North Wind

6 Capítulo 6- Family


Notas iniciais
Eu não tinha planos de postar esse capítulo tão cedo, mas PQP que episódio foi esse!? Longa vida ao rei do Norte (agora a gente espera a parte em que ele casa com a Sansa, para serem rei e rainha do Norte ♥)

Jon e Sansa não sabiam ao certo há quanto tempo estavam sentados juntos ali, apenas não tinham vontade de sair. Ainda não haviam trocado uma palavra sequer desde que Jon afirmara que não tinha interesse no trono de ferro.

Sansa olhava para o lago a sua frente, lembrava-se de seu pai sentado ali limpando sua espada. Mas, agora não conseguia pensar na saudade que sentia, só pensava no fato de Jon ser seu primo. Era algo tão surreal, algo tão improvável que ainda parecia que não era real. Ela olhou, então, para Jon. Ele mantinha os olhos fixos no horizonte enquanto ela o analisava, Jon não tinha os olhos de Ned Stark assim como não tinha os olhos dos Targaryen, devia tê-los puxado de Lyanna.

Jon, agora mais do que nunca, não sabia de nada. Primeiro passara a vida toda acreditando que era apenas o bastardo de Ned Stark, aturando o modo como Catelyn o tratava, sendo chamado de bastardo por onde quer que passasse e agora descobria que sequer era filho de Ned, mas de sua irmã. Tudo lhe parecia deveras estranho, nunca prestara atenção nas histórias que lhe contavam sobre Lyanna Stark, as vezes até esquecia dela. E aquela mulher, que sempre fora apenas mais uma Stark na cripta, era sua mãe.

Ao sentir a mão de Sansa em seu rosto, Jon foi acordado de seus devaneios. A rainha do Norte fez com virasse seu rosto para ela, e ficou analisando-o por alguns segundos:

—Será que seus olhos são uma mistura dos Targaryen com os Stark?

Jon deu uma breve risada para Sansa:

—Não sei, nunca vi os olhos de um Targaryen.

—Eu li uma vez sobre eles. _Disse Sansa. _Diziam que seus cabelos eram brancos e seus olhos violetas.

Jon sorriu para Sansa e começou a mexer em seu cabelo:

—É, mas eu não tenho olhos violetas e nem cabelos brancos.

—Pense assim, quando estiver velho, podemos dizer que é um legítimo Targaryen. _Disse Sansa

—E os olhos, Sansa?

—Ora, você vai estar velho, podemos dizer que a cegueira o atingiu.

—Pelos deuses, Sansa. _Riu Jon

Sansa sorriu para Jon, queria lhe perguntar como se sentia sabendo que não eram mais meio-irmãos, mas sim primos. No entanto, seus pensamentos foram cortados pelos passos que ouviam se aproximando. Ambos se levantaram e viram a jovem lady Lyanna:

—Estão procurando vocês. _Disse Lyanna encarando-os de cima abaixo. _Além disso, parabéns, Jon Snow. Se é assim que devo chama-lo.

—Perdão, milady. Como? _Perguntou Jon olhando para a garota

—Eu ouvi lord Reed conversando com você e lady Sansa.

Jon sentiu tudo em si simplesmente congelar por dentro, sua verdadeira origem não era algo que tinha muita vontade de sair espalhando por aí:

—Bem, lady Lyanna. _Começou Sansa pegando a mão de Jon e começando a caminhar. _Nós precisamos ir até lord Reed.

Sansa puxava Jon rapidamente para fora do bosque sagrado, mas um chamado de lady Lyanna fez com que ambos se virassem:

—Formam um belo casal.

Sansa olhou pra Jon com os olhos arregalados, assim como o mesmo. Saíram depressa da presença de Lyanna sem dizer uma palavra.

Caminhavam depressa por Winterfell até verem lord Reed junto de alguns soldados em meio ao pátio. Sansa, naquele momento, pensou que o certo seria não chama-lo do nada, então puxou Jon para dentro do castelo.

Jon se deixava levar por Sansa, sentia os dedos dela apertando de leve seu braço, ela tremia. Não demorou muito para que entrassem no quarto dela e Sansa fechasse a porta atrás de si, encostando as costas na porta de madeira e escorregando até o chão:

—Está bem? _Perguntou Jon sentando-se no chão, de frente para Sansa

—Jon, me diga o que sente. O que sentiu quando lord Reed lhe falou sobre sua família?

Jon havia sido pego de surpresa por aquela pergunta. Não sabia ao certo o que havia sentido, mas Sansa o olhava de uma maneira tão suplicante que daria o seu melhor para respondê-la:

—Primeiro eu senti como se tudo ao meu redor desaparecesse, minha cabeça girava e por alguns segundos eu perdi o ar, como se tivesse levado uma pancada na barriga. Depois eu pensei em como isso era uma loucura, eu, filho de Lyanna Stark e Rhaegar Targaryen? Impossível! _Jon riu sem humor. _Embora isso explicasse muita coisa sobre o fato de nosso... De lord Stark não falar sobre minha mãe. As vezes eu até esquecia da existência de Lyanna, Sansa. Mal conhecia a história que Robert Baratheon espalhou pelos sete reinos. E agora ela é minha mãe, depois de 20 anos eu tenho uma mãe.

Sansa jogou-se nos braços de Jon, não haviam lágrimas em seus olhos. Ela apenas tinha a necessidade de abraça-lo:

—Jon, sei que sempre considerou os Stark sua família, mas agora, mais do que nunca, seja minha família.

Jon sentia cada parte de seu corpo se arrepiar com Sansa falando tão próxima ao seu pescoço:

—Seja a família de Arya, a família de Bran. Aceite o nome Stark.

Segurando Sansa pelos ombros, Jon afastou-a e olhou em seus olhos:

—Sansa... _Sua voz saíra como um suspiro, baixo e lento

—Eu quero que tenha o nome Stark. _Sansa segurou-lhe as mãos. _Quero que sejamos uma família!

Jon olhou para as mãos de Sansa segurando as suas. Havia se acostumado com aquele hábito que ela tinha em segurar suas mãos, acariciou as costas da mão dela com seus polegares:

—Eu já sou sua família, Sansa. Não preciso do nome "Stark" para afirmar isso. Mesmo se eu não tivesse um nome sobre o qual pudesse me chamar, eu ainda seria sua família.

Sansa sorriu e inclinou-se um pouco para a frente, beijando-lhe o rosto. Jon deleitou-se com a sensação dos lábios quentes de Sansa sobre seu rosto:

—Seus pais teriam orgulho de você, Jon. É o homem que meu pai ensinou a ser. _Sansa levantou-se e passou a mão pelos cabelos de Jon antes de abrir a porta para sair. _Eu me orgulho de você, Jon. Mas, agora eu tenho que ir... "Rainha do Norte".

Quando Sansa saiu, Jon ficou parado no chão por alguns minutos. Refletindo nas palavras que Sansa havia lhe dito, pensava também na estranha sensação de frio na barriga que sentia quando ela o tocava. Divagava pela remota possibilidade de estar sentindo algo além de seu sentimento fraternal. Jon riu de seus próprios pensamentos, era óbvio que isso era apenas loucura de sua cabeça. Sentia por Sansa o mesmo que sentia por Arya... Ou talvez seu sentimento por Sansa fosse mais profundo?

Jon levantou-se e saiu do quarto de Sansa. Precisava fazer algo que o fizesse parar de pensar, estava confuso, era isso. Haviam sido informações demais para sua cabeça e acabara confundindo as coisas com Sansa.

O ex-lorde comandante andava pela muralha que cercava Winterfell. Diante de seus olhos apenas se estendia uma imensidão branca, ao longe ainda era capaz de ver alguns indícios da batalha que ocorrera. Sabia que muitas batalhas ainda estavam por vir. O Norte tinha muitos inimigos e seria seu trabalho ajudar Sansa a protegê-lo. Um pesado suspiro escapou dos lábios de Jon, havia pensado novamente em Sansa.

Jon, então, olhou para trás e viu Sansa em uma janela. Ela havia prendido os longos cabelos ruivos enquanto analisava seriamente alguns pergaminhos provavelmente deixado pelos Bolton, já que vez que outra ela franzia o nariz em desprezo e os jogava na lareira. Então, Jon, por um segundo apenas, acreditou em um futuro onde haveria paz em Winterfell. Onde Arya e Bran voltariam para casa, onde seriam novamente uma família.

Sansa não sabia se Jon a olhava do alto da muralha, mas havia o visto ali e não se atrevia a tirar os olhos daquele pergaminho. Alguma coisa dentro de si dizia para olha-lo, implorava para que ela voltasse a ser a menina que sonhava com um príncipe que a pediria em casamento. Mas, ela não havia erguido os olhos, se o olhasse tinha certeza que perderia seu foco, já que Jon Snow (ou Stark? Ou Targaryen? Sansa não sabia ao certo) tinha a incrível capacidade de fazê-la esquecer do mundo real, quase como se os olhos dele a convidassem para um mundo novo. Um mundo sem mais batalhas, um lugar onde simplesmente poderiam esquecer de todos os problemas e serem uma família.

E nas mentes, tanta de Jon quanto de Sansa passou-se a imagem dos últimos Stark's vivos juntos uma vez mais. Em Winterfell. Em casa.

Jon olhou para baixo e viu sor Davos andando em sua direção, talvez algo a ver com Melisandre. Sabia do carinho que Davos tinha por Shireen e o ódio que agora nutria pela mulher vermelha:

—Lord Snow. _Cumprimentou o cavaleiro das cebolas parando ao seu lado. _Melisandre se foi. Seguiu em direção ao Sul esta manhã.

—Ótimo. _Respondeu Jon. _Se ela decidir voltar, será executada como uma assassina. Sinto muito pela princesa Shireen.

—Eu amava aquela menina como se fosse minha filha, todo o carinho que o pai não lhe dava, eu procurava dar.

Depois disso mais nada foi dito. Jon apenas assistia a neve cair, pensava em tudo que havia lhe acontecido em um período tão curto de tempo. Depois de 20 anos lhe tinham revelado a verdade sobre sua mãe, sobre sua família. "Filho de Rhaegar Targaryen", era estranho pensar nisso, afinal, não sentia nada em si que o fizesse saber que tinha o sangue do dragão.

"Lyanna Stark", ouvira pouquíssimas vezes Ned Stark falando sobre ela, dizia apenas que Arya tinha muito da tia. Jon acreditava que ela seria uma mãe horrível se fosse realmente como sua "irmãzinha". Riu pensando em Arya como mãe, seria completamente atrapalhada, capaz até de deixar a criança cair de cabeça do chão.

Jon deu uma breve risada sem humor, agora sabia o nome da mulher que passara noites pedindo aos deuses para que lhe mostrassem, quando mais novo. Tinha uma mãe, seu nome era Lyanna Stark. E ela amou profundamente Rhaegar Targaryen, seu pai, a ponto de fugir com ele. Ela morrera por sua causa, assim como seu pai. Ela lhe dera um nome, ela o amara, mesmo que não tenham tido tanto tempo juntos.

Jon soube, então, que não era mais o "bastardo de Ned Stark". Era filho da jovem loba Stark e do príncipe dragão Targaryen. Ele era Jon Snow.

***

Sansa já não olhava mais para a janela, para Jon. Precisava se concentrar nos pergaminhos que analisava, o inverno havia chegado e precisa tomar conta de Winterfell.

Fantasma estava num estra e sai de seu escritório que Sansa acreditava que ele dividia sua atenção entre ela e seu dono.

Ouviu batidas em sua porta e viu Tormund ali:

—Tormund! _Exclamou Sansa largando o pergaminho que tinha em mãos. _Em que posso ajudá-lo?

—Apenas queria saber se tem algo acontecendo com Jon Snow. _Disse o selvagem sentando-se. _Ele veio falar comigo esta manhã e parecia estranho.

Sansa parou para pensar um por alguns instantes naquela manhã, Jon ainda não havia falado com Howland Reed, portanto, a causa disso não era o fato da não ser um bastardo de seu pai. Como que repentinamente, Sansa lembrara que dormiram juntos. Teria aquilo incomodado Jon?

Tormund estalou dos dedos diante dos olhos de Sansa, tirando-a de seus pensamentos:

—Sabe de algo?

—Ah, não. Eu não o vi essa manhã. _Respondeu Sansa. _Se me der licença, vou ver como ele está.

A rainha do Norte levantou-se e começou a andar rápido em direção ao ex-bastardo. Se havia o incomodado tanto ter Sansa dormindo ao seu lado, por que a convidara para entrar? Por que não havia a deixado ir quando teve chance?

Quando subiu a muralha, Sansa sentiu o vento frio lhe acariciando o rosto e viu Jon olhando para o nada:

—Jon!

Jon virou-se para Sansa e lá estava o motivo de sua total distração, os lábios entreaberto, as bochechas coradas e o olhar determinado o prendiam:

—Se o incomodou tanto dormir comigo, por que me deixou entrar? _Perguntou Sansa aproximando-se de Jon

—O que?

—Tormund me contou. Ele disse que foi falar com ele essa manhã e estava estranho. Você ainda não havia falado com lord Reed! Então seu problema é comigo!

Jon tentava entender o que raios Sansa queria lhe dizer:

—Espera, você acha que eu tive algum problema em dormir com você? _Perguntou Jon rindo. _Sansa, eu não tive problema algum com isso, muito pelo contrário, fazia tempo que não dormia tão bem.

—Então, por que Tormund disse que estava estranho? O que você tem Jon?

Sansa toucou-lhe o rosto, deixando a mão sobre sua bochecha. Jon já havia percebido que ela desenvolvera uma intimidade muito rápido com ele, Sansa já não tinha mais receios em mostrar-lhe qualquer ato de carinho repentino:

—Sei que talvez seja complicado de entender, mas acho que estou enlouquecendo, Sansa. _Falou Jon colocando sua mão sobre a de Sansa. _Quando você saiu do meu quarto essa manhã, parecia que seu cheiro tinha se impregnado em tudo, não conseguia ficar lá sem querer correr até você e pedir para que voltasse. Parece que você tomou conta de toda minha mente. Independente do que eu faça, você aparece nos meus pensamentos.

Jon falava tudo olhando nos olhos de Sansa, sabia que se não o fizesse perderia toda sua coragem:

—Muita coisa está acontecendo comigo e eu não sei como suportar rudo isso. Eu morri, voltei, reencontrei você, voltamos para Winterfell e descubro que toda minha vida foi uma mentira!

—Você não precisa passar por isso sozinho. _Disse Sansa segurando o rosto de Jon, agora com ambas as mãos e ficando na ponta dos pés para beijar-lhe a testa. _Eu estou com você, deste dia até o último.

Jon passou os braços ao redor da cintura de Sansa e ergueu-a em um abraço. Talvez se apaixonar por Sansa Stark não fosse uma má ideia.

Notas finais
Gente! Eu morri com o último capítulo, como disse nas notas iniciais. Fiquei me achando A vidente quando o Jon mandou a Melisandre embora e a Sansa rejeitou o Petyr. Beijinhos e até o próximo! PS: A cena do Jon beijando a testa da Sansa me fez gritar ♥