North War – Interativa
30 Capitulo 29
Notas iniciais
Fosso Cailin
Errold reconheceu o estandarte de sua família quando este fora desenrolado e caiu magistralmente sobre a Torre do Portão. Dois machados longos enferrujados cruzados sob uma coroa negra em campo amarelo. A coroa de ferro negro no brasão era uma herança da época que seus antepassados reinaram sobre o Norte antes de serem depostos pelos Starks e colocados no nível de senhores.
— Eu consegui – disse Errold orgulhoso de seu próprio feito.
Desmontara o seu cavalo já sentindo as botas afundarem. O rapaz caminhara pelo terreno movediço do lamaçal que era os terrenos próximos da antiga fortaleza em ruínas que fora construída dizia-se pelos Filhos da Floresta. Por entre a névoa, vislumbrou as muralhas e torres de Fosso Cailin ou o que restava delas e o som dos portões se abrindo para o rapaz que adentrara no local.
Imensos blocos de pedras negras, cada um deles tão grande como uma cabana de caseiro se espalhavam e tombados como os blocos de madeira de uma criança. Meio enfiados no solo mole pantanoso. Nada mais restava de uma muralha exterior que outrora se erguera tão alta como a de Winterfell.
A fortaleza de madeira tinha apodrecido havia mil anos. Sem sequer deixar uma viga para marcar o local onde estivera. Tudo que restava do grande castro dos Primeiros Homens eram três torres. Três que antes tinham sido vinte, caso seja possível crer nos contadores de histórias.
A Torre do Portão parecia em muito bom estado, e até podia se vangloriar de alguns metros de muralha de ambos os lados. A Torre do Bêbado, no pântano, onde outrora se encontravam as muralhas sul e oeste, inclinava-se como um homem empanturrado de vinho prestes a vomitar na sarjeta.
E a alta e esguia Torre dos Filhos, onde segundo a lenda os filhos da floresta tinham um dia convocado seus deuses sem nome para enviar o martelo das águas. A mais alta das torres tinha perdido metade de sua coroa. Era como se algum grande animal tivesse dado uma dentada nas ameias ao longo do topo da torre e cuspido o cascalho para o pântano.
As três torres estavam verdes de musgo. Uma árvore crescia entre as pedras do lado norte da Torre do Portão, com galhos retorcidos ornados com mantos viscosos e brancos por cogumelos.
— Os homens não gostam desse castelo, milorde. – disse um guarda que vestia o manto amarelo dos Dustin – Podemos ter o conquistado, mas mesmo assim não foi de maneira justa. Ocorrera sem o cruzamento de espadas ou sangue derramado. Tudo que fizemos foi escalarmos os muros e recuperar os cadáveres dos infelizes...
— Nem toda a batalha se trava com uma espada – disse Errold enquanto recolhia um cálice do chão e derramava o que restava do vinho nele – Homens viciosos são traídos por seus próprios desejos exorbitantes. Pobres tolos não perceberam o vinho envenenado que se encontrava nos barris do carroceiro que enviamos – Virou-se para o guarda – Barris de vinho da mesma taverna de sempre, porém com um ingrediente a mais.
— Veneno – falou o guarda.
— E não qualquer um, mas um dos mais raros que poucas vezes se é usado – disse Errold — Não foi uma morte barata com qualquer chá de hera venenosa do bosque. Não, eu dei um fim digno aos malditos através de uma poção estrangeira.
— Senhor? — disse o guarda — Eu não compreendo.
— O Estrangulador é um veneno raro. — respondeu Errold — Causa falta de ar e sufocamento. Apesar de seus ingredientes serem variados, de plantas encontradas Mar de Jade a especiarias das Ilhas de Verão, seu preparo é restrito e conhecido apenas por grupos seletos entre os alquimistas de Lys, por exemplo. O obtive em minha ultima viagem a Essos por um preço considerável... – Ele mostrara um frasco vazio que tirara do próprio bolso – Pretendia usá-lo por uma boa causa, porém não me restou nada depois de dividi-lo pela metade entre os barris de vinho.
— Certifique-se de que estão todos mortos, envie a espada em cada um para caso ainda respirem. — continuou Errold — Pode ser que o veneno tenha se diluído muito no vinho.
— Homens acham envenenamento uma morte covarde – disse o guarda – Diz que é uma arma feminina. Que não há honra em matar alguém que não seja pelas próprias mãos e nesse caso nenhum dos infelizes viu o que os matara.
— Ninguém precisa saber – respondeu Errold – Se incomoda lhes o fato de que meios nos levaram a conquistar o castelo então façam como preferirem. Imaginem uma batalha grandiosa e digna e tomem-na por verdade. Espalhem a historia e ninguém saberá que suas espadas mantiveram-se livres de sangue – Ele entregara a taça para o guarda — E enquanto suas mentes trabalham nos detalhes cuidem para que os cadáveres sejam queimados. Carne apodrecendo atrai ratos e nós não queremos doenças dentro dessas ruínas.
— Os guardas pensarão que o senhor é um homem sem coragem — disse o guarda — Um homem sem honra, não incomoda que seja mal visto entre seus próprios homens?
— Caso ocorra lembrarei quem os veste, alimenta e paga seus itinerários — disse Errold — E se é coragem e honra que buscam, creio que estão servindo o irmão errado. Agora se não tiver mais nada para me dizer creio que tenha ordens minhas a espalhar... E virem o vinho que sobrou nos barris não quero que nenhum acidente ocorra apesar de ter esperanças de que não tenho tolos entre meus homens.
...
Naquela noite tomara a Torre do Portão como sua. De sua janela podia observar seus soldados e a pilha de cadáveres da guarnição de Fosso Cailin. Não fora a primeira vez que envenenara alguém, mas no caso de Millicent tinha usado algo mais dócil e pacifico. Doces Sonhos era algo que não seria forte o bastante para derrubar vários guerreiros do porte de auroques para sempre então medidas drásticas tinham de ser tomadas.
Cerca de trinta homens mortos por sufocamento com sangue vazando lhes pelas narinas sendo que alguns ainda tinham rasgado a garganta com as próprias unhas no desespero. Não era uma visão bonita, pode constar quando vira uma das carroças partindo com o seu carregamento de defuntos. Mas certamente fora uma maneira que encontrara de por um fim às Sentinelas do Norte e tomar para si a única maneira de saída e entrada por terra.
Seu irmão tinha tomado para si a missão dada pela mãe deles de tomar Porto Branco. Uma maneira de impedir que qualquer forma de reforço viesse por meio do mar pelas mãos do Rei Gardener cuja filha estava prometida para o lobo herdeiro. Mas ainda assim poderiam vir por terra, por mais que acabasse por se tornar uma chance bastante rara de acontecer, como um navio certamente era muito mais rápido do que uma comitiva montada.
Errold tomara para si a missão de tomar o castelo em ruínas. Aproveitando-se de seus conhecimentos astutos no lugar da força bruta, como lá no fundo sabia que não era o mais formidável dos guerreiros como nunca se aplicou como deveria ao estudo armamentista e militar. Por que ser mais um Dustin criado com uma espada ou machado na mão apenas para morrer em combate?
Homens em sua família eram raros de chegar a uma velhice saudável e cômoda, como na maioria morriam ainda grisalhos quando insistiam em batalhar pelos meios da força ou se sobrevivessem terminavam aleijados por ferimentos de guerra de quais se orgulhavam. Tolos ludibriados por glórias vazias, a única coisa que importava era luxo e riqueza sem falar no poder que possuíam. A Casa Dustin já fora feita por reis bastava apenas olhar para a coroa sobre os machados negros para confirmar. Porém, para os homens das gerações mais recentes agora reduzidos a lordes a glória que existia no coração pulsando forte em uma batalha até parar de bater. Ele nunca se esforçara para ser um cavaleiro, quisera o destino que herdasse o bom senso da mãe do que a falta de discernimento do pai.
Errold não era dos mais corajosos e certamente não estava disposto a morrer por uma guerra que não era sua. O que queria garantir era manter o que era seu por direito de herança no caso as Terras Acidentadas. Todo o território de sua família que fora conquistado a gerações e lhes pertenciam poderia acabar sendo retirado deles se o lado que apoiassem perdesse.
Quando ainda era o quarto na linha de sucessão sua herança tratava-se apenas de um pequeno feudo que lhe seria dado depois que tomasse uma esposa para si. Mas quiseram os deuses o tentar ao tirarem de seu caminho dois de seus irmãos que tanto desgostava.
Porém, não seriam generosos com ele e por conta desse fato mantiveram Desmond como o Senhor de Vila Acidentada. Tão próximo de ter todo o poder em suas mãos e ainda assim tão longe, era fato de que entre seus três irmãos homens era Desmond que Errold detestava mais. Não que fosse o pior, todos ao seu redor eram criaturas detestáveis que o faziam pensar como estavam ligados por sangue.
Daryn era um homem vicioso e promiscuo que mesmo casado não honrava os votos de casamento, acabou por morrer por conta dos sentimentos que nutria por uma dama que nunca teria. Lorde Daryn Dustin morrera empalado pelas costas por uma espada e com a garganta cortada.
Errold devia um pouco a Elenya Hornwood por de alguma forma ter chamado a atenção de Daryn caso o contrário sua morte naquela taverna pelas mãos de Rian Mormont nunca teria ocorrido.
Brynden era arrogante e cínico, servira como intendente para Ethan Bolton por cerca de sete luas antes que encontrou seu fim por conta de uma armadilha dos nascidos do ferro. Fora feito prisioneiro e morto em seguida com os homens que o seguiam. O corpo dele fora recuperado mais tarde do fundo do Rio Febre ainda vestido em sua armadura e com pedras amarradas aos tornozelos.
Ambos morreram por cometerem erros de insensatez e estupidez. E por servirem a seus sentimentos egoístas que era o amor, como Brynden amava Ethan da mesma forma que Daryn amou Elenya. Um Afogou-se em águas gélidas enquanto outro se afogou no rubro de seu sangue.
Sobravam apenas Celinn que estaria por perto de qualquer maneira, mas não tinha qualquer ambição pelo senhorio. Apenas se manteria por perto para sempre como era fato que já estava passando da idade de conseguir qualquer proposta de casamento decente. Provavelmente, a mãe temia pelo que aconteceria caso não mantivesse a filha sobre sua supervisão constante.
Após a futura morte de Lady Wylla, o último filho sabia que Celinn estaria por conta própria. Se fosse já o Senhor de Vila Acidentada, Errold planejava em casar a única irmã com um lorde ancião enviuvado ou mesmo um cavaleiro menor que fosse.
Qualquer um que tirasse o estorvo que Celinn tinha trazido para sua casa com suas práticas sádicas. Era fato que sua prática de dormir com uma adaga embaixo do travesseiro e a porta trancada tinham sido decorrentes de traumas passados.
A sensação da lâmina em seu membro viril quando ainda era uma criança e Celinn dizendo que ele poderia ser sua irmã porque já tinha se cansando de ser a única menina. Por sorte a mãe chegara a tempo antes que a castração fosse feita e Errold aprendera a esconder-se bem até que a primogênita esquecesse a ideia que tivera.
Então havia Desmond que com a sua chegada ao senhorio despertara no mais novo o sentimento de ambição. O titulo de herdeiro de Vila Acidentada penetrara em sua mente e o fizera exaltar um poder que nunca tinha imaginado ter. De repente, não seria apenas um feudo que teria e sim todo o domínio que respondia a sua família.
Desmond conseguia ser detestável ao seu modo. Ele era alguém mais sério, compenetrado e disciplinado como um militar deveria ser afinal fora moldado desde cedo assim pelo pai deles. Um pai que Errold pouco se lembrava, era muito jovem para lembrar-se do homem quando este morrera enfrentando selvagens que invadiram suas terras.
Desmond fora moldado para servir e obrigado agora comandar, era um terceiro filho que vivera para fazer jus aos elogios de obediente e sempre alcançando as perspectivas lhe impostas. Se fosse mais parecido com um cachorro em sua personalidade era bem capaz de Desmond começar a latir e criar pulgas.
Eles poderiam ter sido amigos se tivessem se unido contra o abuso verbal e físico dos mais velhos, porém nunca Desmond tentara tal ato. Sempre estava ocupado treinando e aprendendo o que desejava para perder tempo com um irmãozinho mais novo.
Por mais que teria feito bem a ambos caso fossem unidos, mas cada um parecia viver em separado suas vidas e seguindo com o que sofriam em lados opostos sendo assim por anos. Desmond apenas o ignorava o que doía tanto quanto a relação aproveitadora dos mais velhos.
Lá fora, ouviam-se berros no pátio de seu capitão. Havia gritos dos homens a cada cadáver novo descoberto, passos apressados e o som do peso morto sendo jogado nas carroças. Havia ainda as conversas dos seus soldados e os relinchos de cavalos assustados que se encontravam amarrados no estábulo.
Sem falar no frenético ladrar dos cães presos no canil do castelo. Apenas os animais tinham sobrevivido, provavelmente mandaria que os soltassem e mantivessem os cavalos. Não era nenhum monstro de mandar matar os cães, mas era fato que os animais eram leais aos seus donos e estranhariam os intrusos. Ou quem sabe poderiam manter os cães e em um momento de necessidade devora-los?
Nunca se sabe, outra forma de conquistar um castelo sem a derramada de sangue era pela fome. Podia não se interessar muito em práticas de guerra, porém conhecia historias sobre cercos em que homens devoraram cadáveres de companheiros caídos para saciarem seus estômagos famintos. Era assim que Desmond pretendia conseguir a rendição de Castelo Novo uma vez que Porto Branco fosse sitiado, uma parte de Errold esperava pela falha do irmão por mais que sabia de sua competência.
Enquanto escutava aquela cacofonia fora da Torre do Portão foi que se encaminhou para a janela para visualizar o nascer do sol no horizonte. Talvez devesse mandar uma mensagem para a mãe e surpreende-la com sua conquista e de como plano dela fora completado pela ação dele. Um Norte fechado por todos os lados possíveis.
Seus olhos azuis claros fitaram do lado de lá do muro do castelo, longas línguas de fogo jorravam da pira funerária única dos cadáveres. Viu a fumaça erguer-se para o céu e pensou que fora uma decisão sábia em usar o fogo para por um fim aos inimigos mortos antes que a carne apodrecesse. Então fechou as janelas velhas e frouxas.
Quando virou as costas à janela, o homem estava no quarto consigo.
— Não devia estar aqui – ele murmurou amargamente. – Ninguém devia estar aqui. Fosso Cailin nos foi entregue pelo próprio Rei Lobo para guardarmos a entrada para o reino. E vocês nos matam com suas feitiçarias. Vi meus companheiros sufocando como se os fantasmas estivessem envolvendo os dedos em suas gargantas com força. Foi você que os fez fazer isso?
Era um homem magro e sujo, com feições que lembravam a de um roedor por mais dentes que faltassem em sua boca. Estava vestido com imundas roupas pardas e fedia a canil. Errold conhecia todos os homens que tinham vindo consigo e aquele não era nenhum deles e toda aquela conversa certamente denunciava algo que não esperava.
O Estrangulador não poderia ter falhado. Só a possibilidade era tolice de se cogitar e incapaz de conceber que um veneno letal daqueles tivesse falhas. Porém, talvez o sujeito não tivesse bebido.
Era magro, com cabelos castanhos escorridos e olhos saltados e esbugalhados como os de um anfíbio. Tinha rosto ossudo e orelhas de abano fazendo par com um nariz torto por provavelmente já ter sido quebrado em uma ocasião passada. O estranho sujeito trazia na mão um punhal.
Errold olhou para a faca, e depois para a balestra que se encontrava pendurada na parede.
— Não faça isso – disse Errold – Você não tem nada a ganhar me matando — As palavras saíram de sua garganta como um mero sussurro. Ele deve tê-lo ouvido.
— Ganharei minha vingança – disse o homem – Você já tá morto – cuspiu no chão então voltando seu olhar para o loiro e lhe apontando a faca – Todos que eu conhecia estavam mortos e eu também estaria se não estivesse com os cachorros. Quando cheguei todos já estavam estrebuchando no chão... – Ele trincava os dentes amarelados em fúria — E então Fosso Cailin é invadido por gente da sua laia. Inimigos do Rei Brandon.
— Não precisa me matar – disse Errold, agora mais alto depois de ter reencontrado a voz e recuperar-se da surpresa desagradável por mais assustado que estivesse – Não, quando tenho muito a lhe propor se ficar ao meu lado será bem recompensado tem a minha palavra.
— Um homem que não olha o outro nos olhos quando vai mata-lo não é um que desejo ter como meu senhor – disse o sujeito mancando para o lado ainda apontando a faca para o herdeiro de Vila Acidentada – Quem eu servia está morto e você irá com ele para o seu lugar nos Sete Infernos, desgraçado.
Errold girou de volta para a parede na tentativa de pegar a balestra, mas o homem se moveu mais depressa do que rapaz teria acreditado ser possível com aquela perna coxa. Uma mão fechou-se sobre sua boca e atirou-lhe a cabeça para trás contra a parede e pode sentir o sangue descendo em direção de sua nuca.
A outra mão do sujeito trouxe o punhal até sua traqueia abaixo do pomo de adão. O fedor que o homem exalava era opressivo como se dormisse ao lado dos cachorros e pudesse até ter pulgas.
Errold ergueu ambas as mãos e agarrou a lâmina com todas as suas forças para distancia-la de si. Logo sentiu o frio da lâmina afastando-se da garganta. Ouviu-o praguejar ao seu ouvido do sujeito que o xingava e os olhos esbugalhados se fechando em uma carranca de raiva.
Os dedos dele estavam cortados àquela altura e o calor lhe banhava as mãos. Toda a palma avermelhada e escorregadia de sangue, mas não largava o punhal com toda a força de vontade que conseguia encontrar. Não morreria para um cuidador de cães qualquer em uma fortaleza velha em ruinas.
A mão sobre sua boca apertou-se mais, tirando-lhe o ar. Errold torceu a cabeça para o lado e movendo a mandíbula conseguiu pôr um dos dedos do homem entre os dentes. Era o dedo mínimo, mas foi preciso muita força dentária para que a carne pudesse ser ferida. Mais intensamente e o sangue começou a escapar e escorrer pelo lábio inferior e queixo. O sujeito pressionou ainda mais a cabeça de Errold contra a parede tentando fazê-lo soltar.
O homem grunhiu de dor. O rapaz fez mais força e por fim com um ruído pequeno sentiu a mão se afastando e o homem lhe largando. O dedo ainda estava preso entre seus dentes, de fora questão de perceber para que cuspisse para o lado.
O gosto do sangue do homem enchia-lhe a boca e lhe escorria pelo queixo respingando nas vestes. Ele correu em direção a parede e mesmo com as mãos escorregadias conseguira retirar a balestra da parede, e o sujeito apunhalou-o o ombro do rapaz que gritara. Errold o acotovelara assim conseguiu uma distancia entre os dois enquanto conseguia colocar a seta e preparava-se para atirar. O sujeito chutou a balestra das mãos de Errold e agarrou-lhe pelos cabelos e empurrou-o para trás o fazendo com que tropeçasse e caísse de costas no chão.
Então Errold o viu colocando-se sobre ele com a mão agora com quatro dedos lhe segurando pelos cachos dourados. O homem estava com raiva, porém cansado pela luta e certamente com muita dor. Estava respirando com força e tremendo como um cão assustado. A mão direita do homem ainda agarrava com força o punhal, escorregadio de sangue que escorria pelo longo de seu braço magro.
— Não deviam estar aqui – repetiu estupidamente – Esse castelo não é de vocês nem nosso e sim dos fantasmas. Agora vai ter de ficar do lado deles...
Errold não sabia de onde tinha surgido sua força, porém fora a suficiente para mesmo com a mão ferida agarrar os testículos do homem e esmaga-los como se fossem duas nozes em seu punho. O sujeito em dor tentou tirar-lhe a mão, mas aproveitando-se da chance foi que o jovem com a outra mão agarrara o pulso do agressor e o torceara.
O punhal caiu para o lado e Errold jogou o sujeito para o outro com a cara no chão. Errold se levantara e saltou sobre o sujeito que tentava erguer-se, porém quando conseguira ficar de joelhos fora apenas para receber uma das setas disparadas contra o peito.
O peitoral magro agora se enchia de ar com dificuldade e o homem olhava com raiva para Errold Dustin enquanto este preparava uma segunda seta na balestra. E com um olhar frio fora que apertara o gatilho e logo o homem caiu meio estatelado para trás. O guincho do homem durou menos de um minuto antes a cabeça do sujeito tombasse para trás metade da seta enfiada na garganta dele.
— Meu senhor – disse um de seus guardas por fim entrando na Torre do Portão – Nós descobrimos algo que talvez interesse ao senhor – Então foi que o homem de manto amarelo encontrara a visão sangrenta no meio do quarto – O que aconteceu aqui?
— Espero que o fogo da fogueira não tenha ficado fraco – disse Errold – Temos mais um cadáver para queimar – Chutara o defunto fresco a sua frente – Podem haver mais deles escondidos — Enquanto caminhava até uma cadeira e se sentava e colocando a balestra em seu colo – Desgraçados que por alguma razão não beberam dos barris que vieram pelo carroceiro, pode ser uma surpresa isolada porém é melhor não haver mais outras. Quero cada pedra dessas ruinas velhas reviradas.
— Nós já reviramos o castelo meu senhor – disse o guarda.
— Façam pela segunda vez – respondeu Errold – Podem fazer até uma terceira se eu assim o ordenar – Ele apontava o dedo para o guarda – Nada de questionamentos apenas cumpra com a ordem dada.
— Como quiser meu senhor – respondeu o guarda – O senhor está bem?
— Pareço bem seu, tolo? – respondeu Errold por mais confortável e estável que parecia estar sentado em sua cadeira — Preciso que me encontre alguém que saiba dar pontos – Mostrou as mãos sangrentas – E preciso de um banho e roupas limpas. Encontre o poço deles e me encha uma tina ou bacia que seja para que possa lavar-me – Então ao ver o guarda ainda parado se irritou – Alguma coisa que queira me dizer?
— Encontramos batedores – disse o guarda.
— Cuidaram deles? – disse Errold e o homem assentiu – Bom, prendam os corpos em alguma árvore e deixem para os corvos como alimento. Batedores vindo até Fosso Cailin, o Rei Brandon Stark deve estar muito receoso da tomada do castelo é um pesar que seus homens tenham chegado atrasados. Esse monte de pedras agora pertence às Terras Acidentadas...
— Os batedores não vieram do Norte – respondeu o guarda – Veem das Terras Fluviais.
— Teremos então de descobrir quem são os interessados em entrar em um reino em guerra – disse Errold – Provavelmente aliados dos inimigos vindo prestar apoio. Descubra-me quem são eles e onde estão que não vieram até Fosso Cailin, provavelmente já sabem que estamos com o castelo em nossa posse.
— O que planeja que façamos meu senhor? – disse o guarda.
— Vamos garantir que o que conseguimos continue sendo nosso – respondeu Errold- Queriam guerra e sangue não é mesmo? Aparentemente os deuses ouviram os pensamentos de pobres infelizes como vocês. Não teve sangue derramado para conquistar o castelo, porém para mantê-lo aparentemente não será tão fácil.
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