North War – Interativa
3 Capitulo 2
Notas iniciais

Karstark
Edwyn havia se ajoelhado em frente a árvore coração e fazia suas preces em silêncio. Como era seu costume todas as manhãs só daquela vez era diferente porque em seu peito vinha o sentimento de que talvez não fosse retornar tão cedo para casa. Seu pai recebera uma carta de Winterfell em que Rei Brandon estava reunido o conselho dos lordes para uma comitiva. A paz com que o jovem tinha nascido e vivido até ali tinha encontrado seu fim.
E isso lhe fazia ter uma grande gama de sentimentos. Ansiedade pelo que estava por vir de como poderia se tornar um verdadeiro cavaleiro como todos os outros homens de sua família eram ou tinham sido. Mas ao mesmo tempo, tinha medo. Medo do que era realmente estar em um campo de batalha. Medo de não ser o suficientemente bom em combate e perecer nas mãos inimigas.
Rodwell era um grande cavaleiro, um grande espadachim, lanceiro e arqueiro. Lorde Torrhen tinha se dedicado grande parte de sua vida em fazer do primogênito um herdeiro que futuramente seria capaz de manter o comando de Karhold nas ocasiões de dificuldades. Um homem que lutaria guerras ao lado de seu Rei e pelo Norte. Um Lorde-Guerreiro. Mas a morte o achou em combate e ele pereceu como um herói ao salvar seus companheiros. Deixando Edwyn para assumir esse fardo.
Naquele momento seus olhos estavam fechados e seus dedos envolviam as raízes da árvore central do bosque sagrado enquanto seus joelhos ainda mantinham juntos ao chão. Ele sussurrava suas preces dessa vez parecendo que estava levando mais tempo do que realmente tinha o costume. Ele não conversava apenas com os deuses dos seus antepassados como também era uma forma de se sentir conectado com o seu irmão que o havia deixado.
Rodwell sempre lhe falava que os vivos podiam se comunicar com os mortos através dos deuses como caminho de como que ele com toda a certeza iriam ouvir quando seu irmãozinho lhe falava. “Rodwell, estou indo agora”. Ele ergue-se do chão.
“Peça aos deuses para que me protejam e que nos deem as forças necessárias para essa guerra”. Então encarou a árvore por mais um tempo e sentiu o vento fazerem os galhos de represeiro balançarem. “Também sinto sua falta, Rod”.
Edwyn retornara para o pátio do castelo, onde pode ver um aglomerado de homens. Era uma pequena porcentagem dos soldados e cavaleiros que seu pai tinha convocado, como a casa Karstark era detentora de um dos maiores exércitos nortenhos. Aqueles homens eram só a primeira tropa que iriam com Torrhen e Edwyn em direção de Winterfell.
O jovem herdeiro cruzara por dentre os homens em direção do centro do circulo que tinha se formado, pode escutar vários gritos animados de homens que estavam verdadeiramente empolgados com o que tivesse ali. Ele logo reconheceu um dos gritos e por quem chamavam.
— Tyr, acabe logo com isso! – falou alguém da multidão.
E então Edwyn colocou seus olhos sobre o primo e estranhamente não estava nem um pouco surpreso.
Afinal só naquela semana Lorde Torrhen tivera de interceder pelo sobrinho várias vezes por conta de brigas em tabernas. Se não fosse pelo esforço em tentar colocar o sobrinho na linha era capaz de que Tyr Karstark já teria sido mandado para a Muralha há muito tempo atrás. Mas independentes das ameaças do tio de que seria a ultima vez que limparia as sujeiras dele, o rapaz não se deixava intimidar afinal segundo as palavras que dissera para Edwyn uma vez: Ninguém vai para a Muralha por brigas em tabernas a menos que você mate alguém em uma, o que ele nunca fez. Apesar de deixar muitos feridos.
Eram vários os motivos que levavam o rapaz a entrar em combates, desde por razões mais sérias como defender algo que acreditasse ou se visse pessoas fazendo coisas injustas quanto por diversão. Naquele caso era o segundo como podia ser visto ali no centro da pequena arena onde Tyr enfrentava outro cavaleiro em uma briga de espadas.
— Olá, milorde – disse uma voz cumprimentando Edwyn que ao virar-se encontrou com Alys Brunden, a escudeira de Tyr, atrás de si. – Apreciando a grande demonstração de seu querido primo bancando o espadachim de saltimbancos?
Edwyn não pode deixar de sorrir ainda mais quando Alys o fizera primeiro. Ela era apenas cerca de um ano mais velha que o herdeiro Karstark, uma bela mulher com os ares exóticos de Essos. Segundo Tyr tinha contado o primo, a escudeira possuía sangue braavosi, dothraki e lyseno.
— O que está havendo? – perguntou Edwyn – Como tudo isso começou?
— Seu primo estava muito agitado por toda a espera para partimos em direção de Winterfell – falou Alys – O resto acho que já pode deduzir. – E o rapaz rira.
— É, acredito que possa – respondeu Edwyn.
— Pensei que fosse me dar uma boa luta, Sor. – disse Tyr em meio a risos enquanto desviou-se de um golpe, então respondendo com escudo contra a cabeça do oponente o deixando tonto — Mas aparentemente resolveu apenas me tirar para dançar não é mesmo? — O cavaleiro golpeara mais uma vez tentando acertá-lo só que desviou então batendo com o cabo da espada contra o rosto do outro.
— Você fala muito – disse o cavaleiro – Parece uma mulher. Lute mais e menos tagarelice, senhorita. – tal comentário fez Alys soltou um risinho debochado com aquele comentário.
— Mulheres em Essos lutam melhores que esse merdinha – falou Alys para Edwyn – Esse ai não teria nem chance comigo caso lutássemos um com o outro. Sou mais leve que ele e mais nova... Acabaria com isso rápido e o humilharia mais. Sorte dele que Tyr está apenas brincando com ele. Não é uma briga séria.
— Eu parecendo uma mulher falando, você diz? Oh, isso foi uma ofensa, eu falo mais do que elas. Acredite sabe? Você saberia se andasse mais comigo... – disse Tyr ainda com um tom bem humorado então bloqueando mais um golpe de espada – Mas acho que não seremos amigos não é? – então desviou de mais um golpe – É, acho que não. – mais um golpe mais baixo e mais um desvio aconteceu.
— Acho que não lhe agrada como estamos dançando – disse Tyr então dera um chute lançando a espada do outro para longe, seguido uma rasteira que fez o cavaleiro se desequilibrar indo contra o chão. – É uma pena porque eu não sou um bom dançarino mesmo. Desculpe-me acho que te derrubei não foi? Deixe-me que eu o ajudo, Sor. – estendeu a mão ao homem que rosnou raivoso, mas acabou aceitando e sendo erguido do chão.
— Você é bom, Sor Tyr. – disse o cavaleiro — Só tem que aprender a fechar a boca. – ele deu um tapa camarada no ombro do rapaz — Vai se distrair assim enquanto estiver em combate. Deixar seu oponente mais irritado não é algo muito esperto.
— Desculpe-me, Sor Medlyn só que eu aprendi que um adversário irritado se torna descuidado. – falou Tyr – Sem falar que eu me divirto em combate. É claro que guerra não é algo engraçado então acredite que eu sei levar as coisas a sério. – ele então pegou a espada do outro cavaleiro que tinha desarmado enquanto lutavam – Acho que isso lhe pertence, meu caro. – E Medlyn sorrira enquanto se afastada do rapaz loiro.
Os homens se dissiparam enquanto Edwyn e Alys então caminharam até o loiro que pareceu então notá-los e sorriu quando os dois se colocaram em sua frente. A diferença os dois primos era um pouco grande, Tyr e Edwyn também não eram tão próximos porque o mais velho era mais ligado com Rodwell sendo este o elo que os ligava. Tentar mantê-lo era um pouco estranho por conta das diferenças que possuíam. Mas de toda a forma, eles costumavam se dar bem um com o outro.
— Apreciou o que viu, primo? – perguntou Tyr – Se quiser mais tarde possamos praticar também. Prometo pegar mais leve com você só não lhe garanto se irá vencer. – então deu uma piscadela.
— Desculpe-me, mas não devo achar que seja uma grande vantagem – disse Edywn – Apesar de que sou muito bom com a espada quanto você. – então Tyr assobiara olhando por sobre o ombro do primo que olhou naquela direção.
Os olhos do herdeiro Karstark encontraram com um grande cão de caça de pelagem tigrada. O animal estava dormindo próximo da ferroaria e quando escutara o assobio erguera a cabeçorra com sua cara amassada e enrugada de costume.
— Vamos nessa, Arbus... – disse Tyr chamando seu cão para junto dele – É muito cedo para dormir – porém o animal apenas soltou um som que lembrava um resmungo e voltou a deitar-se – Tudo bem, só esteja preparado porque você vai para Winterfell com a gente. – e os dois primos e a escudeira tornaram a caminhar novamente.
— Isso me lembra, deve estar com isso para quando partirmos – disse Tyr então entregando a espada ao primo – Seu pai pediu que te encontrasse e lhe entregasse está beleza típica digna de um jovem nobre. Um ótimo ferreiro a forjou, alias meus cumprimentos a ele e preciso do nome para ver se pode fazer uma para mim – o rapaz pegara parecendo não compreender.
— Espere, você usou a minha espada? – falou Edwyn – Minha espada nova que foi forjada há poucos dias. – Alys deu um tapa na nuca do loiro.
— Avisei que era uma péssima ideia lutar com uma espada que não era sua – falou Alys – Não é algo que se faça. As pessoas tem algo que se chama questão de propriedade, tinha sua espada que é tão boa quanto a de seu primo. Poderia ter a usado. Sempre a sua.
— Por favor, Lady Brunden – disse Edwyn tentando interceder – Não se preocupe, eu realmente não me importo com isso. Não precisa puni-lo pelo que fez ninguém saiu prejudicado disso tudo...
— Como desejar, milorde – disse Alys – Mas eu não sou uma lady.
— Poderia ter falado isso antes, Eddie – falou Tyr massageando a parte detrás da cabeça então voltou-se para a escudeira – E você poderia bater-me com a mão que não usa os anéis, Alys. Eles machucam.
— Talvez isso faça com que aprenda a não falar tudo que pensa – disse Alys – Deveria se desculpar pela espada.
— Não, não precisa... Realmente – disse Edwyn – Não foi nada.
— Ele não se importa, Alys. Ele sabe que espadas que aparentam não terem sido usadas sempre passam que o cavaleiro é recém-consagrado. Ela é nova, não pode aparecer em Winterfell com uma espada assim. – falou Tyr – Uma espada precisa de cicatrizes de batalha. A espada de todo o verdadeiro cavaleiro as possui. E a sua agora tem algumas... – o herdeiro guardara a espada na bainha.
— Que não fui eu que fiz – respondeu Edwyn calmamente parecendo não se importar.
— Mas ela não precisa saber – concluiu Tyr — Sua noiva não iria achar muito atraente achando que você não pratica tanto — enquanto os três caminhavam em direção do castelo.
— Eu não sei se ela iria ligar para marcas de espadas – disse Edwyn – Acho que caso lhe mostrasse a minha teria riscos dela transpassar-me com a lamina.
— Ai, veríamos uma outra guerra causada porque a princesa matou seu noivo – disse Tyr – Uma trupe de teatro poderia até escrever uma peça sobre tal e atua-la. Seria uma comédia e tanto... A Princesa Loba e o jovem Sol Prateado.
— Isso não é algo engraçado Tyr – argumentou Alys – Tenha respeito com seu primo.
— Ele sabe que é brincadeira – disse Tyr e o rapaz de cabelos negros sorriu.
— Eu não preciso de uma espada manchada para que Atena pense em mim como alguém atraente. E sim, o temperamento dela é forte só que tenho esperanças de que ela possa gostar de mim. Meus pais quando se casaram não se amavam e meu pai conseguiu conquista-la com o tempo... – falou Edwyn – Preciso apenas encontrar uma maneira certa de conseguir que crie algum sentimento por mim. Amizade seria um bom ponto para se começar.
— E mesmo assim, tem se mostrado falho – observou Tyr — Aquela garota Stark tem um temperamento forte demais para ti, primo. Nem todo seu charme de lorde vai conseguir amansa-la. Seus encantos não tem sido suficientes... – então sorriu — Talvez eu pudesse lhe ensinar algumas coisas sobre como se chegar às mulheres.
— Eu aprecio sua oferta, mas devo recusar – falou Edwyn – Até porque não passaremos tempo suficiente em Winterfell. Ficaremos tempo suficiente para que os lordes decidam que posição tomar a respeito da guerra iminente.
— O meu tio não deveria lhe mandar para a batalha – falou Tyr – você é o único herdeiro dele. Depois do que aconteceu há 3 anos esperava que fosse coloca-lo em Karhold cuidando das coisas do castelo.
— A minha mãe e irmã ficaram a cargo de tão função – disse Edwyn – Meu pai diz que devo estar ao lado dele. Que eu devo aprender a comandar um exército e me interessar mais pela guerra, para que assim quando tiver de lutar por Matthew quando este for rei e eu lorde tenha mais chances de vencermos. Quer que eu ganhe experiência e isso se ganha na pratica pelo que sei... – Então ingressando no castelo – Irei tratar de despedir-me das pessoas que faltaram. Quero me certificar de que não sobrou nenhum. – O rapaz era o tipo de jovem que gostava de agradar as pessoas e tratava a todos com educação e respeito desde o meistre até mesmo o cavalariço.
— Claro, sinta-se livre para isso. – disse Tyr vendo o rapaz moreno desaparecendo no corredor — Avisarei ao seu pai que não demorara. – o herdeiro distanciou deixando o loiro sozinho com sua escudeira.
O olhar dos dois era algo sério em especial no cavaleiro que parecia preocupado muito diferente de seu olhar a momentos atrás. Preocupado com o que essa guerra iria fazer com seu primo.
“Você não sabe como a guerra é, primo”. Pensou Tyr. “Você verá, presenciara e será obrigado a fazer coisas que nunca fez”. Ele então caminhou na direção oposta sendo seguido por Alys Brunden.
...
Mormont
Lizbeth costumava adorar as visitas que fazia para Winterfell. Estar ao lado de sua Tia Lyra e dos primos era algo que desde muito cedo fizera parte de suas memórias. Infelizmente, para chegar até lá tinham se cruzar o mar de barco que separava a Ilha dos Ursos do continente.
Ela não temia muitas coisas, mas o maior de todos os seus medos desde a infância era lugares como muita água. Estar perto de lagos, rios ou do próprio mar era algo que lhe causava uma sensação péssima de desespero. Ela ficara muito tempo sem gostar de deixar o seu lugar de nascimento por conta de tal desconforto.
E lá estava ela. Mesmo dentro da cabine tentando concentrar-se em sua leitura não conseguia evitar ter a atenção desviada pelo som das ondas que batiam contra o casco da embarcação. Sua mãe tinha sido a causadora disso, quando assassinara o marido na frente da filha mais nova deles.
Ela era uma criança nova demais para entender o que acontecia na sua frente, o porquê dos gritos e porque sua mãe estava afundando a cabeça do homem dentro das águas quentes das fontes termais do castelo. Quando ela parou e o corpo já boiava foi que olhou para a filha e com um sorriso se despedira. A mulher ainda lhe beijou a testa dizendo que a amava.
Esse era a lembrança ruim que lhe assombrava, sendo que poucas pessoas sabiam desse seu medo. Ela tentava escondê-lo geralmente evitando água o que era algo complicado para alguém que vive em uma ilha. Quando ia para o continente trancava-se na cabine e ficava lá até que a viagem terminasse. Brie fora a única que deduzira tal medo.
Brie tinha sido a única pessoa que conseguiu lê-la dessa forma. Foi apenas questão de duas viagens de barco na companhia da amiga para poder concluir isso. A princesa além de tão amável era abençoada por uma grande inteligência que facilmente se equiparava a sua beleza.
Beleza não apenas por fora como também por dentro por conta de seu coração imensamente bom, tanto que Liz não se importou com o fato de abrir seu coração para ela e derramar algumas lagrimas no processo. No geral, Lizbeth tentava manter-se forte sem demonstrar fraqueza para os outros. “Dama da Ilha dos Ursos, ursos não choram então também não devemos...”.
“Lobos também não, mas eu choro às vezes” respondeu-lhe Brie naquela ocasião. “Não precisa ser forte sempre, Liz”. Ela lhe trouxera para um abraço.
“Sou uma tola, não queria que me visse assim” respondeu Lizbeth.
“Ninguém é feito de gelo para ser frio como tal...” disse Brie “Somos feitos de carne, osso e sangue”. A Mormont sorrira para aquele comentário da amiga enquanto esta lhe limpava as lágrimas da face.
“Malditas frases de efeito” falou Lizbeth com um sorriso se formando assim como uma risada “Maldita Brie Stark e suas citações de antigos reis do inverno”. A outra sorrira para a amiga com aquela resposta dela.
“Não posso negar, eu as adoro é meu pior defeito” disse Brie.
“Defeitos?” Riu Lizbeth ao lembrar-se daquela cena. Era divertido porque para a pequena ursa não havia defeitos na princesa. Brie era perfeita de um jeito que a Mormont não conseguia enxergar em outras pessoas independente de serem homens ou mulheres.
E lá estava ela seguindo em direção de Winterfell, ainda não conseguia acreditar que Brie tinha sido levada. Sua amada Brie. Selvagens a tinham tirado de seu lar e mesmo não sendo a pessoa mais crente foi que Liz se viu recorrendo em preces aos deuses de seus antepassados para que guardassem e a protegessem dos males de Além da Muralha.
A pureza da princesa fora algo que a conquistara. Que fez Liz apaixonar-se pela própria prima. Amá-la de uma forma que fazia com que quisesse com que ela tivesse sido feliz com Rodwell. Mesmo que se sentia estranha inicialmente ao vê-los aos beijos com o falecido herdeiro Karstark.
Mas se amar era ver a pessoa feliz mesmo que não fosse consigo. E ela gostava de ver Brie sorrindo. Lizbeth sabia que o amor pela princesa iria viver dentro de si e nunca deveria ser revelado a ninguém. Nunca. Alguns toques na porta fizeram com que ela se erguesse e caminhou para abri-la.
— Rian— falou Lizbeth para seu irmão mais velho.
— Nós já estamos chegando – disse Rian – Queria avisa-la para que se prepare.
— Já estou preparada na verdade – respondeu Lizbeth – Não me senti tão enjoada como estou de costume. – enquanto fechava a porta.
— Ah, claro e você realmente espera que eu acredite nisso? – falou Rian sorrindo – Minha irmãzinha – ele a puxara para perto de si a abraçando e fazendo com que seu braço envolvesse os ombros dela e a cabeça de Liz repousou no peito do irmão.
Rian era alto comparado com a caçula. Na infância ele costumava a provoca-la erguendo os brinquedos ou livros dela no alto só para ver a irmã dar pequenos saltos para ver se o alcançava. Mas após a morte do pai deles o garoto foi obrigado a amadurecer muito rápido e tornou-se um lorde em formação sendo instruído pela avó nos caminhos que devia seguir.
— Você na aprende não é mesmo? Você e Catry são um livro aberto para mim. – disse Rian — E eu sei o que você sente, iria vir passar a viagem ao seu lado só que vovó quis com que ficasse com ela. Passamos o tempo todo numa reunião entediante falando sobre como agiríamos nessa guerra.
— Deve ter sido interessante – falou Lizbeth – Eu iria gostar de ter participado se estivesse me sentindo melhor.
— Eu gostaria que estivesse, Liz. – disse Rian – assim vovó não ficaria perguntando para mim minha opinião. O olhar dela me supervisionando como se analisasse cada resposta que eu fosse dar. Isso é algo que deixa qualquer homem em seu juízo perfeito sentindo-se como se tivesse voltado a ser uma criança que tem seus conhecimentos testados pelo meistre.
— Nem nosso meistre era tão exigente quanto ela – disse Lizbeth sorrindo.
Lady Maege sempre permitia aos netos que participassem das reuniões importantes e mesmo que Rian não achasse muito interessante pela maioria das vezes tratavam-se apenas de membros da corte reclamando sobre assuntos banais, Lizbeth escutava atenta e com atenção. Ela admirava muito a avó e esperava que um dia quando mais velha fosse tão sabia quanto ela.
A avó fora uma figura materna forte para os irmãos Mormont ao lado da Rainha Lyra. Elas tinham se responsabilizado de cria-los tanto que a tia dos irmãos tinha levado Catryona para ser sua dama de companhia em Winterfell. Mas Lady Maege era a principal responsável por cria-los, já não bastasse ter levado a criação dos filhos sozinha depois da morte do marido ainda teve que cuidar dos netos depois da morte de Olyvio. A típica mulher Mormont exigente com seus descendentes, porém bastante carinhosa e doce com eles. Rian sempre fora mais apegado à avó do que a mãe verdadeira mesmo antes desta abandoná-los.
— Nem bem chegamos ao continente ou vimos o rei e ela já quer tomar a frente das estratégias de combate. – disse Rian – A Ursa Maior não perde por esperar para a reunião do pequeno conselho dos lordes. Mas eu a compreendo, Brie foi levada por selvagens e o Rei Brandon executara Royce Bolton em Winterfell. Teremos duas guerras para lutarmos.
— Está com medo? – perguntou Lizbeth.
— Apenas um tolo não sente um pouco de medo frente a batalha – disse Rian – Mas devo admitir que o calor da batalha e o coração pulsando forte é algo que me agrada. Mas sinceramente, espero que a Brie consiga retornar para nós.
— Eu também espero, meu irmão. – falou Lizbeth.
— Eu sei, consigo ver isso... – disse Rian — Sua reação quando vovó nos contou. Você está preocupada e eu entendo, também estou. Mas devemos ter esperanças e confiar que seremos capazes.
— Vovó lhe disse algo sobre como o rei irá dividir suas tropas? – questionou Lizbeth — A equipe de resgate a princesa ou qualquer assunto desse tipo?
— Não sinto muito – falou Rian – Nós falamos de números de homens, de armas e cavalos e de quando os próximos barcos deveriam trazer mais em casos de reforços. Reforços que quase não temos... – ele parecia um pouco preocupado — A Ursa Maior convocou todos nossos homens praticamente. Se precisarmos de reforços nosso lar ficará desprotegido.
— Então fará o possível com os que temos disponíveis. – disse Lizbeth.
— Você sabe que farei – sorriu Rian enquanto chegavam à parte superior do barco e os dois puderam ver a alguns metros as copas das arvores da Mata dos Lobos. – O Norte pertence aos Starks e iremos mostrar aos Boltons isso. – Ele parecia confiante – Eu irei mostrar aos homens esfolados o que um urso pode fazer.
Quando o barco com o grande brasão que ostentava o urso negro dos Mormont tinha descido a prancha e toda a comitiva de Lady Maege descera. Sendo que se incluía aqui a carruagem ornamentada em que a Ursa Maior geralmente se locomovia acompanhada da neta. Era linda, pintada de negro com esculturas de cabeças de ursos em bronze lhe adornando.
— Iremos à carruagem com vovó? – questionou Lizbeth.
— Eu irei cavalgar – disse Rian – Pathor está me esperando com o meu cavalo que estava no outro barco junto da carruagem e o restante dos nossos animais. Mas não se preocupe, logo estaremos em Winterfell. – ele suspirou — Eu estava esperando por encontrar com Catry para saber como estava nesse tempo desde nossa ultima visita. Só esperava que não precisasse ser por conta de um fato tão triste.
— Eu sei, também estou com saudades de nossa irmã – respondeu Lizbeth – Ser noiva de Noah não é uma posição fácil. – Rian crispou o cenho frente aquele comentário da irmã.
— Vovó deveria ter optado pelo Umber – disse Rian ainda inconformado com o noivado da irmã com o segundo príncipe – Eu e Noah nunca tivemos problemas um com outro antes dele ser prometido a Catry. Sabe como se diz, irmãs são sagradas aos olhos dos deuses. Quando você sabe a índole da pessoa sua visão a respeito dela se altera. Vovó não devia ter aceitado isso...
— Vovó fez o que achou certo. E eu acho que não foi o rei que pediu. – respondeu Lizbeth — Se fosse ela não teria aceitado tão facilmente quanto pensa. Ela pensou que Catryona seria capaz de trazer o que havia de melhor em Noah.
— Pois todos erraram – disse Rian – Rudemente, nossa irmã merecia alguém melhor.
— E Noah não é tão ruim assim, eu o acho divertido. – disse Lizbeth – Ela apenas tem que conseguir chegar a amá-la. Nossa irmã é capaz disso, eu sei.
— Se fosse Matthew no lugar de Noah – falou Rian – Não teríamos esse problema.
— Diz isso porque ele é seu melhor amigo – respondeu Lizbeth.
— Não, digo isso porque ele faria nossa irmã feliz – disse Rian.
— O que tanto os dois conversam? – perguntou Lady Maege aproximando-se de seus netos.
A mulher era alta até um pouco mais que a neta o que fazia com que Lizbeth sentisse um pouco mais humilhada por conta de sua baixa estatura. Possuía grandes olhos verdes claros que pareciam enxergar sua alma, cabelos brancos amarrados embaixo de seu chapéu de pele negro assim como o casaco que usava combinando. Era magra e possuía uma pele pálida enrugada muito menos do que seus 80 anos lhe diziam direito.
Era imponente em seu olhar e postura mesmo com os agravantes do tempo que agiram sobre ela. O peso da idade em seu corpo, a bengala que necessitava para se locomover, a visão um pouco fraca e as dores nas costas era certeza de que ainda estaria impondo uma espada e montando um cavalo em batalha.
— Nós estávamos apenas conversando, vovó – falou Rian – Desculpe-nos pelo atraso meio que nos distrairmos. – A mulher olhou para o neto por algum tempo então sorriu para este. Não era um sorriso verdadeiro, aberto totalmente e sim um dos famosos sorrisos discretos que Lady Maege usava.
— Então, vamos... – disse Lady Maege aos netos – seremos os primeiros em Winterfell. – ela voltou-se em direção da carruagem — E eu quero chegar logo lá porque dentro de mim queima para confrontar Brandon. Grande Rei o que temos, deixar a princesa... – ela bufou irritada — Minha neta ser sequestrada. Lyra tem parte nisso também, não insistiu para que a menina aprendesse a pegar em armas. Duvido que se fosse com Lizbeth ou Catryona, mesmo Atena... Se isso seria possível.
— Eles não têm culpa, vovó – disse Rian – Não tinha como saber.
— Um pai sempre fica de olho em seus filhos – disse Lady Maege – Deuses, eu tenho mais de quarenta anos cuidando de crianças. Cuidei de meus filhos e cuido de meus netos até hoje. Eu entendo das coisas, Rian.
— Bem, eu também entendo – falou Rian – Também estou preocupado, mas não ache que deva culpar o Rei Brandon e a Rainha Lyra com isso.
Quando tiver suas próprias crianças então entendera como é. – disse Lady Maege — E eu sou mãe duas vezes... – então encarou o neto com seriedade — Por que não deveria estar com raiva? Brie, era minha neta assim como vocês são. E a família vem em primeiro.
— E por conta disso, que deveria aceitar que os pais de Brie não tem culpa – insistiu Rian.
— Eu sei que não devia. Devo culpar os selvagens e aos Boltons. Ah, se fosse há 40 anos... – disse Lady Maege – Eu mesma iria atrás dela de Além-da-Muralha e de quebra mataria o maldito Rei Selvagem.
— Eu não duvido disso, vovó – disse Lizbeth.
— Muito bem, vamos então... – falou Lady Maege virando-se em direção da carruagem e um dos guardas abrira a porta e ajudou-a a entrar. Lizbeth voltou-se para o irmão e sorriu para este.
— Até mais, meu irmão – disse Lizbeth.
— Até Winterfell, pequena ursa. – respondeu Rian – E cuidado com a Ursa Maior. – Então se dirigiu até seu cavalo tomando a montaria do animal. A porta da carruagem fechou-se e a comitiva da Ilha dos Ursos partiu pela trilha aberta na Mata dos Lobos.
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