North Wind

10 Capítulo 10- Return


Notas iniciais
Amara Sloan, eu olhei para sua recomendação como o Tormund olhou pra Brienne quando ela chegou na Muralha. Muito, muito obrigada! Admito que chorei, que me emocionei e esse capítulo é todo seu!

Após ter convocados os homens que acompanhariam seus prisioneiros até a Muralha, Sansa ficou observando-os partir por um tempo. Fazia o mesmo com seu pai quando menina e as vezes até passava o dia inteiro olhando para o nada, esperando vê-lo voltar para casa.

Sansa parou de olha-los e seguiu para dentro do castelo, antes que pudesse notar Fantasma já estava consigo. Acreditava que não havia nome melhor para o lobo do que aquele, visto que ele chegava sem qualquer barulho e desaparecia em um piscar de olhos. Passou a mão por sua cabeça, afagando-lhe a orelha pontuda. Continuava a pensar em Ned Stark e em como ele condenara sua honra para proteger a de sua irmã, em como ele mantou a promessa que fez a sua tia Lyanna, em como ela corria para abraçá-lo quando ele retornava para a casa.

Uma lágrima correu por sua bochecha e Sansa secou-a depressa, não podia deixar que a vissem chorar, queria manter a imagem de uma rainha cujas lágrimas secaram há muito tempo. No entanto, ela sabia que isso era mentira. Sabia que choraria ao lembrar de seu pai a abraçando, de sua mãe escovando seus cabelos, de Robb dizendo-lhe que Joffrey era um "maldito pirralho bundão", das brigas com Arya, das vezes que disse para Bran que os demônios da escuridão não o pegariam se ele se escondesse em seu cobertor e das risadas de Rickon enquanto lhe fazia cócegas. Apenas queria ver Arya e Bran uma vez mais, já que a esperança de que ambos estavam vivos continuava em seu coração. A esperança de que um dia veria Arya correndo em direção aos portões de Winterfell e Bran nas costas de Hodor.

Sansa respirou profundamente, fechando os olhos por alguns segundos, para que não chorasse. Fantasma esfregou o focinho em sua mão e ela o olhou no fundo dos olhos vermelhos, ajoelhou-se no chão, abraçando o pescoço do lobo e deixando-se chorar, no meio do corredor deserto, com o rosto enterrado nos pelos brancos.

Acariciava Fantasma lentamente, enquanto visualizava em sua mente o lobo filhote. Uma bolinha de pelos branca, o menor da ninhada, o renegado dos filhotes. Irmão de sua Lady e agora, provavelmente um dos últimos que haviam sobrevivido.

O lobo esfregou seu focinho agora na bochecha de Sansa, fazendo a rainha do Norte o olhar. Ela abriu um sorriso triste em sua direção e passou a mão no topo de sua cabeça, logo enxugou suas lágrimas e levantou-se. Seu nariz e olhos estavam vermelhos, mas agora eram poucos passos até seu quarto, onde deveria se trocar, lavar o rosto e tratar de algo com Howland Reed. Aparentemente lord Reed ainda tinha revelações para fazer.

Sansa entrou em seu quarto e foi lavar seu rosto. Enquanto trocava-se conseguiu ouvir a voz de Tormund ao longe gritando para que abrissem o portão, rapidamente a Stark terminou de vestir-se, colocou a coroa sobre sua cabeça e correu para ver o que acontecia lá fora. Fantasma continuava ao seu lado, a seguindo.

A rainha do Norte corria pelo pátio coberto de neve e ao longe o portão terminava de abrir-se e a imagem de Brienne tornou-se mais nítida. Um sorriso agora brotava nos lábios de Sansa que agora corria, literalmente, na direção de Brienne. Contudo, a medida que se aproximava, reparou que havia alguém em seu cavalo, coberto por sua capa e atrás dela vinha Podrick, com uma menina em seu cavalo.

Brienne parou ao lado de Sansa, sem descer de seu cavalo:

—Retornei, minha rainha.

—Fico feliz, Brienne. _Disse Sansa com os olhos ainda presos na pessoa que a loira tinha nos braços

—Sinto muito por seu tio, senhora. Não tivemos chance de salvá-lo. _Brienne olhou nos olhos de Sansa e lhe lançou um sorriso triste. _No entanto, eu...

Meera!

Sansa virou-se e viu lord Reed correndo na direção do cavalo de Podrick e pegando a garota, que o mesmo trazia, prendendo-a em um forte abraço. Brienne esperou que Sansa voltasse a olhá-la para que pudesse prosseguir:

—Como dizia, aparentemente eu tenho como tarefa de vida, minha rainha, trazer os Starks para casa.

A rainha do Norte sentiu seu coração bater tão forte que parecia querer sair de seu peito, quando Brienne tirou sua capa que envolvia a pessoa que carregava. Os olhos azuis de inundaram com as lágrimas quentes que agora corriam sem piedade alguma por seu rosto, não existia mais a poderosa rainha do Norte naquele momento, não havia Sansa sem sentimentos, ela era apenas Sansa Stark que finalmente reencontrara seu amado irmão Brandon Stark.

Seus braços estavam estendidos na direção do irmão, como se ele fosse um bebê que deveria ser colocado em seus braços. Brienne desceu do cavalo colocando Bran nos braços da irmã, que perdera o equilíbrio e caíra sentada no chão abraçando-o fortemente contra seu peito. Segurou-lhe o rosto olhando no fundo de seus olhos azuis, como os seus:

—Bran. _Disse Sansa em meio as lágrimas

—Eu retornei, Sansa.

Sansa sorriu em meio as lágrimas que escorriam por suas bochechas e apertou-o ainda mais em seus braços.

Jon fora avisado por um dos homens do Vale de que Sansa estava chorando em desespero no meio do pátio. Tudo em si pareceu gelar com aquelas simples palavras, fazendo-o largar a caneca de cerveja e prometer a sor Davos que voltaria mais tarde. O Snow corria até o portão, onde avistou uma pequena multidão se formando, em meio à alguns empurrões ele chegou até Sansa e viu-a, talvez em seu momento mais belo. Ela mantinha Bran preso fortemente em seus braços enquanto passava as mãos por seus cabelos, por mais que o garoto tivesse crescido e deixado de ser o menininho que escalava tudo em Winterfell, Sansa parecia abraçar um recém-nascido.

Com as pernas bambas, Jon dava alguns passos um tanto vacilantes. Não se lembrava ao certo há quanto tempo não via Bran:

—Jon. _Chamou Bran

Jon abaixou-se erguendo Bran em seus braços para logo depois levantar Sansa e prender ambos em um forte abraço. Estavam voltando a ficar juntos novamente, Bran já havia retornado agora bastava esperar por Arya. E Jon tinha certeza que a pequena loba selvagem voltaria o quanto antes, visto que não importava para onde fosse, o Norte a atraía.

Passando um braço ao redor dos ombros de Sansa enquanto o outro segurava Bran, Jon foi em direção ao castelo. Mas, Sansa parou e sorriu em sua direção:

—Ajude-o a tomar banho e ajeito-o no quarto. Preciso cumprir meus deveres de rainha e receber Brienne, Podrick e a garota que os acompanha.

Quando Sansa aproximou-se para beijar a bochecha de Bran o garoto lhe disse:

—O nome dela é Meera, sem ela eu não estaria aqui.

—Está certo, eu vou receber Meera muito bem. Agora, vá com Jon, sim? Logo irei vê-lo.

Antes de Sansa sair Jon segurou-lhe o braço, fazendo-a olha-lo:

—Você está me surpreendendo, Sansa Stark.

Sansa sorriu para Jon, que agora entrava no castelo enquanto ouvia algo que Bran lhe contava. Dirigiu-se até onde estava há pouco recebendo os olhares todos para si:

—Primeiramente, peço desculpas pelo momento que presenciaram agora, sei que não esperam uma rainha que chore como uma criança, mas era meu irmão e eu não o via há muito tempo.

—Minha rainha, permita-me interrompê-la para dizer que isso não muda nossa percepção da boa rainha que é por chorar. Está apenas nos provando que é humana como todos. _Disse Howland Reed. _E permita-me apresentar minha filha e herdeira, Meera Reed.

Meera ajoelhou-se perante Sansa, que colocou a mão sobre seu ombro:

—Levante-se, por favor. Eu quem deveria me ajoelhar perante você, Bran me disse que sem você ele não estaria em casa. _Sansa virou-se para Brienne. _Assim como você Brienne, sou grata por sua lealdade e por trazê-los para Winterfell.

Meera levantou-se enquanto olhava para a rainha do Norte. Ela não parecia em nada do que havia imaginado, achava que Sansa Stark era apenas mais uma lady com sonhos infantis:

—Rainha Sansa. _Chamou Meera fazendo Sansa a olhar. _Eu não devo ter todo o crédito por Bran. Hodor ajudou-o tanto quanto eu, a ponto de sacrificar-se por Bran.

—Ele será honrado, jovem Reed. _Disse Sansa passando a mão pelos cabelos cacheados da garota. _Hodor sempre foi muito útil para nós no Norte e tenha certeza que ainda haverão muitas histórias sobre ele.

A garota Reed apenas assentiu e voltou para junto de seu pai enquanto Sansa prosseguia:

—Vou pedir que arrumem os quartos para vocês e preparem algo para comerem, deve ter sido uma viagem e tanto.

Sansa maneou sua cabeça em um leve aceno enquanto virava-se para entrar no castelo, seus passos eram rápidos devido a pressa que tinha de ver o irmão novamente, de abraça-lo, beija-lo e dizer que sentia muito pelo fato de ele ter tido sua infância arrancada de si de forma tão bruta. Antes de ir até Bran, Sansa avistou algumas mulheres que estavam na cozinha e pediu-lhes para que preparassem quartos e uma refeição para aqueles que haviam acabado de chegar em Winterfell.

Jon já havia terminado de ajudar Bran a vestir-se quando Sansa entrou. Bran estava sentado em sua cama, olhava agora para sua irmã mais velha, via muito de sua mãe nos olhos azuis preocupados com ele, mas também via muito de seu pai.

Sansa sentou-se na ponta da cama e Jon ficou parado ao seu lado:

—Você cresceu tanto. _Declarou Sansa passando a mão pelo rosto de Bran

—Achei que nunca mais nos veríamos. _Declarou Bran com um sorriso triste. _Jon me contou, sobre Robb, mamãe e Rickon. Parece que estamos fadados a perder todos que amamos.

A rainha do Norte abraçou seu irmão:

—Bran, querido, olhe para mim. _Pediu Sansa agora segurando o rosto do garoto. _Não vamos perder mais ninguém, está certo? Arya vai voltar e estaremos todos juntos mais uma vez, os irmãos Stark.

—Jon também me disse que já sabe sobre a tia Lyanna. Achei que seria a história mais empolgante que teria para contar.

Sansa olhou para Jon e sorriu. O Snow passou a mão pelos cabelos de Bran:

—Não fique assim, Bran. Foi muito mais empolgante ouvir sua versão do que a de lord Reed.

Bran sorriu, contudo foram breves os segundos que o sorriso mantéu-se em seus lábios. Ele pegou a mão de Sansa olhando sério nos olhos da irmã:

—Sansa, eu vi coisas além da Muralha que...

—Bran, não precisa falar disso agora. _Interrompeu Sansa

—Não! Nós temos que falar sobre isso agora! _Bran levantou a manga de sua camisa mostrando o braço para Jon e Sansa. _Ele me marcou, Sansa! O Rei da Noite me marcou! Ele vai vir atrás de mim, ele já foi atrás de mim, foi assim que perdemos Hodor. Eu não devia ter voltado para casa.

—Brandon Stark, cale sua boca! _Exclamou Sansa. _Você deveria ter voltado para casa sim! E eu não me importo se os mortos vão vir aos portões de Winterfell, nós vamos proteger nossa casa. Somos Starks de Winterfell e ninguém vai tomar nossa casa.

Uma empregada entrou no quarto, acompanhada de Meera, e trazendo a refeição de Bran. Sansa beijou a testa do irmão e logo saiu do quarto com Jon.

Seguiram para o escritório de Sansa, onde, quando a porta se fechou, Jon a prensou contra a parede, capturando seus lábios sem qualquer aviso prévio.

Jon havia percebido que amava o jeito como as mãos de Sansa brincavam com seu cabelo enquanto a beijava, enquanto as suas seguravam firmemente a cintura fina dela. Não importava o quanto a beijasse, a necessidade de mais sempre continuaria.

Separaram-se e Sansa ainda mantinha os braços ao redor do pescoço de Jon. Olhava-o no fundo de seus olhos castanhos, pensando em tudo que Bran havia lhe dito:

—Está preocupada com algo. _Disse Jon. _O que foi?

—Como sabe que estou preocupada?

—Você enruga a testa quando algo a incomoda. _Jon tocou a ruga na testa de Sansa. _Vai me dizer o que a aflige.

—Muita coisa, Jon Snow. _Riu Sansa. _Eu simplesmente chorei como uma menininha que teve a boneca tomada de si quando vi Bran, como eles vão achar que sou forte o bastante para governar agora?

—Sansa, você chorar não é fraqueza. Fraqueza seria você fugir no meio da primeira crise que venha a enfrentar, você apenas provou para eles que é humana. Você é uma rainha agora, Sansa! E talvez eu não saiba como um rei ou uma rainha deve agir, mas tenho certeza que uma rainha amada por seu povo tem muito mais chance de ser seguida por eles em uma guerra do que uma que é temida.

—Por que não o escolheram como rei do Norte ao invés de mim? _Riu Sansa passando a mão pelo rosto de Jon

—Não entendo de política. E também, você é a herdeira de Winterfell. _Jon beijou rapidamente Sansa. _Algo mais se passa na sua cabeça?

—O que Bran disse. Jon, se a Muralha realmente não aguentar, não sei se teremos homens o suficiente para proteger Winterfell.

—Os homens do Vale Arryn ainda estão aqui. E além disso, desde retomamos Winterfell, várias das casas do Norte juraram lealdade à casa Stark novamente.

—Os homens do Vale não adiantarão. _Disse Sansa olhando nos olhos de Jon. _Lembro-me de quando a velha Ama nos contava histórias sobre o inverno e dizia que durante a longa noite apenas os lobos uivariam.

—Sansa, não podemos nos prender a velhas histórias, está bem? Nós vamos proteger nossa casa, nem que para isso eu tenhamos que queimar cada um daquele exercito de mortos.

Sansa arregalou os olhos e olhou para Jon:

—Você, por algum acaso, não tem nenhuma magia por parte do sangue Targaryen que faça você atirar fogo com as mãos?

Jon riu e segurou o rosto de Sansa:

—Que raios de pergunta foi essa? _Perguntou Jon em meio à risos

—Apenas tentei desvirtuar desse assunto de mortos, exercito de mortos na Muralha, guerra e mais guerra. _Sansa colocou as mãos sobre as de Jon. _Parece que vai demorar para termos momentos de paz.

—No entanto eles virão, Sansa. E quando chegarem, vamos estar todos juntos, eu, você, Bran, Arya e nossos filhos. Pois não pense que me esqueci que disse que aceitaria se casar comigo quando tudo acabasse, Sansa Stark de Winterfell.

—Disse que pensaria no seu caso, lord Snow. _Riu Sansa. _Mas, é engraçado de certa forma. Pois eu me lembro de quando estava em King's Landing e imaginava meus filhos como todos os irmãos que havia perdido. Havia até uma menina como Arya.

—Você e uma filha como Arya? _Riu Jon. _Isso não entra na minha cabeça.

—Não ria, Jon! _Exclamou Sansa tentando conter o riso. _Mas, acho que ela seria mais como tia Lyanna nas histórias que já ouvi.

—Por que como minha mãe?

Sansa ainda não havia ouvido Jon referir-se à Lyanna como "mãe" e isso a pegou de surpresa, fazendo com que ela perdesse seu foco e demorasse um pouco para responder:

—Sansa?

—Ah, desculpe, é que nunca havia ouvido você chama-la de "mãe". Bem, por que como tia Lyanna, você pergunta. Porque ouvi histórias de que mesmo sendo muito parecida com Arya, ela ainda sabia ser uma lady, talvez essa seja minha filha perfeita.

Jon puxou o rosto de Sansa a beijando e colando suas testas:

—Para mim, eles serão perfeitos se você for a mãe deles.

Notas finais
Gente! Eu preciso avisar vocês de que: 1- Amo os comentários de vocês kkk ♥ 2- Eu entrei em semana de provas :( Portanto não consigo postar os capítulos diariamente, sinto muito. 3- Mas, mesmo que não poste diariamente, eu prefiro demorar e postar algo bom do que postar qualquer coisa apenas para cumprir "a rotina" 4- Na minha mente, BRAN VOLTA PRA CASA SIM ♥ (agora só falta a Arya)