Notas iniciais
Olá leitores, capitulo novo para vocês. E sim, não vai ser um capitulo de batalha antes que fiquem chocados afinal o final do capitulo anterior meio que deu a entender que eu escreveria algo nesse estilo. Mas, a verdade é que não era o momento ainda. Espero que gostem, até lá embaixo.

Winterfell

A agulha transpassava o tecido em movimentos repetitivos em algo quase automático. Atena se pegava muitas vezes pensando que o bordado era uma das atividades mais sem alma que existem.

As mãos tinham que ser hábeis e era necessária concentração, sendo que a agulha apenas fazia com que seus dedos trabalhassem enquanto sua mente vagueava mesmo que seus olhos se prendessem no que fazia.

Ela fugira do convencional do que tinha se acostumado a bordar. Aquele maldito sol prateado estava se mostrando uma tarefa difícil. Naquelas últimas horas em que estiveram ali já tinha se arrependido completamente de resolver acatar o pedido de seu pai e bordar algo para seu noivo que estava para chegar.

Ela amaldiçoava Edwyn Karstark e seu maldito sigilo de sol, tão mais complicado de se fazer do que a cabeça do lobo real. Aquilo era algo tão irritante preencher todo o interior do circulo era uma tarefa tediosa. Pegou-se pensando que teria de bordar aquele símbolo pelos próximos anos quando fosse levada pelo marido como a nossa Lady de Karhold. Isso é se ela fosse bordar algo em sua vida por querer novamente.

Ela tinha aceitado aquilo não porque tinha alguma estima em presentear o noivo que em breve chegaria a Winterfell, mas sim porque fora um pedido do pai. Desde o nascimento de sua filha que Atena havia aprendido a ser mais razoável com relação às pessoas sendo em especial com o Rei Brandon, o pai merecia mais vindo dela. Mesmo que pudesse lhe dar dores de cabeça em algumas ocasiões ainda assim na maioria das vezes se entendiam.

Quando lhe fizera o pedido, não havia sido algo agradável sendo que poderia ter sido teimosa e recusar, mas ela lutou contra a vontade de dizer não e acabou por concordar. Não havia sentido em discutir por pouca coisa quando o Norte desmoronava ao seu redor. Ver toda a pressão que o pai estava recebendo nos últimos dias desde o desaparecimento de Brie e a execução do Bolton, aquilo era uma situação que a fazia não querer trazer mais problemas para o rei.

Até porque bordar algo não iria ser o fim do mundo por mais que fosse considerada uma perda de tempo para ela. Levantou então o tecido contra a luz podendo ver espaços por dentre os pontos que a linha já tinha passado. Não estava ruim levando-se em consideração que era uma das poucas vezes em anos que tinha feito o símbolo Karstark.

Mesmo que o esperado para uma dama fosse preparar o enxoval de seu casamento como os lençóis que seriam usados nas núpcias. Talvez porque não quisesse pensar que logo a cerimonia ocorreria e ela seria levada para longe de seu lar. Para longe de Amanda, sua filhote de loba que sabia que iria perder assim que se torna a esposa de um lorde.

Edwyn poderia posar como o rapaz dos sonhos da maioria das garotas com sua gentileza (até muito excessiva para o gosto dela) e bondade que por vezes podia virar ingenuidade.

E uma pessoa muito ingênua era considerada fraca, o mundo era cruel demais para pessoas como o herdeiro Karstark e a princesa sabia disso afinal antes de o mundo quebra-la havia varias semelhanças entre os dois.

Nunca tinha sido uma garota com uma alma gentil no estilo do rapaz ou com um temperamento muito agradável, mas ela confiava na maioria das pessoas. Nos dias atuais ela podia contar nos dedos as pessoas por quem colocaria a mão no fogo.

Ela algumas vezes pegava-se pensando no casamento deles e como seria. Pensava em como Edwyn reagiria ao perceber que ela não era mais donzela. Ele teria de saber que tomaria como esposa alguém do feitio dela, uma princesa desonrada com uma bastarda que era o fruto da violência que sofreu.

Edwyn poderia parecer um pouco tolo às vezes, no entanto era fato de que ele perceberia quando ambos estivessem juntos nas núpcias. Ele acabaria por perceber que tinha algo de diferente nela. O rapaz poderia sentir-se enganado e enojado com ela, mas e se não fosse? Não queria se ludibriar afinal nunca fora das almas mais românticas e piorou depois do que tinha ocorrido.

Por isso preferia não ter expectativas em relação ao que lhe aguardava depois que os votos fossem trocados. Tanto Atena quanto o noivo não se conheciam de verdade e assim como ela nas poucas vezes em que se encontrou com Edwyn sentira que ele também mantinha segredos. Quais eram não podia dizer.

Septa Argelle se aproximara então dela por cima de seu ombro para encarar o seu bordado. Ela sabia que a aquela mulher servia a mais de uma década a família real de Winterfell tendo vindo de Ponta Tempestade, na época em que a avó de Atena ainda era viva e Rei Brandon não era muito mais velho do que Hoster é agora.

Mas essa informação não era necessária para definir a idade avançada da septa bastava observar o quanto sua pele era enrugada como os pergaminhos antigos. Porém a infeliz ainda possuía os olhos com uma visão excelente o suficiente para sempre ver os defeitos nos pontos dela. Como foi observado naquela ocasião mais uma vez.

— Refaça. Os pontos estão muito afastados, alteza – disse Septa Argelle com sua voz rígida e cordial. Então entregando para Atena novamente ao que a princesa franziu as sobrancelhas e encarou o trabalho que havia feito.

— Não creio que precise – disse Atena parecendo orgulhosa – Não vejo porque deveria, ainda não terminei seja o que for que tenha visto de errado creio que irá desaparecer com o acabamento.

— Não teria tanta certeza, alteza – disse Septa Argelle – Tem alguns pontos que estão muito afastados e que podem ser vistos. Não creio que possa conseguir conserta-los, o melhor que poderia fazer é desfazer a linha e refazer o serviço.

— Tentarei consertar, se me permite – falou Atena – Verá que depois de pronto estará bom, septa. Deixe-me termina-lo e verá. – A velha então assentiu e afastou-se deixando a princesa fazer como pedia sua vontade. A mulher conhecia a garota tempo suficiente para saber que argumentos não lhe fariam voltar atrás.

Até parece que Atena iria perder mais tempo fazendo tudo de novo. Sabia que podia consertar aquilo de alguma forma, foi assim que pegou a agulha novamente e tornou a dar os pontos. Ela então lhe furou a pele e uma leve faísca de dor lhe percorrera assim como as gotas de sangue começaram a lhe descer.

Atena vira algumas gotas de sangue escorreram pela superfície de seu indicador e cair sobre a linha do bordado. Ela soltara automaticamente tanto a linha e agulha quanto o tecido em que trabalhava.

Franziu a sobrancelha e a testa, enquanto levava o dedo a boca para sugar o sangue e olhou de relance para onde a Septa Argelle tinha ido com as outras moças. A sala de costura não era muito grande, tinha uma mesa onde ficavam as caixas de madeira com os novelos, linhas, agulhas e tesouras. Em um canto se localizavam os teares e no outro estavam às arcas em que se guardavam os tecidos. O lugar tinha janelas amplas que faziam o lugar arejado sendo que todos aqueles objetos já era o suficiente para instruir as jovens donzelas de Winterfell.

Atena pode ver Catryona e Lizbeth concentradas no que faziam. Com a mais velha trabalhando no bordado do lobo que era o sigilo da Casa Stark como ela era noiva de Noah, enquanto a mais nova em um urso negro dos Mormonts. Mas por mais que a adição da Ursa Menor ao grupo tinha amenizado o ar ainda assim o sentimento de que faltava algo se mantinha no ar.

Brie e seus bordados simplesmente magníficos. Ela tinha um dom natural para aquilo que fazia com que por vezes Atena se perguntasse por que ela não saiu como a irmã? Ter gosto por afazeres como aqueles que uma verdadeira senhora deveria possuir no lugar da pratica com armas e dos livros que lia. Tentava pensar nela em meio os selvagens, porém não conseguia, era cruel só de pensar o que Brie poderia estar sofrendo nas mãos deles.

Atena desviou o olhar para o dedo que tinha tirado dos lábios. Não havia mais sangue apenas um pequeno furo na pele, mesmo assim não estava com vontade de continuar com o bordado. Ela atravessou a sala com um olhar furtivo mais uma vez analisando a melhor chance que teria para sair dali com descrição. Estava com certo receio de que Septã Argelle pudesse ter lido seus pensamentos e lhe pegasse no ato mesmo que estivesse de costas para a princesa e a porta.

Foi então que a morena sentiu sua manga sendo puxada e virou-se para encarar os olhos azuis iguais aos seus, porém mais jovens e inocentes. Estes pertenciam a sua irmã mais nova, Sybill. Ela tinha completado o 8° dia de seu nome há poucas luas, tinha o cabelo castanho acobreado, mas contra a luz do sol parecia ser ruivo e tinha o rosto em formato de coração. Quando mais velha ela certamente iria atrair olhares talvez até mais do que as suas duas irmãs faziam.

— O que foi, Sybill? – perguntou Atena ao que a garota apenas pegou sua mão e olhou para o dedo – Não foi nada, acredite já me machuquei mais com a corda do arco do que com agulhas. – Então mostrou outro dedo – Está vendo essa cicatriz? Foi quando eu estava aprendendo a disparar flechas e acredite, saiu muito mais sangue. – A morena sorriu e a mais nova deu um pequeno sorriso também que se desfez rapidamente.

Desde o sequestro de Brie que Sybill estava assim, sem falar com ninguém e com uma expressão tristonha demais para uma garota que costumava ser tão alegre e falante. Eles tinham buscado saber a causa que a levara a ficar daquele jeito até um pouco assustado em alguns momentos, mas ninguém tivera tão sucesso à garota apenas se fechara. A mais nova ainda a encarava e a morena sorriu ao que Sybill lhe estendera o bordado que ela estava fazendo.

— Você está melhorando – disse Atena olhando para o trabalho da irmã que estava aprendendo ainda os primeiros pontos sem formar nenhuma figura muito complicada – Logo estará melhor do que eu. – A pequena tinha pegado o trabalho da irmã e observava e mostrou para a mais velha – Eu sei, não é muito difícil. Maldito sol dos Karstarks... – ela então tirou das mãos da irmã o bordado do sol manchado de sangue.

Sybill pegou seu bordado e retornou para seu lugarzinho para continuar. A verdade era que para Atena pareceu que os pontos da mais nova também estavam um pouco tortos, mas não iria ser ela a dizer a verdade ainda mais quando pela primeira vez, desde que Brie tinha sido levada, que a mais nova parecia estar melhor para participar das suas obrigações em aprender as artes femininas.

Ela ficou alguns segundos vendo a irmã antes de voltar a estudar o trabalho, procurando alguma maneira de salvá-lo, mesmo sabendo que estava completamente destruído pelo sangue sem falar nos pontos errados. Ela realmente odiava aquilo demais, então suspirou pesadamente e pousou a agulha e o tecido sobre a mesa ao seu lado. Olhou uma última vez para a septã antes de levantar-se furtivamente e seguir em direção da porta.

Fechara a porta lentamente atrás de si, quando olhara para trás vira que Ártemis estava mantendo-se ali de prontidão. Sua loba então se ergueu e a seguiu como sua parceira de fuga pelo corredor nos passos mais apressados que o seu vestido lhe permitia.

Quando estava indo para virar a direita naquele corredor foi que parou abruptamente ao ver as duas pessoas paradas a poucos metros à frente. Ela ficara escondida tendo a chance em ouvir as palavras duras e fortes que Matthew dizia para Gabriel Umber, o Capitão da Guarda de Winterfell.

— Quando Thorrun Snow, o Barba Branca estava no comando da guarda nunca que algo nesse aspecto aconteceria – disse Matthew com a voz áspera e irritada – Agora que você está à frente dos guardas em menos de uma quinzena somos invadidos e minha irmã desaparece. E agora descobrimos que aconteceu mais uma invasão aos nossos muros...

— Vossa alteza está se exaltando se me permite dizer – disse Gabriel Umber – Não sabemos ainda as causas que podem ter levado... – mas ele não terminara a frase porque foi interrompido pelo príncipe.

— Me exaltando? Não, apenas estou cansado de ver incompetências em frente aos meus olhos e ignorar isso – disse Matthew duramente – A incompetência de homens que deveriam dar suas vidas para proteger este castelo e a família real. Homens que tem faltado com o rei nos últimos tempos o que me faz perguntar-me se tais homens podem ser de confiança. Se deveríamos mesmo confiar em vocês...

— Eu daria a minha vida por cada um que leve o nome Stark. Sou capaz de morrer se isso manterá a todos desse castelo em segurança... – disse Gabriel Umber – Minha espada esta em serviço de Winterfell desde que me ajoelhei frente ao Rei Brandon e este me condecorou como seu cavaleiro. Sirvo a esse castelo já há dois anos, vossa alteza. Peço que se lembre das minhas atuações dentro desse período e veja que... – ele foi interrompido novamente.

— Dois anos é pouco tempo – disse Matthew – Ainda mais em um período de relativa paz em que você nunca manchara sua espada de sangue para proteger ao rei. – ele foi interrompido pelo capitão.

— Está equivocando-se, vossa alteza – disse Gabriel – Durante o ataque dos Boltons, eu e os meus homens lutamos por vosso pai. Matei soldados com o emblema do homem esfolado para manter meu rei em segurança. Fiz meu serviço com vosso pai e meus homens também...

— Mas não puderam impedir a invasão – respondeu Matthew – Não puderam impedir que estes homens ingressassem em nosso castelo. Não puderam impedir selvagens de entrarem e tirarem minha irmã da família dela. Que maldita guarda é essa? Vocês matam alguns soldados Boltons e acham que fizeram seu dever. Eu digo que vocês falharam.

— Eu... – falou Gabriel, mas não foi permitido a continuar.

— Quando Winterfell mais precisava de sua guarda, estes homens falharam em defender seus muros. – disse Matthew — Quando minha família precisava de vocês, minha irmã foi sequestrada. Fora o sangue que foi derramado pelo nosso chão de convidados que vieram até aqui representando os reinos do sul. – Ele aumentara o tom — Pessoas que tinham vindo como mensageiros para oferecerem presentes e ofertas de casamento para Brie. Essas pessoas nunca retornaram para casa e minha família pode nunca estar completa novamente porque vocês falharam. Você falhou...

— Nós não... – falou Gabriel, mas fora interrompido.

— Cale-se, e ouça seu príncipe não ouse me interromper – falou Matthew – Seus homens falharam conosco, mas o principal culpado foi você porque é o capitão deles porque os erros deles são seus. — Ele encarara o capitão com seriedade e então começara a cutucar com o dedo o peito do outro em um gesto ameaçador – Você falhou com minha família por três vezes. Se eu fosse o rei no lugar do meu pai...

— Mas você não é, Matthew – disse Atena aproximando-se dos dois homens – Apenas coloque em sua cabeça que ainda não foi coroado e nem terá essa coroa até nosso pai nos deixar. E mesmo um rei deveria saber que fatalidades acontecem e que culpar outros porque está com raiva é uma tolice. Nem Gabriel ou seus homens tem culpa do que aconteceu, não foram eles que tiraram nossa irmã de nós.

— Não se intrometa, Atena. – falou Matthew – Não tente defende-lo, eu sei que são amigos, mas isso não... – A princesa o interrompeu não deixando que terminasse.

— Não, você já falou demais, irmão. – disse Atena – Agora é a minha vez de ter a palavra e o que digo é que você está sendo equivocado no que diz. Deveria pensar melhor e avaliar como está agindo como um verdadeiro idiota – ela pode ver a expressão do irmão que parecera ofendido – O que foi? Não posso dizer algumas verdades doloridas agora? Desculpe, mas se alguém vai desafiar um príncipe é melhor que esteja no mesmo patamar. Eu estive escondida o suficiente para ouvir parte da conversa e por isso lhe digo: Você está errado.

— Por que está se metendo em algo que não lhe interessa? – perguntou Matthew.

— Porque você está sendo injusto – disse Atena – Eu te amo, meu irmão. Mas as vezes você é um estúpido quando deixa se guiar pelo emocional e não enxerga algumas coisas que deveria. – Ela apontara para Gabriel — Não foi ele e os outros guardas que invadiram nosso lar e mataram aquelas pessoas, muito pelo contrário, a tragédia poderia ter sido maior se não fosse pelas ações dele e desses homens. Sendo que inclusive alguns pereceram nas mãos dos nossos atacantes.

— Atena, você não sabe o que aconteceu – disse Matthew seriamente – Esse não é um assunto que lhe interesse. – ao que a mais nova lhe fez um sinal para que se calasse.

— Vou ignorar que você me respondeu dessa forma até porque sei que está irritado. – disse Atena – Então apenas vou lhe dizer que pense bem antes de dizer que eles falharam, porque os guardas fizeram o melhor que podiam. Não puderam impedir uma invasão até porque não estávamos preparados para isso porque ninguém esperava por tal ação.

— Diga a ela – disse Matthew voltando para Gabriel – Fale para ela o que aconteceu durante essa madrugada. – Atena desviou então seu olhar para o ruivo a sua frente como que aguardando pelo que ele tinha a dizer.

— Hoje pela manhã nós notamos que algo estava faltando – disse Gabriel – A cabeça de Royce Bolton desapareceu durante essa madrugada. – ela então ficara com uma expressão surpresa frente aquilo e seu olhar então se voltou para Matthew.

— A cabeça não saiu por ai voando – disse Matthew – Alguém a levou e não teria sido alguém de dentro. Os únicos interessados em recuperar aquela coisa seria um dos malditos que apoiam os esfoladores. Então me diz, se eu não tenho razão para me irritar em saber que esses infelizes estão nos rondando novamente.

— Nós teríamos notado – disse Atena – Alguma pessoa diferente rondando Winterfell.

— Com as tropas Mormont, Cerwyn e Glover instaladas em Vila Inverno – disse Matthew – Não creio, alguém facilmente poderia se infiltrar no meio dos homens. E é nesses momentos que penso onde que estavam os guardas que não viram alguém roubando aquela cabeça, mesmo de noite as rondas se mantem.

— Eu acredito que tenham esperado pela troca dos guardas – disse Gabriel – É o único momento em que os muros ficam sem vigia. Eu e meus homens estamos em uma busca sigilosa por qualquer pessoa suspeita e por traços que levem a nos mostrar como aconteceu isso.

— Isso não vai dar em nada – disse Atena para os dois – Talvez quem fez isso já esteja longe a essa altura do dia. Quem quer tenha feito não ficaria na vila com a cabeça decapitada de um rei apenas esperando por algum guarda descobri-lo. De qualquer maneira, foi melhor assim àquela coisa já estava fedendo. – E então pode ver o príncipe e o capitão trocando olhares entre si.

— Eu acredito que deva retornar ao meu posto – disse Gabriel com uma voz firme e em formação – Se não precisarem mais de mim.

— Dispensado, Gabriel. – disse Matthew e o ruivo fez uma reverência aos irmãos reais.

— Não tão rápido – disse Atena e antes que o ruivo pudesse ir muito longe.

— Princesa Atena – falou Gabriel para a moça ao que ela se voltou para o irmão.

— Desculpe-se – exigiu Atena ao que o irmão lhe encarou parecendo irritado.

— Não há pelo que me desculpar – falou Matthew.

— Bem, acho então que nossos ouvidos não captaram a mesma conversa – disse Atena então o príncipe simplesmente deu as costas e saiu. Ao que a morena encarou o ruivo a sua frente e este sorriu. — Eu sinto muito. Sei que não deveria ouvir isso dele.

— Seu irmão está em seu direito – respondeu Gabriel – Ele é o príncipe herdeiro e um dia será o rei. – ele sorriu para a garota — Não há razões para que ele se desculpe, algumas vezes é difícil manter-se calmo e todos estamos preocupados com a guerra.

O capitão então notou que Ártemis lhe cheirava e sorriu para a loba lhe estendendo a mão para que lambesse para então fazer algum carinho no focinho dela. Muitos tinham medo da fera que Atena tinha tomado como sua companheira, para muitos homens a loba rosnava ou mostrava os dentes. Mas para com Gabe Umber o animal sempre fora dócil, talvez por conta de sua amizade com a princesa.

— De qualquer forma, você não merecia ouvir aquelas palavras – disse Atena – Em nome do meu irmão então que eu devo me desculpar com você, Gabe. – o capitão da guarda fizera um aceno de cabeça para a moça.

— Eu agradeço – disse Gabriel – Precisa de mim para algo, princesa? – A moça fez um sinal negativo com a cabeça e o ruivo fez uma reverência simples – Se me permite tenho obrigações para cumprir, com sua licença.

— Toda — respondeu Atena e então pode ver o ruivo se afastando pela direção oposta.

E Atena seguiu em direção do corredor apenas para ver Matthew esperando por ela apoiado na parede da virada do corredor. Quando o viu a garota parou para encara-lo e os dois estavam novamente frente um ao outro.

— Você não deveria fazer isso – disse Matthew – Você não entende como algumas coisas funcionam. – Ele andava em direção então dela até que viu Ártemis e seu olhar para consigo e parou. Atena pode perceber o olhar da loba e sua postura defensiva o que fez com que ela fizesse um sinal que foi um comando para que o animal se sentasse.

— Não, você que tem que parar de ser assim – falou Atena – Como espera sentar no trono se você não pode agir feito um alguém digno. Você simplesmente estourou com o Gabe sem necessidade...

— Sem necessidade? – disse Matthew – Foi necessário para mim. Você não vê o que acontece? Alguém entrou em Winterfell novamente, se é tão fácil assim burlar os guardas o que garante que um assassino não pode se infiltrar aqui. Nosso pai poderia ser morto enquanto dorme, você ou Sybill poderiam ser levadas também.

— Não, não poderia porque existem guardas nos corredores e outros se mantem nas nossas portas durante a noite toda vigiando nosso sono. Desde o que aconteceu com Brie a guarda foi redobrada. – disse Atena – A verdade é que esses homens que insultou, se eles quisessem poderiam nos matar com suas espadas. Mas não vão fazer...

— Você está cega porque ele é seu amigo. Sei que entenderia isso, mas a verdade é que aquele homem não está cumprindo com o dever dele direito... – disse Matthew – Você foi contra mim. Como pode fazer isso na frente dele?

— Sabe o que eu vejo na minha frente agora? Eu vejo um homem que ofendeu os guardas que protegem a vida dele e da família – disse Atena – Gabriel é jovem, mas há uma razão para ele está no comando desses guardas muito mais do que sua posição de nascimento. É porque ele conquistou o respeito deles... Se você será um rei um dia, que seja alguém que mereça o respeito daqueles que te servem. Que eles queiram isso e não por obrigação. — E então se afastou deixando o irmão para trás.

...

Mata dos Lobos

Lyonel descera de seu cavalo enquanto via o restante dos homens montando o pequeno acampamento deles. Tinha conseguido vinte deles para acompanha-lo, porém nenhum deles sabia a verdadeira causa de estarem ali. O que o tinha levado a agir daquela maneira em simplesmente leva-los até a floresta que era praticamente o território inimigo, eles sabiam o que estavam para fazer apenas não sabiam suas razões para fazerem isso.

Eles tinham de ser discretos em sua observação e sua mente traçava o plano com cuidado. Era arriscado estar ali, porém era preciso para que pudessem observar melhor a Vila Inverno e Winterfell de perto.

Seus homens achavam que era apenas uma missão de espionagem com colher informações que deveriam transmitir para Forte Pavor. Tolos, aquilo ia muito além de conhecimento era uma questão maior. O Hornwood estava nas mãos daquela maldita que estava jogando com ele. Ele conseguia se lembrar daquele dia quando se encontrou com Rowena Bolton.

“Desculpe-me, meu querido Lyonel” a voz dela soara novamente e logo a imagem de Rowena se formou fazendo com que ele retornasse para aquele dia “Mas eu não uma mulher que aceite não como resposta. Para sua infelicidade, estou acostumada a ter tudo o que quero e se eu lhe fiz parecer que estava lhe pedindo ajuda então realmente cometi um engano ao pensar que éramos semelhantes.” ela riu “Estou dizendo que você vai me ajudar porque eu já defini isso.”

Lyonel Hornwood permaneceu em silêncio analisando a moça a sua frente. Era um costume que possuía, manter-se calado enquanto deixava seus olhos trabalharem na leitura corporal e expressiva de seu alvo. Ele já tinha sido capaz de descobrir mais de uma pessoa apenas a observando do que através de perguntas. Mas aquela moça a sua frente possuía algo que lhe dificultava que fosse desvendada. Ela era um mistério e ele não gostava disso. Ele não gostava das coisas que não era capaz de compreender.

Ele sabia que a filha de Ethan Bolton sempre fora algo além do que as pessoas costumavam ver e que ela geralmente gostava de fazer com que eles permanecessem assim porque era de seu interesse.

Rowena Bolton era bela, mas também tinha uma astucia e inteligência que ela mantinha escondido para si. O rapaz lembra-se que nas poucas vezes em que haviam se encontrado tinha percebido algo a mais nela que lhe inquietou. Algo que ele não conseguia saber o que era.

Eles tinham trocado algumas palavras às vezes em que tinham se encontrado em eventos sociais em que Lyonel não conseguira se desviar. Não havia sido nada demais, geralmente tinham conversado sobre assuntos banais como livros ou assuntos em que poderiam falar com naturalidade, sendo aquela primeira vez que tinha conseguido compreender o que a moça era. Rowena Bolton era uma aranha que sabia muito bem atrair pessoas para sua teia. Mas como estava em seu instinto, ele não iria jogar aquele jogo dela.

“Você está em silêncio” disse Rowena “Gostaria de saber o que se passa em sua mente”.

“Eu estava pensando” respondeu Lyonel “A seu respeito e de porque pensa que conseguira fazer com que eu te obedeça como um animal adestrado”.

“Eu sou bastante persuasiva quando quero” falou Rowena “Eu tenho meus meios para conseguir sempre que as pessoas façam o que desejo.” Sua voz tinha uma sensualidade que o rapaz questionou-se internamente se era mais um truque dela para tentar conquista-lo ou se era de sua natureza própria.

“É mesmo?” questionou Lyonel sua voz soou mais séria do que geralmente era “Como pretende me fazer cooperar com algo que eu definitivamente lhe respondi que não faria.” A garota então pareceu fazer de conta que refletia sobre algo até dar um sorriso na direção dele.

“Você sabe como ou ao menos pode deduzir do que se trata” disse Rowena com um tom dissimulado “Você tem jeito de que gosta de enigmas então, vamos ver se conhece esse: Qual é o caminho mais rápido para se conseguir as coisas que ouro e poder não podem comprar?“

Ele a encarou então ela percebeu que tinha chegado a uma resposta quando viu a feição dele fechar-se ainda mais. Rowena riu dele.

“Você sabe não é?” Ela aproximou-se novamente dele apoiando suas mãos no peitoral do rapaz e colocando sua boca próxima do ouvido “É o medo”.

Foi então que tudo aconteceu rápido demais. Lyonel puxara Rowena com força e a prensara contra o tronco da árvore-coração sendo que o impacto fez com que os galhos estremecem e um bando de corvos que estavam escondidos ali levantaram voo. A égua vermelha que Rowena montava então relinchou assustada e empinara-se nas patas traseiras antes de afastar-se.

As costas da moça doíam assim como a cabeça que batera contra a superfície áspera da madeira. Foi então que sentiu um grande puxão nos cabelos e um frio toque de metal contra a pele de sua garganta. Ao recuperar-se do baque e encarar a frente pode ver não muito longe de si a feição de Lyonel e como seus olhos lhe fitavam de um modo sombrio.

“O que você tem na mente para vir até aqui” disse Lyonel “E ameaçar-me e a minha família?”

“Você é realmente inteligente” respondeu Rowena “Compreendeu o significado do medo e de como ele tornasse uma arma quando ameaçamos a outros”. Sua voz soou ainda mais provocante “Diga-me, acha que me assusta?”. Ele a encarou em silêncio.

“Por favor, eu saberia que seria essa sua reação. “ continuou Rowena com um tom debochado ao que ele então puxou ainda mais seu cabelo e bateu a cabeça dela contra a árvore a fazendo sentir dor e gemer.

“Sabia é?” respondeu Lyonel puxando ainda mais o cabelo dela. Envolvendo-o dentre seus dedos fortemente tanto que podia vê-los ficando vermelhos por conta da pressão.

“Certo, saber não é a palavra ideal podemos dizer que era uma das opções.” ela suspirou “Você é desse tipo de homem então? Lamentável. Pensei que fosse daqueles que preferiam uma boa conversa antes da violência”.

“Às vezes, a violência se faz necessária.” disse Lyonel “Palavras nem sempre são suficientes para se demonstrar o verdadeiro poder”. Ele encostou a testa com a dela. “Uma mente às vezes é nossa principal arma, mas nunca devemos esquecer quando é necessário usar o aço”. Então se afastou.

“Um poeta” disse Rowena “Admirável, eu bateria palmas só que infelizmente estou em uma situação um pouco incomoda aqui”. “Mas lhe confesso que... Concordo com elas e é por isso que em situações como está...” Então frente dela o rapaz desfez a expressão séria ao sentir uma fisgada contra seu abdômen. “Que tenho isto”. Ao desviar o olhar rapidamente foi que o Hornwood encontrou uma adaga na mão da moça que estava pressionada contra ele quase que lhe perfurando.

“Essa é sua verdadeira face” disse Lyonel ainda mantendo a seriedade mesmo com a pressão da ponta da adaga em seu lado “Sabia que havia algo escondido detrás daquele teatro de donzela bondosa.” E a moça sorriu ainda mais radiante mesmo com a espada ainda debaixo de seu queixo “Você uma Bolton afinal de contas”.

“Nossas lâminas são afiadas” respondeu Rowena ao Hornwood “Gostaria de provar? Meu irmão me ensinou sobre anatomia humana” Ela olhara rapidamente para a adaga.

“Está vendo onde estou apontando? Esse é seu apêndice.” Continuou Rowena “Não faço ideia do que ele faz, mas sei que se perfura-lo você morrera rapidamente. Então, quer ver quem será mais rápido? Mataremos um ao outro, não me diga que está disposto a isso?”.

“Pensa mesmo que não consigo fazer isso e ainda evitar que você acerte? Eu treinei por anos com o mestre-de-armas de meu castelo para combate armado. Li sobre táticas em duelos, enquanto você?” disse Lyonel com seus olhos encarando os dela “O que sabe sobre matar alguém? Você nem consegue dar-me medo. E nesse momento, não sentiria pesar algum em derramar seu sangue. Você acha que eu não seria rápido o bastante para mata-la?”.

“Não sei, acho que deveria perguntar a Rod Karstark” falou Rowena “Pelo que contam dizem que ele teve uma morte lenta em suas mãos.” então suspirou “Pobre rapaz, com uma vida toda pela frente...” ela riu debochada “Ia casar-se, ter filhos e você tirou isso dele. E agora estar aqui aparentemente matar é fácil já que você não demonstra qualquer remorso”.

“Estávamos em guerra” disse Lyonel “E a morte sempre vem nas guerras sendo independente de quem seja. Bons e maus, plebeus ou nobres... É uma questão de sobrevivência do mais capaz”.

“Todos sangram da mesma forma.” Continuou Lyonel “Um corpo caído em batalha é só mais um entre vários e os que sobrevivem a isso são os verdadeiros vencedores. Se é que há vitória na morte dos outros. Não existe um homem em todo o Norte que não vá sujar as mãos de sangue enquanto viver. “

“Ah, você não consegue passar um instante sequer sem esfregar sua filosofia intelectual em mim? Por favor, por mais que nossa conversa seja algo que me agrada, ainda assim estamos indo apenas em rodeios sem sair do lugar”. Disse Rowena “Até porque não são os mortos que nos interessam não é mesmo? São os vivos“. Então houve mais alguns minutos de silêncio entre eles até que o rapaz retornou a falar.

“O que você quer?” perguntou Lyonel.

“Quero você” respondeu Rowena.

“Por quê?” questionou Lyonel.

“Porque preciso” respondeu Rowena sem vacilar e com a voz calma de alguém que parecia não ter uma espada abaixo do queixo. "Preciso que você me traga alguém e ao tê-lo em mãos será uma das peças fundamentais para garantirmos a vitória para nosso lado".

“Quem é essa pessoa?” perguntou Lyonel.

“O lobo herdeiro” respondeu Rowena “O primogênito de Brandon Stark. Traga-o para Forte Pavor e será um dos heróis nessa guerra e irá impedir que ela se prossiga tanto quanto o necessário”.

“E se eu não ajuda-la” falou Lyonel “Você manda que matem minha irmã”.

“Você realmente é esperto” disse Rowena sorrindo “Estou impressionada. Mas, apenas uma rápida correção de que caso não faça o que estou mandando não mandarei que matem Elenya. Eu mesma a matarei com minhas próprias mãos”.

“Por que acha que sairá viva daqui?” questionou Lyonel seriamente “Como lhe disse anteriormente, eu posso mata-la e evitar ser morto sendo que já pensei em como fazer isso enquanto conversamos”.

“Se me matar então estará declarando guerra aos Bolton” disse Rowena “Eu posso ter vindo aqui sozinha, mas há alguém lá fora com uma carta que diz que vim encontra-lo e onde nos encontraríamos. Mesmo que você consiga esconder meu corpo e se livrar de meu cavalo, ainda assim as pessoas irão suspeitar de você. Tem fama de ser meio transtornado mesmo, não?” Ele ficara em silêncio e assim eles ficaram por um tempo se encarando.

Então ele afastara a espada do pescoço da moça e dará um passo para trás. Com um movimento de espada foi que Lyonel desarmou-a da adaga que voou da mão dela para longe. A moça tossira um pouco enquanto massageava a região onde antes a lamina estava.

“Sabia que ia tomar a decisão correta” disse Rowena “Eu acredito que estejamos iniciando uma boa relação aqui apenas o inicio conturbado”.

Ela pegara a adaga e tornou-a a escondê-la no vestido “Mas eu estranhamente gostei. Achei até um pouco...” Ela fez uma pausa. “Excitante”.

E depois disso Lyonel nem pode perceber quando ela avançou e puxou-lhe para um beijo. Não durara muito e quando se separaram foi que o rapaz devolvera a atitude dela com um tapa no rosto.

“Sua puta” disse Lyonel ainda com o tom de voz rouco de costume “Sua louca...”. Ela levantava-se do chão limpando o canto da boca que sangrava “Eu ainda quero te matar. Mas não farei...”. A garota sorriu frente a sua vitória enquanto o via embainhando a espada.

“Pois eu gostei de beija-lo” disse Rowena para ele enquanto se afastava indo encontro dele “E uma parte dentro de mim ainda quer tentar uma segunda vez, estranhamente. Mas um passo de cada vez, não é mesmo? Agora que já determinamos os termos de nossa parceria, por que não vamos ao que interessa que é o plano”.

“Pois então diga” falou Lyonel “Diga o que terei de fazer”.

Lyonel retornou de seus pensamentos quando um dos seus companheiros lhe chamara. Ele atendera seguindo em sua direção, porém sua mente ainda mantinha-se focado naquela garota e em como ele poderia escalar das cordas que prendiam a ela.

Notas finais
Então, para começar é o seguinte. Eu realmente estou desanimado um pouco com a historia, por que disso? Simples, eu me dedico muito a ela e eu vi que os comentários diminuíram e se eu estou escrevendo é para vocês leitores. Então, eu sei que muitos de vocês tem seus estudos e trabalho, eu também não tenho tempo disponível assim e confesso que essas duas semanas que fiquei sem postar foi algo necessário para mim. Mas eu gostaria de vê-los aparecendo por aqui para mostrar que ainda estão acompanhando, pode ser? Até mais.