North Wind
13 Capítulo 13- May I be your shield
Notas iniciais
Dois dias haviam se passado desde que Jon começara a se preparar para a guerra contra o exercito dos mortos. O Snow passava horas planejando estratégias de batalha, estudando toda estrutura da Muralha e ensinando os homens do Vale, que juraram lealdade à Sansa, a como sobreviver em uma luta em meio da neve e do gelo. E claro que isso reduzira seu tempo com Sansa, visto que mal se falavam durante o dia e quando chegava a noite e Jon ia deitar-se, Sansa já dormia. O ex-bastardo temia que isso magoasse Sansa, contudo a rainha do Norte não se sentia magoada, seu orgulho por Jon sobressaia qualquer outro sentimento que poderia ter.
Sansa analisava cartas vindas da Vila de Inverno, a alegria de saber que teriam provisões mais do que suficientes para o Inverno era enorme. Haviam também as respostas de seus vassalos, a casa Reed e a casa Mormont já haviam deixado claro que a apoiariam, assim como a casa Cerwyn. E a jovem Stark temia que isso não fosse suficiente, por mais que amasse Robb, ele deixara muitos vassalos insatisfeitos para trás.
Sansa ouvia os homens do Vale Arryn dizendo como seria fácil sobreviver ao frio. "Será que eles sabem que o frio é pior além da Muralha?", questionou-se Sansa. Sacudiu a cabeça, desligando-se deles e percebendo que não ouvia a voz de Jon, provavelmente ele estava no salão olhando para aquele mapa pela centésima vez. A verdade era que a rainha do Norte sentia falta de Jon Snow durante esses dois dias, mas compreendia sua ausência. Lembrou-se de como Jon parecia com seu pai, Ned Stark, quando se tratava de Winterfell. Talvez fosse algo herdado de Lyanna ou ensinado por Ned.
Jon continuava a encarar o mapa sobre a mesa, não estivera tanto tempo na Muralha como Jeor Mormont, mas passava horas ouvindo Samwell Tarly falar sobre toda estrutura da Muralha e sobre as táticas que os inimigos poderiam ter para ataca-la. Mas, Jon sabia que por mais que tentasse jamais seria capaz de prever os movimentos do rei da Noite e seu exercito.
Soltando um longo e pesado suspiro, Jon fechou os olhos por alguns segundo e foi capaz de visualizar o que aconteceria caso falhasse. Winterfell seria destruída, o povo do Norte seria dizimado e, então, o rei da Noite partiria para o Sul. Jon já sabia que não poderia fracassar e essas imagens apenas reforçaram sua certeza. "Há algum tempo a morte já não é uma opção para mim, Jon Snow.", a voz de Sansa ecoou em sua mente, fazendo-o lembrar para que lutava e por quem lutava. Lutava por Bran, por Arya, por Winterfell, por Sansa e o futuro que queria ter junto dela. Jon Snow viveria e, assim como para Sansa, a morte já não era mais uma opção.
Jon ouviu um pigarro e ao levantar os olhos vislumbrou Brienne de Tarth:
—Lady... Rainha... Sansa, _Começou Brienne não sabendo ao certo que título usar. _contou-me sobre o que se aproxima.
—Sansa está muito preocupada, ainda mais agora com uma coroa sobre sua cabeça.
—Só quero que saiba, Jon Snow, que ela confia em você e eu não vejo motivos para não fazer o mesmo. _Brienne tocou a espada em sua cintura e prosseguiu sem olhar para Jon. _Essa espada foi feita a partir da de Eddard Stark e eu prometi proteger Sansa Stark com ela. E se proteger Sansa quer dizer que devo proteger o Norte também, conte comigo, Jon Snow.
—Agradeço muito, lady Brienne. Sua ajuda é mais do que bem vinda. _Jon vacilou por alguns momentos e então perguntou. _Como Sansa está? Mal a vi nesses últimos dias.
_Ela está bem, talvez um pouco cansada, visto que com a chegada do inverno o povo da Vila de Inverno surge do nada. Mas, mesmo assim, ela vem sendo uma boa rainha.
Jon deu um breve sorriso e Brienne saiu da sala, deixando sozinho com seu mapa mais uma vez. O Snow olhava para o mapa e sabia que não havia muito para olhar agora, apenas queria ver Sansa uma vez mais.
Saindo do salão, Jon seguiu, sem muita pressa, para o escritório de Sansa. Pensava que em breve teria que partir em direção à Muralha e, consequentemente, deixaria Winterfell. Temia que viessem a atacá-los enquanto estivesse fora, contudo um pouco de seu temor era afastado por saber que os invasores teriam de passar pela casa Reed, um dos vassalos mais fiéis da casa Stark.
O som do vento lá fora tirou Jon de seus pensamentos. O vento era forte e batia nas janelas com força, como se quisessem entrar a qualquer custo. Então a chuva começou a cair, era forte e provavelmente traria granizos consigo, Jon apenas pediu aos deuses que nada acontecesse com a Vila de Inverno.
Jon bateu na porta do escritório de Sansa, mas não recebeu nenhuma resposta, então decidiu entrar e ao fazê-lo foi incapaz de reprimir seu sorriso. Sansa estava dormindo sobre a mesa, com pergaminhos espalhados por todos os cantos e com os cabelos ruivos caindo em seu rosto. Caminhando até ela, Jon agachou-se de frente para a rainha do Norte, tirando os cabelos de seu rosto e afagando sua bochecha logo em seguida. Pegou-a em seus braços e ela se mexeu desconfortável, Jon temeu tê-la acordado, mas Sansa havia apenas se ajeitado em seus braços.
Enquanto caminhava com Sansa em seus braços, Jon lembrou-se de quando ela lhe contara da única lembrança que tinham dos dois quando crianças.
***
—Nós estávamos brincando de cavaleiros. Você e Arya eram os cavaleiros, Robb era o feiticeiro mau que me sequestrava e eu, obviamente, era a princesa que deveria ser resgatada. Eu devia ter seis ou sete anos, mas você e Robb eu lembro terem dez. Você e Arya derrotavam Robb e me salvavam... Você me pegou no colo enquanto Arya o seguia com uma espada de madeira maior que ela. [...]
***
Jon sorriu ao lembrar-se de quando havia pego Sansa em seus braços e alegado que ela ainda era uma princesa, recebendo em resposta um "não, Jon Snow. Eu sou uma rainha.". Cada vez que Jon olhava para Sansa ele só conseguia pensar em tudo que ela havia passado e vontade de acabar com aquela guerra de uma vez apenas falava mais alto.
Jon abriu a porta do quarto de Sansa com cuidado e certa dificuldade, fazendo o possível para não acorda-la. Contudo seus esforços haviam sido em vão, já que quando a colocara na cama, Sansa abrira seus olhos azuis e o encarava:
—Há quanto tempo, lord Snow. _Riu Sansa ainda sonolenta
—Eu tinha a ambição de olha-la dormir por mais algum tempo. _Disse Jon sorrindo e passando a mão pelo rosto de Sansa
Sansa sorriu e colocou sua mão sobre a de Jon em seu rosto:
—Desculpe estragar seus desejos.
Jon apenas sorriu em resposta, sentindo o choque dos olhos azuis sobre os seus. O ex-bastardo sentou-se na beirada da cama, ainda segurava a mão de Sansa:
—Quanto tempo? _Questionou Sansa com uma voz levemente chorosa
—Para?
—Para você ter de partir em direção a Muralha.
—Talvez daqui a duas semanas.
Sansa sentou-se na cama e passou os braços ao redor da cintura de Jon, abraçando-o forte:
—Tem certeza que não quer esperar mais algum tempo? Pelo menos até alguma outra casa nos responder.
Jon riu sem humor e apoiou sua bochecha no topo da cabeça de Sansa, enquanto afagava seus cabelos:
—Nos já passamos por essa situação antes, não é? Devemos lutar com os homens que temos, Sansa. Que aparentemente são mais do que da ultima vez. _Jon parou de afagar os cabelos de Sansa e passou os braços ao redor de seus ombros, apertando-a contra si. _Eu vou protegê-la, Sansa. Você, Bran e Winterfell. Apenas deixe-me ser seu escudo.
—Oh, Jon, o que você não é para mim? _Questionou Sansa dando uma breve risada. _É minha mão, meu escudo, meu amante, minha família, meu rei, você é praticamente tudo que tenho.
—Você também é praticamente tudo que tenho, minha rainha.
Sansa olhou para Jon, segurando seu rosto e o beijando logo em seguida. Abraçara o pescoço de Jon, enroscando seus dedos nos cabelos escuros que tanto amava enquanto sentia as mãos do mesmo descendo de seus ombros para sua cintura. A Stark havia descoberto que não importava quantos beijos trocassem, sempre sentiria o coração de Jon bater rápido e descompassado, assim como o seu. Haviam se apaixonado de maneira inesperada e de repente, não haviam tido muito tempo para entender o que se passava, mas não reclamavam. Sabiam que as melhores coisas apareciam sem qualquer aviso prévio.
Jon apertava a cintura de Sansa, puxando-a cada vez mais para si. Reprimia, à muito custo, todo seu desejo por deitar Sansa naquela cama a amá-la até esquecer que havia uma guerra, que havia um mundo ao redor deles. Não queria assusta-la, sabia das experiências dela e a esperaria. Sansa havia parado de beijá-lo para encostar a cabeça em seu ombro, escondendo o rosto na curva de seu pescoço:
—Eu não quero falar dessa guerra como se você não fosse voltar dela. _Murmurou Sansa dando um leve beijo no pescoço de Jon. _Eu sei que vai voltar, você sempre cumpre sua palavra. Apenas queria estar ao seu lado lá.
—Tem que ficar em Winterfell, você sabe. Bran precisa de você, o Norte precisa de você. Não existe apenas eu em sua vida. Muitas vidas dependem de nós.
—Eu sei. _Disse Sansa passando os braços ao redor do pescoço de Jon. _Assim como sei que vai guia-los para a vitória. Eu acredito em você, Jon.
_Além do mais, quando eu retornar, quero um reencontro como o nosso na Muralha. _Disse Jon sorrindo ao lembrar daquela cena
—Parece que andamos criando boas memórias para guardar. _Sorriu Sansa enquanto fechava os olhos, rendendo-se novamente ao sono
—Estamos, minha querida rainha. E se os deuses nos permitirem, teremos grandes histórias para contar.
Jon enrolava uma mecha do cabelo de Sansa em seu dedo quando percebeu que ela dormira em seus braços. O ex-lorde comandante simplesmente amava quando a rainha do Norte adormecia em seus braços, era seu momento de paz. Sabia que voltaria para ela, independente de seus caminhos, já que "as vezes estradas diferentes levam ao mesmo castelo".
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