Notas iniciais
Olá leitores Eu primeiramente quero agradecer a recomendação que recebi da leitora Dhuly135. Eu espero que vocês gostem do capitulo. Boa leitura.

Floresta Assombrada

As fogueiras queimavam naquela noite fria. Brie encarava ao longe de uma delas a porta da tenda. Podia ver o grupo de selvagens dentre homens e mulheres que se ocupavam em círculos ao redor de cada uma das fontes de calor proporcionado pelas chamas. Foi quando alguém saiu da tenda e colocou-se ao seu lado e então ela virou os olhos em direção de Una que então encarou os lobos que se encontravam do lado de fora a vigiando.

— Nós já estamos indo — falou Una e Brie assentiu a acompanhando com os lobos vindo em seu encalço – É bom saber que você está colaborando, acredite ou não seria pior se tivesse sido difícil para nós.

Ela não era estúpida o suficiente para arriscar em fugir. Ela era esperta e tinha orgulho disso ou talvez fosse covarde demais para tentar encarar uma caminhada inteira na direção da Muralha sem ninguém para acompanha-la. Sozinha. Brie sempre temeu a solidão, ela sempre teve pessoas que se importavam com ela e de quem ela cuidava por perto. E agora, naqueles últimos dias se vira mais sozinha do que nunca esteve.

Ela não era forte como Atena, sua irmã teria arriscado em escapar de seus raptores ou em primeiro lugar nunca teria sido capturada. Ela teria pegado seu arco e defendido Sybill daqueles selvagens de uma forma mais eficaz do que simplesmente a revidar de maneira tão desesperada e instintiva. Mas Brie não estava arrependida, fora seu instinto protetor falando e ela amava muito seus irmãos tendo um sentimento quase materno pelas duas crianças mais novas.

— Pergunto-me que outra escolha eu teria – disse Brie – Eu estou sozinha aqui com vocês indo ver o seu rei. O melhor que posso fazer é seguir conforme vocês me pediram, não estou mais amarrada não é? Isso me parece que significa que conquistei a confiança de vocês.

— Como você é ingênua, sulista tola – respondeu Una rindo – Nós te desamarramos porque nós temos uma regra de não termos prisioneiros. Somos chamados de povo livre por uma razão, não nos ajoelhamos e não submetemos ninguém como nossos prisioneiros. Regras de Wolfgang...

O que seria dela agora não sabia e nem gostava de pensar. Eles tinham deixado a Costa Congelada no dia seguinte a sua chegada e agora seguiam em direção as montanhas que cada vez mais se aproximavam e isso abalada nela no que dizia respeito a ser encontrada ou retornar para casa. Não, ela tinha que ter esperanças de retornar a Winterfell não podia se ver conformada assim tão fácil.

Então era por isso que continuava colaborando com eles. Se fosse rebelde ou uma ameaça poderia ser maltratada ou pior se machucar gravemente, por mais que nenhum deles tenha a tratado com violência maior do que simples hostilidade ainda assim era necessária uma precaução.

Colaborar, era a palavra que fazia parte de seu dia-a-dia mesmo antes de ser uma refém. Fazer o que os outros queriam que ela fizesse também, ela sempre colocava as necessidades e opiniões dos outros acima da sua. Ser uma boa filha, ser uma boa princesa, sempre estar servindo as expectativas de todos. E agora? Ela era uma boa prisioneira ao dançar conforme o que lhe pediam. Mesmo que Una falasse o contrário, mesmo que as cordas não a prendessem mais ainda assim Brie sentia-se presa.

— Regras que ele parece não cumprir. Seu próprio rei as inflige... – disse Brie – Já que me tirou de meu lar contra minha vontade. Eu não sei o que ele planeja com isso, mas eu estar aqui só vai atrair raiva vinda de meu pai. Homens marcharam para Além-da-Muralha atrás de mim.

— Você é uma garota – disse Una – Pelo que sei sulistas não privilegiam os homens no lugar das filhas? E você não é a única criança de seu pai. Você é só a mais velha delas, qual a diferença que sua ausência pode fazer?

“Um lobo é uma animal que vive em matilha”, lembrou-se das palavras de seu pai, “Porque um lobo solitário não sobreviverá longe dos outros”. Ela estava sozinha, mas era difícil para Brie se enxergar como uma loba como os outros de sua família.

— Porque eu tenho uma família que se preocupa comigo – disse Brie – Eles virão por mim.

— Podem até vir – falou Una – Pergunto se eles conseguiram enfrentar o que for preciso por você. – Ela olhou para a garota – Eu não sei o que Wolfgang quer com você...

— Talvez, pense em repetir o conto e me fazer sua rainha – disse Brie confidenciando uma de suas ideias do que poderia ser o fato que tinham a sequestrado – Sei que os selvagens tem o costume de sequestrarem mulheres do lado sul da Muralha.

— Não nos chame dessa maneira – disse Una repreendendo-a – Não somos selvagens, sulista. Somos os verdadeiros nortenhos, temos mais sangue dos Primeiros Homens em nós do que vocês. Somos o Povo Livre, nos chame assim e não de selvagens.

— Vocês matam, sequestram e estupram – disse Brie.

— Atitudes que seu povo também comete e nem por isso construíram um muro para tirar deles a liberdade – falou Una – Nem todos são monstros, não merecíamos estar desse lado, princesa.

— Mas você não nega que vocês sequestram mulheres e as levam para suas tribos – disse Brie – Mulheres boas e de família. Tanto plebeias quanto nobres, moças que nunca retornaram para suas famílias. Levadas por homens que elas com certeza não escolheram por maridos...

— Isso não acontece mais – disse Una – Pelo menos os homens que seguem o Rei-Além-da-Muralha. Mas costumava acontecer porque está ligada em partes as nossas antigas tradições... Guerreiros costumam seguir em direção de outros clãs e lutar com suas mulheres, uma boa luta é algo pelos quais homens do Povo Livre consideram uma forma de saber se aquela será sua companheira. Raptar mulheres de clãs rivais é bem comum.

— Você ainda não me respondeu – falou Brie – Eu não mereço saber porque estou sendo levada? – Una encarou a princesa, porém a ignorou.

— Alguns homens que querem aparecer, buscam as suas no sul. – disse Una — São exploradores que se aventuram do outro lado e trazem esses troféus para casa. Muitas de nós, mulheres não gostamos dessas sulistas como você porque elas são fracas e não costumam sobreviver por muito tempo. Mas você não é uma dessas, você não se casará com Wolfgang porque ele já é casado.

— Poligamia não é aceito pelo seu povo? – perguntou Brie com certa surpresa.

— Sim, um homem pode ter quantas mulheres quiser desde que possa sustenta-las e as crianças. – disse Una – Poucos homens costumam ter mais de uma mulher, alguns arriscam uma segunda, mas são poucos. Lideres de clã podem ter várias, mas não Wolfgang... Ele é um homem de uma mulher só. E de qualquer forma, você não serve para ele.

— Por quê? – questionou Brie, por mais que estivesse feliz por estar livre de se casar com um rei selvagem ainda assim sentia-se um pouco ofendida pelas palavras da selvagem.

As pessoas costumavam dizer que ela seria a esposa ideal para qualquer homem, Brie se sentia grata por aquelas palavras e esforçava-se para se preparar para tal façanha de um futuro não muito distante. Sentia-se preparada de certa forma para cuidar do castelo de um futuro marido. Era tolice sentir-se com o orgulho ferido frente aquelas palavras? Talvez, mas ela estava mesmo assim.

— Porque você é fraca – disse Una sendo direta – Você pode ser perfeita para os sulistas, mas se tivesse nascido no Povo Livre seria uma vergonha para nossa gente. Pessoas fracas e dependentes não servem para nós.

Brie ficou em silêncio, ela já tinha sido chamada assim antes a última vez tinha sido por Atena. Uma parte dela queria fazê-la acreditar que era alguém forte, porém por mais que estivesse agindo assim por fora, por dentro sabia que não era.

Atena lhe falara isso por ela sempre acatar os pedidos dos outros, nunca se impor e dar vida a seus pensamentos. Falava isso por sua falta de habilidade com arco e flecha, por não ter um espirito aventureiro como o dela. Ela estava feliz em ser quem era ou talvez apenas estivesse conformada. Ela nunca precisara ser forte como era agora, porque nunca tinha passado por nada tão terrível em sua vida.

As lágrimas que derrubada nas últimas noites antes de dormir denunciavam isso, ela pedia aos deuses antigos para que tudo não passe de um sonho e ela acorde na manhã seguinte em seu quarto em Winterfell. Ela podia tentar ser forte para os outros, mas era apenas camuflagem para que eles não vissem o que sentia. Como realmente estava preocupada, amedrontada e assustada. Ela nunca tinha tido a natureza forte típica dos Starks.

Brie era chamada de loba gentil de doce loba, só que mesmo assim não parecia o correto. Um lobo não pode ser alguém com um temperamento leve como ela. E mesmo que ela fosse alguém que honrasse tal símbolo ainda assim tinha falhado.

Porque um lobo era um animal acostumado com liberdade, mesmo uma tão dócil quanto Brie Stark deveria ter lutado por isso. Apesar de que tinha vezes que ela sentia lá no fundo um uivo que ecoava no fundo de seu ser.

Elas finalmente chegaram próximo de uma das fogueiras, onde a princesa pode notar o grupo habitual que geralmente ela via Una. Os lobos que as acompanhavam saíram de perto e foram até próximo de Erdan, o selvagem então saiu de seu estado warg quando suas feras se colocaram ao seu lado e um deles deitou-se em seu colo.

Ele não era o tipo de pessoa agradável, ele parecia ter um pequeno desequilíbrio em sua sanidade como parecia só ter algum carinho quando isso era direcionado para seus animais. Ele era quase completamente careca, com bigodes e cavanhaque louros de aspecto sujo e abaixo dos olhos castanhos havia tintura preta que destacava seus olhos quase que animalescos.

— Eu estou feliz que vieram se juntar a nós – disse Erdan então dando um olhar para Brie – Seu rosto está melhor, princesa. – Ele soltou um curto riso enquanto cortava a carne que assava em um espeto na fogueira – Espero que cheguemos logo em casa, eu odeio ficar comendo carne de foca. – Então rasgara um pedaço com os dentes e começara a mastigar enquanto a outra metade repartira entre os lobos – Vê o que estou fazendo, Una? Estou os alimentando no lugar de envia-los a caça, como deveria ser.

— Pare de reclamar – disse Una enquanto se sentava em frente do fogo numa posição que a fazia ficar de frente para o warg – Você está com medo do que? De que eles se estraguem? Você entra na cabeça deles direto, mais domesticados que isso não tem como. – Então se virou para Brie – Hei, está com fome? – A garota não respondeu apenas deu um olhar para ela de canto de olho.

— Sim – respondeu Brie depois de alguns segundos em silêncio.

— Viu? Não é difícil – falou Una passando então a cortar um pedaço da carne para si e outro que entregou para a princesa ao seu lado – E eu estou falando sério, Erdan. Não há necessidade de caçarmos. Temos comida o suficiente para o resto da viagem e você junto deles está incumbido de protege-la – E olhou para Brie – Não são ordens minhas, sabe muito bem disso.

— Eu não gosto tanto disso quanto você – falou Fergus, o arqueiro. Ele tinha acabado de chegar e ajoelhou-se do outro lado de Brie enquanto seus olhos ainda se prendiam a pessoa de outra fogueira a quem Una fitava. – Eu não gosto dele também tanto quanto você.

Fergus era um selvagem com uma cabeleira e barba castanha como carvalho, olhos claros de um verde aguado que segundo ele e seus próprios companheiros contavam era de uma precisão infalível no disparo com arco.

Ele podia ser considerado bonito em suas feições com seu olhar quase sereno mesmo quando sua expressão era séria. Fergus e Una conversavam muito como Brie tinha reparado, porém nas próprias palavras da selvagem ambos eram apenas amigos de infância. A princesa apenas comera em silêncio enquanto ouvia-os conversar.

— Morrdu, o líder do Clã do Rio de Gelo – disse Fergus – Saber que tal pessoa conseguiu escalar até o circulo de confiança de Wolfgang me incomoda. E sei que não sou o único, não é? Una, você também se sente incomodada com isso.

Morrdu é um homem velho, grande e poderoso como um guerreiro do povo livre. Tinha um rosto corado e uma barba branca desgrenhada. Seus olhos são minúsculos e um deles é branco e leitoso pela cegueira. Ele usa um manto feito da pele de um urso com a sua cabeça como um capuz. E era o que tinha liderado o sequestro de Brie.

Ele estava em uma fogueira a cerca de dez metros deles. Naquele momento Morrdu estava ao lado de seus companheiros de clã. Ele gargalhava feito o bárbaro que era, com seus dentes amarelados, tendo em uma das mãos um pedaço generoso de carne e na outra segurava um crânio humano que o servia de copo.

— Não importa o que pensamos, Fergus – disse Una – Os clãs vivem em paz, Wolfgang conseguiu isso e só o fato de estarmos voltando para casa sem nenhum dos nossos matar um deles significa vitória. Nossas disputas de anos não são de grande importância frente o que foi construído nas Presas de Gelo. Morrdu faz parte do conselho dos anciões ao lado de Odamay e Murtagh.

— É difícil esquecer – respondeu Fergus – Quando há tempos os clãs se enfrentam por terrenos de caça. Fora as historias que você conhece bem, sobre como em épocas de fome os do Rio de Gelo costumam matar e comer os mais fracos por sobrevivência. Eles comem crianças, isso os faz amaldiçoados frente os deuses.

— Crianças? – perguntou Brie chocada – Eles comem... – Ela engolira em seco aquela informação — Crianças?

— Sim, horrível não é? – respondeu Fergus – Além de que eles também costumam comer invasores do que eles consideravam o antigo território deles. O que me leva a pensar que... – mas ele foi interrompido por Una.

— Ela não precisa saber disso – falou Una direta – É assunto do nosso clã. E é passado que fique assim, nunca saberemos se é verdade. – Houve um silêncio então entre eles que foi quebrado pelo warg.

— Ser canibal é muitas vezes questão de sobrevivência – disse Erdan – Entre os animais ocorre o mesmo. – ele rasgara outro pedaço de carne com os dentes e agora mastigava — Quando a mãe perde seus filhotes então ela os come para alimentar-se.

— Mas ela não os matou apenas os come – disse Fergus – Diferente deles. E nós não somos animais, Erdan. Mesmo que eu ache que às vezes você possa se confundir sobre isso. Talvez deve-se ficar menos na pele dos seus animais e viver mais entre as pessoas antes de que se esqueça de quem você é.

— Não me fode, Fergus – disse Erdan – Não vem vindo com sermões porque você não é do meu sangue para tentar colocar-se de frente para mim. – Ele limpara o queixo de onde escorria a gordura da carne de foca que ele devorava tão avidamente – E você não entende como eu penso... Você não é como eu e nunca saberá como é a sensação de ser algo mais do que a porra de um arqueiro.

— Vamos parar com essa discussão idiota? – reclamou Una – Pode ser?

— Se estamos falando de comer gente – disse Erdan – Por que não pergunta para eles? – E apontou para os dois únicos que ainda se encontravam em silêncio apenas bebendo algo de um córneo que compartilhavam entre si – Os Thenns são conhecidos por comer seus inimigos. Diz ai, vocês já fizeram isso?

Brie sabia que o selvagem estava se referindo aos irmãos Mungo e Deva. O mais velho era visivelmente o grandalhão repleto de músculos que sempre carregava seu machado de ferro, certamente tirado de um inimigo caído. Tinha a cabeça calva pintada com símbolos antigos que deveriam ser alguma espécie de camuflagem de guerra lhe cobriam a pele. E seu rosto tinha uma densidade massiva de barba com algumas partes dos pelos tendo sido trançados.

Deva era bonita quando não estava com sua feição séria sem expressar nenhum sorriso. Cabelos negros e pele pálida com pintura de guerra que lhe contornava mesmo os olhos, os destacando e dando um aspecto incrivelmente atraente. Até algumas mechas de seu cabelo tinha pintado da cor branca de alguma forma desconhecida. Sua lança estava em seu colo naquele momento, ela dificilmente se separava daquela arma.

— É um ritual antigo – disse Deva – E apenas guerreiros fazem quando encontram um oponente de valor então se alimentam para ter a força deles consigo. Mas essa tradição vem sendo distorcida, não nos compare com eles. Estamos longe do que um dia chamamos de lar há muito tempo...

— Qual é o gosto de carne humana? – questionou Erdan – Vocês devem ter provado ou pelo menos Mungo deve saber já que era um homem na época que foram escorraçados como cães do seu antigo clã.

— Você não sabe o gosto ou faz isso para nos provocar? Eu já vi você controlando essas bestas em batalha. Já matou gente enquanto estava na pele de seus lobos – disse Deva – Se alimentou deles não? – Erdan coçara a barbicha que tinha embaixo do queixo.

— Sim, mas estava como um lobo – respondeu Erdan – Eles não tem muita distinção de gosto, quero saber como é ser um homem e saber que você está devorando outro como você. Quero saber se o gosto é bom quando se é uma pessoa comendo.

— É péssimo, prefiro javali é bem melhor – disse Mungo encerrando a conversa enquanto limpava os lábios e ia passando um córneo para as duas recém-chegadas — Vai uma bebida ai? – Una deu um gole terminando com uma careta – Bom não é? — Então oferecendo para a garota ao seu lado.

— Vou avisando, você pode não gostar. – falou Una enquanto via a outra tomando um gole e então começando a tossir sendo então que tirou o córneo das mãos dela e passou para Fergus – Eu avisei – Mungo ria da cena da garota.

— O que é isso? – perguntou Brie.

— Leite de cabra azedo – disse Mungo – Bem melhor do que o suco de frutas amassadas que vocês chamam de bebida no sul. – Então mostrou um jarro ao lado dele – Vai mais um pouco? – Ao que Fergus estendeu o córneo e foi servido.

— Eu acho que eu nunca me desculpei de verdade pelo que eu te falei – disse Fergus a Brie – Sobre como eu enfiaria duas flechas em suas pernas se você fugisse de nós. Eu sinto muito por isso...

— Você a ameaçou de flecha-la? – disse Una que ainda desconhecia aquele fato.

— Eu estava bancando o ameaçador – respondeu Fergus – Precisava botar medo na garota.

— Até porque não queremos que nada aconteça com a nossa futura rainha – falou Erdan – Talvez estejamos olhando para aquela que dará um herdeiro ao Wolfgang.

— Não fale tanta merda – disse Una – Wolfgang tem uma esposa e uma herdeira.

— Uma esposa sulista pode ser trocada por outra não é? – falou Erdan – E uma filha não é a herdeira que um rei precisa. Ele tem de ter um príncipe, alguém por quem o Povo Livre lutará se ele cair.

— Nós não estamos indo para uma guerra – disse Una – Estamos querendo sobreviver.

— Então, por que ela está aqui? – Perguntou Erdan – Uma princesa sulista, filha de um Rei Ao-Sul-da-Muralha. É um pedido para a guerra não faço ideia do que eles desejam com essa garota aqui. Se ele quer seguir a historia de Bael e plantar a semente nela ou o que possa ser...

— Ele sabe como a história de Bael terminou – disse Fergus – Todos nós sabemos e não é isso que queremos. O Povo Livre encontrou nosso novo rei, não precisamos questionar as decisões quando são para nosso bem.

— Devemos se não sabemos aonde elas querem nos levar – falou Erdan então encarando Brie – Não vai dizer nada? Estou falando com você, sulista ou os meus companheiros aqui – ele acariciou os lobos – comeram a sua língua?

— Eu acho que não serei a rainha de vocês – falou Brie sem encarar o warg – Una disse que vocês já possuem uma.

— Possuímos – disse Deva – É uma boa mulher por mais que não seja uma guerreira.

— Ela estava destinada a Wolfgang – disse Una – Os deuses lhe trouxeram até nosso povo pelo mar, o barco em que ela estava encontrou seu fim quando se chocou com uma geleira que o rachou no meio. Ninguém sobreviveu além dela.

— O coração dela parou – disse Fergus – Minha mãe cuidou dela quando chegou até nós pela costa. O coração dela parou de bater por um tempo, minha mãe clamou pela vida daquela pobre mulher e então a vida retornou para seu corpo. A missão de Alyssane não tinha terminado ali. Ela estava destinada a ser a mulher escolhida por Wolfgang.

— Você entende não é? – perguntou Una – Porque eu disse que você não servia para ser nossa rainha. A esposa de Wolfgang lutou com a morte e venceu, seu coração parou e seu corpo estava frio como as águas da Baia de Gelo. Só que mesmo assim ela lutou e venceu...

—Nem todas as batalhas são lutadas com espadas. – continuou Una — Algumas são silenciosas contra o pior que há em nós. Contra as nossas fraquezas e o que quer nos derrubar. – ele olhou para Deva – Ela é uma guerreira sim só não é uma esposa de lanças como você...

— Todos nós sabemos que você admira aquela mulher – disse Mungo – E que é a primeira a defendê-la com unhas e dentes. E eu admiro isso em você.

Brie ficou pensando sobre o que Una tinha dito. Sobre as maiores batalhas que enfrentamos são aquelas silenciosas que lutamos dentro de nós mesmos, pegando-se pensando o como aquilo soava às vezes com coisas que ela dissera. Como palavras que ela repetia de livros que lia, porém era um saber que lhe batera profundamente. Talvez ela estivesse lutando uma batalha silenciosa no final de tudo.

Lago Longo

O sol tinha raiado, porém para os homens que tinham sobrevivido ao ataque dos inimigos na emboscada das Colinas Solitárias era como se tivesse levado uma eternidade. Eles tiveram o confronto em meio à noite, muitos de seus homens tinham caído por terra e enquanto outros saíram feridos.

Os ouvidos de Edwyn Karstark ainda podiam escutar os sons da batalha, de homens brandido gritos de guerra ou de dor. O seu nariz sentia ainda o cheiro da fumaça dos corpos e relva incendiados pelas flechas dos arqueiros bem como o odor do sangue e sujeira.

Ele sentia as pequenas pontadas da agulha enquanto esta costurava sua pele. O corte em sua testa havia sido fechado a pontos pelas mãos habilidosas de seu primo, Tyr Karstark que cortara a linha entre os dentes. Ele então pode perceber os olhos do loiro enquanto fitavam o serviço que ele havia feito.

— Bem, isso vai aguentar até chegar a Winterfell – disse Tyr Karstark – O Meistre de lá poderá refazê-los se achar que não ficaram bons. – ele deu de ombros enquanto pegava o queixo do primo e analisava mais de perto — Para mim, estão ótimos.

— Você me surpreende em saber lidar com isso – disse Edwyn.

— Me admira que não tenha tentado aprender – falou Tyr rindo – Se quer saber, um cavaleiro deve saber mais do que montar um cavalo e manejar uma espada. Um corte aberto e mal tratado pode matar pela infecção, sobreviver a uma batalha e morrer dessa forma não é algo muito digno.

— Meu ombro – falou Edwyn – Você pode... – O loiro assentiu enquanto se movia pela carroça em que os dois se encontravam. O transporte estava em movimento só que mesmo assim não fora difícil para o loiro se colocar em posição.

— Pronto? – perguntou Tyr para o primo enquanto se aproximava por detrás dele – Está preparado para isso? – Edwyn podia fitar o reflexo de ambos nas águas do balde de madeira que tinham usado para limpar os ferimentos de suas mãos, em que o pano torcido repousava na borda avermelhado e sujo de sangue.

— Só faça logo – pediu Edwyn – Por favor – E sem aviso foi que o cavaleiro colocou o braço deslocado do primo de volta ao lugar. O herdeiro de Karhold reprimira um grito, porém a careta da dor veio em seu rosto o que fez o primo rir.

— Ninguém disse que a guerra era como os malditos contos, Eddie. – disse Tyr – Não há nada de romântico em curar os ferimentos de batalha quando tem de ser feito por outro homem e não por uma bela donzela de tetas avantajadas e rosto corado. Mas mesmo assim, é boa a sensação não é?

— Ao que se refere? – disse Edwyn – A dor não é boa.

— Não seja idiota, Eddie. – respondeu Tyr – Falo sobre estarmos em batalha, você se sente agradecido por estar vivo quando ela acaba e quando está nela... É uma mistura de sensações opostas que dançam juntas numa maldita canção criada pelos deuses.

— Não blasfeme – disse Edwyn.

— Somos um espetáculo para saciar os desejos sanguinários deles – disse Tyr – A paz é boa, não me leve a mal só que o homem foi criado em um mundo podre e como animais, nós recorremos à violência. Um campo de batalha é aonde as pessoas revelam o que há de pior nelas.

— Você consegue ouvir o que diz? – perguntou Edwyn.

— Oh, foda-se a blasfêmia – disse Tyr – Eu estou em um momento de inspiração aqui se sente incomodado peça aos deuses que perdoam meus pecados. Eles nunca ouviram minhas orações mesmo talvez não gostem tanto de mim quanto de você...

— E mesmo assim você está bem – disse Edwyn. Eram poucos os cavaleiros e soldados que tinham saído apenas com alguns arranhões leves, Tyr Karstark tinha se relevado um deles. Ele então olhou para os outros que eram carregados na carroça, pode ver entre rostos desconhecidos um que lhe pareceu familiar.

O homem deitado em uma maca com o peitoral nu envolto por bandagens que aos poucos se avermelhavam por conta das feridas. E ao lado deste havia um garoto agarrado a um arco, uma aljava com flechas e uma espada que se encontravam entre suas pernas. Foi então que ele reconheceu o garoto como Brandon Umber, o filho mais novo do Lorde da Última Lareira e o homem ferido era Benjen Snow.

—Ele não devia estar aqui – falou Tyr sussurrante ao moreno ao vê-lo fitar o menino – Seus pais tentaram tira-lo, mas ele insistiu em ficar. Eu o entendo por ter sido teimoso em insistir, aquele homem salvou-lhe a vida.

— Como isso aconteceu mesmo? – perguntou Edwyn.

— Benjen Snow jogou-se no chão sobre Brandon para lhe proteger das flechas – disse Tyr – Uma atitude estupidamente nobre. Será uma morte boa se ela lhe chegar assim... – então ele foi interrompido.

— Ele não vai morrer – disse Brandon Umber ao primo.

— Claro que não vai – disse Tyr apesar de seu tom de voz querer dizer o contrário. A carroça parou com um tranco e o balde de água entornara pelo solavanco bruto assim molhando o chão de madeira. – Estamos parando – ele dirigiu-se a Edwyn – Vamos dar uma volta... — E eles puderam ver as pessoas da comitiva descendo dos cavalos e das carroças então imitando a atitude.

— Hei, encham o balde – falou Brandon Umber jogando-o na direção dos dois – Minha mãe falou que se o Benjen ficar com febre é para colocarmos trapos molhados na testa dele. Sem água não tem como fazer isso...

— Tudo bem, pode deixar que eu faço isso para você – falou Edwyn e os dois começaram a andar pelas proximidades. Eles logo puderam notar o extenso lago que se estendia no lado esquerdo deles.

— Você não precisava nos acompanhar na carroça – disse Edwyn enquanto aproximavam-se da margem. O moreno então se agachara para encher o balde com água – Não que eu esteja reclamando, apenas é que você parece bem.

— Nem tanto, eu perdi meu cavalo. Por conta disso que estou com você naquela coisa no meio dos feridos... – respondeu Tyr parecendo um pouco chateado – Era um bom animal, boas pernas e rápido. Tive de dar um fim naquela pobre alma depois que um dos infelizes o atingiu com uma lança. Eu devia ter feito algo, mas tudo que fiz foi saltar antes que caísse em cima de mim...

— Você está triste por que seu cavalo morreu? – disse Edwyn.

— Era um bom cavalo – disse Tyr parecendo nervoso com a pergunta do primo – Espero que haja animais como aquele em Winterfell, só eu sei o quanto é ruim estar com uma montaria nova que você mal conhece. E estamos em guerra.

— É, estamos em guerra – respondeu Edwyn finalmente parecendo aceitar a sua verdadeira realidade. Tyr pareceu perceber pelo tom de voz do primo e lhe encarou então se levantando de onde antes estava agachado.

— Você sobreviveu – disse Tyr – É o suficiente, continue fazendo isso e quem sabe não conquista o titulo de cavaleiro depois de toda essa merda. Talvez seja seu presente de casamento dado pelo pai de sua noiva.

— Será que eu ainda irei me casar? – falou Edwyn enquanto entregava o balde para o loiro – Estamos em guerra. – o cavaleiro riu para aquele comentário.

— Oh, vai sim – disse Tyr – O senhor seu pai irá garantir que a aliança seja selada. Karhold necessita que a linhagem continue e você irá garantir isso. – Então sorriu – Você sobreviveu sua primeira batalha. Derramou seu sangue e de seus adversários, primo. Matou pela primeira vez... – ele sorrira – Queria que Rodwell estivesse aqui para ver como o irmãozinho dele está crescendo e se tornando um homem de verdade... – e fez uma pausa — Um que talvez eu esteja disposto a servir.

— Talvez? – perguntou Edwyn.

— É, porque nunca se sabe não é mesmo? – disse Tyr – Estamos em guerra, Edwyn. – reafirmou o que havia dito — Não é bom pensar muito no futuro, mesmo que estejamos lutando para garantir que seja melhor.

— Você tem razão – disse Edwyn.

— Deveria acostumar-se com isso porque não é novidade alguma – disse Tyr com seu sorriso convencido enquanto se afastava – Vou entregar isso ao Bran e depois estou indo comemorar nossa primeira vitória, se estiver afim de um pouco de vinho depois de tudo isso é só me procurar.

Ele afastou-se seguindo pela margem e os olhos de Edwyn acompanharam o loiro que transitava entre os outros homens que usavam as águas calmas do Lago Longo. Uns bebiam para matar a sede já outros se lavavam. Edwyn encarou as próprias mãos, envoltas em ataduras de panos devido aos ferimentos e talvez por isso não devesse molha-las. Ainda doía mexe-las, mas de acordo com Tyr aquilo não iria impedi-lo de manejar uma espada, apenas bastava que se curassem.

Os olhos claros do rapaz continuaram fitando ao seu redor. Viu que cavalos bebiam nas partes mais rasas enquanto cavaleiros limpavam as lâminas de suas espadas. E havia aqueles soldados que enchiam baldes e elmos para carregar a água para longe dali, talvez para companheiros feridos beberem ou limparem suas feridas.

As pessoas falam sobre as grandes batalhas, mas não contam sobre o que vem depois. De como homens mortos tiveram que ser deixados para trás enquanto os vivos partiam para longe para sua sobrevivência, companheiros que lutaram lado a lado e que caídos foram abandonados aos corvos e ladrões de estrada.

Eles não tinham como permanecer no mesmo caminho, não era bom persistir e arriscar um segundo ataque por mais que eles tenham conseguido dissipar os inimigos. Permanecer naquela estrada tinha se revelado uma péssima ideia então recuaram para o oeste seguindo próximos do Lago Longo para então seguir caminho para Winterfell.

— Lorde Umber estava me contando sobre esse lugar como se eu já não a tivesse ouvido todas as vezes em que cavalgávamos por essas terras nas caçadas que fazíamos – disse Torrhen Karstark enquanto se aproximava do filho então sentando-se com certa dificuldade – Mas é a favorita dele então eu o deixei falar.

— Você não devia esforçar-se tanto – falou Edwyn olhando para abdômen do pai que estava repleto de bandagens – O senhor feriu-se na batalha, colocar tanta pressão sobre...

— Eu tive ferimentos piores do que isso. São apenas costelas quebradas e eu já tive isso antes. A dor incomoda, mas é só isso mesmo depois de um tempo estarei melhor. – disse Torrhen Karstark colocando a mão sobre as ataduras – Vou sobreviver, Edwyn... Não se preocupe tanto comigo quando eu que deveria me preocupar com você. Lembra-me sua mãe com esse coração tão mole, filho.

— Mas o senhor ainda assim gosta dela desse jeito – disse Edwyn sorrindo.

— E tem como não gostar da mulher que me mostrou que havia luz em meio às trevas? – disse Torrhen Karstark – Nós estamos juntos há 25 anos dentre momentos bons e ruins. Por isso que lhe digo: Não escreva contando sobre o que aconteceu, acredite você não faria mais do que alarma-la sem razões.

— Não podemos deixa-la e a Jenny sem noticias – respondeu Edwyn.

— Eu escreverei – disse Torrhen Karstark — Eu farei isso, sei lidar melhor com aquela mulher do que você... – ele fez uma pausa — Sei que se disser uma palavra errada já será o suficiente para deixa-la temerosa.

— O senhor acha que eles virão atrás de nós? – disse Edwyn.

— Esse ataque nem ao menos deveria existir, filho. – falou Torrhen Karstark – Foi uma infelicidade o que aconteceu, não foi uma emboscada planejada não com aquele numero tão menor de homens. – ele suspirara — Serviu apenas um golpe desesperado de sorte de tentar impedir que chegássemos a Winterfell.

— Mas e se eles vierem por esse caminho – disse Edwyn.

— Podem vir, mas não nos encontrarão – disse Torrhen – Estamos fazendo uma pequena pausa para dai continuarmos viagem e não pararemos até que estejamos de frente com o castelo do Rei do Inverno. Não seremos seguidos, eles estão tão ruins quanto nós e não é este o caminho deles... – então encarou o filho parando nos pontos que tinham sido dados em sua têmpora – Será uma bela cicatriz, eu lembro quando ganhei a minha – E tocou o próprio rosto em que um fino risco claro descia de sua sobrancelha até próximo do inicio da bochecha – Eu a ganhei defendendo o Rei Brandon na época em que não passava de um príncipe. Mas você já sabe...

— Sim, eu sei. – disse Edwyn – É uma boa historia.

— Sim, é mesmo uma boa historia – disse Torrhen – Mas a sua, será uma lembrança de sua primeira batalha. Sua mãe sempre que encara-la vai me culpar por tê-lo o arrastado para essa guerra. Mas eu não podia deixa-lo em Karhold... Nós discutimos sobre se você deveria me acompanhar, ela queria que você permanecesse ao lado dela já eu achava importante que viesse. Ela me acusou de querer tirar dela o seu outro filho.

— Rodwell não morreu por sua causa, pai. – disse Edwyn.

— Eu sei – falou Torrhen – Sua mãe sabe, mas no momento da raiva acontece. – ele depositou a mãos sobre o ombro do filho — Uma parte de mim queria protege-los para sempre, você e Jenny impedindo-os de conhece o que há de pior nesse mundo. Mas a vida não é apenas feito de coisas belas...

— Eu sei disso pai – falou Edwyn.

— Você sabe, mas não conhece – disse Torrhen – Eu tive de assumir as funções como lorde quando era mais novo do que você é hoje. Tive de crescer rápido, um dia era um garoto e no outro havia me tornado um homem. E eu cometi erros, sendo o pior deles o que cometi com você... Talvez por você ser um segundo filho eu nunca tenha exigido tanto de você como fazia com Rodwell. Não o preparei para ser meu herdeiro, até porque como eu saberia.

— Não havia como saber – respondeu Edwyn.

— Não é natural um pai ter de enterrar um filho, a dor é o pior sentimento que existe e eu nunca quero senti-lo novamente. – disse Torrhen — E não irei, por isso que eu quero você do meu lado, Edwyn. Quero que você aprenda a ser um lorde, para que possa levar Karhold quando for chegada a hora.

— Eu irei honra-lo, pai. – disse Edwyn – Acredite em mim.

— Eu acredito – falou Torrhen – O que me preocupa é que eu ainda olho para você e vejo um garoto mesmo depois de uma batalha, não consigo vê-lo como um homem crescido. Mesmo tendo estado de frente com inimigos e sujado sua espada de sangue – e encarou a espada do filho – Ainda assim não sinto como se estivesse mudando.

— Talvez, as mudanças sejam lentas – disse Edwyn – Eu sinto como se estivesse mudando, minhas mãos doem. Eu sinto como se gostasse dessa dor porque ela me faz perceber que eu estou vivo. E eu me sinto mal pelos que se foram, mas eu estou feliz... – e então fez uma pausa — É errado isso não é? Eu fiz algo que considero errado, pai. Mas eu não sinto arrependimento...

— Não, não é errado matar – disse Torrhen – E não se sinta culpado pelo que aconteceu nem pelo que fez. Você matou porque precisava sobreviver e é assim que as coisas são na guerra, meu filho. – ele se levantou sendo acompanhando pelo filho — Suas responsabilidades vêm crescendo muito, Edwyn. Você virou meu herdeiro, e em breve tomara uma mulher como esposa...

— Então, é verdade o que Tyr falou sobre eu tomar Atena como minha esposa – disse Edwyn – Eu não deveria estar surpreso, não é? Guerras fazem as coisas fluírem mais rápido mesmo um noivado como o nosso que tem pouco mais de dois anos.

— Sim, ela e você trocarão os votos no Bosque Sagrado de Winterfell – falou Torrhen – Exigirei que vocês concebam as núpcias antes de partirmos para a guerra. Com sorte quando retornar sua esposa estará lhe esperando com seu filho nos braços...

— Ou essa criança pode crescer sem um pai – falou Edwyn.

— Não, não irá. – Falou Torrhen – Os deuses não iriam levar sua luz tão cedo como levaram a de seu irmão. – Ele passou as mãos nos cabelos do filho – Nem eles são tão cruéis. – Então começou a afastar-se.

Edwyn ficou para trás encarando seu reflexo nas águas do lago. Ele pensou sobre a guerra e sobre o erro que tinha cometido e que mesmo assim não sentia culpa, se lhe perguntassem sobre a batalha dali alguns anos talvez ele contasse que não se lembrava de nada nem de nenhum dos outros oponentes que enfrentara antes de estar de frente com aquele cavaleiro que lhe causara cada um de seus ferimentos. Barret Ryswell e Edwyn Karstark, um contra o outro.