North War – Interativa
13 Capitulo 12
Notas iniciais

Fortenoite
A Muralha, segundo contavam as lendas, foi criada a mais de oito mil anos antes dos tempos atuais. Diziam que era obra de Brandon, o Construtor, após a Longa Noite e que estava ali para defender os reinos dos homens dos selvagens e dos Outros.
Eram o que as lendas diziam não se sabia se os tais caminhantes brancos existiam ou se passavam apenas de lendas para assustarem as crianças as fazendo obedecer aos pais, a verdade era que por muito tempo a única ameaça vinda do outro lado da Muralha eram os selvagens.
A Muralha estava lá por todos. A grande estrutura de gelo ditava os limites do domínio dos homens e o que havia depois dela não era de conhecimento para muitos. A menos que você estivesse disposto a aceitar a vida como um membro da Patrulha da Noite.
Eles estavam lá no alto naquele momento, nos postos de vigília aonde acomodados eram que estavam enfileirados os homens em seus trajes negros que lhes davam os apelidos de corvos. Era a cor adotada por aqueles dispostos a cumprir o juramento e defender os Sete Reinos.
No horizonte podiam ver a aurora boreal dançando sobre suas cabeças como um dos fenômenos mais bonitos da natureza, porém com exceção daquele simples recruta provavelmente eram poucos aqueles que tomariam aquela beleza afinal todos estavam cochichando e conversando a respeito do que tinha acontecido na noite anterior.
Foi então que escutaram o som da gaiola subindo ruidosa pela estrutura. E quando o objeto parou com um estrondoso barulho metálico raspando no gelo foi que dois intendentes vieram abrir a portinhola e as figuras mais importantes da Muralha surgiram. E automaticamente os sons morreram ao primeiro passo que o Lorde Comandante deu para fora da gaiola e suas botas tocaram o gelo.
Arthurus Arryn era ainda uma figura imponente mesmo que já fosse um septuagenário. Sua postura nobre e sua postura austera como de um verdadeiro cavaleiro que tinha sido na sua juventude. Ele possuía cabelos lisos e brancos como a neve que caiam até seus ombros. Seu rosto era longo com sobrancelhas grossas, nariz proeminente como o bico de um pássaro e sua barba branca lhe adornando as feições de maneira simétrica e bem aparada. Os olhos eram de um profundo azul feito o céu em um dia limpo de nuvens.
Atrás dele vinha o Primeiro Intendente, Patheon Redwyne, um nobre vindo da Campina que detinha o cargo há pouco mais de dois anos, segundo diziam. E ao lado deste estava o Primeiro Construtor, Osmound de Pedraverde que era o único plebeu entre as cabeças que comandavam as ordens em que se dividia a Muralha. O Meistre Selwyn vinha acompanhado de seu intendente, Richard Bolton.
A ausência de Ronnel Umber, o Primeiro Patrulheiro era notável, porém este tinha partido em uma missão de busca com um grupo de irmãos para Além-da-Muralha em busca da princesa de Winterfell. Porém, era difícil pensar em tal fato quando os últimos três homens deixaram à gaiola. Três patrulheiros sendo que um deles vinha acorrentado e escoltado pelos outros dois.
Leon pode sentir os homens o espremendo como todos pareciam querer ver o que estava para acontecer. O prisioneiro fora colocado de costas para o abismo que era a beirada da Muralha como os guardas se distanciaram e cerca de dez homens ergueram suas bestas contra o infeliz acorrentado.
— Eles irão matá-lo assim? – perguntou Leon em um tom sussurrante ao seu colega ao seu lado – Com dardos disparados por bestas? Lorde Glover quando ia executar alguém geralmente usava a espada para decapitar.
— Subimos até aqui para vê-lo ser morto assim? – falou Dale Darry, outro recruta que tremia enquanto com os dentes batendo contra os outros. – Não acredito. E todo esse frio, estou congelando aqui em cima... – ele agarrou-se contra a pele que usava — Quando me falaram que o Norte era frio, não esperava por isso. Maldição está começando a nevar.
— Não seja um bebê chorão, Darry. – respondeu Colin Corbray, um dos recrutas enquanto o seu cabelo loiro era coberto pelos flocos de neve. Aparentemente o garoto do Vale também não sentia tanto frio assim como Leon e seu sangue nortenho. – Acredite o que está por vir se eu estiver certo será melhor do que uma decapitação.
— Um movimento de espada seria uma morte digna – disse Leon observador.
— Esse é o estilo dos Primeiros Homens – disse Colin Corbray, um dos recrutas – Lorde Arryn é um homem do Vale e acima de tudo, um rei do Ninho da Águia. O jeito dele de fazer as coisas é diferente.
— Nas Terras Fluviais se enforca, pensei que no Vale o jeito de se matar fosse o mesmo – disse Garth de Guardamar com seus braços fortes cruzados mostrando alguma impaciência – Mas não vejo nenhuma corda.
— O resto dos senhores realmente usa a corda – disse Colin Corbray – Mas com eles é diferente. Os Arryns tem seu jeito especial de dar o fim ao condenado.
— Que não demore tanto então – falou Dale Darry choramingando pelo frio, o rapaz era quase uma criança em seus treze anos – E que seja rápido.
— Pelos outros, Darry. – reclamou Colin Corbray – Você não é dornês para sentir tanto frio assim. Seja homem, seu pai te enviou para a Muralha por alguma razão então tenha um pouco de orgulho.
— Colin, não seja tão duro com ele – falou Leon enquanto envolvia o braço ao redor do menor – Vem cá, Dale. – E o protegeu com a sua capa – Mas concordo que está demorando.
— Ele irá morrer – respondeu Garth de Guardamar – Mas o Velho Falcão vai dizer algumas palavras antes. Você sabe como são os nobres, cheios de pompa e gracejos sempre gostando de mostrar para os outros como sabem colocar palavras bonitas.
— Como sabe? – questionou Leon.
— Quando Lorde Mallister me mandou para cá, fez todo um discurso e era simples ou eu aceitava o negro ou perdia minha mão. – disse Garth — Arryn era um rei também deve gostar de falar. Quem sabe até mais...
— Calem a boca, se não quiserem passar o resto da semana abrindo fossas e limpando latrinas – ameaçou Maron Forel em seu sotaque braavosi, o mestre-de-armas de Fortenoite quando percebeu os novatos conversando. Até que fossem ordenados em suas funções cada um daqueles garotos respondia ao homem que falava engraçado.
Os recrutas se calaram e virando-se para frente puderam ver que cada representante se colocou a frente do grupo formado pela ordem que representavam.
Eles eram organizados, isso era visível pela fileira de construtores agora encabeçada por Osmound e ao lado os intendentes que possuíam Patheon. Os poucos patrulheiros que tinham permanecido se encontravam parecendo isolados sem a figura proeminente de Grande Ron.
— Irmãos, estamos aqui reunidos para fazer justiça – disse Lorde Arryn com sua voz trovejante – Quando vocês fazem seu juramento e tomam os nossos votos não estão apenas dizendo palavras como também deixando toda sua vida antiga para trás. Não importa o que viveram até então, quem foram seus pais ou o que fizeram de suas miseráveis existências antes de tudo isso. Porém, alguns hábitos são difíceis de manter porque ainda nos apegamos ao que vivemos... E foi nisso que errei – ele apontou para o rapaz a sua frente – Este homem, vocês o conhecem bem, foi meu intendente por anos. Serviu-me bem porque eu o escolhi pessoalmente por acreditar que não haveria melhor homem do que um que vinha do Vale assim como eu e é horrível o gosto da traição de alguém que via quase como meu próprio filho.
Leon pode ver certo pesar no olhar do comandante afinal, ele era um bom homem e matar pessoas não era fácil ainda mais quando é alguém de quem era tão próximo. Mas o Velho Falcão conhecia seus deveres. Ele era Senhor Comandante, mas antes de qualquer coisa, vinha o fato de que este tinha sido um rei coroado do Vale. E como tal, detinha sua honra.
— Walder Stone, um garoto que era filho de um dos meus melhores porta-bandeiras. – disse Arthurus Arryn com uma voz dura como pedra – O espirito de seu pai se debate no além frente a desonra que você trouxe ao sangue dele.
— O senhor o levou a morte – disse Walder Stone – Ele morreu lhe servindo na guerra. Eu mal pude conhecê-lo... – ele encarava o homem a sua frente duramente – Não irei implorar ou chorar para que minha vida seja poupada. Não me importo de morrer quando sei que o que está por vir trará a vingança por minha morte.
— Isso não é sua execução – disse Patheon Redwyne com a voz calma, porém firme. – Mas pode se tornar. Você quebrou o valor que está em ser um intendente, ameaçou a vida daquele a quem deveria servir. Talvez a morte seja a melhor solução para você, mas não é a única.
— Diga com quem conseguiu o veneno – pediu Meistre Selwyn com sua voz caridosa – Fale quem lhe providenciou tal substancia destrutiva. Dê-nos um nome e você será poupado e transferido para outro castelo para continuar sua vigília.
— Tudo bem, eu digo – falou Walder Stone e o Lorde Comandante se aproximou para escuta-lo ao que o rapaz simplesmente lhe cuspiu no rosto — Foda-se a vigília. Se há algo que sei levarei para o túmulo comigo de uma maneira ou de outra... — Ele deu um sorriso – Deixarei então vocês com essa duvida que vá correr-lhe a noite de sono. Quero que você, velhote, olhe para cada um desses rostos e que sinta medo. Que tema por quem será o próximo homem a te matar. Eu não sou o único que odeia você e esse lugar e você deveria saber disso... – Um silêncio prosseguiu.
— Você então confessa ser o culpado? – perguntou Arthurus Arryn.
— Sim – disse Walder Stone.
— Suas últimas palavras – pediu Arthurus Arryn.
— Que o próximo lhe dê uma morte lenta – disse Walder Stone — Porque eu não terei a chance de tentar uma segunda vez, pois este é meu fim. Se for para que eu morra então que seja por suas mãos agora.
Arthurus Arryn encarou o rapaz em silêncio por um tempo antes de fazer o que precisava ser feito. Foi tudo muito rápido e não apenas Leon como os outros recrutas também ficaram chocados frente ao que o Lorde Comandante fez.
Com as duas mãos foi que o Velho Falcão empurrara o seu antigo intendente para trás fazendo com que ele caísse da beirada da Muralha. Seu corpo caiu como se feito de pedra e logo tinha desaparecido entre as nuvens da neblina rumo ao solo. Foi então que Arryn voltou-se para o restante dos patrulheiros.
— Dispensados – disse Arthurus Arryn e os homens começaram a se movimentar, sendo que alguns iam rumo à gaiola numa fila enorme enquanto outros desciam os degraus feitos de gelo. Os recrutas seriam os últimos a descerem como aqueles que tinham prioridade eram os que já estavam ali há mais tempo.
— Aquele homem era um dos nossos – disse Arthurus Arryn ao passar ao lado de Maron Forel – Mande os recrutas recolherem lenha seca e que preparem a pira funerária. – O mestre-de-armas assentiu — Direi a Patheon que mande intendentes para que resgatem o corpo e ao meistre e septão para que o preparem para ser velado. Faremos como manda a fé dos Sete...
— É muito respeito para com um homem que tentou mata-lo – respondeu Maron Forel para o Lorde Comandante – Deveríamos poupar Meistre Selwyn e Septão Boros dos trabalhos. Aquele infeliz não vale tanto.
— Faça como eu lhe pedi – disse Arthurus Arryn e o braavosi não insistiu apenas concordou com um aceno de cabeça – Eu gostaria de falar com o garoto agora. – E o olhar dos dois homens repousou em Leon.
O rapaz pode notar o olhar dos seus colegas recrutas quando ficara para trás para conversar com Lorde Arryn. Naquelas últimas duas luas em que estivera em Fortenoite, Leon de Crofter tinha escutado as historias a respeito daquele homem. Porque havia certa inquietação na mente daquele rapaz do que teria levado um rei a abandonar a coroa para vestir o preto.
Os homens diziam que o Velho Falcão havia vestido o negro em prol de seu filho primogênito para que este pudesse assumir a coroa. Havia aqueles que diziam que ele viera por conta da dor da perda de um filho ou filha (a historia variava) e havia aqueles que insistiam que a causa era dele não conseguir superar o luto causado pela sua viuvez.
— Está bem, Leon? — perguntou Lorde Arryn, franzindo as sobrancelhas.
— Eu lhe deveria perguntar isso, meu lorde. – disse Leon então percebendo o quanto tinha sido indelicado – Desculpe-me, eu apenas acho que não deve ter sido fácil para o senhor fazer o que fez. – Ele então se calou — Estou, senhor. Eu estou bem. – Ele soara muito alto, como se isso pudesse fazê-lo mais calmo frente aquele homem a sua frente.
Quem era ele para estar ali na sombra de Arthurus Arryn, o Velho Falcão? Havia tantos outros recrutas com quem ele poderia querer falar, por que justo ele? Quer dizer, ele sabia a razão para ser escolhido e sabia o assunto que o homem tinha a tratar, só que mesmo assim ainda não se via como digno. Ele não deveria estar ali de frente para um antigo rei.
A maioria dos homens tinha o Velho Falcão como um líder forte e firme, com Leon não era diferente. Ele era um formidável comandante em batalha e destemido apesar da idade. No pouco tempo em que se encontrava na Muralha, era que rapaz sabia que aquele homem merecia seu respeito.
Em circunstâncias normais nunca estaria de frente para alguém daquela nobreza. Nem poderia trocar algumas palavras como se fosse alguém de seu mesmo nível. Leon não detinha títulos, não era filho de um lorde nem tinha sido ordenado cavaleiro.
Aquele rapaz era apenas um órfão de uma prostituta, assustado o suficiente para procurar a Muralha como sua única chance de sobrevivência. Havia tantas outras pessoas melhores do que ele ali para estarem de frente para o Lorde Comandante.
— Bom – respondeu Arthurus Arryn caminhando até um dos bancos do posto de vigília – Sente-se. – E assim foi que o rapaz tomou um lugar ao lado do velho – Você perguntou como eu estava.
— Sim – disse Leon – Perguntei.
— Acabei de matar um rapaz que passou os últimos anos me servindo. – disse Arthurus Arryn – Por quem eu nutria certa estima. Diga-me: Como poderia estar bem? – Seus dedos mexiam na fivela ornamentada que lhe prendia a pesada capa de pele. O objeto de metal tinha sido forjado para representar um falcão em pleno voo como havia no brasão real do Ninho da Águia. – O que você fez ontem, rapaz. Foi uma atitude de bravura, lhe devo minha vida.
— Fiz o que qualquer homem em meu lugar faria, meu lorde. – disse Leon.
— Não, não qualquer um – disse Arthurus Arryn – Apenas um homem de honra.
Leon sorriu. Ele lembrou-se da noite anterior, quando ele e os outros recrutas ajudavam o cozinheiro Gus, no preparo do jantar. O rapaz tinha ficado a cargo de encher os jarros de vinho na adega. E foi lá que acabou vendo algo que lhe chamou a atenção.
Seus olhos viram quando Walder Stone despejou algumas gotas de algo desconhecido na taça de vinho que levaria ao Senhor Comandante em seus aposentos. O rapaz sabia que era veneno no momento em que o pequeno recipiente fora aberto e aquele odor invadiu o lugar.
Leon tinha passado parte de sua infância entre tavernas e bordeis, já tinha presenciado envenenadores agindo. E foi por conta disto que seguiu Walder Stone até os aposentos de Arryn na Torre Principal. Sendo por isso que derrubara a taça das mãos do Velho Falcão antes que este pudesse dar um gole.
— Eu apenas agi da maneira que achei que fosse o correto – disse Leon.
— E foi – respondeu Arthurus Arryn — Como está sua mão?
— Está melhor, graças a Meistre Selwyn que usou o antidoto – disse Leon que dobrou os dedos enfaixados para lhe mostrar. – Não imaginava que algum veneno pudesse agir assim – Quando derrubara a taça foi que o vinho caiu sobre sua mão lhe queimando como fogo liquido.
Ainda doía quando mexia, mas segundo as palavras do meistre não corria o risco de perder mão o qualquer dos dedos por mais feio que os machucados estivessem.
A mão direita estava enfaixada com trapo limpo até a metade do antebraço. A dor era o inferno depois de algum tempo, não fora nada imediato levara alguns minutos para a fumaça começar a subir de sua pele junto com a dor. Alguns pontos estavam em carne viva e a pele escurecera em alguns pontos com bolhas negras com um aspecto terrível que foi necessário que fossem estouradas pelo Meistre Selwyn.
— Ainda poderei manejar uma espada – disse Leon – Ainda poderei lutar.
— Isso é bom – disse Arthurus Arryn — O meistre diz quanto tempo até que se recupere por completo? – O rapaz pensou por um tempo.
— Não – respondeu Leon – Me falou que vou ficar com cicatrizes só que isso não faz diferença. Uma mão com cicatrizes não é nada quando sempre podemos usar luvas. – O Velho Falcão lhe encarou seriamente.
— Doeu muito não foi? – disse Arthurus Arryn coçando o queixo.
— Sim – Respondeu Leon e aquilo era verdade. Mas a dor tinha sido insuportável certamente a pior que tinha sofrido na vida. – Mas está melhor agora.
Na noite passada quando aconteceu, ele fora levado com urgência até o Meistre Selwyn. Este lhe dera uma cuia de leite da papoula, mas antes disso toda a dor tinha sido terrível quase que interminável. Como se sua mão estivesse derretendo por completo. Pele e carne se corroendo e o sangue fumegando. Eles lhe deram o antidoto então não morreria envenenado, mas o estrago tinha sido o suficiente. Passara a noite com bacias de água gelada para ter algum alívio, porém mesmo assim fora difícil dormir.
— Se o veneno fez este estrago em sua mão, rapaz. – disse Arthurus Arryn – Imagine se eu tivesse bebido? De toda a forma, eu gostaria de conhecê-lo melhor, Leon. Conte-me quem você é.
— Eu... Eu não sei se o senhor precisa saber quem eu sou – disse Leon – Eu não sou ninguém.
— Todo mundo é alguém – disse Arthurus Arryn com uma voz amistosa e acolhedora dessa vez com um singelo sorriso nos lábios – Seja plebeu ou nobre, todos tem uma historia e um lugar de onde vieram. Então me diga de onde você vem, rapaz. Conte-me a sua historia.
— Eu sou nortenho – falou Leon.
— Isso eu já percebi – respondeu Arthurus Arryn – O sotaque não é algo que seja fácil de esconder ou disfarçar.
— Eu nasci na Aldeia de Crofter na Mata dos Lobos. – disse Leon – Fica no caminho entre Bosque Profundo e Winterfell. O povo que lá vive responde a Lorde Glover por estarmos nos limites de suas terras. Minha mãe se chamava Holly, ela trabalhava em um bordel. – Encarou o Lorde Comandante esperando sua reação algum sorriso ou algo do tipo como se achasse graça daquela confissão, porém nada veio. – Eu não conheci meu pai, apenas sei que ele esteve com minha mãe apenas uma noite durante a guerra.
— A guerra dê duas décadas atrás, suponho. – disse Arthurus Arryn.
— Sim – disse Leon – Eu me uni a Patrulha da Noite após a morte da minha mãe. Eu não tinha mais ninguém para recorrer... – o Lorde Comandante assentiu – Eu desejo servir a Muralha até minha morte, senhor. É isso que desejo.
— E você o fará, rapaz. – disse Arthurus Arryn se levantando enquanto caminhavam até a gaiola – Você não suspeita de quem possa ser seu pai?
— Não – falou Leon seriamente – Não faço ideia de quem possa ser.
— Engraçado – falou Arthurus Arryn – Sua aparência e seus traços, Leon. – ele encarou melhor analisando o rapaz — Não é de alguém que nasceu de um soldado qualquer em uma guerra. Talvez haja sangue nobre em você.
Leon ficara em silêncio. Ele acabara mentindo, porque não iria contar ao Lorde Arryn a verdade. De como em seu leito de morte a sua mãe tinha lhe confessado o nome de seu pai e que para seu choque era um homem importante. Um que fora coroado Rei, sendo que para sua própria segurança preferia acreditar na própria farsa.
...
Pentos
Ela pode ver o rastro de sangue que se espalhava pelo piso e descia aquoso pelos degraus do inicio da escadaria que levava para o andar debaixo. E como os soldados que tinham tentado a impedir agora se encontravam espalhados por ali como cadáveres ou moribundos que se retorciam em meio ao próprio sangue.
Deu alguns passos desviando deles enquanto andava até próximo do último que matara em no qual tinha ficado fincado a sua lança. A caminho de lá puxara um dos que ainda estrebuchava e gemia no chão e lhe cortou a garganta com a espada. Melhor assim, aquele homem estava lhe dando nos nervos nem para morrer em silêncio era capaz de fazer.
O corpo caiu com um som forte no chão e o único barulho que agora se ouvia eram as bolhas do sangue que escorria do corte que ela tinha aberto abaixo do pomo de adão dele.
Seu olhar foi para outro que agarrava o seu lado onde mais cedo ela tinha lhe acertado com a lança. Os olhos dela observaram enquanto ele se retorcia e se debatia.Outro infeliz que ainda lutava pela vida.
A loira podia ver nos olhos do soldado como ele estava com medo da morte e não pode deixar de sorrir frente o quanto isso era patético. Temer a morte era algo para pessoas fracas e ele merecia sofrer pela má luta que tinha lhe dado.
— Por favor, me mate...— disse o soldado em baixo valyriano. E a loira lhe deu misericórdia lhe perfurando o coração com a espada. — Obrigado... — E sua cabeça tombou para o lado.
Então foi que o homem parou de se debater e ela percebeu quando o brilho em seus olhos finalmente os deixou. Ela embainhou a espada e seguiu até onde o sujeito que tinha morrido ajoelhado possuía a lança atravessada nele. A mulher bufou perguntando-se como aquele infeliz fora parar tão longe enquanto morria, ele ainda mantinhas as mãos no cabo da lança como se tentasse tira-la.
Maldito, apenas ela podia tocar naquela arma. As mãos imundas dele, só a visão já fazia uma raiva percorrer o corpo da loira. Foi então que puxara novamente a espada e cortara os dois braços do morto e eles tombaram para os lados com sangue esguichando do corte aonde os ombros se ligavam aos membros.
Ela então chutou o corpo o fazendo se deitar. A mulher então deu alguns passos para ficar mais próxima da lança. E ela pisou nos testículos do morto e levou as mãos ao cabo da lança então puxando com um som grotesco que eram as tripas se arrebentando e escapando pelo rombo de onde um dia fora a barriga daquele sujeito.
O liquido grosso e gosmento escapou quando as tripas se abriram. Não era apenas sangue. Aquilo era feito de uma mistura de sangue e dejetos intestinais. E gotas daquilo veio a espirar em seu rosto. E ela teve de limpar sendo que mesmo assim desejou um bom banho.
Então quando desviou os olhos pode ver um soldado que era corajoso ou estupido demais para estar rastejando mesmo ferido na direção de uma espada caída. A garota revirou os olhos como se não acreditasse que o seu trabalho ainda não havia acabado e caminhou até o sujeito lhe pisando na mão antes que ele tocasse na espada e lhe furando com a lança na parte detrás da nuca. E pronto tinha acabado com o último dos sete homens que tinham cruzado seu caminho naquele corredor.
Ela continuou andando em direção da sala principal. Podia ver através das grandes janelas que havia na lateral esquerda do corredor a aquela paisagem bela que era a cidade em que estavam. Pentos foi fundada por Valíria como um entreposto comercial.
E logo absorveu todas as terras que a rodeavam desde as Colinas de Veludo e o Pequeno Roine indo até o mar, incluindo a quase todo o antigo reino dos Ândalos. Era um prato cheio para criminosos como ela que estivessem dispostos em encarar a cidade em busca de ouro e os alvos eram vários.
Os pentoshi eram mercadores, comerciantes, marinheiros e agricultores com poucos nobres entre eles. Eram múltiplos alvos, porém eram mais bem protegidos como ela podia escutar pelos gritos durante o ataque que começara ao nascer do sol. O restante dos piratas tinha feito seu trabalho como podia perceber pelo silêncio sepulcral que o fim das batalhas mostrava.
Ela encarou a porta a sua frente e a abriu dando de frente com alguém que lhe esperava do outro lado com um arakh. O homem possuía o corpo esguio e levemente musculoso com mãos rudes e cicatrizes típicas de marinheiro. Os cabelos eram médios e levemente encaracolados, pintados junto com o cavanhaque de vermelho alaranjado e seus lábios finos eram azulados por conta de seu hábito de beber Sombra da Noite.
O rosto era todo composto por linhas retas e rudes, com os olhos azuis claros como era normal de lysenos assim como sua pele clara. Ele deu um sorriso malicioso e seus olhos agora se radiavam como estrelas quando a viu.
— Sou eu, Xhosa, agora abaixe essa coisa. – disse a mulher loira com um sorriso – Te assustei não foi? – ele lhe deu um meio sorriso em resposta com um olhar um tanto malandro típico dos piratas.
— Você demorou, Rhaera Snow— respondeu Khalil Xhosa com seu sotaque essosi enquanto abaixava o arakh – Venha, beba comigo e comemore. – ele retornou para o lugar onde antes estava ocupado sentando-se em meio alguns cadáveres que ainda estavam postos em frente à lareira — É melhor que nos apressemos, pois eles chegarão em breve.
— Uma limpeza cairia bem nesse lugar – disse Rhaera tomando um lugar junto ao fogo – Esse lugar fede a foda e bebida. – Então reparou o restante dos corpos eram mais de dez pelo que podia ver e alguns eram de mulheres seminuas – Putas?
— Concubinas – disse Khalil Xhosa – Escravas do prazer, alguns pentoshi gostam de mantê-las para agradar viajantes e negociantes. É fácil fechar contratos quando o homem estar sendo chupado por uma delas, você nem percebe que está sendo enganado pelo seu comprador. – Ele fechou os olhos de uma das concubinas mortas.
— E elas são boas? – perguntou Rhaera.
— Não experimentei – respondeu Khalil Xhosa — Os nossos homens se divertiram com elas, pelo que sei. – deu de ombros – Eu não faço esse tipo de coisa, você sabe. Não faz meu estilo, não condeno nenhum deles que o façam desde que não sejam minhas mulheres. – Ele analisava seu arakh o limpando — De toda forma, não iria ficar para ver. Ainda mais que eu tive de ir buscar certa pessoa — Então apontou para uma garota que estava amarrada e se encontrava em um canto. Rhaera Snow ignorou seu comentário.
— Um lugarzinho desprezível – respondeu Rhaera enquanto limpava a ponta da lança nos tecidos finos que um dos mortos vestia.
— Deve estar se sentindo casa – respondeu Khalil Xhosa enquanto via a garota limpando sua lança – Cuidando de seu brinquedo predileto? Não que eu esteja reclamando, apenas é que o amor que você tem a essa coisa é... – ele fez uma pausa parecendo escolher as palavras — Meio estranho.
— Eu foderia com essa lança se tivesse um pau. – falou Rhaera gargalhando — Nunca encontrei nenhum homem que pudesse sentir nem metade do que eu sinto por essa beleza. Ela e eu temos uma historia de anos, acredite quando você se vê tanto tempo com algo que salvou suas vidas tantas vezes. E que você usa para matar e causar dor, você também iria amar.
— É eu realmente não entendo – falou Khalil Xhosa – Também não quero compreender.
— Não venho do lar mais agradável, Xhosa – disse Rhaera — Quando se é uma bastarda a família geralmente ignora você ou te trata feito um animal. Meu pai escolheu a segunda opção, me falou que o mundo era cruel para uma mulher e ainda pior quando se é uma bastarda. Se eu queria meu lugar então deveria conquista-lo por mim mesma através da minha força.
— Eu sei como é – falou Khalil Xhosa – Meu pai tinha duas famílias, Rhaera. Era casado com uma em Qarth e outra em Lys. Se o casamento dele com minha mãe não valia, isso faz de mim um bastardo também. É claro que, eu cresci sem saber desse fato diferente de você.
— Meu pai contou-me isso desde cedo: Os homens nunca irão trata-la como uma dama então os faça que te respeitem se não conseguir isso, que faça com eles sintam medo... – disse Rhaera enquanto olhava para a lança vendo seu reflexo na ponta de metal — Eu não sou uma dama ridícula de qualquer forma e nunca pedi para ser tratada assim. Fiz meu próprio caminho, como meu pai me instruiu.
— Era um homem sábio, pois ele enxergou dentro de você esse ser monstruoso que aprendeu a domar. E você nunca reprimiu esse seu lado, porque não imagino Rhaera Snow tentando ser uma dama westerosi – disse Xhosa – Você tem um estilo mais selvagem na cama assim como em campo de batalha.
— Acho que fui a melhor experiência sua porque você sempre trás isso a tona. – respondeu Rhaera – Eu sempre fui uma garota com uma língua afiada e o ego dos homens em especial os nobres é tão frágil que mesmo uma bastarda pode destruí-los. Apanhei muito até que minha mãe ficou cansada de me ver me machucar, mesmo que eu merecesse. Ela me ensinou matar, eu tinha dez quando sujei as mãos de sangue pela primeira vez. Então meu pai me deu essa lança quando eu tinha quinze anos, foi o primeiro presente dele para mim.
— Gentil da parte deles. Devem ter sido pais maravilhosos... – falou Khalil Xhosa e Rhaera percebeu certo sarcasmo. E ela sorriu para ele enquanto o via beber então para servir-se de mais. – Quando fiz quinze anos, meu pai me deu minha própria concubina. Poupou-me algumas idas aos bordeis apesar de que eu acabei enjoando dela depois de algumas luas...
— Então entramos em guerra – disse Rhaera – Quando perceberam que estava boa suficiente foi que meu tio Rhengys mandou que meu pai envia-se me na frente de batalha. Certamente esperando que eu morresse lutando contra os malditos Starks. Eu sobrevivi matando todos os soldados e cavaleiros que vinham até mim e ainda feri o Rei do Inverno.
— Não o matou? – disse Khalil Xhosa – Um de seus arrependimentos deve ser. Nunca vi você deixando ninguém saindo vivo quando a pessoa cruza o seu caminho, mas não se preocupe não irei espalhar essa historia para ninguém. – ele riu enquanto dava um gole em sua bebida — Isso estragaria sua reputação.
— Eu tentei, mas falhei só que mesmo assim o desgraçado morreu – disse Rhaera — Não o matei em outra chance porque não a tive. Só que foi melhor assim, porque soube que depois de enfrentar-me ele não voltou para o campo de batalha mais. Pelos ferimentos que causei, o infeliz passou o resto da guerra se debatendo em dor, sucumbindo e lutando com a morte. Poder saber disso e imaginar chegava a deixar-me excitada.
— Esse lugar seria agradável em outras ocasiões – falou Khalil Xhosa – Sem esses corpos e sangue, eu bem que poderia ter uma casa em Pentos. O que acha? – Ele sentou-se meio deitado sobre as almofadas de seda — Faria meu estilo não?
— Para mim todos esses lugares de Essos parecem iguais – falou Rhaera repousando sua lança ao seu lado – E não se acostume tanto com esse lugar que teremos de ir embora em breve.
— Já faz algum tempo que os rapazes mataram esses aqui – falou Khalil Xhosa – Mandei que os homens reunissem o que há de valor por aqui e carregassem para os navios. A notícia de que estamos aqui já foi enviada e logo teremos nosso negociante... Ao menos temos vinho.
— Eu prefiro cerveja – respondeu Rhaera – Vinho não serve para me deixar bêbada.
— Não sei o sentido de quem criou a cerveja – respondeu Khalil Xhosa – Entra amarela e sai da mesma cor. – ele entregou uma taça de vinho e serviu a loira — Sendo sincero, é uma perda de tempo bebê-la.
— Então, considere-se com sorte de estarmos em uma casa de um mercador e não em uma taberna – disse Rhaera – Seus gostos refinados não são comuns para um pirata. Admira-me que consiga ter o respeito de seus homens.
— Lhes compro como escravos e então lhes dou a liberdade – falou Khalil Xhosa – Aqueles que ficam sei que me serão fieis e que saquearão, matarão e me seguirão até o fim do mundo. Sem falar que o ouro também ajuda...
— Tem um gosto estranho – disse Rhaera referindo-se ao vinho – Você não acha?
— Já tomei melhores – falou Khalil Xhosa – Mas concordo que eu não iria pagar por uma coisa dessas. – E terminou a bebida com uma careta – Se não quiser beber não precisa.
— Até a cerveja de Yunkai é melhor do que essa merda – disse Rhaera então tacando a taça para longe – Quanto mais teremos de esperar? – Falou ela levantando-se.
— Talvez devêssemos retornar para Yunkai em outra ocasião – disse Xhosa – É um lugarzinho perfeito para piratas, mercenários e bastardos. Sentiríamos em casa por lá, quem sabe não? – E riu.
— O que deu em você de querer negociar com esse sujeito de Pentos? – perguntou Rhaera.
— Porque me convinha. Quem você acha que me falou sobre esse lugar? – respondeu Xhosa – Esse homem é um mercador rival que queria destruir seu concorrente. Um ataque de piratas não haveria maneira melhor de por um fim a tudo sem sujar as mãos.
— Isso é trabalho para mercenários não piratas – falou Rhaera – Teremos de dividir o saque? Porque se tivermos de fazer isso então não vale a pena.
— Não, tudo que pudermos carregar daqui é nosso – respondeu Xhosa – E ainda receberemos por termos guardado um presente para o nosso contratante.
´- Que ele venha buscar – disse Rhaera – Porque essa garota chorona só está me dando nos nervos. – Ela então olhou para a garota amarrada em uma das pilastras da sala. A garota era bonita, porém estava ferida e seminua com a boca amordaçada e uma feição aterrorizada no rosto. – Tento ignora-la desde que entrei, mas é difícil. – ela aproximou da garota que rastejou para perto pilastra aterrorizada ao ver a lança nas mãos da loira — Quem é ela?
— Filha ou esposa do dono desse lugar – disse Khalil Xhosa – Eu realmente não me importo. Só que receberemos uma arca cheia de ouro por a mantermos viva. – o Nosso “amigo” tem um interesse em particular nela. Não perca tempo falando com ela, a garota não entende a Língua Comum.
— Eu gostaria de mata-la – disse Rhaera agachando-se ao lado dela e tocando-lhe a face – Detesto mulheres fracas que choram assim. Espero que o ouro valha a pena porque já estou ficando irritada.
— Acredite, valera – falou Khalil Xhosa.
— E se eles não honrarem o acordo? – questionou Rhaera.
— Ai nós fazemos o de sempre – respondeu Khalil Xhosa – Beberemos, lutaremos e mataremos até o fim. – Ele ergueu-se de frente da lareira e caminhou até a bastarda e a prisioneira – Garota bonita não acha? Talvez eu pudesse tê-la poupado e levado comigo para o navio.
— Você já tem quatro esposas – falou Rhaera.
— Uma quinta seria algo interessante, não acha? – respondeu Khalil Xhosa sorrindo – Mas não podemos esquecer de que ela é de interesse do nosso ilustre convidado que chegará então não teremos tempo para nos divertirmos.
— Você deveria poupar seu pau – disse Rhaera cruzando os braços – Ela não é grande coisa, já comemos putas melhores em bordeis de quinta em Astapor. – Então foi que tocou a ponta da lança no rosto da garota ao perceber que ela estava a encarando mais especificamente a cicatriz em seu rosto – Gostou dela, vadia? Quer igual? – Sua ameaça soara em seu baixo valyriano quase fluente. E foi ai que a bastarda fez o sangue da prisioneira começar a escorrer lentamente do corte que afligira na maçã do rosto.
— Não faça isso, ele tem que reconhecê-la do contrário não irá nos pagar – falou Khalil Xhosa e Rhaera parou afastando a lança – Deveríamos aceitar mais trabalhos assim, pirataria não é mais a mesma coisa com tantos malditos nascidos do ferro atravessando o Mar Estreito para vir saquear as Cidades Livres.
— Bem, é bom matar alguns nascidos do ferro de vez em quando – falou Rhaera – Me lembra dos tempos antes de eu ser mandada para esse inferno escaldante que é Essos.
— Você é uma Snow – disse Khalil Xhosa – É natural que derreta com o calor – E riu da própria piada – Mas sério, qual é o problema de Westeros para esses infelizes virem competir com a gente por espaço? Eu sei que todos precisam ganhar ouro, mas é ridículo. Eles deveriam ficar do seu lado do mar e não invadir o nosso ou então não atrapalhar os nossos negócios.
— Com dinheiro suficiente podemos fazer o quisermos – falou Rhaera – Reforçar nossos homens, armas e mesmo quem sabe comprar um navio novo.
— Diz isso porque se eu tiver um novo navio então sabe que eu te colocarei no comando não é mesmo? – Riu Khalil Xhosa – Tudo bem, justo. Eu vou pensar no seu caso, Rhaera Snow.
— Com meu próprio navio eu não iria ficar com você, sabe disso. – respondeu Rhaera – Iria voltar para Westeros e matar o desgraçado que matou meu pai e que me deu isso – ela apontou para a cicatriz – Ele me escorraçou como um animal para esse maldito exílio.
— Maldito seja Royce Bolton – disse Khalil Xhosa – Esse patife mexeu com a mulher errada. Tenho certeza de que o fara se mijar todo quando retornar para o Norte. Mas, você deveria pensar melhor afinal tem uma boa vida aqui.
— É por vingança, Xhosa – disse Rhaera – É o gosto doce e saboroso da vingança.
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