Notas iniciais
Novo capitulo para vocês, boa leitura a todos. Mais longo que os anteriores, mas acredite foi algo necessário quando estiverem chegando no final saberão a razão disso.

Última Lareira

Estava quase tudo pronto para partirem. No pátio principal da Última Lareira podia se ver os sons e ruídos que se espalhavam pelos ares. Criados carregavam as carroças, soldados gritavam conforme Benjen Snow lhes organizavam já de armas postas e preparadas. Enquanto cavaleiros tinham suas armaduras postas neles por escudeiros e selas em cavalos que eram tirados dos estábulos pelos jovens cavalariços.

Começara uma ventania típica de outono com o céu nublado e cinza típico das manhãs do Norte, sendo que apesar do horário matutino ainda assim toda a população do castelo estava integrada no tumulto da partida de Lorde Grey Jon Umber e sua família.

E lá se encontrava o Lorde da Última Lareira, duas cabeças mais alto do que a maioria dos homens não era difícil de notá-lo ainda mais quando se encontrava no meio daquela confusão dos preparativos. Até porque o filho tinha conseguido se igualar ao pai em altura então conseguia vê-lo sobre as cabeças dos outros homens.

Mesmo se não o visse conseguiria escutar sua voz, Lorde Umber gritava a altos pulmões e com toda a agressividade que poderia haver escondida dentro de si ordens para os melhores desses homens. Talvez fosse o fogo de guerra vindo queimar dentro dele novamente, Dacey Mormont costumava dizer que os olhos do marido se irradiavam quando em batalha e que fora isso a primeira coisa que tinha lhe atraído.

— Estive a sua procura, Young Jon— disse o pai a seu filho – Nós poderemos partir daqui à uma hora se todos os preparativos estiverem prontos.

— Eu sei – Young Jon respondeu. – Iremos seguir juntos até o cruzamento na estrada então eu seguirei em direção ao norte para a Muralha e o senhor meu pai irá para Winterfell apresentar armas ao Rei Brandon.

— Ainda não compreendo – falou Grey Jon – Em você ter se oferecido para tal missão sendo que sua presença seria necessária ao meu lado para ajudar-me a liderar as nossas tropas em campo de batalha.

— Em breve estaremos mais uma vez juntos – respondeu Young Jon para todo o ruído e confusão. — Partir é mais difícil do que eu pensava, meu pai. Mas é necessário, quando a Princesa Brie for resgatada pelos homens da Patrulha da Noite das mãos dos selvagens então será necessário que alguém a traga de volta em segurança para seu lar.

— Para mim também é difícil pensar que você já é um homem feito — disse Grey Jon. Ele pousara então a mão sobre o ombro do filho – A maneira como me enfrentou e expôs sua decisão que tomou em seguir para Castelo Negro porque queria estar lá quando a princesa fosse trazida de volta. Seu tom de voz me mostrou que talvez eu tenha conseguido o queria que era fazê-lo meu sucessor. – Aquilo incomodou o rapaz de cabelos ruivos como geralmente acontecia.

— Pai, as pessoas acham que você está cometendo um erro em me colocar como seu herdeiro – falou Young Jon – Gerion pode ter perecido na guerra, mas o filho dele está vivo e era quem o senhor deveria ter preparado para assumir a posição que lhe cabe em honra a memoria de meu irmão. As pessoas não aceitam bem que o senhor tenha me escolhido, pensam que eu como um segundo filho não deveria herdar a posição que é de Gabriel.

— Bobagem – falou Grey Jon – Eles lhe respeitam.

— Eles me chamam de usurpador pelas costas e alguns quando bebem demais tem a audácia de dizer isso na minha frente. Eu na maioria das vezes consigo evitar um confronto, mas às vezes não consigo me controlar e deixo os meus punhos falarem. – disse Young Jon – Pensam que eu tirei o direito de Gabe em ser Lorde Umber quando o senhor nos faltar. – O mais velho riu do que o rapaz tinha dito como se achasse engraçado.

— Eles que aprendam a se acostumar e que não tenham a ousadia em contestar minha palavra de seu lorde – disse Grey Jon – Você é meu filho mais amado – ele colocou as mãos no rosto barbeado de queixo forte do rapaz que era tão oposto a sua longa barba grisalha que lhe cobria a face – Tudo o que me sobrou de sua mãe está em você, por mais que ame a vida que construí ao lado de Dacey...

— Pai... – pediu Young Jon.

— Eu ainda sinto falta dela e você é a última lembrança que me resta do que um dia me foi precioso. Então que fodam-se os outros se pensam que você não merece ser meu herdeiro porque você é... – disse Grey Jon e o filho ficara em silêncio – E você é meu herdeiro, aceite isso de braços abertos ou será um peso que terá de carregar.

— Eu aceito meu pai – falou Young Jon encarando-o nos olhos – Só não acho que o mereça, mas o aceito e prometo fazer-lhe orgulhoso do que irei me tornar. – E o pai sorrira frente às palavras do filho.

— Tenho certeza disso, Young Jon. E não sinta que estar roubando algo, pois não está. – disse Grey Jon — Gabriel serve ao Rei Brandon como Capitão de sua Guarda Real e fez votos entre os quais de que não possua títulos ou quaisquer riquezas que o desvie de suas funções com a coroa. Ele não pode ser o meu herdeiro.

Sim, isso podia ser verdade só que as pessoas diziam que era uma armação de Grey Jon para livrar-se do verdadeiro herdeiro. Ser Capitão da Guarda Real era mais discreto do que mandar o neto para vestir o negro na Muralha. Mas Young Jon preferiu ficar calado e dar aquela conversa por encerrada para evitar alguma discussão desnecessária com o pai antes de partirem.

— Young Jon, que os deuses me perdoem pelo que vá dizer aqui. – disse Grey Jon – Mas, você vai até Castelo Negro em busca de trazer uma moça de volta para os pais. Porém, esteja pronto para o pior caso venha ser necessário... Que no lugar de uma garota tenha de apresentar um cadáver ao Rei. — Young Jon fez um aceno por não confiar na voz.

— Ela não está morta nem vai morrer — disse Young Jon seriamente.

— Eu sei, meu filho. – disse Grey Jon – Não desejo a morte dela. Mas ela é tão delicada e Além-da-Muralha é um lugar duro como o inferno de gelo. Mesmo que os deuses a protejam não sabemos a distancia que os poderes deles se manifestam.

— Eu sei. – disse Young Jon — Mas você tem que saber de uma coisa pai. Brie pode ser tão delicada quanto uma rosa de inverno, mas ela tem sangue dos lobos de Winterfell em suas veias. Ela é uma Stark e eles são difíceis de matar.

Ele esperava que estivesse certo, pelos deuses, às vezes pegava-se com pensamentos pessimistas, porém tentava retomar suas esperanças em encontrar com Brie mais uma vez. Seu pai tinha lhe informado que assim como os porta-bandeiras tinham sido avisados da guerra que se aproximava, o Rei Brandon tinha avisado ao Lorde Comandante Arryn sobre o sequestrado da princesa.

Tinham se passado alguns dias, sendo que aquela altura os patrulheiros já tinham partido rumo a Costa Gelada para enfrentar os selvagens e resgatar a Stark. Ao chegar a Castelo Negro, Young Jon e seus homens provavelmente já encontrariam Brie sã e salva, na melhor das hipóteses. Sendo que ainda havia os homens da Patrulha da Noite para se preocupar caso a princesa estivesse em companhia deles ainda mais quando entre eles se encontrava Richard Bolton.

— Se já terminamos, tenho assuntos a tratar... – respondeu Grey Jon. A voz saiu sem entoação e cansada, seu pai era um homem de ação feito para manejar uma espada e machado em campo de batalha. Ele se entediava muito rápido e cansava-se em cuidar de assuntos meticulosos como aquele, naqueles momentos que Lorde Umber provavelmente sentia falta do terceiro filho e isso fez com que Young Jon lembra-se do irmão.

— Evan foi avisado? – questionou Young Jon.

— Uh? Ah, Evan... Sim, eu o avisei. – respondeu Grey Jon – Lhe mandei um corvo relatando o que havia acontecido, ou melhor, a mãe dele fez isso. Se aquele garoto for esperto não virá ao Norte e permanecera nas Terras Fluviais ou então siga para algum outro torneio de arquearia. Arco e Flecha... Maldição, ele ainda ousou-me se tornar um arqueiro mesmo sabendo minha opinião a respeito deles.

— Ele não fez por mal, pai. – falou Young Jon – Evan tem um dom natural para o arco e flecha, se o senhor fosse um pouco mais aberto e o aceitasse mais, poderia... – o rapaz acabou sendo interrompido.

— Eu detesto arqueiros – disse Grey Jon – Esses covardes infelizes mataram Gerion, o corpo de seu irmão estava tão cheio de flechas quando o encontramos que jurei a mim mesmo que nunca mais pegaria em um arco na vida. Esperava que meus filhos seguissem com a minha promessa, por conta disso que não fiz questão que você fosse treinado em arquearia, mas Evan sempre foi diferente. Por vezes eu penso que... – ele fez uma pausa – Esqueça, por que não vai se despedir das pessoas que faltam? Logo estaremos partindo.

— Como quiser, pai. – disse Young Jon então se afastando e entrando no castelo.

...

Maryanne estava no quarto quando Young Jon entrou. Ele então viu ainda da porta e pode perceber que ela não estava sozinha, a ruiva estava ao lado do irmão caçula deles, Brandon Umber e treinavam com as espadas de madeira.

Eles pulavam de um lado para o outro enquanto o choque as espadas falsas aconteciam, a garota ria e provocava o irmão quando saltara se desviando de uma investida para então apontar com firmeza a espada de madeira contra o tórax do oponente. Ela riu enquanto tomava a espada de Brandon com a mão livre.

— Você não podia fazer isso – falou Brandon – Você tocou na espada com a mão se ela fosse de verdade você teria se cortado. – Ele estava rabugento por ter perdido, pensou Jon.

— Se fossem espadas de verdade, irmãozinho. – disse Maryanne – Mas são de madeira por sorte sua porque se fossem de verdade então você estaria morto. – A ruiva deu uma piscadela marota para o mais novo.

— Não fala para o Benjen que eu perdi – falou Brandon – Ele falou que eu estava melhorando e se souber que uma garota me derrotou então... – A ruiva revirou os olhos.

— Para com isso, pode ser? Não tem que se sentir envergonhado por perder de mim. – falou Maryanne – Alias, obrigada por trazer as espadas de madeira. Papai não gosta de me ver treinando com os outros.

— Isso porque você é mulher, papai diz que são poucos os lordes que se casariam com uma garota que haja feito homem. E não é bom para as aparências uma donzela se misturar com os soldados... – respondeu Brandon e então Maryanne o olhou séria – É ele que está dizendo, não eu.

— Eu sei, mas você falando isso incomoda. – disse Maryanne – É um absurdo que um homem casado com uma Mormont vir dizer algo desse aspecto. Quando papai conheceu a mamãe ela estava usando uma armadura não um vestido e usando uma espada não uma agulha para bordado. É muita hipocrisia isso.

— Eu não posso dizer nada – respondeu Brandon – Não sei o que significa hipocrisia. – o garoto deu de ombros enquanto recolhia a espada de madeira – Mais uma vez? Eu peguei leve com você agora a pouco porque não sabia que era boa. Mas agora sei que posso lutar a sério.

Young Jon conteve o riso. Seu irmãozinho estava quase no 11° dia de seu nome mesmo com a estatura elevada para um garoto na sua idade. Aparentava ser até dois anos a mais do que realmente tinha mesmo com o rosto de bebê que ainda tinha. Os mais próximos o chamavam de Bran Umber.

Ele tinha puxado os cabelos loiros da mãe assim como Marilyn, apenas cortados curtos indo contra os costumes dos homens da família como Lorde Umber tinha os cabelos longos e os irmãos os possuíam um comprimento mediano.

Mas Young Jon sabia que aquilo era influencia do primo do garoto, Tyr Karstark, sobrinho de Lady Dacey, que usava um corte semelhante. Brandon possuía os olhos do pai e sendo o único dos filhos que herdara. Grey Jon o nomeara em homenagem ao rei.

— Quer ser derrotado de novo por uma garota? – riu Maryanne colocando uma mexa de seu cabelo que tinha escapado do penteado para trás da orelha – Olha que se perder, eu mesma vou até o Ben e conto para ele que esta fazendo um péssimo trabalho te treinando.

— Bran... – falou Young Jon entrando finalmente no quarto e chamando a atenção dos irmãos mais novos — Eu pensaria duas vezes antes de pedir uma revanche contra a Mary. Ela pode está um pouco enferrujada, mas é uma grande espadachim.

— Eu enferrujada? – Riu Maryanne – Eu sou uma artista na luta com espadas, Jon. – ela deu uma piscadela para o irmão mais velho — Mesmo sem tempos em pegar em uma ainda assim mantenho minha habilidade nata.

E então foi que Mary pulou em cima de uma arca de pau-ferro polido que era maior que ela. E colocou sua espada sobre o ombro fazendo uma reverência como se fosse uma artista que tivesse acabado de se apresentar para um grande público.

— Não vou discordar disso – disse Young Jon sorrindo – Porém, acho que déssemos devolver as espadas de treino para a armaria do contrário podem sentir falta delas.

— Eu queria treinar com alguém – disse Brandon – Benjen está ocupado com o restante dos soldados e então eu vim procurar a Mary. – ele pareceu então mais animado — Eu sei que teremos parecidas em Winterfell e eu terei um oponente da minha idade. Benjen falou que o Príncipe Hoster estará lá e que eu poderei praticar com ele. Eu quero muito mesmo ser bom o suficiente para derrota-lo, já pensou? Ser melhor que um Príncipe Stark.

— Só não pegue pesado com o menino – falou Maryanne – Não queremos você e seu futuro cunhado tendo uma rivalidade, não é mesmo? – provocou a garota fazendo o outro ruborizar e o mais velho rir.

— Cunhado? – disse Young Jon – Essa é novidade.

— Não tem graça, Mary. – respondeu Brandon recolhendo as espadas e saindo pela porta.

— Ora, vamos Bran. – disse Maryanne enquanto o caçula se afastava pelo corredor – Sybill Stark é uma boa pretendente para você. – o garoto ignorou então Young Jon fechou a porta deixando os mais velhos sozinhos e ainda rindo.

— Não seja maldosa, Mary – falou Young Jon – Seja gentil com nosso irmãozinho.

Young Jon já havia se despedido de Brandon mais cedo quando ambos comeram tortinhas de limão nas escadarias que levavam a torre mais alta da Última Lareira. Apesar de querer se mostrar maduro, seu irmão ainda era uma criança.

Eles aproveitaram aquele momento juntos afinal ambos tinham um fraco para doces e mesmo que ele e Brandon não fossem próximos devido à diferença de uma mais de uma década do nascimento de um para o outro, ainda assim o amava muito. Pensava futuramente inclusive em fazê-lo seu escudeiro quando toda aquela guerra passasse.

Maryanne revirou os olhos para o comentário do irmão enquanto ajeitava a alça do vestido que usava. Era estranho ver a irmã usando algo tão formal, geralmente trajava roupas mais simples sendo que por vezes a vira usando as calças, uma camiseta de algodão e o gibão de Evan. Mas ali estava ela, aparentando usando um vestido digno de uma dama por mais que momentos atrás estivessem lutando com espadas de madeira.

— Eu não fiz nada demais – disse Maryanne – Mas não duvido de o papai querer fazer isso no futuro. A vontade dele era de ver uma das filhas como rainhas, porém o príncipe herdeiro tem sua noiva sulista e acabou com esse sonho. Já imaginou, Jon? Nossa irmã Marilyn sendo da realeza? Seriamos irmãos de uma rainha, o que seria digno porque nossa irmã merece um príncipe.

— Vindo de alguém que acabou com uma aliança de casamento com um príncipe de Rochedo Casterly isso é engraçado – falou Young Jon vendo então a ruiva cruzar os braços frente ao corpo.

— Papai podia ter oferecido Marilyn no meu lugar, mas estava guardando sua garota favorita para certo lobo herdeiro. Já que não pode isso, não duvido de papai tentar conseguir unir-nos com os Starks de outra maneira. – disse Maryanne — Bem feito para ele, nos oferecendo para homens como se fossemos presentes e nós nem podemos questionar. Mas ele aquietou-se por enquanto e não inventou de me arranjar noivos, apesar de que estou com um mau pressentimento a respeito. Espero que seja apenas bobagem.

— Eu sentirei sua falta, minha irmã – Falou Young Jon sorrindo – Você sempre me fez rir.

— O que é bom para alguém que sempre parece carregar o peso do mundo nas costas – disse Maryanne então pulando de cima da arca para os braços do irmão que o abraçou com força – Você merece ser feliz, Jon. Vá buscar a sua princesa, meu irmão e fuja com ela. – sussurrou no ouvido dele — Não precisa ninguém saber... – E ele gargalhou.

— Só você mesmo, irmãzinha. – respondeu Young Jon – Mas eu lhe deixei um presente mais cedo aqui. Pelos deuses diga-me que você encontrou do contrário teremos sérios problemas. – Ele então soltou a garota no chão e ela se afastou então abrindo a arca de pau-ferro e depois de retirar alguns vestidos foi que puxara uma espada curta embainhada.

— Você conseguiu de volta para mim – disse Maryanne – Papai a tinha me tomado quando descobriu sobre minhas escapadas noturnas. Pensei que nunca mais iria vê-la novamente, muito obrigada Jon.

— Papai não ficou nem um pouco feliz ao saber de seus passeios noturnos, teve sorte de conseguir convencê-lo a pegar leve com a punição caso contrário você teria sido enviada para servir as Irmãs Silenciosas. – disse Young Jon – Apesar de eu não compreender porque minha irmã se vestia de homem para andar por ai de noite.

— Por favor, eu apenas queria me divertir não vejo nada de errado com isso até porque sei me cuidar muito bem – respondeu Maryanne então desembainhando a espada que reluziu contra a luz do sol – Minha Daring (Ousadia).

— Eu vou fazer de conta que não te vi com essa espada – falou Marilyn entrando no quarto enquanto Maryanne escondia a espada atrás de si – Pensei que papai tivesse trancado essa coisa a chave. – ela fechou a porta atrás de si — Como conseguiu isso? Papai não te devolveria nunca, nem pensar. Quer saber? Não me diga, não quero saber de nada. – então seu olhar pousou em Jon e os dois encaram-se por um tempo antes de atirar os braços com força ao pescoço dele.

— Vai com calma, Lyn. – disse Young Jon.

— Temia que já tivesse partido – disse Marilyn com um nó na garganta – Papai disse que você se separaria de nós. – Ela ainda estava com o rosto mergulhado contra o ombro do irmão – Rumo a Muralha.

— E vou – falou Young Jon – Na verdade, mais ou menos ainda irei acompanha-los até a divisão da encruzilhada, mas sinceramente? – ele afastou-se da irmã então lhe mexendo nos cabelos -Despedidas montadas a cavalo não são nem um pouco agradáveis. Podem ser até agradáveis de ler em romances, mas não dá para abraça-las e senti-las contra mim.

— Você não precisa ir – disse Marilyn – Mas eu entendo que queira, acredite eu sinto que Brie estará mais segura mesmo com você a escoltando de volta para casa. Cuide bem dela quando a encontrar, pobrezinha, deve estar tão assustada depois de tudo que passou. – ela suspirou — Que os deuses a protejam.

— Por favor, Lyn... Pare com o drama não é como se a Brie fosse tão indefesa assim – disse Maryanne enquanto embainhou a espada de volta — Ela é forte e você deveria ter mais confiança nela. – Então a guardando dentro da arca – Podemos ir então?

— Mamãe tinha mandado chama-los mesmo – falou Marilyn – Já estamos partindo. – Ela separou-se do irmão e começou a ajeitar o vestido — Os criados já foram chamados para buscarem nossas bagagens. – Então olhou novamente para a irmã – O que você fez com o penteado que eu tive tanto trabalho para fazer?

— Não estou bonita assim? – brincou Maryanne.

...

Estrada

O primeiro entroncamento na estrada aproximou-se rapidamente, mal os Umbers tinham iniciado a cavalgada. Logo lá estava eles vendo Young Jon seguir com seu grupo de soldados em direção ao norte enquanto eles desceriam a estrada rumo ao oeste seguindo para Winterfell.

As gêmeas puderam ver o irmão acenando assim que o viram também retribuíram o gesto e ficaram encarando enquanto o viam atiçar o cavalo para seguir mais rápido. Em momento algum o ruivo olhara para trás.

Young Jon ainda teria de voltar para Winterfell e entregar Brie Stark em segurança sem falar que depois disso seguiria em uma guerra ao lado do pai. Marilyn esperava que seu irmão saísse vivo dessa guerra, não estava pronto para perdê-lo nem ao pai. E ai seu coração pesou um pouco para o próximo rosto que lhe veio em mente. Nem meu amado sol radiante, pensou a loira, que os deuses não lhe paguem sua luz.

Maryanne já sabia que com vida das batalhas que enfrentava como todo o cavaleiro seu irmão tinha experiência, porém caso caísse em batalha não haveria problema afinal não tinha nada para deixar para trás.

Seu irmão tinha lhe confessado isso, na verdade Young Jon lhe confessara muitas coisas naquela noite em que tinham se encontrado naquela taverna enquanto ela disfarçada de homem se aproximara do irmão e os dois beberam juntos. Ele abrira o coração para a irmã e fora naquele momento que Mary viu que um homem tão grande poderia ter um coração do mesmo tamanho, porém que ele doía da mesma forma se machucado.

Brie Stark não seria dele nunca, tinham sido as palavras dele. Afinal não estavam no destino um do outro que tinha sido traçado pelos deuses, primeiro ela tinha sido prometida a Rodwell Stark, seu melhor amigo, sendo que agora provavelmente seria desposada por algum herdeiro sulista. Mas Maryanne sabia que o irmão ainda amava sua amiga se era correspondido não sabia dizer afinal Brie sempre parecera encantada com Rod Karstark como estava tão animada com a aproximação do casamento dos dois.

Mas seu amado irmão sofria em silêncio, podia ver nos olhos dele que não estava feliz. E Mary sabia que os sentimentos de Young Jon o acorrentavam a princesa e ele sentia a necessidade em vê-la em segurança e mantê-la assim mesmo que fosse a última coisa que fizesse. Era por isso que ele estava seguindo atrás dela para certificar-se de que ela estaria bem.

Eles cavalgaram por certo tempo até que chegaram a outro entroncamento em que deveriam encontrar com os Karstarks, porém não havia nenhum sinal dos homens de Karhold por perto até que eles viram ao longe cavaleiros e enfrondaria aproximando-se e os estandartes do sol prateado em fundo negro aproximavam-se a frente.

E seguido ao lado de Lorde Torrhen Karstark vinha ele. Maryanne lembra-se de encarar a irmã e ver os olhos da loira brilhar e sua feição mudar como um tímido sorriso surgira-lhe nos lábios. A ruiva bufou irritada olhando para o rapaz que vinha na direção delas e perguntando-se as razões para aquele ser conseguir fazer sua irmã suspirar feito uma tola. Ela afinal de contas, não via nada demais em Edwyn Karstark.

Então foi que Marilyn ajeitou-se melhor na cela parecendo tentar não parecer tão animada e manter um semblante neutro o que era difícil para ela que estava querendo sorrir e muito.

Afinal, era seu amado Ed vindo em seu encontro até eles em seu belo cavalo branco como os cavaleiros dos contos que lia. Mas Edwyn Karstark era isso mesmo, o sonho de qualquer alma romântica, sendo um verdadeiro desperdício quando se lembrava de que ele estava entregue a uma bruta selvagem como Atena.

E lá vinha ele, cada vez mais perto e conforme se aproximava o ar ia faltando aos pulmões de Marilyn. Ela sentia-se tonta parecendo que a qualquer momento iria fazer alguma idiotice como geralmente fazia quando o rapaz estava por perto. Deuses, ficara quente de repente? Suas mãos estavam suando contra as rédeas de seu cavalo.

— Ai vem seu príncipe, irmãzinha – disse Maryanne próxima dela num tom de voz baixo – Tente não cair do cavalo. Senão, eu serei obrigada a rir de você e controle-se porque você já está mais branca do que geralmente é. – Então se calou quando viu que os Karstarks estavam frente aos Umbers.

Grey Jon descera de seu cavalo cinzento com um grunhido pesado enquanto do outro lado Lorde Torrhen também descia de sua montaria, porém com um pouco mais de elegância. Não era fácil para o Lorde da Última Lareira ser elegante quando se tinha mais de dois metros e era tão parrudo quanto um touro (em músculos a maioria, o antes ruivo gostava de salientar).

Lady Dacey Mormont, esposa de Grey Jon também tinha aparecido e se aproximado do marido lhe laçando o braço o que foi uma imagem um pouco estranha já que no lugar de um vestido a mulher usava uma armadura de cavaleiro.

Ambos os senhores estavam então frente a um ao outro, era notável suas diferenças. Lorde Torrhen possuía o porte de um cavaleiro experiente com seus cabelos começando a ficar grisalhos tanto os da cabeça quanto da barba. O Karstark era alto, esguio e forte, porém tinha de olhar para cima quando queria encarar o Umber nos olhos.

— Lorde Grey Jon – disse Torrhen Karstark o cumprimentando com sua seriedade típica – Meu amigo – E lhe estendera a mão para o ruivo para um aperto – Estamos atrasados aparentemente, sentimos muito por isso...

— De maneira alguma, Lorde Torrhen – respondeu Grey Jon – Acabamos de chegar, melhor assim não é mesmo? Não tenho muita paciência para esperar, mesmo que eu teria adorei poder descer um pouco para esticar minhas pernas. Pelos Outros, minha bunda já esta achatada pela cavalgada e olha que nem estamos na metade do caminho ainda.

— Lady Dacey – cumprimentara Lorde Torrhen então parecendo um pouco perdido no que fazer em seguida já que a mulher estava vestida em sua armadura, porém acabou pegando-lhe a mão e beijando como mandavam as formalidades. – Encantado em revê-la.

— Digo o mesmo Lorde Torrhen – cumprimentou Dacey com um sorriso.

— Edwyn – chamou Torrhen e o rapaz apareceu ao lado do pai – Creio que se recordam de meu filho.

Lorde Torrhen Karstark então colocara a mão sobre o ombro do rapaz que encarava a animosidade que era Grey Jon Umber a sua frente que lhe fazia parecer uma criança. Então Edwyn estendeu-lhe a mão que fora envolta pela mãozorra do lorde. O homem então rira fortemente como um trovão.

— Seu garoto está com um aperto de mão forte – disse Grey Jon – Olha para ele já é um verdadeiro homem. – Ele deu então uns tapinhas nas costas do moreno e Mary pensou que o pai poderia ter tirado a espinha de Ed do lugar se tivesse o feito mais forte.

— É generoso com suas palavras, Lorde Umber, pois ainda tenho muito do que aprender para um dia poder ser comparado a grandes homens como o meu pai e o senhor. – agradeceu Edwyn com um sorriso discreto.

— Pode me chamar de Tio Jon se quiser, meu rapaz. – disse Grey Jon – Sua mãe deve ter lhe contado de minha falecida esposa era Celine Cerwyn, irmã mais velha de Lady Alais. Mesmo que não possuamos nenhuma ligação de sangue sinto-me como se fosse meu sobrinho.

— Desculpe-me em meu nome pelo atraso, fui o principal responsável por isso é que eu apenas perdi a noção do tempo enquanto estava com minha irmã. – disse Edwyn parecendo um pouco acanhado em chamar o homem a sua frente de tio.

— Ah, irmã... Tem sorte em se dar bem com ela, meu rapaz. – disse Grey Jon – Tive uma infância um tanto solitária como único filho, talvez seja por isso que tenha feito tantas crianças para ver meu lar cheio. – riu do próprio comentário — Por sorte tinha meu primo Ron para ser meu parceiro nas aventuras da vida. E falando em primos... Onde está o seu? – Edwyn ainda cumprimentava Lady Dacey da mesma maneira que o pai tinha feito anteriormente então não respondera nem precisara.

— Estou aqui, Tio Jon. – disse Tyr Karstark sobre seu cavalo ainda – Tia Dacey, é um prazer revê-los. Como estão? – Ele acenara para o casal que correspondera também erguendo as mãos.

— Tyr, desça aqui e cumprimente os Umbers com respeito – disse Torrhen parecendo sério com a falta de cortesia do sobrinho, porém este não pareceu nem ao menos se envergonhar pela represália e Lorde Umber riu com a atitude do amigo.

— Eu não faço questão, Tyr. – disse Grey Jon – Não seja tão duro com o rapaz, Torrhen. Ele lembra-me o pai a cada dia que passa, o jeito de ser é como se Thorne ainda estivesse vivo. – ele sorria — O que é bom, pois mantem a memoria nítida do meu grande amigo em minha mente.

— Ele me lembra de Isobell também, minha querida irmã também tinha um humor acentuado – respondeu Dacey – Vejo muito dela na minha filha Maryanne também. Pode ser que vejamos apenas o que queremos ver ou então seja uma forma deles ainda manterem-se vivos em nossas memorias.

— Falando em filhas, Torrhen – disse Grey Jon olhando ao redor como se parecia a procura de alguém — Sua garota não veio, pelo que parece? Nem sua esposa.

— Jenyver não gosta muito de cavalgar – disse Torrhen – E Alais ficara para lhe fazer companhia e ajuda-la a cuidar de meu castelo em minha ausência. Minha amada esposa não iria deixar nossa filha sozinha...

— Ainda mais na companhia de Tanásia – disse Dacey – Sabemos que sua irmã não é das pessoas mais agradáveis ainda mais com quem não segue o padrão de damas que ela acredita ser o correto. Desculpe-me pela minha sinceridade, mas sabe que também tive problemas com ela no passado.

— Minha irmã tem uma personalidade difícil de lidar – disse Torrhen – Não é preciso se desculpar por tais palavras como eu costumo ouvir algumas semelhantes de pessoas mais próximas a mim.

— Compreendo, porém retomando ao assunto da conversa, creio que foi melhor que permanecesse em Karhold mesmo. – disse Grey Jon – Eu já estou levando grande parte da minha família. – Então se voltou em direção dos filhos – Crianças venham aqui. – Não demorou muito para Bran que já tinha desmontado vir na direção deles correndo e então abraçar ao pai – Esse é meu filho mais novo, Brandon Umber.

— Ele cresceu muito desde a última vez que o vi – falou Torrhen que parecia impressionado.

— Está no sangue – riu Grey Jon enquanto despenteava o filho.

— Garotas? – Chamou Dacey – Venham aqui.

Maryanne descera do cavalo sem problemas, afinal estava acostumada a cela devido a suas cavalgadas frequentes que fazia ao redor das terras de sua família. Já Marilyn estava tão concentrada olhando para Edwyn que quando fora descer do cavalo se atrapalhou com arreios e quase foi de cabeça no chão se não fosse por Benjen Snow acudi-la antes que caísse. Ele ainda a segurava contra o corpo quando a colocara de pé e a ajudava tirar o arreio que tinham se enroscado.

— Tenha mais cuidado, milady – disse Benjen Snow a garota enquanto se afastava dos braços dele sendo que nem a encarava por estar tão envergonhada.

— Estou bem, muito obrigada Benjen – respondeu Marilyn enquanto o rapaz assentia com um aceno de cabeça e se afastava enquanto a via seguir ao encontro da irmã que tinha parado ao vê-la quase cair do cavalo.

— Comporte-se, Lyn. – falou Maryanne em tom de voz baixo enquanto ambas caminhavam de braços dados na direção dos Karstark – O que seu cavaleiro em armadura brilhante vai pensar ao vê-la se jogar nos braços de outro homem?

— Por favor, cale-se Mary – disse Marilyn enquanto ambas se colocavam ao lado do pai.

— Minhas filhas, Lorde Torrhen – falou Grey Jon parecendo orgulhoso.

— Belas como da última vez que as vi – respondeu Torrhen – Porém já com traços de mulheres sendo tão belas quanto a mãe. – Ambas cumprimentaram o lorde então foi que Edwyn colocou-se a frente delas e Mary sentiu as mãos da irmã a segurando com força. A ruiva então se soltou do aperto da loira e se afastara dela deixando-a frente a frente com o herdeiro de Karhold.

— Miladies – disse Edwyn as cumprimentando com uma reverência – É uma honra estar na presença de tais belezas. – E tomou as mãos de cada uma delas para beijar e leva-las contra os lábios – Está bem, Marilyn? Eu vi que quase caiu do cavalo – E só aquelas palavras foram suficientes para fazer a loira corar ainda mais do que já estava.

— E-Estou bem, Ed-Edwyn – respondeu Marilyn meio nervosa e gaguejante – Eu aprecio sua preocupação. – E então abrira um sorriso sem jeito.

Atrás do lorde e herdeiro seguia Tyr Karstark ainda em seu cavalo, que ao ver aquela cena já abrira um sorriso travesso que foi correspondido pela ruiva. O primo que as gêmeas e Edwyn dividiam era um dos poucos além de Maryanne que tinham descoberto dos sentimentos secretos da loira pelo segundo filho de Lorde Karstark.

...

Depois do encontro, a grande comitiva continuou seguindo para o oeste rumo a Winterfell. Eles cavalgaram a tarde toda seguindo pelo terreno montanhoso pela estrada com cavaleiros Karstark e Umber misturando-se entre si. Isso incluía Marilyn e Edwyn que cavalgavam lado a lado com ambos conversando ao menos era isso que a loira estava tentando mesmo que tropeçasse em suas palavras.

Maryanne já preferira seguir ao lado do primo e ambos iam conversando um com o outro e rindo de brincadeiras e comentários engraçados que faziam a respeito daqueles dois que iam à frente deles. Aquela altura todos já se encontravam cansados pela longa caminhada e como o sol já tinha se posto buscavam um lugar plano para armarem acampamento. Foi então que Tyr olhara em direção as montanhas sobre eles e estranhou.

— Você está vendo aquilo? – perguntou Tyr olhando para o alto.

— O que? – perguntou Maryanne para a direção que o primo apontava.

— Luz – disse Tyr – Parece fogo. – E a ruiva então notara o que o rapaz estava mostrando e vira uma fileira de pequenas chamas enfileiradas acima da comitiva que cavalgava – Maldição... – sua voz saiu raivosa entre dentes — É um ataque. – E ele cavalgou em direção de Lorde Torrhen gritando – É um ataque, arqueiros na colina. Preparem-se todos.

Então as luzes foram lançadas e caíram sobre vários soldados próximos de Maryanne. Flechas com a ponta em chamas atingindo soldados a pé, cavaleiros e cavalos como uma chuva ardente de fogo.

Foi uma agitação inicial como os corpos tombaram em meio a eles. Uma das flechas tinha atingido o solo próximo de onde se encontrava Brandon Umber e o cavalo empinou assustado, sendo que o garoto teria caído se não fosse por Benjen segura-lo e coloca-lo na própria montaria na parte da frente de sua cela.

Maryanne pode ver uma nova fileira de pequenas chamas formando-se no alto da colina e antes que as flechas fossem disparadas que a ruiva bateu os calcanhares contra o dorso de seu cavalo o fazendo cavalgar mais rápido assim como outros cavaleiros também tinham feito. Todos queriam fugir do alcance das flechas desconhecidas o quanto antes.

Os gritos e relinchos foram escutados enquanto ao longe podiam escutar uma cavalaria que vinha direto para eles com tochas lhes iluminando o caminho com espadas e lanças apontadas em meio a gritos de guerra. Naquele momento, Mary arrependeu-se de ter deixado sua espada na arca.

Notas finais
Benjen Snow apareceu aqui quase como o figurante, veremos mais dele em breve nos capítulos futuros. Nos vemos nos comentários. Até mais.