North Wind
20 Capítulo 20- Queen's heart
Notas iniciais
Sansa havia levado alguns minutos para se recompor, mesmo assim ainda sentia as pernas bambas enquanto seguia para o Bosque Sagrado. Algo pesava no coração da rainha do Norte, por mais que confiasse em Jon e sua capacidade de vencer os vagantes brancos, temia por ele.
Fantasma caminhava ao lado da Stark, o lobo de Jon havia se apegado a Sansa como ela à ele. Gostava de ser mimado por Sansa, ela era um pouco mais carinhosa que Jon. As vezes que os temores da rainha do atingiam, afinal, ambos amavam Jon. Sim, Sansa o amava e talvez fosse isso que pesasse em seu coração, a culpa de não ter dito que o amava antes de partir.
O focinho gelado de Fantasma foi esfregado na mão de Sansa, que lhe sorriu e afagou as orelhas pontudas. A Stark sentia que os olhos vermelhos do lobo conseguiam ver além de tudo que havia nela, talvez ele soubesse que Sansa via sua Lady nele.
Ao chegar ao Bosque Sagrado, Sansa sentou-se aos pés da árvore-coração. Via a neve cair vagarosamente com os olhos fixos no horizonte. Os flocos de neve desciam devagar para juntarem-se aos seus irmão já no chão, o que informava Sansa de que não haveriam tempestades aquela noite. O que de certa forma trazia um alívio para o coração da rainha do Norte, afinal muito fora destruído na Vila de Inverno por causa da chuva.
Os olhos de Sansa foram em direção a imensidão branca que parecia interminável. Pensava em Jon, imaginando se ele também pensava nela. Um pequeno sorriso brotou nos lábios de Sansa, parecia a mesma menina de anos atrás.
Mesmo sabendo que deveria receber o povo livre em breve, Sansa continuou sentada olhando a neve. Era certo que os receberia com carinho, assim como fizera com os outros que chegaram em Winterfell, mas sua vontade era de ficar mais algum tempo ali sentada, sendo apenas Sansa Stark e não a rainha do Norte.
Fantasma pousou a cabeça sobre as pernas de Sansa, os olhos escarlates a encaravam, como se esperassem alguma ação, palavra ao até mesmo lágrimas da parte dela. Com um pequeno sorriso Sansa fez um carinho em suas orelhas vendo-o parar de encará-la:
—Vamos ter que aguentar isso juntos, garoto. _Disse Sansa. _Vamos ser fortes juntos, muitas pessoas dependem de mim e eu vou precisar de você.
O lobo branco sentou-se e encostou seu focinho na bochecha de Sansa.
Sansa teria aproveitado mais seu momento de reflexão, se não fosse por um dos guardas que chegara para avisar da chegada do povo livre.
Com um suspiro, Sansa levantou-se e andou calmamente até os portões que terminavam de serem abaixados. Sorriu para Bran que estava sentado no pátio vendo-a receber seus convidados. Isso era algo que precisaria fazer mais, passar um tempo com seu irmão.
A medida que as pessoas começaram a atravessar os portões e viam Sansa, arregalavam os olhos. Como se a Stark fosse algum tipo de aparição miraculosa.
A rainha do Norte se esticava, ficando na ponta dos pés para que assim pudesse procurar as filhas de Tormund. Contudo, sequer sabia como eram as meninas. Com um pesado suspiro Sansa concluiu que tudo seria mais fácil se Jon estivesse ali, ela não conhecia o povo livre como ele.
Sansa foi despertada de seus pensamentos pelo barulho dos portões começando a se fechar. Vários olhos estavam voltados em sua direção, o que a fez sorrir amorosa para todos:
—Primeiramente gostaria de dar-lhes boas vindas à Winterfell e também pedir desculpas pelo nervosismo em minha voz. _Riu Sansa sem humor. _Sei que foram informados do porquê de terem sido trazidos para cá e eu digo que não exitem motivos para terem medo. Eu, Sansa Stark, me propus a zelar pela vida de cada um aqui com a mesma dedicação que tenho para com o Norte.
Um enorme silêncio instalou-se no pátio, o que fez o coração de Sansa acelerar, sentia suas mãos começarem a suar frio. Até que uma criança aproximou-se, puxando a barra de seu vestido para que os olhos azuis da rainha fossem direcionados para seu rostinho infantil:
—Por que você está com o lobo do Jon?
Sansa sorriu e abaixou-se um pouco para ficar da altura da garota a sua frente:
—Bem, Jon está longe daqui. Ele partiu para proteger o Norte, mas antes de partir ele deixou Fantasma comigo. Pois assim, mesmo ele estando longe, uma parte dele permanece em Winterfell.
—Meu pai foi com ele? Ele disse que seguiria Jon em qualquer batalha.
Os olhos de Sansa analisaram a menina e, se não fosse pelos cabelos ruivos, jamais seria capaz de dizer que havia alguma semelhança com Tormund:
—Seu pai é Tormund, não é? _A menina assentiu. _Querida, ele foi com Jon. E antes de partir pediu que eu cuidasse de você e de sua irmã. Não faça essa carinha de filhote abandonado, precisa ter fé de que ele vá voltar.
—Como pode ter tanta certeza?
Sansa levantou os olhos e viu outra garota indo em sua direção, um pouco mais velha do que a que falava há pouco. Provavelmente a outra filha de Tormund:
—Como pode saber se eles vão voltar?
A voz da garota parecia tremer quando falava, de certa forma fazia com que a rainha do Norte se lembrasse dela mesma alguns anos atrás. A insegurança na voz e o medo de perder aqueles que amava. Ah, sim, Sansa Stark se via muito naquela menina:
—Eu não sei. _Disse Sansa se erguendo para pôr as mãos nos ombros da garota. _Eu apenas tenho fé de que eles vão voltar. Pois, quando lutamos por aqueles que amamos, nos tornamos mais fortes. Nos tornamos... Invencíveis.
A pose de durona que a menina mostrara havia sido deixada de lado, seus olhos haviam inundado de lágrimas e jogara-se nos braços de Sansa, que passava a mão por seus cabelos dizendo que tudo ficaria bem. Mesmo que ela mesma duvidasse um pouco de suas palavras.
Quando as lágrimas finalmente cessaram, Sansa havia guiado as pessoas por Winterfell, lhes mostrando onde seriam seus aposentos pelo tempo que permaneceriam lá. As meninas de Tormund, Harma e Sybelle, haviam sido deixadas próximas ao quarto de Bran, para que assim o jovem lobo tivesse companhia quando sua irmã estivesse ocupada.
Já em seu escritório, a rainha do Norte divagava olhando para o pergaminho em branco à sua frente. Deveria escrever uma carta para Edd, lhe informando que o povo livre havia chegado em segurança à Winterfell, mas também queria escrever para Jon. Não que tivesse muito para lhe contar, afinal estavam há apenas algumas horas separados.
A carta que escrevera para Edd havia sido breve, apenas dizia que todos haviam chegado bem. Já a de Jon parecia que não haviam palavras suficientes, mas tentou reduzi-la da melhor forma possível.
Querido Jon,
Sei que o tempo que estamos afastados ainda é pouco, mas é impossível que eu não sinta sua falta, afinal você acabou por se tornar algo insubstituível em minha vida.
O povo livre chegou a Winterfell, mas creio que Edd já deva ter comentado isso com você. Acredite, se as filhas de Tormund não tivessem me falado que eram elas, jamais adivinharia. A mais nova é uma graça e a mais velha... Ah, Jon, você devia ter visto o jeito como ela falava. Fez com que eu lembrasse de mim mesma há alguns anos.
Não que eu esteja me esquecendo, Fantasma está bem, é um grande companheiro. Desde que você atravessou o portão, ele se manteve ao meu lado. Diversas vezes eu consigo ver como vocês são parecidos, com certeza têm um vínculo muito maior que lobo e humano.
Após ter mencionado a sua partida, senti que deveria lhe contar como chorei quando os portões se fecharam. Não que você já não soubesse disso, mas é tão difícil vê-lo partir, Jon.
Durante o período da sua partida até a chegada do povo livre, um silêncio terrível se instalou entre os muros do castelo. E eu me senti fraca por nem ao menos conseguir ir ver Bran e ele precisa tanto de mim. Contudo, agora tem vozes de crianças pelo pátio, tem vozes das pessoas da Vila de Inverno com suas cantorias. Isso faz com que eu me lembre do porquê você partiu e de certa forma isso faz com que eu me sinta mais forte. Essa não é a primeira vez que lutamos por nossa casa e não será a última.
Apenas espero que não esqueça da promessa que me fez, Jon Snow. Caso tenha esquecido tenho prazer em lembrá-lo: o colar em seu pescoço, um presente dado à mim por meu pai no dia que nasci, será trazido novamente para mim. E não irei aceitá-lo de outras mãos que não as suas.
Esperarei ansiosamente pelo dia em que tudo isso irá acabar e você voltará para casa. No entanto, enquanto este dia não chega, apenas posso ter fé que você voltará para mim.
Eu não pretendia lhe dizer isso em uma carta, mas devido às circunstâncias não sei quando voltará e não posso guardar isso apenas para mim. Eu amo você, Jon Snow.
Com amor,
Sua rainha, Sansa Stark de Winterfell
Sansa sorriu após terminar a carta de Jon. Apenas conseguia imaginar a cara de bobo de Jon ao lê-la.
No coração da rainha instalou-se uma enorme paz e a certeza de que o exercito que partiu para a Muralha voltaria, que todos voltariam. E ela estaria lá para recebê-los.
Havia passado muito tempo pensando que não haviam heróis, que na vida apenas os monstros ganhavam. Mas, o Norte mudaria isso do dia em que a coroa foi posta em sua cabeça até seu último. Afinal, ela era Sansa Stark, rainha do Norte e nunca mais, enquanto vivesse, deixaria seus inimigos lhe tirar sua casa.
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