Notas iniciais
Olá leitores, um capitulo novo para vocês. Espero que gostem. Boa Leitura.

Karhold

Havia várias coisas que incomodavam a única filha do Lorde Karstark. Sendo uma delas as escadas das torres de Karhold que pareciam internáveis aquilo para ela era uma tarefa um tanto incomoda como se sentia incrivelmente irritada consigo mesma.

O tempo que levava para subi-las, a forma como suas pernas tinham dificuldades de alcançar os degraus por mais que fosse apenas uma delas a aleijada acabava que isso se refletia com a outra.

Aquela altura de sua vida tinha se acostumado com aquilo que a tornava diferente das outras donzelas de sua idade, porém é claro que ainda assim seu orgulho se sentia ferido cada vez que notava os olhares de pena. Talvez fosse por conta disso costumava revidar da pior forma que podia.

Malditos degraus que não acabavam nunca, já estava se sentindo cansada e sentir seu coração lhe bater com força contra o peito quando finalmente se encontrara na frente da porta de seu próprio quarto. Quando então o abrira e encontrou com seu irmão que lhe esperava ali em pé encarando a janela, foi então que Edwyn voltara o olhar para ela quando escutara o barulho da porta se fechando atrás dela.

Jenyver, você tem fugido de mim não é? – falou Edwyn – Tenho tentado me despedir e você simplesmente nunca estava por perto. – Ele seguiu na direção dela cortando a distancia que havia entre eles – Irei partir hoje não podia simplesmente ir sem lhe dizer adeus, Jenny. – ele já estava próximo o bastante para abraça-la e ia fazer isso se não fosse pelo soco que recebera no ombro deferido pela garota.

— Não fale dessa maneira, seu tolo. – disse Jenyver – Não vou aceitar que fale dessa forma comigo. – então o rapaz a frente dela sorrira a puxando para um abraço e depositando a cabeça dela em seu ombro – Eu não quero que você haja dessa forma, você não pode.

— Agir de que maneira? – questionou Edwyn.

— Como se não fossemos nos encontrar novamente, Eddie. – disse Jenyver — Você vai retornar para casa me prometa isso. – O rapaz sorrira para a garota e assentira sendo que mesmo sem dizer qualquer palavra fora como se aquilo conseguisse acalmar o coração dela.

— Rodwell estará olhando por mim assim como os deuses – falou Edwyn – Nenhum mal irá me atingir lhe prometo. – A garota soltou um riso antes de voltar-se para olhar o irmão, ele tinha os seus profundos olhos azuis tão diferentes dos dela que eram uma imensidão negra como a noite.

_ Eu não gosto quando você fala nele – disse Jenyver se afastando de Edwyn e seguindo até sua cama onde sentou-se encarando ainda o irmão que permanecera parado no mesmo lugar – Me arrepia lembrar-me de Rod e de qual horrível foi a sua morte. Eu não estava preparada para perdê-lo assim como não estou agora... – ela olhou para o irmão – Por que você continua tocando no nome dele? Rod se foi, ele não cumpriu a promessa que me fez. Ele não voltou para casa.

— Rodwell caiu como um herói – falou Edwyn – Sacrificou-se para proteger seus companheiros de batalha. Queria eu ter essa coragem... – então foi interrompido pela irmã que lhe lançou um olhar sério.

— Pois não ouse – interrompeu Jenyver – Não cometa o mesmo erro em achar que sua vida vale menos do que a dos outros ou que qualquer um é mais importante que você. Pois não é... Não deixe-se cegar pela maldita honra. – ela rugiu praticamente essas últimas palavras pela raiva que sentia.

— Jenny... – disse Edwyn se aproximando dela.

— Nosso irmão acreditava nos deuses de nossos antepassados e rezava todas as manhãs em frente à árvore coração sendo que de nada adiantou. – disse Jenyver — Os deuses não foram capazes de protegê-lo e também não serão com você. Porque os deuses não ligam ou estão mortos.

Um silêncio reinou entre os dois por alguns instantes porque a verdade era que diferente de Edwyn que se aproximara mais da fé depois da perda fora naquela ocasião que Jenyver cortara qualquer laço que fosse com as entidades divinas dos primeiros homens.

Ela sempre acreditara que tudo não passava de uma tolice desde que era uma criança, sua tia costumava dizer que os deuses a haviam punido com o acidente por conta de seus pecados. Mas que pecados poderia ter uma criança de sete anos? Eram realmente tais deuses cruéis e impiedosos que deveria dedicar suas horas em preces? A morte de Rodwell só serviu ainda mais para que ela cortasse os laços de vez e se tornasse uma descrente.

— Mas é assim que é a vida não é mesmo? – falou Jenyver quebrando o silêncio — Você agora é o herdeiro de nosso pai e deve cavalgar ao seu lado em batalha. Eu compreendo isso, apenas... – ela suspirou enquanto Edwyn se aproximava ao seu lado tomando um lugar em sua cama – O que estou fazendo? – ele pegara novamente as mãos dela contra as suas e começou a acaricia-las — Estou desperdiçando seu tempo lamuriando-me sobre como eu detesto a ideia de ver nossa família dividida mais uma vez. – ela então olhou o irmão novamente nos olhos – Eu só estou cansada de que todos nós tenhamos que sofrer ainda mais. Já não tivemos o suficiente? Sou uma tola por deixar-me levar por sentimentos assim?

— Não, eu compreendo o que sente, minha irmã. – falou Edwyn – Sei que tem suas razões para não aceitar tudo que tem acontecido. Quem poderia imaginar que a guerra estava vindo, não é mesmo? – ele deixou que Jenyver se aconchegasse em seu ombro — A verdade é que eu não sei o que irei encontrar quando estiver lá fora. – Ele começara a brincar com os cabelos cacheados da irmã – Quando eu estiver enfrentando homens que nunca vi e que vão querer me matar apenas porque acham que isso é certo. Será que é como os livros? Provavelmente não. Não sei como irei reagir frente à sensação de vida e morte como essa.

— Reaja com a espada – disse Jenyver com uma voz mais calma afinal estar tão próxima de Edwyn lhe trazia uma sensação tão boa de paz que poucas pessoas conseguiam. – Perfure os malditos que vierem ataca-lo. Mate cada um deles que ousar levantar as armas deles contra um Karstark de Karhold. – Ela pode vê-lo sorrindo.

— Não deveríamos falar de morte não é mesmo? – disse Edwyn – Ou de eu matando pessoas, não quero ter de pensar muito nisso agora. – ele ainda brincava com os cabelos da irmã enquanto com a outra mão sentia os dedos dela envolvendo-se com os seus — Não quando em breve estarei no conselho de guerra ao lado de nosso pai e dos outros lordes com seus herdeiros.

— O que deveríamos fazer então? – falou Jenyver afastando se do irmão para encará-lo melhor podendo vê-lo se levantar da cama e seguir novamente para próximo da janela. – Eddie? – chamou parecendo um pouco curiosa com a falta da resposta que não veio.

Edwyn Karstark então pegou algo que se encontrava próximo da pequena mureta que havia antes do grande vitral do quarto de sua irmã. E voltou-se para ela trazendo o objeto em mãos e ao ver do que se tratava fez a morena sorrir: Era um tabuleiro de xadrez.

— Uma última partida? – disse Edwyn enquanto ficavam novamente frente um ao outro e posicionava o tabuleiro sobre a cama – Você é a melhor adversária que já encontrei então quero ver se tenho chance em ganhar mais uma vez.

— Mais uma vez? A última vez que você me derrotou foi quando éramos crianças, Eddie. – falou Jenyver – E você simplesmente tem perdido desde então porque tem medo de vencer novamente de mim.

— Porque você é uma péssima perdedora – disse Edwyn enquanto começava a posicionar as peças dentro de suas casas – Me acusou de estar roubando daquela vez e queria revanche.

— Você ficou se gabando e não conhecia aquele movimento porque você não tinha me mostrado – falou Jenyver – E eu me arrependi daquela ocasião ter tentado brigar com você. – ela então olhou para a perna mais especificamente para seu joelho que se mantinha rígido e incapaz de dobrar — E acho que sempre vou me arrepender não é mesmo?

— Foi uma benção que nós sobrevivemos – disse Edwyn esfregando a cicatriz em seu braço que se encontrava oculta pela manga da blusa que usava – Porém isso não me faz com que me sinta menos culpado. – ele pareceu relembrar a cena de quase uma década atrás.

— É passado, não vamos falar a respeito disso agora. – falou Jenyver e enquanto via o rapaz posicionando as peças – Nem perguntou se eu queria ser as brancas. – ele riu daquele comentário da irmã.

— Eu sempre sou as brancas, Jenny. – respondeu Edwyn – E você sempre joga com as pretas.

— Então, comece que eu quero te vencer logo – falou Jenny enquanto Edwyn fazia seu primeiro movimento.

...

Após a partida de xadrez, os irmãos Karstark foram avisados por um dos criados da família de que a comissão de Lorde Torrhen estava pronta para partir e que apenas aguardavam pela presença do jovem Edwyn.

Foi assim que ambos deixaram o quarto de Jenyver e começaram a descer novamente as escadas. Edwyn ofereceu o braço para a irmã que aceitou e juntos começaram a descer os degraus tendo cuidado por conta da perna ruim dela. Dessa vez, porém os irmãos estavam acompanhados do criado, o que incomodou Jenyver por notar que o rapaz parecia não desviar o olhar do jeito como ela caminhava. A morena nem esperara terminarem o trajeto para dispensar o subalterno com um tom de voz frio e com palavras ácidas.

Edwyn como de costume a repreendeu pela atitude, mas a garota decidiu ignorar o irmão afinal sabia que as pessoas estranhariam caso ela começasse a tratar a criadagem de outra maneira. Eles seguiram então pelo corredor que levava até o pátio principal em meio a isso foi que as conversas continuaram para outros assuntos dessa vez referentes à Winterfell.

— Todos os lordes estão indo – falou Edwyn – Iremos nos instalar na Vila Inverno que se localiza nas proximidades de Winterfell, nós já nos instalados lá naquela vez em que houve o torneio para comemorar o dia do nome do Príncipe Matthew.

— O dia do nome da Princesa Brie foi recentemente – falou Jenyver – Me admira que não tenhamos sido convidados quando você é o noivo de Atena. Teria sido conveniente que ao menos você e papai fossem para essa ocasião.

— Nosso pai recebeu o convite, porém mandou que o meistre escrevesse uma carta dizendo que não seria possível – disse Edwyn – A verdade é que a ideia de que alguém vá desposar Brie que não seja nosso irmão trás más lembranças. A essa altura se Rodwell ainda vivesse as casas Stark e Karstark já teriam sido unidas por casamento. E eu não estaria noivo de alguém que sinto que seria capaz de matar-me nas núpcias.

— De qualquer maneira, ainda bem é claro que você e papai permaneceram em Karhold afinal os Boltons atacaram aquela noite e a princesa desapareceu. – ela pode notar o olhar dele novamente sobre si – Por sorte não foi minha futura cunhada porque eu gosto de Atena.

— E você acha que a Princesa Brie mereceu ser levada? – questionou Edwyn.

— De maneira alguma, mas eu não iria sentir tanto quanto se fosse a Atena. – disse Jenyver – Diferente da maioria das outras donzelas, eu não gosto da ideia de rebaixar-me e bajular a princesa perfeita que é Brie Stark. Ninguém pode ser tão perfeita quanto ela... – ela suspirou — Chega a irritar-me.

— E prefere a Atena no lugar dela? – disse Edwyn parecendo um pouco confuso – Nunca entendi esse seu jeito, digo entre as duas a escolha para se ter como amiga é algo tão obvio e você vai na outra opção.

— Porque a outra opção é bem mais divertida e interessante – disse Jenyver – Você ainda vai gostar dela, meu irmão. Basta que consiga ver as qualidades no lugar de continuar olhando só para o que pensa ser os defeitos dela.

— Se você está dizendo – falou Edwyn sorrindo levemente – Não vou discordar, apesar de achar um pouco difícil isso de olhar algo quando ela não deixa com que eu me aproxime dela. É como se tivesse raiva de mim sem motivo algum – ele suspirou – É tão estranho tudo isso... Eu fiz algo de errado para ela e não sei?

— Nós mulheres são complicadas, meu querido irmão – disse Jenyver – Pensei que conviver comigo iria fazer com que tivesse acostumando-se com tal fato.

— Mesmo você não consegue se comparar com Atena – falou Edwyn rindo – Acho que ela é alguém que dificilmente encontrarei alguém parecida.

— É uma boa frase para dizer a sua noiva – disse Jenyver – Quem sabe se tentar não consegue alcançar o coração dela? – O rapaz ficara em silêncio frente aquela pergunta, mas dava para ver que ele não parecia tão certo de que ela pudesse ter razão daquela vez.

_ Nosso pai pretende encontrar um noivo para você em breve – falou Edwyn pegando a garota de surpresa – Ele irá tentar conseguir algum dos herdeiros para desposa-la. – ele pode ver que a irmã ainda parecia desconcertada com a noticia — Se você me disser algum que lhe interesse, talvez possa dizer ao nosso pai.

— Com a sorte que tenho meu noivo vai morrer nessa guerra antes de ter a chance que conversemos para nos conhecer melhor. – falou Jenyver – Eu não conheço muito dos outros filhos dos lordes.

E não creio que algum deles esteja disposto a casar-se com uma aleijada. Pensou Jenyver preferindo manter aquilo para si mesma e se privar de um discurso de seu irmão tentando lhe levantar a moral. Edwyn era um doce por sempre se preocupar com ela e não se importar com o fato dela ser manca, mas seu irmão era um caso isolado não havia muitos homens iguais a ele por ai.

— Rian Mormont e Young Jon Umber estão sem noivas – disse Edwyn lembrando-se – De toda a forma, eles são um pouco velhos para você. Ainda tem aquele filho de Lorde Umber que se encontra no sul, mas eu não tenho certeza se esse tenha alguma chance de ser escolhido. – Ele olhou para ela – Terá de ser um dos dois, eu tenho quase certeza de que será um deles o alvo de nosso pai afinal o homem que conseguiu uma Stark para seu herdeiro não irá aceitar algo menor do que um herdeiro de uma grande casa para sua única filha.

— Você os conhece bem? – perguntou Jenyver.

— Não, para ser sincero nunca tive essa facilidade para me enturmar com os outros herdeiros até porque essa posição não era minha, não é mesmo? Tyr conseguiu por conta de sua lábia e humor sem falar na proximidade em idade. – disse Edwyn – E era Rodwell que estava rodeado deles. Já eu? Sou novo demais, devem-me ver quase como uma criança. Eu sempre fui mais um rapaz que me enturmava mais com pessoas de classes diferentes da nossa.

— Eu já sei disso, apenas gostaria de saber se sabe a respeito desses dois possíveis pretendentes para mim – falou Jenyver curiosa.

— Tyr tem amizades com eles – falou Edwyn – Até onde sei, Rian já deveria ter se casado há muito tempo isso é um fato afinal ele precisa de herdeiros já que logo será um Lorde, mas até onde nosso primo me contou o Jovem Urso tem uma fama de mulherengo.

— Não gosto desse tipo de homens – disse Jenyver descontente – E quanto ao Umber?

— Não o conheço muito bem, creio que seja um bom rapaz. – respondeu Edwyn – Young Jon é do tipo que não me parece tão terrível quanto nosso primo e o Mormont ao que se diz respeito com mulheres. Mas não o conheço bem o suficiente para garantir nada, não é mesmo? Ao menos eu não o vejo correndo atrás de rabos de saia feito Tyr e Rian.

— Ao menos papai não pensou em me oferecer como a noiva do Príncipe Noah – disse Jenyver – Aquele lá tem uma fama grandiosa em todo o Norte sobre suas bebedeiras e seu convívio com rameiras. Eu não me importaria se meu marido tivesse uma bastarda como ele tem, o problema seria se depois de casados me aparecesse com outros.

— Sorte do nosso príncipe que você não é a noiva dele – falou Edwyn sorrindo – E sorte sua também porque tenho certeza de que seria infeliz no casamento. E eu seria infeliz em entregar minha amada irmã nas mãos dele.

— Eu iria capar o lobo boêmio na primeira escapada dele para a cama de alguma vagabunda – disse Jenyver e Edwyn não tivera reação alguma afinal sabia que a irmã seria capaz de algo assim.

...

Última Lareira

O espelho da penteadeira refletia dois rostos praticamente idênticos se não fosse pelas expressões que cada um possuía. As gêmeas Umber eram igualmente belas, porém suas personalidades eram tão diferentes entre si que era assustador quando se percebia tal fato apenas com o convívio com as duas. Seu pai costumava dizer que os deuses tinham divido-as de tal forma que ambas conseguiam ser os extremos uma da outra, como o dia e a noite ou o fogo e a água.

Naquele momento, ambas estavam no quarto da mais velha das gêmeas e Marilyn estava a pentear os cabelos da irmã. Ela cantarolava enquanto com a escova penteava as longas madeixas vermelhas acastanhadas de Maryanne, esta que por sua vez parecia incrivelmente entediada e irritada com a cantoria da outra.

— Você sempre canta quando está se penteando ou aos outros? – perguntou Maryanne com a voz monótona.

— Eu gosto de cantar às vezes, me faz bem e me anima quando estou triste – disse Marilyn – Quando estou sozinha, me penteando, no banho ou então bordando. Se estiver te incomodando então eu paro, Mary.

— Não, tudo bem... – disse Maryanne — Só me diz que isso está acabando logo. Já estou arrependida de ter deixado que me tratasse como se eu fosse sua boneca, você ajudou-me com o meu banho e agora penteia meus cabelos. Qual será o próximo passo? Vestir-me com algum de seus vestidos?

— Não, de maneira alguma – falou Marilyn – Só se você quiser, foi mamãe que escolheu seus vestidos e qual irá usar. Não se preocupe, não é nenhum parecido com o meu afinal sei o quanto detesta quando vestimos roupas da mesma cor.

— Já somos gêmeas, Lyn. – disse Maryanne – Se nos vestirmos igual então as pessoas pensaram que somos retardadas. Já passamos dessa idade... – ela bufara quando vira a irmã começar de lhe fazer as tranças laterais do penteado que ambas tinham escolhido.

A verdade era que Maryanne nunca tivera muito gosto para perder seu tempo com aquilo, quando se cansava do cabelo solto então o prendia em um rabo de cavalo ou fazia um coque. Cabelos com penteados sofisticados não lhe agradavam muito.

Se tivesse nascido com os longos e volumosos cachos dourados da mãe que Marilyn tinha herdado era provável que não precisaria fazer quase nada. Afinal, não via muita diferença no cabelo da irmã do que ela usava em seu dia-a-dia.

— Seus cabelos são tão lindos, irmã. – falou Marilyn – Deveria cuidar melhor deles e não deixa-los ficar da maneira que ficam parecendo ninhos de passarinho. Não está melhor assim? – ela sorrira — Nós o lavamos e passamos algumas essências de óleos perfumados de flores. Não é um cheiro tão agradável?

— Quer que eu responda com sinceridade? – disse Maryanne – Porque com toda a certeza não vai ser uma resposta que vai lhe agradar os ouvidos, irmã. – a loira suspirara desanimada com o mau humor da outra.

Marilyn conseguia compreender a razão, os pais delas iriam partir para Winterfell com um batalhão imenso e levaria ambas nessa viagem. As gêmeas ficariam no castelo real enquanto os pais lutariam uma guerra. A ruiva é claro detestara a ideia de deixar seu lar. Última Lareira era sem sombra de duvidas um lugar muito mais seguro que Winterfell por se localizar ao extremo do Norte sendo um dos lugares que seria menos atingido pelos confrontos.

A razão para Maryanne, no entanto detestar a ideia era o fato de que muito provavelmente o pai tentaria encontrar para ela algum noivo. A garota tinha conseguido destruir duas alianças de casamento com casas sulistas ligadas aos Umber, bons casamentos que acabou por causar vexame ao pai delas.

Marilyn se lembrava de quando os Tully primeiramente romperam o contrato quando Maryanne empurrara o filho herdeiro do Lorde de Correrio nas águas do Tridente. E a segunda vez quando a ruiva socara o jovem Lannister lhe quebrando o nariz e fazendo-o perder alguns dentes. Em ambas as ocasiões, segundo ela, os rapazes tinham lhe faltado com respeito e tentado aproveitar-se dela com mãos bobas em lugares inapropriados.

Para a ruiva o simples pensamento de tomar um marido e ser obrigada a gerar filhos passando o resto da vida como a Lady de algum castelo era desagradável. Já para Marilyn era o seu maior sonho, o que tinha crescido e sido ensinada a ser desde muito nova, era uma pena infelizmente que não fosse para o amor de sua vida que estava prometida. Esperava poder aprender a amar seu noivo era um fato, mas era difícil principalmente quando via o seu amado prometido à outra.

— Terminei – falou Marilyn – Olha só se não ficou bom.

— Me sinto ridícula – disse Maryanne.

— Mas está linda – respondeu Marilyn sorrindo – Chamara a atenção de vários rapazes.

— Eu não me importo – falou Maryanne – E então, o que iremos fazermos agora?

— Iremos vesti-la – falou Marilyn então caminhando até a porta e chamando por algumas criadas que vieram trazendo um vestido, sapatos e outras peças de vestuário. – Não é lindo? Mamãe tem tão bom gosto, vamos levante-se. Levante-se... – ela levantara a irmã da cadeira e praticamente a puxara para próximo das criadas que já faziam um semicírculo – Quero ver como ficara pronta. – E empurrou a irmã na direção das moças enquanto sentava-se numa cadeira e puxava um livro para ler.

— Eu realmente poderia me vestir sozinha – falou Maryanne enquanto as mulheres começavam a colocar nela as peças que iam por debaixo do vestido – Sempre achei essa camada de roupa desnecessária, pelos deuses, me coloquem só o vestido pode ser? Ninguém vai ver o que vai estar por debaixo dele mesmo.

— Nada disso, Mary. – disse Marilyn acenando com um dedo de modo negativo — Vamos fazer direito dessa vez. Não ligue para minha irmã, moças. – ela se dirigia para as criadas dessa vez — Apenas façam o trabalho de vocês e deixem-na uma dama apresentável. – E sorrindo foi que a loira retornara seu olhar para o livro que lia.

Marilyn cantarolava enquanto lia seu romance, uma de suas historias favoritas que tinha adquirido na última vez em que tinham ido a Cidadela. Contando sobre mais um amor impossível assim como o seu de um cavaleiro que tinha fugido com sua amada deixando para trás tudo o que os mantinha separados e impediam que ficassem juntos.

Como desejava por algo assim para ela, alguém que lhe amasse o suficiente para ir contra o que lhes tinha determinado para poderem passar o resto de suas vidas um com o outro. Infelizmente seu amado estava tão inacessível que lhe entristecia ao pensar nisso. Seu sol radiante não estava destinado a brilhar para ela.

— Jon lhe contou? – falou Maryanne chamando a atenção da irmã – O pai concordou que ele levasse alguns homens até a Muralha algo sobre ir atrás da Brie. Pelo que nosso irmão me falou aparentemente cada um dos lordes irá ceder um bocado de cavaleiros para seguirem do outro lado nessa missão.

— Não estava sabendo disso, espero realmente que Jon e os outros tenham sucesso para tal missão. – disse Marilyn para a irmã — O outro lado da Muralha deve ser um lugar assustador. Pedirei aos deuses que protejam nosso querido irmão nessa jornada.

— Eu não acho o outro lado da Muralha assustador e sim um lugar misterioso cheio de aventuras. – disse Maryanne – Quem dera eu pudesse ir ao lado dele, seria imensamente fantástico. E no lugar disso terei de aturar a convivência em Winterfell ao lado de todo aquele tédio... – ela sentiu-se sem folego quando uma das criadas puxara as cordas do espartilho – Você quer matar-me sua doida? Afrouxe essa coisa, maldição.

— Sim, milady – respondeu a moça assustada.

— Pensei que ao menos estaria melhor em Winterfell do que eu – falou Marilyn – Você terá a Princesa Atena e Príncipe Noah enquanto eu terei sorte se Lady Maege estiver levando Lizbeth. – ela começara a brincar com um de seus cachos enrolando a ponta de seus cabelos loiros com os dedos — Quem me fará companhia, terei você e Liz só que ficara aquele vazio deixado pela Brie. Ela não merecia ter sido levada dessa forma, pobrezinha.

— Brie ficará bem – falou Maryanne convicta – Ela é uma Stark e segundo as lendas nas veias deles corre sangue de lobo. Mesmo toda a graciosidade de nossa amiga pode dar lugar a outras características que não imaginávamos.

— Com outras espero que não seja nada como o que a irmã dela se tornou – disse Marilyn – Atena não era uma das pessoas mais agradáveis antes só que de uns dois anos para cá algo mudou nela. Como se ela tivesse ficado pior...

— Você implica demais com a Tea, ela não é tão ruim assim... – falou Maryanne rindo – Se tentasse conviver mais com ela e a conhecesse melhor veria que não tem muito que temer. Ela é diferente da Brie? É. Mas não é nenhuma monstruosidade, sinceramente? Acredito que se desse uma chance a ela seriam amigas.

— Amigas? Desculpe-me, mas dispenso. – falou Marilyn – Isso é simplesmente improvável.

— Oh, sim... – falou Maryanne sorrindo de canto de lábios – Você tem um bom motivo mesmo para não querer a amizade dela não é mesmo? – E a loira desviara o olhar corando enquanto encarava as próprias mãos. Ficando assim por alguns minutos enquanto as mulheres continuavam a trabalhar na ruiva.

— Nós terminamos, milady – disse uma criada quando está terminara de calçar os sapatos em Maryanne e as mulheres então se posicionaram novamente no meio circulo em frente da ruiva.

— Muito bem, obrigada. – falou Maryanne – Podem se retirar – e as criadas fizeram uma reverencia para então retirarem-se deixando assim as gêmeas sozinhas novamente. – Por que não encara a sua boneca e vê como ela ficou depois de vestida? – Marilyn então ergueu o olhar e sorriu então batendo algumas palminhas enquanto a irmã se curvava meio desajeitadamente.

— Linda como sabia que você ficaria – falou Marilyn.

— Quanto aposta que eu vou levar um tombo com essa merda de cauda? – disse Maryanne – Precisava ser tão longo? Ninguém ligaria se fossem mais curtos alguns dedos, pensariam que apenas crescemos mais. Qual é, sangue Umber ninguém iria achar um absurdo.

— Que os deuses me livrem de crescer mais – falou Marilyn – Mulheres muito altas não costumam agradar muito aos homens. Meu noivo tem a mesma altura que eu se por acaso ultrapassa-lo pode ser que ele não goste muito.

— Mande seu noivo se foder – falou Maryanne caminhando até a irmã enquanto segurava as barras do vestido – Você não pode controlar o que está no sangue. Somos jovens ainda então é claro que cresceremos mais afinal temos quinze anos. – ela então se dirigiu até o espelhe e crispou a testa para a visão que tinha. – Pelos Outros, estou horrível.

— Eu te acho linda – respondeu Marilyn.

— Diz isso porque somos gêmeas, Lyn. – disse Maryanne – Isso não vale. – ela soltou as barras do vestido e deixou com que ele caísse — Sério, estou desconfortável assim não me sinto bem dessa forma. Mas papai quer que eu seja uma donzela com todas as frescuras incluídas. Bem, que seja então... – ela deu de ombros novamente pegando todas as camadas do vestido que estavam das bainhas e seguiu caminhando até a porta — Vamos fazer o jogo dele por enquanto.

— Por favor, Mary. – disse Marilyn correndo o mais rápido que podia para alcançar a irmã – Não fale desse jeito que você me preocupa, não vá aprontar nada, por favor. Não quero ter de te acobertar como sempre faço.

— Eu não tenho nada em mente ainda, Lyn. – falou Maryanne – Apenas vejamos o que nossa estada em Winterfell nos reserva. – e deu uma piscadela para a irmã enquanto ambas desciam as escadas rumo ao corredor principal.

Notas finais
E então o que acharam? Do lado dos Starks ainda temos uma vaga masculina Umber sobrando foi por isso que coloquei o segundo filho como estando no sul. Estarei no aguardo caso alguém queira me mandar uma ficha para ele. Antes que perguntem, não as gemeas não são criação de uma única leitora. Incrivel como as personalidades soaram diferentes não é? Espero comentários, alguns leitores sumiram nesses últimos capítulos. Eu notei a ausência de vocês hein. Até mais.