Notas iniciais
Novo capitulo para vocês Espero que gostem.

Porto Branco

Não tardou para que encontrassem um vestido de noiva, como a encomenda de um demoraria em ficar pronto, sendo aquele casamento feito as pressas como Maggie bem sabia que seria.

Nunca em sua existência tinha sonhado com casar-se com um nortenho ainda mais nas condições em que se encontravam para formar uma aliança com os inimigos de seu soberano.

Era fato que parte dela se ressentia de como as coisas tinham terminado com Sor Duncan Tully, isto antes de começarem. Ainda lembrava-se com carinho a troca de cartas que faziam entre corvos e dos galanteios do cavaleiro ruivo quando viera visita-la no Dia de Seu Nome de três anos atrás. Mas não chegara a conhecer Correrio porque Raynard desfizera o acordo pouco depois do falecimento do pai deles.

Minha irmã não se casará com um reles segundo filho, dissera Raynard Manderly, ela merece coisa melhor do que um simples cavaleiro e tenho certeza de que seu filho irá encontra um esposa a seu nivel, Lorde Tully. Ofendido, foi que nunca mais uma das trutas retornara a Castelo Novo. E Raynard nem ao menos esforçou-se para disfarçar seu desinteresse por encontrar um novo pretendente para sua irmã.

Propostas tinham chegado dos reinos sulistas assim que a noticia se espalhou: um Beebury de Bosquemel, um Royce de Pedraruna, um Penrose de Pergaminhos e um Reyne de Castamere, eram os que se lembrava. Até mesmo nortenhos tinham tentado reivindicar sua mão. Grey Jon Umber oferecera seu filho herdeiro, mas fora rejeitado.

Nenhum deles serviria para sua irmã nem um segundo filho de um lorde sulista influente. Nem um herdeiro de uma grande casa nortenha, então quem iria lhe servir? Segundo seu irmão ainda não tinham encontrado.

Sim, acabou por fim encontrando no final das contas, não da maneira como desejava fazê-lo era fato. O homem que derrotará Raynard e o aprisionara. O homem que tinha liderado o exercito que atacou e dominou Porto Branco. Se tivesse honrado as palavras do pai deles, naquele momento Maggie estaria em Correrio quem sabe até com um bebê em seu colo ou ventre. Seria a senhora em um castelo sulista longe daquela guerra.

As criadas encheram a banheira da donzela de Castelo Novo com água quente fumegante e esfregaram-na dos pés à cabeça até a deixarem rosada e reluzente em sua pele pálida.

Teve vontade de questiona-las se desejavam em arrancar-lhe as sardas que lhe salpicavam a derme, porém conteve-se no comentário como sua mãe logo ordenaria que se contivesse. Sem dizer que a Septa Roxanne podia contar e apenas viria a lhe causar mais problemas. Não era como se elas não tivessem discutido após Lorde Dustin deixa-las após a reunião ao lado de Sor Martyn Manderly.

Sim, havia se exaltado e isso tinha lhe rendido um tapa sonoro em sua face, que por sua vez era uma das poucas vezes que a mãe se descontrolara. Por sorte, a vermelhidão de sua pele tinha desaparecido um pouco.

Ela não aprovara a decisão da mãe em trair ao Rei Brandon. Apoiar os maiores inimigos da coroa do inverno era como lançar ao mar tudo o que sua família havia conquistado e sido confiado a eles.

Enquanto crescia escutava as historias de como o tataravô de seu pai tinham sido expulsos de suas terras sem levar nada além do que pudesse caber em sua frota de navios.

Os Manderly viviam às margens do poderoso rio Vago, mas foram expulsos pela Casa Gardener. Ela podia lembrar-se das palavras de seu pai enquanto lhe ensinava a respeito de como eles haviam conquistado o posto em que agora estavam e como deveriam ser gratos pelo que tinham.

— Os Manderlys vêm de uma linhagem antiga que vivia nas margens do poderoso Rio Vago no Reino da Campina. – dissera Willem Manderly para uma pequena Maggie enquanto ambos pintavam suas telas a tinta a óleo no quarto dela — Uma casa nobre de grandes senhores com sangue dos Primeiros Homens não apenas o dos Ândalos. O castelo em que nossos antepassados viviam se chamava Dunstonbury. Em honra do seu construtor, Dunston Manderly.

— Ele foi o fundador de nossa casa, papai? – disse Maggie enquanto o Senhor de Porto Branco pegava em sua mãozinha para ensina-la a segurar o pincel como devia – Dunston seria como Karlon é para os Karstarks?

— Não, minha querida. – respondeu Willem – nosso sangue é muito mais antigo que o de Dunston – Ele tinha os olhos verdes compenetrados na pintura – Consegue fazer sozinha a partir daqui? – Ele soltara a mão dela e a garota assentiu – Bom, vou misturar mais tintas agora.

— Papai, quem foi o primeiro Manderly? – perguntou Maggie.

— Foi o Rei Bacalhau – disse Willem rindo da própria resposta — Nós Manderlys temos sangue de tritões e sereias, minha querida. Apenas tivemos o azar de perdermos nossas caudas e foi ai que Dunston teve de construir um castelo feito de pedras e em terra firme.

— Um dia iremos ver Dunstonbury de novo? – perguntou Maggie ao pai e ele fez uma expressão triste para a garota – Que foi papai? Falei alguma coisa de errado?

— De maneira alguma, minha pequena – disse Willem – É só que este castelo não existe mais. Quando nossa familia foi expulsa da Campina, pouco tempo depois Dunstonbury foi demolido sem que sobrasse nenhum vestígio e as terras que antes nos pertenciam foram dadas ao Lorde Peake da época que expandiu assim seus domínios.

— Casa Peake? – perguntou Maggie.

— Eles possuíam uma rivalidade em anos com os Manderlys – respondeu Willem – Assuntos mal resolvidos que acabaram por ser a causa de tudo que veio a nos acontecer. Eles tinham uma disputa de anos por conta da limitação de suas fronteiras e acabou por vezes com derramamento de sangue. O rei Gwayne III Gardener persuadiu os senhores Manderly e Peake a aceitarem seu julgamento para encerrar a disputa entre as duas casas sem mais perdas para ambos os lados. Mas a rivalidade ainda permaneceu da mesma forma porque muitos homens não conseguem esquecer o passado.

— Foi o Rei Gwayne III que expulsou nossa familia? – perguntou Maggie.

— Não, minha pequena foi outro rei que veio a fazer isso – disse Willem — Durante o fim do longo reinado de Garth X Gardener, houve um problema de sucessão já que o rei tinha gerado apenas filhas mas nenhum filho homem. Uma das filhas era casada com o Lorde Manderly e outra com o Lorde Peake.

— Ambos afirmavam que suas respectivas esposas deveriam se sentar no trono e a rivalidade entre as duas casas passou a contar com traições, conspirações e assassinatos. – continuou Willem — Finalmente uma guerra civil começou quando senhores de outras casas escolheram seus lados.

— Os Peakes venceram e os derrotados foram expulsos? – perguntou Maggie – Foi assim que aconteceu, papai? Nós perdemos está guerra e o nosso antigo lar? Era só ter visto qual das duas irmãs era a mais velha e estava no direito de reinar. Não é assim que deveria funcionar?

— Não foram os Peakes que nos expulsaram – disse Willem – Deixe-me continuar que você saberá o fim de toda a historia. – Ele entregou a tinta para ela sobre a paleta enquanto a mostrava como limpar o pincel – Isso mesmo agora é secar a cerdas da ponta.

— Continua a historia, papai. – disse Maggie.

— Certo, aonde eu tinha parado? – questionou Willem.

— A guerra contra os Peakes – disse Maggie – Como isso gerou coisas ruins.

— Muitas coisas ruins – Concordou Willem – Foi uma anarquia que durou quase uma década até que o Sor Osmund Tyrell , Alto Guardião de Jardim de Cima, fez causa comum com vários lordes da Campina e derrotou tanto os Peakes quanto os Manderlys. Osmund instalou no poder um primo distante do rei Garth X, coroando assim Mern VI Gardener como o novo monarca.

— Foi Rei Mern VI o responsável então – disse Maggie e o pai assentiu – Então de toda a forma perdemos a guerra não importou se a esposa de Lorde Manderly subiu ao trono. Acabou que perdemos tudo o que tínhamos.

— Os Manderlys, feridos, sem amigos e com suas vidas em perigo pelos inimigos feitos durante a guerra. Perderam suas terras porque Mern preferira criar laços com Lorde Peake por alguma razão. – Contou Willem — Nossos antepassados então fugiram para o Norte e foram recebidos e protegidos pelos Starks de Winterfell como seus novos juramentados.

— Os Starks deram aos Manderlys a antiga fortaleza de Toca do Lobo e os incumbiram de defender a foz do poderoso rio Faca Branca, se assentando na cidade de Porto Branco. – continuou Willem — A cidade de Porto Branco foi construída pela nossa família com o dinheiro que haviam trazido consigo. Tornou-se rapidamente uma das cidades mais importantes do Norte, como um grande centro comercial e de transporte naval.

— Um final feliz para toda essa historia – disse Maggie sorrindo.

— Não um final, minha querida. – disse Willem – Foi um recomeço para nossa família. Meu tataravô ficou tão surpreso com tamanha generosidade do Rei Jon Stark que entregou a ele a promessa de que seriam os mais leais aliados de Winterfell até o fim dos tempos. Nós Manderlys dobramos o joelho e juramos fidelidade aos Starks, afirmando que sempre seriamos leais a eles. Compreende o que eu estou tentando lhe ensinar, Maggie?

— Acredito que sim, papai. – disse Maggie – Lealdade para com os Starks sempre – o homem pegara um pedaço de pano e limpara um pouco de tinta que ficara na bochecha da menina – Pelo que fizeram por nós no passado.

— Passado, presente e futuro. Nossos reis nunca nos trairão se mantivermos sempre ao lado deles – falou Willem — Nossa lealdade vem em troca de nossa divida de gratidão para com está família.

Maggie se recordava das palavras de seu pai e da historia que ele lhe ensinara aquele dia. E sentia revolta ao ver como tudo estava indo água a baixo pelas vontades de sua mãe que tinha prometido dobrar o joelho para o Rei Vermelho. Mas Maggie não era como a mãe.

Toda a história faz parte da cultura da Casa Manderly e impulsiona a grande lealdade aos seus Reis Starks. E agora tudo seria jogado fora em troca de sobreviverem e protegerem o povo de Porto Branco, a garota compreendia as decisões que a mãe tinha tomado. Mas concordar com elas era algo que não tinha como fazer.

Mas a que mais a decepcionava era o fato de um de seus próprios tios terem voltado as costas para essa lealdade. Tio Martyn havia esquecido o passado de sua família e a expulsão da Campina e de como tinham sido acolhidos de braços abertos pelo Rei Lobo da época.

Se Tio Tybolt estivesse ali, mas o cavaleiro e seus bastardos tinham se perdido em batalha nem os corpos haviam sido encontrados. Uma parte de Maggie queria acreditar que Tybolt e seus Tritões de Neve tinham conseguido escapar e retornariam com ajuda para salva-la e a Porto Branco.

Ela importava-se com seus súditos diferente de Raynard ou a mãe deles. Era obrigação dela e de todos os Manderly, cuidar da melhor maneira possível daquilo que lhes foi confiado e justamente por ser tão dedicada a essas pessoas não tolerava traições ou falhas vindas delas.

E agora estava cercada de traidores e sendo obrigada a trair tudo aquilo que o pai acreditava e fazia isso pensando no que era melhor para sua cidade e seu povo. Um sacrifício a ser feito por mais que a honra fosse ser manchada. Mas ainda era errado, ainda estava enraivecida e decepcionada com sua família por aquele ato desonroso que estavam comentando.

Uma de suas aias tratou de suas unhas, as limpou e tirou o restante das manchas de tinta que permaneciam ali geralmente. Enquanto outra escovou e ondulou seus cabelos ruivos para que caíssem por suas costas em suaves caracóis. Trouxe também uma dúzia das essências que sua mãe lhe ordenara.

Maggie escolheu uma fragrância viva e doce, com um toque de rosas sob o cheiro de mar. A aia despejou um pouco no dedo e tocou-a atrás de cada orelha e sob o queixo para que então, levemente massageasse em seus mamilos. Maggie ruborizou um pouco, porém desviara o olhar quando se ergueu ainda envolta nas toalhas e sendo secadas pelas duas criadas.

Lady Margaret chegou no momento da prova do vestido. E ficou vendo enquanto vestiam a filha com sua roupa nova para a cerimonia que ocorreria ao pôr-do-sol. O vestido era seda na cor verde-água e com detalhes no pano em prata forrado de cetim prateado.

As extremidades de suas longas mangas pontiagudas quase tocavam o chão quando baixava os braços. Quase não conseguia ver suas mãos e isso a incomodava. A parte favorita em seu corpo eram suas mãos porque era com elas que criava a sua arte.

Mas aquela era a moda sulista. E era um vestido de mulher sulista, não de menina nortenha. não havia dúvida quanto esse fato quando encarava-se no espelho enquanto era vestida. O corpete era aberto na frente, quase até a barriga, com o profundo "v" coberto por um painel de ornamentada rendado num cinza-claro.

As saias eram longas e cheias, a cintura era tão apertada que Maggie teve de prender a respiração quando a amarraram o espartilho. Trouxeram — lhe também sapatos novos, chinelos de suave pele de corça cinza que abraçavam seus pés como amantes. Ao menos conseguiria andar pelo menos daquilo tudo os seus pés tinham sido poupados.

— O Septo Nevado lhe espera – disse Lady Margaret à filha – Foi uma bondade de Lorde Dustin aceitar que a cerimonia fosse diante da fé sulista. Pelos Sete, se ele insistisse em casar-se de frente para aquela árvore feia como os nortenhos geralmente fazem acho que eu não teria capacidade em presenciar o ocorrido. Por sorte, ele é familiar aos novos deuses por conta de sua mãe vir das Gêmeas.

O assento da Casa se tornou conhecido como Castelo Novo, construído para substituir Toca do Lobo e se parece com o antigo castelo de Dunstonbury na Campina. Os Manderlys são uma das poucas casas do norte que seguem a Fé dos Sete ao invés dos deuses antigos e tem uma boa tradição de cavalheirismo.

O Septo Nevado fora construído a pedido da esposa de um antepassado Lorde Manderly, a mulher não queria converter-se aos Antigos Deuses e assim foi que a Estrela de Sete Pontas tornou-se um símbolo presente no Norte. Muitos moradores de Porto Branco inclusive seguiam a fé sulista assim como seus senhores.

— Está muito bela, senhora. — disse a aia quando acabaram de vesti-la e a colocaram de frente para o espelho para que pudesse encarar o reflexo.

— Estou? — Respondeu Maggie secamente.

— Mal posso esperar que Lorde Dustin a veja assim. Ele vai te amar, tem de amar... – disse Margaret aproximando-se da filha – Faltam algumas joias, acho. As perolas negras que seu pai lhe deu.

— Imediatamente, milady — respondeu a aia indo buscar o colar de perolas.

Depois de o colar de perolas estar envolto em seu pescoço, Maggie o tocara lembrando-se de como aquele era o último presente que o pai tinha lhe dado no último dia de seu nome em que Lorde Willem ainda vivia. A rainha fez um aceno com a cabeça ao ver o reflexo da filha.

— Sorria – disse Margaret – Assim o seu noivo saberá que está feliz por se casar com ele.

— Eu não estou feliz – respondeu Maggie – Não quero me casar com alguém não conheço.

— Não quer, mas é o seu dever como minha filha – disse Margaret – Como uma Manderly de Porto Branco. Fazer apenas o que queremos não é algo que uma dama deva escolher, muitas vezes fazemos coisas que não queremos porque é nossa obrigação e dever. Ou acha que desejei casar-me com seu pai? Eu queria um Príncipe do Vale e das Montanhas – Ela falara amargamente — Mas meus pais acharam que eu não era boa o suficiente para que oferecessem minha mão a um Arryn do Ninho da Águia. E acabei casando-me com um senhor nortenho que buscava uma segunda esposa como a sua morrera ao dar a luz a um natimorto.

— Eu não sabia – disse Maggie.

— Sim, seu pai nunca gostou de falar na coitada que mal sobrevivera a dois anos junto dele – respondeu Margaret – Mas eu aprendi a amar seu pai depois de um tempo como fui o conhecendo melhor. Quando percebi que ele amava-me e eu então parei de pensar no príncipe pelo qual meu coração batia. Ele tinha ficado no Vale de Arryn e provavelmente casado e tido filhos enquanto eu fiz minha família ao lado de outro homem.

— Você está me vendendo – disse Maggie – Vendendo-me a nosso inimigo e traindo tudo o que meu pai acreditava. Nossa lealdade aos Starks foi jogada no limbo e pelo que? Meu pai revira-se em seu tumulo frente a afronta que faz com que cometemos. Toda uma historia de tradição e lealdade...

— Um dia será mãe e saberá como é – respondeu Margaret – As decisões e atitudes que temos que tomar por amor a nossos filhos. Esse trato manterá você viva e a Elric, além do mais seu irmãozinho ganhara o titulo de senhor de Porto Branco que é dele por direito. Ou prefere que quem herde seja o bastardo que Raynard colocou sobre nosso teto?

— Ao preço da morte de Raynard que tudo se realizará. Sobre o seu cadáver e o sangue fresco dele... – respondeu Maggie sussurrando para a mãe para que ninguém pudesse ouvir – Por que não manda-lo para tomar o negro? – Ela encarava os olhos da mãe pelo reflexo do espelho — Não sei se serei capaz de amar o homem que vira a ser o assassino de meu irmão.

— Um relacionamento não se mantem apenas por amor – respondeu Margaret com frieza.

— E pelo que mais seria? – Questionou Maggie.

Margaret Manderly ignorou a filha.

— O manto. — ordenou Margaret e as mulheres trouxeram. Era um longo manto de cetim verde e um tritão estava bordado nele em fio de prata. Maggie olhou-o com súbita expectativa. Eram as cores de seu pai que foram depositados em seus ombros pela mãe e escorreram lhe cobrindo os braços e seios. – Lindo não? — Enquanto o prendiam em volta do pescoço da garota com uma delicada corrente de prata. A corrente possuía prendedores em forma de sino prata que agarravam-se para prender o manto. O pequeno objeto era uma lembrança da origem de Margaret quanto donzela, a Casa Belmore de Cantoforte.

Seu manto de donzela. A mão de Maggie subiu à garganta e deslizou pela corrente que prendia a capa. Demorara um pouco os dedos passando pelos sinos e sentiu uma vontade de querer puxa-los junto a corrente e deixar que o manto caísse no chão. Ela teria arrancado aquela coisa se tivesse coragem. Mas pensava então em todas as consequências que viriam e uma discussão com a mãe como se já não tivessem tido na noite passada.

— Sim, você se casará não é com quem desejava só que mesmo assim é o seu futuro marido – respondeu Margaret – Olhe pelo lado bom, está casando-se com um cavaleiro como queria e um muito bom alias para ter conquistado nossa cidade em apenas uma noite. Se ele tem Porto Branco tão rapidamente não duvido que o faça com você.

— Ele pode me ter – disse Maggie – Mas não me entregarei a ele não vou ama-lo e não irei aceitar nunca o que está acontecendo. Não me esquecerei da traição que fez minha mãe. Não a traição apenas com nosso rei, mas sim com sua própria filha que negociara. – Ela olhou para Margaret – Esperava mais de você.

— O seu irmão fará às vezes de seu pai, o seu noivo acredita que isso mostrara uma boa imagem e fará com que o acordo que propôs para nós frente a corte do tritão foi o que optei por aceitar. — respondeu Margaret — Ele também pensa dessa forma então não diga a Raynard que esse será o seu ultimo dia de vida. Permita que se aproveite dos festejos bem sabe o quanto ele adora banquetear-se e gracejar com as damas.

— Não vou. — Respondeu Maggie – Peça a outro, mas não ao Raynard. Não quero que ele faça as vezes de meu pai e não posso suportar vê-lo, não quando sei que será pela última vez e que depois disso nunca mais. Eu não tenho sangue frio a esse ponto, minha mãe.

— Compreendo sua relutância – disse Margaret – Vê-lo não será fácil para mim também.

— Fingir que ele está a salvo – disse Maggie – Jogar com os sentimentos dele é cruel demais.

— O mais cruel que tem sido desde que se tornou homem?- perguntou Margaret – Aquele homem fora uma decepção para seu pai e para mim.

Lorde Willem quando vivo, tentava disfarçar o favoritismo que tinha para Maggie. Já a mãe nunca se deu ao trabalho de esconder que seu filho mais velho era uma decepção por não se destacar em nada dos outros jovens comuns. Ele não era um cavalheiro excepcionalmente bom, nem um guerreiro especialmente habilidoso e muito menos uma mente brilhante. Tinha a baixa opinião da esposa que fez lorde Willem se afastar do filho quando viu que as expectativas colocadas sobre Raynard nunca seriam alcançadas.

A afeição dos pais passou a ser toda dirigida para Maggie que cresceu com todas as suas vontades sendo atendidas. Lady Margaret sempre se esforçou para que a filha fosse uma versão melhorada dela, fazendo de Maggie uma dama impecável, mas de opinião forte e muito orgulhosa.

Quando nove anos atrás Lady Margaret deu a luz a sua terceira criança, um segundo menino foi que ela confessou a filha que dadas as circunstâncias talvez fosse melhor que Raynard morresse e Maggie nunca aprendeu a discordar da mãe. Afinal ela e o irmão mais velho não eram bons amigos nem mesmo quando crianças como Raynard sempre mostrou-se alguém com uma personalidade um tanto estragada.

Nessa mesma época lorde Willem, seguindo os conselhos da esposa acabou por conseguir um excelente acordo de casamento para a filha, a prometendo para Sor Duncan Tully, o segundo filho do Lorde Hugh Tully de Correrio. Maggie estava mais do que feliz com a situação, e sua mãe passou a instruí-la duas vezes mais sobre como ser uma boa esposa.

No entanto, seis anos depois do acordo ser firmado foi que Lorde Willem veio a falecer depois de alguns dias de cama, sem que nenhum diagnóstico convincente fosse alcançado pelo Meistre de Castelo Novo. Um homem que sempre mostrou-se muito forte para a idade perecera em menos de uma semana de forma tão abrupta.

Algumas suspeitas chegaram ao coração de Lady Margaret que compartilhara com a filha o pensamento de que acreditava que a morte do senhor de Porto Branco tinha ocorrido por meio de um envenenamento causado por Raynard. Como este e o pai vinham se desentendendo há anos.

O agora Lorde Raynard desmanchou o noivado da irmã, ignorando quaisquer consequências políticas e comerciais. Sem falar nos sentimentos profundamente feridos de Maggie. Depois de alguns meses, as senhoras e o Manderly mais novo acabaram por ser confinados em seus próprios aposentos com um número reduzido de criados. O motivo dado por Raynard para isso foi proteger sua família de um surto de peste em Porto Branco.

Depois de um ano, e com o fim de qualquer surto de doença, o confinamento dos Manderly começou a causar insatisfação por parte dos súditos leais a Willem, e admiradores de sua esposa.

Com Lady Margaret conspirando de seu confinamento com seus aliados e Maggie presenciando cada movimento bem próximo. E Raynard mantendo seu poder a força sobre seu domínio. E foi assim que Porto Branco estava dividido tanto em poder militar bem como em lealdade. Seus problemas internos impediram que Raynard fizesse planos para declarar sua lealdade aos Stark na guerra que estava por vir. O chamado de Rei Brandon acabou por ser ignorado pelos Manderlys que viviam sobre uma casa dividida.

— Compreendo a sua relutância. – falou Margaret amargamente – Mas de nada servirá para mudar a decisão que foi tomada. Chore se precisar e lhe fizer melhor por mais que eu saiba que é orgulhosa demais para deixar-se demonstrar tal fraqueza. Em seu lugar, eu provavelmente me manteria forte e de cabeça erguida. Ele é um homem mais velho e de uma casa tida como inimiga não há dúvida não será capaz de amá-lo tão facilmente, mas vai mesmo se casar com ele.

— Não pode me obrigar casar-me – respondeu Maggie – Não pode obrigar-me a deitar com aquele homem e dividir minha cama. – A mulher sorriu.

— Claro que posso, sou sua mãe ou esqueceu-se? – respondeu Margaret — Pode vir calmamente e proferir seus votos como é próprio de uma senhora nascida em berço de ouro. Ou pode lutar, gritar e dar um espetáculo que deixe os soldados de seu marido as gargalhadas e aquele bom homem constrangido e raivoso. Ele parece nobre demais para levantar a mão contra você, mas quem pode garantir que não o faça se isso for lhe calar a boca? Uma esposa de seu marido já faleceu em sua cama e ele dormiu ao lado do cadáver. Há quem diga que a tenha matado... – Ela deu de ombros – Pode acreditar em boatos ou naquilo que preferir tomar por verdade. A razão é que é com Desmond que vai acabar casada e na cama com o seu esposo terá de satisfazê-lo e garantir-se fértil para dar-lhe um herdeiro. — A senhora de Porto Branco puxara serviu-a de uma bebida em um cálice – Beba, isso lhe ajudará.

Maggie virara o cálice e provara do vinho que não parecia puro. Ela engasgara e tossira com o gosto estranho que reconhecera misturada a bebida que não costumava partilhar com tanta frequência.

— É chamado Sangue da Mãe – respondeu Margaret – Uma poção que garante maiores chances de que seu corpo se torne mais receptivo e a semente germine. Seria gratificante caso desses ao seu marido um bebê antes que essa guerra termine... – Ela sorriu – Se Desmond acabar por ventura caindo em batalha será de seu filho o senhorio das Terras Acidentadas – Maggie virara o cálice e o resto da bebida veio ao chão por fim soltara o recipiente quando a ultima gota caiu de seu interior.

— Seu maldito temperamento – disse Margaret – Queria que compreendesse o que faço é o melhor para todos nós – Ela dirigiu-se a porta do quarto e Sor Martyn Manderly esperava lá fora, com a armadura de escamas que os cavaleiros do tritão usavam. — Escolte a minha filha até o septo. — dirigiu-se ao cunhado — Carregue se ela recusar-se a acompanha-la se for preciso, mas tente não machuca-la nem rasgar o vestido. Ela tem que estar perfeita para o marido.

Maggie tentou fugir, mas o tio apanhou-a antes de ter percorrido um metro e meio. Sor Martyn tocou quase gentilmente nela e disse com uma voz calma a sobrinha:

— Faça o que lhe dizem para ser feito – disse Sor Martyn — Não será assim tão mau. Colabore e tudo acabará logo, milady. Vosso marido é um cavaleiro e nós fizemos nosso juramento frente aos deuses que seriamos justos e honrados.

— Como são as palavras tio Martyn? – perguntou Maggie – Diga-as a mim para que possa lembrar – O velho tinha sido cavaleiro a quase meio século, porém tinha armado si mesmo alguns que serviam a corte do irmão por anos.

— Em nome do Guerreiro eu te ordeno a ser bravo. – disse Sor Martyn — Em nome do Pai eu te ordeno a ser justo. – Ele olhou para a sobrinha — Em nome da Mãe eu te ordeno a defender os jovens e inocentes. — E então finalizando deu um pigarro antes de terminar — Em nome da Donzela eu te ordeno a proteger todas as mulheres...

— Ira proteger-me em nome da donzela? – perguntou Maggie.

— Eu irei protege-la em nome dos deuses antigos e novos – disse Sor Martyn – E em memoria de meu irmão – Ele olhou para a sobrinha novamente – Eu a quero bem, milady. Não tenho filhos porém se tivesse uma menina desejaria que fosse como você.

— É errado o que está acontecendo – falou Maggie – Tem conhecimento desse fato, sor.

— Tenho minha pequena – falou Martyn – Mas às vezes devemos fazer o errado para podermos fazer o certo depois. O melhor é que aceite as decisões que tomamos e então verá o que será o melhor para todos.

Maggie respirou fundo. Eu sou uma Manderly e acima de tudo lembro-me da promessa de meus ancestrais aos reis do inverno. Seu tio esquecera e não lutara contra as decisões que a viúva do irmão tinha tomado. Ele provavelmente colocaria a espada aos pés do menino no trono vermelho e lideraria os lanceiros de Porto Branco em batalha.

Sor Martyn havia decepcionando-a e o que mais a desagradava era que via nele seu tio favorito antes de todos aqueles ocorridos. Não havia ninguém para contar a não ser consigo mesma e esperava que os deuses lhe dessem uma luz do que fazer frente ao inevitável.

— Podemos ir? – perguntou Sor Martyn.

— Eu vou – respondeu Maggie.

Sor Martyn sorriu para a sobrinha.

— Eu sabia que compreenderia.

— Compreender é diferente de aceitar – respondeu Maggie – Eu aceito, porém não compreendo. Meu pai está envergonhado de todos nós, sor. – Ele encarou o irmão mais novo de Lorde Willem Manderly – Do senhor tanto mais do que de mim. Ele esperava mais de você, meu tio. E eu também.

O homem agora tinha fechado a cara para uma expressão mais séria e uma parte de Maggie se perguntou se devia desculpar-se, porém decidiu manter o silêncio. Palavras feriam e às vezes eram necessárias por mais que a verdade fosse doida.

Notas finais
Eu estou tentando postar os capítulos menores, porém eles também virão com um pouco de antecedência. Eu não estou gostando de colocar um personagem por capitulo. Deixem seus comentários aqui embaixo para mim dizendo o que acharam. Se preferem capítulos maiores ou com mais de um ponto de vista porque se assim for então eu farei porque aqui é com vocês. Próximo capitulo eu estou com ideias para ou Muralha ou irmos para algum aliado do lado Bolton. Até mais.