North War – Interativa
1 Prologo
Notas iniciais
Brandon se erguera depois de terminar de realizar suas preces no bosque sagrado. Ele encarou o sorriso da arvore coração e se perguntou internamente porque os deuses tinham sido tão cruéis daquela forma com sua família. Mas a dor que havia em seu peito não era nada comparada ao ódio que sentia em seu coração por aqueles que tinham sido os causadores de todo o infortúnio que acometera sobre Winterfell na noite anterior.
Era para ser um festival em comemoração pelo Dia do Nome de sua filha mais velha. Várias outras casas nortenhas tinham vindo até eles como comemorar e o principal de tudo muitos lordes e herdeiros haviam oferecido acordos de casamento com a moça. O Rei do Inverno esperava que sua filha optasse pelo melhor candidato a desposa-la e lhe informar até o fim daquela noite. Até que o pior aconteceu.
Os Boltons sempre foram rivais da casa regente por desejarem eles próprios a serem os soberanos do Norte. Homens esfolados e Lobos possuíam praticamente metade do reino cada um enquanto o resto dos reinados detinha um único rei. Por anos fora que as guerras foram realizadas sendo que sempre eram bastante sangrentas e tomavam a vida de vários homens para os antigos deuses.
Durante sua juventude fora que Brandon ainda como um príncipe lutou por Winterfell em umas das mais longas batalhas que poderia haver e o sangue escorria pela neve que cobria os campos. Fora chamado de Nevasca Rubra pelos cavaleiros que sobreviveram a ela. Porque chegou a um ponto que não havia um amontoado branco e gélido que não tinha sido tingido de vermelho dos oponentes caídos.
Aquela guerra fora cara para os Starks em especial para o atual Rei do Inverno. Seu irmão mais velho perdera a vida para os Boltons e seu corpo foi exposto esfolado em frente ao Forte Pavor. Seu pai havia se ferido lutando na Batalha da Mata do Lobo e passara o restante de sua vida em uma cama sendo medicado com leite de papoula para suportar as dores.
Daquela forma fora a obrigação de Brandon fazer cumprir a justiça e colocar os Boltons sobre seu comando. Ele matara o Rei Vermelho que estava causando os problemas e quem assumira foi seu irmão mais novo que lhe oferecera um tratado de paz que foi assinado em Vila Acidentada. O tratado dizia que enquanto vivessem ambas as casas viveriam em paz.
O acordo durou por cerca de vinte anos. Até a fatídica morte do Rei Robett Bolton e quem assumiu foi o sobrinho deste sendo que este por sua vez se mostrou ser alguém realmente traiçoeiro e não respeitou o trato de paz que havia sido feito anteriormente.
Era esperada uma atitude como está afinal o acordo não iria durar para sempre. Aquele era filho do homem a quem Brandon decapitara por ter matado o seu irmão. Não duvidava que o rapaz e seus irmãos tivessem criado um complô para se vingarem da casa rival, sendo que mesmo podia supor que a morte do tio deles poderia ter sido de forma não natural.
Na noite passada, eles deveriam ter suspeitado de algo. Os Boltons e seus aliados haviam comparecido aos festejos e em meio a toda a bebida e música foi que se aproveitaram da situação em que os oponentes se encontravam indefesos para atacar.
Em meio aquela confusão homens leais aos Stark caíram tanto quanto os traidores. Sangue escorreu pelo chão do grande salão assim como o som de gritos ecoou pelas paredes e o cheiro de morte tomou conta do ar. Certamente o plano se consistia em tomar Winterfell o que infelizmente não conseguiram como os homens perceberam que não tinham chance e recuaram.
O preço fora alto porque além dos homens bons que caíram naquela emboscada foi também que a filha de Rei Brandon desaparecera. Certamente tinha sido levada refém pelos homens do traidor.
Rei Royce Bolton acabou por ser capturado em meio a sua confusão e agora aguardava nas celas de Winterfell por seu julgamento. Ele seguiu até o pátio principal onde o púlpito de execução já se encontrava posicionado em seu centro. Os homens presentes estavam reunidos ao lado dos homens de armas que serviam a sua Casa. Eles abriram caminho enquanto ele passava carregando sua espada em mãos.
O céu estava nublado com flocos de neve caindo em uma dança aérea enquanto se misturavam com a fumaça e fuligem que vinham de uma das torres que tinham sido incendiadas durante o ataque. Então as portas se abriram assim que o Rei se posicionara ao lado da pedra e dois de seus guardas trouxeram o prisioneiro.
Rei Royce era jovem certamente não mais do que trinta. Tinha olhos azuis frios como o próprio inverno, rosto liso de pele pálida e longos cabelos negros que naquele momento desciam desnorteados por sua face. Ele caminhava mancando devido ao ferimento recente em sua perna o que fez com que seus passos parecessem durar uma eternidade mesmo com os homens lhe fazendo avançar.
Royce era franzino de um aspecto meio doente. Naquele momento quem não o conhecesse pensaria que era um pobre coitado que havia cometido um erro qualquer e merecia cumprir sua pena na Muralha. Mas não seria isso que Brandon faria.
Ele não iria cometer o erro de mandar o traidor para a Muralha não quando provavelmente a guarnição que o guiava seria emboscada por homens leais a Forte Pavor. Rei Bolton só deixaria Winterfell depois que a vida lhe fosse ceifada.
As respirações de homens, mulheres e cavalos misturavam-se em nuvens de vapor no ar frio da manhã quando o Rei do Inverno ordenou que cortassem as cordas que prendiam o homem e o arrastassem até junto dele. Um vento calmamente soprava através das grades do portão de Wintefell e espalhava a neve e balançava os estandartes.
O vento frio agitava o estandarte dos Stark de Winterfell: um lobo gigante cinzento correndo por um campo branco de gelo. E a fera ali bordada parecia sorrir para o que estava para acontecer.
O Rei Vermelho foi colocado de joelhos e encarou pela primeira vez os olhos do povo que lhe encarava. Sua reação não poderia ser mais provocadora do que sorrir para aqueles que ali estavam sendo que em seus lábios cinzentos havia uma feição de insanidade enquanto em seus olhos havia o brilho da arrogância.
Brandon fechou o cenho ao encarar o seu condenado. O atual homem que detinha o titulo de Rei do Inverno era um homem alto e forte com o rosto de feições brutas, a barba bem aparada estava salpicada de branco por conta dos flocos de neve e o mesmo valia para seus longos cabelos negros que eram cortados na altura dos ombros largos.
Ele possuía uma grande cicatriz que lhe cortava uma das laterais do rosto como uma lembrança da guerra que tinha lutado há duas décadas. E suas pesadas olheiras e marcas de expressão ao redor dos olhos eram o que o fazia parecer mais velho do que os seus quarenta e sete anos.
Seus os olhos cinzentos não tiravam o foco do homem ajoelhado mesmo quando este voltara o olhar para si. Então o cinzento e o azul se encontraram um no outro havendo certo desafio na expressão do Bolton.
Por fim o Rei do Inverno deu sua ordem e os mesmos dois guardas que arrastaram o homem capturado o fizeram encostar a cabeça contra a pedra cinzenta e fria. Os dois homens de armas empurraram a cabeça do outro com força contra a rocha que um corte se abriu em fenda sobre o olho direito.
— Devia falar para seus homens serem menos brutos – disse Royce com certa soberba na voz – Vossa graça... – E deu um curto riso quando o viu se aproximar – É engraçado como você cortou a cabeça do meu pai e agora irá fazer o mesmo comigo. Realmente parece ser meu destino se cumprindo.
— E está feliz com isso? – falou Brandon seriamente – Nossas casas conviviam em paz por duas décadas e por uma imprudência estupida sua em afrontar a mim em sua traição foi que condenou a si mesmo e aos seus homens. Suas razões para ter feito o que fez. Vamos, me diga.
— Vocês Starks sempre querem ser os únicos reis só que não podem parar o poder da Casa Bolton. Para cada Rei do Inverno sempre haverá um Rei Vermelho – falou Royce – Eu serei o último dos membros de minha casa que se ajoelharam em frente de alguém da sua maldita linhagem. Nós cansamos de servir aos lobos de Winterfell a muito tempo e nós deveríamos ser os Reis de todo o Norte.
— Minha filha – falou Brandon tentando mais uma vez – Diga-me onde está minha filha e eu lhe pouparei a vida. – E aquilo fez o maldito rir mais uma vez – Vamos, fale para onde a levaram e o que pretendem fazer com ela.
— Você tão tolo quanto está agindo? – falou Royce — Acha que eu se não soubesse não teria já recebido noticias sobre ela? Meus homens não a levaram e se por acaso fizeram então você a terá de volta sem a pele e em um estante de madeira. Há tempos não esfolamos Starks e estamos sentindo falta disso. – E Brandon com raiva chutara o outro no estomago o fazendo cair para trás enquanto se dobrava em dois pela dor, porém ainda ria dessa vez mais alto.
— Que os Outros devorem sua alma – falou Brandon – Coloque-o em posição novamente. – E os dois guardas assim fizeram acatando as ordens do regente. O escudeiro do Rei do Inverno então lhe apresentou a espada.
— Agora se foi outra casa entre os nossos aliados talvez ela tenha tido uma morte mais rápida. – continuou Royce — A verdade é que se ela está em nossa posse então não se encontra mais com vida. — Brandon descalçou as luvas e as entregou a um dos guardas então pegando a espada em mãos.
— Eu, Brandon da Casa Stark de Winterfell, o decimo do seu nome, Rei do Inverno condeno-o à morte — e ergueu a espada bem no alto sobre a cabeça – Como fui seu juiz também serei seu executor e em seu direito lhe dou a permissão para que profira suas ultimas palavras.
— Eu, Royce da Casa Bolton de Forte Pavor, terceiro de meu nome. – falou o condenado em um tom de voz em deboche – Rei Vermelho e o verdadeiro Rei do Norte. É a vez de os homens esfolados mostrarem o quanto nossas laminas são afiadas. Meu sangue é apenas o inicio da guerra que está por vir, Velho Lobo. – ele riu — Não irá viver para ver a chegada do inverno...
O Rei então desceu a espada assim cortando a cabeça do homem com um único golpe dado com precisão e força. O sangue borrifou a neve sendo tão vermelho como vinho e pelo corte que tinha sido infligido no pescoço escorreu uma quantidade densa de liquido rubro. Era como uma cascata sanguínea que escorria pela pedra e umedecia a neve.
Alguns gritos de espanto das mulheres eram escutados assim como a comemoração de alguns homens. Um dos cavalos relinchou assustado e teve de ser segurado para que não fugisse.
Brandon não conseguia tirar os olhos da cabeça do traidor que rolara até os seus pés deixando uma trilha rubra que vazava do ferimento e começou a criar uma poça quando parou.
Em sua espada o sangue escorria e descia até o cabo sendo que a lamina ia ficando cada vez mais vermelha enquanto ele observava. A cabeça decepada então foi tirada dos pés do Rei Stark por seu escudeiro que a pegou pelos longos cabelos negros e a exibiu para o povo como uma espécie de troféu.
Todos aplaudiram então como se aquilo tudo fosse uma espécie de evento festivo.
— O que devemos fazer com o maldito Rei Vermelho agora, vossa graça? – perguntou o escudeiro ao seu soberano.
— Coloque a cabeça dele em uma estaca e pendure nos muros – disse Brandon – E quanto ao resto podem descartar para os corvos ou lado da corja que caiu noite passada. E que os Outros devorem suas almas... – o escudeiro assentiu.
O rapaz entregou a cabeça de Royce para um dos guardas de Winterfell em quando outro par destes removia o corpo do Rei Vermelho de próximo de onde havia ocorrido a execução e o arrastava na direção da carroça com os cadáveres inimigos.
Brandon então retornara ao Bosque Sagrado, se ajoelhara para limpar sua espada nas águas do pequeno lago sagrado. Enquanto fazia isso seus pensamentos vagaram para longe. Ele pensara em sua princesa e em seus outros filhos ao saber na guerra que teriam enfrentar dali para frente. Pediu internamente aos deuses para que guardassem a sua garota aonde quer que ela esteja.
Ele não sabia quanto tempo ficara ali, podendo ter levado algumas horas era difícil dizer quando não havia sol no céu. A neve caia cada vez mais anunciando que logo viria o inverno e com ele todos os seus terrores. “O inverno esta chegando” dizia seu lema, mas isso não queria dizer que se tratava de algo bom. Fome e doenças viriam além de outras coisas mais. Que os deuses tivessem piedade de seu povo.
— Meu lobo, desculpe-me interromper – falou a voz de sua esposa se aproximando e ele desviou o olhar da sua espada – Eu gostaria de falar-lhe se não estiver sendo importuna.
— Não se preocupe com tal interrupção, minha ursa. – respondeu Brandon para sua esposa Lyra Mormont – Meu coração sempre estará aberto para ouvir sua voz e o que ela tem a me dizer. Não a vi durante a execução nem nossos filhos.
— Estávamos na sacada observando-o – falou Lyra – O pior está por vir agora depois da execução do Rei Vermelho. A paz encontrou seu fim essa noite e temo pela vida de nossos filhos.
— A paz terminou com a morte de Robett Bolton – falou Brandon – Era esperado por mim que ele vivesse mais alguns anos. Tinha esperanças de firmar ainda mais a paz com o casamento entre nossas famílias.
— Iria entregar um de nossos garotos para uma maldita Bolton? – disse Lyra surpresa — Deuses tenham piedade de esse pensamento ter passado pela sua cabeça. Ele seria esfolado nas núpcias. Mesmo as mulheres daquela família são perfeitas selvagens.
— Não se pode matar um parente – disse Brandon – Os deuses amaldiçoariam. E tenho certeza de que nossos filhos pelo bem do Norte e para manter a paz fariam tal sacrifício.
— Não tenho certeza se todos aceitariam – respondeu Lyra – Os garotos tem seus próprios pensamentos que diferem dentre si. Mas não era sobre esse assunto que tinha vindo a tratar contigo, meu lobo.
— Pois então me fale – declarou Brandon.
— Não foram os homens do Rei Vermelho que levaram nossa filha – falou Lyra então estendendo algo a mão de seu marido que o pegou. Ele ao abrir sua palma encontrou uma presa de lobo. – Sabe o que isso significa não é?
O Rei do Inverno moveu o pequeno artefato em sua mão, podendo ver que havia na presa algo esculpido de modo rustico. Eram entalhes de uma linha ziguezagueante que representava uma cadeia de picos montanhosos.
— É o símbolo dele – falou Brandon – Do homem que se diz o novo Rei-Para-Lá-da-Muralha. Lorde Comandante Arryn me escreveu a respeito disso me avisando sobre tal homem. – o Stark encarou sua esposa — Ele se chama Wolfgang de Presa de Gelo. Ele possui como símbolo as cadeias montanhosas de onde vem. Trata-se uma espécie de estandarte feito os que usamos.
Brandon gostaria naquele momento que os Outros viessem lhe devorar por ter condenado sua família e seu povo a uma guerra. Um inimigo silencioso tinha sequestrado sua filha de alguma forma durante o banquete no salão principal, que fora acobertado ataque do Rei Vermelho.
Ele culpara o homem errado pelo desaparecimento da garota. Mas de todas as formas agiu corretamente ao executar Royce Bolton afinal isso não o tornava menos inocente de sua traição ao atacar um anfitrião sobre o próprio teto. Sendo que agora teria de lidar com dois inimigos ao mesmo tempo. Seria a maior guerra que seus homens iriam enfrentar em suas vidas.
— Devemos escrever para Fortenoite o quanto antes – disse Lyra – O pior de tudo é que teremos de nos preocupar com a retaliação que sofreremos dos nossos inimigos. Tão qual a noticia da morte de Royce Bolton se espalhe como vento logo um novo Rei Vermelho se erguera desejando vingança.
— Reúna nossos filhos e o nosso pequeno conselho – falou Brandon embainhando sua espada – Preciso ter uma conversa com todos a respeito do que está por vir. É necessário que nós analisemos cada um de nossos passos daqui para frente.
— O inverno está chegando, meu lobo – falou Lyra.
— Na verdade, minha ursa, o inverno já chegou ao menos para nós de Winterfell – respondeu Brandon – você não consegue sentir? – e os dois se caminharam para fora do bosque sagrado.
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