North War – Interativa
8 Capitulo 7
Notas iniciais

Karhold
Tyr ria divertido ao lado da garota que lhe acompanhava. Os lábios de ambos encontravam-se ferozmente então ela mordeu-o no inferior lhe fazendo sentir uma dor leve na região antes de soltar. E então foi que foram descendo suas bocas contra a pele um do outro.
Ele pode senti-la puxando o cabelo dele com uma das mãos enquanto com a outra se embrenhava a explorar o membro dentro de suas calças. Enquanto os lábios dela iam contra o pescoço dele, Tyr ia com a própria boca deslizando até encontrar com um dos seios da moça.
Ele pode sentir um pequeno gemido dela e ela estremecer quando começara a lhe beijar o seio esquerdo. Então foi que a ergueu do chão sentindo as pernas dela lhe envolverem a cintura enquanto a encostava contra a parede dos estábulos. Ela então levara as mãos pela camisa dele tentando remove-la e conseguiu deixando-o apenas com o peitoral nu.
— Desculpe, mas vai demorar muito? – uma voz soou e os dois se viraram na direção dela. Alys Brunden, a escudeira de Tyr Karstark se encontrava ali encostada na parede de próxima do portão de entrada. – Se você quiser, digo para seu tio de que você prefere ficar em Karhold.
— Estou meio ocupado aqui – falou Tyr Karstark – Se você puder continuar do lado de fora vigiando, eu lhe agradeço Alys. – A Essosi lhe lançou um olhar com uma sobrancelha erguida ao que o rapaz suspirou pesadamente – Por favor.
— Já que pede com educação
— respondeu Alys Brunden retornando para o lado de fora – Só tentem não fazer tanto barulho. Vocês estão assustando os cavalos, pode ser que alguém venha checar.
— É por isso que você está vigiando – disse Tyr Karstark ao que a escudeira sorriu se retirando. O loiro então soltou um pequeno riso e retornara seu olhar para a garota que ainda tinha em seus braços. – Onde nós paramos? – E ele tornara a mergulhar seu rosto contra os peitos da moça.
...
Tyr Kartark pode vê-la deixar os estábulos ainda ajeitando o vestido quando está passara por Alys Brunden pode perceber que a garota desviara o olhar e ficara um pouco vermelha. A escudeira deu um meio sorriso para aquilo enquanto a via se afastando para então voltar seu olhar para o cavaleiro que se aproximava ainda prendendo o cinto com a bainha da espada na cintura.
— Obrigado por vigiar – disse Tyr enquanto ambos fechavam as portas dos estábulos juntos.
— Não é a primeira vez – falou Alys – Admira-me é claro que vocês tenham resolvido fazer isso aqui do que levar a garota para seu quarto como geralmente faz.
— Fazer o que? Ela encarou-me, me queria ali agora então te pergunto: O que deveria fazer? Fugir dessa luta? Nem pensar. – falou Tyr – Não é a primeira vez que faço num estabulo de qualquer forma, deveria saber que iria incomodar os cavalos. – ele então retirou um pouco de feno de suas roupas – De qualquer forma, podemos ir. – Eles então começaram a andar na direção do pátio principal.
— Qual é o nome dela? – perguntou Alys.
— Você não a reconheceu quando a viu? – perguntou Tyr.
— Tentei não olhar muito para ela – disse Alys – A coitada já estava envergonhada o suficiente por me ver, o que dirá se eu lhe encarasse diretamente. Se eu então lhe dirigisse a palavra acho que teria um ataque e cairia morta na minha frente.
— Myranda – falou Tyr – Ela é a... – então sendo interrompido pela escudeira.
— Filha do Mestre dos Cavalos – disse Alys completou a frase – Sim, eu sei de quem se trata apesar de não conversarmos. Pobre garota, ela sabe da outra? Aquela com o cabelo mais escuro.
— Tracy? É, ela sabe da Tracy – falou Tyr – As duas são amigas, tem vezes que as duas vem me visitar ao mesmo tempo no meu quarto a noite. – e deu um meio sorriso – Elas não se importam em me dividir.
— Não gosto disso, Tyr. – falou Alys – Tantas garotas por ai e você ainda insiste em relacionar-se com criadas do castelo. É arriscado demais, na pior das situações pode ser que uma dessas moças apareça grávida em Karhold. Então dando a luz para um belo bastardo loiro que vão facilmente ligar a você.
— Nem brinque com algo assim – disse Tyr rindo – Mas não me importo, sabe? De qualquer forma, ainda sou jovem demais para me casar sem falar que não encontrei a garota certa ainda. Até lá, posso continuar divertindo-me com as que me querem.
— E a Hornwood? – questionou Alys.
— Elenya? Ah, ela é uma boa moça – falou Tyr – Ela é bonita e divertida, mas foi apenas uma noite. Não significou muita coisa para mim. – ele a encarou — Foi bom, posso admitir. – ainda espanava os braços para limpar os vestígios de feno — Só que não passou de nada além de uma noite e não sinto nada por ela. E ela merece algum herdeiro por ai.
— Quase houve uma guerra e você ainda tem a coragem de dizer que não significou muito? – disse Alys como se o estivesse repreendendo. E Tyr não respondeu e assim os dois seguiram novamente até próximo da comitiva que já aguardava do lado da entrada principal para o castelo.
...
Tyr estava cansando-se de esperar pelos primos. Gostaria dele mesmo ter ido encontra-los ao invés de permitir que o tio manda-se algum criado qualquer fosse procurá-los no interior do castelo. Ele estava posicionado ao lado de Morgun Broin e dos outros homens que marchariam na vanguarda ao lado de Lorde Torrhen para Winterfell.
Ele sentiu o vento entrando pela abertura do portão principal e fazendo as folhas secas do outono voar pelo pátio assim como fazendo os estandartes negros com o sol prateado dançarem com sua rajada.
O jovem cavaleiro pode ver ao longe Arbus, seu cão de caça, correndo atrás de um dos esquilos tentando abocanhá-lo. Aparentemente, o animalzinho tinha conseguido irritar o cão de alguma forma pelo que podia decifrar pelos rosnados e latidos. Enquanto corria as bochechas caídas do cão balançavam a cada passo.
Ao menos Arbus não estava mais dormindo, o que já era alguma vantagem. Mesmo se tratando de um cão um pouco já velho ainda assim consegue ser o melhor rastreador da matilha que existe no castelo.
Ele pode ver Myranda passando atrás na lateral quase imperceptível até parar ao lado de Tracy atrás da linha de criados que estavam ali alinhados para ver a partida da comitiva Karstark. Ele pode ver tanto ela quanto Tracy sorrindo na direção dele. Ele havia se despedido da morena mais cedo naquele dia da mesma forma que tinha feito com a castanha.
Jenyver e Edwyn Karstark chegaram então na parte externa. Ainda andando pelos corredores superiores já podiam ver a quantidade de pessoas já postas na comitiva e aqueles que estavam ali para a despedida.
A garota pode ver todo o pátio com seus cavaleiros estando alguns já montados em seus animais enquanto outros estavam de pé ao lado da montaria. Ela ainda pode ver que o cavalo de Edwyn já se encontrava selado e pronto para ser montado.
Lorde Torrhen se encontrado de pé em frente a esposa, Lady Alais Cerwyn que em muito se assemelhava a filha apenas acrescentando-se uns anos a mais. O casal parecia estar se despedindo como mesmo de longe os dois irmãos podiam ver as mãos dos pais unidas assim na do outro. Eles não se beijavam em público como aquilo era considerado indecente então se podia se dizer que aquilo era o máximo de demonstração de afeto que ousavam em ter.
Observando a cena havia outras pessoas, ainda se encontravam ali outros membros da família como os tios. Edwyn pode logo ver alguns metros afastada dos pais se encontrava Lady Tanásia Karstark, a irmã mais velha de Lorde Torrhen.
Ela era já era uma idosa, com seus cabelos brancos e temperamento mal humorado sendo extremamente critica de uma maneira que fazia que Jenyver tivesse de aguentar firmemente apenas devolvendo com respostas diretas e brutas. Com Edwyn, porém ela era gentil e lhe tratava com carinho. E apesar da mulher não ser das mais agradáveis ainda assim o rapaz tentava não lhe dar motivos para que deixasse de gostar dele ou começasse a perturbá-lo como fazia com Jenny.
Lady Tanásia nunca tivera filhos apesar de ter sido casada por mais de trinta anos com Sor Terence Tyrell da Campina. Quando seu marido pereceu em combate contra os dorneses então ela retornou para Karhold para junto de seus irmãos. Tyr costumava comentar com Jenyver que a razão da implicância da tia para com a sobrinha se deva pela razão de não possuir suas próprias filhas para infernizar.
A Tia Tanásia se encontrava próxima do meio-irmão Thorrun Snow, que ocupava o cargo de Castelão de Karhold. Tyr lhe dera o apelido de Barba Branca, devido à camada de pelugem que cultivava na face, que um dia em sua juventude tinham sido negros, porém atualmente eram tão claros quanto à neve do Norte.
Sor Thorrun era mais velho do que os irmãos e tinha por anos servira como Capitão da Guarda de Winterfell sendo que antes disso fora escudeiro do próprio Rei Brandon IX, pai do atual regente. Dizem que ele impediu várias invasões no castelo do Rei do Inverno e que lutou bravamente por mais de trinta anos a serviço da coroa, os inimigos tremiam frente à espada do Sol Bastardo de Karhold.
Há cerca de dez anos que tinha retornado para o castelo em que crescera. Após quase morrer ao lutar contra um ataque dos selvagens aos garotos Stark na Mata dos Lobos durante um passeio a cavalo.
Um dos selvagens com seu machado acertara-lhe o braço, o meistre de Winterfell bem que tentara evitar a amputação, mas fora o último recurso devido a perda de sangue e a febre causada pela infecção. E assim foi que um pouco antes do cotovelo para baixo não havia nada no braço direito de Thorrun Snow. Estando incluído aqui a sua mão de espada.
Tyr se lembrava de o quanto o velho Barba Branca era um dos melhores espadachins que tivera o prazer de ver em ação. Por mais que ele tivesse conseguido com trabalho duro aprender a lutar com a mão esquerda, não havia mais brilhantismo que antes havia nele.
Atrás de Lorde Torrhen a alguns metros dele se encontrava Tyr Karstark entre sua escudeira Alys Brunden e Sor Morgun Broin. Este por sua vez, era uma lenda viva praticamente tão admirável quanto Thorrun Snow.
Morgun Broin era um cavaleiro juramentado a Karhold que tinha sido um amigo de Thorne Karstark, o falecido pai de Tyr. Ele era de origem humilde que chegara ao posto de cavaleiro, inclusive ganhando o titulo de Sor e recebendo terras onde erguera sua propriedade e cultivava a sua colheita.
Tyr tinha sido seu escudeiro quando mais novo e ambos serviram por anos entre os homens da linha de defesa contra os piratas das Ilhas de Ferro. Durante um confronto fora que o grupo de Broin fora emboscado e praticamente dizimado sendo o próprio o único sobrevivente e autor da carnificina em retaliação que lhe rendeu a sua acunha: o Carniceiro da Floresta Negra.
Quando os irmãos se aproximaram puderam ver que o primeiro a notar foi o primo deles como este os encarou logo assim que eles tinham deixado a grande porta do castelo.
— Tio – chamou Tyr que ao ter a atenção de Torrhen então indicara os primos que se aproximava. O Lorde então se afastou da esposa e esperou que os dois se aproximassem para então lhes dirigir a palavra.
— Vocês estão atrasados. – disse Lorde Torrhen com um tom de repreensão.
— Sentimos muito, papai. – falou Jenyver – Eu e meu irmão nos distraímos e nem tivemos ideia de que horas poderia ser. Por sorte fomos avisados e nos apressamos a chegar até aqui, de qualquer maneira, não foi culpa de Edwyn e sim minha.
— Tudo bem, querida. – falou Lady Alais encarando então o marido – Não pode culpa-la por tomar um pouco de tempo com o irmão, meu marido. Eles não irão se ver tão breve é inevitável que queiram ter um tempo juntos.
— Compreendo – falou Lorde Torrhen então se dirigindo até a filha – Queria eu ter passado mais tempo com você também, meu raio de sol. – Então Edwyn deu alguns passos para o lado dando a chance para a irmã poder abraçar o pai que fora pego desprevenido, porém logo retribuiu o abraço com força. – Eu sentirei sua falta, Jenyver.
— Também irei papai – disse Jenyver sussurrando para apenas o pai ouvir – Retorne logo para nós, mamãe e eu iremos sentir muito sua falta. – Ele separou-se e a garota teve impressão de ver no rosto sempre tão sério do pai algo semelhante a um sorriso.
— Irei deixa-la com a responsabilidade de ser a lady interina na minha ausência – falou Lorde Torrhen – Seu irmão foi o lorde a três anos atrás – ele olhou rapidamente para Edwyn então retornando o olhar para Jenyver — E agora cabe a você comandar Karhold em nossa ausência, mas não se preocupe Thorrun estará por perto para lhe dar os conselhos necessários.
— Se não fosse por Tio Thorrun há três anos quando teve o confronto Karstark contra Hornwoods não teria me saído tão bem – disse Edwyn encarando o velho homem de barba já branca e com um braço faltando – Você terá um bom conselheiro, minha irmã.
— Eu sei disso – falou Jenyver sorrindo afinal ela e o tio Thorrun eram muito próximos desde que ambos possuíam muitos interesses em comum como a frequência em que passavam lendo na biblioteca de Karhold.
— Eu tinha combinado com Lorde Umber de encontra-lo no entroncamento na estrada – disse Lorde Torrhen – temos de ir antes que eles cheguem. Será um tanto constrangedor eles que veem de mais longe tiveram que esperar por nós por muito tempo.
Edwyn se despediu então da mãe mais uma vez com um abraço tão apertado quanto o que tinha visto a irmã dar no pai deles. Enquanto Jenyver se aproximava do primo e de seus companheiros para despedir-se deles. Sor Morgun e Alys se curvaram em cumprimento quando a viram se aproximarem ao que Tyr rira pela atitude.
— Milady – disseram ambos cada um por sua vez.
— Milady? Onde? – disse Tyr rindo – Não estou vendo nenhuma por aqui. – então fez de conta que notara Jenyver — Ah, estão falando da minha prima. – A garota então dera um soco no ombro do primo, porém ela também estava aos risos. Só mesmo o rapaz para estar tão descontraído frente a ideia de que estaria indo lutar em uma guerra.
— Seu bobo, eu vim me despedir de você deveria ser mais grato para eu gastar meu tempo com você dessa forma – disse Jenyver sorrindo enquanto o primo abria os braços para acolhe-la em um abraço – Eu já falei para o Eddie então torno a dizer para você: Tentar retornar para nós com vida, está bem?
— Acredite, prima. – disse Tyr erguendo as sobrancelhas – Não está nos meus planos morrer ao menos farei o possível para evitar isso por agora. – ele dera um meio sorriso — Ainda tenho muito para viver, muito para ver e algumas moças para conhecer. Essa última parte é o que mais me interessa, afinal seria uma grande perda para as pobres moças nobres ou do povo não conhecerem a mim.
— Está ficando muito convencido – disse Jenyver.
— Não, apenas dizendo o que já é um fato. – disse Tyr – E quanto a você, prima. Prometa-me que eu terei um lugar para qual voltar depois que tudo isso terminar então trate de cuidar bem de Karhold e o mais importante: Não vá matar nenhum criado só porque ele errou em alguma coisa. Pobres almas terem agora de lidar com você no comando deles.
— Por favor, eu não sou tão ruim assim – disse Jenyver.
— Mas também não é nenhuma pluma de tão delicada – disse Tyr – De todo o modo, acredito que você irá se sair bem. Terá o velho como seu braço direito, sendo que isso é um pouco irônico já que é esse o que falta a ele. Enfim, vou indo – ele assentiu com a cabeça para a prima em despedida – Até logo, Jenyver.
— Tyr – falou Jenyver então se aproximando do primo e tocando sua mão o que o fez parar – Preciso que me prometa uma coisa. – ele ficou em silêncio por alguns segundos antes de dizer alguma coisa.
— Não – respondeu Tyr ficando de repente sério.
— Você nem sabe o que vai ser – disse Jenyver.
— Na verdade eu sei – disse Tyr num tom grave e sussurrante – E é por isso que não posso prometer. – Ele tornou a aproximar-se da prima – Quer que eu prometa que protegerei seu irmão na guerra, que o defenderei e trarei Eddie de volta com vida para casa. Mas não posso prometer isso porque eu nem ao menos sei se eu irei conseguir sobreviver quanto mais se estarei próximo para fazer algo.
— Como assim, não sabe se estará próximo? – perguntou Jenyver.
— A guerra, minha prima. – disse Tyr com uma voz sombria – Não é como se fossemos todos pelo mesmo lado ou estivéssemos próximos um do outro sempre. Há várias tropas que seguem por caminhos diferentes no campo de batalha, não sei se estarei próximo de Edwyn e mesmo que eu esteja não conseguirei impedir que algo lhe aconteça sempre. – ele fez uma pausa – Eu prometi a Edwyn que iria proteger Rodwell há três anos e não consegui cumprir. Então é por isso que não posso prometer novamente algo que vai além de mim.
Jenyver então assentira para então retornar para seu lugar ao lado de sua mãe. Foi então que depois de ver todos os cavaleiros já montados que os viu partindo pelo portão principal. Ainda ficaram encarando enquanto via a comitiva descer o monte em que o castelo tinha sido construído no topo. Jenyver e a mãe ficaram observando até toda grande massa de cavaleiros não passasse de um borrão no horizonte.
...
Costa Gelada
Ela sentira o barco aproximando-se de terra firme como podia sentir a água ficando mais rasa e com superfície mais firme devido aos pedaços que congelavam em decorrência do frio. Pode ver enquanto aproximavam-se algumas focas e leões-marinhos que se encontravam na enseada da baia acabar por mergulhar assustados com a presença dos selvagens que se aproximavam para ajudar a trazer a embarcação para terra firme.
Brie sentiu a canoa ficando mais leve pelos selvagens que desceram dela e pode perceber os vários rostos novos que a encaravam, não tão agradáveis quanto aqueles que ela tinha encontrado no bosque sagrado na noite anterior. Estava-se assustada? Sim, ela estava era um fato, até porque qualquer outra pessoa normal que tivesse sido sequestrada também estaria, porém tentava não demonstrar.
Manter-se calma e achar uma forma de escapar daquilo de alguma maneira e o principal que era descobrir qual a razão de terem invadido Winterfell atrás de uma Stark. Seus pensamentos a faziam se perguntar aquilo com frequência na noite anterior e ainda martelava em sua cabeça em busca de deduzir uma resposta que não vinha.
Foi então que seus olhos se voltaram para a única mulher selvagem que estava ainda dentro do barco lhe encarando com seriedade. Brie então a viu retirar uma faca feita de osso de seu cinto feito de pele e aponta-lo para ela.
— Eu irei desamarrar seus pés para que você possa andar – falou a selvagem – Não seja tola em tentar correr para longe de nós. Temos ordens para leva-la viva, mas isso não significa que não possamos machuca-la.
— Tente fugir e você terá duas flechadas nas suas pernas antes que possa ir muito longe – falou o selvagem arqueiro – Não quero ter de acerta-la, mas não seja tola em pensar que não farei. – Então os dois olharam para o que a Stark tinha deduzido que estava no comando. Este por sua vez dera um aceno com a cabeça.
Dessa forma, a mulher então usara sua faca para cortar as amarras dos pés de Brie que sentiu um alivio ao ver que estava mais a vontade. Ela então foi erguida novamente do barco pelo selvagem grandalhão que a tinha carregado na noite anterior. Fora estranho pisar ali, era gelo e neve cobrindo a terra lembrando as neves de outono, porém todo o restante a paisagem parecia tão diferente de Winterfell e todo o Norte.
Era um branco imenso, a luz do sol batia e refletia contra a Muralha tão longe dali. Havia nevoa que se erguia das águas geladas da baia e sua respiração lhe fugia da boca em uma camada densa de ar quente que se rarefazia em contato com o frio. Mesmo sendo nortenha não estava acostumada com tanto frio assim, agarrou-se fortemente ao manto de pele que eles tinham lhe entregado mesmo estando com as mãos amarradas.
E então começou a andar até que o líder dos selvagens lhe guiara até uma espécie de trenó e ela foi colocada sentada ali enquanto ele se posicionava em pé atrás dela. Em situações melhores teria se animado, ela nunca estivera em um trenó puxado por cães antes, sendo que a lembrança que tinha de algo mais próximo disso era quando Matthew costumava puxa-la no trenó de brinquedo deles quando nevava.
Era uma lembrança de infância tão divertida, ela e os irmãos após uma nevasca se divertindo na neve. Guerras de bola de neve dela e de Matthew contra Noah e Atena. Então depois patinar no lago do Bosque Sagrado sem que ninguém soubesse do contrário ficariam de castigo. Mas o que mais sentia falta era construir castelos com a neve. Sua irmã sempre ficara chateada porque o de Brie sempre saia melhor que o dela.
Tolas lembranças de criança, pensou tentando afasta-las e retornar para a realidade. Ela não estava mais em Winterfell e ficar se lembrando dessas coisas só irá machuca-la ainda mais. E se ela nunca se volta para casa? Estariam procurando por ela? Será que alguém tinha se machucado naquele ataque? Esperava que não, rezava para que sua casa ainda estivesse lá se um dia retornasse para o lado sul da Muralha.
Ela olhou ao redor e pode ver mais quatro trenós iguais aquele. Ao olhar para trás viu que além do líder ainda tinha mais dois selvagens em pé na parte detrás sendo o selvagem arqueiro e a garota.
Brie tateou o meio de transporte e pode ver que se tratava de um trenó feito de ossos. O transporte deslizava contra a neve enquanto a matilha de cães selvagens puxava a frente conforme o condutor fazia estalar o chicote. Ela não soube quanto tempo àquela viagem durou só sabe que foi mais curta do que esperava se comparada com a viagem de barco.
Ao horizonte pode então ver uma silhueta de tendas que se erguia por detrás da nevoa. Conforme se aproximou pode ver as tendas que se erguiam, eram pelo menos trinta delas praticamente do mesmo tamanho e quase idênticas.
Tratava-se de tendas feitas de madeira e couro de animais costurados de maneira rustica. Então ela escutou um uivo que a fez se arrepiar por inteira ao identificar como se tratando de um lobo. Isso parece ter sido o suficiente para alertar toda a tribo que se manifestou e começaram a surgir então silhuetas que formaram uma pequena multidão próxima das tendas. Uma multidão armada valia observar já que pode identificar que portavam lanças.
Então pode ver quando se aproximaram mais e viu que havia mais pessoas do que tinha reconhecido em meio a cortina de nevoa. Havia muitas pessoas ali que quando viram os trenós se aproximarem abandonaram o que estavam fazendo e se aproximaram com cautela.
Brie pode ver homens e mulheres, mas não crianças e idosos. Isso a preocupou e muito, afinal havia boatos que escutara sobre selvagens e de como eles costumavam a abandonar os de mais idade. E outros ainda contavam de como algumas tribos em tempos de fome devoravam suas crianças.
A Princesa costumava em não acreditar em historias desse tipo ainda mais quando elas vinham da Velha Ama que adorava assustar as crianças com seus contos. Mas a verdade era que ela realmente esperava que houvesse crianças e que elas estivessem dentro das tendas. Iria se sentir melhor sabendo que os seus raptores não eram de todo ruins.
O trenó então parou e eles desceram, a princesa foi colocada de pé novamente e lhe fizeram caminhar por entre a multidão que lhe encarava. Pode ver uma serie de olhares sérios que se mantinham nela e tentou não devolvê-los apenas focando-se em manter-se a frente, pode ver alguns comentários sendo feitos. Comentários obscenos sendo feitos sobre ela, para seu desagrado. Viu mulheres sussurrando e risos sendo que por fim tinha sido guiada até uma das tendas maiores e então pode ver uma fogueira se erguia no centro dela.
A fogueira estava posta e a fumaça dela se erguia em e era liberado em uma passagem no teto. Pode ver sombras que se formavam pelo fogo dançando bruxuleantes contra as paredes de coro da tenda.
E então a mulher que estava ali dentro mexendo no caldeirão então voltou seu olhar para o grupo que entrara. Seus olhos se focaram em Brie assim que a viu então ela que antes estava ajoelhada se erguera e olhou imponente para a outra. Então dirigiu o olhar para os outros selvagens que ali estavam em busca de que algum deles se pronunciasse.
— Então é isso? – disse a garota parecendo irritada, porém seu tom era ainda sério e eles ficaram em silêncio. — Por conta disso que vocês foram para o sul? Uma mulher. – então parou e analisou melhor Brie – Ou deveria dizer uma garota? Nem deve ter conhecido um homem ainda.
— Respondam-me se foi ela que o Wolfgang pediu para buscarem ou é mais alguma lembrança que algum de vocês gostou e resolveu trazer para casa. – continuou a garota — Sabem que nossa rainha não aprova esse tipo de coisa.
— Foi o Wolfgang que mandou que trouxéssemos esta garota – disse o selvagem arqueiro – Não podíamos contar que era essa a missão, apenas os cinco que foram para o sul sabiam do que se tratava. Sinto muito mesmo por não contar para você...
— Chega de conversa – falou o selvagem grandalhão – O Wolfgang tem suas razões para querer que isso seja um segredo. – então pode ver o olhar sério que a garota ainda mantinha. – Não faça perguntas apenas obedeça ao que estamos lhe pedindo.
— E o que querem? – questionou a garota.
— Precisamos que você cuide de nossos ferimentos – disse o selvagem que parecia no comando – pode começar por ela. – ele então empurrou a Stark que deu alguns passos a frente enquanto a selvagem se aproximava.
— Vocês bateram nela? – questionou a garota analisando o rosto dela.
— Tentamos evitar, mas é tola o bastante para não nos obedecer – falou um dos selvagens.
— Foi você, Erdan? – falou a garota com um tom de quem julgava a ação alheia — Às vezes penso que você goste mais de seus animais do que de mulheres.
— Eu gosto de mulheres, e as trato bem. Se você deixasse te mostrar então saberia que eu sei tratar muito bem das que saem comigo. – disse Erdan rindo – Não olhe para mim assim, Una. Eu não bati tão forte na garota.
Brie compreendeu então que a tal garota de nome Una era uma curandeira, o que acabou estranhando já que pela idade não podia pensar que se tratava de alguém com uma função tão importante. Ela lhe chamava de garota, porém deveria ser tão mais velha do que a princesa de Winterfell.
— E a amordaçaram? – disse Una olhando o pedaço de pano que ainda se encontrava em volto na boca dela – Vai me dizer que a sulista tentou morder vocês?
— Na verdade foi para evitar que gritasse – disse Erdan – Não queríamos que ela chamasse a atenção para nós. – Una lançou um olhar sério para os outros então removeu uma faca de osso de sua bolsa que trazia amarrada na cintura.
— Vamos tirar essas coisas de você – falou Una e usou a faca para cortar as amarras dos pulsos de Brie.
A primeira coisa que fez depois disso foi levar as mãos até a parte detrás da cabeça para desfazer o nó da mordaça parecendo que estava com dificuldade. Então pode ver a outra garota selvagem se aproximando por detrás dela e a ajudando cortando o pedaço de pano grosso.
Brie assim que se viu livre massageou a área da boca a fechando e abrindo por algumas vezes afinal estivera amordaçada durante a noite toda. Então deslizou seus dedos pelos pulsos e suas mãos deslizaram pelo local onde antes a corda lhe apertava. Ao que a selvagem a sua frente lhe pegou uma das mãos com certa brutalidade e encarou a área em que estavam antes as cordas.
— As cordas estavam amarradas muito fortes – disse Una – Elas esfolaram um pouco sua pele só que não é nada grave. – então encarou a garota – Você vai sobreviver, sulista. – e soltou a mão dela que ainda a encarava. — Mais algum de vocês precisa de cuidados? – perguntou encarando os outros.
— Estou com o ombro doendo um pouco por conta de remar até aqui – disse o selvagem arqueiro com uma das mãos tocando o ombro com uma careta no rosto – Se você puder mais tarde...
— Eu faço uma massagem com algumas ervas e resolvo isso – falou Una – Mais alguém?
— Deva arranhou-se quando estávamos saindo daquele bosque que eles têm dentro dos muros deles. – falou o selvagem grandalhão e a garota ao seu lado lhe encarou seriamente.
— Não foi nada tão sério, Mungo – disse Deva seriamente – Eu já cuidei disso por mim mesma enquanto estávamos no barco.
— Depois dou uma olhada para conferir – disse Una então voltando olhar para os outros – Será que agora vocês podem me deixar sozinhos. Apenas fiquem Deva e Fergus que eu já vou tratar de vocês.
— Vamos – falou Mungo e os três outros selvagens se retiraram.
Deva e Fergus encostaram suas armas na lateral da tenda, no caso dela uma lança e na dele seu arco com a aljava de flechas. Una então continuou a encarando por alguns segundos antes de fazer uma nova pergunta para Brie.
— Eles fizeram alguma coisa com você? – perguntou Una.
— Além de me roubar de meu lar? – respondeu Brie ao que a selvagem sorriu.
— Olha só, você fala – disse Una um pouco debochada – Porque não senta ao lado deles enquanto eu preparo um pano e água limpara para lavar esse seu rosto. – e assim fazendo foi que a princesa obedeceu-a e tomou um lugar a frente do fogo. – estou cozinhando um ensopado, depois lhes dou um pouco... Devem estar famintos. — Logo Una retornara com uma bacia de barro e um trapo e começara a limpar os ferimentos dela.
— Você é uma curandeira? – perguntou Brie.
— O mais próximo que vai encontrar por aqui – respondeu Una.
— Eu gostaria de falar com o seu rei – disse Brie com a voz calma porém ainda um pouco rouca por conta de tanto tempo amordaçada – Poderiam chama-lo para uma conversa? Quero ter algumas palavras com ele.
— Wolfgang falara com você – disse Fergus lhe respondendo enquanto cutucava o fogo com uma vara – A verdade é que ele está ansioso para isso. – ela o encarou e o arqueiro lhe devolveu o olhar — Mas ele não está aqui.
— Ele não está? – disse Brie então parecendo compreender do que se tratava — Saiu para alguma caçada ou algo do tipo. Quando irá retornar?
— Não irá – disse Una – Nós é que teremos de retornar com você.
— O que está dizendo? – questionou Brie.
— Esse não é nosso lar – falou Una – Não mais.
— E onde é? – respondeu Brie.
— Você sabe por que chamam Wolfgang de Presas de Gelo? – questionou Deva – Ou você não tinha ainda ideia dele antes disso? Moças do sul não devem se importar com o que acontece depois da Muralha. Se homens já não se importam muito com nós...
— Presas de Gelo – disse Una – É o nome de nossas montanhas.
— Montanhas – falou Brie – Isso significa que esse não é o acampamento oficial de vocês.
— Não mesmo – disse Fergus – O nosso acampamento é muito maior que este.
— Wolfgang apenas convocou todos esses homens para fazer sua escolta. Ao menos do que fosse trazido do sul da Muralha... Já que quase nenhum de nós sabia que seria você. – disse Una – Nós iremos te proteger até o caminho de volta para o nosso acampamento. Para então poder vê-lo. – então se ergueu e com uma espécie de concha serviu um pouco de ensopado numa vasilha menor de madeira e deu nas mãos da garota. – Coma, vai ajuda-la a fortalecer esse seu corpo fraco de sulista.
— Obrigada – agradeceu Brie enquanto tomava o ensopado sem se importar com o gosto ou do que quer fosse feito. Ela só estava com fome.
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