North Wind

2 Capítulo 2- The proposal


Petyr Baelish andava em círculos enquanto olhava o rosto esculpido no tronco, alvo como ossos humanos, da árvore do Bosque Sagrado. Era quase capaz de ver sua amada Cat ali, rezando por seus filhos e por Ned. Tinha plena noção de que seu corpo não havia retornado para o Norte, portanto, sequer pensava em se aventurar na cripta dos Stark.

Movia os lábios rapidamente e sem deixar emitir um único som, ensaiando o que diria à Sansa Stark. Sabia que ela o odiava do fundo de sua alma, por tê-la entregado à Ramsay, contudo ela precisaria de sua ajuda. Afinal, sem Little Finger, Sansa Stark levaria Winterfell para o fundo do poço.

Ao ouvir passos, Petyr parou de andar e cerrou os lábios. Se não fosse por sua grande habilidade em esconder o que sentia, teria demonstrado todo o ciúme que havia em si com a cena que acabara de ver.

Sansa vinha de braços dados com o bastardo Snow. Ela sorria de algo que ele lhe contava. Por que ela sorria para Jon Snow e para Petyr Baelish destinava ameaças? Ele não era com o suficiente para ela?

Jon sentiu Sansa apertar levemente seu braço, completamente tensa:

—Vai ficar tudo bem. _Garantiu Jon. _E se Lord Baelish fizer algo que não a agrada, soco a cara dele também.

Sansa soltou uma risada baixa, lembrando de Jon socando Ramsay. Nunca havia o visto com tanta raiva, mas o compreendia, afinal Ramsay matara Rickon bem diante de seus olhos:

—Lady Stark. _Little Finger fez uma brave reverência e voltou-se para Jon de má vontade. _Lord Snow.

—Esqueça as formalidade, Petyr. _Falou Sansa soltando o braço de Jon e sentando-se. _Me foi avisado que desejava falar comigo, pois então, estou aqui. Pode começar.

—Claro. _Exclamou Petyr. _Se Lor Snow puder...

—Jon não vai a lugar alguma. _Interrompeu Sansa

Jon sorriu discretamente da cara que Little Finger ficara.

Petyr suspirou e prosseguiu:

—Pois bem. Sansa, você, por ausência de outro filho legítimo de Ned Stark, passa governar Winterfell. E como sabemos, você precisa se casar para que possa...

—Está a julgando incapaz. _Cortou Jon

—Não me lembro de ter dirigido a palavra à você, Lord Snow.

—Pouco me importa se você dirigiu-a à mim ou não. Está falando que Sansa não pode tomar conta de Winterfell sozinha.

—Prossiga, Baelish. _Disse Sansa interrompendo aquela "discussão"

—Como dizia, você precisaria se casar para poder cuidar de Winterfell e, creio eu, ter uma ótima solução para o seu problema. _Little Finger sentou-se ao lado de Sansa e segurou-lhe as mãos. _Quero que aceite se casar comigo.

Sansa levantou rapidamente, como se tivesse sentido uma espada em suas costas. Puxou suas mãos das de Petyr e o olhou:

—Lord Baelish, sou extremamente grata por ter nos ajudado com a recuperação de Winterfell, mas não tenho interesse algum neste matrimônio. _Sansa enganchou seu braço novamente no de Jon e voltou-se uma última ver para Little Finger. _Ainda não me esqueci que você me entregou à Ramsay Bolton.

Quando saíram do Bosque Sagrado, Sansa mal sentia suas pernas. Sabia que Petyr era uma pessoa difícil e não aceitava uma resposta negativa. Tinha medo do que ele poderia fazer, não temia por si, temia por Winterfell. Ainda mais depois de todo o trabalho que Jon tivera para recupera-lo.

Jon Snow olhava para sua meia-irmã e via os olhos azuis perdidos em pensamentos que ele desconhecia. Estava feliz por ela ter rejeitado Little Finger, não sabia o porquê de sentir tal felicidade, apenas a sentia. E era bom. No entanto, ela parecia tão preocupada com algo, que ele temia que Sansa decidisse voltar atrás com sua palavra e aceitar a proposta de Petyr.

Quando entraram no castelo, Jon guiou Sansa para o quarto da mesma. A lareira se encontrava acesa e o quarto quente. Colocou-a sentada em uma cadeira a frente da lareira, e ela manteve os olhos fixados na lenha que queimava dando pequenos estalos. Talvez estivesse ficando louco, mas reparara como o cabelo dela parecia, naquela luz, com as chamas que agora consumiam a madeira.

Jon caminhou até a porta, achando melhor deixar Sansa sozinha para que pensasse. Mas, qual não foi sua surpresa quando ela pediu que ficasse:

—Sente-se mal? _Perguntou Jon ajoelhando-se na frente de Sansa

—Eu não sei, Jon. Eu temo pelo que Baelish possa fazer, não comigo, mas com Winterfell. E se algo acontecer seria injusto com você, que se sacrificou tanto para nos trazer de volta para casa.

Jon pegou a mão de Sansa, sentindo-a tão macia sobre a sua áspera:

—Nada vai acontecer com nossa casa, Sansa. Mas, eu preciso que entenda, temos muitos inimigos ainda. Precisamos confiar um no outro, precisamos permanecer juntos.

—"Quando as neves caem e os ventos brancos sopram, o lobo solitário morre, mas a alcateia sobrevive". _Disse Sansa. _Lembro de papai falando isso.

Sansa olhou para Jon e lhe sorriu. Jon gostava quando ela sorria, era como se ele tivesse sido capaz de espantar toda sua dor.

Contudo, o sorriso de Sansa durou pouco, pois o vento batia violentamente em sua janela, como se implorasse para entrar:

—Acho que Ramsay vai me perseguir mesmo depois de morto.

—Esqueça-o. _Pediu Jon apertando sua mão de leve. _Prometi que ele nunca mais tocaria em você, que eu iria protegê-la. E se mesmo depois de morto ele lhe atormentar, morro mais uma vez só para arrebentar a cara dele.

Sansa riu e passou a mão pela cicatriz no rosto de Jon:

—Como é conhecer o outro lado?

—Eu não sei. _Respondeu Jon desfrutando da sensação da mão suave da jovem Stark em seu rosto. _Eu não vi nada, apenas o escuro. Acho que não era minha hora ainda, creio que tenho coisas pendentes neste mundo.

A porta que se encontrava encostada foi aberta, revelando Fantasma. O lobo de Jon aninhou-se aos pés de Sansa e sem demora começou a ressoar baixo:

—Me pergunto se tenho cheiro de Lady ainda. _Riu Sansa abaixando-se para acariciar o lobo

—Acho que Fantasma também quer protegê-la. _Sorriu Jon levantando-se e soltando a mão de Sansa. _É bom você descansar, Fantasma ficará aqui e qualquer coisa, sabe onde é meu quarto.

Jon deu um beijo demorado na testa de Sansa, sentindo o cheiro dos cabelos ruivos para logo depois sair do quarto.

A testa de Sansa formigava onde Jon havia lhe beijado. Deixou-se dar um pequeno sorriso enquanto escorregava da cadeira para sentar-se no chão com Fantasma.

Perguntava-se agora, seria tudo diferente se tivesse sido como Arya em relação à Jon? Se arrependia do modo como o havia tratado, mas ele a perdoara e isso bastava por enquanto.

Sansa abraçou Fantasma e fechou os olhos, quando o fez não viu Ramsay, não viu Rickon, não viu a cabeça do pai em uma estaca e nem a cena grotesca que Joffrey lhe contara a respeito de Robb. Ela viu Jon, quando se reencontraram, quando se abraçaram e quando ela se sentiu amada mais uma vez após tanto tempo.

Naquela noite, Sansa dormiu como não dormia há muito tempo.