Notas iniciais
Vamos dar uma olhada Além da Muralha, hein? Boa leitura.

Escada dos Gigantes

Brie estava enrolada em suas peles e deitada próxima do fogo interno da tenda que dividia com Una. Quanto mais ao norte seguiam cada vez mais o frio parecia lhes encontrar e a tática usada em criar uma fogueira dentro de um amontoado de pedras revelou-se um truque selvagem bastante útil.

As pedras eram postas intercaladas fazendo com que a iluminação criada pelas chamas vazasse pelos espaços e deixasse o ambiente interno à meia-luz. Na mente fértil da princesa aquilo lhe lembrava duma torre em chamas. Pelo espacinho no topo fugia a fumaça dançando rumo aos céus até a abertura no teto da tenda.

A verdade era que estava sem sono como estava a um dia de caminhada do acampamento oficial do Povo Livre. Seus pés doíam pela longa caminhada que estavam fazendo, era uma sensação estranha que nunca tinha sentido e em seus pés surgiram calos que a estavam incomodando. Em sua mente passara de como nunca em sua vida pensou que iria andar tanto como sempre havia alternativas melhores do que andar com os próprios pés tais como cavalos.

Cavalos, nunca pensou que sentiria falta de algo que parecia fazer parte do seu dia-a-dia. Como sentia falta de cavalgar ao lado dos irmãos. Aquilo provavelmente a única coisa que Atena e ela tinham em comum e gostavam de compartilhar uma com a outra. Mesmo que a mais nova por vezes a provocasse galopando para longe e a deixando para trás. Brie pensava que a irmã deveria amar o som da sua voz chamando pelo nome dela em desespero.

Matthew tinha uma ferocidade, costumavam chama-lo de lobo herdeiro por conta de sua posição como futuro Rei do Norte após o pai deles. Como se tudo que houvesse no irmão fosse isso, talvez por crescer sobre esta estigma e expectativas que seu irmão provavelmente pensou que era tudo o que importava. Vivemos a base de expectativas dos outros e isso a loba gentil conhecia bem.

Ela e o irmão sempre foram muito próximos. Era Matt que lhe acolhia em sua cama quando ela tinha um pesadelo e era ele que a acalmava depois de uma queda e quem enxugava suas lágrimas. Podia estar apenas fazendo seu papel de irmão mais velho, mas para ela era importante.

Brie cuidava de todos e sempre pensou o quanto queria alguém para cuidar dela. Rodwell Karstark pareceu que o faria, só que ele a deixou cedo antes que o pudesse chamar de esposo. Ainda doía pensar nele sendo que naquele momento foi que instintivamente sua mão foi no colar que usava.

Matthew, ela sabe que não deveria ter irmãos favoritos só que o dela era ele. Ambos se compreendiam da mesma forma que era com Atena e Noah bem como um dia poderia se formar entre Hoster e Sybill.

Brie sempre achou que o irmão deveria ser chamado de Lobo Feroz por conta de seu temperamento forte. Sua coragem, sua responsabilidade e dever lhe fazia colocar Brie sempre atrás dele. Ele e ela eram como complementos um do outro.

Matthew sempre a protegia, seu amado irmão podia alternar de um olhar carinhoso para uma fera frente ao seu instinto protetor. O pai deles chamara aquilo de despertar do lobo, sobre como cada Stark tinha o animal dentro deles. O príncipe de Winterfell, muito emocional para uma posição que devesse usar a razão, mas Brie não podia dizer nada quando ela mesma tinha tal defeito.

Noah era mais descontraído e leve, porém não devia ser descartado afinal ele ainda era um Stark por mais que distorcesse por outro caminho não muito digno de um príncipe. Com uma vida agitada, vexaminosa e promiscua. As ressacas dele, os momentos em que Noah comparecera sobre o efeito de álcool em algum evento ou mesmo em se ausentou sem explicação. Mas o que mais lhe incomodara fora a vez em que o mais novo trouxera uma rameira para baixo do próprio teto da família. Aquele ato vergonhoso nunca seria esquecido, por mais que fosse a mãe da pequena bastarda o lugar dela não era ali.

Uma parte dela ficara aliviada quando Kena desaparecera sem deixar rastros, por mais que isso a envergonhasse em pensar ainda assim achava melhor que Louise crescesse longe da mãe. Mesmo uma bastarda poderia se tornar alguém na vida longe de maus exemplos dos pais. Ao menos as mulheres da família poderiam ensina-la como se comportar como uma dama, afinal o que uma prostituta poderia lhe ensinar? Ainda mais uma que havia aplicado um golpe daqueles em um príncipe que apenas o próprio não conseguia enxergar.

Era horrível pensar, mas a princesa concordava com o pai sobre remover aquele problema, uma pena que o irmão não tenha aceitado a melhor decisão que fora tomada para o próprio bem dele. Mas Noah se lembraria, porque é assim com os nortenhos em geral: Eles se lembram.

As pessoas o chamavam de lobo boêmio ou aqueles que não gostavam dele de lobo bêbado, mas a verdade é que ele poderia ser perigoso como um lobo por mais dócil que estivesse antes como um cão. Todo o lobo tem dentes mesmo um que se diferencie tanto da alcateia. Bastava despertar esse lado dele.

Noah também tinha uma alma de proteger as pessoas com quem se preocupava. Ele fazia isso por Atena e pelos irmãos mais novos que ele porque por mais irresponsável que pudesse aparecer havia aquele sentimento protetor pelos mais fracos, incrivelmente o rapaz sempre teve um jeito mais protetor com crianças mesmo antes de se tornar pai.

Havia algo de bom no segundo príncipe que geralmente ele tentava esconder, porém algumas vezes falhava era só vê-lo agindo como pai para Louise. Que os deuses impeçam que algo aconteça com aquela criança, seu irmão enlouqueceria.

Então existia Atena, sua irmã menor que diferente dos outros foi a que menos precisou ser protegida por ela. A loba selvagem era tudo que Brie não era.

Honrando o sangue que lhe corria das veias de ambos os lados da família, ela podia ver isso pela forma como a vovó Maege olhava para a mais nova. Um olhar de orgulho bem diferente do que a Lady da Ilha dos Ursos dirigia para a mais velha dos Starks. Se não fosse por Lizbeth, talvez fosse segunda princesa a neta favorita da Ursa Maior.

Brie sentia que havia uma barreira entre elas como se algo estivesse sendo escondido. Quando foi que essa barreira foi sendo construída e por que isso aconteceu? Talvez fosse culpa dela por não ter se esforçado suficiente ou quem sabe a irmã simplesmente não queria ser protegida por ela e assim Brie aceitou. Não importava mais de qualquer forma.

Atena, a pequena loba que mesmo assim não se podia ser subestimada. Porém, ela nunca sentiu que a mais nova estivesse sendo totalmente verdadeira com ela. Elas nunca tiveram uma conversa de coração para coração, porque a mais nova sempre parecia reprimir suas fraquezas apenas deixando explodir sua força. Porque um lobo acuado e assustado sempre irá mostrar os dentes. Menos quando se trata de um espirito domesticado como Brie Stark que não honra o sangue de sua família.

Hoster e Sybill eram novos demais, ainda não haviam despertado esse lado deles. Seus irmãozinhos... Como sentia falta deles só em pensar em seus rostos. Eles ainda eram doces crianças com um temperamento amável e talvez fosse por isso que Brie tinha por eles um carinho tão grande. Um carinho quase materno porque ela tinha ajudado a mãe a cuidar deles desde cedo.

Ela pode sentir ao seu lado a respiração quente de Una em meio ao sono. Quando o frio se aproximara foi que a selvagem abandonou o lado oposto da tenda e se colocara ao lado da princesa. Fora estranho na primeira noite e ainda continuava dessa forma, dormir abraçada com uma mulher adulta lhe causara um incomodo que não havia quando os irmãos mais novos vinham para sua cama no meio da noite.

Ter o corpo de Una contra o seu lhe abraçando certamente fora uma experiência nova como tudo que vinha acontecendo. Ao menos era a curandeira que dentre os selvagens até ali tinha se provado a mais amigável mesmo com seu jeito hostil por vezes e o tom de voz passivo-agressivo. Mais era em quem mais estivera confiando naqueles últimos dias por mais que fosse errado pensar nela como alguém digna de sua confiança.

Foi então que sentiu Una se mexendo e pode vê-la tirando o braço do redor dela para erguer o corpo apoiada nos cotovelos. Brie fechara os olhos fingindo que dormia. A princesa pode sentir o olhar da selvagem sobre si por alguns segundos então a sentindo continuar a se mexer provavelmente sentou-se era quase certeza.

Por fim sentiu-a usar as mãos e revirar nas peles que as cobriam em busca de algo. Brie sabia que tinha de ser ela pegando uma faca que trazia escondida em uma das botas de pele de foca. Foi então que escutou a voz dela e seu corpo estremeceu pela surpresa.

— Apareça – disse Una sussurrando para não acorda-la – E diga o que quer – Aquilo soava como uma ameaça o que confirmava o fato da selvagem estar armada com uma faca.

O som da entrada da tenda balançando indicou que alguém tinha entrado e dos passos foram apenas a confirmação. Parte dela queria abrir os olhos, porém Brie sabia que se mostrasse que ela estava desperta provavelmente eles não iriam falar na frente dela o que estava acontecendo. Uma visita no meio da noite não era algo bom mesmo daquele lado da Muralha.

— Morrdu está te chamando quer mostrar para nós algo – falou uma voz que ela reconheceu como de Fergus no mesmo tom de voz baixo – Venha.

— Apenas comigo ou devo acorda-la? – falou Una e novamente a princesa sentiu como se a olhassem. Dessa vez pareciam olhos que as fitavam de ambos os lados no caso os dois pares pertencentes ao casal.

— Deixe-a dormir – disse Fergus – Não é assunto dela e não quero vê-la causando algum acidente por não ter dormido direito. – Ele fez uma pausa — Vamos escalar a montanha pela manhã e ela precisa estar descansada.

— Poderiamos contornar – falou Una.

— Muito longo – falou Fergus – E Morrdu quer que cheguemos amanhã pelo sol em pino no acampamento. – Então foi feito um silêncio – Que foi?

— Por que você não chama de casa? Estamos lá a tantas luas não é como se estivéssemos migrando ou em uma caçada. – disse Una – Não é só um acampamento e sim nossa nova casa.

— Nossa casa é na Costa Gelada – respondeu Fergus – Foi aonde crescemos e de onde nossos pais vieram. Quando estivemos por lá há alguns dias eu me lembrei de tudo o que passamos por lá.

— E você ainda chama de casa – disse Una – Se lembrou de tudo deve ter lembrando não apenas de coisas boas como das ruins também. De como perdemos muitos pela fome e frio... – Brie pode escutar um peso na voz dela – Nossa casa não é aquele lugar. São as pessoas com quem nos importamos. Você é minha casa, Fergus. Assim como Calder, Odamay... – ela fez uma pausa — Deva, Mungo e o resto de nosso povo.

— Eu sei – disse Fergus – É que eu apenas queria um dia voltar para o lugar de onde viemos.

— De onde viemos não é importante e sim para onde vamos – respondeu Una – Vamos, essa conversa vazia está nos fazendo perder tempo. — Brie pode sentir Una rastejando para fora das peles e então se erguendo. Então o som de passos e por fim foi que pode abrir os olhos.

Estava sozinha com apenas o som do fogo que queimava os gravetos dentro da torrinha de pedra. Ela girou o corpo e ergueu-se, então buscou apoio nos cotovelos e inclinando a cabeça para fitar pela entrada que era a fresta na tenda. Ela pensou por alguns segundos antes de se levantar e segui-los.

...

Brie andou como se fosse uma fugitiva na ponta dos pés. Estava a uma distancia deles quando os viu se reunindo com um pequeno grupo de selvagens e entre eles havia Morrdu que parecia como um urso sobre as patas traseiras devido a sua capa. Também pode reconhecer a careca de Mungo que estava de costas para ela e também havia Keira, a loba do casal de feras pertencente à Erdan, o que certamente indicava que o warg estava em meio ao grupo mesmo que não o estivesse vendo.

Contornou o grupo e aproximou-se por detrás a uma distancia em que podia ver o que todos olhavam se tratava do mirante em direção dos pés da Escada dos Gigantes. E ali, havia um brilho chamativo como o de um vagalume na noite, porém não piscava sendo algo constante.

Uma centelha a distância aos pés da inclinação montanhosa que subiam, era como uma estrela caída solitária na escuridão. Era vermelha e não tremeluzia, embora às vezes seu brilho se intensificasse provavelmente acompanhando o ritmo do vento noturno. Era tênue e pouco luminosa, porém ainda assim chamara a atenção de onde estavam.

E por alguma razão era uma fogueira. Estava a cerca de novecentos metros deles e distância e cem abaixo de onde estavam, julgou Brie (isso se os cálculos que aprendeu a fazer em um dos livros da biblioteca de Winterfell tivessem sido feitos corretamente como sempre havia uma margem para erro).

— Grupo de caça? – perguntou Deva quebrando o silêncio e fazendo com que a princesa notasse a esposa de lança parada ali próxima de Mungo – Wolfgang pode ter enviado algum para cá para caçarem.

— Só se nós formos à caça – disse Morrdu – Não acho que seja nosso bando se querem saber – E um silêncio prosseguiu até ser quebrado.

— Corvos? – disse um dos selvagens do Clã do Rio de Gelo com um tom de interrogação, o mais velho do grupo depois de seu líder, Morrdu.

— Era esperado que fossem vir atrás da fêmea – disse Morrdu com azedume na voz – Não é mais qualquer e sim uma das crias do tal lobo que governa os sulistas – Brie achava estranho o modo como o velho falava tratando-os como animais. Havia o escutado falar assim antes, talvez fosse parte do clã deles pensar daquela forma.

— É hora de despertar o resto de nós, levantar o acampamento e continuarmos com o nosso caminho – disse Fergus e todos voltaram o olhar para ele – Não fomos vistos porque se não há essa hora teríamos sido atacados. Vamos colocar alguma distancia entre nós e eles enquanto descansam.

— Com medo de alguns corvos? – debochou Morrdu em uma risada debochada.

— Apenas dizendo que é o certo a se fazer – respondeu Fergus com a voz dura – Eu não temo os corvos já os matei com minhas flechas que deveria passar a chama-los de patos de tão fácil que foi.

— Se ele soubesse que acender uma fogueira os denunciaria prefeririam dormir abraçados uns aos outros quase colocando os seus paus enrugados na bunda uns dos outros. Agora estamos aqui pensando se vamos poupa-los ou se vamos derramar um pouco de sangue – disse Mungo – A resposta é certa, vamos encontrar esses infelizes e fazer aprender que o norte não os pertencem e nem suas vidas quando eu descer meu machado. – O Thenn era ameaçador com porte musculoso como um pedregulho.

— O fogo é vida aqui em cima – disse Una.

— Mas para eles será a morte – respondeu Erdan e Brie então o notou sentado de pernas cruzadas no chão e com os olhos brancos. Ele estava wargando Raike, o lobo macho que se encontrava ausente.

— Nós estivemos obedecendo a ordens de Wolfgang a risca até agora e não fomos notados – disse Una tentando argumentar com o grupo – Nós não arriscamos chamas abertas desde que começamos nosso caminho nas montanhas. Comemos a carne das focas que caçamos na costa, as castanhas que colhemos nas árvores a caminho daqui e sopa de ossos. Porque caçadas nos desviariam e iria ser maior a chance de trombarmos com eles.

— Devem ter um berrante – falou um dos subordinados de Morrdu do Clã do Rio de Gelo. Brie observou que eles tinham ignorado a fala de Una. O homem na capa de urso respondeu:

— Um berrante que vão soprar e chamar o resto do bando – disse Morrdu então se voltando para Erdan – Responda quantos corvos tem ao redor do fogo?

Brie deveria ter imaginado que eles tinham enviado o warg para sondar os membros da Patrulha da Noite através dos olhos do lobo. E por alguns segundos ficaram em silêncio esperando a resposta de Erdan que então veio:

— Tantos quantos nós – disse Erdan – Trinta ou quarenta não há como contar. Há tendas, a maioria dorme e não me vê caminhando por entre elas. A fogueira tem apenas os vigias ao redor cerca de cinco. – Então ele grita e a princesa teve de aguentar a vontade de soltar um também de susto, porém se conteve.

— Erdan? – perguntou Una preocupada enquanto via o warg tocar a lateral do corpo com uma das mãos – Eles te viram?

— Os corvos atiraram em mim – disse Erdan ainda com uma careta de dor – Esses fodidos me acertaram com uma besta. Mas não vai ficar assim não... – então se prosseguiu outros momentos de silêncio enquanto todos encaravam o warg que mantinha seu olhar vazio focado no horizonte. Foi então que outras caretas surgiram até que por fim ele caísse de costas no chão segurando o peito no lugar onde estava o coração e ele gritava.

A loba ao ver o dono se debatendo ficou assustada e foi para detrás das pernas de Una. A curandeira, no entanto aproximou-se e ajoelhada ao lado do amigo lhe deu apoio segurando a mão dele apoiando a cabeça dele em suas pernas.

— Saia agora dele – disse Una – Você tem que sair, Erdan. – O continuara gritando e de seus olhos escapavam lágrimas aflitas – Erdan?- Os olhos dele retornaram ao normal e o selvagem agora tremia como uma criança assustada. – Vai ficar tudo bem... — A respiração do sujeito estava difícil como de alguém que tinha desperto de um pesadelo.

— Metade do grupo vai descer e destruir os corvos – disse Morrdu – A outra parte deve prosseguir o caminho de entregar a sulista ao Wolfgang. — ele afastou-se — Acordem os que ainda dormem e os digam que a noite nos reservou sangue.

— Mungo – disse Una chamando o Thenn – Eu sei que deseja ir para a batalha. – o homem alisara as tranças de sua barba dando um olhar para o warg — Mas preciso de você para carregar o Erdan, ele está bastante frágil depois da perda que sofreu.

— Eu consigo – disse Erdan tentando se levantar só que deu uma balançada, porém foi apoiado pelo guerreiro – Só preciso de um tempo.

— Você não está em condições de caminhar com as próprias pernas – disse Mungo – Sem orgulho dessa vez, Erdan. – Então colocou o braço do outro ao redor de seu pescoço — Eu te ajudo agora, meu amigo.

Brie não esperou para ver o que se desenrolaria dali. Tinham lhe dado uma esperança de fuga bastava que ela encontrasse com os patrulheiros que certamente estavam em uma missão de encontra-la. Porém, tinha de ser rápida caso do contrário eles iriam descobri-la então retornou rapidamente pelo caminho de onde tinha vindo rumo a descer o terreno montanhoso de encontro para a floresta.

Sentiu seu coração batendo contra seu peito enquanto corria foi então que escutou uma voz chamando, mesmo assim não olhou para trás apenas persistindo pelo caminho ainda podendo ver a luz da fogueira dos patrulheiros ao longe no horizonte. Foi então que gritara e seu corpo se desequilibrou no meio da corrida com a dor que lhe afligiu.

Só teve tempo de sentir algo lhe acertar as pernas e ela caiu de cara contra o chão. Ela tentou se levatar, porém ainda sentiu-se incapacitada, pode escutar os passos se aproximando enquanto ela gemia e ofegava no chão. Removeu os cabelos que caíram sobre sua face e em seguida tentou apoiar os joelhos no chão falhando miseravelmente.

Ela apoiou-se nos cotovelos. Usou as mãos para erguer o corpo e girar. Foi então que seus olhos fitaram uma visão que lhe fez gelar. Os seus lábios tremeram querendo chorar ao ver a cerca de dois palmos de distância de seus pés.

Ela pode ver a loba abaixando o focinho e a farejando então mostrando os dentes pontiagudos e rosnando. Pensou a ironia que seria se fosse morta pelo símbolo de sua casa, seria mais uma vez o destino pregando suas peças. Keira lhe contornara em um trajeto em meia lua para encara-la de frente.

Ela então farejou seu rosto e Brie pode sentir o bafo quente contra sua pele. Se para a princesa estar na companhia de Artêmis, a loba de estimação de sua irmã, já lhe dava um sentimento de insegurança então estar frente a frente com uma fera com o dobro do tamanho lhe deixava em pânico. Os olhos amarelos da fera refletiam sua face apavorada.

— Você não vai fazer nada comigo – falou Brie em um sussurro tentando erguer a mão na direção da loba então parando no meio do caminho.

O segredo é não demonstrar medo mesmo que o sinta, falou Atena em sua cabeça, ninguém precisa saber além de você. Podemos ser corajosos quando estamos com medo? Lembrou-se das palavras que um dia Lizbeth lhe perguntara. É nesse momento em que temos coragem, respondera Brie na época.

Foi então que ergueu a mão na direção da loba e a tocou então sentindo os pelos quentes dela e o focinho gelado contra a palma de sua mão. Não havia sangue fresco na boca de Keira, o que significava que ela não a tinha mordido e a derrubado. Então o que seria? Tentou se mexer porém sentira apenas dor.

Sua perna doía e só piorou quando olhou para baixo e percebeu uma flecha transpassando sua panturrilha e o sangue lhe jorrando da ferida manchando a neve abaixo dela. Estava ferida? Realmente, alguém tinha a avistado foi então que percebeu alguém se aproximando e dando a volta ao redor dela.

— Você foi avisada – disse Fergus e Una vinha logo atrás – Nós sabíamos que estava nos seguindo. E eu sei que ia tentar escapar quando soubesse do grupo de patrulheiros tão perto de nós.

— Estou ferida – disse Brie chorando – Dói muito.

— Isso não teria acontecido se tivesse permanecido na tenda – falou Fergus – Entenda como uma lição. – Ele dobrou um dos joelhos contra o chão e apoiou o braço no que permanecera erguido. Nas mãos dele ainda estava o arco — Não sou uma pessoa ruim, princesa. Apenas um soldado que segue ordens então sim, eu machuquei você só que também não queria faze-lo.

— Suas desculpas não são o suficiente para acabar com minha dor – disse Brie seriamente.

— É uma flechada, o que esperava que iria fazer cocegas? – disse Una então virando para a loba – Keira, pare e junto – O animal estranhamente obedecera. Aquilo era um tanto surpreendente quando até então a única pessoa que aquelas feras pareciam obedecer era o dono delas.

Una aproximou-se e dobrou os joelhos de frente para a princesa. Então lhe virou de costas para o chão e começou a analisar o ferimento causado pela flechada. Brie lhe encarava com seriedade sentindo-se traída por aqueles que julgava serem de sua confiança.

— Você não ficara aleijada – disse Una – Não é nada grave e eu irei cuidar disso – Então foi que Brie sentiu um barulho de madeira sendo quebrada quando a curandeira partiu a parte que não tinha lhe atravessado à carne – Vamos para minha tenda para eu cuidar de você e então teremos de continuar. — Ela fez com que Brie erguesse do chão e o corpo da princesa estremeceu e ela gemeu quando sentiu o peso sobre a perna ferida.

— E eu vou andando com uma flecha na minha perna? – falou Brie quando foi colocada de pé pela curandeira. A selvagem era mais baixa que a garota da realeza, porém a encarou com um olhar sério que teria feito com que a Stark se sentisse diminuída se não fosse a raiva que sentia naquele momento.

— Você quer que eu tire a flecha? Então eu faço. Mas você sangrara muito e pode até desabar de tão fraca que vai ficar. – falou Una com aspereza típica dela – A flecha está impedindo que o sangramento piore. Mas você não sabia disso, não é mesmo?

— Tanto faz – respondeu Brie arrogantemente.

— Você não sabe de nada, Brie. – respondeu Una e tinha sido a primeira vez que a outra lhe tratara pelo nome provavelmente fizera sem que percebesse.

— Posso te carregar se quiser – ofereceu Fergus certamente em mais uma tentativa de agrada-la e fazer com que fosse perdoado.

— Você já fez o suficiente – respondeu Brie com azedume enquanto começava a mancar lentamente na direção da tenda.

Fora certamente terrível e ainda piorava quando percebia a trilha de respingos rubros que deixava atrás de si. Ela tinha problemas com sangue como vê-lo geralmente lhe causava náuseas de maneira que evitava encarar apenas continuando em frente. Foram fisgadas a cada passo e naquele momento se lembrou da garota Karstark que mancava e o quanto sentira pena dela a cada vez que a encontrava.

Tinha sido gentil em dizer para Jenyver que apesar da perna ela ainda era uma bela garota e encontraria alguém que amasse. Estranhamente aquilo não agradara a garota e depois de um tempo a princesa compreendeu o motivo. Rodwell tentara consertar as coisas na ocasião, porém não tinha volta.

Agora a princesa imaginava como seria caso mancasse para sempre. Sempre tinha sido uma dramática, afinal Uma tinha se certificado de que não seria prejudicada. Mas era complicado não se pensar em algo assim quando se tinha uma maldita flecha atravessando sua perna.

Eles entraram na tenda e Brie deitou-se frente ao fogo. Pode ver Una pegando seus pertences de curandeira e retornando para próximo dela enquanto via Fergus enfiar um pedaço de metal nas chamas da fogueira. Lembrou-se de Meistre Aston quando ele usara cauterização em um ferimento de Matthew. Até hoje o irmão tinha a cicatriz da queimadura.

— Uma lição para se tirar disso, sulista. – falou Una – E você sabe muito bem qual é.

— Me conte uma novidade agora – disse Brie com certa raiva ainda não acreditando que tinha sido flechada.

Foi então que sentiu o momento em que Una tocou a ponta labuzada de sangue com uma das mãos e começou a puxar o resto da flecha. A madeira foi saindo então da panturrilha pelo buraco da saída. A princesa gritou tendo lágrimas lhe banhando a face enquanto as unhas se cravaram na terra úmida do chão da tenda. Então a dor diminuiu.

— Você não pode nos tomar por burros e achar que é capaz de nos trair. Só irá embora se Wolfgang assim decidir caso o contrário pode tentar quantas vezes quiser e nós sempre iremos trazê-la de volta ou para-la.

— Eu vou voltar para casa – disse Brie – Esse não é o meu lugar.

— Pode não ser – falou Una – Mas é onde está agora então pense nisso.

Brie sentiu o momento em que seu pé foi despido da bota e das suas meias grosseiras de pele. As mãos da selvagem foram delicadas, porém mesmo assim a dor lhe subiu e ela teve de conter um gemido e um gosto azedo lhe subindo pela garganta. Estava a ponto de vomitar o que tinha comido algum tempo atrás enquanto estavam reunidos na fogueira.

Seu pé estava nu e frio, mas não por muito tempo como sentiu a pele esquentar conforme o sangue agora escorria do buraco na direção dos seus dedos. Sentiu um arrepio e estremeceu quando a água limpa fora derramada sobre o ferimento.

— Eu atirei a uma distância que a ponta saiu do outro lado – falou Fergus para a curandeira que assentiu – Se tivesse ficado dentro teríamos de quebrar a haste e cutucar a ferida para tirar o resto. Seria feio...

— Sim, eu sei disso – falou Una enquanto fazia a limpeza – Vamos ter que fechar isso – Então olhou de esguelha para o arqueiro e os dois trocaram um olhar como se estivessem se comunicando. Ele fizera um sinal positivo com a cabeça e em seguida indicou a fornalha de pedra.

Então foi que Una pegara o pedaço de uma raiz e amassou junto com um pouco de água e outras folhas num pequeno recipiente, fez isso por um tempo até que a consistência virou um caldo grosso. A curandeira então despejara uma substancia numa cuia e estendeu na direção da princesa.

— Beba – falou Una.

— O que é isso? – perguntou Brie – Não vou beber se não me disser o que é.

— Ah, faça-me o favor – disse Una cansada então abrindo a boca da princesa a força e desprezando, Brie tentara cuspir porém as vias orais e nasais tampadas bem como a cabeça erguida pela selvagem – Engula — Depois disso foi que a princesa foi liberar ainda tossindo – Bom. Isso que você tomou, vai impedir que você sinta muita dor. O ferro está pronto Fergus?

— Sim – respondeu Fergus tirando a espada do fogo e quando a princesa viu a lâmina escarlate pelo fogo foi que soube o que estava por acontecer e estremeceu tentando rastejar para longe, porém foi impedida quando Una lhe segurou pela perna ferida.

— Segura ela enquanto eu faço – falou Una pegando a espada – É o seguinte, Brie. – A Stark sentiu quando o arqueiro ajoelhou-se na parte detrás dela e apoiou-a contra o colo dele. As mãos em seus ombros e a cabeça apoiada em seu abdômen — Isso vai doer mais se você se mexer...

— Não vamos cortar sua perna se é isso que está pensando – disse Fergus então colocou um pedaço de pano enrolado na boca dela – Morda isso quando estiver sentindo queimar. Não queremos que você acabe cortando um pedaço da língua com os dentes.

— Eu vou fechar o ferimento – respondeu Una – Cauterizar a ferida é assim que as coisas funcionam. É o único jeito não é? – Ela suspirou – Feche os olhos agora e tudo vai acabar logo.

Mesmo com a respiração ofegante e mentalmente apavorada foi que a garota assentiu então fechando os olhos. A dor então veio e sua mandíbula se fechou enterrando seus dentes contra o pano enquanto suas unhas fincaram-se nos braços do arqueiro que a acolhia.

O som da sua carne se queimando com o metal bem como o grito sufocado de choro em sua garganta foi capaz de quebrar o silêncio da tenda naqueles poucos minutos que pareceram eternos. E ela nunca soube quanto tempo durara porque desmaiara antes.

...

Presas de Gelo

A garotinha ainda brincava com um passarinho de madeira que o próprio pai tinha esculpido para ela. A mãe cuidadosamente a cobria em meios às peles a preparando para a hora de dormir que se aproximava. Sua pequena tinha tanto do pai nela, não apenas na aparência que tinha herdado dele como a cor dos cabelos e olhos, mas também o jeito.

Podia ver isso na forma como havia ignorado por completo a boneca que a mãe tinha costurado com as próprias mãos para que a filha brincasse. Talvez a tivesse achado feia, era bem provável já que não era um dos seus melhores trabalhos.

Mesmo assim lhe doía um pouco, mesmo assim tinha de se acostumar-se em pensar que sua filha estava crescendo para ser como pai porque ela era parte daquele povo diferente da mãe que era uma verdadeira estranha em meio aquele lugar por mais anos que estivesse entre eles.

Alysanne ajeitou-se deitando ao lado de sua garotinha e pegou o urso de madeira de suas mãozinhas podendo ouvir as reclamações da voz infantil de quatro anos. Então a abraçou junto a si, ajeitando-se sobre as peles grossas que lhes aqueceriam no frio típico da noite montanhosa. Abraçou-a e colocou a cabeça da garotinha junto ao calor de seus seios. Perguntou baixinho em seus ouvidos.

— Siwa, já conversamos sobre isso. – disse Alysanne com seu tom de voz delicado – Está na hora de dormir.

— Não estou com sono – falou Siwa – Papai não voltou.

— Ele logo vai voltar – disse Alysanne – E ele vai ficar chateado porque você ainda está acordada.

— Eu quero o papai – falou Siwa – Só vou dormir com o papai aqui.

— Ah, essa teimosia – sorriu Alysanne – Queria que você não tivesse puxado tantas coisas do seu pai – E riu. Sua pequena Siwa, um nome no idioma antigo dos primeiros homens que significava a luz da esperança.

Tinha quatro anos em breve seriam cinco se as suas contas dos dias estivessem certas. Era difícil medir o tempo do outro lado da Muralha quando por vezes os dias não tinham a luz do sol, como os raios não chegavam ali com tanta frequência em certas épocas do ano.

— Papai vai demorar – respondeu Alysanne alisando os cabelos da menina em um carinho materno – E seus olhinhos me dizem que você deveria se entregar ao sono, minha pequena.

— Você pode cantar para mim? – pediu Siwa depois de um bocejo.

— Como eu posso dizer não para você? – falou Alysanne então iniciou seu canto. Uma canção que lembrava seu antigo lar, onde nascera e crescera. O Ninho da Águia, nas montanhas no Vale de Arryn.

The Father's face is stern and strong,

he sits and judges right from wrong.

He weighs our lives, the short and long,

and loves the little children

The Mother gives the gift of life,

and watches over every wife.

Her gentle smile ends all strife,

and she loves her little children

The Warrior stands before the foe,

protecting us where e'er we go.

With sword and shield and spear and bow,

he guards the little children.

The Crone is very wise and old,

and sees our fates as they unfold.

She lifts her lamp of shining gold

to lead the little children.

The Smith, he labors day and night,

to put the world of men to right.

With hammer, plow, and fire bright,

he builds for little children.

The Maiden dances through the sky,

she lives in every lover's sigh.

Her smiles teach the birds to fly,

and gives dreams to little children.

The Seven Gods who made us all,

are listening if we should call.

So close your eyes, you shall not fall,

they see you, little children.

Just close your eyes, you shall not fall,

they see you, little children

A Canção dos Sete, fora sua música de ninar quando era criança e era posta para dormir por sua ama de leite. Mais tarde aprendera a canção com a septa que a educara e era uma de suas favoritas mesmo antes de ter se tornado mãe. Talvez fosse a doçura dos versos e o calor reconfortante que tinham, algo que alguém que não tivera uma figura materna precisava as vezes.

Siwa tinha adormecido antes que os versos terminassem e Alysanne dera um beijo na testa da filha antes de cobria e aconchega-la mais sobre as peles. Estava sem sono, ela esperaria pelo retorno do marido acordada só que a filha não precisava passar por isso. Seus fitaram a face da menina adormecida.

Sua pequena tinha puxado muito do pai, os mesmos cabelos castanhos e os olhos verdes. Porém havia algumas coisas dela ali também que haviam se completado aos traços herdados do lado paterno. Sabia que as covinhas eram suas bem como as orelhinhas e as sobrancelhas da menina. Siwa tinha certamente muitas coisas de seus progenitores nela, porém era criada como mandava a tradição do Povo Livre e uma parte disso incomodava a mãe.

Não gostava da ideia de sua filha crescer naquele ambiente tão hostil e quando fosse chegada a hora se tornaria uma esposa de lanças. Quando fizesse cinco anos então poderia fazer sua própria lança com o pai e iria começar a aprender como usa-la. Isso lhe apavorava e não saberia como lidaria quando chegasse esse dia.

Parte dela um dia tinha esperanças de que encontrar com algum patrulheiro ou corvo como eram chamados pelas tribos de Além Muralha. Não porque sonhasse com alguma espécie de resgate ou com algum reencontro com o pai, Arthurus Arryn, o atual Lorde Comandante da Patrulha da Noite. Ela desejava por alguém que pudesse confiar a filha a ser entregue e levada de encontro com o avô junto de um pedido: Que enviassem a Siwa para o Sul.

Não queria que a filha crescesse para se tornar uma guerreira. Sua menina merecia uma vida melhor do que tinham. Ter um maior e mais amplo campo de oportunidades como uma educação descente e experimentar o melhor que o Vale tinha a lhe oferecer.

Siwa não precisava pagar por uma escolha que a mãe fizera, a vida difícil que tinha tomado e se apegado por conta do amor que sentia pelo marido. Uma criança merecia ser bem cuidada e tratada, numa realidade dura que apenas a permitia ter um nome seu depois dos dois anos quando se tinha certeza de que sobreviveria não era uma vida digna. Ela amava muito Siwa para saber que o melhor para ela seria longe dali.

As Presas de Gelo, eram seu novo lar. Picos irregulares eternamente cobertos em neve, eram cruéis e inóspitos de uma maneira que ela tentava imaginar como tinha sido difícil para Wolfgang crescer ali. Aquelas montanhas e vales, ao mesmo tempo semelhantes ainda assim eram cheios de diferenças com o Vale de onde Alysanne Arryn tinha vindo.

No entanto, as Presas guardam várias maravilhas. Cachoeiras congeladas mergulham sobre íngremes penhascos de pedras, prados montanhosos são repletos de grama e flores silvestres, ravinas que são tão profundas e escuras que parecem ir até o último dos sete infernos. E pontes naturais de pedra, que cobrem distâncias com apenas o céu para ambos os lados.

Pouca coisa a mulher tivera o prazer de ver com os próprios olhos, a maioria delas não passava de historias que tinha ouvido de seu marido, o homem que melhor conhecia aquele lugar por ter nascido e criado naquelas montanhas. Estavam em um dos maiores vales escondidos nas Presas de Gelo que suportavam um número sugestivo de pessoas.

— Você ainda está acordada – soou uma voz rouca e ela conteve o susto momentâneo. Então foi que o viu se aproximando e tomando o lugar do outro lado da filha deles e aconchegando-se junto ao calor das peles – Não precisava esperar por mim.

— Eu o fiz – disse Alysanne no mesmo tom baixo que estava sendo usado pelo marido para não acordarem a filha – Queria saber quando retornaria.

— Estava ocupado com uma reunião com os meus conselheiros – disse Wolfgang – O grupo que enviei para a Costa Gelada em missão ainda não retornou. Os batedores não deram noticias sobre se os avistaram, mas um grupo deles viu um bando de corvos próximos do Passo dos Guinchos.

— E o que aconteceu? – perguntou Alysanne.

— Pedi que o Magnar cuidasse desse assunto e ele com um grupo de Thenns foram averiguar. – respondeu Wolfgang – Eles me trouxeram noticias sobre quando chegaram ao acampamento dos corvos para um ataque não havia mais nenhum deles. Tudo que encontraram foi um acampamento vazio, porém com sinal de que houve batalha.

— Se não foram os Thenns poderiam ser o grupo que estava na Costa Gelada? – perguntou Alysanne e o marido acenou negativamente – Então senão foi isso o que poderia ser?

— Nós que não fomos. A guarnição que enviei recebeu ordens para que seguissem pelo outro lado – disse Wolfgang – Pela Escada dos Gigantes. Os corvos se mataram uns aos outros ou coisas diferentes lhes deram um fim. – Ele fez um silêncio e uma parte de Alysanne reconheceu aquele olhar dele como sendo de preocupação – Vamos dormir já é tarde.

— Suas mãos – disse Alysanne reparando que ele tinha removido as ataduras e agora havia as cicatrizes de queimadura em seus dedos e palmas – Eu não imaginava que estivessem tão queimadas assim.

— Ainda consigo mexer os dedos e não perdi nenhum deles – respondeu Wolfgang – Murtagh fez um bom trabalho com elas. Quem conseguiria respeitar um rei sem mãos? – Então desviou os olhos para a esposa — Fora o pior que seria não poder toca-la, minha senhora.

— Você ainda esconde de mim como conseguiu isso – disse Alysanne – Não deveria ter segredos entre nós, meu senhor. Confiança é à base de um casamento e achei que estivéssemos bem assim só que atualmente tenho sentido que não é verdadeiro comigo desde que retornou de Hardhome. Segredos sobre enviar tantos guerreiros para Costa Gelada tantos de uma só vez, incluindo Una.

— Ela é uma curandeira – disse Wolfgang – Tantos homens podem precisar dela se algo acontecer. É chamado precaução e cuidar uns dos outros que é o que temos feito ao nos estabelecer aqui.

— Quanto são os segredos que me esconde? – pediu Alysanne – De mim que sou sua esposa.

— Quando for chegada a hora lhe direi – disse Wolfgang – peço que confie em mim porque tudo que faço é para nosso bem. Meus pensamentos sempre estão em fazer escolhas que serão o melhor para você e nossa filha.

Ela nada lhe respondeu apenas quando foi que o viu se inclinar para beija-lhe que se desviou e afastou o rosto. Pode perceber a testa de Wolfgang curvando-se em um semblante sério quando a esposa tinha feito aquilo. O casal se encarou no fundo dos olhos um do outro, foi então que Wolfgang voltou a atenção para a filha e depositara um beijo na bochecha dela.

— Boa noite – disse Wolfgang a esposa.

— Boa noite – respondeu Alysanne ao esposo.

Notas finais
Canção dos Sete é uma cantiga de ninar para aqueles que creem na Fé dos Sete. Ela é composta de sete versos, um para cada um dos aspectos do deus dos Sete, com exceção do Estranho. (Como se alguém fosse cantar para o seu bebê sobre a morte). Espero que tenham gostado porque finalmente conhecemos o Rei Wolfgang e agora é hora de mais especulações suas sobre o que pode ser. Deixem comentários. Beijos.