North War – Interativa
10 Capitulo 9
Notas iniciais

Acampamento dos Ryswell e Dustin
A espada chocou-se com o escudo dando chance para um golpe da espada contra as pernas do oponente que caiu no chão por conta do peso da armadura. Com destreza foi que acertou o escudo contra o rosto do segundo que se aproximava e o metal ressoou contra metal estridentemente.
Então as espadas se cruzaram algumas vezes num ritmo frenético até que o outro tivesse sido desarmado e mais uma vez o elmo tocou feito sino dessa vez com a espada o atingindo. Para finalizar um chute no peitoral do oponente lhe derrubando no chão.
Barret então desviou da investida do terceiro escapando de dois golpes que lhe acertariam e se protegendo de um terceiro com o escudo. Pode sentir o chute em sua perna e retribuiu batendo seu escudo contra o elmo do oponente fazendo com que sua cabeça ficasse desprotegida conforme o golpe tinha arremessado para longe a proteção.
Então foi que sentiu seu escudo sendo arrancado de si para longe com uma força que pode sentir um incomodo no braço. Foi rápido então como ele teve de se proteger com a espada de mais uma investida e assim se protegendo conforme os golpes se seguiam.
Isso se seguiu até que Barret teve uma brecha e dera uma cotovelada no rosto desprotegido do oponente que pareceu atordoado o suficiente para ser atingido no rosto cabo da espada.
O herdeiro de Regatos então fora atingido na cabeça por um golpe que o fez ficar zonzo e furioso então removendo o elmo e acertando contra o rosto do quarto oponente que tinha se aproximado e novamente o metal se chocou contra o outro quando Barret removera o elmo do outro com o golpe.
Seguido por um golpe de espada que foi defendido seguido por outro que também falhou sendo que o terceiro conseguira desarmar o oponente e o quarto lhe jogara no chão.
Com a respiração profunda foi que os olhos dele vaguearam pelo circulo que o rodeava como se estivesse esperando por mais algum deles que ousasse desafia-lo. Nenhum parecia estar disposto a isso só que mesmo assim foi que seu grito soou.
— Alguém? – disse Barret ainda segurando sua espada com as duas mãos – Vamos, quem tem coragem pode vir me enfrentar. – Ele pode ver seus outros oponentes derrotados se levantando e o que estava de joelhos depois do golpe duplo no rosto ainda o encarava – Parece que eu venci. – Ele se encaminhou até o derrotado e lhe estendeu a mão – Você lutou bem, rapaz foi o que chegou mais próximo de me desarmar. Tenha mais sorte da próxima vez.
— Obrigado, milorde. – falou o rapaz enquanto aceitava a mão estendida do nobre – É uma honra receber tais palavras do senhor. – Mas Barret pareceu não dar tanta importância para as palavras que recebia já que estava olhando para a espada que tinha devolvido para a bainha.
— Pegue meu escudo – disse Barret ao outro e esse acatando sua ordem foi até o objeto que ostentava o brasão Ryswell estampado, uma cabeça de cavalo negra com olhos e crina vermelhos. O soldado então viera a devolvê-lo para o outro que o aceitou então o encarando parecendo analisar o rosto deste – Como se chama? Parece-me familiar.
— Thomas, milorde. – disse o soldado – Eu trabalhei na forja de Regatos.
— Um ferreiro – observou Barret – Bem que observei que manejava a espada como se estivesse empunhando um martelo. – então lhe olhou novamente parecendo um pouco desconfiado enquanto recebia seu elmo das mãos do rapaz — O que lhe fez resolver tornar-se um soldado?
— Na verdade, sou aprendiz de ferreiro, milorde. O senhor seu pai convocara todos aqueles que estivessem dispostos a lutar – disse Thomas enquanto limpava o filete de sangue que escorria do corte do canto de sua boca – E eu estou assim como também posso ser útil remendando escudos e forjando novas espadas.
— Procure alguém para cuidar desse seu rosto. – disse Barret para Thomas ao perceber o hematoma que começava a se formar na região onde ele tinha batido com o cabo da espada — Está horrível...
— Sim, milorde. – disse Thomas fazendo uma reverencia e se afastando.
Aquela altura a o espaço onde antes estavam rodeados se mostrava quase que vazio, o restante dos soldados provavelmente retornara para o acampamento que tinham montado do outro lado daquele bosque. Após os Ryswells terem encontrado com os Dustins foi que a grande comitiva continuou seu caminho por mais algum tempo até que os cavaleiros e seus animais estivessem cansados demais para prosseguirem. Assim sendo, haviam armado acampamento próximo do Grande Acidentado. Eles passariam um dia ali até que prosseguissem de volta pela estrada rumo ao Forte Pavor.
Ele pode ver Thomas afastando-se pela trilha que levava ao acampamento sendo que estava novamente sozinho. Enquanto Barret tornou puxar a espada e começou a treinar golpes sem qualquer oponente apenas prosseguindo com os gestos de ataque e defesa que tinha aprendido com o mestre-de-armas em Regatos.
Porém, ainda estava com a sensação de que havia alguém lhe observando. E quando ouviu barulhos de folhas secas sendo pisadas foi que dirigiu seu olhar em direção das árvores atrás dele.
— Apareça – disse Barret com a voz firme – Quem quer que seja. – Além de sua espada foi que o rapaz também puxara seu punhal se mantendo alerta — Apareça agora.
A silhueta de alguém então surgiu de trás de uma das árvores. Essa pessoa o observava das sombras a uma distancia que não soube reconhecer quem poderia ser, porém começou a se aproximar e ele conseguiu identifica-la como se tratando de uma mulher.
Ele pode então escutar os sons do que pareciam palmas e a figura que lhe observava se aproximou o suficiente para que pudesse identifica-la e ele tornou a embainhar sua espada e punhal. Ao ver que a pessoa tinha acabado por se revelar uma bela moça de cabelos loiros em um vestido branco intocável. E Barret pode reconhecê-la.
— Celinn – disse Barret cumprimentando a Dustin.
— Barret – respondeu Celinn com um sorriso enquanto o cumprimentava – Poderia acompanha-lo de volta ao acampamento? É que estamos um pouco longe e temo que eu possa acabar perdendo-me.
Barret então encarou um pouco a moça a sua frente, em silêncio pensava como ela parecia não demonstrar qualquer espécie de medo mesmo que quisesse transparecer o contrário com seu olhar e feições.
Além do mais se questionava sobre o que a tinha atraído até ali onde estavam se ficara tão temerosa de se afastar de onde eles tinham estabelecido acampamento, porém resolveu não questiona-la sobre isso apenas aceitou que aquilo fosse verdade por mais que tivesse suas duvidas. Barret então lhe estendeu o braço que ela aceitou e os dois começaram a caminhar de volta pela trilha.
Ele não sabia se isso era alguma espécie de flerte porque se fosse não iria funcionar já que considerava Celinn Dustin muito velha para si sendo que ainda se perguntava as razões de ela não ter arranjado um marido.
Qualquer outra mulher na idade de Celinn já teria arrumado um casamento e tido seus filhos, sendo que estava ficando velha demais para atrair olhares dos homens afinal logo mais teria seus trinta anos. Aquilo fazia com que Barret pensasse que talvez os boatos fossem verdade a respeito dela e era por conta disso que havia a falta de pretendentes.
Quando Richard Bolton fora enviado para a Muralha acusado de violentar uma moça da nobreza foram vários os nomes que surgiram de quem poderia ser tal desconhecida que não tinha tido sua identidade revelada.
Alguns diziam ser uma das garotas Starks enquanto outros apostavam nas Mormonts, tinha até mesmo aqueles que falavam que havia sido Jenyver Karstark afinal ela já tinha sofrido um atentado do escudeiro do falecido Rodwell Karstark no passado. Como se não fosse ocorrer uma guerra caso alguma dessas infelizes tivesse sido violada ainda mais a aleijada de Karhold.
Porém havia aqueles que tinham sugerido que se tratava de alguma moça de uma casa aliada e dos nomes mais prováveis o que mais as pessoas acreditavam que podia ser possível era Celinn Dustin. Afinal Richard fora visto conversando com a moça durante a festa da colheita que ocorrera poucos meses antes do rapaz ser enviado para a Muralha pelo Rei Robett Bolton.
E o pior de tudo era que seu irmão Gregori tinha sido acusado de cumplice por ser o escudeiro de Richard, mesmo em meio a lágrimas foi que o mais novo dos Ryswells foi sentenciado a cumprir a mesma pena que o cavaleiro a quem servia.
Barret não sentia um pingo de pena do irmão por considera-lo tolo o bastante envolver-se com alguém da laia Bolton, é fato que teve que conviver nos próximos dias com o clima pesado que inundou Regatos como sua mãe e irmã pareciam tristes com o acontecido. Ele não demonstrou indiferença afinal se fosse por ele já teria enviado Gregori antes para Castelo Negro ao menos assim se livrava da vergonha que era ter um retardado como irmão.
Ele nunca soube quem era a garota que tinha causado a ida de Gregori e Richard para a Muralha. Só tinha a certeza de que certamente não era Celinn Dustin, ela lhe transmitia algo que lhe fazia pensar que ela era capaz de proteger-se a si mesma por mais que sua feição delicada dissesse o contrário.
— Eu estava lhe observando e aos outros homens enquanto vocês usavam suas espadas... – disse Celinn — Devo confessar que não sou a maior fã de violência de qualquer tipo, porém foi... Foi uma bela demonstração de treino se é que podemos chamar assim.
— Há muito tempo percebi que treino um-a-um é algo um tanto entediante – disse Barret – Tenho treinado com uma espada desde meus seis anos e quando tinha oito já manejava uma espada de verdade e não uma de madeira de treino. Depois de um tempo você tem que buscar novos desafios. Ainda mais quando se está indo para uma guerra...
— Está com medo? – disse Celinn parecendo curiosa.
— Não, apenas ansioso – falou Barret – É minha primeira guerra de várias outras que virão. E eu quero fazer um nome para mim como um grande guerreiro e o principal de tudo, eu quero cumprir uma promessa que fiz a mim mesmo a muito tempo atrás. – Ele segurou firmemente o cabo de sua espada – Uma promessa que eu irei cumprir nem que isso seja a última coisa que faça.
— Uma promessa ou vingança? – disse Celinn – Ou seriam as duas coisas a mesma?
— O que quer dizer? – questionou Barret.
— Soube que jurou de morte os Mormonts – disse Celinn – Algo sobre fazê-los pagar pelo que Lorde Olyvio fez no passado com Regatos. – ela encarou-o com os olhos brilhando — Acredite, não lhe culpo por isso afinal minha família também foi afetado pelos ursos.
— Seu irmão Daryl foi morto pelo Jovem Urso – respondeu Barret – Em uma briga em uma taverna. – E a garota loira assentiu parecendo estar chateada – Foi à última vez que nos vimos quando minha família foi prestar as condolências nos ritos funerários dele.
— Tudo porque ele viu Tyr Karstark e Elenya Hornwood aquela noite juntos – disse Celinn – É uma pena que meu irmão fosse um tolo apaixonado por aquela garota mesmo que ela não lhe corresponde-se até porque ele era um homem casado.
— O amor é um sentimento estupido – falou Barret – Faz com que não pensemos direito e que façamos tolices. – ele era frio em suas palavras — Seu irmão apenas deixou-se levar pelas emoções e isso lhe custou à vida.
— Ele e seus homens entraram em uma briga contra o grupo do Karstark e em meio a isso foi que meu querido irmão encontrou seu fim nas mãos do Mormont. – disse Celinn — Morreu defendendo a honra manchada de quem amava, um tolo eu diria afinal Elenya não foi obrigada a fazer o que não queria. A verdade é que ela nunca o tinha notado.
— Elenya agora foi marcada pelo resto de sua vida como uma perdida – falou Barret – Minha mãe diz que os Hornwood deveriam envia-la para ser uma Septa dessa forma se livrariam da vergonha que ela trouxe para o nome deles. Eu já acredito que ela deveria ser deixada em um puteiro afinal foi como uma puta que ela se comportou.
— Mas retornemos ao assunto inicial – falou Celinn – Você não me respondeu se pretende vingar-se. – Ao que o rapaz apenas a encarou com os profundos olhos azuis que possuía – Dizem que a vingança é melhor quando se servida fria.
— Então a minha será gélida como as terras de Além da Muralha porque eu espero por ela a minha vida toda – disse Barret – Algumas vezes, sinto-me como se só poderei permitir-me a viver depois de cumprir meus deveres e vingar minha família.
— Entendo – disse Celinn.
— Mas sua família também deve ter sentimentos de vingança por parte da perda que sofreram – disse Barret – No entanto, seu irmão não veio juntar-se a sua comitiva no lugar disso sua mãe estar representando Vila Acidentada. Pergunto-me o que teria feito com que Desmond não comparecesse.
— Meu irmão teve assuntos a tratar em casa – disse Celinn – Assuntos importantes que necessitam de sua presença. – Ela então ficara em silêncio não entrando em mais detalhes então tornando a encará-lo e continuou – Mas não se preocupe que creio que ele poderá vir se unir a nós em breve.
Barret ficara em silêncio enquanto pensava o quanto aquela situação era um tanto estranha afinal nem Desmond ou seu tio Stephen estavam a frente dos homens de Vila Acidentada que marchavam em direção ao Forte Pavor para apresentar armas. Algo nem um pouco usual, poderia ter feito mais perguntas e tentar conseguir uma resposta, mas a verdade era que ele não se importava muito em saber do que se tratava. Mas era uma situação um tanto intrigante.
— Falando em família, procurei por sua irmã no acampamento em não a encontrei – disse Celinn – Esperava que ela estivesse em sua companhia. – Eles já tinham chegado ao descampado em que as tendas tinham sido erguidas e o rapaz lhe encarou com seriedade – Falei algo que não devia.
— Não, apenas que eu acredito que deva ir procura-la – respondeu Barret seriamente logo pensando onde sua irmã poderia ter se metido – Tenho de encontra-la imediatamente. – Então encarou a moça – Desculpe-me por tal desfeita em não acompanha-la até sua tenda, mas eu tenho de trazer Noelle de volta antes que meu pai sinta sua falta.
— Compreendo, caso queira ajuda posso lhe ajudar. – disse Celinn.
— Eu agradeço, mas não. – falou Barret se retirando já tendo virado as costas para Celinn – Faço isso sozinho. – ao que a loira sorriu enquanto o via se distanciar dela por fim puxara do interior da manga um punhal com o cabo em formato de cabeça de cavalo.
Celinn sorrira enquanto picava a ponta do dedo no fio da lâmina e uma gota de sangue lhe escorreu do pequeno corte que se formou. Então foi que ela apressou-se em se esconder atrás de uma árvore onde ninguém podia lhe ver com o punhal.
Ele não sentira falta disso e eu saberei esconder muito bem para que mamãe não encontre. Pensou Celinn enquanto via seu reflexo na lâmina. Não gosto de ficar desarmada afinal nunca se sabe quando precisarei atacar alguém e eu estou um pouco ansiosa para usar meu brinquedo novo. Ela então escondeu o punhal na cinta-liga da coxa e deixou o vestido cair lhe ocultando o objeto. Então seguido novamente em direção onde estava sua tenda e a de sua mãe.
...
O pincel desceu contra a tela pintando a paisagem a qual os belos olhos claros tinham fitado com carinho a sua frente. A cadeia de montanhas que os rodeavam era uma beleza a parte que a encantara no momento em que tinha descido da carruagem em que viajava, porém tal visão não era compartilhada por suas damas de companhia que pareciam um tanto incomodadas em terem se afastado tanto da área em que as comitivas se encontravam acampadas.
A verdade é que ela queria aproveitar um pouco de paz, sem toda a tensão que sentia ao ver homens cruzando a sua frente trajando pesadas armaduras ou afiando suas espadas. Ela era uma dama, francamente não estava acostumada com passar tanto tempo na estrada daquela maneira ainda mais quando sabia que seu pai estava indo colocar-se a serviço da coroa para lutar uma guerra.
Às vezes perguntava-se porque Lorde Sandor não havia escutado a esposa e decidido manter-se neutro naquela guerra afinal a última tinha gerado grandes perdas quase irreversíveis para os Ryswells que tinham visto tudo ser consumido em cinzas.
Os deuses, porém tinham sido bons para ela e a trazido a aquele mundo quando sua família já se encontrava em uma situação mais estável e assim ela não teve que conviver com tantas necessidades. Eles ainda não possuíam o mesmo estilo de vida de antes, porém era o suficiente para que ela pudesse ter todos os seus desejos atendidos pelo pai.
Ela se encontrava sentada embaixo de uma das últimas árvores do bosque qe terminava em uma grande colina de onde podiam ver toda a cadeia montanhosa do Grande Acidentado. Era uma paisagem tão exuberante ainda mais com aquele céu rosado de fim de tarde quase como uma verdadeira pintura em tela pedindo para ser imortalizada.
— Noelle, quanto tempo nós ainda iremos continuar aqui? – perguntou Lolla, uma de suas damas de companhia – Sinto um pouco de medo em pensar que teremos de retornar ao anoitecer para o acampamento. E o senhor seu pai pode sentir a nossa falta...
— A última vez que vi Lorde Sandor ele estava ocupado conversando com Lady Wylla – disse Maire Locke, sua outra dama de companhia – Sinceramente? Eu posso até estar enganada, mas poderia dizer que a troca de olhares que existe entre eles e o modo como pareciam conversar, poderia arriscar em dizer que existe certa atração entre os dois. Se vocês conseguem compreender a que me refiro.
— Eu entendo e digo que você está sendo equivocada. – falou Noelle – Meu pai ama a minha mãe e nunca a trairia ainda mais com Lady Wylla. – ela então desviara seus olhos na direção da moça de cabelos claros — Pare de despejar seu veneno dessa forma, Maire. Isso não é agradável...
— Era apenas uma brincadeira, Noelle. – respondeu Maire – Não queria ofende-la até porque sei que quando lordes vão trair suas esposas preferem flores mais jovens em seu auge de florescimento não aquelas que já murcharam.
— Fala como se conhecesse bem do assunto – disse Lolla.
— Digamos que eu tive algumas experiências antes de me mudar para Regatos – falou Maire – Mas não me olhem como uma perdida fomos apenas alguns beijos e caricias mais intimas nada que tenha ferido a minha honra. É claro que meu pai nunca realmente soube de tais ações porque eu era discreta.
— Deuses, você nem ao menos cora em falar de tal assunto – falou Lolla – Eu só de ouvi-los sinto-me um pouco envergonhada. – ela ajeitou os cabelos — Deveria poupar-nos de tais assuntos, Maire.
Noelle sorriu afinal suas amigas não conseguiam concordar em muitas coisas, talvez fosse pela diferença de criação que tiveram. Lolla era de origem humilde, elas se conheciam durante toda a vida afinal eram irmãs de leite já que a mãe da garota tinha lhe amamentado quando o leite de Lady Barbrey Ryswell tinha secado. Ela era tímida e acanhada de uma maneira que por vezes Noelle se pegou fazendo longos monólogos por não ser interrompida pela garota.
Quando soube que a Princesa Larra tinha uma dama de companhia foi que a Ryswell decidiu que queria uma também e assim foi que tirou Lolla das funções de criada para ocupar essa posição. Apesar de ter estranhado um pouco logo a garota começou a sentir-se mais confortável em acompanhar Noelle e lhe servir no que precisasse.
Já Maire viera depois. Ela era filha de Sor Daeron Locke, o herdeiro de Castelo Velho e tinha vindo visitar Regatos em busca de oferecer a Noelle a oferta em lhe servir como dama de companhia. Porém, os papeis acabaram por se inverter quando ela preferia ficar naquele lugar ao invés de retornar para casa.
O motivo daquilo apenas Noelle e Lolla tinham conhecimento de que se tratava de uma pessoa: Barret Ryswell. Por alguma razão desconhecida, Maire acabara por se sentir atraída pelo rapaz que lhe fugia as investidas de maneira que por uma questão de honra que a Locke decidira ficar por perto na missão de conquista-lo.
— Devíamos ter ficado em casa, Noelle. – disse Lolla – Lá é mais seguro do que a estrada e esse lugar para onde estamos indo. Tenho escutado historias aterrorizantes dos soldados sobre a realeza vermelha.
— Então a inocente Lolla tem andado entre os soldados? – disse Maire parecendo se divertir – Algum deles que lhe atraia olhares ou com quem tenha mais liberdade. Não sabia que gostava de homens enlatados. – riu a loira divertida ao que a outra corou.
— Três desses soldados são meus irmãos – falou Lolla – E eles têm os amigos deles e nenhum deles me falta com respeito até porque eu não sou de dar liberdades. Diferente de outras que prefiro nem comentar.
— Por favor, vocês estão me desconcentrando – respondeu Noelle e as duas se calaram – Queria ficar mais tempo e aproveitar a bela paisagem que tenho aqui, porém amanhã pela manhã estaremos partindo novamente. Espero o quanto antes chegar a Forte Pavor porque passar a noite em uma tenda já é mais do que suficiente ainda mais quando eu sinto a necessidade de uma cama de verdade para dormir e de uma tina para um banho quente.
— Sem falar naquilo que me falou que lhe fez deixar Regatos – brincou Maire – A promessa que seu pai fizera em conseguir para você um noivo em uma aliança de casamento. É um momento propicio afinal as melhores alianças surgem em momentos de guerra... – ela riu divertida — Que o diga a minha mãe que conseguiu fisgar meu pai na última guerra.
— Minha mãe criou-me para isso, Maire. – disse Noelle – Desejo poder cumprir com meus deveres – E então sorriu enquanto limpava a ponta do pincel.
Ela vinha pensando nisso com certa frequência, esperava que o pai lhe conseguisse arranjar um bom pretendente mesmo que os Ryswells não fossem muito bem vistos desde que tinham perdido grande parte de suas riquezas e honra na última guerra Bolton e Stark.
Porém ainda tinha suas esperanças em conseguir um bom partido sendo que mesmo podia deixar-se iludir sonhando em desposar o filho de Ethan Bolton afinal ele estava disponível depois de romper com a Hornwood. Ainda havia Lyonel Hornwood sem nenhuma pretendente e o herdeiro Dustin havia enviuvado o que não se tornava nenhum empecilho afinal não se importava em ser uma segunda esposa desde que não fosse de um velhote gaga.
— Ai está você – disse uma voz e as três viraram-se para trás encontrando com Barret que vinha até ela ainda trajando a armadura completa – O que estava pensando ao se afastar do acampamento dessa maneira? Sem nenhum soldado lhe protegendo, tem ideia do risco que corre em fazer isso? Estamos em terras inimigas, Nolee. Estamos próximo do Rio Último e não muito longe se encontra a Última Lareira, lar dos Umbers.
— Você não precisa me dar um sermão tão grande assim, Barry. – respondeu Noelle – Eu não estou tão longe assim do acampamento e nós estamos no meio do nada. – ela tinha se levantado e aproximado do irmão enquanto suas damas de companhia recolhiam sua tela e o material de pintura — Duvido que estejamos correndo algum risco assim.
— Isso foi imprudente – falou Barret – Maldição, o que você tem nessa cabeça agindo dessa maneira? E se você tivesse sido sequestrada por algum infeliz ou ainda pior. Não faça isso de novo, tudo bem? Nunca mais.
— Está bem, eu prometo. – falou Noelle.
— É tão fofo você todo preocupado com sua irmãzinha, Barry. – falou Maire parecendo divertir-se com a situação que assistia ali diante dela – Mas está tão irritado, deveria relaxar mais... – ela então piscara para o rapaz — Eu posso te ajudar com isso caso você queira.
— Não me chame de Barry, Lady Locke. – respondeu Barret — Eu não lhe dei intimidade para isso. Alias, eu não desejo qualquer espécie de intimidade com você então pare de flertar comigo. – então voltou a encarar a irmã – Vamos, logo estará anoitecendo.
Eles então iam se afastando quando o rapaz parou e encarou um ponto no horizonte um pouco ao longe de onde se encontravam e forçou o olhar ao que Noelle se aproximou do irmão para ver o que tinha lhe chamado a atenção. E então ela viu num a cerca de poucas jardas de distancia na parte mais abaixo das colinas do Grande Acidentado vinha um grande amontoado de gente que se assemelhava a uma comitiva pela quantidade de cavaleiros e homens montados sem falar que eles portavam estandartes que aquela distancia era impossível de se identificar.
— São os Hornwood? – perguntou Noelle.
— Nem pensar, as terras deles ficam a cerca de dois dias de viagem até Forte Pavor – disse Barret – E eles não teriam tantos homens assim, olha para essa quantidade é quase tão numeroso quanto nossas forças e as dos Dustins reunidas. Não, eles não são nossos aliados ainda mais porque eles estão seguindo na direção oposta a nossa.
— Você quer dizer que eles são inimigos – disse Noelle parecendo entender o que o irmão se referia – Deuses, isso é terrível... – ela agarrou no braço do irmão – Barry, vem... Vamos retornar para o acampamento antes que eles nos notem.
— Não seja tola, Nolee – disse Barret – Você tem ideia da distancia que estamos? Eles não vão notar nem ao menos nos reconhecer. — Ele então pegou a irmã a puxando pelo braço — Agora vamos retornar ao acampamento. Tenho que relatar ao nosso pai o que acabamos de ver.
Fale com o autor