Notas iniciais
Estamos de volta, pelo menos eu consegui terminar esse capitulo então espero que gostem dele :) Boa leitura e aproveitem porque para compensar está enorme o capitulo. Até lá embaixo.

Mata dos Lobos

Noah não sabe determinar se era sorte ou azar trombar com um grupo de Hornwoods durante sua cavalgada pela Mata dos Lobos naquela manhã. Amaldiçoaria mais tarde a si mesmo por ter tido um complexo de herói naquele momento no lugar de retornar para o castelo e avisar alguém mais competente. Afinal quem ele queria enganar por mais que tivesse agido não mudava o que ele era lá no fundo.

— O que nós faremos, meu senhor? – perguntou Finn Flint, seu intendente.

O lobo boêmio sempre cheio de palavras daquela vez permaneceu em silêncio enquanto sua mente vagava em busca da resposta. Queria simplesmente dizer que não era da conta deles só que sabia que não podia. Louise estava ali e sabia que crianças naquela idade se apegavam a exemplos dos pais.

E Noah sabia que queria que a filha fosse alguém melhor que seu progenitor. Alguém sem egoísmo disposto a ajudar os outros, fracamente que pensamentos malditos eram aqueles que não lhe pertenciam? É, realmente deveria parar de tentar manter-se sóbrio como acaba ocasionando com que tome decisões precipitadas.

— Meu senhor? – disse Finn mais uma vez o chamando.

— Malditos sete infernos... – rosnou Noah em resposta – Eu te escutei a primeira vez apenas deixe-me pensar – Ele pode sentir os olhos de sua filha presos nele parecendo bastante curiosa com o que estava acontecendo.

— Papai? – perguntou Louise com ingenuidade de uma criança daquela idade – O que é aquilo? – Ele não lhe respondera apenas virou o rosto dela e o colocou junto de seu peito.

— Não olhe – respondeu Noah com uma voz tentando passar tranquilidade – Não é nada que o papai não consiga resolver – Esperava não estar mentido para ela naquele momento porque parecia soar com falsidade aos seus ouvidos.

Maldita hora em que sair de Winterfell para aquela cavalgada. A verdade era que tudo não passava de uma surpresa desagradável que estragara seu momento com a filha e afetava-lhe os nervos pensar que poderia ter evitado tudo aquilo.

O príncipe costumava levar a pequena Louise para passeios em busca de mostrar-lhe o que havia mais além das muralhas de Winterfell. E havia uma parte especifica na floresta que tinham várias flores selvagens que mesmo com o clima frio do Norte ainda assim cresciam.

Ele estava seguindo naquela direção quando viram sons de batalha e então pode perceber cerca de dez homens que se mantinham ao redor parecendo querer dominar uma jovem que se defendia com sua lança. Os mantos alaranjados mesmo a distancia denunciavam que se tratava de soldados de Honrwood e ao focalizar melhor a visão pode perceber que se tratava da sua prima, Lady Brianna Mormont.

— Finn – chamou Noah ao seu escudeiro que o acompanhava – Leve Lou de volta para casa e reúne homens que estejam dispostos a lutar. Diga-lhes que é uma emergência... – Ele passara a garotinha que se encontrava na frente da sua sela para o de seu amigo, enquanto fazia essa tarefa pode perceber os resmungos e o choramingo dela.

— Papai, não me deixe – disse Louise parecendo assustada, provavelmente já percebendo no que o pai iria se meter – Por favor, papai... Fica... – Ela estendia a mãozinha na direção do pai que por alguns momentos sentiu-se vacilar, porém mantivesse firme apenas desviando os olhos da filha para que não precisasse encara-la.

— Seu pai ficará bem, pequenina – disse Finn tentando consola-la enquanto a arrumava em sua sela e lhe envolvia com um de seus braços – Ele vai voltar para casa para te encontrar. Mas agora precisamos ir...

— Papai – disse Louise em um tom de voz mais alto enquanto se debruçava sobre o braço do escudeiro para que conseguisse chegar ao seu progenitor.

— Nada de reclamações – disse Noah com seriedade – Vá com Finn e fique em segurança – Ele então voltou o olhar para o escudeiro – Leve para Winterfell não importa o que você encontre no caminho garanta que ela ficara segura – o príncipe já tinha removido o arco do ombro e mantinha o olhar focado a sua frente — Mesmo que isso custe sua vida te peço que proteja minha filha.

— Eu não seria capaz de fazer de outra forma – disse Finn enquanto dava meia volta no cavalo – Fique bem também, sua alteza. Logo trarei reforços... – E atiçou o cavalo enquanto partia na direção da qual tinham vindo. A garotinha ainda chorava e gritava pelo pai enquanto Noah pressionava os calcanhares contra o dorso do cavalo que montava.

Pai e filha se separavam e Noah estava determinado em reencontra-la, por conta disso que não se despedira de uma maneira mais gentil a verdade era que estava irritado. Irritado por conta de que tudo tinha planejado havia sido destruído, logo partiria para lutar uma maldita guerra e queria que sua menina tivesse lembranças boas ao seu lado. Agora o que tinha? Uma garota chorando sendo levada para longe do pai. Ah, ele iria fazer cada uma de suas flechas valer o disparo.

Ele já não cavalgava com as mãos nas rédeas do cavalo, tinha puxado uma das flechas da aljava e a colocado no arco. Ele sabia que era um ato arriscado montar e atirar ao mesmo tempo, mas já tinha feito antes e sabia que não iria morrer de maneira tão vil. Ele sabia que conseguiria e foi assim que fez na primeira vez já acertando um dos infelizes pelas costas e o fazendo tombar. Prepara um segundo tiro e viu a hora que a flecha acertara o cretino bem na nuca e saíra pela boca.

Os homens nos mantos alaranjados pareceram compreender o que estava acontecendo e partiram para trás dele. Noah pode ver o momento em que Brianna aproveitou-se da distração causada pela segunda morte e já tinha transpassado sua lança no peito de um dos soldados fazendo com que se reunisse aos outros já caídos. Era quatro cadáveres frescos no chão de folhas secas da floresta, um feito que tinha sido de autoria dos dois em conjunto.

Noah puxara uma terceira flecha e a depositou no arco, após leves segundos que gastou mirando e flexionando a corda foi que soltara. O príncipe pode escutar o momento em que acertara o estomago do infeliz que vinha mais a frente dos três que tinham decidido atacá-lo.

O homem mesmo com a flecha lhe perfurando o abdômen ainda mantinha a corrida por mais que quase tropeçou por conta do ferimento recente, mas continuou correndo. Noah sorriu para a determinação do sujeito enquanto pegava uma flecha a mais e repetia o movimento, dessa vez o tiro acertou dentre as costelas. Pode escuta-lo grunhindo como um porco abatido.

Podia tentar mata-lo com um buraco no bucho que lhe furaria as tripas. Podia até sobreviver na hora, porém mais tarde uma infecção ocorreria em uma morte lenta. O príncipe, porém duvidava que o soldado fosse prosseguir em seu ataque após um ferimento perfurador no pulmão que logo iria encher de sangue. De qualquer forma, aquele infeliz estava condenado a perecer.

E ele estava certo como foi questão de segundos antes do soldado tombar para frente ainda segundo o penacho da flecha que era a única coisa que se mantinha do lado de fora de seu corpo.

Qual seria o último pensamento dele? Amaldiçoando seu assassino ou a si mesmo por ter morrido para uma mera flecha, quem sabe? Era conhecido que soldados comuns costumavam odiar arqueiros por conta da fama de serem intocáveis por conta do ataque de longa distância sem qualquer necessidade de contato físico. De qualquer forma, Noah sabia reconhecer que estava em vantagem ali.

Afinal era melhor do que aqueles soldados sem nome que tinham desafiado a sorte em atacar uma donzela de uma casa nobre. Foi então que vira uma lança sendo lançada em sua direção quase lhe atingindo à bochecha se não tivesse se esquivado e saltado do cavalo ainda em movimento.

— Por Hornwood – gritara um soldado colocando-se sobre ele e tentando acerta-lo com um porrete com espigões. Fora então que escutara um cavalo vindo e logo uma sombra passou por eles e o som metal contra carne foi escutado.

Noah só vira o momento em que a cabeça de seu quase assassino se dividira em duas com a região da boca sendo partida e o maxilar estilhaçado. O corpo sem cabeça tombara sobre ele ainda com espasmos e sangue escorrera sobre si enquanto empurrava o cadáver para o lado com nojo.

— Vai ficar no chão mesmo primo? – Debochou Rian montado em seu cavalo enorme de tração tendo pousado sobre o ombro a lamina ensanguentada do seu machado de guerra, Nightmare. Então bateu os calcanhares de suas botas no dorso de sua montaria e correu em direção aos inimigos novamente com a enorme arma pronta para a batalha.

Noah Stark então rolara no chão enevoado para escapar do restante dos homens que acompanhavam o Senhor da Ilha dos Ursos. O segundo príncipe então se arrastou pela neve para evitar ser pisoteado e assim sujando suas vestes de pele com o branco da neve de outono.

— Onde... – disse Noah olhando ao redor então pegara o arco intacto ao seu lado e mirara uma flecha bem na altura da virilha de um dos soldados que vinha em sua direção com uma besta.

Noah quase pudera sentir o som de um dos testículos se partindo quando a ponta da flecha atingira a área. Porém, não fora o suficiente para evitar que o dardo fosse disparado em sua direção quase lhe atingindo se não tivesse rolado.

Logo se colocou de pé e correra em direção as árvores, seria bom mudar de estratégia para garantir mais vantagem do que a invulnerabilidade que o campo aberto dava. Sem falar que era muito melhor de lançar flechas com os pés firmes no chão no lugar de estar indo em direção aos inimigos a cavalo e de preferência de um lugar alto para evitar atingir aliados.

Noah escalara então uma árvore com certa destreza que adquira com o tempo em que aprendera a escalar a torre de seu quarto em meio a suas fugas. Colocou-se entre alguns galhos e escondido entre as folhagens foi que preparou a suas flechas para retornar a batalha.

Era um tanto desconfortável e o equilíbrio ali só não era pior que o quando estava no cavalo só que mesmo assim conseguira acertar suas flechas até se ver com a aljava vazia. Ferira quatro e tinha quase certeza que derrubara mais dois que nunca mais acordariam.

Noah saltara então da árvore em que se encontrava caindo em seus próprios pés e recobrando o equilíbrio se encostando ao tronco. Olhou ao redor e viu os corpos dos mortos sendo que do lado deles havia apenas feridos e dois cadáveres.

Viu Gabriel Umber colocar sem muita dificuldade um dos seus subordinados mortos sobre um dos cavalos enquanto o outro era carregado por dois guardas com alguma dificuldade. Não podia identificar quem seriam os sujeitos que tinham morrido ao menos da distância que se encontrava.

Os que ainda permaneciam vivos dos soldados de Hornwood eram arrastados por alguns nobres vassalos pelo chão. Foi então que o príncipe olhou ao redor para os seus salvadores e pode reconhecê-los pelos brasões que possuíam orgulhosamente em suas vestes e por suas feições familiares.

Reconheceu Fillipus Flint, Herdeiro de Atalaia da Viúva e irmão mais velho de Finn Flint que ao lado do Mestre-de-Armas de Winterfell, Sor Herman Tallhart. Fillipus Flint estava ali com seu físico magro e delgado. O rosto com barba por fazer e a calvície lhe avançando pelas entradas em seu cabelo loiro acobreado, porém o que mais lhe chamava a atenção certamente era o tampa olho de couro que lhe ocultava a orbe vazia.

Finn havia contado ao lobo boêmio de como o herdeiro de Atalaia da Viúva tinha perdido a visão do olho direito depois de um acidente de caça quando ainda era apenas escudeiro. Era certamente a primeira vez que Noah via em pessoa Fillipus e não podia deixar de pensar o quanto a vida era irônica às vezes. Deixe caolho um nobre que possui dois olhos no estandarte da família.

— Sua alteza – cumprimentou Fillipus Flint enquanto fazia um aceno de cabeça em cumprimento então retornando a limpar sua espada que se encontrava pingando em sanguinolência. A perna do homem estava manchada de sangue de um corte em sua perna, porém mostrava-se firme sem aparentar dor o que devia ser admirado.

— Pelos os Deuses Antigos – disse Herman Tallhart enquanto amarrava a atadura no braço de um dos soldados de Winterfell – É um prazer vê-lo com vida, príncipe Noah. Aguentou bem sozinho, meu garoto. Fez valer suas flechas...

— Cada uma delas – disse Noah – Senão não estaria aqui.

— Nesses momentos que não me arrependo de ter desistindo de treina-lo na espada e dirigir seus esforços para arquearia – disse Herman Tallhart – Os Deuses sabem o quanto um pai deseja que o filho aprenda a manejar uma espada. Não é mesmo Humfred? – dirigiu ao soldado.

Foi naquele momento o príncipe reconheceu como sendo o único filho varão do mestre-de-armas. Foi então que o mais velho dera um apertão mais profundo no tecido que fez o rapaz grunhir.

– Pronto, é o que posso fazer por você por agora, meu garoto – falou Herman Tallhart – Ele foi atingido por uma lança no ombro – respondeu ao príncipe antes que perguntasse – Menos mal, porém ainda terei de escutar minha velha e suas reclamações.

— É um bom arqueiro, vossa alteza – disse Humfred fingindo alguma simpatia que não tinha pelo príncipe – Outros homens já estariam mortos antes de chegarmos para ajuda-lo – O jovem Tallhart era um dos que preferiam o príncipe herdeiro em toda sua persona de boa índole e cumpridor dos deveres.

— E devo isso ao seu pai – falou Noah então se voltando ao homem mais velho – Foi um bom instrutor para mim, Sor Herman. – O mestre-de-armas sorrira de uma maneira quase paternal — Ensinamentos como os seus me são úteis até hoje quando já não sou mais um garoto.

— Eu consigo ver – disse Herman então se erguendo do chão e ajudando o filho colocando o braço bom dele ao redor de seu ombro – Com sua licença, meu garoto – E Noah fizera uma rápida reverência enquanto via o pai auxiliando o filho ferido na direção de onde os cavalos se encontravam.

— Mollen e Moss – disse Gabriel Umber para dois outros guardas de Winterfell sendo que os três encontravam-se de costas para o segundo príncipe – Eu quero uma pilha com os Hornwood mortos aqui após terminarem de saquear os corpos e recolherem as armas – o grandalhão ruivo possuía as mãos rubras em sangue, porém dificilmente aquele sangue seria dele.

— Porque esses bastardos nojentos ainda respiram? – disse uma voz em fúria enquanto passos caminhavam na direção oposta da que vinha o segundo príncipe.

— Prisioneiros – disse alguém com uma voz mais controlada – Vossa graça vai querer que interroguemos. Pode haver mais deles na floresta e nenhum deles parece ser de alguma posição superior a de soldados comuns.

— Pelos sete infernos vamos acabar com essa escoria de uma vez – O homem que berrava furioso passara por Noah lhe esbarrando pelo ombro. O sujeito poderia ter o derrubado facilmente se não estivesse firme em seus pés mesmo assim chegara a cambalear um pouco para o lado – Saia do meu caminho.

Noah então observara o brutamonte buscando decifrar quem poderia ser quando por fim ligara o rosto a um nome. Reconhecera-o como Lorde Cregan Cassel, um homem grande de feições brutas e grosseiras com uma estrutura musculosa de ombros largos e braços tão grossos quanto de toras de árvore. Tinha o cabelo castanho escuro trançado caindo-lhe até o meio das costas e uma barba a cobrir-lhe o rosto que o tornava ainda mais ameaçador.

O homem ainda parecia um animal selvagem como ainda encontrava-se voraz para mais sangue. O homem mais calmo que passava os grilhões nos inimigos derrotados deveria ser o irmão mais novo, Caston Cassel.

Parecidos fisicamente no que se dizia respeito a estrutura bruta e parruda, porém mesmo com a expressão fechada e severa ainda assim Caston parecia manter-se mais sobre o controle de seu próprio temperamento. O rosto limpo de barba denunciava o queixo quadrado e os cabelos curtos haviam se bagunçado no calor da batalha.

Era uma dupla de homens com ferimentos que provavelmente os tinham aleijados só que mesmo assim permaneciam orgulhosos e tentaram lutar. Mesmo um estando cego com um olho furado e outro com a perna quebrada pelo ângulo estranho que se encontrava o joelho deste.

— Vossa graça vai querer saber se há mais de vocês na floresta então recomendo que fosse bom que colaborassem para o próprio bem de vocês – disse Caston Cassel para os prisioneiros tendo como resposta um cuspe no rosto – Eu não queria ter que fazer isso.

Foi então que fechara sua mãozorra em um punho e o soldado de apenas um olho sobrando foi posto para dormir com um belo soco dado pelo herdeiro de Costa Pedregosa. O infeliz simplesmente desabara duramente após dobrar-se de joelhos na frente dos irmãos Cassel. Certamente tinha sido como receber uma martelada de ferreiro no estomago e agora se dobrava de dor abraçando a barriga redonda.

Cregan Cassel depositou a sola da bota sobre a lateral do prisioneiro inconsciente e então encarou o irmão. Havia um sorriso cruel nos lábios do mais velho dos irmãos e um olhar inquisidor.

— Acho que podemos levar apenas um deles – disse Cregan – Por que dois não é mesmo – Caston então empurrara o irmão para longe do prisioneiro caído e o príncipe pode ver o mais velho dos irmãos rindo.

— Vamos levar os dois – disse Caston decisivo.

— Você tem a porra de um coração de merda – disse Cregan então agarrando o prisioneiro pelas vestes e o erguendo do chão coberto pela neve – Você é um maldito sortudo sabia seu gordo escroto? – Empurrou então o sujeito no chão novamente o fazendo cair no chão ao lado do segundo acorrentado — Se fosse eu teria usado da espada não o punho. Nesse momento estaria segurando as próprias tripas nas mãos – E cuspira no prisioneiro de um olho só.

Os prisioneiros então se silenciaram tendo sido colocados em fila um ao lado do outro. Noah se aproximou e pode ver que os dois soldados Hornwood, tanto o que se mantinha no chão ajoelhado e tremulo quanto o outro que ainda se mantinha sentado, foram erguidos por Gabriel Umber e os seus guardas remanescentes. O capitão da guarda tinha se aproximado ao notar as tensões ali entre os irmãos Cassel e os soldados capturados.

Prendera as correntes nos grilhões que havia nos pulsos e pernas então Noah não escutara as palavras do ruivo pelo tom de voz baixo que usara com Mullen e Moss, porém soube que devia ser uma ordem como a dupla de guardas arrastaram os prisioneiros de guerra para próximo de onde as montarias estavam.

— Sua alteza – cumprimentou Gabriel Umber quando notara o príncipe não muito longe dali – É bom vê-lo — E caminhara até o arqueiro ainda possuindo uma das mãos sobre a espada na bainha sempre de prontidão.

— Chegaram bem a tempo – disse Noah sorrindo de canto dos lábios enquanto estendia uma mão para o capitão que a aceitara.

Foi então seu sorriso sumiu quando viu Rian Mormont saindo da relva alta. O jovem urso carregava alguém em seus braços num manto verde e quando se aproximou ainda mais foi que vira que havia um rastro vermelho sendo deixado na neve.

Brianna Mormont, a Ursa Lanceira agora sangrava nos braços de seu primo enquanto outro sentia o salgado das lágrimas brotar em seus olhos. Logo o silêncio naquela parte da floresta retornou e todos encaravam a donzela ferida com alguma apreensão.

— Não olhe assim seus tolos – disse Brianna Mormont rindo com certa fraqueza – Parece que nunca viram um ferimento de guerra – E riu antes de fazer uma careta de dor e virar a sua cabeça cambalear para o lado – Acho que preciso dormir... – ela sorriu.

— Anna – disse Rian com a voz embasbacada – Fica comigo.

— Por favor, não me diga que irá chorar? Deuses, não faz isso senão eu conto para a vovó – disse Brianna com um sorriso – Acho que devíamos nos apressar em chegar a Winterfell ou eu posso sangrar até a morte... – Ela encarou a mão vermelha de sangue – E eu não ia querer ser a pessoa a dar a noticia ao meu pai se isso acontecer.

— Por que está sorrindo? – perguntou Noah não podendo deixar de sorrir também.

— Eu lutei minha primeira batalha de verdade – disse Brianna – Queria não ter me ferido, mas nada é perfeito como sempre sonhamos não é mesmo meu caro primo? – Então olhou para os homens ao redor dela que a encaravam — Alguém leva a minha lança para mim? Acho que a deixei por... — A cabeleira loira chocou-se com o peito largo de Lorde Rian da Ilha dos Ursos. A prima deles encontrava-se semiconsciente e sangue pingava de sua roupa para a neve branca.

— Tio Donnel não vai gostar nada quando escrevemos para ele contando a respeito de onde sua filha mais velha veio parar – falou Noah ao lado de Rian enquanto ajudava o primo a montar e colocar Brianna sentada em seu colo – Já devem ter notado a ausência dela na Ilha dos Ursos.

— Que os Deuses Antigos permitam que ela sobreviva – falou Rian ignorando a fala do primo – Não vou me perdoar se algo lhe acontecer – E então deu o comando para o seu cavalo pelas rédeas e o animal saiu em trote.

— De nada – disse Noah – Não precisa agradecer – E se dirigiu a sua montaria logo se colocando sobre a sela. Foi então que pensou que deveria convidar o primo para uma bebida mais tarde como parecia pensar de um bom vinho tanto quanto ele.

...

Winterfell

Matthew Stark entrou a cavalo pelas grandes portas de madeira de pau-ferro de Winterfell. Estava com o corpo dolorido e exausto, seu estomago roncava de fome e o pior de tudo se encontrava irritado. Ainda estava montado, sentia como se suas nádegas houvesse unindo-se ao couro da sela tamanha foram às horas gastas na floresta na caçada ao herdeiro Hornwood.

Ele recebera um bilhete naquela manhã das mãos de Cotter, seu escudeiro. O homem lhe contara que fora um dos garotos da estalagem de Vila Inverno que entregara tal mensagem nos portões de Winterfell sendo endereçada ao príncipe herdeiro.

A mensagem era bastante explicita dizendo que tinha informações a respeito da guerra que seriam valiosas a coroa. A letra e a gramatica eram bastante impressionantes certamente vinha de alguém disposto a ajudar ou seria uma armadilha. Não era ingênuo para ir sozinho fora por conta disso que Cotter lhe seguira até o local marcado de uma distância considerável para não ser notado.

Quando chegara a torre abandonada da vigia que havia na Mata dos Lobos foi que encontrara com uma visão inesperada. Tyr Karstark e Lyonel Hornwood se enfrentavam brutalmente e exaustivamente na parte externa da torre.

Usavam o aço das espadas e a força de dispensada aos seus socos e chutes, pareciam animais explodindo-se em raiva um do outro como gritavam atrocidades que teriam deixado uma donzela enrubescida pelo baixo calão das palavras. Quando Matthew chamara a atenção deles foi no momento exato que Lyonel atravessara sua espada no cavaleiro adversário.

O filho de Lorde Harrold Hornwood parecia surpreso com a visão e sua expressão de raiva se desfizera. O rapaz loiro tentara pronunciar algumas palavras só que Tyr o socara em seus testículos o fazendo urrar e se afastar.

O Karstark ainda com a espada atravessada em seu corpo gritara para que o príncipe atirasse quando Lyonel aos tropeços correra em direção as árvores. Matthew acertara a flecha no ombro do inimigo, porém mesmo assim não fora capaz de detê-lo antes de desaparecesse.

O príncipe herdeiro até pensara em ir atrás dele e fora até ver-se num caminho de mata fechada de onde quase não via a torre abandonada. Retornara ao local e encontrara com Tyr em uma poça de sangue ainda de joelhos como o tinha deitado assim como a espada atravessada. Poderia ter morrido ali daquela forma se não fosse o som de sua respiração ofegante denunciando que ainda vivia, porém a consciência o estava deixando.

Com a ajuda de seu escudeiro que carregara Tyr em seu cavalo foi que chegaram a Winterfell a tempo. Tyr Karstark ainda permanecia vivo, porém sobre os efeitos de leite de papoula e aos cuidados de Meistre Aston.

Matthew solicitara ao primo Rian Mormont que reunisse um grupo de busca e que os encontrasse na torre abandonada.

No entanto, nenhum homem além dele próprio, Cotter, Edwyn Karstark e Alys Brunden apareceram no local naquele dia mesmo assim porque o quarteto deixara os portões do castelo juntos. O primo e a escudeira do cavaleiro ferido queriam tanto quanto o príncipe encontrar pelo inimigo que devia estar escondido na floresta após o fatídico duelo de espadas.

Os quatro buscaram então sozinhos pela Mata dos Lobos por Lyonel Hornwood para captura-lo e leva-lo a Winterfell como cativo. O jovem alce era precioso demais para ser morto sendo que seria de grande valia ainda vivo.

Os portões foram abaixados após o último dos quatro ingressar no pátio em sua montaria. Um silêncio pesado se encontra entre eles após retornarem ao castelo de mãos vazias sem qualquer pista sobre Lyonel Hornwood e suas prováveis localizações.

— Irei certificar-me das razões que fizeram com que o grupo de busca não fosse ao nosso encontro, vossa alteza – disse Cotter ao seu senhor – Certamente há uma boa razão para que nenhum homem tenha ido ao local que indicamos. – O escudeiro descera da montaria e fizera menção de ajudar ao príncipe a descer da sua, porém este o dispensara. E assim com uma reverência que o vassalo deixara-o para trás.

Alys Brunden se retirara logo após Cotter sem nenhuma palavra. A guerreira essosi parecia extremamente irritada com o fracasso da missão e isso certamente devia-se a culpa em ter deixado com que Tyr seguisse sozinho Lyonel. A escudeira confessara durante a busca que o sobrinho do Lorde Karstark havia avisado o inimigo em meio a multidão que escorria pela rua principal de Vila Inverno.

Lyonel Hornwood chegara tão próximo de Winterfell aproveitando-se da entrada maciça de pessoas por conta da convocação dos exércitos para a guerra. Poderia haver outros aliados dos Bolton em Vila Inverno e ninguém notaria.

O príncipe herdeiro pediria que Gabriel Umber reunisse os guardas e vistoriasse o vilarejo de fora dos muros em busca de qualquer um que parecesse suspeito. Não iria querer mais surpresas já tinha tido o suficiente por aquele dia.

— Vossa alteza – dissera um cavalariço que viera recebe-lo e tomara as rédeas do cavalo e o príncipe agradecera com um aceno de cabeça.

Matthew desmontara então de seu corcel negro podendo sentir suas vertebras por debaixo da carne estalando por conta do tempo que passara cavalgando. Naquele momento apenas desejava os pequenos prazeres da vida como um longo banho quente, um pernil suculento bem feito na brasa e uma cama em que seu corpo pudesse desabar.

Uma boa cama de penas independente se fosse a sua ou a de Catryona. Foi quando pensara na amada e constatou o quanto desejava poder entregar-se ao calor do corpo dela. Unir-se a ela naquela noite e deixar toda a frustração e raiva de seu fracasso como rastreador em sua caçada humana a um foragido evaporar-se.

— Eu gostaria de agradecer-lhe por seus esforços, vossa alteza – disse Edwyn Karstark e Matthew viu-se desperto de seus devaneios ao notar que o herdeiro de Karhold ainda encontrava-se ali – Salvou a vida de meu primo ao trazê-lo de volta para ser cuidado pelo meistre de sua família. A Casa Karstark possui uma divida com vossa pessoa pelo apoio que dera a um dos nossos em um momento de necessidade.

— Um príncipe serve ao reino antes de si mesmo – dissera Matthew ao noivo de sua irmã.

Parte dele como o herdeiro do trono sabia o quanto aquelas palavras eram valiosas, porém outra dizia que havia errado em optar pela vida de um amigo do que na captura de seu agressor. Ter Lyonel em mãos seria um triunfo sobre o maior aliado de seus inimigos naquela guerra e as chances de encontra-lo diminuíam conforme o sol se punha no horizonte.

— E não devem nada a mim, Edwyn – disse Matthew cortês – Starks e Karstarks são como uma só família pelo sangue que dividimos no passado e que dividiremos no futuro. Será futuramente meu cunhado ao tomar uma de minhas irmãs como sua esposa e não preciso nem mencionar o quanto Tyr Karstark é um bom amigo meu.

A última parte de sua resposta ecoara em sua alma e batera de frente ao sentimento que me consumia. O sentimento de arrependimento e raiva, o príncipe herdeiro agira como mandara sua honra em salvar alguém ferido, no entanto sentia como se não tivesse valido apena.

Algo nele dizia que devia ter ignorado o amigo que morria e que fosse atrás de quem realmente importava. E isso o fazia sentir-se culpado ao perceber que não se importava se Tyr Karstark morreria se conseguisse capturar Lyonel Hornwood.

Sacrificar uma amizade em troca de algo que o beneficiaria e traria uma conquista pessoal enorme era algo tentador por mais desonrado que fosse. Matthew decidiu enterrar então aquele sentimento em seu intimo e não pensar mais a respeito do assunto. Agira com a honra de um príncipe e isso lhe bastava.

— Mesmo assim eu agradeço, vossa alteza – disse Edwyn Karstark – O que aconteceu hoje foi um grande infortúnio para mim e meu pai. E o pior de tudo é saber que o infeliz que feriu gravemente meu primo hoje é o mesmo que tirou meu irmão de nossa família. – Havia desagrado na voz do rapaz mais novo que foi captado pelo príncipe. Era algo como uma amargura que poucas vezes mostrava-se presente na voz do herdeiro de Karhold.

— Seu irmão teria orgulho do homem que se tornara – disse Matthew depositando a mão no ombro de Edwyn ao vê-lo desviar o olhar para os próprios pés.

— Desculpe-me, não queria demonstrar fraqueza – disse Edwyn – Apenas que é injusto que meu irmão tenha morrido e agora eu não saiba se meu primo irá sobreviver ou não. Ambos são grandes cavaleiros e nunca esperava vê-los derrotados...

Matthew sentira vontade de pega-lo pelos ombros e sacudi-lo para que o outro se recompusesse. Rodwell estava morto há anos e mesmo assim Edwyn ainda vivia a sombra do irmão de quem assumira a posição de herdeiro.

Um garoto que insistia em ser fraco não era o melhor esposo que teria escolhido para sua irmã. Atena tinha um temperamento que pedia por alguém forte que pudesse caminhar ao seu lado e o Karstark estava se mostrando alguém repleto por inseguranças. Realmente, Rodwell faria falta para o futuro de Karhold.

— Eu sei – disse Matthew após formular as palavras em sua mente – Mas a vida não é justa não importa o quão bom seja em algum momento descobrira que não pode ter tudo que deseja. – fez uma pausa e encarou o rapaz a sua frente — Sempre haverá algo que os deuses irão tirar de você.

— Os deuses nunca erram – disse Edwyn – Eles escrevem certo por linhas tortas e no final tudo será por uma boa causa. Se algo nos é tirado é porque não merecíamos de verdade ou não era para ser nosso.

Matthew sabia que não havia nada ali que dissesse respeito a ele e Catryona, porém não pode deixar de pensar da mulher que amara desde criança e que estava destinada a casar-se com seu irmão.

Noah não a merecia e mesmo assim a teria de uma forma que o príncipe herdeiro só poderia ter as escondidas. Não, diferente do que Edwyn dizia os deuses erram ao menos aqueles que decidiram brincar com o seu coração.

Foi quando sua mãe aparecera apenas notara sua aproximação quando vira Edwyn realizando uma reverência. Rainha Lyra Mormont vinha acompanhada de Atena logo atrás de si parecendo um tanto contra gosto de estar ali, porém ali se mantinha como uma dama que geralmente não era. A princesa mostrava encontrar-se bastante desconfortável em um dos seus vestidos novos.

— Vossa majestade – disse Edwyn então se virando para Atena e reverenciando mais uma vez – Princesa, devo lhe dizer que encontrasse bela hoje.

— Isso significa em outras palavras que nos outros dias não me encontra como bela – disse Atena com um ar de deboche que deixara o noivo desconcertado.

— De maneira alguma apenas estava querendo dizer que... – disse Edwyn apressadamente porém foi cortado pela rainha.

— Não se preocupe, Lorde Edwyn – respondeu Lyra – Tem de compreender que minha filha tem um senso de humor peculiar que muitas damas não possuem – então se virou para encarar segunda princesa – Tenho certeza de que apreciou o elogio não é mesmo Atena?

— Sim – disse Atena então encarou o Karstark seriamente – Agradeço-lhe a gentileza que tivera com a minha pessoa, Lorde Edwyn – sua voz soara monótona e sem muito interesse.

— Há algo mais que queira dizer ao seu prometido, minha filha? – perguntou Lyra incentivando Atena a se esforçar mais aparentemente ambas tinham tido alguma espécie de conversa anterior e combinado algo.

— Sinto muito pelo que ocorrera com seu primo, Lorde Edwyn. – disse Atena aquilo parecia um tanto ensaiado demais para que parecesse espontâneo, porém de qualquer forma o herdeiro Karstark ignorara qualquer ausência de emoção na voz da noiva.

— Agradeço-lhe, princesa Atena – disse Edwyn então aproveitando-se da presença da rainha emendara – Eu pretendia ir ao vosso bosque sagrado em busca de orar pela melhora de meu primo Tyr.

— Atena mostrar-lhe onde se encontra e então verás o quanto é belo – disse Lyra – Não é mesmo minha filha? Seria uma gentileza mostrar a cortesia de nossa familia a vosso futuro esposo.

— Ele já conhece Winterfell, minha mãe – disse Atena – Não é como se não estivesse aqui outras vezes e creio que já deva ter visto vários bosques sagrados em seus anos de vida. Sem falar que já conhece o nosso afinal orou aos deuses antigos assim que chegara de viagem.

— Atena – disse Lyra chamando-lhe a atenção – Modos e hospitalidade como uma dama deve ter com aquele que será seu marido – então voltou-se para Edwyn – Lamento por qualquer palavra que a tenha ofendido, meu rapaz. Minha filha não é como as outras moças que o senhor possa ter conhecido.

— Não há razões para se desculpar – disse Edwyn – Aprecio a sinceridade de vossa filha – E sorrira então encarando Atena – Assim como alegra-me saber que notara que estivesse em vosso bosque sagrado o que significa que tens me dado mais atenção do que queira aparentar

A princesa corara frente aquelas palavras e desviara o olhar com os lábios retorcidos em desgosto. Matthew sentiu vontade de rir naquele momento da irmã, porém conteve-se afinal sabia que era raro de Atena constranger-se com algo, porém sabia que qualquer um que risse dela tinha grandes chances de ser recompensado com alguma agressão física.

— Devo ainda dizer que por alguma razão sua personalidade veio um tanto forte demais – disse Lyra – Mas é uma moça de muitas qualidades e a simples razão de ter aceitado o noivado com ela nos agrada. – A rainha era bastante sincera com suas palavras — Sua paciência simplesmente é encantadora com nossa filha, Lorde Edwyn.

— Agradeço-lhe vossa majestade – disse Edwyn – Peço-lhe sua licença que irei retirar-me para minhas orações – E fez uma reverência, porém antes que saísse a rainha dissera mais algumas palavras.

— Ordeno que acompanhe vosso prometido até nosso Bosque Sagrado, minha filha – disse Lyra olhando para Atena – Preciso ter algumas palavras com vosso irmão a sós – E encarou Matthew a sua frente.

— Como desejar, minha rainha – respondeu Atena com alguma ironia na voz enquanto fazia uma reverência – É por aqui meu senhor – E seguira pelo pátio ignorando a mão que Edwyn lhe oferecera.

— Atena continua fria com o pobre rapaz – disse Matthew quando a irmã se retirara.

— O amor no passado já florescera em solos mais inférteis – respondeu Lyra – Edwyn Karstark é o rapaz perfeito para curar as feridas no coração de sua irmã. Apenas basta que ela o aceite próximo dela.

— O que deseja comigo, minha mãe? – perguntou Matthew então à mulher o abraçara fazendo com que o rapaz ficasse desconfortável afinal estavam em uma demonstração de afeto em público.

— Que bom que retornara de sua busca, meu querido – disse Lyra ao primogênito ao se separar do abraço – Vosso pai pediu-me que lhe convocasse para uma reunião em seu gabinete assim que retornasse. A honra da presença dos seus filhos foi requisitada assim que fosse conveniente para ambos.

— Filhos? – disse Matthew incomodado – Isso inclui meu irmão na reunião?

— Noah também é filho de seu pai – disse Lyra – Também é um príncipe de Winterfell assim como você. — Aquilo soara em um tom de repreensão como era de costume afinal por alguma razão a rainha ainda possuía amor em seu segundo filho por mais que este não merecesse tanto afeto. – Ele tem tanto direito quanto você de ouvir as palavras de vosso pai.

— Tudo bem minha mãe – disse Matthew com acidez em sua voz – Apenas estou surpreso por algo assim não está no feitio de meu irmão. – Fora então que Lyra tirara uma carte de sua manga e a estendera ao filho – O que isso significa?

— Entregue ao seu pai – disse Lyra – Meistre Aston entregou-me a pouco enquanto vinha a vosso encontro – Ela passara os dedos na cera vermelha escura quase negra com o emblema de um corvo gravado – Vem de Fortenoite.

— Do Lorde Comandante Arryn da Patrulha da Noite ou de Young Jon Umber – disse Matthew então olhando com certa apreensão para o envelope – Ele pode estar dizendo que a encontraram – O rapaz sabia que o herdeiro da Última Lareira tinha rumado para a Muralha para supervisionar as buscas da princesa sequestrada.

— Por que não a abriu? – continuou Matthew a mãe que se mantivera em silêncio – Eles podem estar a caminho — pensou em romper o selo de cera, mas foi contido pela mãe que retirara o pergaminho de suas mãos — Certamente são noticias de minha irmã.

— É endereçada a vosso pai – disse Lyra com certa incerteza na voz – E eu posso não está preparada para suportar o que diz nessa carta – E Matthew compreendeu ao que ela referia.

— Vou ao encontro de meu pai – disse Matthew pegando a correspondência das mãos da rainha – E não se preocupe minha mãe que entregarei a ele a carta selada – E guardara no bolso enquanto afastava-se.

...

O gabinete do Rei do Inverno era uma sala anexa ao Grande Salão de Winterfell. Era uma sala mediana com uma lareira convidativa em pedra lardeada por esculturas em pedras de lobos gigantes. Encontrava-se no canto oposto ao da porta e iluminava quase todo o ambiente e mantinha aquecido o espaço interno. A sala possuía janelas altas que deixavam entrar a luz solar em dias de verão.

Nas paredes havia vários troféus de caçadas passadas e sobre a lareira repousava certamente o bom mais precioso que ali havia. A espada de aço valiriano da família encontrava-se em repouso nos ganchos sobre a lareira logo abaixo do brasão do lobo gigante cinzento correndo em um campo branco de gelo, o brasão da Casa Stark de Winterfell.

Gelo era tão larga quanto a mão de um homem adulto aberta e tão alta quanto o mais novo dos irmãos Stark era naquele momento de sua vida. Sua lâmina de aço valiriano é escura e esfumaçada, típica de um aço desse tipo que segundo alguns diziam era indestrutível e nunca perdia o fio. Até hoje tinha se comprovado como verdade.

Noah estava sentado a mesa de seu pai. A cadeira era dura e desconfortável, porém conseguiu ajeitar-se da melhor maneira que podia e cruzara as pernas sobre a madeira de carvalho da mesa.

Em suas mãos havia um córneo de onde bebia cerveja nortenha que certamente não teria sido a sua primeira opção de bebida, porém fora o que conseguira encontrar enquanto procurava num dos baús de madeira que havia na sala.

O rapaz observava as crianças brincando no tapete de peles em frente a lareira, seus irmãos mais novos se encontravam ali ao lado de Brandon Umber, o mais novo dos filhos do Lorde da Última Lareira. Os rostos dos três estavam meio iluminados pelas chamas que tremulavam enquanto mantinham a atenção no livro de cartografia estendido no chão.

Sybill ainda mantinha-se em silêncio desde que Brie fora levada, porém parecia mais aberta a voltar a estar próxima de outras crianças o que já era um avanço. Hoster e Brandon estavam ali com a autorização de Noah que não dava a mínima se o pai pudesse irritar-se por ver o escritório cheio de crianças.

— Hoster, preste atenção no jogo – pediu Brandon Umber – Aqui.

— Castelo Cerwyn – respondeu Hoster com certeza.

— Símbolo? – Perguntou Brandon.

— Um machado de batalha negro em campo branco – Falou Hoster com confiança e o loiro assentiu.

— Palavras? – Pediu Brandon mais uma vez.

— Amolados e Prontos – Falou Hoster.

— Lordes? – Perguntou Brandon mesmo sabendo que a resposta era quase certa.

— Os Cerwyn – Disse Hoster com um sorriso – Você facilitou nessa rodada.

— Certo, agora é a sua vez em perguntar – Falou Brandon.

— Aqui – disse Hoster apontando um lugar no mapa do Norte.

— Atalaia da Viúva – disse Brandon Umber e o jovem príncipe assentira.

— Símbolo? – Perguntou Hoster ao amigo.

— Um campo azul coberto com ondas em prata e chefe de ouro com dois olhos azuis – Falou Brandon sem parecer ter tanta certeza.

— Pensei que não ia acertar essa – disse Hoster — Palavras?

— "Sempre Vigilante" – disse Brandon dando uma entonação mais máscula na voz.

— Lordes? – Perguntou Hoster erguendo uma sobrancelha.

— Casa Flint – disse Brandon – Acho que estamos empatados até agora não é mesmo?

— Sim, agora é a sua vez – falou Hoster.

— Aqui – disse Brandon apontando novamente no mapa.

— Forte Pavor – respondeu Hoster.

— Símbolo? – Perguntou Brandon.

— Homem esfolado em fundo rosado com gotas de sangue – Respondeu Hoster.

— Palavras? – Pediu Brandon.

— Um homem esfolado não guarda segredos – Respondeu Brandon.

— Não. – Falou Brandon Umber com um sorriso pelo amigo ter errado — É um ditado comum, mas não o seu lema oficial.

— Casa Bolton – disse Hoster.

— Nós ainda estamos em suas palavras – disse Brandon sorrindo – Vamos lá, não tem como não saber o lema desses infelizes. São os maiores desafetos de sua família a gerações...

— Năo as conheço tudo bem? – falou Hoster – Não presto muita atenção nas minhas aulas com o Meistre Aston. Não preciso saber tudo se eu serei apenas mais uma espada juramentada a meu irmão. Não é como se eu fosse ser o Rei do Inverno...

— Você não será só mais uma espada juramentada e sim um dos comandantes de guerra do seu irmão – disse Brandon – Quando você for um cavaleiro irá liderar a infantaria de Winterfell nas batalhas. Mas precisa conhecer o inimigo...

— Você sabe as palavras? – disse Hoster.

— Sei – disse Brandon Umber – E não é difícil apenas se esforce um pouco que vai lembrar. Você as conhece também, Hoster. – O garoto incentivou o amigo — É só pensar.

— Justos na Fúria – arriscou Hoster.

— Casa Hornwood – corrigiu Brandon.

— Temer homem nenhum – falou Hoster em tom provocativo.

— Essas são palavras dos Umber. – falou Brandon parecendo ofendido — Só pode está brincando, não pode está confundindo as palavras de minha família com as daquela gente. – O jovem príncipe riu e o amigo acompanhou — É uma espada enorme – falou o loiro ao referir-se a Gelo – A maior que eu já vi.

— Meu pai arrancou a cabeça de Royce Bolton com ela – disse Hoster – E eu vi sem desviar o olhar. Foi apenas com um golpe e nada mais para a cabeça se separar do restante do corpo... – o garoto loiro parecia impressionado.

— Impressionante – disse Brandon na falta de palavras melhores – E ela será sua não é?

— Não é assim que as coisas são – respondeu Hoster e havia certo pesar em sua voz que o irmão mais velho pode notar mesmo que o garoto se encontrasse de costas para ele – A espada pertence ao Rei do Inverno tem sido assim desde sempre.

— É uma pena – disse Brandon – Seu irmão não é um bom espadachim e uma espada dessas é quase uma blasfêmia virar apenas para uso cerimonial.

— Mas assim que será – disse uma voz e eles notaram Matthew adentrando no gabinete – A Gelo tem estado em nossa família há anos passando por cada um dos Reis do Inverno. Sim, admito que prefira o uso de arco e flecha, porém isso não tira de mim o que faz parte da minha herança de nascença. – Então fez uma pausa e virou-se para encarar as três crianças – O que fazem aqui? Quem lhes deu o direito de estarem nesse lugar?

— Eu lhes dei – disse Noah erguendo-se de seu lugar na mesa de seu pai – Isso lhe incomoda meu irmão? – o segundo príncipe sorrira — É uma pena porque como não canso de lembrar-lhe ainda não é o Rei do Inverno.

— Acho melhor que nós saímos – disse Hoster erguendo-se e sendo acompanhado da irmã e amigo. Os três saíram em silêncio que só foi quebrado quando a porta do gabinete se fechara deixando os dois irmãos sozinhos na mesma sala.

— É, tenho uma pena de seus futuros filhos – disse Noah em deboche – Sua falta de tato para lidar com crianças é surpreendente. Penso que apenas cumprira com seu dever em produzir um herdeiro e garantir assim que não seja eu a sucedê-lo.

— Os deuses não seriam tão loucos ao ponto de condenar um reino inteiro a sofrer em suas mãos – disse Matthew – E eu tenho de lhe dizer meu irmão que só passou a gostar de crianças após uma nascer de sua irresponsabilidade. Uma menina condenada a ter você como pai... Como se nascer bastarda já não fosse vergonha e castigo o suficiente.

— Morda a língua para falar da minha filha – disse Noah – Você não é ninguém que possa me dizer se sou um bom pai ou não nem aponta-la como um erro meu. Sim, eu não desejava ser pai só que acabou por ser a melhor coisa em minha vida. E acredite meu irmão não irei parar apenas em uma...

— Claro que não irá – disse Matthew – Devo esperar novos bastardos?

— Estava pensando em legítimos da próxima vez – falou Noah encarando o irmão – Enquanto vinha para cá vi minha bela noiva a brincar com Lou. Talvez nossa mãe esteja certa em dizer que minha filha precise de uma influência materna. E por que não dar a minha pequena alguns irmãozinhos? – Então sorrira em deboche – Isso lhe incomoda, meu irmão?

— Por que deveria incomodar-me – disse Matthew tentando repor-se.

— Continue a enganar-se meu irmão – falou Noah erguendo o córneo de cerveja na direção do príncipe herdeiro – Finja que sou cego e eu farei de conta que não vejo – E piscara então dando um gole em sua bebida – Não se pode enganar quem já é experiente nessa arte.

Matthew ficara calado frente aquilo e caso o lugar estivesse mais bem iluminado provavelmente se notaria sua face sem cor. Aquela frase certamente o deixara em choque como se o chão estivesse desabando de seus pés.

— Então realmente acabou a vontade de nosso pai e veio para a reunião que ele convocou conosco – disse Matthew tentando recompor-se e passando a mão pelos cabelos enquanto seguia para o lado da lareira – Quem diria, estou surpreso por um ato de respeito para com os pedidos dele. Geralmente é tão egoísta e pensa apenas em si e continuar em seu caminho para denegrir no nome de nossa família.

— Ao menos sou sincero com quem eu sou – disse Noah – Por que viver uma vida secreta? Não é como se eu sentisse vergonha do que eu faço – E tomara mais um gole de sua bebida – Mas respondendo-lhe meu irmão. Tive um encontro na Mata dos Lobos nessa fatídica manhã com nossa prima Brianna Mormont e algumas companhias indesejáveis.

— Os soldados Hornwood – disse Matthew – Quando vinha para cá me contaram.

— Também contaram que a equipe de busca que iria auxilia-lo acabou indo ao meu salvamento? – disse Noah – Como se sente ao saber que não escolheram você?

— Não seja tolo – disse Matthew – Está bêbado a dizer sandices que não vê a verdade de como aqueles homens cumpriram seu dever para com o trono de inverno. Certamente seriam punidos por nosso pai caso tivessem negado o pedido de ajuda de seu intendente.

— Sim, até pode ser – disse Noah – Mas lá no fundo você sente algum ressentimento não é? Não é a pessoa perfeita que finge ser para os outros. – Ele aproximou-se do irmão mais velho -Seus defeitos estão ai por mais que tente não encara-los. E é isso que faz você não gostar de mim não é? Porque eu posso ser quem realmente sou enquanto você... – Naquele momento a porta abriu-se e o Rei Brandon entrara.

— Alguma coisa de errado? – disse Rei Brandon aos filhos.

— Nada, meu pai... – disse Matthew se afastando do irmão.

— Nada mesmo – disse Noah dando mais um gole na cerveja então limpando os lábios com a palma da mão – Está atrasado, vossa graça. – Ele deixara o córneo vazio de lado e encostou-se a parede — Minha mãe falou que era algo referente a Brianna e o ataque dos Hornwood.

— Seria algo sobre Lyonel Hornwood? – Perguntou Matthew.

— Por que não se sentam para conversarmos – ofereceu Rei Brandon as cadeiras e o príncipe herdeiro obedecera enquanto o pai tomava seu lugar por direito no lado oposto da mesa.

— Não estou bem aqui de pé – disse Noah – Sem rodeios e direto porque ainda tenho assuntos mais importantes para tratar do que passar a noite toda aqui com vocês.

— Mais respeito com o nosso pai – exigiu Matthew se levantando.

— Ignore-o – disse Rei Brandon – Há anos que acostumei com esse temperamento de seu irmão. – o regente mostrara um pergaminho com o lacre de cera rompido — Mas eu precisava dos dois aqui para contar-lhes o que descobri graças a essa carta que se encontrava junto com a prima de vocês. Também havia um corpo de um mensageiro com o brasão dos Manderlys nas proximidades de onde encontrara os soldados atacando Brianna – Ele dirigiu o olhar para Noah – Certamente estavam atrás do infeliz que acabou morrendo antes e deixando a carta com a garota.

— Finalmente uma resposta do Lorde Manderly – disse Matthew – O sujeito não responde a convocação para a guerra e nem se digna a responder-nos. Ao menos explicam as razões para não ter levantado seu exercito em apoio a nossa causa?

— Eles tiveram uma boa razão – disse Rei Brandon – A carta foi escrita por Lorde Manderly e diz sobre como no meio da noite Porto Branco foi tomada por um batalhão inimigo. – Ambos os príncipes não foram capazes de esconder a surpresa.

— Quem seria capaz de uma coisa dessas? – disse Matthew em choque.

— Desmond Dustin ao lado de centenas de seus homens capturou Castelo Novo e mantém a maior cidade do reino sobre seu comando. – disse Rei Brandon — Sem Porto Branco praticamente nenhum navio poderá ancorar no Norte o que significa que não teremos apoio de nossos aliados sulistas. E o pior de tudo é que eu suspeito que Moat Caillin também foi capturado pela falta de relatórios que tenho tido do capitão das sentinelas.

— O que faz com que eles nos tenham feito prisioneiros em nosso próprio reino – disse Noah – Surpreendente que tenham conseguido fazer isso sem que soubéssemos de nada até que fosse tarde.

— O que iremos fazer meu pai? – disse Matthew.

— Pela manhã teremos o conselho dos lordes – disse Rei Brandon – Já temos adiado demais esse momento é preciso começar a planejar e agir.

Notas finais
Capitulo longo e para todos os gostos. Cena de batalha, personagens secundários aparecendo pela primeira vez, conversas de personagens que até então vocês não tinham visto interagindo e outros que já tinham visto anteriormente, porém é bom para reforçar o relacionamento haha Deixem seus comentários aqui embaixo tudo bem? Mostrem que estão ai depois de tanto tempo longe. Até mais.