North Wind
22 Capítulo 22- Old Friend
A neve caia vagarosa lá fora, quase como se estivesse com preguiça de abandonar as nuvens onde morava para ir para o chão. Ela era imperceptível nos céus, já que as estrelas eram as grandes protagonistas no céu limpo, mas quando os pequenos flocos se aproximavam da janela iluminada, pareciam pequenos fragmentos de estrela caindo. Pequeno, belos e cintilantes.
Sansa olhava, através da janela de seu quarto, o horizonte. Uma imensidão branca, nada era visto por ela, nem sequer uma simples luz da Muralha. Algo brilhou muito forte no longe, mas foi apenas uma única vez e foi tão rápido que ela pensou ser uma estrela cadente. Um sorriso triste surgiu no rosto da rainha do Norte, se fosse realmente uma estrela cadente, ela pedia para que o Rei da Noite não passasse de uma lenda e Jon voltasse para casa.
"Como é tola, Sansa", pensou sozinha enquanto dava as costas para a janela. Amar Jon havia revivido nela seus sentimentos mais joviais. Não que estivesse velha, afinal ainda tinha apenas 17 anos. "17 anos que parecem 50 com tudo que vivi".
Andava em direção a cama, sentando-se na beirada e passando a mão pelos cobertores no lado em que Jon dormia. O coração de Sansa se apertava, doía como se estivessem o apunhalando, nunca havia amado como amava agora. Jon era o primeiro a protegê-la, ser gentil e passional com ela, mas agora estava longe, com a remota chance de deixa-la para sempre:
—O que é uma rainha sem seu rei além de algo incompleto, meu amor? _Perguntava Sansa passando seus dedos pelo travesseiro de Jon, quase como se estivesse acariciando os cachos escuros, que ela tanto amava, enquanto ele dormia.
Sansa deitou-se na cama, encolhendo-se naquele canto onde o cheiro de Jon se concentrava. Um cheiro de paz, que a lembrava a beira de um rio cheio de árvores numa tarde de verão. Jon Snow tinha o cheiro acolhedor do verão.
A rainha fechou os olhos enterrando o rosto no travesseiro macio. O cheiro lhe trouxe lembranças recentes, lembranças da noite em que havia transado com Jon. As mãos ásperas dele percorrendo sua pele, a boca quente em seus seios e em seu clitóris a levando ao delírio. Os beijos afoitos onde as línguas dançavam juntas, o pênis latejante que a estocava, que massageava seu interior. Os gemidos e suspiros de Jon em seu ouvido, contra sua pele.
O corpo de Sansa queimava. Ainda de olhos fechados uma de suas mão escorregou para o meio de suas pernas e a outro puxou seu seio para fora do belo decote quadrado de seu vestido. A vagina molhada e quente pedia por alívio, os bicos dos seios estavam entumecidos com o carinho que agora recebiam. Sansa massageava seu clitóris ainda de olhos fechados, enquanto seu polegar o massageava seu dedo do meio e anelar eram introduzidos em si mesma. Não era o mesmo que Jon, mas era bom. Os movimentos se tornavam mais rápidos, os apertões em seus seios mais fortes e de sua boca saíam suspiros e um nome:
—Jon... Jon...
A rainha gemia o nome de seu amado enquanto se tocava, os olhos fechados imaginam ele ali. A penetrando, a excitando... A fodendo.
Sansa sempre havia detestado tal palavra para se referir a sexo. Mas não queria que Jon fizesse amor com ela, não... Ela o queria com aqueles olhos selvagens que ele havia ficado quando estava sentado com Sansa em seu colo, a penetrando fundo e com força. Ela queria aquele Jon bestial que havia afundado o rosto de Ramsay com os punhos, ela queria Jon sem controle, ela queria Jon...
—Jon! _Gritou a rainha chegando ao seu ápice
O rosto de Sansa se encontrava vermelho, havia ajeitado o decote de seu vestido, mas a saia estava acima dos joelhos. O peito subia e descia, olhando pras suas mãos pálidas via seus fluídos que ela mesma provocara, parecia água de uma forma viscosa. Havia visto o mesmo na barba de Jon após ele a chupar. Um breve sorriso surgiu nos lábios de Sansa. Será que Jon iria sentir-se excitado sabendo que ela se aliviou pensando nele e na noite que tiveram? Será que ele se aliviaria pensando nela também? Poderia aprender como usar a boca com as mulheres livres...
Ainda com um sorriso Sansa balançou sua cabeça afastando aqueles pensamentos. Sentou-se na cama, olhando para os cobertores levemente bagunçados abaixo dela pensou no quanto queria ter tido outra noite de sexo com Jon Snow:
—Você se tornou uma pervertida, Sansa Stark! _Exclamou baixo, repreendendo a si mesma. _Uma lady não pensa isso!
"Mas você não é uma lady, Sansa Stark. É uma rainha. E uma rainha bem fodida pensa assim". Sansa balançou a cabeça, eram muitos pensamentos intrusivos em uma única mente.
Sansa deu um risinho sem graça, apenas um arzinho pelo nariz ouvindo seus próprios pensamentos. Que acabavam de ser interrompidos com alguém dando leve batidas em sua porta:
—Sua alteza?
A voz através da porta era doce e receosa, como se tivesse medo de chamar a mulher dentro do quarto. Como se Sansa Stark fosse uma divindade, um ser impiedoso e intocável. Quando na realidade era apenas uma jovem que havia crescido rápido demais e agora sustentava uma coroa sobre sua cabeça e um reino sobre seus ombros. No fundo, Sansa era apenas uma menina esperando que Jon a salvasse e a pegasse em seus braços como quando eram crianças.
—Pode entrar. _Disse a rainha do Norte.
A porta se abriu, revelando as filhas de Tormund, Harma e Sybelle. A mais velha, Sybelle, empurrava a cadeira de Bran. Os ferreiros de Winterfell haviam se esforçado muito para fazer uma cadeira com rodas para que Bran pudesse ser movimentado sem a necessidade de ser carregado:
—Olhem só para vocês três, estão se dando bem pelo visto. _Sorriu Sansa e fazendo um carinho no cabelo dos três. _E por favor, não me chamem de sua alteza, podem me chamar de Sansa. Eu me sinto uma velha quando me chamam assim.
As crianças riram quando Sansa colocou as mãos na base de sua coluna e imitou uma senhora.
Era bom ouvir risadas, especialmente a de seu irmão. Ele se sentia culpado por tudo que acontecia e temia por Jon assim como ela. Porém o que poderiam fazer além de esperar e ao menos aproveitar um pouco? Rir não os fazia esquecer, mas ajudava a suportar.
Sansa segurou a pequena mão de Harma e colocou a outra mão sobre os ombros de Sybelle que empurrava Bran, os guiando para fora do quarto:
—E então, a que devo a ilustre visita de meus pequenos acompanhantes?
—Eu não sou mais pequeno, Sansa. _Resmungou Bran
—Claro que não é. _Disse Sansa piscando com um olho para as meninas que riram baixinho. _O corvo de três olhos já não é mais meu irmãozinho.
Bran revirou os olhos ouvindo o tom debochado da irmã. Ela tentava ser mais humorada desde que Jon partiu.
O salão de Winterfell estava cheio, havia risadas e gostosas conversas. Era quente, bem iluminado e havia um cheiro gostoso de carne de lebre ensopada e pão recém assado. Sansa havia solicitado que houvesse um certo racionamento de comida, visto que não sabiam o quão rigoroso o inverno poderia ser e nem mesmo quando seriam atacados pelo Sul, afinal Mindinho havia ido naquela direção e para dar com a língua nos dentes para Cersei era uma questão de tempo.
Por essa razão os cozinheiros optavam por fazer caldeirões de ensopado, por rederem bastante e assavam pães, pois as pessoas poderiam levar caso não comessem naquela refeição. Farinha não faltava para que fizessem fornadas e mais fornadas. Tendo pão e água, não morreriam de fome.
Sansa sentou-se em seu lugar, mas a cadeira ao seu lado estava vazia. Ninguém se habilitava a sentar ali, sabiam que aquele lugar era de uma única pessoa para a rainha do Norte, aquele era o lugar de Jon. Alguns olhos atentos percebiam o carinho que ambos tinham, mas não se atreviam a falar sobre isso, apenas comentavam como era bonito vê-los juntos.
As crianças que acompanhavam Sansa sentaram-se perto dela e observavam com atenção a rainha do Norte pegando a colher para mergulhar em seu ensopado e em seguida coloca-la na boca.
A rainha sentia os olhos curiosos sobre si e então sorriu minimamente. Largou sua colher e partiu um pequeno pedaço de pão com sues dedos, o mergulhando no esopado e comendo com as mãos. De canto de olho Sansa viu os olhinhos brilhando perante seu ato e as crianças se puseram a comer.
Sansa pegou uma caneca que haviam enchido com cerveja para ela. Não gostava de cerveja, mas não se daria ao luxo de tomar vinho naquele momento. A ergueu acima da cabeça e viu as pessoas no salão fazerem o mesmo com suas canecas e copos:
—Me sinto muito feliz em poder oferecer abrigo para vocês! Que possamos desfrutar de um pouco de paz e termos esperança enquanto esperamos quem amamos voltar!
Gritos de afirmação enchiam os ouvido de Sansa que deu um longo gole em sua cerveja.
O clima no salão era feliz, mas Sansa sabia que sua felicidade nunca durava.
Um dos poucos guardas que haviam ficado para proteger Winterfell aproximou-se da Rainha para lhe sussurrar algo:
—Minha senhora, há alguém se aproximando dos portões. Creio que gostaria de ver.
Fingindo estar tudo bem, Sansa levantou-se sorrindo e seguiu seu guarda até as muralhas do portão. Fantasma, que estava deitado aos seus pés sob a mesa levantou-se e a seguiu. O nome do lobo fazia jus a ele, era como um fantasma a seguindo, uma sombra albina que a seguia. Seu pedaço de Jon.
Os ventos na vigia dos portões eram mais fortes, Sansa esfregava suas mãos tentando mantê-las aquecidas. Ao longe seus olhos claros encontraram luzes se aproximando do castelo. Sentiu algo ruim em seu coração. Não acreditava que o Sul atacaria tão cedo, mas já havia errado muitas vezes em sua vida.
Náusea.
As luzes se aproximavam.
Suava frio.
Estandartes se erguiam.
Um arrepio na nuca.
Ouvia cavalos marchando.
O mundo girava. Sua pressão estava caindo?
E então focou-se no estandarte. Ela conhecia aquele brasão. Conhecia aquelas cores e conhecia a pessoa que estava a frente daquele exército:
—Abram... ABRAM OS PORTÕES! _Gritou Sansa buscando a voz que sentia ter perdido
Os passos apressados desciam as escadas, ignorando a neve, ignorando o gelo, ignorando o perigo iminente de cair.
A rainha se contrastava na imensidão branca correndo para fora dos portões quando os mesmos se abriram. O vestido escuro e os cabelos ruivos voavam com o vento, acompanhada do lobo que se misturava com a neve, era bonito de se ver.
Sansa parou quando viu que os cavalos estavam cada vez mais próximos de si. Chorava novamente, sorria também. Eram tantas emoções em sua cabeça que parecia que seu crânio iria explodir.
A figurava da cabelos loiros que descia de seu cavalo se aproximava cautelosamente de Sansa. Parecia acanhado, talvez com medo. Talvez pensasse que estava vendo uma miragem, uma peça que sua mente pregava. Mas quando a jovem Stark lhe segurou as mãos e puxou-o para um abraço, Theon Greyjoy teve certeza, ela estava ali. Sansa estava viva e estava em Winterfell:
—Não tem noção do quanto rezei para que estivesse vivo. _Disse Sansa baixo para Theon
—E... E... E v-você não tem n-noção do tanto que eu rezei para q-que você estivesse bem.
Sansa segurou o rosto de Theon, olhando em seus olhos tristes. Um rosto que um dia fora bonito agora era machucado, triste, medroso e inseguro. Ramsay destruíra ambos, Sansa e Theon, quebrados que haviam se amparado.
Sobreviventes.
Amigos.
Uma figura imponente em um cavalo observava Sansa abraçar Theon, lhe segurar o rosto e olhar em seus olhos o obrigando a olhar para os olhos dela também. Um sorriso de lado surgiu, Theon não olhava nos olhos das pessoas desde que retornara para casa. Mas ali estava a jovem Stark o obrigando a encará-la:
—Como chegou até aqui? _Questionou Sansa. _Ainda mais durante a noite. Eu pensei que era King´s Landing vindo nos atacar!
—Lady Stark.
Pela primeira vez a figura no cavalo falou, chamando a atenção de Sansa, que sentiu todo seu corpo vacilar. Não poderia ser. Não... sua mente estava pregando uma peça, outra peça de mal gosto:
—Arya?
Theon, sentiu um aperto no peito vendo os olhos de Sansa marejarem, tinha tanto remorso neles. A dor de perder a irmã junto do sentimento de sempre estarem em pé de guerra. A dor de não ter dito um "eu te amo" antes de serem separadas:
—Essa é minha irmã, Asha, Sansa... _Disse Theon lhe segurando o braço
Sansa sentia tanta vontade de chorar. Arya... Asha... Elas se pareciam. As roupas masculinas, o jeito de se portar, mas não era sua irmãzinha, o rosto não era parecido.
Asha se ajoelhou perante a rainha do Norte que apressou-se em levantá-la. Não conseguia se acostumar com as cortesias e pessoas se ajoelhando perante si:
—Por favor, não faça isso! Se alguém deveria reverenciar, esse alguém sou eu. Theon me tirou da Winterfell de Ramsay Bolton sacrificando muito dele.
—Eu ouvi essa história de uma forma diferente, minha Lady. Asha sorriu pequeno para Theon. _Meu irmão me contou que você o tirou das garras de Ramsay, quando ele já havia perdido as esperanças.
—Então estamos quites, ambos nos salvamos. _Sorriu Sansa
—Gostaria de responder sua pergunta, senhorita. _Disse Asha. _Viemos até Winterfell pois meu irmão temia que não tivesse retornado para casa. Então trouxemos o exército Greyjoy, mas pelo visto Winterfell é sua. _Disse Asha olhando para a bonita coroa que agora estava uma pouco emaranhada nos cabelos ruivos
—Sim... Winterfell é dos Starks novamente. Os homens da Muralha, o povo livre, os homens do Vale Arryn e... Jon recuperaram nossa casa.
—E-eu gostaria de me desculpar com Jon Snow. _Disse Theon. _Eu fui u-um babaca q-quando éramos mais novos. Mas ele protegeu você...
Um sorriso triste riscou os lábios de Sansa:
—Eu gostaria que pudesse fazê-lo, Theon. Mas Jon não está aqui. Ele precisou partir para a Muralha junto dos nossos vassalos e aliados, são tantas ameaças. _Disse Sansa dando uma risada sem humor. _Mas eu não vou contar essa história tão longa com vocês no meio da neve, venham! Chegaram na hora de servirmos o jantar.
Theon e Asha se olharam. A irmã voltou para seu cavalo enquanto Theon caminhava com Sansa, guiando seus homens para dentro de Winterfell:
—Então Jon está na Muralha... _Murmurou Theon atraindo a atenção de Sansa. _Que bom, o senhor Tyrion o conhece, vai ser mais fácil.
Sansa olhou interrogativa para Theon. Lord Tyrion!?
—É que... Sansa, você acreditaria se eu dissesse que ainda existem dragões?
O coração da rainha falhou uma batida. Dragões? Na Muralha? Com Jon!?
Durante o caminho de retorno Theon lhe resumiu a história sobre Daenerys Targaryen e seus dragões. Na busca dela por mais aliados para que pudesse tomar seu lugar no trono de ferro como rainha dos 7 reinos.
Mas, ela não seria rainha dos 7 reinos.
O Norte seria dela apenas e somente se o povo nortenho decidisse tirar a coroa de Sansa. Caso contrário, a rainha Stark não dobraria seu joelho perante a reis, rainhas, exércitos ou dragões. Seria rainha do seu povo até que eles não a quisessem mais.
O calor que passava pelos portões de Winterfell era reconfortante. Era sua casa, se seus irmãos, de Jon.
Jon...
Ele contaria para a Targaryen que era filho de Rhaegar? Que era uma parte Targaryen, mesmo que seu lado Stark falasse mais alto? Que não tinha interesse naquele trono, que queria apenas estar ao lado dela... Que no final da guerra estariam juntos novamente, seriam Rei e Rainha do Norte.
Esse pensamento fez Sansa sorrir. Prometeram não contar que estavam juntos, poderia ser perigoso para ambos, mas um lampejo ciumento cruzou seus pensamentos. Queria que a Rainha que tentava adentrar seu reino soubesse que a Rainha Loba tinha o Lobo Branco ao seu lado e que ele era dela, apenas dela. O amor, a devoção, o carinho, a lealdade e o desejo dele eram todos dela.
Quando os portões se fecharam em suas costas, Sansa sorriu para o céu. Gostaria muito de ler a resposta de Jon a sua carta.
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