurava seu rosto, obrigando-o a olha-lha. Os olhos azuis mostravam compaixão, como se ela o apoiasse independente do que tivesse feito:
—Ele pediu para que eu a matasse. _Disse Jon em um quase sussurro
—Jon...
—Eu não a matei. Essa escolha caberia à você, mas eu a mandei embora. Disse que não queria vê-la, que não queria mais ouvir falar em seu nome.
—Jon, olhe para mim. Não baixe os olhos. _Pediu Sansa. _Sei que está chateado, mas são acasos do destino. Mesmo que você quisesse, não se pode proteger todos a todo momento, algo vai acontecer quer você queira ou não. E eu não quero, nunca mais, vê-lo assim. Não se martirize por algo que não é sua culpa.
Sansa reparou nos olhos de Jon após muito tempo, eles eram castanhos, lembravam vagamente Arya. Contudo, não lembrava Ned Stark. Seriam, talvez, herança de sua mãe? Percebeu também, como se dispersava fácil na presença dele:
—Sansa... _Chamou Jon
—Oi?
—Você me intimida quando fica olhando fixo desse jeito
Sansa piscou os olhos algumas vezes e soltou o rosto de Jon:
—Ah, desculpe. Eu me distraí! Não sei porque ando tão dispersa.
Jon sorriu para ela:
—Qual era o nome da canção que estava cantando antes?
—Oh, você ouviu. _Disse Sansa sentindo o rosto esquentar. _Se chama "estações do meu amor", uma vez ouvi Lord Tyrion cantando, ele me disse que é uma canção de Myr e que havia aprendido com sua ex-esposa. E também...
Sansa levantou-se da cadeira e pegou aquilo que costurava antes de Jon chegar:
—Não teremos mais acidentes quando for me ensinar a usar uma espada. Estou aderindo o jeito Arya Stark de se vestir.
Jon sorriu ao ver a roupa que Sansa costurava, ela estava realmente interessada em aprender como lutar.
***
Ambos haviam conversado por toda a tarde e uma parte da noite após o jantar.
Jon e Sansa tiravam assuntos de qualquer lugar, já estavam praticamente habituados a presença do outro. E na hora de deitar-se, separaram-se com certo receio.
Sansa estava na banheira de seu quarto, olhava para seus cabelos ruivos ondulando sobre a água como se aquele fosse o breve momento onde o fogo a encontra antes de se apagar. Não queria sair, pois sabia que seu corpo quente ia entrar em contato com o frio que dominava todo seu quarto, no entanto também sabia que a água ia esfriar e isso seria pior sentir o breve frio antes de pôr sua camisola.
A rainha do Norte contou até três em sua cabeça antes de levantar-se rapidamente e enrolar-se em seu roupão quente. Pegou suas roupas e vestiu-as depressa, então, como um raio, enfiou-se de baixo de suas cobertas. Seu sono não tardou a chegar, viera mais rápido do que nunca.
Contudo, o sono havia vindo rápido e acabado rápido. Sansa voltara a sonhar com Ramsay. Sentia suas mãos grotescas por seu corpo, das vezes que ele colocava os lábios em seu ouvido para sussurrar o quanto gostava de vê-la chorando e o quanto gostava do movimento que suas costas faziam quando soluçava. Ela tremia agora, e desta vez o frio não tinha culpa alguma.
Sansa levantou-se de sua cama, enrolada em um dos seus cobertores e saíra do quarto. Desta vez, Fantasma não estava consigo, o lobo havia ido para o quarto de Jon naquela noite. Então, sobrara para ela, andar sozinha pelos corredores escuros de Winterfell até o quarto de seu meio-irmão.
Sansa havia parado diante da porta do quarto de Jon. Mantinha os olhos fixos na porta de madeira, já que se encontrava em um corredor deserto e para onde quer que olhasse veria apenas a escuridão. Hesitava em bater, ele devia estar dormindo e não queria acordá-lo.
Quando Sansa virou-se, desistindo de bater na porta e pronta para voltar para seu quarto, a porta se abriu:
—Sansa?
Sansa se virou e viu Jon. Ele se encontrava sem camisa, com os cabelos escuros levemente desgranhados e o olhos sonolentos. Ela conseguia ver as cicatrizes em seu peito com clareza:
—Não queria acordar você.
—Não me acordou, eu ouvi Fantasma caminhando pelo quarto e parando na porta. Mas, o que aconteceu?
—Eu... Eu... Eu tive um pesadelo. _Sansa havia se sentido tão infantil naquele momento
Contara para Jon o que havia sonhado, na sensação horrível que dava em seu interior lembrar-se de Ramsay:
—Eu não quero incomodar você. Deve estar cansa...
Jon parou ao lado de Sansa passando o braço ao redor de seus ombros:
—Venha, pode dormir aqui se quiser.
Sansa deixou-se levar por Jon. Ele a pôs deitada para logo depois deitar-se ao seu lado.
Sansa já começava a fechar os olhos da última vez que Jon a olhara. E a última coisa que Jon Snow havia sentido foi os dedos de Sansa Stark entrelaçando-se aos seus debaixo das cobertas.
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