North Wind
21 Capítulo 21- Family Reunion
Notas iniciais
A Muralha era conhecida por seu frio cortante, porém os visitantes que por lá passavam e levavam a informação do frio, conheciam a Muralha apenas durante o dia. A noite, era pior.
O frio era penetrante e a neve caía sem cessar. Eram nesses momentos que Jon Snow amaldiçoava o fato de ter se oferecido como guarda aquela noite. Já havia estado diversas vezes como vigia no alto da Muralha com Samwell Tarly, porém nunca estivera lá durante o inverno, onde o frio parecia se alojar em seus ossos e nem mesmo a pesada capa que usava era capaz de protegê-lo.
Jon esfregava as mãos, mesmo de luva sentia que seus dedos estavam congelados. Não ousava respirar pelo nariz, visto que o ar gelado queimava todo seu interior quando o fazia, no entanto respirar pela boca também não o agradava já que os lábios secavam e rachavam, trazendo o gosto metálico do sangue na boca.
No entanto, aquela vista... Ah, aquela vista! Jon não teria vista mais bonita que aquela em nenhum outro lugar. No céu escuro as estrelas brilhavam como se quisessem ser mais brilhantes que o Sol e na terra uma imensidão branca seguia até onde a vista alcançava. E perdidas no meio daquela imensidão, muito ao longe, quase como uma estrela que caiu, as luzes de Winterfell brilhavam. E Jon sorriu triste, pousando a mão sobre o peito, onde jazia o colar de sua Sansa.
O Snow olhava naquela direção imaginando se ela olhava pela janela para o horizonte, sentindo saudade como ele sentia. Jon fechou os olhos se imaginando de novo em Winterfell, no quarto quente de Sansa com a lareira acesa onde aquela luz fraca iluminava os dois. A cama grande com cobertores quentes e felpudos, o corpo nu de Sansa aninhado em seus braços após terem feito amor mais uma vez...
Jon sacudiu a cabeça e abriu os olhos suspirando. Havia transado uma única vez com Sansa e aquilo havia sido o suficiente para que a silhueta da rainha dominasse seus pensamentos. Sentia falta da pele macia e das curvas de Sansa, do cheiro gostoso dos cabelos macios, de enchê-la de beijos e depois ver um sorriso bobo nos lábios rosados. Era tão fácil acostumar-se com o que era bom.
Ao lembrar-se de Sansa, Jon se lembrou da carta que havia recebido no final daquela tarde. Havia guardado para ler quando estivesse sozinho e mais sozinho do que se encontrava naquele momento seria impossível estar.
Sentou-se no chão mesmo, apoiando as costas do guarda corpo da Muralha, tirando a carta levemente amassada de seu bolso. Havia apenas um "Jon Snow" escrito com a letra bonita e cursiva de Sansa. Lia com calma cada palavra ali escrita, era quase possível ouvir a voz de Sansa lhe contando o conteúdo da carta. Sorriu ao ver que Fantasma estava sendo um bom companheiro e sentiu seu coração se partir ao ter sua teoria, de que ela havia chorado quando os portões fecharam, comprovada. Demorou-se um pouco no parágrafo sobre eles lutarem por sua casa, não era apenas por Winterfell que Jon lutava. Ele lutava por Sansa e por seu futuro ao lado dela, queria viver sua pequena eternidade com ela, queria uma família com ela e queria poder dizer o quanto a amava todos os dias.
Sim, Jon amava Sansa. Mesmo após a noite que haviam tido ainda existia um conflito em seu coração, principalmente quando se lembrava dela falando: "eu sequer tive a mesma relação que Arya tem com você para me sentir culpada pelos meus próprios sentimentos". Quando haviam descoberto que não eram irmãos, um alívio se instaurou no peito de Jon. O sentimento que crescia em seu peito não era errado, sequer havia conseguido enxergar Sansa como irmã, visto que Lady Catelyn nunca havia deixado sua pequena princesa ficar próxima do bastardo Snow. Mas a certeza de que a amava apenas vinha crescendo e se confirmara quando se afastaram. Jon Snow amava Sansa Stark.
Saindo de seus devaneios, Jon tornou a ler a carta. Um sorriso bobo apareceu novamente no rosto do Snow quando Sansa fez questão de lembrá-lo sobre sua promessa de que voltaria vivo para ela. E foi então que os olhos castanhos encontraram as últimas palavras antes dos cumprimentos finais. De olhos arregalados Jon leu e releu aquele final para ter certeza de que não era um sonho e realmente não era... Era real... Sansa Stark o amava como ele amava ela.
Havia um sorriso tão grande em seus lábios que ele sequer lembrava do frio que sentia momentos antes. Lia e relia de novo, apenas para sentir-se quentinho por dentro, era como se o vento ali deixasse de ser cumprimento dos mortos e passasse a ser um mensageiro trazendo as palavras de Sansa como um sussurro para que ele pudesse ouvi-la falar: "Eu amo você, Jon Snow". E olhando para a carta em suas mãos, sustentando um sorriso bobo nos lábios, Jon sussurrou apenas para si:
_Eu também te amo, Sansa Stark.
Jon queria aproveitar seu pequeno momento, apenas desfrutando da bela vista que se estendia em sua frente e ainda bebendo das palavras que Sansa havia lhe destinado. Porém um clarão rompeu os céus, por um instante pareceu que a noite escura da Muralha se tornara dia.
Burburinhos, gritos e agitação eram escutados do pátio. Apressadamente, Jon levantou-se do chão e desceu o mais rápido que o pequeno elevador permitia até o pátio.
Agitação definia a situação que as pessoas se encontravam, corriam de um lado para o outro e não paravam de falar sobre o clarão que havia surgido nos céus. O que seria aquilo? Seria uma magia antiga do Rei da Noite? Seria um novo inimigo? Eles sequer estavam preparados para o exército de mortos que viriam!
O chão estremeceu, o gelo acumulado nas paredes da Muralha caíram, fazendo quem estava próximo as paredes correr para longe:
_Não abram os portões! _Gritou Edd
_Mas Senhor... Não tem como impedi-los de entrar! Destroem o portão tão rápido quanto nos destroem! _Gritou o homem que cuidava da alavanca do portão.
_O que infernos é isso, Edd!? _Gritou Jon. _Quem...
A voz de Jon morreu quando um novo tremor foi sentido e ao olhar na direção do portão viu o que nunca na vida sequer sonhara. Um enorme dragão negro batia as asas fazendo com que todo o pátio parecesse estar no meio de uma furiosa tempestade. Os gritos desesperados surgiam no pátio, pessoas corriam e Arya estava parada no meio do pátio encarando o enorme animal acima de si:
_Arya! _Gritou Jon. _Saia daí, pelos deuses!
Arya o ignorava, era como se tivesse esquecido de como se andava, como se falava e até mesmo como se pensava. Tudo que tinha em sua mente era o quão magnífico aquele animal era, com suas escamas pretas que se mesclavam com a noite, como se ele fosse um pedaço do céu noturno que havia ganhado forma e agora voava livre.
Só ver que Arya sequer o escutava, Jon correu a puxando para trás. Escapando por um triz do portão que havia sido aberto e teria acertado os dois. Enquanto abraçava Arya de forma protetora, os olhos de Jon encontraram uma figura quase tão fantástica quanto os dragões:
_Lord Tyrion!? _Exclamou o Snow descrente
O anão Lannister caminhava para dentro com as mãos erguidas, querendo mostrar que não era uma ameaça para eles:
_Lord Snow! Ouvi boatos que havia se tornado lorde comandante da Muralha. Não esperava que atingisse tal posto tão novo.
Quando Jon abriu a boca para responder o grande dragão havia pousado no meio do pátio e de suas costas descia uma mulher. Ela parecia irreal, com cabelos prateados preso em uma única trança, mas cheio de várias tranças menores e os olhos violetas sérios o encaravam. E então lembrou-se novamente de Sansa lhe dizendo: "Eu li uma vez sobre eles. Diziam que seus cabelos era brancos e seus olhos violetas.", uma Tagaryen... Possivelmente, a última Tagaryen estava ali, na sua frente ao lado de Tyrion Lannister:
_Então esse é o herdeiro do Norte que me falou? _Perguntou a mulher firmemente olhando para Tyrion
_Ele mesmo. Bastardo de Ned Stark e o único que eu conhecia o paradeiro, como disse, majestade. Possivelmente é o último vivo, visto que...
_Sansa Stark é a herdeira do Norte! _Gritou Arya enfurecida saindo dos braços de Jon._ E não ouse chamar o Jon de bastardo novamente, anão estúpido!
_Arya! _Repreendeu Jon a puxando. Conhecia o gênio forte de sua irmãzinha e não queria que ela arrumasse briga visto que havia um dragão do lado deles. _Lord Tyrion, poderia por favor me acompanhar até um lugar com privacidade? E por favor, poderia tirar seu dragão do meio do pátio?
_Lorde Snow, permita-me apresentar Daenerys Targaryen, Nascida de Tormenta, Rainha dos Ândalos, dos Roinares e dos Primeiros Homens, Senhora e Protetora dos Sete Reinos, Khaleesi do Grande Mar de Grama, A Não-Queimada, A Mãe de Dragões, A Quebradora de Correntes. Ela é a última Targaryen, filha do Rei Aerys Targaryen, irmã de Rhaegar Targaryen. _Tyrion estufava o peito para falar sobre a mulher ao seu lado, que se mantinha séria ao ouvi-lo falar seus títulos. _Os assuntos que temos a tratar envolvem ela. Minha rainha, poderia dispensar Drogon enquanto conversamos?
Daenerys assente e vira-se para seu dragão falando algo em um idioma que Jon não foi capaz de reconhecer. Drogon abriu as asas e voou, junto dele surgiram outros dois dragões que voaram longe e sumiram na escuridão da noite.
Edd olhava para Jon e o Snow também o olhava, ambos não entendiam o que estava acontecendo:
_Peço desculpa por meus filhos, mas eles jamais atacariam alguém. A não ser que dessem motivos para que eles o façam. _Falou a rainha Targaryen esboçando um pequeno sorriso
_Perdão, mas não acham que existem formas melhores de aparecer? _Questionou Edd. _No meio da noite e com dragões!? Já temos problemas o suficiente para uma vida e surgem dragões!?
_Edd... Edd! Por favor, busque se acalmar. _Pediu Jon. _Eu vou conversar com lorde Tyrion e... "Sua majestade" Targaryen. Parece que muitas coisas precisam ser explicadas, como lorde comandante, creio que queira participar.
_Não! _Edd apressou-se em responder. _Agradeço, Jon, porém essa eu deixarei passar. Vou montar guarda essa noite e ajudar os homens com os armamentos, preciso voltar para o mundo real, sem dragões.
Jon sorriu e balançou a cabeça quando Edd saiu. Com um sinal pediu para que Tyrion e Daenerys o seguisse até o salão onde eram feitas as refeições. A cabeça ainda rodava um pouco com a ideia de dragões e Targaryens... E sua tia!?
O salão estava vazio e limpo, aparentemente Edd era bem rigoroso em relação a organização da Muralha. Jon sentou-se e os dois sentaram-se em sua frente:
_Então, eu estava errado. _Falou Tyrion sorrindo para Jon. _Não é mais o lorde comandante.
_Sinto lhe dizer que não, lorde Tyrion. Depois que se morre é necessário colocar um novo em seu lugar. _Disse Jon num tom sarcástico.
Os olhos arregalados do anão arrancaram uma risada do ex-lorde comandante que se pôs a dar um resumo sobre sua morte e ressurreição. Jon contava a história por cima, não era algo que gostava de ficar lembrando, mas achava justo que o Lannister tivesse ao menos um pouco do contexto da história:
_Voce é mesmo cheio de surpresas, Jon Snow. _Riu Tyrion sem muito humor. _Mas e Lady Sansa? Ouvi agora no pátio que ela é a herdeira do Norte, há muito não a vejo, desde que Joffrey morreu, acredito.
_Me reencontrei com ela aqui mesmo, na Muralha. Brienne de Tarth a resgatou de... Ramsay Bolton. _Jon sentiu uma raiva fulminante apenas de falar aquele nome, mas se controlou. _Ele... Ele a torturou, além de obriga-la a casar-se com ele. Mas Sansa conseguiu fugir, reconquistamos nossa casa e foi proclamada rainha pelo povo do Norte.
Tyrion olhou de relance para Daenerys ao seu lado, assim que ouviu "rainha do Norte" sair dos lábios de Jon. Ela se mantinha séria, mas agora um pequeno meio sorriso brincava em seus lábios:
_Fico feliz que Lady Sansa esteja bem. Nosso casamento não foi uma escolha de ambos, foi apenas um plano de Cersei para humilhar a sua irmã...
_Prima. _Interrompeu Jon
_Aparentemente Lorde Snow tem mais surpresas. _Riu Tyrion
_Sansa é minha prima. Eu não sou um bastardo de Ned Stark. _Confessou Jon
_Quem diria que Benjen...
_Não. Benjen Stark ainda é meu tio, assim como Ned Stark. _Disse Jon cruzando os braço e com um sorriso debochado brincando em seu rosto
_Brandon, mas ele... _Tyrion apenas viu Jon balançar a cabeça negativamente. _Não é possível... Lyanna!?
Jon apenas assentiu e depois de muito tempo viu uma expressão no rosto da Targaryen. A testa se franziu e seu rosto tornou-se raivoso:
_Lyanna Stark? A mulher que levou meu irmão a ruína? _Resmungou Daenerys
_Seu irmão, Rhaegar Targaryen não foi levado a ruína por minha mãe! Ele fugiu com ela porque quis. Eles fugiram porque meu pai, Rhaegar, amava minha mãe, Lyanna assim como ela o amava. _Disse Jon levantando o tom de voz e se erguendo de sua cadeira, apoiando as mãos sobre a mesa
Um silêncio pairou sobre aquele salão, Jon sentou-se novamente, observando os rostos pálidos em sua frente. Deleitava-se com a visão de Daenerys Targaryen perdendo a cor de seu rosto ao ver que diante de si estava o herdeiro de Rhaegar, o único que além dela tinha direito ao trono. Um outro Targaryen.
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