Notas iniciais
Olá, meus leitores tudo bem? Novamente, capitulo grande para vocês. Prometo que os próximos serão menores, porém acredito que a demora tenha valido apena. Esse capitulo vai para uma personagem que eu estava sentindo que não estava tendo o destaque que merecia. Então sintam isso como um tributo a Casa Hornwood e a Elenya. Boa leitura.

Forte Pavor

Elenya desdobrara novamente o papel podendo fitar a caligrafia fina e reta do irmão, porém sem sentido algum. Pessoas poderiam perder algumas horas tentando decifrar pensando que se tratava de alguma língua estrangeira devido ao vasto conhecimento que o herdeiro de Hornwood possuía. E depois ficaria irritado tamanha era a simplicidade de tal pratica que mesmo uma criança poderia fazer.

Elenya estava sentada de frente para a penteadeira e ao colocar o papel frente ao espelho pode ver as letras revelando-se como formando palavras.

Já que até então parecia ser sem sentido algum se visto da maneira correta, mas é claro que a dama de companhia sabia daquele costume secreto de Lyonel sobre quando desejava passar alguma informação sem que ninguém descobrisse. Ao menos fora assim que Elenya aprendera com o rapaz.

Algo como tática de escrita espelhada ou algum nome do gênero, sendo o mais importante era saber como usa-la. A carta chegara pouco depois dos pais dela chegassem e fora endereçada diretamente para ela para que fosse entregue em suas mãos.

A garota loira após lê-la soube porque Lyonel fizera questão de tamanho sigilo. Os nomes deles eram as únicas palavras escritas corretamente por conta disso no espelho pareciam invertidos.

Não importa o que aconteça, não abaixe a guarda e esteja pronta para o pior caso venha ocorrer. Não confie em sorrisos ou palavras, não fique sozinha e se ficar garanta que possa se proteger caso alguma surpresa desagradável aconteça...

Alguém veio até mim e me fez prometer que farei algo caso o contrário você se machucaria não me importo com o que possa me acontecer, porém não me perdoaria caso falhe que alguma coisa aconteça contigo.

Por isso sempre atenta, não caia na teia dela nem deixe se encantar por ela ou eles porque se nesses dois anos não encontrou o perigo agora, minha irmã, você está num ninho de serpentes então não seja picada. Cuidado em especial com aquela que usa a máscara e finge ser alguém que não é. Cuidado com a que um dia foi sua quase irmã... E eu não estou falando da princesa por mais que aos olhos de que quem falo está se veja como uma.

Poderia parecer confuso ao primeiro olhar mesmo para quem conseguisse decifrar ainda assim, a escrita indiretamente falava algo sem citar nomes mesmo assim a loira conseguia compreender a quem se referia. Quem quase tinha sido sua irmã por casamento era obviamente Lady Rowena, a irmã mais nova de Eddard Bolton.

Se Elenya Hornwood aquela altura de sua vida já se considerava esperta o suficiente para não cair nos truques e charmes de uma dama da nobreza. A garota tinha convivido ao longo de seus anos de vida com pessoas da alta classe tanto quanto da plebe e estes últimos costumavam a ser mais verdadeiros em suas atitudes.

Não podia, porém julgar a macieira por uma maçã, havia pessoas ruins independentes de suas posições na sociedade em que viviam. Rowena e Larra eram a prova da dualidade que poderia existir mesmo dentro de uma família que a fazia crer que mesmo em meio às trevas ainda assim a luz podia existir mesmo que fraca.

Lyonel a alertara a respeito de alguém em quem Elenya já mantinha os olhos mesmo sem que ele precisasse avisar. Era seu instinto que soava como um sino para avisar-lhe para que mantivesse alerta.

Pegou-se pensando o que aquela mulher tinha feito ao seu irmão ao impô-lo uma missão em troca de ameaça-lo em troca? Sendo o pior de tudo, usando seu nome para tal. Rowena que ousasse em vir para cima dela, Elenya estaria preparada para enfrenta-la caso fosse necessário. Bastava que a oponente usasse suas armas quaisquer que fosse que a loira revidaria. Porque ela era uma Hornwood e eles eram justos na fúria.

...

A égua relinchou baixinho quando Elenya depositou a sela sobre a capa de peles que havia anteriormente colocado no animal. A loira prendera as amarrações e colocara os arreios enquanto podia sentir o quanto o animal estava nervoso afinal era em meio a noite que tudo aquilo estava acontecendo.

“Calme-se menina, nós vamos dar um passeio” disse Elenya em voz suave, acalmando-a com um carinho em sua fronte. O vento sussurrava no estábulo anunciando a tempestade que lá fora se acometia. Era capaz de escutar cada som que cada gota produzia sobre o telhado e as goteiras que respingavam e escorriam em ritmos lentos.

A chuva ainda estava em seu inicio e provavelmente duraria a noite toda e só terminaria pela manhã só que até lá desejava já estar longe das terras de seu pai. Ela errara, era tarde para arrependimentos, porém não merecia perder o que mais presava.

A punição por seu ato viria com a retirada de sua liberdade que sempre fora algo que presara tanto. Não iria para Porto Branco para servir como noviça no Septo Enevoado, como as criadas especulavam deste que a noticia da pureza deflorada da filha de Lorde Hornwood chegara ao castelo após o retorno da família a festa da colheita.

Certamente que não se casaria com Tyr Karstark, como sua mãe havia sugerido num ato desesperado para manter um pouco a dignidade da filha. Como agora o contrato de casamento dela com o filho de Ethan Bolton tinha se corrompido e não mais deveria valer.

Que tipo de homem aceitaria que o filho casasse com uma perdida? Sim, ela se lembrava das palavras de Ethan para Harrold Hornwood.

Humilhação, fora o sentimento que presenciou ao ver o pai tendo de engolir aquelas palavras calado certamente estava envergonhado e devastado demais. Ou simplesmente concordava com o outro homem afinal ele certamente pensava aquilo da própria filha. O tapa que lhe dera ainda doía, Elenya podia sentir mesmo que a área avermelhada de seu rosto tenha amenizado.

Fora a primeira e ultima vez que o pai a bateu. Estaria muito longe e não o veria mais nem a mais ninguém de sua família. Quando aquela chuva parasse já teria atravessado Fosso Cailin e finalmente nas Terras Fluviais poderia decidir qual seria o próximo passo a seguir. Não era das melhores em planejar certamente esse talento tinha sido apenas herdado pelo irmão mais velho, Lyonel.

Suas mãos tremiam e seu coração disparava frente a ansiedade ou talvez fosse o medo? Sua fria respiração mostrava o quão nervosa estava com toda a situação, mas a loira não se importava apenas tinha que partir e ir para longe dali. Seu arrependimento não

Com um impulso se projetou e sentou na sela com um salto, estava em seus couros de montaria que lhe dava mais liberdade do que os vestidos longos que usava em eventos sociais ou nos mais leves e tradicionais do dia-a-dia.

Atou então as rédeas em mãos e os puxou, sentindo couro contra os dedos cheios de cicatrizes pela pratica de arquearia e das caçadas. Não tinha mãos macias com as das moças, porém quem se preocupava? Mesmo que sua mãe dissesse que pareciam com as mãos de uma camponesa ainda assim significavam muito para ela. Afinal, disparar e abater animais com apenas um tiro não é algo que venha do nada.

“Enya, por favor,” Uma voz soou “Não pode fazer isso”.

Ela estava em sua montaria e com um puxão para o lado num gesto de comando foi que fez com que o animal pudesse girar para a noite chuvosa que havia do lado de fora.

Harwin Hornwood, seu irmão mais novo. Uma figura pequena e magrela era o que encontrou naquele momento. Com cabelos loiros escorridos contra a face pequena e as vestes respingando de ensopadas. Porém, os olhos estavam nela e o garoto se encontrava ali bem a frente da saída dela.

Harwin estava no meio da passagem da porta escancarada do estábulo, um clarão do raio projetou sua sombra no interior do ambiente. Era gigante, imensa e negra quem sabe fosse um presságio do grande homem que seria um dia? Não podia saber ao certo, porém o pensamento de que não estaria ali para vê-lo se tornar um lhe pegou em seu coração. Não podia encarar aquele rosto, as coisas não seriam fáceis se ele continuasse a olha-lo com aqueles grandes olhos de filhote de cão.

“Você não deveria estar aqui” falou Elenya “Volte para dentro e troque de roupas antes que fique doente. Tudo que conseguirá com essas roupas molhadas é dar trabalho para mamãe, a ama e ao meistre”.

“Eu acordei e fui para seu quarto” falou Harwin “Não estava conseguindo dormir só que quando cheguei lá não estava.” Ele entrou no estábulo e a encarando sobre o cavalo “Onde está indo tão tarde da noite?”.

“Preciso de um tempo então vou cavalgar” disse Elenya em meias-verdades.

“Espere a chuva parar então” disse Harwin “Você pode acabar caindo com toda essa lama que está na estrada. E se estiver sozinha vai ser muito pior, não é uma ideia muito inteligente sabe?”.

Harwin estava com nove anos naquela ocasião, uma idade realmente irritante ainda mais quando ele estava começando a desenvolver seu lado mais lógico. Elenya não estava com tempo para dar alguma argumentação ou desculpa ao irmão. Principalmente porque não era boa em mentir para ele como o mais novo tinha aparentemente herdado da mãe a habilidade em decifrar quando alguém estava tentando engana-lo.

“É o papai não é?” perguntou Harwin “Ele está zangado porque você entregou-se para aquele cavaleiro durante as festividades da colheita”. Ela deve ter lhe lançado um olhar de surpresa como o loiro bufou com certa irritação. “As pessoas acham que as crianças não estão ouvindo quando conversam sem falar que é fácil se espreitar pelos cantos para tentar ouvir as coisas. Não é difícil quando o que mais falam é sobre isso no castelo. Então... Está fugindo?”.

“Saia da minha frente, Harwin.” respondeu Elenya bruscamente.

“Enya, não pode fazer isso” disse Harwin “Se você conversar com o papai então eu sei que podem...”. Ela colocou a égua para trotar e assim o afinal fez indo em direção a saída do estábulo sem dar muita atenção para as palavras do irmão.

“Sai da frente agora, Harwin” exigiu Elenya seriamente “Não me faça pedir de novo”.

“Não vou deixar que vá” disse Harwin “Fugir é uma atitude covarde e você não é uma”.

“Eu preferia não machucá-lo, irmãozinho” disse Elenya então engolindo em seco “Eu te amo, Harwin. Por favor, não me faça tudo isso ser mais difícil do que é. Afaste-se, Harwin...” ela pegou o arco que estava sobre o ombro e fez movimento de tirar uma flecha da aljava “ou eu atiro em você”.

“Não fará.” disse Harwin “Por favor…” Ele lhe olhava diretamente nos olhos “Fique”.

“Eu já disse que não posso” disse Elenya “Eu tenho de ir”.

“Não, você não tem” disse Harwin com certa convicção então se afastando e dando espaço para que a loira passasse. Elenya recolheu a flecha de volta para a aljava e retornou o arco para seu lugar, não podendo esconder o quanto estava aliviada de fazer aquilo. “Mas você vai voltar”.

Elenya ficou em silêncio sem responder. Apenas enterrou as esporas na carne da égua, que disparou porta a fora cruzando o pátio vazio repleto de poças de água. Puxou o capuz sobre a cabeça para proteger-se e depois se inclinou para frente colocando sua face próxima das crinas do animal. A égua passou os portões abertos então penetrando na penumbra da noite.

A capa de seu pesado manto de peles tremulava ao vento e com uma das mãos era que o mantinha junto ao corpo enquanto com a outra se mantinha firme as rédeas.

Castelo de Hornwood encontrava-se silencioso e imóvel quando cavalgou para o exterior, estava usando a passagem do caçador que dava para a floresta. Sabia que havia homens observando nas sentinelas atrás de si, mas os olhos dele se prejudicariam frente à chuva até porque as arvores cobririam sua visão.

Ninguém a veria partir, ninguém além de Harwin a tinha visto. Porém, tinha de ser rápida antes que o mais novo soltasse o alerta sobre sua fuga. O mais novo certamente já tinha corrido para contar aos pais sobre a fuga da irmã. Não estava disposta a ser capturada, por conta disso que tinha de aproveitar cada segundo que fosse para colocar uma boa distancia entre si e o castelo de seus pais.

Era apenas questão de tempo para que o senhor seu pai reunisse os homens e organizasse um grupo para caça-la quem sabe até usasse cães? Irônico, um caçador habilidoso feito Harrold Hornwood caçar a própria filha com quem dividia o amor por tal prática tradicional. Afinal, o primeiro Hornwood não passava de um caçador era algo que estava no sangue.

Os relâmpagos clareavam o céu negro e os trovões quebravam os ruídos produzidos pela chuva. Sua égua cavalgava pelos montes finalmente encontrando seu caminho para fora da floresta enquanto seguiam a visão logo adiante da retorcida estrada que seguia rumo ao sul.

Talvez conseguisse chegar até a altura de Winterfell antes que fosse alcançada, entrar em terras de inimigos a coroa vermelha. Por que não? Ela nunca gostara de nenhum daqueles malditos ratos esfolados e condenava suas práticas vis e desumanas. Quem sabe mesmo se não chegasse até o sul não pudesse conseguir abrigo batendo nos portões dos Starks?

Seu rosto abriu um curto sorriso, pensamentos tolos para atitudes tolas. Até parece que os lobos iriam aceita-la de braços abertos seria bem capaz de acabar como uma prisioneira ou refém.

Precisava se afastar o máximo possível das terras de seu pai antes que percebessem que desaparecera. De manhã deixaria pela estrada e seguiria por campos, florestas e córregos a fim de despistar os perseguidores liderados pelo Lorde Hornwood.

O seu cheiro iria se perder com a chuva o que dificultaria o faro dos cães, mas os rastros do cavalo na lama podiam ser seguidos. Mas até lá, poderia ser qualquer outro cavaleiro que não ela. Era preciso ter alguma fé.

Mas naquele momento estratégias não tinham vez o principal era a velocidade e agradecia por sua égua esta aguentando o ritmo imposto a ela em um terreno tão enlameado. Ela tinha pensado muito antes de fugir não é como se tivesse pensando e repensado e isso não tivesse destruído seu coração. Porém, ela sempre gostou de sua liberdade, seu pai sempre fora mais flexível com ela não lhe exigindo tanto quanto os outros nobres faziam com suas filhas. Elenya crescera acostumada com poder ir aonde quisesse e não estava preparada para perdê-la.

Tinha sido duro abandonar a família, mas Elenya não estava suficientemente despido de honra para sentir-se envergonhada por mais algum ato como aquele. Desonrada tinha sido, porém não é como se ela soubesse o que estava fazendo era errado e arriscado. A verdade é que Elenya duvidava que muitas daquelas nobres moças não tivessem já sido defloradas por algum companheiro secreto.

Era só olhar para Rowena, sinceramente será que ninguém notava os olhares que ela trocava com Royce Bolton nos eventos sociais? Não era possível que somente ela fosse capaz de sentir toda a tensão que havia entre aqueles dois. Ele era um homem casado, pai de quatro filhos sem falar que tinha quase o dobro da idade dela.

Isso porque não era só ao primo que ela lançava seus gracejos, afinal tinha também os flertes que Rowena dirigia para o tão honesto e honrado herdeiro de Winterfell. Aquele lá certamente que era ainda puro talvez até fosse mais donzela do que qualquer moça nortenha.

Por que estava pensando na vaca Bolton naquele momento? Talvez fosse raiva porque sabia que por trás daquele sorriso e face inocente havia uma verdadeira aranha traiçoeira.

Ou quem sabe não passasse de inveja por ela conseguir ter uma vida secreta e fazer o que desejasse enquanto Elenya fora pega na primeira vez que tentara algo mais arriscado? Ótimo, estava sentindo-se estupida por ter aqueles pensamentos. Olhou por sobre o ombro e viu que não tinha qualquer visão mais do castelo de sua família.

Sabia que sua fuga seria como sal na ferida ainda em carne viva. Mais um filho desaparecido para relembrar os pais do desaparecimento de Lyonel quando criança quando ficaram um ano inteiro sem noticias do primogênito. Mas nada havia a fazer se quisesse ser dona de seu próprio nariz.

Ser uma septa condenada a servir a deuses que nem ao menos eram os seus não que fosse a mais devota aos deuses antigos, porém não é como se desejasse ter imposta sobre si uma fé a qual não acreditava. Os deuses sem nome e se as árvores-coração ouviam e não tinha ninguém para falar por eles como eram os devotos da Fé dos Sete.

Se esse não fosse o destino que seu pai iria lhe impor então talvez arrumasse algum casamento às pressas com algum lorde desconhecido que aceitasse uma mulher desonrada para si (esses geralmente eram velhos já viúvos que tudo o que queriam era alguma jovem para aquecer a cama).

Não importa o que fizesse, Elenya sentia-se como se estivesse traindo alguém. Nem mesmo agora sabia se estava fazendo a coisa mais esperta ao fugir para o sul.

Os sulistas tinham a vida mais cômoda por não terem que lidar com as neves e com o clima frio, suas colheitas eram fartas e tempos mais calorosos lhe aguardavam quanto mais seguisse naquela direção.

Mas ela era uma filha do norte, será que iria acostumar-se com uma vida em um lugar desconhecido e em um trajeto solitário como a vida de uma fugitiva era?

Quando os relâmpagos em seus clarões revelaram que não havia qualquer resquício da floresta atrás de si foi que fez com que a égua diminuísse a velocidade pondo então a trotar. Tinha uma longa viagem à sua frente e só aquele cavalo para transportá-lo.

Havia aldeias de agricultores ao longo do caminho para o sul. Onde conseguiria trocar a égua por uma montaria descansada quando precisasse parar para conseguir algum alimento.

Afinal, eles estariam procurando por uma bela moça com cabelos loiros em sua égua baia. Teria de livrar-se de sua companheira de anos, troca-la por algum outro equino, mas não conseguiria faze-lo se ela estivesse ferida ou arrebentada.

Só bem depois de passar pela vila de Hornwood que respondia a jurisdição de se seu pai que Elenya voltou a reduzir o passo. Nessa altura ela e a montaria já estavam úmidos pela chuva que parecia estar aumentando.

Desmontou, tremendo e sentiu os pés patinarem na lama e quase cair. Encontrou um monte de lama em que suas botas afundaram. Respingos de chuva corriam pelos galhos das árvores secas e o cheiro vindo pela relva encharcada das colinas. O céu estava agora clareando a luz do luar que escapava pelas nuvens mais calmas.

O cavalo estava com a respiração pesada e podia ver as veias saltadas no pescoço do animal. E Elenya pegou nas rédeas e o levou a pé durante algum tempo. Até que encontraram a estrada dos lobos, que não era suficientemente larga para que carroças passassem lado a lado, porém ainda era um espaço considerável para cavaleiros e andarilhos. Com o piso entrecortado por pedras.

Aquela corrida fora realmente estúpida, um convite para um pescoço quebrado ou então a égua podia ter quebrado a pata e caído sobre ela lhe esmagando as pernas. Elenya se questionou o que lhe teria dado depois. Afogada em uma poça de água e lama por não conseguir andar parecia uma maneira pífia de encontrar seu fim. Estaria assim com tanta pressa de morrer?

Elenya sentou-se sob as árvores e decidiu dar algum descanso para si e para sua companheira de viagem. Tirou o cantil preso na cintura e o virou em um gole enquanto a égua pastava ao longo das raízes da árvore.

Já chegara a última gota do cantil quando ouviu os sons: cavalos, vindos do norte. Levou a égua para longe da estrada, para trás de uma espessa mata e de uma árvore de pau-ferro de tronco grosso e a escondeu ali.

“Agora silêncio” pediu sussurrante, agachando-se a fim de espreitar por entre a relva alta. Se os deuses fossem bondosos, os cavaleiros passariam sem nota-la e seguiriam seu caminho.

O mais provável era que fossem apenas pessoas simples de que tinham desistido de esperar a chuva passar e retornavam para suas casas de lavradores que ficavam afastadas da aldeia. Se bem que, era apenas seu otimismo porque não havia explicação alguma para pessoas estarem cavalgando na estrada no meio da noite e era bastante cética para acreditar em fantasmas.

Ficou ouvindo o som dos cascos que aumentava a um ritmo constante, enquanto os cavalos se aproximavam a trote rápido pela estrada. Julgando pelo ruído, eram pelo menos cinco ou seis cavaleiros. As vozes esgueiraram-se por entre as árvores.

“Certeza de que ele veio por aqui?” Perguntou alguém que Elenya reconheceu pela voz como se tratando de Errold Dustin, o quarto filho de Lady Wylla. O rapaz estava em castelo de Hornwood como um convidado e se ele estava ali certamente que um dos outros homens que o acompanhava só podia se tratar de Lyonel.

“Não podemos ter certeza” Respondeu Lyonel Hornwood com seu tom de voz monótono. E Elenya teve que reprimir um xingamento. Seu irmão tinha vindo atrás dela, como imaginou com o faria.

“Tanto quanto sabemos ela pode bem ter se dirigido para o leste.”disse Errold Dustin “Ou abandonado a estrada para cortar caminho através da floresta e abrigando-se em uma caverna ou lugar seco apenas para retornar para a estrada amanhã quando estiver o tempo mais firme. Então poderia seguir para Porto Branco... Era o que eu faria”.

“E arriscar ser pega por homens de meu pai que estariam a espera dela em cada entroncamento de estrada?” disse Lyonel “Ao amanhecer já teria a noticia sido espalhada e o preço por quem trouxesse minha irmã em segurança para casa já estaria conhecido”.

“É estúpido esperar o raiar do sol para seguir viagem, uma fuga acontece melhor na escuridão e por mais idiota que pareça a chuva também é um ponto interessante porque atrapalha o faro dos cães...” continuou Lyonel “Porém ainda é um risco que se corre. Com essa escuridão e terreno lamacento? Estúpido. Se não caísse do cavalo e quebrasse o pescoço, se perderia e acabaria de volta ao castelo ao por do sol”.

“Não acabava nada” Errold soava irritado por ter sido chamado de estúpido. “Era só esperar pela noite e seguir quando o tempo estivesse mais limpo. Enquanto procurassem por ela em um lugar já estaria em outro diferente”.

“Tolice” falou Lyonel “Perder um dia inteiro se escondendo? Uma atitude covarde e minha irmã está longe de ser uma.” Então fez um silêncio.

“Você...” começou Errold.

“Você também ouviu não é?” disse Lyonel e os cavalos pararam “Calem-se!” Ordenou aos homens que o acompanhavam “De onde vem isso?”.

Caíram todos no silêncio ficando a escuta de algo que Elenya não faiza ideia do que fosse. Harwin tinha lhe entregado, pensou o obvio como era de se esperar. Lyonel tinha se levantado e acordara os outros rapazes para procura-la tinha certeza de que caso ergue-se a cabeça poderia encontrar os guardas de Hornwood. Malditos sejam todos.

Os ruídos da chuva foram a única coisa que viera. De onde Elenya espreitava, conseguia ver as pernas dos cavalos deles através da relva. Os cascos pisoteando a lama na altura da cabeça dela que podia escutar os ruídos aguados do barro. Por fim, um dos guardas falou.

“Que foi que ouviu, milorde?”

“Não sei” admitiu Lyonel “Um som parecia um relincho”.

“Também pensei que pudesse ser um cavalo, mas…” respondeu Errold “Não há nada. Vamos retornar, talvez seu pai tenha noticias de sua irmã na busca que estão fazendo pela floresta” Então fez uma pausa como repensando melhor “Ou quem sabe prefira seguir ao longo da estrada? Irmos até o final e darmos de frente para os Starks quem saiba queira bater nas portas deles e perguntar se viram uma moça em sua desonra numa fuga vergonhosa em meio a chuva?”.

“Debocha de minha irmã?” perguntou Lyonel.

“Pense como quiser, meu caro.” disse Errold “Apenas sei que espero que reconheçam meu valor ao deixar o calor da cama para aventurar-me na chuva”. Então fizera uma pausa e a outra parte soara um tom mais baixo que Elenya teve de concentrar-se para compreender. “Em uma busca por uma moça que aparentemente só esta em busca de alguma atenção como se já não a tivesse conseguido suficiente”.

“Ninguém pediu que nos acompanhasse, meu caro” disse Lyonel “Se queria ficar no aconchego, com vestes secas e no calor que permanecesse com as mulheres no castelo e deixasse que os homens pudessem fazer o que deve ser feito”.

“Fala aquele vivesse uma jornada heroica com uma espada sempre a mão” disse Errold “Quem te escuta dizer tais palavras até parece que não conhece suas preferencias para ficar isolado em sua biblioteca na companhia de livros. Até parece que és tão apegado à família quando tu próprio construíste um muro translucido que os separa...”

“Diga-me, realmente se importa se nós iremos encontrar sua irmã ou não?” finalizou Errold Dustin e depois um silêncio prosseguiu-se.

Quem o via falando provavelmente deveria pensar nele como apenas irritado com a perda recente de sua família. Daryl Dustin, o falecido Lorde de Vila Acidentada e irmão mais velho de Errold, tinha perdido sua vida pelas mãos de Rian Mormont.

O Jovem Urso havia agido assim de modo a proteger Tyr Karstark em uma briga de taverna. Tudo porque o tolo Lorde Dustin tinha se sentido ofendido pelo ocorrido recente entre a Hornwood e o cavaleiro. Como há anos tinha investido em cortejar Elenya mesmo depois de ter se casado com uma sulista de uma casa da Campina.

Mas não era aquele o caso, era conhecido que a casa Dustin era uma família quebrada, os irmãos não se davam entre si. E com a morte de Daryl foi que Desmond tinha sido feito lorde no lugar do irmão e assim Errold subira para a posição de herdeiro. O que só tinha sido o suficiente para alimentar ainda mais a vaidade do rapaz.

“Pegue seu cavalo e encontre seu próprio caminho, meu caro”. Disse Lyonel. “Se está tão insatisfeito com nossa missão em prol da segurança de minha irmã”. Fez-se novamente silêncio e Elenya podia quase imagina-los fitando-se um ao outro tensamente.

“Ali!” gritou um dos guardas.

“Também ouvi!” falou outro então Elenya escutara o som de galhos quebrando-se e logo sua égua saiu trotando pela relva rumo a estrada. A loira teve de rolar para o lado para evitar que o equino lhe atingisse as pernas com os cascos.

“Tem algo ali” disse Errold. Elenya pode ver um par de guardas cavalgando em direção da égua a fim de pega-la antes que fosse muito longe “Você vê?” Ele puxara sua espada da bainha e agora apontava para o lugar.

Elenya virou a cabeça e afundou ainda mais a cabeça podendo sentir a lama impregnando-se em seus cabelos. Ainda abaixada numa tentativa desesperada foi que rastejou até o bosque próximo e escapulir por entre as árvores, mas eles estavam em cima antes que avançasse cinco metros. Logo se viu cercada por quatro cavalos, seu irmão junto de Errold e mais dois guardas que seguravam tochas.

“Milady” falou um dos guardas às suas costas “É a senhorita mesmo?”.

“É um fato de que trata-se de minha irmã” disse Lyonel.

“Parece uma andarilha de estrada ou uma criadora de porcos” disse Errold em deboche observando as roupas e o cabelo sujos de lama “Mas deve ser ela própria”.

“Pare” disse Lyonel “Não pode escapar de todos”. Observou o loiro ao ver os outros dois cavaleiros retornando agora com um deles puxando a égua baia pelas rédeas atrás de si. “Minha irmã...”,

Elenya tateara para pegar o arco e enfrenta-los, porém no momento em que havia se virado na relva a madeira da curvatura tinha se partido e a corda arrebentado.

“Pensei que não gostasse de caçadas, meu irmão” falou Elenya.

“Quando vale apena o premio é quando eu revejo meu conceito” disse Lyonel em tom sarcástico igual ao da irmã “Agora monte aqui” Sinalizara para o próprio cavalo “E vamos para casa, nossa mãe encontrava-se em prantos quando deixamos o castelo”.

Elenya engoliu em seco e desviara o olhar do irmão. Incrivelmente aquela menção lhe fez parecer um tanto egoísta em não ter pensado na Lady Hornwood, talvez tivesse bloqueado a imagem mental numa maneira de tentar não se sentir tão culpada quanto era agora.

“Foi uma aventura desgastante e olhe para o estado em que se encontra. Sinta-se vitoriosa em chegar tão longe, porém agora acabou nós iremos leva-la seja por sua vontade ou não.” disse Errold. “Então eu ouviria seu irmão iria com ele... É uma atitude inteligente a se tomar se é que você sabe o que é isso, não?”.

“Seu filho da...” começou Elenya, porém o rapaz lhe interrompera.

“De onde vejo não é minha mãe que é uma puta”. Disse Errold então dando um sorriso de escarnio. “Porém, por outro lado...”. Então foi cortado por Lyonel bruscamente.

“Termine a frase e você pode voltar daqui mesmo para Solar Acidentado”. Disse Lyonel. “Não é apenas minha irmã que está ofendendo como o nosso nome de família também. Não permitirei que diga tais palavras para Elenya na minha frente, ouviu-me bem? Então, coloque-se em seu lugar quarto filho”.

O jeito como o herdeiro de Hornwood pronunciara as palavras soaram duras quase como um insulto sendo uma dura verdade.

“Você vem?” Perguntou Lyonel agora encarou a irmã enquanto fazia um sinal. E os rapazes espalharam-se a cercando.

“Que querem de mim?” Elenya questionou “Eu desonrei nosso nome, Lyonel”.

“Há nobres com menos honra que você” disse Lyonel “Não é como se nenhuma outra mulher já não tivesse deixado de ser donzela antes do casamento. Você não é nenhuma criminosa então deixe de ser tola e monte aqui para que possamos ir para casa”.

“Eu não posso” disse Elenya.

“Por que não pode?” disse Lyonel franzindo a testa num olhar cético “Acha que o que fez muda quem você é? Apenas vai mudar como os outros a veem só que continuara a mesma para quem importa. Porque isso não faz diferença para nossa mãe, nosso irmão ou para mim”.

“Mas para o papai faz” disse Elenya.

“Você não merece se preocupar pelo que aquele homem pensa” disse Lyonel “Eu parei de preocupar-me faz tempo então faça o mesmo".

“Não dá” disse Elenya, diferente de Lyonel a garota tinha um laço bastante estreito com o seu progenitor “Você não entenderia”.

“Eu não entenderia? Você que não entende o que estou tentando fazer” disse Lyonel “Queremos levá-la de volta para onde pertence”.

“Para que?” disse Elenya “Para ser enviada para me o Septo Enevoado e me tornar uma daquelas noviças que dedicam suas vidas aos novos deuses? Papai fará isso não? Serei obrigada a converter-me a outra religião e então abandonar o nome de nossa família. Para no fim se esquecida por vocês enquanto me torno uma velha em algum castelo sulista qualquer?”

“Pensou tudo isso? Quanta bobagem” falou Lyonel com um tom de voz amargo. “Nosso pai não irá fazer isso contigo, irmã. Tenha dó é ridículo, tanto quanto pensar que a enviaria para Vila Toupeira para trabalhar nos bordéis”.

Ele suspirou pesadamente enquanto passava a mão pelo longo cabelo molhado pela chuva.

“Outros lordes poderiam fazer isso, mas ele não”. Continuou Lyonel. “Aquele homem tem tanto apresso para ti que é quem está mais sofrendo frente a todo esse espetáculo de puritanismo ridículo... Não é mais casta grande diferença isso faz queria que as pessoas vissem que estão dramatizando em demasiado esse caso. Hipocrisias da nobreza como se estes mesmos não tem praticas mais vis e pecaminosas aos olhos dos deuses que dizem acreditar...”.

“Então qual será minha punição?” disse Elenya “Irei casar-me com alguém as pressas?”.

“Tem esperanças em desposar o Karstark?” questionou Errold com um sorriso debochado “Seria mais do que justo ser condenada a viver com um cavaleiro sem terras. Um ninguém, filho de um segundo filho. Ou quem sabe com o Eddard Bolton? Do jeito que ele é excêntrico quem sabe? Apenas terá de convencer o pai dele primeiro”.

“Lorde Hornwood cogitou tranca-la na torre como um pássaro em uma gaiola” disse Lyonel “Ele também pensou em casa-la...”. E olhara para Errold. “Não com o Bolton nem com Karstark só que com outra pessoa. Outros nomes foram citados na verdade...”. Então voltou o olhar para a irmã. “Porém foi outra decisão que ele tomou por minha sugestão e caso retorne para casa irá descobrir por conta própria”.

“Meu lugar não é mais naquele castelo” disse Elenya com pesar.

“Você é tão teimosa que chega a ser irritante. Mas dessa vez tens razão. Sim, não é...” disse Lyonel com uma expressão séria e penetrante. “Mas pode voltar a ser. O que aconteceu foi apenas uma tempestade que abalou as estruturas de nossa família, porém não é como se tivesse nos desabado”. Ele estendeu a mão para a irmã.

“Você vai passar um tempo longe até que as coisas se acalmem e o senhor nosso pai tenha se acostumado com a nova realidade de que sua garotinha agora é uma mulher feita”. Continuou Lyonel “E se ele não se acostumar então que você reconstrua sua vida sem ele...”.

Elenya encarou a mão do irmão então o rosto dele. Havia sinceridade em seus olhos, Lyonel não estava irritado nem chateado com ela ou qualquer sentimento que vinha dos pais. Eram apenas os mesmos olhos com os quais estava acostumada sendo na mesma tonalidade dos dela.

Eles ficaram em silêncio, ambos se entendendo pelos olhares que trocavam até que por fim os dedos deles entrelaçaram quando ela uniu sua mão com a dele. E então o rapaz a puxou para cima do cavalo a fazendo sentar-se atrás de si.

“Vamos retornar para o castelo” Disse Lyonel realizando o sinal em direção a estrada em seguida cutucando os calcanhares na lateral do seu cavalo baio amarelado. Os guardas e Errold Dustin seguiram na frente com o herdeiro de Hornwood logo atrás.

“Ly?” chamou Elenya enquanto eles seguiam pela estrada. Ela tinha apoiado a cabeça contra as costas do irmão enquanto havia abraçado o seu dorso, era tão estranho ter contato físico com o mais velho pela simples razão de que Lyonel sempre buscava evitar isso.

Nada de abraços ou beijos mesmo apertos de mão havia certa hesitação da parte dele, era assim que tinha crescido a acostumar-se com certa distancia imposta pelo rapaz não apenas a ela como o resto da família.

“Que foi?” perguntou Lyonel com a voz rouca e em um tom baixo.

“Para onde eu vou?” Perguntou Elenya.

“Por que eu vou estragar a surpresa?” Respondeu Lyonel se virando para a irmã e dando um de seus raros sorrisos “Descubra por si mesma”.

Lyonel não havia falhado com ela antes, como irmã ela tinha aprendido a acreditar no bom senso dele. Fora quem convencera o pai a envia-la para Forte Pavor e quem o tranquilizara mais tarde ao contar sobre quem era Lady Larra.

Seu irmão fora quem fizera enxergar que aquela garota não tinha culpa da família a quem pertencia e que precisava de pessoas como Elenya ao seu lado.

Fora então quando ao escutar os sons de batidas na porta de seu quarto. Foi que ela dobrou novamente o pedaço do papel e guardou dentro do decote do vestido. Então se levantando e indo abrir encontrando parado do lado de fora seu pai.

— Posso entrar? – perguntou Harrold Hornwood num tom formal. Sua vontade era em negar-lhe e simplesmente fechar a porta, mas ao invés disso apenas assentira e abriu ainda mais dando espaço para que o homem passasse.

— O que deseja, milorde? – perguntou Elenya Hornwood após fechar a porta atrás de si – Estou surpresa que venha procurar-me em meus aposentos. – Havia certa indiferença na voz como era do feitio — Algo de errado?

— Eu que deveria estar surpreso com você não decidir mais evitar-me, minha filha. – disse Harrold Hornwood com um tom mais brando do que ela esperava.

Desde que o lorde chegara a Forte Pavor que a filha lhe ignorava. Tinha sido assim nas visitas dele nos últimos dois anos, quando uma simples distancia fora imposta silenciosamente entre ambas as partes, como ainda havia a tensão de toda a situação que ocorrera quando a verdade viera à tona e a desonra viera sobre o nome dos Hornwood tão rápido como uma flecha atingira seu alvo.

— Não creio que isso seja algo inesperado, pensei que estivesse confortável com essa situação... – disse Elenya – Não era assim que gostava que fosse? Poucas palavras, olhares nunca se cruzando... – Ela sorriu — Um pai ressentido da vergonha que a filha tinha trazido à família agora vem até ela com uma voz calma e calorosa. Lamento, milorde só creio que não seja o momento que eu estava esperando.

— Não há o que fazer para mudar o mal que te fiz – disse Harrold Hornwood – Sinto meu coração sangrar a cada dia desde que deixou nosso lar.

— Desde que fui mandada embora, melhor dizendo. – disse Elenya – Desde que enviou-me para longe do lugar onde nasci e fui criada porque não suportava ver meu rosto. Porque minha desonra respingava em você e você sentia-se envergonhado...

— E eu não devia? – disse Harrold Hornwood crispando os lábios e franzindo o cenho – Minha única filha deflorada de tal maneira...

— Você era meu pai e achou que algo abstrato como honra fosse mais importante do que proteger a sua filha. Do que estar ao lado dela... – disse Elenya – Eu sou o seu sangue e mesmo assim renegou-me. As palavras que me disse ainda me machucam e então o senhor vem até a mim essa noite por que razão?

O pior nunca fora o que a sociedade pensava a seu respeito e sim a sua família, mas o que mais a magoara fora o modo como o pai simplesmente tinha se voltado contra ela e colocando-se em posição de julga-la e puni-la por algo que seria tão trivial se ela fosse um homem.

Se fosse Lyonel ou Harwin não teria acontecido nada porque um homem tem mais liberdade dentro da sociedade do que uma mulher. Seu pai nunca a tratou diferente dos filhos até aquele momento em que foi imposto que ele tomasse alguma atitude.

Era pensado que deveria lavar sua honra manchada com sangue, porém os reflexos da guerra ainda ocorriam como a perda de vários homens que serviam a sua casa estando incluído ali Sor Harys Hornwood, o irmão mais novo do lorde alce. No lugar disso, fora a filha que pagara por tal desonra. Quando ela foi enviada para longe de casa e colocada sobre a proteção da família vermelha para servir como dama de companhia para a filha mais moça, Lady Larra.

— Eu cometi erros minha filha – disse Harrold Hornwood – Mas eu estava machucado, meu coração partiu-se e eu me senti tão furioso que não sabia o que deveria fazer simplesmente perdi o meu chão. – Ele tentou aproximar-se, porém ela recuara – Você era minha garotinha, a maioria dos lordes deseja filhos homens, porém eu sempre quis ter uma menina e quando você nasceu... Foi o dia mais feliz da minha vida.

— Você era tão pequena. – continuou Harrold Hornwood — Eu lhe colocava na minha mão, aquela criaturazinha rosada e com a cabecinha careca. O presente que os deuses deram a nossa família, a chance de ser um pai novamente quando eu percebi que seu irmão não mais me amava. Eu tinha errado com Lyonel, como pai eu deveria protegê-lo e falhei quando ele desapareceu...

— E quando retornou eu sabia que aquele não era mais o mesmo menino sorridente que sempre estava a me fazer perguntas. – continuou Harrold Hornwood — Mas os deuses queriam que eu tentasse de novo com você para que eu não falhasse em meu desejo de ser pai.

— Então deveria ter ficado do meu lado – disse Elenya – Eu posso ter errado porque eu era uma garota tola que se deixou levar pelo momento, mas mesmo assim era esperado que minha família ficasse ao meu lado. Você deveria ter me protegido dos outros quando eles vieram até a mim me criticando e condenando.

— Você era meu pai e uniu-se a eles virando as costas para a própria filha... – continuou Elenya — Sabe o que tenho aturado nesses últimos anos? Os olhares e palavras que pessoas dizem sejam diretamente ou aquelas que falam quando pensam que eu não estou ouvido.

— Eu posso imaginar – disse Harrold Hornwood – Tudo o que você tem passado e isso só me faz arrepender-me ainda mais de minhas atitudes. Elenya, você e eu costumávamos ser tão próximos... – suspirou – Eu te amo, minha menina. E essa separação que se colocou entre nós como uma barreira não deveria mais existir por simples erros que devem ficar no passado.

— Foi mamãe que pediu que viesse até aqui? – perguntou Elenya com a voz um pouco mais controlada e calma, porém ainda mantinha o olhar firme.

— Foi uma coisa chamada consciência – disse Harrold Hornwood – Estou indo para a guerra, minha filha. Não quero morrer sabendo que deixei assuntos inacabados... – aproximando-se e então pegou as mãos e pegou as dela — Sabendo que eu não poderia fazer as pazes com você. -Ela fez silêncio enquanto fitava o pai nos olhos – Perdoa-me, por favor.

— Eu... – disse Elenya então engolindo em seco e o fitou.

Lorde Harrold Hornwood era tão parecido com os filhos, os mesmos traços faciais bem como os cabelos que eram bem semelhantes com os de Lyonel. Porém naquele momento ela apenas o encarava no fundo dos olhos verdes claros iguais aos seus e viu dentro deles aquilo que a fez prosseguir as suas palavras:

– Te perdoo, pai... – falou Elenya e os dois abraçaram-se como a todo aquele tempo não faziam.

— Você retornara para casa, minha filha. – respondeu Harrold Hornwood então a encarando – Você voltara com sua mãe e estará em segurança abaixo de nosso teto de onde nunca deveria ter saído.

Elenya estava sem qualquer reação naquele momento. Por várias luas tinha desejado retornar para casa, mas naquele momento tudo aquilo tinha sido tão depressa que não sabia o que fazer e simplesmente sorrira abraçando o pai mais forte.

Estaria de volta a Hornwood, teria seu quarto de volta e as outras coisas que tinha deixado para trás. Então foi que encontrou o par de olhos azuis claros que a fitavam da porta então logo desaparecendo.

"Larra" Pensou com um sorriso triste.

Notas finais
Por alguma razão, esse capitulo saiu com todos as coisas que eu aparentemente mais gosto de escrever nessa fanfic: Cenas com cavalos (fazer o que? Quem não gosta de cenas com esses animais? Desculpe-me, apenas uma das coisas que mais gosto). Relações fraternas(para quem estava querendo algo Lyonel e Elenya) e relações paternas (que era necessário) e cenas com algum drama e discussão. E mais flashbacks e introdução de personagem novo. Primeiro personagem introduzido em flashback, Errold Dustin. Saudades dos Dustin. Celinn foi abandonada pela leitora e os irmãos dela não estão tendo destaque por enquanto... Só que acredite vai rolar em breve e eu dei uma pista para vocês de algo grandioso que possa estar vindo para tanto Desmond quanto para seu Errold. Então paciência. Deixem seus comentários, esse capitulo foi enorme e eu quero ver vocês marcando presença viu? Até mais.