North Wind
17 Capítulo 17- Closer
Jon havia despertado no dia seguinte, sentido a falta do calor de Sansa sobre seu peito. Piscou os olhos algumas vezes e olhou para o lado, deparando-se com a rainha do Norte dormindo de bruços, com as costas completamente descobertas. O ex-bastardo sorriu ao lembrar de cada detalhe da noite passada, puxou as cobertas cobrindo as costas de Sansa e passou o braço ao redor de sua cintura, puxando-a para si.
Por mais que dia já houvesse clareado, Jon não tinha a menor vontade de acordar Sansa ou até mesmo de levantar-se da cama. Observava as costas de sua rainha coladas em seu peito, ainda haviam marcas de tudo que passara com Ramsay e lembrou-se das cicatrizes em seu próprio peito, ambos haviam marcas das quais desejavam esquecer. Jon beijou demoradamente o ombro de Sansa, apreciando a maciez e o perfume da pele dela antes de afundar o rosto nos cabelos ruivos.
Sansa havia acordado com o roçar da barba de Jon em seu ombro, remexeu-se, lentamente virando para ele e vendo o ex-lorde comandante a olhar no fundo dos olhos. Sorriu para Jon, sentindo a mão dele deslizar por seu rosto antes de beijar-lhe brevemente os lábios:
—Bom dia, Jon Snow. _Murmurou Sansa enrolando um cacho do cabelo de Jon
—Bom dia, minha rainha.
Sansa sorriu para Jon e esfregou os olhos enquanto espreguiçava-se manhosamente, apenas para se aninhar mais ainda nos braços do Snow:
—Só me diz que eu não preciso levantar. _Pediu Sansa
—Na verdade você precisa. Ainda é rainha, tem deveres e provavelmente Edd respondeu sua carta.
A Stark suspirou e sentou-se na cama, jogando as cobertas para o lado e colocando os pés no chão frio:
—Quer me dizer onde jogou meu vestido? _Perguntou ela sorrindo para Jon.
O Snow sorriu e sentou-se na cama acompanhando Sansa com os olhos, ela parecia mais pálida à luz do dia. Até que ela parou, olhando para o nada, como se refizesse todos os seus passos da noite anterior, mas aparentemente nada havia adiantado já que Sansa foi na direção de onde guardava os vestidos, pegando outro.
Sansa colocava lentamente sua roupa, pensava nas coisas que deveria tratar naquele dia. Tinha de analisar o número de alimentos que haviam sido estocados em comparação ao que a chuva de ontem devia ter feito a colheita da Vila de Inverno, tinha em mente que estava completamente fora de cogitação deixar o povo do Norte padecer em suas mãos. Pensava também se devia mandar uma carta para Theon, visto que o pobre Greyjoy, que sofrera tanto nas mãos de Ramsay, praticamente arriscara a vida para que ela fugisse. Queria contar à ele que haviam recuperado Winterfell e que se um dia ele desejasse voltar, ela o receberia, contudo pensou que a carta poderia cair nas mãos de Baelish e o mesmo entregaria para Cersei, se já não houvesse a avisado sobre seu paradeiro.
Jon observava Sansa amarrar lentamente os laços de seu vestido e via pelo espelho que algo a preocupava. Ela mudara e ele já não conseguia mais adivinhar seus pensamentos como quando eram crianças, quando tudo que havia na cabeça de Sansa eram cavaleiros e príncipes de canções. Jon, então, levantou-se da cama, vestindo sua calça e indo na direção de Sansa logo em seguida para abraça-la pelas costas:
—O que a preocupa? _Perguntou Jon
E, pela primeira vez, viu como era a imagem dos dois juntos refletida no espelho. Jon sorriu e apertou um pouco mais os braços ao redor de Sansa:
—Imagino se Little Finger não decidiu se vingar entregando para Cersei onde eu estou. _Riu Sansa sem humor. _Mas, eu estava, na verdade, pensando se Theon conseguiu chegar às Ilhas de Ferro.
—O Greyjoy? _Questionou Jon arqueando uma sobrancelha
—Sem ciúmes, Jon Snow. _Riu Sansa. _Ele me ajudou a fugir, sofreu muito nas mãos de Ramsay, queria saber se ao menos agora ele está bem.
Sansa esticou o braço até a gaveta de sua penteadeira e a abriu, pegando a escova de cabelo que ali havia. A rainha do Norte virou-se para Jon, sorrindo na direção dele e o beijando brevemente antes de sair de seus braços para sentar-se diante do espelho da penteadeira e começar a escovar seus cabelos:
—Você é uma grande rainha, Sansa Stark de Winterfell. _Disse Jon colocando as mãos sobre os ombros de Sansa
—Herança de Eddard Stark. _Respondeu Sansa sorrindo para Jon pelo espelho. _Eu me lembro que quando estávamos em King's Landing e ele me disse que quando eu tivesse idade suficiente ele encontraria alguém digno da minha mão. Alguém valente, gentil e forte. _Sansa virou-se olhando nos olhos de Jon. _Então eu encontrei você.
Jon sorriu e abaixou-se apenas o suficiente para beijar a testa de Sansa, no fundo sabia como a machucava falar do pai. E então Jon lembrou-se de meistre Aemon lhe perguntando se um dia Ned Stark tivesse de escolher entre a honra e aqueles que amava, o que ele escolheria? O Snow percebeu que seu tio, mais de uma vez, havia abandonado a honra por aqueles que amava. Primeiro havia sido sua mãe e depois fora Sansa.
Sansa olhava para Jon, que se encontrava perdido em pensamentos. Levantou-se da cadeira, tirando Jon de seus pensamentos e parando diante dele:
—Eu tenho que ir. _Anunciou Sansa passando a mão pelo rosto de Jon. _Só espero...
—Sansa!
O grito desesperado de Bran clamando por sua irmã parecia atravessar as paredes como se elas fossem feitas de papel. Sansa virou a cabeça na direção da porta, para logo em seguida correr para destrancá-la e ir para o quarto de Bran. Jon correu atrás de Sansa, até o quarto de Bran no final do longo corredor.
Sansa abrira a porta o mais rápido que pôde, sentia suas mãos tremendo. Encontrou Bran sentado na cama com a respiração ofegante e os olhos arregalados olhando para o nada, correu até ele sentando-se na cama para abraçá-lo fortemente.
Jon sentou-se do outro lado de Bran enquanto Sansa o apertava em seus braços:
—Bran... Bran, o que houve? _Perguntou Jon
—E-eu vi ele. _Gaguejou Bran tremendo nos braços de Sansa. _Ele está mais próximo. O Rei da Noite está chegando!
Sansa estreitou seu abraço e acariciou os cabelos de Bran, lançou um olhar preocupado para Jon e viu os olhos castanhos do Snow tornarem-se duros e sérios. Ele passou a mão pela cabeça do garoto nos braços de Sansa antes de beijar a testa da mesma e ir em direção a porta:
—Jon. _Chamou Sansa
—Aparentemente vamos partir mais cedo. _Disse Jon sem virar para Sansa
Sansa apoiou sua bochecha no topo da cabeça do irmão, havia fechado os olhos reprimindo a imensa vontade que sentia de chorar. Sabia que chegaria o dia que teria de ver Jon partir para defender o Norte, mas não imaginava que seria tão cedo, não estava preparada para vê-lo ir.
Brienne havia corrido para o quarto do jovem Stark, sendo seguida por Tormund e Podrick, e presenciou a cena das duas crianças Stark abraçadas. Sansa a olhou, lançando um sorriso triste em sua direção:
—Jon Snow estava com cara de bunda mais uma vez. _Disse Tormund aproximando-se de Sansa e Bran. _O que aconteceu, criança?
—Bran teve uma visão. _Disse Sansa acariciando o cabelo do irmão. _O Rei da Noite está mais próximos do que imaginávamos.
—Minha rainha, se me permite, eu devo ir até Jon Snow. _Disse Brienne
—Tudo bem, Brienne. _Disse Sansa sorrindo triste para a donzela de Tarth.
Brienne fizera uma breve reverência saindo do quarto e sendo seguida por Podrick. Sansa assistiu-os partir enquanto embalava Bran em seus braços:
—Os deuses não favorecem muito vocês, Starks, não é? _Questionou Tormund. _Eu não passei muito tempo com você, rainha loba, mas parece que toda vez que tem uma amostra de paz acontece algo.
—Não se preocupe com isso, Tormund. São essas pequenas amostras que me fazem viver para ver o que tem mais além. _Disse Sansa soltando Bran de seus braços, o garoto voltara a dormir. _Agora, tenho vassalos para convocar.
Sansa sorriu para Tormund e se retirou.
A Stark andava sozinha pelo corredor, Fantasma estava com Jon e o mesmo tinha um exercito para liderar, assim como ela tinha vidas que dependiam dela. Já em seu escritório, Sansa encontrou a carta de Edd sobre a mesa avisando-a que o povo livre se encaminhava para Winterfell, e junto dela também havia outra carta que apenas dizia a quem era destinada. "Sansa Stark".
Sansa abrira a carta com certo receio por não reconhecer a letra de seu remetente. Passou os olhos rapidamente indo direto para os cumprimentos finais e sentiu o coração se acalmar. Era a casa Manderly de Porto Branco, alegando fidelidade a casa Stark e dizendo que os acompanhariam nessa guerra. Sansa respirou profundamente, pegando pergaminhos para começar a escrever cartas convocando os vassalos para Winterfell, tinham quatro casas ao seu lado desta vez, o que era mais do que tiveram na Batalha dos Bastardos.
Enquanto a rainha do Norte escrevia, imaginava aqueles homens despedindo-se de suas famílias, alguns sequer voltariam para casa. Foi então que lembrou-se do que Shae, sua dama de companhia em King's Landing, havia lhe dito na Batalha da Água Negra: "alguns desses garotos nunca vai voltar.". Sacudiu a cabeça tentando não pensar que estava encaminhando aquelas pessoas para um futuro incerto. Imaginava se estava tudo bem com Jon, já que a notícia sobre os Outros chagara de repente, mas a ideia de ir até ele não se passava por sua cabeça. Ela tinha conhecimentos políticos, guerras ou batalhas eram do conhecimento de Jon.
Jon olhava para o rosto de cada pessoa naquele salão, os burburinhos pareciam não parar desde que havia avisado sobre a proximidade da guerra e ele, mais do que ninguém compreendia o motivo de tal agitação. Haviam acabado de lutar para recuperar Winterfell e em um intervalo tão curto de tempo teriam de lutar para defender o Norte. Vez que outra olhava para sor Davos ao seu lado e via-o olhar perdido para aquelas pessoas:
—Querem parar de lamúrias? _Gritou Lyanna Mormont levantando-se de sua cadeira. _Sabem que se não lutarem morrerão de qualquer jeito! O que se aproxima não é apenas o inimigo, a longa noite vem junto dele e com ela vem morte.
Os murmúrios que antes enchiam o salão diminuíram até que se encerrassem completamente. Jon sentia os olhos sobre si, sabia que algo devia ser dito:
—Vocês lutaram ao meu lado para que recuperássemos Winterfell, juraram lealdade à Sansa Stark perante os deuses, tanto antigos quanto novos, e agora devem cumprir seu dever para com o Norte. O que se aproxima não pode ser detido por "discussões diplomáticas", eles matarão tudo que estiver em seu caminho. Sei que estão com medo. _Novos burburinhos foram ouvidos, mas logo se encerraram e Jon prosseguiu. _Mas, certa vez lord Eddard Stark disse que essa é a unica maneira de homem ser valente. Precisam decidir se morrerão como heróis ou viverão como covardes.
Antes que pudessem abrir suas bocas para dizer algo, todos viraram-se para escada, onde descia Sansa Stark. A rainha do Norte não estava mais com o brilho doce nos olhos como nos últimos dias, os olhos azuis pareciam gelo, eram duros, sérios e com um leve brilho que lembrava o de uma espada. Ela descia lentamente as escadas, em sua mão haviam cartas e até que terminasse de descer os degraus, parecia que ninguém ousara respirar. Sansa parou ao pé da escada, olhando para as pessoas que a olhavam:
—Os Manderly de Porto Branco vão nos apoiar. _Disse ela simplesmente antes de sair do salão
Ninguém ousou dizer algo até que Sansa tivesse saído. Apenas no momento em Jon Snow levantou-se de sua cadeira e encarou-os, uma voz, no meio daquele mar de gente, gritou para que todos o ouvissem:
—Por Winterfell!
Todos viraram-se na direção do garoto pequeno e franzino que erguia sua espada para o alto, em seu rosto havia um sorriso tão grande que parecia querer romper suas bochechas. Jon sorriu na direção do garoto e ergueu Garralonga:
—Por Winterfell!
Um a um, cada pessoa naquele salão ergueu sua espada gritando lealdade à Winterfell.
Sansa desacelerara o passo quando saíra do castelo apenas para ouvir seu povo. Um sorriso surgiu em seus lábios e uma lágrima escorreu por sua bochecha, os olhos azuis elevaram-se para o céu agradecendo tamanha lealdade. E então ouviu a voz do mesmo garoto que gritara "por Winterfell" gritar mais uma vez, mais alto fazendo sua voz voar junto com o vento, "por Sansa Stark". As lágrimas tomaram o rosto de Sansa, fazendo-a correr até a torre do meistre. Seu coração parecia ter se aquecido e desejou, fervorosamente naquele momento, que todos voltassem para Winterfell.
"Eu quero ser boa para o Norte como você foi um dia, papai", pensou Sansa parada diante da torre do meistre enquanto fechava os olhos. "Só fique ao meu lado, por favor", a imagem do último olhar que o pai lhe lançara antes de ser morto surgiu em sua mente, fazendo com que os olhos azuis se abrissem e tornassem a olhar para o céu cinzento mais uma vez. Sansa sorriu tristemente enquanto o vento bateu em seu rosto. Sim, Eddard Stark estava com ela.
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