Notas iniciais
Capitulo novo para vocês. Boa leitura.

Forte Pavor

O seu corcel negro relinchara impacientemente debaixo dela, entre as fileiras de homens de manto vermelho sangue com os escudos dos homens esfolados que formavam fileiras no centro da estrada. A Princesa Larra Bolton se encurvara então e massageara o dorso do animal ainda se mantendo sentada em sua cela.

Ela pode ouvir também as patas que amassavam o terreno demonstrando a impaciência da égua branca pertencente à Elenya Hornwood. Sua dama de companhia como sempre se mantinha ao seu lado, mas com exceção dela não tinha pedido a presença de qualquer dos guardas de Forte Pavor.

Mas a senhora sua mãe achou prudente mandar alguns soldados para lhe fazer a escolta até porque era um modo de mostrar algum respeito pelos lordes que se aproximavam. Ela temia que Lorde Ethan Bolton talvez não gostasse se recebido apenas uma garota doente depois de ter subido rio acima com seus homens.

Pode notar certa impaciência na parte de sua amiga, sendo que mesmo sem que a loira dissesse nada foi que Larra pode deduzir a causa. Inicialmente, o plano seria de a princesa vermelha e sua dama de companhia teria a missão de receber a comitiva que vinha de Hornwood nos portões.

Porém por algumas razões foi que a Rainha Bethany acabou mudando os planos e as enviando para o ancoradouro para recepcionar a comitiva que vinha de Vila Queimada.

O seu irmão, o até então Príncipe Rowen, que deveria ter vindo em pessoa ao encontro das tropas aliadas, refletiu enquanto esperava, mas se não houvesse ninguém por perto para orienta-lo e mantê-lo nas rédeas talvez ele estragasse tudo.

Nos últimos dias, Rowen andava ainda mais insuportável desde que se recuperara do choque inicial da morte do pai e agora parecia ter despertado para realidade que era sua coroação que se aproximava. Rowen já agira de um jeito um pouco petulante antes sendo que agora então era basicamente uma versão piorada, como já se considerava um rei mesmo sem a cerimonia ainda ter sido realizada sendo algo que só aconteceria depois do funeral.

Elenya tinha dito a Larra que o príncipe era uma criança que tinha ganhado poder demais da noite para o dia e que agora agia como o senhor da verdade. Uma criança mimada com um ego enorme que queria todas as vontades suas sendo acatadas.

Larra a alertara para que não repetisse aquilo porque caso mais alguém ouvisse era capaz de Rowen mandasse arrancar a língua da dama de companhia. Mas a verdade era que lá no fundo de seu coração que a garota sabia que seu irmão era um pequeno monstro em formação afinal tinha sido criado para se tornar uma copia do pai.

Elas provavelmente também teriam de mantê-lo afastado dos Ryswells quando estes chegassem porque desde o anuncio que a cavalaria dos Regatos estava a caminho que os guardas de Forte Pavor começaram a fazer piadas a respeito. Dizendo que seria bom que eles não cruzassem com nenhum lobo porque caso do contrário seria capaz de Lorde Sandor se ajoelhar ali mesmo na estrada.

Além de outras piadas como aquela que seu irmão lhe contara outro dia: Quantos Ryswells são necessários para pôr a ferradura em um cavalo? Depende da força deles para levantar o animal que está de joelhos primeiro. Era um fato que Larra não achará aquilo divertido.

Então foi que eles viram os barcos se aproximando pelo leste do Rio das Águas Chorosas. Elas eram embarcações grandes o bastante para acomodar os soldados de Ethan Bolton enquanto eram pequenas ao mesmo tempo para poderem navegar no rio. Larra assistiu enquanto via o desembarque de ao menos algumas milhas ao longe de onde ela se encontrava.

Podia ver então os estandartes esvoaçando quando os soldados emergiam das embarcações sendo que ainda pode ver para sua surpresa alguns cavaleiros montados desembarcando da maior delas.

Dali até o rio era uma distancia considerável e plana sem obstáculos, em tempos de guerra aquele lugar tinha sido chamado uma vez da planície dos homens esfolados, por ser ali que os estantes com os inimigos dos reis vermelhos eram expostos sem pele. E agora a guerra se aproximava e aquele lugar provavelmente teria sua aparência macabra restaurada.

Larra surpreendeu-se com a quantidade de soldados que marchavam em sua direção. Eram homens demais e estandartes sendo empunhados por muitos deles. Sendo que aquela distancia não conseguia decifrar de quais se tratavam as casas. Eu não esperava por tantos assim, pensou um pouco ressentida, enquanto observava os cavaleiros que vinham a frente e que os animais que pareciam trotar um pouco assustados no terreno enlameado por conta de seus cascos que afundavam na lama. Aparentemente, Lorde Ethan tinha reunido metade das casas menores juramentadas aos Bolton.

— Reconheceu os estandartes? — perguntou Elenya. A filha de Lorde Hornwood forçara os olhos para reconhecê-los melhor aquela distancia em que se encontravam. Ela tinha bons olhos afinal tinha sido treinada em arquearia pelo pai.

— Cinco. São cinco estandartes diferentes... – disse Larra virando-se na sela para encarar a loira – Mas não consigo reconhecê-los daqui. Você consegue?

— Se eu pudesse vê-los – respondeu Larra – Não consigo ver nada daqui. – Ela pode ver a loira pensar um pouco antes de voltar-lhe a olha-la com uma feição divertida – O que foi?

— Vamos jogar aquele jogo – disse Elenya – Lembra-se, quando estávamos na biblioteca e você estava lendo a respeito dos brasões das casas de Westeros? Tirei o livro de você e então eu lhe perguntei alguns e pelo que posso me lembrar acertou os que escolhi.

— Eu não estou com muito humor para jogos, Enya – disse Larra e a Hornwood pode notar que a amiga parecia um pouco preocupada e tensa. – Apenas vamos esperar por eles... — A loira então com um movimento de rédeas aproximou alguns passos a sua égua branca mais a frente do que o corcel negro da princesa.

— Está muito longe ainda, podemos jogar sem que eles percebam. – disse Elenya – Vamos, você vai ficar menos tensa assim. Vou descrever os símbolos que vejo e você que casas representam. — Não consigo ver. O vento está agitando os estandartes.

— Então deixemos isso para depois – falou Larra.

— Mas não vai ter graça ou terá? – respondeu Elenya – Ah, estou conseguindo ver. – ela colocou a mão sobre os olhos para impedir que o sol lhe atrapalhasse — Um homem esfolado – descreveu — com fundo negro.

— O brasão da Casa Bolton de Águas Chorosas – disse Larra – É o brasão pessoal da casa cadente liderada pelo meu tio, Lorde Ethan Bolton. É eles que estamos esperando, Enya. Se vamos jogar então que joguemos direito – brincou a princesa com sua dama de companhia – Diga outra.

— Vejo um brasão com duas chaves cruzadas de bronze em um plano branco e roxo. – descreveu Elenya – Essa também não é difícil.

— Casa de Locke de Castelo Velho – respondeu Larra com um sorriso afinal mais uma vez tinha acertado – Não é surpresa alguma já que a esposa de meu tio pertence a essa casa. Aparentemente, Lorde Locke se uniu para acompanha-lo.

— Uma pira e um arco com sete estrelas de quatro pontas em prata sobre campo púrpura. – disse Elenya sobre o terceiro estandarte.

— Casa Whitehill de Highpoint – disse Larra convicta.

— Este é bem colorido. – falou Elenya – Tem... Cinco círculos negros em chefe de aço sobre jaquelado de verde e branco. Faço mínima ideia de onde é esse brasão.

— Casa Wells – respondeu Larra – É uma casa imigrante que se estabeleceu no Norte com o apoio dos Bolton. – explicou a princesa parecendo mais relaxada e menos tensa sendo que isso não passou despercebido pela loira — Os membros da família vieram de Dorne há algumas décadas atrás.

— Como consegue guardar tanta coisa? – questionou Elenya admirada – Eu não fazia ideia de quem eram os Wells. Quando chegarmos ao castelo vou checar se você acertou ou está mentindo para mim. – brincou ao que a amiga riu.

— Não confia mais na minha palavra? – devolveu Larra se fazendo de ofendida e parecendo divertisse também — Pensei que fossemos amigas.

— Certo, vou considerar então pela nossa amizade – respondeu Elenya também em um tom divertido – Certo, já foram três se você quiser parar.

— Vá em frente porque faltam duas – disse Larra parecendo mais solta do que antes.

— Dupla bordura branca em campo cinza claro. – falou Elenya descrevendo o quarto estandarte.

— Casa Slate de Lagoa Negra – respondeu Larra sendo que mais uma vez estava certa.

— Chevronado de marrom e dourado – falou Elenya.

— A Casa Stout de Campodourado – disse Larra parecendo um pouco confusa – Mas eles deveriam vir junto dos Dustin. – então pode ver a expressão de ponto de interrogação da amiga — Já que é uma casa vassala de Vila Acidentada.

— Sim, mas meu pai uma vez me falou que vários soldados tinham sido sitiados em Vila Queimada sobre o comando de Lorde Ethan. – respondeu Elenya — Os Hornwoods mesmo cederam alguns homens para cumprirem o dever de proteger o Norte dos nascidos do ferro. Alias, estive procurando o brasão da minha casa e não estou vendo, o que é estranho porque meu primo Harrion serve como intendente de seu tio.

— De qualquer forma, terminamos. – disse Larra – E eu acertei todas.

— Não tão rápida que eu ainda tenho que confirmar a Casa Wells – disse Elenya — Se acertou realmente todos os brasões então eu lhe darei um presente.

— Não é necessário – disse Larra – Não fiz isso atrás de um prémio.

— Alguém que consegue lembrar-se de todos os brasões do Norte para não dizer de Westeros é algo a ser comemorar. – disse Elenya sorrindo – Queria eu ter esses talentos porque aparentemente a única coisa que faço melhor do que você é tiro com o arco.

— Isso porque sou uma negação com arco e flechas – disse Larra. — E porque meu pai nunca se interessou em me ensinar como no seu caso.

— Eu poderia te ensinar se sua mãe não fosse arrumar problemas com isso – disse Elenya – Sobre eu estar brutalizando a doce filha dela. – a morena sorriu um pouco acanhada afinal aquilo era verdade. A Rainha Bethany sempre pensara em Elenya como uma má companhia para a filha sendo que por vezes pedira para o Rei Royce devolvesse a moça para os pais. Tudo porque Elenya Hornwood tinha sido marcada como uma mulher desonrada.

Larra então suspirou ao pensar em como seu Tio Ethan trazia alguns companheiros admiráveis. Os Lockes pelo que sabia era uma das casas mais ricas no Norte talvez a quarta com mais somas em ouro atrás apenas dos Starks, Boltons e Manderlys.

Ao que parece o Lorde de Castelo Velho seria um dos financiadores mais importantes para o lado deles já que por mais que seus pais não deixassem que isso fosse dito em voz alta, a Casa Bolton se encontrava em uma situação financeira instável devido as dividas que o seu pai herdara do reinado do Rei Robett.

Mas o que mais incomodava era: Por que uma casa como Locke até então neutra tinha se mobilizado em lutar pela sua família? O que Ethan Bolton tinha dito a eles que os mobilizara para participar daquela guerra? Seja lá o que fosse Larra tinha de manter-se calada e apenas observando afinal era cedo demais para tirar conclusões precipitadas.

— Larra — disse Elenya com certa hesitação – Eu não vejo seu tio. – A garota de cabelos escuros então se virou para encarar a sua frente a comitiva que se aproximava. – Eles tão pertos o suficiente e eu não consigo ver o cavalo de seu tio nem ele.

-Você está certa. – falou Larra após alguns segundos em silêncio enquanto tentava identificar Lorde Ethan entre os cavaleiros — Estandartes, em frente – exclamou a princesa dando meia volta no cavalo e se dirigindo aos guardas que se encontravam atrás das duas moças. E com um sinal foi que ela indicou a direção de onde a comitiva vinha. — Vamos ao encontro deles.

— Ouviram a sua princesa, vamos. – falou Elenya enquanto ela e Larra esporeavam os cavalos. A dama de companhia seguia do lado direito da princesa no mesmo ritmo de trote. Sendo acompanhadas pelos porta-estandartes em seus cavalos um de cada lado enquanto os guardas de Forte Pavor seguiam logo atrás.

Quando os cavaleiros viram que elas se puseram em movimento foi que por sua vez também esporearam as próprias montarias. E assim seguiram mais depressa ao encontro da princesa enquanto o vento fazia ondular os estandartes conforme avançavam.

Então pode ver os cavaleiros com mais detalhes. Suas armaduras eram fortemente reluzentes e possuíam relevos de aço recém-polido que quase se assemelhavam a prata de tão cintilante. Vinham montados em cavalos castanhos e pardos e alguns brancos como a neve.

O líder que cavalgava no centro dos cavaleiros, porém vinha montado num garanhão negro como a noite. O homem não trajava uma armadura como a maioria dos homens a cavalo, na verdade seus trajes eram formais e de tecido nobre sendo também em tom de negro que deixava sua aparência pálida ainda mais evidente.

Sentava-se na sela como se estivesse em um passeio não como se estivesse indo em meio a soldados prontos para a guerra. A verdade era que a visão dele ali simplesmente não parecia se encaixar. Era alto, magro e com uma feição que as pessoas poderiam dizer que estava doente pela palidez e as profundas olheiras ao redor dos olhos dele. Mas aquilo era apenas resultado de noites em que o rapaz virava acordado e pelo fato da pouca luz do sol que tomava.

Um manto de pele vermelho sangue lhe cobria os ombros e o protegia do frio. Sendo que conforme o vento o atingia fazia com que a capa flutua-se assim como o estandarte lhe dando um ar fantasmagórico.

Um Bolton, mas duas décadas mais novo do que esperávamos, pensou Elenya. Então as duas puxaram as rédeas do cavalo se colocando frente ao filho de Lorde Ethan com quem teriam de lidar.

— Sua alteza – os homens a pé ajoelharam-se frente a imagem de Larra Bolton que por mais que soubesse que era uma princesa ainda assim sentia-se sempre um pouco intimidada ainda mais como viu toda aquela onda de soldados ajoelhando-se diante dela. Ainda com as bochechas um pouco coradas foi que a moça contou mentalmente até dez para relaxar antes de pronunciasse.

— Senhores, por favor, levantem-se – disse Larra e assim a mesma onda de homens que tinham se ajoelhado ergueram-se do chão. Mais alguns segundos em silêncio em que ela sentiu centenas de pares de olhos sobre si com todos esperando pelas suas próximas palavras.

— Prazer, senhores. Recebemos notícias de sua chegada – disse Larra formalmente – Minha mãe, a Rainha-Viúva Bethany Dustin pediu-me para vir ao seu encontro a fim de lhes dar as boas-vindas em nome de minha família e recepciona-los em nosso lar. – tinha sido a apresentação que Meistre Lywin tinha ajudado que ela preparasse para as comitivas sendo que tentara falar de um jeito que não soasse algo decorado. — Eu igualmente os saúdo. – Ela então olhara ao redor apenas para certificar-se de que realmente o homem mais esperado não se encontrava ali — Pergunto-lhes, porém o porquê de meu tio, Lorde Ethan Bolton, não encontrar-se entre os senhores.

— O meu pai pediu-me que trouxesse uma parte de nossos homens pelo rio – disse o rapaz pálido – Ele e o restante de nossos soldados chegarão daqui alguns dias pelo fato de estarem em uma missão. Porém, eu em nome de nossa família que é uma ramificação secundária da Casa Bolton, lhes dou os nossos singelos pêsames pela perda que sofremos. E ainda peço desculpas em nome de meu pai, mãe e irmã por tal imprevisto não poder ser evitado.

— Agradeço suas condolências, primo. – disse Larra – E não há motivos para que desculpas sejam ditas, Eddard Bolton. – e o rapaz fez um sinal em agradecimento — Você é bem vindo em Forte Pavor assim como sua família também será assim chegarem. – Então se voltando para encarar os outros — E os seus nobres companheiros também são muito bem-vindos.

— Permita-me que os apresente, sua alteza. – disse Eddard então olhando para sua direita – Para começar meu avô, Lorde Luther Locke, de Castelo Velho e seu herdeiro Sor Daeron Locke. A minha esquerda tenho Lorde Wilkes Whitehill de Highpoint e Sor Harry Wells, o terceiro filho de Lorde Wells. – os citados manearam a cabeça em cumprimento enquanto o rapaz voltava seu olhar para o lado esquerdo — Lorde Severus Slate e seu filho natural, Sven Snow, o Bastardo da Lagoa Negra. E Sor Sylas Slout, segundo filho de Lorde Slout de Campodourado. — Ergueu uma mão para uma mulher de cabelos negros que se encontrava atrás de si fazendo-lhe sinal para que se aproximasse e a mulher um pouco acanhada aproximou-se em sua montaria — E esta é Lyanna Snow, minha amante.

Elenya pode ver Larra engolir em seco. Eddard Bolton havia trazido sua amante que era ainda por cima bastarda. A Rainha Bethany teria um ataque daqueles se aquela moça estivesse presente nos ritos funerários. Se a moça fosse forçada a ficar em seu quarto ou em algum lugar em afastado do restante dos nobres então isso poderia chatear o primogênito de Lorde Ethan Bolton.

Larra conhecia seu primo, Eddard, por toda a sua vida e sabia muito bem como era sendo que ainda havia as historias que os outros contavam a seu respeito. Falavam sobre apesar da aparência dócil e gentil de fala mansa sendo que conseguia ser mais assustador e perigoso que o pai poderia ser.

Ela ouvira boatos sobre ações do primo que eram capazes de dar pesadelos só de se imaginar. Sendo que preferia não acreditar já que dentre os membros de sua família, o primo Ned era uma das pessoas mais gentis sendo que não conseguia imaginar uma pessoa tão doce quanto ele machucando alguém. A Rainha Bethany, porém, sempre lhe dera conselhos para que não se aproximasse tanto dele e o tom de voz que a rainha usava era algo de alguém que sentia medo.

— É um prazer, meus senhores e milady. – respondeu Larra dirigindo um olhar a todos inclusive a Lyanna Snow. A moça bastarda então sorriu.

— É um prazer, sua alteza – disse Lyanna Snow.

— Senhores e senhorita, eu gostaria de apresentar-lhes minha dama de companhia – disse Larra dando continuidade as apresentações então olhando para a loira a seu lado – Essa é Elenya Hornwood, filha de Lorde Harrold Hornwood. – e então olhou para o outro lado para certificar-se se o homem estaria ali — E esse é Petyr Poole, capitão da nossa guarda e membro da Casa Poole que junto de seus bravos homens farão nossa escolta até Forte Pavor.

— É um prazer revela Elenya – disse Eddard para a loira que apenas assentira então o rapaz voltara seu olhar para os guardas – E senhores, agradeço a vocês pelos serviços prestados para os Boltons de Forte Pavor. Tenho certeza de que são homens honrados em servir a família real.

— Sua Alteza — disse Lorde Locke — percorremos um caminho longo até aqui e um pouco de descanso seria muito bem-vindo para nossos soldados e para nós próprios. Com seu perdão, não acha que deveríamos seguir e nos instalarmos em Forte Pavor para que possamos restaurar as forças.

— Imediatamente, milorde. – respondeu Larra então virou a cabeça do cavalo e chamou por Sor Petyr Poole, o capitão da Guarda de Forte Pavor. E com um sinal do homem foi que todos os guardas manobraram vivamente os cavalos flanqueando os recém-chegados e a coluna dirigiu-se para pelo caminho que levava ao castelo da família real.

Eddard Bolton, resmungou Elenya mentalmente enquanto via o rapaz colocar o cavalo do lado esquerdo da princesa Larra, esse homem me dá calafrios e pensar que eu poderia estar casada com ele a essa altura de minha vida caso o noivado não tivesse sido desfeito. Ela então olhou rapidamente para Lyanna Snow e perguntou-se o que ela teria visto naquele homem?

Naqueles momentos que ela se sentia agradecida por Tyr Karstark ter lhe desonrado porque por mais que isso tenha mudado sua vida de cabeça para baixo ainda assim tinha lhe trazido coisas boas. Ela tinha conhecido Larra, a irmã que sempre desejara e tinha afastado Eddard Bolton de si, o marido que nem em seu pior pesadelo pensara em ter.

Ned Bolton, o abutre dos homens esfolados. Enquanto a maioria dos Bolton contentava-se com apenas arrancar a pele de suas vitimas, seu ex-noivo tinha uma fama de gostar de praticar outros atos com os cadáveres. O rapaz os abria e arrancava suas vísceras e ossos de sua carne que destrinchava com suas laminas, apenas para abri-los e depois que já estava satisfeito apenas costumava tudo novamente e fechava o corpo.

Ned Bolton se dizia um homem da ciência e que não fazia aquilo por prazer que era parte de seu trabalho, só que o jeito como ele descrevera aquilo simplesmente lhe arrepiava. Havia um brilho nos olhos dele e uma paixão que ela não conseguia decifrar se era insanidade ou não.

E o que, pelos Outros, esperavam que ela fizesse caso se casasse com alguém que simplesmente lhe assustava? Ela não tinha medo de homens até porque sempre andou no meio deles, mas era Eddard a exceção. Elenya nunca compreenderia como seu pai pudera aceitar aquela proposta, pensava que ele a conhecia bem o suficiente para saber que não iria aceitar.

Ainda mais, quando o anuncio do noivado fora pouco tempo antes de seu envolvimento com Tyr Karstark. Seu pai a acusaria de ter feito o que fez apenas para que houvesse o rompimento, sendo que ela nem ao menos estava pensando em seu noivado com Ned Bolton naquela noite.

Elenya ainda se sentia traída pelo pai depois de tanto tempo. Como ambos eram mais unidos desde sempre, como ele tinha se aproximado dela e a fez sua parceira nas caçadas que tanto adoravam e compartilhavam aquele momento juntos. Ela sabia que isso se devia ao distanciamento que Lorde Harrold tinha com seu herdeiro desde quando Lyonel retornara a Fortaleza de Hornwood depois de seu sequestro.

Lyonel nunca contara o que acontecera consigo durante aquele ano inteiro em que tinha desaparecido só sabiam que depois daquilo nunca mais ele fora o mesmo. Fosse o que tivesse acontecido tinha sido o suficiente para transformar a criança de sete anos numa pessoa de personalidade totalmente diferente. Queria ela ter conhecido seu irmão naquela época afinal ela era nova demais para se lembrar dele antes disso.

Ela estava pensando neles novamente. Mais uma vez naquele dia sua mente retornava para a sua família. Talvez fosse a ansiedade por não vê-los por meses e a saudade que tinha de cada um deles, mesmo Lorde Harrold por mais que eles naqueles últimos anos não estivessem tendo uma conversa de verdade um com o outro. Será que viriam todos ou apenas o pai? Mal podia aguentar para estar junto deles.

— Eu notei que era você que nos aguardava, prima. E estou impressionado realmente em vê-la depois de tanto tempo em ver a bela donzela que se tornou. A última vez que nos vimos, recorda-se? — disse Eddard Bolton com o tom gentil que geralmente usava com ela enquanto cavalgavam lado a lado pela estrada que levava a Forte Pavor.

— Foi no dia de meu nome do ano passado, você me presenteou com livros da historia de Westeros. Antes disso, a última vez foi durante o festival da colheita que Forte Pavor sediou a cerca de dois anos atrás – disse Larra – Nas duas ocasiões você tirou-me para dançar e não se importou quando eu pisei em seus pés por enumeras vezes.

— Não seria educado, até porque seus pés eram leves nem me deixaram marcas – disse Eddard – E eu precisava tirar-lhe para dançar no festival da colheita porque percebi que Noah Stark estava lhe olhando de uma maneira que era esperado que o efeito do vinho estivesse falando para que ele viesse convidá-la. – ele olhou para a moça — Ele certamente faria isso como uma espécie de piada e talvez quem sabe até uma ofensa a nossa casa e a de seus pais.

— Então para evitar um incidente politico que você me tirou para dançar? – falou Larra.

— Não, eu a tirei para dançar para evitar que você tivesse que aturar o lobo bêbado pelo resto da noite – respondeu Eddard – Aposto que ele grudaria em você como um cão faz com um pedaço de carne. – ele sorriu — Sem falar que eu queria dançar com você. Você é uma melhor parceira de dança do que minha irmã de qualquer forma. Tanto que tornei a convida-la no dia de seu nome do ano passado.

— Sua amante pode não gostar da forma que fala de mim – disse Larra olhando para Lyanna.

— Eu não sinto ciúmes, sua alteza – disse Lyanna Snow – Meu amado Ned é apenas um doce com as mulheres que são importantes para ele. E pelo modo como ele fala a seu respeito acredito que ele tenha razão de trata-la de modo tão carinhoso.

— Onde está Rowena? – questionou Larra como a prima tinha sido mencionada, porém não se encontrava ali entre eles. – Ela não veio com você.

De qualquer forma, Rowena Bolton não lhe fazia falta afinal diferente de Eddard, ela sempre lhe pareceu alguém que não estivesse sendo verdadeira. Parecia de alguma forma agir como alguém que não era de verdade. Larra nunca gostara de ficar sozinha no mesmo ambiente com a prima.

— Visitando um amigo – falou Eddard em um tom um pouco seco – Ela virá em breve. – Larra decidiu não insistir afinal tinha perguntado apenas por educação.

— Entendo – disse Larra.

— Sabe, eu não esperava que um dia estaríamos aqui – disse Eddard e a princesa lhe olhou confusa – Eu e você, cavalgando juntos com você nos recepcionando quando quem deveria fazer isso é o seu irmão que será nosso futuro rei. Não me compreenda erroneamente, mas eu sou mais grato por sua companhia do que a dele. É mais agradável também...

— É bastante gentil, Ned. – disse Larra sorrindo – Sempre foi. – o rapaz devolveu-lhe o sorriso enquanto o grupo se aproximava da entrada de Forte Pavor e os portões eram erguidos para que pudessem entrar.

...

Hornwood

Rowena caminhava calmamente por dentre as árvores de copas alaranjadas. Ela podia sentir o vento balançando os galhos e as folhas dançarem graciosas até o chão formando um tapete sobre o chão da floresta. Seu vestido roçava contra as folhas conforme caminhava e a capa purpura com capuz que lhe cobria acabava por balançar a favor do vento por mais que ela o segurasse. Ela poderia ter marcado um lugar melhor para encontrá-lo, mas não confiava em pisar em um castelo quando deveria estar a caminho de outro.

Ela puxava o cavalo pelas rédeas o levando logo atrás de si, naquele ponto os galhos eram muito baixos e formavam uma espécie de túnel pela forma como se entrelaçavam de modo que impossibilitava a passagem de alguém montado. Por sorte sua égua era mansa o suficiente para obedece-la e não sentir temor na floresta pouco iluminada.

Já estivera naquele lugar antes algumas vezes. O seu pai costumava ser convidado com frequência pelo Lorde Harrold para que caçassem ali na floresta que se encontrava em terras dos Hornwoods. Ela nunca gostara desse tipo de passatempo tolo que alguns homens da nobreza mantinham de saírem para caçar animais quando muito bem poderiam pagar por caçadores para fazê-los em seu lugar.

Que desafio se há em matar um animal? Ele foge até que seja cercado ou se mostre cansado demais, não há desafio como seria se pudessem caçar pessoas. Se caçassem pessoas seria mais divertido e talvez ela mesma pudesse participar. Ela caminhou então até o uma clareira podendo ver os raios de sol, que antes entravam sorrateiramente por entre os galhos, agora iluminarem o lugar cujo chão era verdejante e de mato rasteiro.

Ela viu-se aproximando próxima da árvore-coração que tinha visto na última vez em que acompanhara o pai em uma caçada. Era ali que os homens tinham parado e feito suas preces antes de saírem para a caçada, seu pai mesmo não sendo um homem religioso acabou por acompanha-los e ela mais uma vez atuara como a boa filha. Mas a pergunta era em que momento que ela não atuava? Tinha momentos que até se confundia ao pensar que era a pessoa que fingia ser.

Ela soltara a égua que passou a pastar a relva alta da clareira enquanto ela aproximou-se da árvore branca de folhas vermelhas como o sangue. Rowena encarou o sorriso esculpido e passou os dedos pelo contorno então podendo ver a ponta de seus dedos manchados pela seiva vermelha. Era como se fosse sangue. Como se aquilo fosse um maldito sorriso sangrento dos Deuses Antigos para com eles.

— Rowena – soou uma voz e por alguns segundos assustou-se ao pensar mesmo que por alguns segundos que podia se tratar da árvore-coração. Rowena Bolton então viu saindo detrás do tronco grosso aquele com quem tinha vindo encontrar e deu ao rapaz o seu melhor sorriso, daqueles que facilmente faria um homem se entregar para ela se assim quisesse.

— Lyonel – respondeu Rowena com seu tom de voz amável para o herdeiro Hornwood – Você veio, nem o vi se aproximando. Você tem os pés leves, fui pega de surpresa que você até assustou-me. Ainda bem que é você e não outra pessoa... – então olhou ao redor – Você veio sozinho? Onde está seu cavalo?

— Nos estábulos de Hornwood – disse Lyonel – Não me importo de caminhar ainda mais em um caminho que conheço tão bem. Sem falar que o cavalo alertaria aos outros que me retirei do castelo sendo que devemos manter nosso encontro secreto. – ele então puxara um pedaço de papel do bolso – Ao menos é o que diz a sua carta a mim.

— Fiquei tão feliz com sua resposta – disse Rowena – E adorei que tenha sugerido esse lugar. – Ela olhou ao redor – Tão bonito... E tão afastado dos outros não gosto de pessoas se metendo em assuntos particulares meus.

— Esse lugar pertence a minha família assim como o resto da floresta – disse Lyonel então tocara a árvore-coração – Nós não temos um bosque sagrado propriamente criado em nosso castelo. – ele então a encarou — No lugar disso, temos esse lugar que é aonde minha família faz suas preces. Eu os acompanhava aqui na minha infância. Ainda venho algumas vezes para ler quando sinto a biblioteca me sufocando.

— Sei como se sente – disse Rowena colocando sua mão sobre a dele se aproximando – As vezes também me sinto sufocada – ela se aproximara dele sendo que sua boca foi contra a orelha do rapaz para que continuasse a falar em tom de sussurro – Nós dois somos tão parecidos não é? Duas mentes brilhantes cercadas por bárbaros e com obrigações de herdeiros. – ela deslizou a mão pelo peitoral dele de um modo carinhoso — Às vezes o que queremos é apenas alguém que nos compreenda. – então ela sorriu enquanto colocava a cabeça para o lado lhe dando um olhar doce — Alguém que nos entenda.

— Não faça isso – disse Lyonel se afastando dela dando dois passos para trás – Se sua carta não passava de uma tentativa falha de me atrair para uma espécie de armadilha para conquistar-me, perdeu seu tempo, milady. Não estou interessado nesse tipo de coisa.

— Bem que me disseram que você não era desse tipo de homem – respondeu Rowena parecendo desanimada – Tinha ouvido os boatos, mas nunca pensei que fosse verdade. É um verdadeiro desperdício realmente que um rapaz tão bonito prefira a companhia de outros iguais a ele.

— Confundiu-me com meu primo Harrion – disse Lyonel – Este é que é fodido pelo senhor seu pai quase todas as noites. – ele cruzou os braços — Pergunto-me como ele ainda consegue sentar-se sobre a própria bunda.

— Meu pai ao menos é um homem casado – disse Rowena – Não recusa mulheres como certo alguém. – Ela aproximou-se novamente dele – O que é uma pena, Lyonel. Eu e você poderíamos ter todo o Norte se assim quiséssemos bastava apenas que combinássemos nossas mentes brilhantes.

— Desista, você não vai conseguir e antes que tente dizer que o que sente por mim é paixão apenas pare. – disse Lyonel se afastando novamente dela e seguindo novamente na direção da árvore — Pare de tentar me dobrar e prender-me numa de suas teias. – ela voltou-se para encará-lo – Não gosto de jogos desse tipo. Então sejamos diretos ao que interessa, o que quer de mim?

— Apenas quero seu apoio nessa guerra – disse Rowena – Preciso de alguém que conseguia travar estratégias e comande um grupo de homens em uma missão que arquitetei. E em todos os homens que pensei você é o que mais se enquadra no perfil.

— Sinto-me lisonjeado, mas a resposta é não – falou Lyonel – Não serei uma peça a mais em seu jogo de xadrez. – Ele então apontara para o cavalo dela – sabe o caminho de volta, não se preocupe que não direi nada sobre a sua derrota em tentar convencer-me.

— Desculpe-me, meu querido Lyonel – disse Rowena – Mas eu não uma mulher que aceite não como resposta. Para sua infelicidade, estou acostumada a ter tudo o que quero e se eu lhe fiz parecer que estava lhe pedindo ajuda então realmente cometi um engano ao pensar que éramos semelhantes. – ela riu – Estou dizendo que você vai me ajudar porque eu já defini isso.

Notas finais
A leitora may w me presenteou com banners para os capitulos da historia, ela fez até o capitulo 7 (o anterior a este) então por conta disso, acho que valeria apena vocês darem uma olhada nos anteriores para vê-los. Também irei posta-los no tumblr. Alias, vai aqui uma gif de uma cena do capitulo 5 que ela fez. http://i1112.photobucket.com/albums/k495/coleur/jennyampeddie1.gif Deixem seus comentários sobre o capitulo. Até mais.