North War – Interativa
21 Capitulo 20
Notas iniciais
Fortenoite
Young Jon observara os homens em negro entrando e tomando seus lugares nos bancos frente ao altar do septo. Não era a primeira vez que estava de frente com os irmãos da Patrulha da Noite como a Última Lareira era conhecida por sempre os recepciona-los em seus salões e abastece-los com tributos tais como um quinto da colheita que se produzia em suas terras.
Os Umber costumavam valorizar o que aqueles homens faziam em manter o Norte seguro da ameaça que havia Além-da-Muralha. Era comum que muitos homens em sua família acabassem por vestir o negro, o primo de seu pai só fora o mais recente deles. Os Umbers odiavam os selvagens, como suas terras eram as mais próximas e vulneráveis aos ataques.
Lorde Comandante Arthurus Arryn o tinha recebido de bom grado e o hospedado em uma torre com todas as suas necessidades sendo atendidas durante aqueles dias em que se encontrava sua estadia. O grupo da expedição à procura da Princesa Brie ainda não tinha retornado e isso o preocupava não apenas por ela como também pelo tempo que passava ali longe de sua família. Seu pai precisaria dele ao seu lado nas batalhas.
Arryn tinha convocado todos dentro do septo como aparentemente mais uma turma de recrutas tinha terminado o treinamento. Jon estava ali apenas para observar afinal ele sempre tivera uma curiosidade para como as coisas aconteciam para os homens de mantos negros na Muralha. Seu juramento era conhecido, cada criança do Norte as ouvira bem como as historias que rondavam aquele lugar desde os primórdios de quando aquela estrutura fora erguida por Bran, o construtor.
Young Jon Umber estava de pé num dos cantos do septo. Os sulistas costumavam dizer que as faces esculpidas nas árvores coração assustavam, porém os deuses deles também não pareciam muito receptivos. Ou talvez fosse com ele que se encontrava ali onde cada um dos olhares vazios naquelas faces diziam que não era o seu lugar.
Ele fitou o grande cristal colocado no altar. Certamente a coisa mais bonita naquele lugar frio e vazio, perguntava-se se realmente os deuses da Fé dos Sete tinham força em um lugar tão ao norte. Talvez fossem só estatuas vazias o que era engraçado quando se pensava que era o mesmo que muitos sulistas diziam a respeito das árvores coração. Um homem sábio respeita os deuses, Jon sabia que por mais que não se sentisse confortável ali deveria guardar para si mesmo.
O cristal era um perfeito prisma que capturava os raios da luz do amanhecer que jorrava através da janela virada para o sul e a espalhava num arco-íris pelo altar. Septão Boros, um velho calvo e meio corcunda, acendeu-se incensos e o ar encheu-se com o seu odor doce.
Os grandes oficiais chegaram todos juntos, começando Meistre Selwyn sendo apoiado por Richard Bolton, seu intendente. Jon Umber tinha se colocado a ignorar o irmão do falecido rei vermelho. Até então tinha se mostrado uma tarefa fácil como nunca se encontraram sozinhos ou frente a frente, porém a simples presença daquele homem lhe incomodava.
Maron Forel, o mestre-de-armas braavosi entrou. Era um homem de sotaque carregado e com um semblante sério de olhos frios e uma face sombria. Diziam que ele fora um mercenário antes de ser capturado e condenado a Muralha. Para Jon ele estava mais para um soldado do que para um mercenário, porém decidiu guardar isso para si mesmo.
O Lorde Arryn então viera. Ainda tinha a elegância e o ar do antigo rei que um dia fora antes de renunciar a coroa e trocar o clima ameno do Vale pelo frio que era o Norte. O homem de cabelos e barba branca estava resplandecente num gibão de lã negra com presilhas de prata em forma de um falcão.
Atrás deles vinham os membros superiores das três ordens: Patheon Redwyne, o Senhor Intendente com seus cabelos e barba grisalha típicos de um nobre da Campina. O Primeiro Construtor, Osmund de Pedraverde, um homem grande de puro músculo como o típico de trabalhadores braçais. E Sor Remyr Redfort , que comandava os patrulheiros na falta de Ronnel Umber.
O Velho Falcão parou em frente do altar. Ele pronunciou-se tão alto quanto sua voz pode ressoar e ecoar por aquelas paredes frente o silêncio.
— Chegaram até nós como párias da sociedade, rejeitados e desajustados. Vieram até nós com seus próprios pecados e crimes nas costas e foram acolhidos. Não me importa quem foram antes de virem para nós, independente de quais fossem os erros que cometeram porque tudo agora é passado e agora estão aqui e saibam que é o momento de renascerem. Matem o que eram antes e agora renasçam diferentes para a nova vida que escolheram para vocês. – começou Lorde Arryn então fazendo uma pausa.
— Vieram até a Muralha como caçadores furtivos, estupradores, assassinos e ladrões. Chegaram até nós como crianças. Órfãos de guerra ou abandonados pelos pais ou simplesmente esquecidos porque não tinham ninguém para olhar por vocês. – continuou Lorde Arryn — Vieram até aqui porque era o único lugar em que seriam aceitos ou porque lhes foi imposto isso como a sua única escolha. Chegaram até nós sozinhos. Vieram até nós de castelos, casebres, vilas ou de grandes cidades. Em roupas de tecido fino ou em trapos. Pelas próprias pernas ou acorrentados, sem amigos ou família nem honra ou em busca de recupera-la.
— Chegaram até nós ricos outros até nós pobres. – disse Arryn — Alguns ostentam o nome de Casas orgulhosas. Uns nobres outros longe de tal titulo. Alguns têm apenas nome de bastardos ou não têm nome algum. Não importa mais nada do que foram porque hoje é o dia da morte de vocês e do renascimento das cinzas. Tomem o negro que vestiram até o fim de sua vigília e façam os votos frentes aos deuses.
— Na Muralha, somos uns pelos outros como uma verdadeira irmandade. – continuou o Velho Falcão – Não somos unidos por sangue, mas somos todos uma Casa. Ao cair da noite ao se aproximar do inverno, quando o sol se puser e não se erguer mais ainda assim nossas espadas estarão postas. Nós lutaremos ao lado de nossos irmãos juramentados e enfrentarmos a noite que se aproxima e com ela os terrores que vem. Como no passado foi e no futuro continuará sendo.
— Desse momento em diante, serão Irmãos Juramentados da Patrulha da Noite e que os deuses tenham piedade de suas almas infelizes – continuou — Seus crimes serão limpos e suas dívidas, perdoadas. De igual modo, devem também limpar-se de suas antigas lealdades, esquecerem os antigos pecados e sepultarem os desejos mundanos em seus corações. Ponham de lado seus ressentimentos, esquecer igualmente as antigas ofensas e os antigos amores. Porque não são mais os mesmos quando chegaram a nós.
— Aqui começam de novo. – continuou — Um homem da Patrulha da Noite vive sua vida pelo reino. Não por um rei, nem por um senhor, nem pela honra desta ou daquela Casa. Sua espada não pode ser comprada nem suas lealdades não são pagas por ouro ou por glória. Não vivemos pelo amor de uma mulher, mas pelo reino e por todas as pessoas que há nele.
— Um homem da Patrulha da Noite não toma uma esposa nem gera filhos. – continuou – Não devemos tomar títulos ou terras, nada que nos desvie de o que importa. Nós somos casados com o dever. Nossa amante é a honra. Nossa casa é nosso castelo e nossos filhos serão nós mesmos uns dos outros. Aprenderam as palavras do juramento. É preciso refletir com cuidado antes de dizê-las, pois uma vez que tomamos o negro, não haverá caminho de volta. O castigo pela deserção é a morte – o Velho Falcão fez uma pausa momentânea e então desceu seu olhar frente aos recrutas que o encaravam em silêncio.
— Existe alguém entre vocês que deseja deixar a nossa companhia? – disse Arthurus Arryn — Se sim, se levante agora e deixe nossa presença. Ninguém pensará menos de você por abandonar-nos.
Ninguém se moveu. Young Jon achou justo também pudera se estivesse na posição deles também não se levantaria depois de semanas de treinamento e vivendo sobre aquele teto não tinha como virar as costas. Sem falar nas palavras do Velho Falcão que ressoavam em suas mentes. Ele falava como o um verdadeiro rei.
— Muito bem – disse Arryn – Podem fazer seu juramento aqui, ao cair da noite, perante Septão Boros e o chefe da sua Ordem. Algum de vocês é fiel aos deuses Antigos? – Um rapaz ergueu a mão e Jon o encarou.
Era o rapaz que tinha chamado sua atenção desde que chegou ali. A fisionomia e os traços lhe faziam lembrar-se dos Bolton por mais que ele não tivesse o nome deles, podia tratar-se de um bastardo o que quer que fosse. Jon simplesmente não gostava dele tanto quanto de Richard Bolton.
— Fortenoite não tem necessidade de um bosque sagrado. – disse Meistre Selwyn — Para lá da Muralha, na Floresta Assombrada encontra-se como se encontrava da Idade da Alvorada. Existe bosque de represeiros a uma légua desse local e talvez encontre lá também os seus deuses.
— Agora, colocamos cada um de vocês numa Ordem que mais se adapta às nossas necessidades e aos seus pontos fortes e perícias – pronunciou-se Arthurus Arryn quando Patheon Redwyne avançou e entregou-lhe um papel. O Senhor Comandante desenrolou-o e começou a ler.
— Walder, para os construtores – começou. Um rapaz estrábico de cabelos cor de palha fez um aceno rígido de aprovação. Ele parecia um Frey, pensou Young Jon.
— Colin, para os patrulheiros. Gared, para os intendentes. Wilbert, para os construtores. Dale, para os intendentes. Garth para os patrulheiros. Britt, para os construtores... – ele desenrolou mais o papel e continuou a ler – Dickens, para os intendentes. Matthos, para os patrulheiros. Cliff, para os construtores. Clark intendentes. Stevron, para os patrulheiros. – E ele deu uma tossida para limpar a garganta — Leon, para os patrulheiros. — O Velho Falcão enrolou o papel – Seus chefes irão instruí-los quanto aos seus deveres. Que todos os deuses os protejam, irmãos. – o Senhor Comandante concedeu-lhes uma meia reverência e se retirou.
Young Jon o seguiu para fora do septo. Ele o encontrou-o do lado de fora podendo ainda escutar algumas vozes dos homens que tinham sido deixados para trás. Ambos agora se encaminhavam em direção da torre um ao lado do outro.
— O que achou, meu rapaz? – perguntou Lorde Arryn.
— Que temos sorte de termos homens como o senhor no comando da Muralha – respondeu Jon – Esse tempo aqui tem sido bem proveitoso para saber como as coisas funcionam, porém eu gostaria de saber quando que a equipe da expedição retornara.
— Ronnel Umber está com os seus melhores patrulheiros em uma expedição de reconhecimento da área e rastreamento – disse Lorde Arryn – Cerca de cem bons homens estão lá fora em busca da filha do Rei Brandon. Nunca antes houve tantos homens do outro lado em uma missão dessas.
— Desde o surgimento desse Wolfgang como o novo rei dos selvagens que cada vez mais deles tem desaparecido. – continuou o Velho Falcão — Eles estão se agrupando em algum lugar certamente melhor do que suas vilas que temos marcadas na área mapeada de Além Muralha. Cada vez mais deles tem desaparecido e abandonado suas casas... Temos tentado rastreá-los, porém até agora temos retornado com mãos vazias ou muitos de nós simplesmente não voltam.
— Sinto muito em saber disso – disse Jon.
— Sim, rapaz é certamente algo a se pensar – disse Lorde Arryn – Quantos de nós morrem ou desaparecem em terras Além da Muralha e nossos nomes nunca são lembrados? É terrível, mas é a realidade. Nunca saberão nossos nomes e as canções que eram cantadas em nossa honra vem sendo esquecidos bem como a glória que é defender os Sete Reinos do que há ao Norte.
— O senhor não parecia pensar dessa maneira quando fez o discurso para aqueles homens lá dentro – falou Jon e o velho sorriu.
— Algumas vezes nós temos que vestir um personagem e tirar de palavras bonitas uma verdade que apenas vocês acreditam – disse Arryn – Eu pedi para aqueles homens deixarem o que eram para trás. Pergunto-me se algum deles seria realmente capaz de fazer isso por inteiro, eu acredito em segundas chances, rapaz. Mas pergunto-me se sou um tolo em oferecê-las e não esperar que algum deles vá desperdiça-la.
— Eu poderia acompanhar os homens até esse bosque sagrado que anunciara no septo? – perguntou Jon e o Velho Falcão lhe encarou por alguns instantes.
— Pretende fazer o juramento e unir-se a nós? – questionou o antigo rei com um sorriso nos lábios e um tom de voz brincalhão.
— Meu pai me mataria se eu ousasse a fazê-lo de tal maneira – disse Jon – Não, é que eu nunca estive do outro lado da Muralha e eu estou tão perto não tem porque não ir. Ainda mais ver o juramento sendo pronunciado pessoalmente e não apenas lido nas minhas aulas com o meistre.
— É perigoso do outro lado da Muralha, rapaz. – respondeu Arryn o advertindo – Não devia estar em mim permiti-lhe que faça isso. Me de uma boa razão para que eu o faça e quem sabe eu irei autorizar que acompanhe meus homens.
— Eu gostaria de rezar um pouco aos Deuses Antigos – respondeu Young Jon encarando o homem de idade a sua frente que pareceu analisa-lo – Pedir-lhes que permitam que eu reencontre com a princesa. Que seus patrulheiros o encontrem e a tragam de volta para nós.
Quando chegara ali, Jon estivera com a intensão de partir com a guarnição da Última Lareira que o acompanhava. Queria seguir ele próprio em busca de sua amada e traze-la de volta para os pais e assim quem sabe conseguir que ela fosse sua.
Mesmo que estivesse prometido a Lizbeth Mormont ainda assim não era a pessoa que amava e não desejava um casamento infeliz ao lado dela. Infelizmente, Lorde Arryn tinha o proibido de que seguisse para o outro lado como o solicitara dizendo que era perigoso que ele partisse em uma busca por um terreno desconhecido e que não tinham quais quer patrulheiro experiente para guia-lo em sua busca.
Os veteranos e mais experientes já tinham partido nessa missão sendo guiados pelo Primeiro Patrulheiro que tinha deixado para trás apenas poucos inexperientes ou que tinham acabado de tomar seus votos. Porém, Arthurus Arryn autorizara sua permanecia como um hospede até terem noticias ou no retorno da expedição.
E assim, ele o fez. Jon se sentia um tanto inútil em sua espera e seu pensamento estava fora daquela grande muralha. Longe daquela gigantesca construção em gelo e o quer mais as lendas dissessem que tinha sido usado para erguê-la. Pensava na guerra ao sul e no que seria de Brie ao Norte na companhia dos selvagens. Young Jon poderia nunca mais vê-la ou ter o seu perdão.
— Abram o portão – gritou um dos intendentes que vigiavam o portão ao sul e logo alguns irmãos de negro apressaram-se na roda para gira-la e assim erguer a pesada superfície de chumbo.
Ele não deu muita atenção aquilo, porém quando Arthurus Arryn olhou por sobre o seu ombro com um olhar analítico foi que resolveu virar-se. Certa de quinze homens ingressaram pela passagem e agora adentravam o pátio principal parecendo acanhados e mesmo um pouco envergonhados.
Eles vestiam roupas de soldados sujas de lama e sangue. Carregavam armas como espadas ou mesmo lanças que prontamente foram sendo recolhidas deles por Maron Forel e seus recrutas. Todos os recém-chegados estavam abatidos e pareciam exaustos como um deles simplesmente desabara e sentou-se ali mesmo sem cerimonia.
Cerca de um ou dois tinham claros ferimentos em si como eram amparados pelos companheiros. Seis estavam montados em duplas em cima de três cavalos, e estes soldados então começaram a desmontar enquanto os irmãos de negro começavam aproximar-se deles.
Young Jon e Arthurus Arryn aproximaram-se conforme dava passos nas direções deles foi que o jovem de cabelos ruivos começou a reconhecer os sigilos em seus mantos. Sois prateados se encontravam encardidos em lama e sujeira enquanto outros possuíam as correntes cinzentas gravadas nos mantos vermelhos.
Eram soldados que serviam aos Karstark e Umber. Ele já sabia o que acontecera afinal não era nenhum tolo, mesmo assim queria não acreditar naquilo até que escutara a voz de Patheon Redwyne, o intendente chefe, dirigindo-se ao seu Lorde Comandante.
— São desertores, milorde. – Falou o nobre vindo da Campina – Fugiram em batalha e vieram tomar o negro – Lorde Arryn aproximou-se daqueles infelizes e Jon veio logo atrás.
O ruivo pode sentir os homens que antes serviam ao seu pai não conseguirem encarar o filho dele nos olhos sendo os poucos que fizeram, tinham faces assustadas. Era compreensível sentirem medo dele afinal a face de Young Jon não deveria ser das melhores ao encarar os desertores do exercito de seu pai.
— Alguém que possa falar por vós – disse Arthurus Arryn e um deles aproximou-se do velho então colocando-se a frente deles. Mesmo que não o encara-se não seria preciso, pois de onde estava Jon podia reconhecer seu rosto mesmo com o corte horrível que ele trazia na bochecha esquerda.
Um rapaz sem muitas características Era um membro da guarda da Última Lareira, seu nome era Bones. O sujeito era o filho do Mestre dos Canis e tinha recentemente ganhado um cargo entre os guardas responsáveis pela proteção da família Umber. Young Jon se lembrava do rapaz bem de tantas vezes que o vira em casa. Afinal ambos praticamente tinham crescido juntos pela pouca idade de diferença um do outro.
— Não nos mande embora, Lorde Arryn. – disse Bones – Somos desertores e a punição para esse crime desonroso é a morte. Se nos enviar para fora daqui não haverá outro lugar para onde possamos ir... – ele encarou Jon por um tempo antes de voltar a falar com o Velho Falcão — Retornamos para casa e certamente seremos presos por nossos companheiros caso nos encontrem. Podemos receber nosso fim pelas mãos deles ou de nossos antigos lordes. Por isso lhe peço que aceite a mim e meus companheiros como seus homens.
— A Patrulha da Noite não está em condições de dispensar homens dispostos a proteger a Muralha – disse Arryn – Nem mesmo aqueles que cometeram deserção. Não serão punidos aqui sobre o meu teto porque as leis dos reis e lordes não tem poder aqui sendo a única autoridade que deve ser respeitada são os votos de nossa irmandade. Porém, saibam que caso desertem da vigília após pronunciarem os votos então serão punidos pela morte... Malditos sejam se eu tiver esse desprazer em receber a noticia de que algum de vocês fez isso.
— Não irá arrepender-se de nos dar essa chance – disse Bones e então o Lorde Comandante lhe estendeu a mão que foi pega pelo desertor – Agradeço por nos dar essa chance, meu senhor.
— Os feridos procurem o Meistre Selwyn que cuidara de vocês – disse Arryn – Patheon providencie quartos para hospedar nossos novos recrutas e diga a Gus para dar-lhes algum alimento da cozinha. Maron ordene que alguém leve os cavalos para os estábulos e dê-lhes água e um pouco de farelo.
— Quando faremos nossos votos? – perguntou um dos desertores que vestia o símbolo do sol prateado no peito.
— Maron Forel, nosso mestre-de-armas, irá testar e avaliar suas capacidades. Depois irei decidir junto dos chefes de cada Ordem onde melhor se encaixaram conforme suas aptidões – disse Arthurus Arryn – Agora se me derem licença tenho assuntos para tratar – E saiu andando.
— Bones – chamou Jon ao guarda que já ia afastando-se, porém parou e virou-se na direção do ruivo gigantesco que caminhava em sua direção – O que houve? – Ele estava controlando-se para não parecer ameaçador mesmo que para o rapaz fosse difícil ainda mais quando tinha de conter sua raiva como naquele momento. Jon era pelo menos uma cabeça mais alto que o sujeito tendo que olha-lo de cima para encara-lo.
— Após a união das duas comissões a de seu pai e a que pertencia ao Lorde Karstark, então seguimos pela estrada que seguia pelas Colinas Solitárias e o sol já tinha se posto quando ocorreu um ataque inesperado. – falou Bones — Primeiro arqueiros disparando flechas das montanhas e depois veio à cavalaria e infrondaria de frente para nós.
— Abandonou meu pai – falou Young Jon – Quando ele mais precisava de você.
— O senhor também deveria está lá – disse Bones – Antes de seus soldados seu pai necessitava de ter o herdeiro ao lado dele e onde você estava se não aqui?
— Como ousa falar comigo assim?- disse Jon.
— Não sou mais um dos guardas de seu castelo – respondeu Bones – Sinto muito por isso, Jon. Mas não sou obrigado a dirigir-me ao usurpador com cortesia. — Foi então que se afastou seguindo ao lado dos outros membros de seu grupo de desertores agora chamados de recrutas da Patrulha da Noite.
Bones tinha virado as costas para o Young Jon que tinha a face avermelhada e os punhos fechados em fúria. Aquele desertor era só mais um dos que ousavam chama-lo daquela forma como muitos acreditavam que sua posição de herdeiro não lhe pertencia.
— Jon? – chamou Arthurus Arryn – Acho que precisamos conversar. — Então se virou para o jovem ruivo retornando até ele e lhe tocando o ombro – Rapaz? Queira acompanhar-me.
— Você os aceitou – disse Jon – Desertores, deveria permitir que eu fizesse justiça ao meu pai brandindo minha espada e separando suas cabeças do corpo.
— Ah, o orgulho nortenho das antigas tradições é algo admirável – disse Arryn – Mas eles vieram até Fortenoite em busca de misericórdia e rendição por seus crimes seria errado entregar-lhes ao carrasco. E você entende isso não é?
— Entendo – falou Jon então suspirando pesadamente.
— Muito tempo atrás os pais nos enviavam seus filhos – disse Arryn – Homens de nascimento nobre, cavaleiros ou escudeiros por vezes tomavam o manto. Tínhamos uma sala inteira com escudos para provar isso... – ele fez uma pausa — As quatro paredes inteiras repletas com os estandartes das mais honradas casas dos Sete Reinos. Chegará um dia que a sala dos escudos estará sem nenhum com todas as suas paredes nuas apenas nas pedras de que foram feitas.
— Meu irmão mais novo, Brandon, me confidenciou que desejava unir-se a Patrulha da Noite quando for de idade. – disse Jon – Ele é um quarto filho e acho que já prevê que não é como se um dia possa deter grandes títulos ou terras.
— Seu irmão é um caso isolado e raro nos dias de hoje – respondeu Arryn sorrindo – Eu espero que esteja aqui para recebê-lo. Tenho certeza de que ele pode chegar a ser um grande homem não apenas em altura como é conhecido os Umber por natureza como também em sua honra e glória. Ron o fez e outros de sua casa antes dele...
— Quando irão partir para esse Bosque Sagrado na Floresta Assombrada? – perguntou Jon e o Velho Falcão lhe olhou com curiosidade.
— Ainda deseja assistir ao juramento? – perguntou Arryn.
— Certamente que desejo – respondeu Jon – É uma oportunidade rara para se dispensar.
— Eu então o acompanharei – disse Arryn – Ronnel Umber é um bom amigo e na ausência dele devo cuidar de seu sangue como se fosse do meu – O herdeiro da Última Lareira sorriu como no pouco tempo em que estivera ali passara a conhecer e admirar mais a figura do Lorde Comandante.
— Devemos então prepara-nos para partir – disse Young Jon.
— Os Deuses Antigos estão à nossa espera, Jon. – pronunciou Arryn e Jon obrigou-se a sorrir.
Partiram ao fim da tarde. Levaram os cavalos por um túnel estreito cortado no gelo, com paredes frias e escuras apertando-se à volta deles enquanto a passagem se retorcia e curvava. Três vezes viram o caminho bloqueado por grades de ferro, e tiveram que parar enquanto Sor Remyr Redfort que tinha de desmontar de seu cavalo e pegava as chaves dos bolsos de seu manto de zibelina e destrancava as maciças correntes que as seguravam.
O túnel era alto o suficiente para homens montados a cavalo não encostarem suas cabeças no teto. Porém, naquela podiam escutar os respingos das goteiras que eram o gelo derretendo. Porém, era estranho como o ar estava mais frio do que lá fora e mais parado também. Sentiu um estranho alívio quando voltaram a emergir para a luz da tarde do lado norte da Muralha.
Enquanto atravessam Young Jon Umber podia sentir seu rosto avermelhando-se pelo frio e a condensação de sua respiração. Ele olhou para o rosto do garoto que faria seu juramento, Leon, que parecia sentir-se sem jeito ao ver o tanto de pessoas que estavam indo vê-lo tomar os votos. Além do herdeiro da Última Lareira e do Lorde Comandante, também iam alguns homens para fazer a segurança destes fora Sor Remyr Redfort que iria de qualquer maneira.
— Os selvagens… — perguntou Leon para o cavaleiro que o guiava — Eles nunca se atreveriam a aproximar-se tanto da Muralha?
— Nunca o fizeram – respondeu Remyr Redfort subindo na sela de seu cavalo com um salto enquanto alguns patrulheiros erguiam o portão. Depois de Redfort e sua escolta de patrulheiros terem montado foi que o eles prosseguiram pelo túnel até o seu fim.
A cabeça do Lorde Arryn ergueu-se. Parecia saborear o ar de Além da Muralha. Quando notou os olhos do ruivo sobre si foi que os desviou para o rapaz e sorrira.
— Faz anos que não atravesso esse túnel – disse Arthurus Arryn – É difícil esquecer-se da sensação que é estar além do fim do mundo. – Então bateu os calcanhares em seu cavalo e ele prosseguiu com Jon fazendo o mesmo tentando acompanhar o velho.
Eram poucos homens na idade do lorde comandante que ainda ousavam cavalgar. Uma simples queda e ele poderiam ter um ferimento grave e ficar entravado na cama, fora assim que acontecera com seu avô como se recordava o jovem. Porém, o Lorde Comandante parecia mais jovem do que realmente era mesmo que sua voz soasse tão velha quanto realmente aparentava.
Uma vez na floresta, encontrou-se num lugar diferente mesmo um lugar tão familiar para alguém acostumado com elas parecia diferente do outro lado da Muralha. Young Jon caçara frequentemente com o pai, Benjen Snow e o irmão Evan. Na última vez tinham levado o pequeno Brandon que vinha mostrando-se promissor. Mas mesmo Evan com toda sua habilidade de arquearia perderia a presa por dentre aquelas arvores.
Ele era um bom caçador desde tenra idade. Era conhecedor da Mata de Lobos que rodeava Winterfell das vezes em que acompanhara o pai nas caçadas com o Rei Brandon e os príncipes. Era familiar a Floresta Assombrada, porém ao mesmo tempo diferente. Também era diferente das florestas do terreno montanhoso que havia nas terras de seu pai, que ele conhecia tão bem como qualquer outro homem da Última Lareira fizera antes dele.
A floresta assombrada era muito parecida com as outras, mas ao mesmo tempo havia algo de diferente nela. Como se houvessem olhos o observando das sombras o era muito diferente do que costumava a sentir. Talvez estivesse assustado, era sua primeira vez em terras tão desconhecidas. Perguntava-se como Brie deveria estar naquele momento se ela ainda estivesse viva. Não, ela tinha de estar não podia ter pensamentos negativos daquela maneira.
Tinham cavalgado até depois do fim do mundo, segundo o próprio Lorde Comandante tinha citado. E de certa forma, isso mudava um pouco a perspectiva de Jon como ele tinha visto com os próprios olhos o que havia além da Muralha mesmo que fosse apenas uma pequena parte.
Maryanne provavelmente pediria que ele contasse tudo. Sua irmã tinha um fascínio para aventuras sendo as historias da Era dos Heróis e de confronto dos Reis do Norte contra os Reis de Além-da-Muralha suas favoritas. A garota uma vez lhe confessara que desejava ter nascido homem que assim poderia tomar o negro e viver em defesa dos Sete Reinos, mas os deuses a tinham feito uma mulher e como tal seria sentenciada a casar-se com quem o pai decidisse ser o melhor para ela. Por vezes Jon pegava-se pensando que um dia retornaria para casa apenas para receber a noticia de que sua irmã tinha desaparecido.
— Fique próximo – falou Lorde Arryn ao rapaz.
Cada sombra parecia mais escura. As árvores apertavam-se e afastavam a luz do sol poente. Os cavalos deixavam uma trilha sobre a neve fresca bem como a respiração dos animais podia ser sentida. Os singelos nas árvores caiam e alguns se quebravam num som que fazia lembrar o quebrar de ossos.
Quando o vento fazia os montes de neve voar como folhas ao vento. A Muralha estava nas suas costas, e só os deuses sabiam o que encontrariam adiante. O sol afundava-se atrás das árvores quando alcançou seu destino, uma pequena clareira nas profundezas da floresta.
Nove represeiros cresciam numa meia-lua. Young Jon prendeu a respiração e olhou fixamente para cada um dos sorrisos vermelhos nas árvores brancas como osso. Mesmo na Mata de Lobos, nunca se viam mais de duas ou três das árvores brancas crescerem juntas.
O chão da floresta encontrava-se atapetado neve fofa e sobre ela as folhas que tinham caído pelos ventos dos galhos das árvores. Porém ainda tinham folhagem diferente das outras da floresta, as mesmas folhas vermelhas como sangue e negras de podridão por baixo como a que ele tinha visto em toda a sua vida no bosque sagrado da Última Lareira.
A seiva seca que se encrostou nos olhos era vermelha e dura como rubi e diferente dos olhos vazios das estátuas dos Sete no septo que pareciam rejeita-lo, aquelas ali o faziam se sentir bem. Um filho do Norte sabe reconhecer quando está em casa e aquela árvore é um dos símbolos que lhes é familiar. Young Jon ordenou-lhes que deixassem os cavalos fora do círculo.
— Este é um lugar sagrado não podemos profana-los com nossos animais é uma questão de respeito – disse o Umber enquanto desmontava acompanhado dos outros. Quando entraram no bosque, o jovem patrulheiro virou-se lentamente e olhou para os rostos, Jon também fez sendo que olhou um por vez e pode se certificar de que não havia dois iguais.
— Eles nos observam – sussurrou Leon – Os deuses antigos.
— Rapaz, está na hora – disse Remyr Redfort para o recruta.
Os homens mantiveram-se longe enquanto por sua vez, Leon tomou alguns passos até que estivesse de frente para a árvore central e ajoelhou-se ali. Proferira as palavras enquanto a última luz desaparecia e a noite por fim chegava. A floresta caiu no silêncio e apenas a voz solitária do jovem poderia ser escutada.
— A noite chega, e agora começa a minha vigia. Não terminará até a minha morte. Não tomarei esposa, não possuirei terras, não gerarei filhos. Não usarei coroas e não conquistarei glórias. Viverei e morrerei no meu posto. Sou a espada na escuridão. Sou o vigilante nas muralhas. Sou o fogo que ar de contra o frio, a luz que traz consigo a alvorada, a trombeta que acorda os que dormem, o escudo que defende os reinos dos homens. Dou a minha vida e a minha honra à Patrulha da Noite, por esta noite e por todas as noites que estão para vir.
— Ajoelhou-se como uma criança – soou Lorde Arryn – Erga-se agora como irmão da Patrulha da Noite.
Leon se levantou com certo orgulho em seu olhar. Os patrulheiros que faziam a escolta do Lorde Comandante aproximaram-se para oferecer sorrisos e parabéns para o mais novo irmão. No final o próprio Velho Falcão abraçara o rapaz nortenho e lhe sussurrara algo ao ouvido ao que ele assentira vivamente. Young Jon aproximou-se e estendeu a mão ao rapaz que meio acanhado a pegou.
— Espero que honre com suas palavras, rapaz. – disse Jon.
— Eu as honrarei, meu senhor. – respondeu Leon – Eu agradeço pelo senhor ter vindo.
— Você é o único nortenho dessa turma recém-juramentada – disse Jon – Uma vergonha para nós se pararmos para pensar. Diga-me, que crime cometera para vir para cá?
— Eu tomei o negro porque eu escolhi isso para mim, meu senhor. – disse Leon – Não sou um criminoso nem nada do gênero apenas alguém sem nada que desejou ter algo pelo que viver.
— É um pensamento bom – disse Jon percebendo que o rapaz não soava como um Bolton por mais que sua aparência dissesse o contrário – Espero que encontre o que deseja e não acabe se arrependendo.
— Tenho certeza de que não irei – disse Leon.
— É melhor nos colocarmos a caminho, milorde – disse Remyr Redfort para o Velho Falcão – A escuridão está caindo e há qualquer coisa na noite além da Muralha que não me agrada – o cavaleiro tinha já se encaminhado para perto dos cavalos.
E, de repente, o som de galopes foi escutado e eles puderam ver por meio a sombra das árvores mais profundas da floresta. Todos ficaram em silêncio, os soldados que acompanhavam Jon Umber ameaçaram de desembainhar a espada, porém o rapaz fez um sinal para que parassem. Derramar sangue em um local daqueles era um mau agouro e uma atitude digna de maldição.
Eram cerca de vinte cavaleiros montados em seus cavalos quando por fim eles diminuíram o ritmo para trote. Quando se aproximaram foi que pararam seus animais quando os olhos de um deles caíram sobre o Lorde Comandante Arryn.
— Milorde – disse o homem encapuzado então removendo o capuz – Nós finalmente encontramos nosso caminho pensamos que estivéssemos perdidos.
— Fratricida – disse Remyr Redfort – O que faz liderando estes homens?
— Não respondo a você, Redfort – pronunciou-se o rapaz.
O nome fratricida era amaldiçoado. Era dado a alguém que tinha cometido o crime de assassinar o próprio irmão. Derramar o próprio sangue era uma ofensa aos deuses novos e antigos e uma vergonha para a pessoa que o fez.
O homem a frente dele tinha ares nobres como pode definir pela espada que havia em sua bainha. Com o cabo em forma da cabeça de um leão com olhos de rubi, porém o tom de seu cabelo não era o loiro típico dos Reis do Rochedo.
— Reyne— chamou o Velho Falcão e o rapaz lhe encarou – Diga-me, onde está Ron Umber?
— Ele... – falou Reyne parecendo um pouco abalado – Ele caiu lutando, milorde. Como um herói. – fez uma pausa engolindo em seco — Eu estava com ele quando morreu. Pediu que eu reuni-se os homens e retornasse para a Muralha... – Ele olhou para os companheiros – Somos tudo que restou da expedição.
O rapaz era um Reyne de Castamere. Um leão vermelho era o símbolo e tinham uma rivalidade com os Lannisters de Rochedo Casterly bem semelhante aos Bolton com os Starks. Em um casaco de ouro ou em um casaco de vermelho ainda é um leão.
— Os deuses foram bons conosco em permitir que retornássemos – pronunciou-se um deles que Jon reconheceu imediatamente – Se não fosse por Ray... – Então o Reyne o encarou – Raynard. Se não fosse pelo Raynard não teríamos chegado até aqui e nos perdido no caminho de volta para casa.
O rapaz tinha cabelos longos castanhos e um nariz avantajado. Tinha o sotaque nortenho carregado e o tom de voz grave, assim que o encarou pode se lembrar de quem se tratava. Ainda tinha o porte elegante como o de um cavaleiro que um dia poderia ter chegado a ser. Seu nome era Vhougan Woods, o escudeiro do finado Rodwell Karstark. O mesmo que tentara violentar Lady Jenyver e enviado para a Patrulha da Noite por esse crime.
Um fratricida e um estuprador tinham sobrevivido à batalha contra selvagens enquanto um cavaleiro de nobre como Ronnel Umber tinha caído por terra? Era algo suspeito pensou, porém talvez fosse sua mentalidade que estivesse lhe fazendo pensar dessa forma. As lembranças que tinha do primo de seu pai eram a de um homem grande e forte como o restante da família costumavam ser. Mesmo para o maior dos homens a morte chega e se foi uma morte em batalha que Ronnel teve então ele estava feliz no fim.
— Fez bem, filho. – disse Lorde Arryn para Raynard Reyne que assentiu em agradecimento – Certamente existem feridos entre vocês então vamos retornar para casa e ver esses ferimentos. – O velho foi auxiliado por Redfort a subir no cavalo e tomou as rédeas – Para Fortenoite, irmãos.
Young Jon viu os homens partindo, porém não retornara ao seu cavalo. Ele dobrou os joelhos frente a árvore coração central e abaixou sua cabeça. Os patrulheiros notaram aquilo tanto é que um deles tentou aproximar-se porém foi parado por Velho Falcão.
— Deixe-o – falou Lorde Arryn – Vamos dar alguns momentos para o rapaz e seus deuses.
O rapaz rezara pela alma de seu parente perdido mesmo que não fossem os mais próximos sabia quanto Grey Jon valorizava ao primo. Então suas preces se voltaram para outra pessoa e desejou que fossem atendidas e os Deuses Antigos olhassem pela princesa perdida em terras selvagens e desconhecidas.
“Volte para mim, Brie” Pediu Jon mentalmente.
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