Notas iniciais
Hey leitores. Capitulo novo para vocês. Capa nova feita pela leitora Biiah Arc, mais uma vez um muito obrigado mesmo pelo presente. Tem outros que vocês poderão conferir no tumblr essa semana. Boa leitura.

Celinn Dustin

Celinn estava sentada ereta e imóvel enquanto fitava sem muito interesse a paisagem que ia passando pela carruagem. Ela sentia-se incomodada em deixar seu pequeno mundo que era o Castelo de Vila Acidentada para convivências formais como essa. Já não lhe era agradável fingir quem não era em casa para a criadagem e outros vassalos quanto mais para outros nobres. Odiava quando imprevistos aconteciam e mudavam por completo o seu dia-a-dia que fora meticulosamente organizado por ela.

Era errado e incrivelmente incomodo não estar no controle do que fazia como se decidissem por ela o que deveria fazer e onde deveria ir. Simplesmente lhe sufocava. E fazia sua raiva brotar no fundo dela. Uma raiva animalesca e doentia que aprendera a extravasar nas masmorras do castelo. Ela tinha aprendido a esconder o que realmente era embaixo de uma máscara. Ninguém devia saber. Nunca deveriam saber quem ela realmente era.

Ela como uma forma de suprir a ansiedade que lhe consumia começou a fitar passar a unha contra a pele alva de seu braço. O atrito entre as pontas de suas quase garras contra a superfície branca fez com que a camada da epiderme se rompesse assim como alguns vasos sanguíneos.

Suas unhas riscavam a pele em movimentos frenéticos começando lentamente enquanto lhe penetravam cada vez mais fundo no corte. Logo a ponta de seus dedos se encontravam molhados pelo próprio sangue. E ela sentia-se um pouco melhor com a dor e em sentir o a sensação de sangue contra sua pele, então levando as pontas dos dedos contra os lábios e degustando o gosto.

Aquele sabor lhe trazia lembranças e fazia com que sentisse mais vontade de retornar para casa. Seus pensamentos vagavam para as masmorras onde tinha deixado seus brinquedos e para quão solitárias as pobres almas que ela torturava deveriam estar sentindo. Sua inocente Winnie iria estranhar a sua ausência, costumava visita-la diariamente para brincarem todas as noites depois do por do sol.

Os gritos e choros lhe deliciavam os ouvidos como a mais bela música, o cheiro de sangue, suor e do metal contra a pele lhe faziam entrar em transe. Mas o gosto era simplesmente divino tanto que compreendia perfeitamente porque alguns deuses em Essos costumavam exigir sacrifícios humanos. Ainda não tinha provado de carne humana, mas tinha sérias curiosidades em saber qual seria o gosto.

Ainda estava com os dedos na boca quando teve a sensação de que estava sendo observada. Então foi que se voltou para frente e encontrasse com os grandes olhos claros de sua mãe lhe fitando com uma expressão séria. Institivamente foi que Celinn abaixara a manga sobre braço cortado.

— Eu estava entediada – confessou Celinn – Sinto muito. – Ela não se sentia verdadeiramente culpada, não era o sentimento que sabia como funcionava assim como tantos outros.

— Foi para evitar situações como esta que eu te revistei para impedir que trouxesse qualquer lâmina escondida no vestido. – respondeu Lady Wylla – É fato que não apenas para evitar isso como também para garantir que não machucaria ninguém.

— Eu nunca seria capaz de algo assim – disse Celinn quando na verdade era mais uma mentira. Afinal situações como longas viagens lhe causavam uma dependência quase devastadora que só era saciada quando alguém sofresse. Era por essa e outras razões que preferia estar em Vila Acidentada ao lado de seus brinquedos.

— Você realmente espera que eu acredite em suas palavras falsas quando conheço da verdade? – questionou Lady Wylla então suspirando – Não me importa desde que nós possamos sair de Forte Pavor sem que nenhuma morte misteriosa ocorra. Morte de pessoas tanto quanto de animais, fique lembrado.

— Não sei do que está se referindo – disse Celinn sendo que ela realmente sabia que a mãe falava da ocasião em que tinham ido visitar os Ryswell e um cavalo tinha amanhecido morto. E a cabeça decepada do equino fora encontrada na cama do filho mais novo do lorde, Gregori. – Se estiver falando daquela vez em Regatos, saiba que foi o pobre infeliz do Greg que fez. – ela suspirou — Sabe que ele não bate muito bem da cabeça. – E sorriu.

— Não me fale nesse assunto – disse Lady Wylla – Pobre garoto, não bastasse ter levado uma queda de cavalo quando criança que lhe deixou mau das ideias e ainda lhe dá mais esse trauma. O infeliz não lhe fez nada, Linn. – então fez uma pausa — Apenas estava apaixonado por você.

— Estava mesmo? Pobrezinho. – falou Celinn, mas tinha realmente notado tal fato e fora por conta disso que afastara o jovem demente de perto dela de tal forma. Não compreendia o amor era um fato só que não queria que um louco a amasse. – Me pergunto o que se fez dele na Muralha.

— Não, não se pergunta. Porque não se importa com ninguém que não seja si mesma – disse Lady Wylla – Duvido que se lembre dele ou mesmo pensasse nele se eu não tivesse mencionado. De toda a forma, não me importa o que se passe na sua cabeça. Há tempos parei de imaginar o que ocorre em seus pensamentos e me sinto melhor assim.

— A senhora é tão dura com as palavras, mamãe. – disse Celinn – Do jeito que fala parece que acredita que eu seja uma espécie de monstro. – E mais uma vez ela sorrira. Um sorriso estranho e bizarro que não combinava em nada com a inocência do tom de sua voz dizia.

— Eu apenas sou sincera, minha querida – disse Lady Wylla – Diferente de você que é uma mentirosa completa. – ela deixou o livro de lado e puxara um lenço e o estendeu para sua filha — Mas como mãe eu tenho de aceita-la porque é o castigo que os deuses me deram. – e então a filha pegara o que a mulher lhe oferecia — E eu inexplicavelmente ainda consigo amá-la mesmo você sendo do jeito que é. – Celinn levantara a manga que já se encontrava com uma pequena mancha de sangue.

— Precisarei me trocar assim que chegarmos – disse Celinn enquanto limpava o sangue do machucado alto infligido – Tivemos sorte de que não é meu vestido favorito. Detestaria manchar aqueles que compramos quando estivemos em Essos. Tenho de estar apresentável durante a interação com os outros... – ela fizera um pequeno curativo com o lenço envolvendo a área machucada — Foi um acidente infeliz. – ela abaixara a manga — Mais tarde pedirei ao Meistre de Forte Pavor para que dê alguns pontos. Ou que me arranje o necessário para que eu mesma dê...

— Isso não seria necessário se você tivesse um pouco mais de calma. Devia ter maior autocontrole, Linn – disse Lady Wylla – Lembre-se do nosso acordo.

— Eu me lembro de cumpri-lo diariamente, mãe. – falou Celinn – Seguir as regras que a senhora me determinou é parte da minha rotina. – ela estava novamente sentada ereta e com as mãos sobre o colo e um olhar fixo na mulher a sua frente.

— Eu sei, minha querida. – falou Lady Wylla sorrindo então estendendo a mão na direção do rosto da filha e limpando um pouco de sangue que lhe tinha restado no canto dos lábios – Minha monstrinha. – sorriu – Você não estará só hoje tendo de fingir ser quem não é. – então fez um silêncio — Eu terei também de agir perfeitamente normal na frente dos Boltons.

— Em especial daquele idiota do Lorde Ethan... – continuou Lady Wylla — Eles estão nos levando para uma maldita guerra. – ela pegara novamente o livro agora o segurando firmemente em suas mãos — Tudo porque o infeliz mais idiota ainda decidiu por tudo a perder atacando Brandon Stark dentro dos muros de Winterfell. Robett deve estar retorcendo-se no túmulo por conta de tamanha vergonha que esse infeliz que lhe sucedeu trouxe.

— Compreendo que esteja indignada, mamãe. – falou Celinn – a senhora amava o Rei Robett.

— Admirar é uma coisa diferente de amar, minha filha. – repreendeu Lady Wylla e Celinn sorriu para aquele comentário. Como se ela não conseguisse captar uma mentira quando escutava uma.

— A senhora chorara quando ele morreu da mesma forma como foi com o meu pai – disse Celinn – Pensei que apenas ficássemos tristes quando perdemos alguém que amamos. Ao menos, foi o que me explicaram.

— Você não compreende, Linn – falou Lady Wylla – Não sabe o que é o sentimento de perda ou amor. Eu amava seu pai e também o Rei Robett só que de maneiras diferentes que não é capaz de entender. Robett era meu soberano e um grande amigo.

— O amor é complicado – disse Celinn olhando novamente pela janela – Tem tantas maneiras diferentes que eu não compreendo. – então olhou novamente para a mãe – Ainda não me respondeu o porquê estou a acompanhando.

— Porque não poderia ir sozinha – falou Lady Wylla – Uma dama sempre vai acompanhada em eventos como este. – ela percebeu ainda certa duvida no olhar da filha — Seu irmão não podia me fazer companhia porque está seguindo para Porto Branco.

— O que ele estará fazendo em Porto Branco? – perguntou Celinn – Os Manderly são aliados dos Starks. – então fez uma pausa — A menos que ele não tenha ido até lá por essa razão... Pode dizer-me o motivo de nosso irmão não nos acompanhar?

— No momento certo, Linn – falou Lady Wylla – Até lá, todos deverão pensar que seu irmão permaneceu em Vila Acidentada. Compreende isso? Temos de confirmar essa mentira e sermos mais realistas possíveis para mantê-la. Mas sei que isso não será problema algum para você, não é mesmo? – Ela então estendera uma mão e removeu uma mecha de cabelo loiro da filha, ajeitando e colocando atrás da orelha.

— Ganharemos algo com isso? – questionou Celinn mais por curiosidade do que por realmente sentir-se mal por mentir. Ela não se importava com mentiras quando por toda a sua vida tem vivido uma. Era mais uma questão de saber o que estava levando sua mãe a fazer aquilo. Sobre qual era a conversa que senhora de Vila Acidentada e o seu herdeiro tinham tido na noite anterior.

— Você saberá em breve – falou Lady Wylla – Mas se tudo der certo então saiba que sim. – então tornando a abrir seu livro — Irá valer a pena. – Ela começara a folhear as paginas em busca de onde tinha parado sua leitura.

Celinn manteve o olhar na mãe por mais alguns instantes antes de virar-se novamente para a janela. Ela agora mantinha a mão sobre o pulso ferido e pressionava a palma contra a área enfaixada. Sentia uma onda de prazer a cada fisgada que a área cortada dava em seu corpo conforme pressionava o corte.

...

Barret Ryswell

Os portões de Regatos se ergueram e a ponte levadiça que separava o castelo principal do foço que o rodeava se abaixou. O som produzido pelos cavalos então fez ouvir, o trote contra a madeira que fazia com que tudo parecia estremecer.

A marcha então amentara e logo a maior cavalaria do Norte seguia pela estrada rumo ao leste sendo que eles exibiam os estandartes de uma cabeça de cavalo negra, com olhos e crina vermelhos, sobre um campo bronze.

E a frente de cavalaria seguia um dos maiores cavaleiros que o Norte já ouvira falar, seu nome era Sandor Ryswell, o Cavalo de Guerra. Dessa vez, porém ele não liderava sozinho os seus homens porque cavalgando ao seu lado se encontrava seu filho e herdeiro, Barret.

Barret era o típico rapaz que fora educado para ser um lorde nortenho. Sua postura reta e porte típico de alguém que tinha muita familiaridade com os cavalos, seu olhar sério e frio focando-se no horizonte e sua face inexpressiva.

Seu pai tinha se dedicado o máximo possível para fazer dele um homem que se tornaria o futuro para a casa a que precisava. Uma casa que sofrera a maior perda durante a guerra a cerca de vinte anos atrás.

Regatos na última guerra tinha sido incendiado pelos Mormonts das Ilhas dos Ursos a mando dos Starks. Sua mãe que estava grávida dele acabara por entrar em trabalho de parto e lhe deu a luz tendo como visão o castelo em chamas.

Pessoas morreram naquela tragédia, homens e mulheres que ele nunca conhecera. Seus avós e tios entre eles, a destruição das lavouras e morte dos animais. Mas o pior de tudo fora o que veio a seguir: A rendição de Lorde Sandor que ao ver seu lar destruído e sua família devastada foi que dobrara os joelhos frente à Brandon Stark e do seu maior aliado, Olyvio Mormont. Tal ato em troca de ter sua mulher e filho recém-nascido de volta em segurança.

Os Ryswells passaram por tempos difíceis depois desse acontecimento, Barret recordava-se de sua infância miserável e pobre de uma casa arruinada e desonrada. Os Boltons e Dustins debochavam de seu pai lhe chamando de o cavalo-que-se-ajoelhou.

As pessoas não enxergavam o que sua família passava, a fome que devastou o Regatos com os campos queimados e grandes áreas antes férteis arruinadas. Um Castelo tendo de ser reconstruída do zero, a fome que sua família sentiu. Onde estava a nobreza quando eles passavam pelo mesmo que os simples plebeus?

Sua mãe chorava todas as noites pelo sofrimento que passavam, alguns dos filhos mais novos do casal nunca conheceriam a vida adulta por perecerem de doenças que vinham com o frio. E seu pai recorreu à bebida tentando encontrar sua honra perdida no fundo de uma garrafa. E ele apenas era obrigado a sentir raiva e um sentimento de vingança crescer dentro de si.

— Você está muito calado, meu filho. – falou Lorde Sandor – Preocupado com as batalhas que terá de enfrentar? Eu lhe dei a opção para que ficasse em casa, não é necessário que você lute. Sou completamente capaz de fazer isso por mim próprio.

— Eu não estou fazendo isso por você, meu pai. – respondeu Barret – Eu preciso fazer isso por mim mesmo. Tenho esperado a vida toda a chance de devolver aos Starks e Mormonts o que eles nos fizeram e é isso que farei. – ele olhou para o pai — O senhor me treinou, me ensinou a lutar com espadas e fez de mim o que sou hoje para quando este dia chegasse. E chegou mais cedo que eu achei que fosse acontecer.

Por dentro lhe queimava uma ansiedade grandiosa por batalha. Diferente do que seu pai podia pensar, ele não estava com medo da guerra que estava por vir afinal aquilo tudo tinha mostrando-se inevitável tendo o falecido Rei Royce no poder. Ele nunca gostara do Rei Vermelho, mas era melhor servi-lo do virar a casaca para o lado daquele que se chamava de Rei do Inverno.

— Eu sei que sua mãe não aprovou o fato de estarmos indo para a guerra – disse Lorde Sandor – Ela teme que possamos sofrer como no passado. Mas isso não tornara a acontecer, Olyvio Mormont está morto há anos o que é realmente uma pena porque eu gostaria de ter a oportunidade de mata-lo com minhas próprias mãos.

— Mas o filho dele ainda vive. Suas filhas estão vivas... Ainda podem pagar pelos crimes do pai. – disse Barret – E também temos os Starks para nos preocuparmos em matar. Sangue se paga com sangue. Iremos vingar nossa casa, meu pai.

— Que os deuses ouçam – falou Lorde Sandor – A única razão que me leva a levantar armas e lutar essa guerra está porque não iremos servir a nenhum Rei Vermelho. Se fosse Royce que tivesse nos convocado saiba que nesse momento estaríamos em Regatos ainda. Mas foi Lorde Ethan que nos convocou e aquele homem merece todo o nosso apoio, se não fosse por ele não teríamos conseguido reconstruir tudo o que perdemos.

Aquilo era verdade, por muito tempo a Casa Ryswell se manteve afastada das outras grandes casas. Tinham sido abandonadas e ignoradas se não fosse pelo apoio de Lorde Ethan que conseguira convencer o falecido Rei Robett a emprestar ouro e homens para que Regatos pudesse ser reconstruída. Tudo devido à antiga amizade que existia entre o hoje Lorde de Vila Queimada com o pai de Barret.

— Lorde Ethan é um bom homem – falou Barret – Eu o admiro.

— Era ele que devia ser nosso rei. Príncipe Rowen não passava de um moleque novo demais para compreender o peso que a coroa em sua cabeça vai representar. – falou Lorde Sandor apenas para que o filho ouvisse – Estou farto de ver o Norte sangrar por conta dessa estúpida guerra entre homens esfolados e lobos. E agora terei de dobrar meu joelho para um garoto mais novo do que você.

— Já dobrou para pessoas piores – respondeu Barret com sarcasmo – Não será algo difícil dessa vez. – o olhar do pai endurecera como pedra naquele momento e ele colocou o cavalo de frente

— Isso não é engraçado, Barret. – disse Lorde Sandor colocando o cavalo atravessado a frente do filho fazendo com que este tivesse que parar seu animal também – Eu estava em uma posição que não havia como tomar outra decisão. Não me envergonho do que fiz e o teria feito de novo se isso garantisse a segurança sua e de minha família.

— Não ouse fazer isso novamente ou serei obrigado a mata-lo – disse Barret com um tom debochado – Manchar sua honra se humilhando frente os inimigos por uma segunda vez é imperdoável.

— Não irá se repetir – falou Lorde Sandor – Iremos garantir que isso não aconteça.

— É bom mesmo porque eu prefiro morrer antes de me humilhar dessa forma – disse Barret seriamente. – Olhar um homem debaixo é a pior ação que se pode fazer. É mostrar-se alguém inferior, o que não somos. O que eu não sou.

Por dentro lhe queimava uma ansiedade grandiosa por batalha. Diferente do que seu pai podia pensar, ele não estava com medo da guerra que estava por vir afinal aquilo tudo tinha mostrando-se inevitável tendo o falecido Rei Royce no poder. E o melhor de tudo era que o maldito rei vermelho tinha perdido sua vida e agora quem lideraria tudo seria Ethan Bolton.

— Terá de fazê-lo quando chegarmos – disse Lorde Sandor – Assim como eu quando aquela coroa for colocada na cabeça de Rowen. Terá de dobrar seus joelhos frente ao jovem Rei Vermelho. – então riu roucamente – Maldito Royce, matou-se e nos deixou com um garoto jovem demais para lutar a própria guerra.

— Não irei lutar por aquele rei ou nenhum outro. – falou Barret – Reis Vermelhos ou do Inverno que se fodam. – ele pode sentir o olhar de Sandor sobre ele — Nossa guerra é por razões pessoais, meu pai.

— Eu sei que são – falou Lorde Sandor – Mas não significa que devamos mostrar isso a todos. Para nós é conveniente que pensem que somos apoiadores fervorosos dos Bolton mesmo que eu esteja cagando para aquela família. Tirando Ethan, para mim os Outros poderiam carregar cada um daqueles escrotos.

— Nós iremos vencer essa guerra para eles – disse Barret – E a honra de nossa casa será refeita. — Matarei lobos. Destruirei cada um dos responsáveis pela desgraça de minha casa. O nome Ryswell será novamente respeitado.

E o melhor de tudo era que o maldito rei vermelho tinha perdido sua vida e agora quem lideraria tudo seria Ethan Bolton. O que aumentava drasticamente as chances de vitória sobre os Starks e os aliados.

...

Lyonel Hornwood

Ele ouvira os passos antes de realmente erguer seus olhos para encarar de quem se tratava. Não estava com pressa o suficiente afinal já fazia ideia de quem poderia ser e por conta disso foi que preferira terminar a sua leitura ao menos daquela página. E assim o fez mesmo sabendo o peso do olhar do outro que se mantinha fixo nele. Por fim foi que decidira ceder e fechara o livro para poder encarar o pai.

Lorde Harrold Hornwood esta frente dele, tinham lhe dito que quando jovem este era muito parecido com seu filho mais velho. Porém sempre ressaltavam que diferente de seu herdeiro o homem era um homem mais social e fácil de lidar sendo diferente de Lyonel que costumava preferir ficar sozinho com seus livros ou treinando com sua espada. Bem diferente do pai que sempre fora um homem que gostava de caçadas e participar de torneios além de festas.

— Você ainda não se preparou para partirmos – disse Lorde Harrold – Lorde Ethan aguarda por nós em Forte Pavor. – Lyonel continuou o fitando em silêncio — Todos os lordes estarão lá e não seremos nós que iremos chegar atrasados por conta sua. Então, prepare-se.

— Por quê? – perguntou Lyonel seriamente.

— Você ainda pergunta por que nós devemos ir? – questionou Lorde Harrold – Você tem ideia de que temos um dever a cumprir. É por essa razão que devemos partir... – ele aproximou-se mais do filho e tirou o livro de suas mãos — E quando digo nós significa que você está incluído.

_ É uma grande honra – disse Lyonel apesar de seu tom claramente querer dizer que ele não dava à mínima – Estou encantado que não me aguento de felicidade. – Sua feição era intacta sem mostrar qualquer expressão de sentimento.

— Iremos todos – disse Lorde Harrold – Mesmo sua mãe e seu irmão.

— Certamente para que mostremos... – disse Lyonel — Para que mostremos nosso respeito e pesar pela morte de um péssimo rei ou por que o senhor quer ser o primeiro a estar lá para bajular Lorde Ethan? Acho que terá concorrência dessa vez já que pelo que soube, Lorde Sandor também está indo para lá.

— Sua mãe está com saudades de sua irmã e eu também estou – falou Lorde Harrold – Pensei que teria um pouco disso também, mas creio que não agora que vejo como desfaz tanto da oportunidade em vê-la. A última vez que viu Elenya foi a dois meses.

— Não teria saudades se não a tivesse dado para ser a dama de companhia para a princesa – disse Lyonel – Acho que se arrependeu disso não é mesmo? – ele levantou-se da cadeira e tornou a andar pela grande biblioteca para devolver o livro para a prateleira — Você a puniu por um erro dela e olha só não é que está sentindo-se arrependido? Lastimável.

— Eu fiz aquilo para que sua irmã aprende-se – falou Lorde Harrold – Ela foi desonrada e entregou a sua pureza para um homem que não merecia. Como um pai deveria agir de outra forma?

— Pelo menos não recorreu a tentar limpar a suposta honra manchada de Elenya tentando matar o homem que se deitou com ela. – disse Lyonel – Teria sido o inicio de um confronto com Karhold. Tudo por que minha irmã achou um rapaz bonito e cometeu um erro.

— As vezes penso que deveria ter feito isso. – disse Lorde Harrold – No lugar de ficar calado, talvez devesse ter confrontado Lorde Torrhen e exigido um casamento de Elenya com Tyr Karstark. – ele então suspirou pesadamente — Mas os Boltons poderiam compreender isso como traição. Unir nossa casa com uma das maiores aliadas dos Starks. Eu terei sorte se encontrar um homem que não se importe com o fato dela não ser mais donzela.

— Homens são tão estúpidos não? – falou Lorde Lyonel – Colocam a honra deles em jogo achando que a perderam caso tomem uma mulher que teve sua virgindade tirada por outro como esposa, quando saem por ai dormindo com prostitutas e outras mulheres. É muita hipocrisia.

— O mundo é assim – respondeu Lorde Harrold – Feito de pessoas egoístas e hipócritas. – Ele ergueu a mão para colocar sobre o ombro do filho só que parou quando este se voltou em sua direção para encará-lo – Eu realmente gostaria que você fosse comigo.

— Por quê? – perguntou Lyonel.

— Para que possa sentar ao meu lado no conselho de guerra – disse Lorde Harrold – Ethan não é como Royce. Ele não irá te humilhar por você discordar de suas estratégias ou propor novas, pelo contrário, irá ouvi-lo e poderá fazer como você sugerir caso se mostre a melhor alternativa. E você, Lyonel, é uma das mentes mais brilhantes quando se trata de assuntos como este.

— É tentador, mas não estou interessado. – falou Lyonel então se virando e saindo da biblioteca sendo seguido pelo pai. – Não preciso impressionar ninguém com o que sei. — Agora ambos caminhavam pelos corredores do castelo com Lorde Hornwood tentando alcançar os passos largos do filho.

— Você já recusou o pedido de servir como intendente para Lorde Ethan – disse Lorde Harrold – Ele lhe fez o pedido pessoalmente e você o recusou. Ele não falou nada, mas deve ter sentindo-se ofendido.

— Pois que continue assim, não gosto do modo como ele me olha – falou Lyonel – E ele e Harrion parecem ter se dado muito melhor. – Pode ver que seu comentário tinha conseguido ser captado pelo pai já que este ficara em silêncio.

Lyonel o viu franzir o cenho e soube que por mais que Harrold tentasse não ver ainda assim não tinha como negar que havia boatos que corriam pelo Norte. A respeito de Lorde Ethan e seus intendentes, primeiro um garoto Dustin que morreu enfrentando os homens de ferro e agora o sobrinho de Lorde Hornwood.

— Eu apenas estava pensando em seu futuro – falou Lorde Harrold — Serviria para que aprendesse um pouco mais a respeito da guerra. Você aprenderia a como navegar e como comandar homens.

— Eu já serei Lorde Hornwood – falou Lyonel – Acho que meu futuro está garantido já e eu aprendi tudo isso em livros e está tudo aqui. – apontou para a cabeça – Esperando apenas o momento certo para que quando precise ser colocado em pratica.

— Quando se não agora? – disse Lorde Harrold — Estuda tanto e desperdiça a oportunidade de demonstrar o que sabe.

— Estudo tanto é porque me interesso por saber das coisas que podem ser importantes. – disse Lyonel – E demonstrarei quando quiser. – eles agora desciam a escadaria até o pátio principal — E preferia me abster dessa guerra tola e sem sentido.

— Mataram um Rei Bolton – disse Lorde Harrold – Creio que haja algum sentido.

— Não para nós – falou Lyonel – Um rei perde a cabeça para outro e agora todos vão a guerra para isso. Responda-me: Para que?

— Eu não questiono esse tipo de coisa – disse Lorde Harrold. E Lyonel manteve-se em silêncio encarando o pai: Claro que não pensar... Você não é do tipo que goste de pensar. Mas preferiu manter seu pensamento consigo.

— A razão é para mais homens morrerem lutando uma causa estúpida quanto essa. – respondeu Lyonel — Starks e Boltons lutam já há anos e no final o Norte é quem mais sofre. Enquanto isso, do outro lado da Muralha os selvagens se organizam. Você leu a carta que recebemos da Patrulha da Noite falando sobre um novo Rei Selvagem.

— Não é assunto nosso – disse Lorde Harrold – O que acontece do outro lado diz respeito aos Irmãos da Patrulha da Noite. – fez uma pausa — Para nós o que interessa é a guerra que se segue aqui... Porque este é o nosso lar e não o que existe ao norte da Muralha.

E por este ser nosso lar que deveríamos protegê-lo no lugar de destruí-lo com uma guerra entre homens esfolados e lobos. Se todos esquecessem essa estupida disputa pelo Norte então poderíamos nos concentrar no que realmente importa.

Lyonel então continuou caminhando até onde a comitiva Hornwood preparava-se para partir. Pode ver a senhora sua mãe e seu pequeno irmão Harwin montados no seu cavalo e no pônei do garoto enquanto o escudeiro de seu pai tinha lhe preparado a montaria. O rapaz loiro então pode ver a mãe desmontando o cavalo e vindo até ele acompanhada do filho mais novo.

— Você não virá conosco – falou Lady Eleanor que sabiamente já parecia saber disso como não parecia surpresa – Eu tentei dizer ao seu pai que era desnecessário incomodá-lo, sei que não gosta de sair muito... É realmente uma pena porque eu escrevi a Elenya e ela parecia animada com ter todos nós por perto.

— Ela não irá se importar – falou Lyonel – Vocês estarão lá.

— Eu não contaria tanto com isso – respondeu Lady Eleanor – Mas tudo bem, Lyonel. – ela sorriu para o filho — Apenas diga-me se tem algo a dizer para ela, alguma coisa para justificar a razão de não querer ir. – Ele ficara em silêncio apenas encarando a mãe – Bem, de toda a forma.

Lady Eleanor então se aproximou para abraçá-lo, mas percebeu o filho dando alguns passos para trás, como costumava fazer quando qualquer pessoa tentava toca-lo sem sua vontade. Porém Harrold acabou parando Lyonel o fazendo ir para frente novamente dando assim a chance da Eleanor poder abraçá-lo.

— Apenas cuide-se, tudo bem? – disse Lady Eleanor – Eu te amo, querido. – ela se afastou do filho mais velho então se colocando ao lado do mais novo – Tem algo a dizer a seu irmão?

— Até mais, Lyonel – falou Harwin então se voltou para a mãe – Já podemos ir? Estou com saudades da Enya. – Então logo ele correu em direção aos cavalos mais uma vez com a mulher o seguindo.

_ Então, é isso... – falou Lorde Harrold – Eu lhe escreverei sobre a reunião dos lordes. – então começou a se afastar — Talvez lhe interesse a leitura afinal é o que mais faz não é mesmo?

— Eu esperarei por isso – falou Lyonel – E pai... – o homem parou para encará-lo – Não é porque eu ache essa guerra idiota que eu não vá participar.

— Eu sei – falou Lorde Harrold sorrindo – Até mais, filho. – Lyonel não respondera novamente e dessa vez virou-se e partiu sem nem esperar para ver a comitiva partir da Fortaleza Hornwood rumo a Forte Pavor. Ao menos foi o que seus pais e irmão pensaram como o rapaz simplesmente assistira a tudo pela janela de seu quarto.

Notas finais
O personagem masculino Dustin vira em breve, uma leitora o enviara para mim. Mas tem uma ficha masculina dessa família ainda sobrando. A casa Ryswell ainda tem uma vaga feminina aguardando. Enfim, espero que tenham gostado. Até mais.