North Wind
11 Capítulo 11- Wars not over
Após Jon ter deixado Sansa sozinha novamente, a rainha do Norte havia seguido para a antiga biblioteca onde meistre Luwin passava horas de seu dia. Ela lembrava-se do antigo meistre sempre tirando algo dos bolsos costurados em suas mangas e não soubera ao certo o que havia lhe acontecido. Provavelmente fora assassinado, assim como grande parte das pessoas em seu passado.
Não havia demorado para chegar à Torre da biblioteca, uma parte estava queimada. "Um incêndio causado para distrair os guardas enquanto tentavam matar Bran", fora o que seu pai havia dito à ela e Arya, antes de avisá-las que voltariam para casa. Antes de o matarem.E ver biblioteca daquele jeito fazia Sansa lembrar que deveriam começar a reconstruir Winterfell em breve. No entanto, isso era algo para se pensar após a possível guerra que viria, afinal, de nada valeria reconstruí-la para que fosse destruída novamente. Levantando um pouco a barra de seu vestido, Sansa subiu devagar as escadas externas da torre, temendo escorregar na neve acumulada nos degraus.
A porta parecia emperrada, o que forçou Sansa a pôr todo o peso de seu corpo contra ela. Quando a porta finalmente cedeu, abrindo tudo de uma vez e levando o corpo de Sansa junto, fazendo a Stark quase ir ao chão.
A biblioteca parecia não ter sido visitada há anos, suas janelas estavam fechadas e tudo parecia ter uma grossa camada de poeira. Sansa caminhou até as janelas, abrindo-as com quase o mesmo esforço que fizera com a porta, vendo tudo com mais clareza agora. A mesa do meistre ainda continha alguns livros e pergaminhos que ele deveria estar lendo e, acima de um desses pergaminhos, havia sua corrente de meistreera. Ao pegá-la em mãos, Sansa olhou atentamente os elos conquistados por Luwin durante todos seus anos, em nada lembrava a de meistre Pycelle. Sansa sentia nojo do meistre de King´s landing, visto que sabia que o velho quebrava seus votos para atender suas necessidades.
Sansa retirou suas luvas e largou-as sobre a mesa, junto da corrente de Luwin. Indo em direção à alguns pergaminhos mais antigos que haviam ali, queria saber mais sobre os antigos "reis do inverno", como eram chamados. A Stark pegou uma pilha de pergaminhos empoeirados, os quais ela julgou serem os mais antigo, e levou-os próximos da janela. Sentou-se a mesa e se pôs a lê-los, no entanto aqueles não eram pergaminhos que falavam dos antigos reis de Winterfell. Eram os registros das crianças Stark.
O nome de Robb parecia saltar diante de seus olhos, seguido pelo título de "filho de Eddard e Catelyn Stark, herdeiro de Winterfell". Logo em seguida vinha seu próprio nome, "Sansa Stark, segunda criança de Eddard e Catelyn Stark. Nascida no ano de 287DD em Winterfell, em uma manhã de verão". Sansa sorriu lembrando-se de quando a velha Ama perguntava para ela e seus irmãos o que sabiam sobre o mundo, sendo apenas crianças do verão.
Sansa foi separando os nomes de seus irmãos e então deparou-se com o nome de Jon, o mais estranho era que ele estava no meio de alguns pergaminhos, da época de seu avô, falando sobre as colheitas na Vila de Inverno. Contudo, a letra do registro de Jon não era de meistre Luwin, era a letra de Ned Stark. Sansa começou a ler atentamente e viu que seu pai havia escrito toda a verdade sobre Jon ali. "Jon Targaryen, filho de Rhaegar Targaryen e Lyanna Stark. Nascido no verão de 283DD, na Torre da Alegria, em Dorne. Para protegê-lo de Robert Baratheon, eu, Eddard Stark, o tomo como meu bastardo".
Sansa largou o pergaminho sobre a mesa, não conseguia terminar de lê-lo. Seu pai havia feito um registro para Jon, falando sobre sua verdadeira origem e sequer conseguia imaginar o quanto deveria ter sido difícil esconder aquilo de sua mãe, de todos e inclusive de Jon.
A rainha do Norte levantou-se indo até uma estante e pegando um grande livro. O livro era pesado e estava com uma grossa camada de poeira, ao passar os dedos pela capa conseguiu ver o lobo estampado na capa e não seria necessário ser um grande entendedor para saber que aquela era a história da casa Stark. Sansa voltou para mesa e largou o livro, fazendo a poeira levantar:
—Lady Sansa.
Sansa havia levado um susto e virou-se para encarar Brienne parada na porta:
—Olá, Brienne. _Cumprimentou Sansa esfregando seu nariz devido a poeira. _Achei que estava com Jon.
—Lord Snow está com Howland Reed, aparentemente lord Reed tem planos de voltar para o Gargalo agora que sua filha voltou. _Informou Brienne enquanto adentrava a biblioteca. _Pensei que assuntos assim eram tratados com a rainha.
—Jon é como a "mão da rainha". _Disse Sansa sorrindo para Brienne. _Seria um grande rei.
—Levemente mórbido, mas um bom rei. _Concluiu Brienne. _O que faz no depósito de poeira de Winterfell?
—Vendo sobre os antigos reis do Norte, antes de Torrhen ajoelhar-se perante à Aegon Targaryen. _Sansa folhava o livro vendo o nome de cada rei. _Olha! Existia um chamado "Jon". Como eu dizia, preciso ver sobre os antigos reis para ver onde acertaram e onde erraram, para que não cometa os mesmos erros.
—Não existem reis perfeitos, Sansa. Todos cometem erros, somos humanos.
—Eu sei, Brienne. _Disse Sansa pegando as coisas que deixara sobre a mesa e indo até Brienne. _Mas, acho que após alguns anos ruins, Winterfell merece o melhor que eu posso dar. Vamos?
Brienne deixou que Sansa passasse e a seguiu. Não sabia ao certo o que havia acontecido com a garota desde que a deixara aos cuidados de Jon Snow para que fosse até Black Fish, mas Sansa havia mudado.
Enquanto seguiam para o castelo, a donzela de Tarth sentiu que alguém a olhava, virou a cabeça devagar sabendo quem iria ver. Seus olhos encontraram Tormund, o selvagem que lhe sorria e a encarava, isso desde que se viram pela primeira vez.
Sansa seguiu o olhar de Brienne e deparou-se com Tormund e seu "charmoso" sorriso na direção da mulher ao seu lado:
—Deveria falar com ele. _Cochichou Sansa
—Minha rainha?
—Ora, Brienne, ele gosta de você. _Sansa olhou na direção de Tormund, que continuava a encarar sua protetora. _Pode parecer levemente assustador ele encarando você desse jeito, sem piscar... Nossa! Há quanto tempo ele está assim? Está bem, se pensarmos bem, ele está encantado com você!
—Acho que você não anda dormindo direito, está delirando, não fala coisa com coisa. _Declarou Brienne empurrando Sansa levemente em direção ao castelo.
Sansa revirou os olhos e apenas seguiu em frente. Sabia que, provavelmente, Jon ainda estaria em seu escritório, então pediu à Brienne que ficasse com Bran enquanto ela seguia.
Jon já acreditava que Sansa havia sido soterrada por livros na biblioteca, devido à sua demora. Ele já havia visto cada pergaminho mandado por Sansa e suas respostas, não compreendia como alguém que era rainha há apenas alguns dias tinha tantos pedidos de casamento. E cada um desses pedidos o incomodou profundamente.
Sabia que seu relacionamento com Sansa era algo superficial, pelo menos por enquanto. Óbvio que queria um futuro ao lado dela, mas precisavam de um tempo, haviam começado a se relacionar muito rápido e como Sansa havia lhe dito: poderiam estar apaixonados, mas ainda não se amavam.
Jon sacudiu a cabeça rindo de seus pensamentos, parecia uma garota sonhando com canções de cavaleiros. Mas, isso o fazia distanciar-se dos pensamentos que tinha sobre a possível guerra que se aproximava, da ameaça que Little Finger poderia ser longe de seus olhos, de Arya ainda desaparecida e até mesmo de seus pais. Bran havia lhe descrito os momentos finais de sua mãe e em como ela segurava a coroa de rosa de inverno da "rainha da beleza e do amor" que seu pai lhe dera, antes de morrer.
Fantasma, que estava deitado aos pés de Jon, levantou-se e sentou na frente da porta, que logo se abriu revelando Sansa carregando um livro enorme e vários pergaminhos:
—Poderia passar horas na biblioteca, se não fosse pela poeira. _Declarou Sansa.
Sansa largou o livro sobre a mesa e sorriu para Jon, sorriso que o Snow notara ser levemente triste:
—Achei algo no meio de pergaminhos do tempo do nosso avô, creio que pode interessar à você.
A rainha do Norte pegou o registro de Jon e entregou-lhe enquanto ele a olhava com uma sobrancelha arqueada. Sansa torcia os dedos enquanto Jon lia, não queria mostrar para ele, mas acreditava que aquilo era o certo a se fazer.
Jon não havia demorado a ler e largou o pergaminho. Sansa sentou-se no braço da cadeira, passando os braços ao redor de seu pescoço e enrolava os dedos em algumas mechas escuras de seu cabelo:
—Obrigado, Sansa. _Disse Jon passando um braço ao redor da cintura de Sansa
—Acho que um dia ele lhe diria tudo. _Sansa apoiou sua bochecha no topo da cabeça de Jon. _Ele deve estar orgulhoso de você.
Jon puxou Sansa, fazendo-a sentar-se em seu colo e viu a dor que ele queria afastar, brilhar nos olhos azuis. Tinha certeza que toda vez que Sansa falava do pai, ela lembrava de quando o executaram na sua frente, com a própria espada:
—Ele deve estar orgulhoso de você! _Garantiu Jon beijando a testa de Sansa logo em seguida
—Queria que ele estivesse aqui para ver essas guerras acabarem.
—As guerras não acabaram ainda, mas tenho certeza que quando acabarem vamos receber algum sinal do grande Eddard Stark.
—Como a volta dos dragões? _Riu Sansa
—Quem sabe.
Jon olhara nos olhos de Sansa, vendo aquela ponta de dor que havia em seu olhar desaparecer. Sorriu para a Stark em seus braços antes de segurar-lhe o rosto e beijá-la. Ah, Sansa Stark havia se tornado, definitivamente, seu vício. Talvez nunca tivesse notado, mas tudo nela havia sido feito para si. Suas bocas pareciam ter o encaixe perfeito, Sansa parecia encaixar-se perfeitamente nos seus braços.
Sentiu as unhas de Sansa lhe arranharem levemente a nuca, Jon não sabia se ela o queria enlouquecer ou simplesmente fazê-lo perder o controle. Apertou os braços ao redor da cintura da jovem rainha do Norte, abandonando-lhe os lábios enquanto descia vagarosamente para seu alvo pescoço, sentindo as mãos geladas agarrarem seus cabelos e ouvi-la murmurar:
—Como seria se alguém entrasse aqui?
—Não somos mais meio-irmãos, não há nada de errado.
Sansa estremeceu sentindo Jon falar contra seu pescoço e acabou deixando um suspiro escapar, involuntariamente, de seus lábios. Como desejou que Ramsay não tivesse acontecido e Jon fosse seu primeiro homem, visto que o Snow lhe proporcionava sensações nunca antes sentidas.
Jon deu um leve beijo na bochecha de Sansa para logo dar-lhe um breve beijo em seus lábios:
—Bran não gostou do fato de Meera ir embora. _Declarou Jon brincando com uma mecha do cabelo ruivo de Sansa
—Realmente achei que ele gostava dela. Uma pena ela ter de partir.
—Não haviam muitas opções, ela é a herdeira da casa Reed. Bran vai entender isso.
—Por falar em Bran, ele lhe falou sobre a visão dele? Sobre a tia Lyanna?
—Ele falou. _Disse Jon sorrindo para Sansa. _Aparentemente ela realmente amou meu pai. Bran disse que ela segurava a coroa de flores que ele havia dado para ela.
—Sempre amei essa parte da "história", onde Rhaegar Targaryen coroou Lyanna Stark como a rainha da beleza e do amor. Costumava sonhar com o dia que isso aconteceria comigo.
—A coroa que está usando, eu coloquei na sua cabeça, logo eu coroei você rainha do Norte. Muito melhor que "rainha da beleza e do amor".
Sansa riu e segurou o rosto de Jon olhando-o nos olhos:
—Acho que lobos e dragões se atraem de uma maneira muito curiosa.
—Bem, agradeçamos aos deuses essa atração curiosa e levemente estranha. _Disse Jon beijando Sansa
Jon levantou-se, com Sansa em seus braços e logo largou-a no chão:
—Você realmente queria ler sobre os Starks. _Riu Jon olhando o livro sobre a mesa
—Não apenas sobre os Starks, aqui tem praticamente toda história do Norte e eu queria ler sobre os antigos reis de Winterfell.
Jon segurou a mão de Sansa antes que ela abrisse o livro:
—Sabe que não precisa disso para ser uma rainha, não sabe? Sansa, você já sabe tudo que deve fazer com o Norte e sabe o que não deve ser feito. Não precisa saber sobre velhos já mortos para governar Winterfell, eu sei que é capaz de fazê-lo sozinha. E se você cair, eu vou estar ao seu lado. _Jon entrelaçou seus dedos aos de Sansa. _Prometi protegê-la e disse que nada a machucaria mais, Sansa. Confia em mim?
—Com todo meu coração. _Garantiu Sansa levando a mão livre ao rosto de Jon. _E é por isso que um dia quero que venha a ser o rei do Norte ao meu lado.
—Mesmo que eu não me tornasse seu rei, continuaria ao seu lado. Não ligo pelo posto de rei ou para o sobrenome, você é a única coisa que me interessa em tudo isso.
Sansa sentiu seu coração acelerar, por mais que no fundo já soubesse de tudo que Jon havia lhe dito, ouvi-lo dizer apenas fazia com que o Snow ocupasse cada vez mais espaço em seu coração.
Sansa jogou-se nos braços de Jon, passando os braços ao redor de seu pescoço, puxando-o para beijá-lo. Sabia que deveriam ter cuidado com o romance que viviam, mas não havia como. Jon Snow sempre a atrairia, não importa onde ela estivesse. Jon era o Norte e lobos sempre vão em direção ao Norte.
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