North War – Interativa
24 Capitulo 23
Notas iniciais
Forte Pavor
Quando Ethan Bolton finalmente chegou ao Forte Pavor, o sol estava bem acima das montanhas ao oeste. Tinha descido para o sul com sua guarnição depois de sua visita a Karhold. Quando cruzaram os portões de Forte Pavor ao lado de seus cavaleiros acabou sendo recebido por sua sobrinha neta, Princesa Larra.
Havia uma inocência nos olhos daquela menina que parecia tão errados de pertencerem a alguém nascido um Bolton. Ao lado da princesa vermelha estava posicionada uma jovem de cabelos dourados que o Lorde de Águas Chorosas sabia reconhecer como sendo a dama de companhia, Lady Elenya Hornwood.
Atrás das duas estava um homem esguio, de cabelos negros e vestindo um manto vermelho-sangue e sigilo do homem esfolado forjado no centro do peitoral de ferro. Este o ajudou a desmontar de sua sela e ordenou a algum cavalariço que levasse o cavalo aos estábulos e tratasse dele. Era Petyr Poole, capitão da guarda dos Bolton de Forte Pavor.
Para fechar o grupo responsável por recebê-lo estava ao lado da princesa à figura albina que era Meistre Lywin, alto de olhos vermelhos com uma cicatriz marcando a face. Com cabelos brancos como a neve e as correntes que desciam ao redor de seu pescoço e caiam por seu peito. Ethan não gostava de Meistres, particularmente tinha lembranças desagradáveis com um deles que tinha servido a mais de trinta anos sua família, aquela experiência fizera com que o repúdio se estendesse por outros.
— Princesa Larra – pronunciou-se Ethan que então se curvara frente à filha de seu sobrinho – É um prazer reencontra-la queria que fossem em melhores ocasiões — Ao seu lado Harrion Hornwood imitara o gesto de seu lorde também reverenciando a princesa.
— Lorde Bolton – disse Larra fazendo uma reverência – O prazer é tão grande quanto inesperado. Estivemos estranhando a sua ausência e ficamos preocupados com a falta de noticias então saiba o quanto sua vinda era oportuna.
— Estava tratando de assuntos que serão de interesse para nós na guerra que aproximasse inclusive trago um presente para sua mãe – disse Ethan e com um estalar de dedos dois soldados se aproximaram com uma arca – Uma demonstração da minha lealdade ao trono vermelho.
— Podemos saber do que se trata, Lorde Bolton? – questionou Elenya com um tom de voz que trazia certa desconfiança e ao mesmo tempo petulância.
— No momento certo, prima. – falou Harrion.
— É algo que irá servir para reconfortar-nos em nossa dor – disse Ethan – Após a tragédia que se abateu sobre nossa família. Ainda é difícil crer que meu sobrinho Royce foi executado por nossos inimigos.
— Penso que gostaria de um bom repouso — falou Larra – Creio que Meistre Lywin tenha preparado seus aposentos, milorde. – E o albino inclinou a cabeça em sinal de acordo fazendo as correntes tilintarem.
— De fato, princesa. – Respondeu Ethan — De fato me encontro exausto, porém gostaria de ter algumas palavras com a rainha-viúva em particular.
— Enviarei uma mensagem a alguém para que desperte minha mãe. – disse Larra — Ela deixou ordens para ser perturbada somente quando sua presença fosse necessária, porém creio que lhe agradara em recebê-lo no instante em que souber de sua chegada.
— Espero que tenha tido uma boa noite de repouso – disse Ethan com certa acidez no tom que pareceu passar despercebida pela garota.
Aparentemente a mulher tinha se fechado em seu luto, sofrer pelos mortos era algo realmente tolo ainda mais por alguém que sabia que não merecia. Royce Bolton não deveria ser o melhor dos maridos só que mesmo assim de alguma forma aquela mulher tinha encontrado algo em seu coração para ama-lo.
— Com sua licença, princesa, gostaria de ajeitar-me em meus aposentos enquanto sua mãe se prepara para receber-me – respondeu Ethan e sem mais mesuras ou cerimonia foi que adentrara pelas portas da entrada principal.
— Gostaria que alguém lhe acompanha-se? – perguntou Larra.
— Eu nasci e cresci em Forte Pavor, princesa. – respondeu Ethan – Essa foi à casa dos meus pais e a minha por bastante tempo. Não é como se eu pudesse esquecer seus caminhos e segredos, eu estou praticamente no meu lar... – Então se voltou para encarar a garota por uma última vez – Anuncie a minha chegada aos meus filhos creio que Eddard e Rowena queiram dar as boas vindas ao pai.
...
O infeliz prisioneiro gritou quando ele lhe cortara a pele bem abaixo do peito. Contorcendo-se descontroladamente como um animal acuado, porém apesar de seu esforço frenético para fugir não tinha como se libertar das amarras no estante de tortura. O lugar cheirava a sujeira, sangue e restos de carne podre mesmo assim cada um dos odores era o mais leve para as narinas tão acostumadas os ambientes de cheiros putrefatos.
— Isso logo vai acabar – disse Eddard enquanto continuava seu caminho agora realizando uma incisão vertical sobre o osso do esterno – Há tempos que tenho sentido falta disso — e os dois cortes do peitoral se cruzaram em uma letra T invertida – Bem, agora vamos nos divertir um pouco, o que acha?
O sangue escorria pelos cortes descia pela barriga do sujeito que se encontrava nu. Lyanna Snow recolhera a faca usada por seu senhor e a envolveu em um pano para limpar o sangue da lâmina. Tanto a bastarda quanto seu mestre pareciam bastante neutros frente o sofrimento e pânico do prisioneiro.
— Agora, vamos abrir – disse Eddard então abrindo o a pele peitoral com as mãos firmes e o movimento de quem está abrindo um espartilho. O sangue esguichou em seu rosto e o infeliz gritara e estremecera enquanto tinha sua pele e carne abertas então deixando as costelas expostas
— Vai usar o martelo agora, milorde? – perguntou Lyanna estendendo o instrumento de ferreiro junto de uma barra de ferro achatada que se assemelhava a um grande prego.
— Você sabe mesmo antes de eu pedir – falou Eddard recolhendo as peças e então apoiando a barra contra o esterno. O prisioneiro ainda tentou mexer-se apavorado, porém não se movia mais do que leves movimentos aparentemente estava quase inconsciente.
Duas pancadas de martelo para o osso se romper. Eddard então repete o movimento com duas costelas antes de puxa-las com as mãos. Naquele momento o homem já não tinha nem mais forças para gritar.
— Ai está ele – falou Eddard com um sorriso enquanto deixava o martelo e o pino de lado para puxar outra faca de seu cinto – Tão bonito, mal posso esperar para tê-lo em minhas mãos. – Então foi que cortou as artérias que ligavam o coração antes de puxar o músculo com a mão livre. Era uma sensação familiar do calor da vida em sua mão, o sangue lhe escapando pelos dedos e o pulsar das últimas batidas.
Ele olhara para a cabeça tombada do cadáver aberto a sua frente antes de levar o coração à boca e morde-lo com gosto. Sentira o gosto da carne crua e sangue enquanto mastigava o pedaço e tinha arrancado, saboreando o gosto familiar que tinha em sua língua e dentes. Certamente, o coração era uma de suas partes favoritas. Sentiu o sangue quente que lhe escorria pelos lábios e queixo.
— Quer? – ofereceu Eddard com a naturalidade de quem o faz com uma maçã. Lyanna pegara a mão dele com as suas e levou o coração entre os lábios, a bastarda lhe olhou antes de arrancar um pedaço com uma mordida muito próxima do buraco que havia ficado da que o rapaz tinha feito.
— Você tem razão – disse Lyanna enquanto com a boca cheia e o sangue lhe manchando os lábios – O gosto fica melhor quando comemos na hora.
Mordeu pela segunda vez, o gosto era firme, porém quando mascava sentia ficando macia conforme os movimentos repetitivos se seguiam. O sangue morno escorrendo por sua garganta num aspecto viscosos e morno então foi que ele engoliu.
Depois da terceira mordida, estendeu o órgão que já não se assemelhava muito a um coração para a garota. Lyanna rasgou outro pedaço generoso com os dentes e ele teve de conter um sorriso quando a vira limpando os lábios com o indicador.
Eddard lhe entregara o coração em mãos, pois se sentia quase satisfeito. Não queria perder o apetite no jantar, as pessoas reparariam se ele fosse deixar algo em seu prato. Voltou então sua faca para o cadáver para continuar o processo de dissecação já sabendo que iria limpa-lo das vísceras. Já tinha posicionado a faca sobre o abdômen magro, suado e ensanguentado quando escutara barulhos vindos do outro lado da porta.
Então ouviu o som de vozes do lado de fora da porta do calabouço. E o som das botas parou e uma sombra se projetou rasteira pelos espaços que existia entre as frestas da porta de madeira.
Havia alguém do outro lado da porta pesada de madeira localizada na outra extremidade da cela. Alguém queria entrar como notaram mão forçando a entrada e o chiar das dobradiças de aço.
Lyanna parou imediatamente de comer e deixou o que sobrara do coração de lado. Limpou a boca e engoliu rapidamente com medo até de que alguém a visse mastigar. Os atos de canibalismo do casal eram apenas mais um dos segredinhos sujos que Eddard e sua amante compartilhavam.
Eddard puxara um balde para debaixo do corpo do cadáver, ignorando a porta que havia acabado de ser aberto e os passos ritmados que seguiram para o interior da cela. Com sua faca foi que a fincara como se quisesse esfaquear alguém, então a puxara para o lado. Os passos pararam e ele deu uma rápida olhada por sobre o ombro para saber de quem se tratava então lançando um meio sorriso para a pessoa.
— Veio ajudar-me irmã? – disse Eddard – Pensei que estivesse bancando a ama de leite com o principezinho mimado. – Então puxou a faca e fizera um corte horizontal numa linha reta na direção do umbigo. Pelo corte então caiu às vísceras (tripas e estomago) que caíram em um som pesado e molhado no balde.
— Você fala sobre mim, porém você fica bancando o bom moço para cima daquela pobre garota enferma. – falou Rowena – Pergunto-me qual de nós é o pior monstro?
— Eu consigo conviver com o meu – disse Eddard enquanto se ajoelhava com uma perna no chão e a outra erguida. – Convivo com eles em equilíbrio enquanto você os sufoca vestindo sua máscara de donzela perfeitamente admirável. De boa filha... – ele riu roucamente — Mas lá no fundo, eu consigo ver em seus olhos. — Começou então limpando o corpo então cortando e descartando aquilo que não considerava bom para o consumo.
— Ver o que, seu doido? – questionou Rowena.
— Que você é uma Bolton – Respondeu Eddard então se colocou de pé e encarou a garota mais nova – Você tem o sangue frio, a fome de querer tudo que considere seu por direito e também existe a insanidade. A pergunta é com tantos sentimentos qual deles é o que fala mais alto?
— Pergunto o mesmo irmão – disse Rowena – Lembre-se de nossos planos e não os estrague por suas perversões mesquinhas. Lembre-se que todos nós estamos jogando aqui e que devemos permanecer assim então não seja tolo de ver aquela pobre coitada de outra forma que não uma peça.
— Não estou – falou Eddard e Rowena aproximou-se dele – Mas não posso dizer o mesmo de você... — Com um lenço de linho foi que limpou o sangue que havia no rosto pálido do irmão – Sei que gosta daquele garoto de uma maneira estranha, quase como se ele fosse seu próprio irmão e não eu. Algumas vezes parece tê-lo como filho, pergunto-me se está jogando tão bem a ponto de enganar não apenas a si mesmo como a mim.
— Oh, irmão... Você realmente tenta ser tão esperto que seus olhos veem mais do que deveriam ver. – respondeu Rowena enquanto continuava limpando-o — E as vezes enxerga o que não existe. – Ela então começou a contornar o queixo com o lenço que já estava ficando vermelho pelo sangue — Você e Larra...
—O que tem? – perguntou Eddard – Lhe incomoda me ver com ela?
— De maneira alguma. – disse Rowena — É algo tão interessante como tem um jeito que ela te olha. Um jeito que posso arriscar que esteja fazendo-a se apaixonar por ti, irmão. A pergunta é se você não estiver apenas jogando com ela e sinta-se realmente atraído sentimentalmente.
— Papai pediu que eu a distraísse para que não fosse um problema – disse Eddard – É o que tenho feito. Mas não nego que tenha certa simpatia por Larra, ela tem uma alma pura e doce para um corpo tão frágil e doente. É alguém fascinante, adoraria tê-la em minha coleção.
— Poupe-me de seus passatempos esquisitos – disse Rowena pondo um indicador no lábio dele – Eu não estou aqui para conversar, Ned. Papai chegou e espera por nós acho que deseja saber os avanços que temos feito.
— Preocupada? – perguntou Eddard com um meio sorriso.
— Não, tenho o nosso futuro rei em minhas mãos – disse Rowena – Como era o planejado apesar de que não havia como evitar. – Ela brincou com os cabelos do irmão — Sou uma companhia mais interessante do que a sonsa da irmã dele.
— Vá encontrar com papai – disse Eddard – Ganhe tempo para que eu tome um banho e me arrume. Não estou apresentável para vê-lo... – Ela então se aproximou perigosamente dele colando o rosto com o do rapaz e ela então farejara sua boca antes de abrir um sorriso macabro.
— Tem razão – respondeu Rowena – Sua boca está com o cheiro da morte. – Então se afastou virando as costas e dando alguns passos a frente com o seu andar sensual que deixava o rapaz prematuramente grisalho com a face um pouco sem jeito. Então houve um silêncio constrangedor no ambiente por algum tempo.
— Lyanna – disse Eddard para sua assistente que assistia a conversa deles de um dos cantos da cela com um olhar de animal assustado. A bastarda não gostava muito da irmã de seu amante, por vezes o rapaz pensava que se tratava de medo.
— Sim, milorde? – falou Lyanna.
— Termine com o nosso escolhido – disse Eddard – Sabe como se faz e depois descarte o que não prestar. – Ele pode vê-la assentir então foi que o primogênito de Ethan Bolton caminhara ao encontro da irmã se colocando ao lado dela – Vá na frente e depois eu vou. Não acho que seria bom que fossemos visto juntos saindo daqui e espero que ninguém tenha a visto entrando...
— Você tem de saber como eu sou cuidadosa, meu irmão. – disse Rowena – Tem de ter mais expectativas sobre as minhas habilidades. Há muitas que você desconhece – Então piscou na direção dele e se afastou saindo pela porta.
...
Ethan saiu de seu quarto acompanhado pelos filhos e subiu uma escada em espiral rumo ao quarto da Rainha Bethany, a viúva. O Forte Pavor é um castelo forte e agressivo em aparência, com seus altos muros e ameias triangulares que se parecem com dentes afiados feitos de pedra.
Forte Pavor tinha o seu charme convidativo e familiar apenas para alguém de sangue Bolton como não podia ser compreendido por nenhum outro que não tivesse crescido naquele lugar. Tem grossas paredes de pedra cinza escura e torres enormes com gárgulas com rostos cadavéricos humanos. Seu grande salão é sombrio e com uma coloração esfumaçada, tem suas fileiras de tochas agarradas por mãos humanas esqueléticas que pendem das paredes. Mesas compridas diante de um estrado com uma mesa alta, como o tradicional. O salão tem um teto abobadado e vigas de madeira tornaram-se negros de fumaça.
Naquele momento, porém não era momento de saudosismo ainda mais porque todo o lugar estava cheio de pessoas. Ele podia notar isso enquanto cruzava os corredores e cumprimentava rostos conhecidos como o de Lorde Sandor Ryswell ao lado da filha, Noelle. Não parou para conversar com o seu companheiro de batalha apenas lhe lançando um comprimento que foi respondido enquanto cada um seguiu por seu caminho acompanhado cada qual pelos próprios filhos.
Forte Pavor nunca esteve tão vivo e isso era errado. Parecia estranhamente errado como a tradição era o sentimento de solidão e o silêncio como o de um deserto apenas quebrado pelos gritos abafados dos calabouços no subsolo das catacumbas. Nas lembranças de Ethan cada um daqueles salões de pedra era cheio de ecos e vazios.
Quando entrara nos aposentos da rainha viu que a mesma esperava sozinha por ele, vestida em sua camisola. Aparentemente, não se importava com o pudor de estar assim na frente de homens como Ethan e Eddard já que os mandara entrar.
Bethany Dustin estava sentada na cama debaixo das cobertas enquanto escovava os longos cabelos negros. Ela não pareceu dar muita importância para os três quando entraram no quarto. Ethan fizera um sinal para que os filhos aguardassem proximos da porta enquanto se encaminhou para perto da cama.
— Beth – disse Ethan – Ah, Beth é muito bom vê-la novamente. – Ele puxou uma cadeira da penteadeira e colocou-a de frente para a cama então se sentando nela – Desculpe-me pela demora. Vim dar, meus pêsames por sua perda. Ele era meu sangue, porém você foi escolhida para passar a vida ao lado dele.
Na verdade, tinham sido apenas dezoito anos. Dezoito cruéis anos para aquela mulher como não era fácil para ninguém ser colocada como a esposa de um Bolton, daquilo aquele homem em seus quarenta anos sabia que era uma verdade.
Ethan casou-se aos vinte anos com Evelyn Locke, mas ambos eram quase estranhos mesmo às vezes que dividiram a cama um com o outro nas tentativas de conceberem filhos. Sua esposa era frigida e ele nunca fora um homem amável.
Mas os deuses se existiam tinham sido mais cruéis para Bethany, que lhe tinham cobrado seu preço para ser uma rainha. Tivera de desposar um homem sádico e de temperamento difícil, fora que os anos sem o nascimento de herdeiros e os abortos que ela tivera tinham sido uma mancha terrível para o orgulho de uma pessoa de natureza vaidosa como era Royce Bolton.
Bethany Dustin era mais nova do que Ethan por dois anos, mas agora parecia ser mais velha. Tinha perdido o belo corpo que um dia tivera, suas curvas tinham ido e tomado uma característica magra e sem graça de alguém que não se alimentava direito. O rosto era pálido e tinha rugas prematuras de expressão ao redor dos olhos. Tinha os olhos negros profundos, mas os dela eram sem brilho como a escuridão de uma caverna.
Bethany Dustin, fora bela em sua mocidade. Mesmo Ethan preferindo rapazes a moças em sua cama, ainda assim chegou por vezes a conversar e cortejar aquela mulher. Parecia ter sido em outra vida, mas tinha sido apenas há vinte anos. Numa época em que ela era uma bela donzela antes que fosse desposada por Royce e ele a destruísse.
A pequena boca tomara um sorriso petulante com os lábios em formato de coração que um dia aquele homem grisalho tinha ousado a beijar quando jovem. Enquanto a abraçava, Ethan recordou da garota de beleza simples com seus olhos perolados negros e cabelos lindos lisos e perfumados.
Lembrou-se do dia que ela se encaminhara na direção de Royce Bolton no bosque sagrado de Forte Pavor. Fora a última vez que a vira como era antes dela se quebrar e torna-se a figura assustada que era na companhia do marido. Uma jovem encantadora e cheia de esperança num casamento com um homem cruel e odioso.
Ethan sabia que o sobrinho por vezes forçara a esposa a deitar-se com ele na cama. Ela destruísse a si mesmo na busca de dar um filho varão para manter a linhagem Bolton sendo aquele resultado para aquele casamento. Ethan não sabia o que sentia por ela, parte dele sentia pena e a outra simplesmente desgostava daquela mulher. Como fora tolo de um dia deseja-la fisicamente nunca saberia.
— Está muito bem – falou Bethany se afastando do abraço – Ele selou o próprio destino quando tomou essa atitude impensada. Queria saber o que teria levado Royce fazer o que fez.
— Parece cansada. – disse Ethan para a rainha-viúva.
— Cansada. – sorriu Bethany debochada — É, meio obvio isso mesmo. Minha casa cheia de pessoas todas simplesmente fingindo se importar com a perda que sofremos como se realmente não estivessem agradecendo pela morte dele. Certamente devem estar fazendo piadas sobre como ele foi tolo de atacar uma matilha de lobos no lar deles.
— Alcateia – disse Ethan – Lobos são chamados de alcateia, matilha apenas se refere a cães...
— Não vejo muita diferença nem me importo em saber – falou Bethany que pareceu então reparar que não estavam sozinhos e que havia outros ali. – Quero falar em particular com você.
— Deixem-nos – disse Ethan — É do desejo da rainha que conversemos a sós – permaneceu de mãos dadas com Bethany enquanto seus filhos seguiam para fora, vira Eddard abrir a porta enquanto ele e a irmã se retiravam.
Então a feição dela mudou e sua mão desvencilhou-se da dele. Ethan notou a expressão dela mudando até que por fim veio o som e a dor em seu rosto.
Sua bochecha agora formigava na área onde o tapa da rainha tinha lhe atingido e naquele momento pegou-se pensando se aquilo ficaria vermelho mais tarde. Seria difícil explicar aos outros qual fora o resultado daquelas marcas.
Sentiu uma ardência no rosto e então algo quente e uma irritação na pele. Ao tocar a área sentiu a ponta dos dedos ficarem vermelhas por conta de algumas gotas de sangue. Não bastava ter lhe estapeado aquela vadia tinha lhe arranhado a face.
Ethan suspirou enquanto puxava um lenço no bolso para limpar o rosto e os dedos. Teve de conter a fúria que súbita e os pensamentos que teve de quebrar os dedos e arrancar as unhas daquela mulher com os dentes. Tudo que fizera foi se levantar enquanto ela fazia o mesmo. Agora ambos se encaravam em silêncio.
— Obrigado por não bater em mim na frente dos meus filhos – disse Ethan com formalidade.
— Será que perdeu o juízo? – exclamou Bethany irritada – Meu marido morre e você se vê no direito de convocar todas as casas vassalas e pedir que levantassem armas contra Winterfell? Você não tinha esse direito. Você não é quem comanda essa casa deveria contentar-se com sendo apenas um lorde de uma casa ramificação secundária.
— Eu fiz o que era preciso – disse Ethan – O que era o certo a se fazer numa situação dessas. As atitudes que tomei foram pelo bem dessa família.
— Trazer uma guerra até nós — esbravejou Bethany – Ordenar que um exército se mobilizasse sem permissão da coroa. Você não é o novo chefe da família. Agiu pelas nossas costas sem sequer um aviso, arrastando-nos para uma disputa desnecessária pelo que? Vingança? Lavar a honra de nossa família com sangue? Não seja a porra de um egoísta vaidoso.
— egoísta vaidoso? – Ethan teve a descencia de fingir-se de ofendido a verdade era que aquela guerra não era simplesmente movida para recuperar a honra da família.
Ethan queria realmente ser mais do que era e Beth não estava sendo louca em ataca-lo assim e nem em suas palavras. Afinal havia intenções egoístas que o motivavam a levantar os estandartes em uma marcha para a guerra. Porém, o Bolton sorrira porque era uma surpresa vendo levantar a voz e a mão para atingir-lhe diretamente. Uma atitude estupida, mas a Dustin nunca fora a mulher mais esperta mesmo para ver o quanto algumas atitudes têm consequências desagradáveis.
Um grande fogo ardia na lareira, mas não havia sinal de calor na voz de nenhum deles aquele certamente era o frio da voz de dois nortenhos. Bethany tinha deixado à máscara cair cedo demais. Mulher tola, não é uma jogadora apenas uma peça.
– Eu não iniciei guerra alguma e sim o seu marido, Beth. – disse Ethan — Foi ele quem me forçou a levantar armas contra nossos inimigos. Foi Royce que sacrificou a paz que tínhamos e agora resta a quem a não ser eu esforçar-me para limpar a sujeira deixada por aquele maldito. Foi ele quem causou a execução em um ataque suicida e agora o que devemos fazer? Um Bolton começou e outro irá por um fim. E quem fará isso? Seu filho é uma criança, eu escolhi lutar por ele e seu direito como Rei Vermelho.
— Quando lhe escrevi aquela maldita carta era para avisa-lo sobre a perda de seu sobrinho – disse Bethany – Esperava as pessoas aqui para uma cerimonia pela alma dele. Você foi além e transformou isso em uma guerra... – ela agarrou-lhe as vestes – Colocou os meus filhos em perigo. Nunca devíamos pretender lutar com eles! Iremos perder como da última vez. Deuses, Ethan, você tem ideia de quanto sangue haverá? Sabe o que você fez?
— Mãe? – disse uma voz. Bethany lhe soltara e então se virou, com os cabelos soltos rodopiando a sua volta. Os longos cabelos negros eram única coisa que ainda se mantinha bonito nela.
Rowen Bolton, Príncipe Vermelho ainda não coroado.
Rowen Bolton, o Senhor do Forte Pavor.
Rowen Bolton, o moleque que seria a ruina de sua casa.
Ethan devia saber que uma hora teria de encontra-lo e atuar como um dos mais fiéis vassalos daquele menino que nem barba ainda tinha. Teria de sujeitar-se aquilo pelo menos por um curto período de tempo até que o moleque não fosse mais um problema desagradável.
Lá estava o herdeiro tão desejado por Royce Bolton com todas as cores de sua família. O garoto estava na porta, agarrado a uma faca para esfolamento segurada em posição de guarda certamente que caso Ethan fizesse algo com a mulher seria esfaqueado pelas costas pelo filho dela. Seria uma maneira muito esdruxula de morrer pelas mãos de alguém mais fraco do que ele. Piadas seriam feitas certamente se isso ocorresse.
Uma faca de esfolamento certamente lhe furaria e o faria sangrar. Dependendo de onde acertasse e da profundidade causaria uma morte lenta e dolorosa, mas o garoto não deveria saber como manuseá-la por mais que o próprio filho de Ethan tenha sido iniciado nas tradições da família numa idade mais precoce.
Mas era uma faca então nunca deveria ser menosprezada mesmo nas mãos de uma criança. Afinal a faca de esfolamento era arma branca apesar de tudo poderia ser mortal, por mais que fosse usada tipicamente como instrumento de tortura ao serem forjadas com a lâmina fina e meio curva, sendo perfeita para arrancar peles de inimigos. Devia ser do pai, concluiu Ethan. O garoto não devia ter idade para ter uma ainda.
Era uma criança magra, pequena para a idade e certamente de saúde frágil. Sem duvidas que se adoentava facilmente, Bethany Dustin era conhecida por ser uma mulher que gerava crianças fracas. Talvez, uma doença súbita poderia cuidar de dar ao menino uma passagem pacifica apesar de trágica pela tenra idade.
— Ouvi a discussão achei que estivesse com problemas – completou Rowen.
— Não era de se espantar – disse Ethan — Sua mãe estivera quase gritando comigo aparentemente ela sente que seja a minha culpa pela morte de seu pai – O garoto pareceu confuso por alguns instantes – Talvez fosse verdade, pois se estivesse lá ele ainda estaria vivo... Eu não deixaria seu pai morrer por nada – O garoto ainda o encarava e mesmo sem encarar a viúva sabia que ela o apunhalava com o olhar era só sentir aquela sensação ruim em sua nuca.
— Quem é esse homem? – perguntou Rowen a mãe – Por que você estava gritando com ele?
— Este é seu tio Ethan, querido. – respondeu Bethany – Tio de seu pai, irmão de seu avô. Lembra-se? — O menino a olhou de relance sem expressão.
— Você é da família então? – questionou Rowen – Acho que me lembro de você. Parece mais velho do que era, seu cabelo está ficando mais branco e já estão aparecendo algumas rugas.
— Querido, isso não é nada gentil de se dizer por mais que seja verdade — disse Bethany — Devemos ser cordiais com as pessoas por mais que elas estejam caminhando para parecerem mais velhas do que são.
— Cabelos brancos representam experiência bem como minhas rugas vem da preocupação — respondeu Ethan — Eu reconstruí uma cidade das cinzas e levantei uma fortaleza antes em ruínas. Enquanto tenho de preocupar-me com avanços dos homens de ferro a nosso reino e manter meus soldados alimentados, armados e preparados.
— Obrigações demais para que uma mulher possa compreender... — continuou Ethan enquanto encarava Bethany — Creio, porém que um futuro rei consiga reconhecer esses meus esforços não é mesmo — Retornou seu olhar para Rowen e o garoto lhe encarara com os olhares azuis gélidos.
— Sim — respondeu Rowen — Eu entendo.
— É acho que já é algum avanço – disse Ethan – Você é um garoto esperto e corajoso em tentar defender sua mãe mesmo que ela não precise disso. Se você deixar-me aproximar-me, vossa graça. – O garoto pareceu gostar de ser chamado assim então ele assentiu.
— Pode vir – respondeu Rowen abaixando a faca da posição de ataque – Achei que machucaria minha mãe.
— Não, eu não seria capaz de machuca-la. Mas você fez o certo, vossa graça. – disse Ethan — Apesar de um garoto foi corajoso de sua parte... – o garoto franziu a testa parecendo irritar-se.
— EU não sou um garoto – disse Rowen com raiva – Eu sou um rei ou serei um.
— Eu sei que será, mas ainda é jovem então ainda posso chama-lo de garoto. – respondeu Ethan — Eu sou o seu tio, vossa graça. Então me deixe dizer o quão você agiu como um bom garoto quando veio protegê-la de mim mesmo sem necessidade.
— Mesmo? – falou Rowen – É claro que eu iria protegê-la é minha mãe e eu te mataria se fizesse algo com ela. Enfiaria essa faca em você e ainda posso fazer isso... – Então ele lançou seu golpe na direção do homem de cabelos grisalhos.
Ethan suspirou então agarrando o pulso do garoto o torcendo com cuidado e força o suficiente para não machuca-lo, apenas fazendo com que deixasse a faca cair no chão. Técnica fácil de combate corpo a corpo que costumava a ensinar aos homens sobre seu comando. Não era nada realmente grave, apenas o suficiente para dar uma lição naquele garoto. Garoto burro o suficiente para ataca-lo, sinceramente Rowen seria um teste de paciência se continuasse daquela forma.
— Rowen – disse Bethany tentando se aproximar furiosa, porém Ethan já tinha largado o pulso do garoto que agora o massageava em meio a gemidos de dor. — Você quebrou o pulso dele.
— Não, eu poderia faze-lo só que não fiz — disse Ethan — Não ousaria ferir a vossa graça, milady. — Porém realmente estava ao ponto de aleija-lo se fosse outra pessoa porque ninguém que tentasse mata-lo antes tinha tido um fim muito agradável.
O garoto mexia o pulso dolorido soando alguns resmungos de dor e Ethan suspirara mais uma vez. A fragilidade e atitude impensada em ataca-lo, era mais uma prova do quanto ele era fraco para governar.
O Lorde das Águas Chorosas então tinha erguido o menino novamente em pé com facilidade de tão leve que ele era. Ethan tinha dando alguns passos na direção de Rowen e ajoelhando-se de frente dele então pegando a faca do chão.
— Você me bateu – disse Rowen com os olhos lacrimejando – Como pode?
— E ficar parado esperando para ser esfaqueado? – disse Ethan – Um homem faz de tudo para sobreviver, vossa graça. Sobrevivência é um instinto normal de nós pobres almas humanas que defendemos aquilo que temos de mais precioso e vamos a atitudes impensáveis. Mesmo bater em seu regente, sinto muito pelo que fiz, porém saiba que estou disposto em redimir-me desde que me permita isso.
— Como faria isso? – questionou Rowen – O que pode fazer para que eu lhe perdoe?
– É um belo instrumento... – falou Ethan analisou-a realmente lembrando-se de já a ter visto com o seu sobrinho — Um homem sabe a melhor maneira de provar seu valor estão em suas escolhas. Fez uma escolha certa e outra errada, sabe quais foram? A errada foi atacar um oponente mais forte. E a certa foi à arma que escolheu.
— Era do meu pai – disse Rowen – Devolva agora.
— Eu a reconheço, vossa graça – disse Ethan – Tenho uma parecida comigo bem como o meu filho também possui. Uma tradição em nossa família depende dessas lâminas e é por isso que devemos respeita-la. É uma arma é importante... – ele então erguera a lâmina a altura do rosto de ambos e colocou na altura dos olhos deles – Eu posso ajuda-lo a aprender como usa-la, Rowen. Então você saberá se um homem esfolado realmente não guarda segredos. — Então guardou a faca na bainha que havia presa no cinto do garoto.
— Eu nunca esfolei um homem – disse Rowen – Já vi várias vezes, porém meu pai nunca me mostrou como fazer. – O homem depositou uma mão nos ombros dele.
— Você fará – disse Ethan – Um Bolton só reconhece o que é quando escuta seus inimigos implorando e gritando em seus momentos finais. O medo é algo incrível quando encaramos no fundo de outros olhos. — Bethany aproximou-se por trás de Rowen e tocou-lhe o ombro.
— Venha com sua mãe – falou Bethany a roupa de dormir e mexeu em seus finos cabelos castanhos – Já tivemos nossa conversa agora saia, Ethan. Meu filho não precisa que você encha a cabeça dele com bobagens.
— Beth – disse Ethan – O rapaz que deve escolher, sua coroa logo estará no topo de sua cabeça e você simplesmente vai continuar tratando-o como se não pudesse escolher. Se você tiver razão quanto aos Starks, isto é mais um motivo para o tratarmos como um rei e tentar deixa-lo tomar suas próprias escolhas.
— Não agora – repreendeu Bethany – Ele não está pronto ainda não é um rei. E ele sabe que a mamãe só quer o bem dele não é, querido?
— Este menino é o Rei Vermelho e o Senhor de Forte Pavor – lembrou Ethan — E estes não são tempos para esperarmos que cresça e esteja preparado. Eu penso que ele deve saber o quão inevitável é a guerra. Pelo que sei já tivemos uma batalha entre nossos aliados contra os inimigos da coroa vermelha...
— Silêncio! – exigiu Bethany abraçando o garoto contra si – Não diga mais nada o meu filho não precisa ouvir sobre esses assuntos.
O pequeno Rowen espreitou Ethan com os olhos frios e parados típicos dos Bolton. Sua boca tinha se crispado como de alguém que prova algo azedo e suas mãos seguraram fortemente contra as da mãe.
— Uma batalha? – disse Rowen – Tivemos uma batalha?
— Sim, tivemos – respondeu Ethan – As comitivas Ryswell e Dustin contra as forças aliadas dos lobos. Não há como negar as perdas sofridas e como a guerra agora não pode se voltar atrás...
— Não haverá guerra – disse Bethany – Uma batalha, nada demais. – então virou o filho na direção dela e erguendo sua cabeça para encara-la — Não tenha medo, meu doce menino — sussurrou – Você pode fazer isso mudar, minha vida. Faça o que a mamãe diz e a paz será mantida, tudo bem? Iremos até Winterfell e iremos reconhecer o Rei Brandon como o nosso soberano.
Ethan estava sem palavras. Aquela vadia, pensou, iria colocar um fim em seus planos indo mais longe do que ele imaginava ser possível. Recordou seu sobrinho já falecido e como ele teria estrangulado a esposa caso ouvisse aqueles descabimentos saindo da boca dela. Ele não ficaria parado vendo o Norte ser entregue tão facilmente para os Starks daquela forma sem qualquer luta. Mais uma razão que fortalecia seus planos de tomar o poder para si, não apenas como um Rei Vermelho. Ele seria o responsável por unificar o Norte novamente sobre um único regente após aquela guerra.
— Estará cometendo um erro se fizer isso – disse Ethan.
— Assim estaremos a salvo – disse Bethany.
— Não seja estúpida – disse Ethan, com a ira crescendo dentro dele tentando conter em suas palavras – Ninguém está a salvo. E você não estará nem a Rowen se decidir leva-lo até a cova dos lobos e oferecer-lhe de banquete para que seja devorado em Winterfell. Quer saber o que acontecera? Vocês serão feitos prisioneiros. – Ele fez uma pausa e apontou o dedo na direção dela — Se pensa que ajoelhar-se e fazer com que renunciem ao titulo que nossa família detém de reis vermelhos fará com que os Starks a esqueçam o que aconteceu saiba que está muito enganada.- Bethany puxou o filho contra si e o abraçou novamente, o garoto porém se esquivou do abraço e voltou-se para o tio.
— Eu não quero deixar de ser um rei – disse Rowen – Por que eu tenho de fazer isso?
— Porque é a melhor escolha, meu filho. – disse Bethany.
— Não, porque sua mãe pensa que perderemos a guerra – disse Ethan – Ela está assustada que algo aconteça com vocês. Teme por você e suas irmãs, porém não há razões para haver medo.
Mesmo se conseguissem trazer um exército até Forte Pavor. O fim será sangrento, o Rio das Águas Chorosas é praticamente mortal durante as cheias. Sua correnteza irá afogar qualquer um que tente atravessa-lo em marcha e caso tentem faze-lo em barcos nós iremos tratar de afunda-los. Nenhum inimigo poderá atingi-los, vossa graça. Garantirei a sua segurança se permitir bem como sua posição como rei.
— A guerra sempre trás mortes... – disse Bethany – Sua guerra contra os nascidos do ferro trouxe a morte a meus sobrinhos. – Acusou a mulher a Ethan Bolton — A guerra contra os selvagens me tirou o meu irmão. Uma guerra que dura gerações contra os Starks foi a responsável por colocar um fim à vida de meu marido. Pergunto-me quanto mais sangue de minha família verei antes de morrer? Não irei perder meus filhos e a paz é um preço barato a se pagar para garantir isso.
— A paz é apenas uma consequência da guerra – disse Ethan – E é um fato de que ela é apenas uma consequência como ela não é para sempre. As pessoas são desprezíveis porque esse é um mundo cruel, Beth. Pessoas não se diferem tanto dos animais que matam pela sobrevivência, nós matamos por fome de outras coisas...
— Os humanos tem fome por poder ou ouro, desejamos aquilo que não temos porque nossa ambição nos fez sempre desejar mais do que temos. O homem sempre buscara consegui-las usando as armas que dispõem. Os fortes partiram para a violência enquanto os espertos buscaram usar da sabedoria. Mas no final nenhum deles conseguira o que deseja sem precisar lutar. — Ele caminhou-se para a saída do quarto então colocando a mão na maçaneta e abrindo a porta.
— Todos nós uma hora ou outra iremos precisar suas nossas mãos com sangue... – concluiu Ethan — Essa é a verdade cruel desse mundo insano. – Ele encarou a mulher de cabelos negros a sua frente — Depende agora de você aceita-la. Porque não somos diferentes dos animais lutando pela nossa sobrevivência. E se não formos fortes ou espertos acaba por ser o nosso sangue que será derramado e nós passamos de predadores para a presa abatida.
...
Mais tarde naquela noite, Rowena encontrou-se em frente a porta dos aposentos de seu pai. Dera algumas batidas delicadas contra a madeira quando por fim pode escutar a voz de Ethan Bolton lhe respondendo e assim foi que girou a maçaneta para entrar.
Encontrou um quarto a meia-luz, a claridade do comodo provinha das chamas da lareira dando um ar fantasmagórico as sombras do mobiliário. Seu pai encontrava-se em frente ao fogo e sua figura meio iluminada voltou-se para encara-la com os seus pesados olhos claros.
— Chamou-me, pai? — perguntou Rowena da forma mais delicada possivel, era indispensável que quando se tratava do pai deveria mostrar-se mais inocente do que realmente era.
— Sim, chamei — disse Ethan então lhe estendendo uma taça de vinho — Bebe comigo, minha filha? Precisamos conversar a respeito dos meus planos e quero saber como tem estado a sua parte em isso tudo — Rowena sorriu enquanto pegava a taça das mãos do pai e dava um gole.
— Perfeitamente como esperávamos — disse Rowena — O jovem Rowen e eu sempre tivemos uma ligação interessante e é conhecido que meu irmão tem cuidado para manter Larra ocupada. A pergunta é meu pai, que temos seguido devotamente suas ordens e nem ao menos sabemos quais serão seus planos propriamente ditos...
Ela sabia a verdade, não era qualquer estúpida de não conseguir definir o obvio e era claro que estaria disposta a colaborar com os planos de Lorde Ethan Bolton enquanto lhe convinham. Mas não seria leal aquele homem, no momento certo seria ela a tomar as rédeas da situação. Era mais fácil deixa-lo sonhar suas conspirações pessoais só para depois tê-las roubado dele. Seu velho pai nunca estivera tão próximo do que sempre almejara e era algo delicioso tal qual aquele vinho vê-lo achar que estava com tudo sobre controle.
— Pergunta-se isso, mas a verdade está diante de seus olhos — disse Ethan — Minha princesa, você é minha filha não tente enganar-me achando que é tão obtusa ao ponto de não saber o que eu desejo. Você sabe o que é... E eu terei só que para se torne realidade devo confiar em seus talentos para ludibriar aquele jovem rapaz.
— Rowen é apenas valioso demais para nós e uma peça importante para tudo. — disse Rowena — Não é assim que o vê? Deseja que eu ganhe a confiança dele por conta de tratar-se do novo Rei Vermelho.
— Sim — disse Ethan — É destatavel o pensamento de que nossa familia agora tenha como membro mais importante um garoto tolo demais para saber o quanto de poder possui. Ele será um fantoche nas mãos da mãe se não fizermos algo... — Ele fez uma pausa — Temos que orienta-lo, seria suspeito se eu o fizesse... Já você? — As mãos do pai passaram o rosto da filha — É alguém mais acessível, uma moça jovem e doce que apegou-se a um jovem que acaba de perder o pai. Quem poderia suspeitar de você?
— Eu irei ajuda-lo, meu pai — disse Rowena pegando a mão dele e a beijando — Eu lhe prometo que pode confiar em mim que não irei desaponta-lo — E o homem lhe puxara e beijou-lhe a testa. Ele crê que é o único jogador nessa história toda, oh meu pai você não é tão inteligente como imagina. — E quanto ao meu irmão?
— Conversei com ele — disse Ethan — Antes que você viesse, nos encontramos aqui e tivemos uma conversa sobre os próximos passos que ele deve tomar. Eddard pareceu um tanto inseguro, porém aceitou minha ordem e irá cumpri-la. Mais um passo está para ser dado e se tudo der certo então estaremos caminhando para retornarmos para nosso lugar de direito.
— Ao que se refere, meu pai? Não compreendo o que diz sobre nosso lugar de direito. — disse Rowena e naquele momento estava verdadeiramente surpreendida porque não sabia ao que seu progenitor poderia estar se referindo naquele momento.
— Seu irmão irá pedir a mão de Princesa Larra — disse Ethan — E ela provavelmente aceitara, afinal está encantada pelo primo. Eddard tem sido tão solicito e a tratou tão bem como um verdadeiro cavalheiro faria... — Ele girara o vinho dentro da taça e levou próximo dos lábios — O amor é a maior fraqueza que há e seriam tolos aqueles que não são espertos o suficiente para usar deles para alcançar o que desejam.
— Então... Larra será minha... — disse Rowena crispando os lábios com certa irritação antes de bufar porque justo ela? Larra tinha ofuscado seu brilho desde o nascimento e agora seu pai simplesmente iria dá-la ao irmão. De tal forma, seus planos ainda podiam ser praticados afinal Eddard já noivara uma vez e não chegara a se casar.
— Eu sei de que não se dão bem. Assim como tenho conhecimento da proximidade que existe entre você e Eddard... — disse Ethan ao ver o silêncio dela — Mas é necessário, minha querida. Uma manobra politica que nós dará mais chances sem falar nas opções que viram desse casamento como... — ele fizera um sorriso — A possibilidade de que um dia o filho deles possa reivindicar o trono vermelho. Como Larra é a herdeira de Rowen até que ele tenha filhos e isso irá demorar... — Então deu um gole em seu vinho.
Ou nunca acontecer, pensou Rowena deduzindo os pensamentos do pai. Rowena ficara em silêncio enquanto tomava mais um bocado de vinha, naquele momento já compreendia as intenções dele e isso lhe deu certa repulsa.
Se aquele homem fizesse algo contra a vida de Rowen ou mesmo estivesse planejando tal não iria permitir. Não havia limites para Ethan Bolton e não é como se ele fosse sentir algum remorso no assassinato de uma criança. Ele já o fizera uma vez no passado e a ligação de sangue não o tinha impedido.
— Eu entendo, meu pai. — disse Rowena depois de tanto tempo em silêncio — Não suporto toda aquele sentimento de piedade que ela faz com que os outros tenham dela. Mas se ela é importante para nós então posso suporta-la.
— Eu não esperava menos de você — disse Ethan então andando até próximo de uma mesa de canto e pegando um jarro com a mão livre — Deseja mais vinho? — ofereceu e a filha negou, o homem então pousou sua taça sobre o móvel — Eu deveria agradece-la por sua colaboração, minha filha. — Ele tornou-se a aproximar da moça — Mesmo depois do que lhe fiz...
— Pai — disse Rowena agora tendo de conter sua raiva e esconde-la atrás da face de uma garota ainda abalada. Suas mãos tremiam em ira e o pouco de vinho que ali sobrara tremia como um mar de sangue em fúria. — Eu não quero ter de relembrar.
— Eu sei — disse Ethan — Nem eu desejo. Mas o que fui obrigado a fazer foi pensando em você. — Não, você não fez pensando em mim e sim em você porque no final é egoísta o bastante para não se preocupar com ninguém a não ser consigo mesmo, pensou Rowena — Em como aquilo teria maculado a sua honra para toda a vida. E o peso que representaria aquilo para... — Então ele parou ao perceber que a garota tremia.
Você não tinha esse direito em decidir por mim, era minha honra e meu peso que eu estava disposta a carregar... E você tirou isso de mim. Ela urrava internamente enquanto a pressão em sua mão continuava a apertar firmemente a taça até o objeto partiu-se e ela sentiu o vidro cortando seus dedos. Então foi que ela sentiu o pai pegar sua mão e envolver-lhe o corte com um lenço de seda.
— Eu não devia tocar nesse assunto — disse Ethan — Só quero dizer que um dia você irá compreender minhas ações. Alguns sacrifícios devem ser feito para o bem por mais difíceis que possam ser. No final tudo irá ter valido apena, espero que compreenda isso...
— Obrigado, eu entendo sobre como deve ter sido difícil — Mas compreender que um avô matou o próprio neto recém-nascido por ser um bastardo? Que não permitiu que uma mãe não pode segurar seu bebê nos braços após ele nascer? Não, isso eu não irei. — Irá cumprir o que me prometeu?
— Um dia eu irei leva-la até onde ele está — disse Ethan — Poderá deixar flores... Quando for chegado o tempo certo você saberá. — Ele fez uma pausa — Até lá temos assuntos maiores para nos preocupar. A encantadora rainha deseja oferecer um acordo de paz para os Starks...
— O que irá ser feito a respeito? Essa guerra irá acabar antes de começar? — disse Rowena não conseguindo esconder sua insatisfação com a noticia desagradável.
Afinal não tinha passado por tudo para que falhasse no final e não desse certo. Tantas luas manipulando Royce até o ponto de fazê-lo atacar Winterfell e perder a cabeça para que aquela guerra estourasse para que tudo se resolve-se pacificamente. Ela não tinha convencido Royce a envenenar Robett como represália pelo banimento de Richard a Muralha por nada.
E não estava no maior de seus humores com a falta de avanço que Hornwood tinha tomado em sua missão. Mesmo o vigia que tinha colocado para informa-la de cada passo de Lyonel em sequestrar Matthew não tinha mostrado-se competente como a dias que não recebia um corvo.
— O confronto que o filho de Lorde Ryswell liderou contra os aliados dos lobos. Ainda assim... — falou Rowena tentando ver esperanças só que sabia que se assim desejasse Brandon e Bethany poderiam colocar um fim em tudo apenas com uma pena e tinta. Então finalmente fez uma pausa quando notou o olhar do pai.
— A guerra ainda irá acontecer — disse Ethan — A paz não é uma opção viável e apenas levara a descrença de nossos aliados em nossa casa. Sem falar que junto com a paz vem outra coisa que só de pensar me enfurece... — Ele fez uma pausa e encarou a filha — Terei de resolver esse obstáculo. — Ela já estava imaginando o que viria e teve a decência de fazer uma cara de chocada por mais que se tratasse de uma jogada previsível, porém ainda assim arriscada caso algo saísse errado.
— Rowen ficará mais fragilizado — disse Rowena em resposta — E eu estarei lá por ele para apoia-lo em sua raiva e ódio que irão vir. — O homem lhe acenara com a cabeça.
Sem falar que agora parecia tão claro ainda mais com as últimas informações que recebera do pai. Eddard revindicando a mão de Larra algo que Bethany Dustin nunca aceitaria em vida.
— Como eu esperava que você fizesse — respondeu Ethan.
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