Notas iniciais
Hey pessoal, capitulo novo para vocês. Resolvi postar hoje porque estou de bom humor então aproveitem (mentira, é porque amanhã vou passar todo o dia fora). Eu espero que vocês gostem dele porque eu realmente curti escreve-lo. Boa leitura. Ah, antes que me esqueça. Vai ter uma música nesse capitulo para escutar basta clicar na letra... Estou querendo testar se vocês gostarem é só dizer. É porque tem uns personagens com dons para canto entre os talentos e eu queria explorar isso haha.

Vila Inverno

A Vila Inverno é uma aldeia que se localiza ao lado de fora das muralhas de Winterfell. Tão grande quanto a Aldeia de Karhold, ainda assim não costuma ser habitada por tantos camponeses como ela. A cidade encontrava-se cheia e suas ruas estavam atulhadas de pessoas só que em sua maioria eram cavaleiros e soldados que tinham vindo acompanhar seus senhores na convocação de armas do rei.

Quando o inverno se aproxima, a vila ganha sua vida com a sua população natural aumentando. Quando a neve e o frio chegam de vez, aquela vila é ocupada por praticamente todos os fazendeiros que cerquem aquela região a fim de passar o inverno ali.

Em Vila Inverno uma em cinco daquelas casas é apenas habitada no verão em sua maioria por famílias de criados do castelo ou então por comerciantes. A Rua da Praça do Mercado era a principal e onde havia o maior movimento natural pela maioria das coisas de interesse se encontravam. O fim da rua se dá nos portões leste de Winterfell enquanto o seu inicio a estrada.

Vila Inverno também tinha seus atrativos e pontos famosos. O Tronco Fumegante que era bastante famoso no Norte, por sua boa bebida e bons quartos sem falar nas mulheres que não eram de nada mal em esquentar os lençóis e os colos de quem lhes pagasse. Era uma estalagem com uma taverna, tão conhecidos por Tyr Karstark que é um cliente com certa frequência.

Em épocas normais, aquele lugar recebe viajantes de passagem por ser a única parte depois de Fosso Callin a ter uma estalagem com cama e comida decentes. Mas atualmente dificilmente deveria ter um quarto vago e era bem capaz do estalajadeiro estar alojando os soldados em seu curral. Isso é, aqueles que não tinham sua própria tenda para armar nas intermediações da estrada como tinham sido capaz de observarem enquanto a caminho dali.

Tyr tinha ido direto para o celeiro em busca de conseguir um bom cavalo que substituísse sua montaria perdida. Ele fora acompanhado de Alys Brunden, sua escudeira, que carregava no ombro a sela que tinham comprado a momentos atrás. O loiro analisara cada um dos equinos sentindo-se incomodado com o olhar do dono do celeiro que lhe seguia.

— São todos os cavalos que tem? – falou Tyr – Estou indo para a guerra não posso estar montando num pangaré que puxa carroças. – Ele franzira a testa parecendo um tanto desapontado.

— O que esperava, Tyr? – disse Alys parecendo divertida – Se conversarmos com os Starks pode ser que cedam um de seus animais para ti.

— Um cavaleiro sem o próprio cavalo – disse Tyr – Que piada de mau gosto.

— Quanto pensa em gastar, Sor? – questionou o homem atarracado e careca enquanto mascava sua folhamarga.

— Por esses cavalos nem uma moeda – disse Tyr – Não me servem, são bons animais é fato só que são para o arado ou para transporte de carga. – então encarou o homem — Agora se você estiver escondendo o jogo e tirar um cavalo bom sabe-se lá de onde ai então nós poderemos negociar.

— Venha comigo – disse o dono do celeiro e tanto o cavaleiro quanto a sua escudeira o seguiram até os fundos – O recebi na noite passada, foi um bom negocio e eu estava pensando em guarda-lo para mim... — Então foi que o velho empurrou uma porta secreta e eles deram para o fundo falso do celeiro.

Numa das cocheiras estava um animal grande forte e parecia jovem com um porte que mostrava ter sido bem criado. Um cavalo baio em sua pelagem amarela tão diferente do finado castanho que perdera na batalha, mas mesmo assim lhe lembrava de um pouco. Tyr aproximou-se do animal e o analisou.

— Tem boas pernas – disse Tyr as analisando então passando a mão pelo pescoço e dorso do equino – Um corpo forte e parece bem alimentado – Então abriu os lábios do cavalo e analisou o interior da boca – Tem dentes bons — O animal soltou uma baforada de ar pelas narinas e o cavaleiro sentir o ar quente em sua face. Então alisara a fronte do cavalo antes de voltar-se para o dono do celeiro.

— E então, vejo que lhe agrada o animal – disse o homem num sorriso amarronzado – Então nós podemos começar nossas negociações.

— Eu poderia se soubesse se esse cavalo é realmente seu – disse Tyr dando dois passos para longe do animal e com a mão em sua espada – Diga-me, não seria um cavalo roubado este que está tentando me passar?

— O que isso interessa? – disse o homem – O cavalo é meu e eu o comprei se foi roubado antes disso não me faz diferença. Você ainda o quer?

— Comprou de quem? – falou Tyr – Um cavalo desses não foi de qualquer um para dispor-se dele. – Ele indicou o baio — É um bom animal digno de um cavaleiro, soldado ou ao menos um mensageiro.

— Então deverá ser fácil vende-lo para outro que esteja atrás de alguma nova montaria – disse o dono do celeiro então cuspindo no chão a erva que mascava – Vai ficar com ele ou estás a me tomar o tempo?

Aceite e comece a barganhar um preço— falou Alys para o loiro em dothraki.

— Quanto devo pagar?— perguntou Tyr na mesma língua para a essosi que encarou o animal por um tempo tentando avalia-lo. Uma parte do sangue da escudeira vinha dos senhores dos cavalos.

— Dê cinco moedas de prata— disse Alys – Se ele recusar então suba o preço para mais uma.

— Cinco dobrões de prata – disse Tyr ao dono do celeiro.

— Eu não estou aberto para brincadeiras, garoto. – respondeu o homem num rosnado.

— É um cavalo sem antecedência – disse Tyr – Eu não vou dar ouro nele se é isso que imagina. Você deve ter pagado nele o que? Três dobrões de prata para a pessoa de quem comprou então vamos dobrar esse preço.

— Com dobrar... – perguntou o homem parecendo confuso.

— Seis dobrões de prata – disse Tyr mostrando as moedas em sua mão – Oferta final.

— Feito – disse o homem estendendo a mão e o loiro deixou-as cair na palma do velhote que pegara uma das moedas e levara aos dentes mordendo – É seu pode levar – Ele então se afastou da cocheira enquanto Alys selava o cavalo.

Eles saíram do celeiro com o loiro puxando o seu novo cavalo atrás de si. Alys desamarrou então o seu palafrém que estava atacado a um dos postes na entrada, enquanto a escudeira fazia isso foi que o loiro olhou ao redor e seus olhos pousaram em alguém que se localizava do outro lado da praça.

Mesmo ao longe e por mais que o individuo estivesse encapuzado ainda assim pode identificar sua face: Lyonel Hornwood. O herdeiro da casa que era a maior aliada dos Bolton ali em território inimigo. Pode ver o rapaz conversando com um menino que aparentava ser um cavalariço, notou o momento em que entregou algo para o maltrapilho e o viu correndo em direção de Winterfell.

Logo em seguida Lyonel partira na direção oposta se misturando em meio a multidão que havia em Vila Inverno. Tyr então olhou para a sua escudeira e lhe chamou a atenção e quando a moça lhe encarou foi que entregou as rédeas de seu cavalo a ela.

— Preciso que o leve para mim ao castelo – disse Tyr – Vi alguém e vou segui-lo, um cavalo poderia chamar-lhe a atenção e ele é esperto saberá me despistar se eu não o seguir com cuidado.

— Quem você viu? – questionou Alys.

— O assassino de meu primo – respondeu Tyr enquanto se afastava.

Eles estavam em uma nova guerra, porém ainda pensava na outra de três anos. O Confronto Karstark e Hornwood como era chamado tinha sido uma disputa pequena que fora encerrada após a morte de Rodwell nas mãos de Lyonel.

Ainda se lembrava de como ele e o primo seguiam na direção de Winterfell naquela tarde para mais um dos encontros de do herdeiro de Karhold com a sua prometida. Rodwell Karstark era um bom rapaz, o primo lhe via como um futuro lorde promissor e que ele serviria com orgulho. Os dois cavalgavam juntos e eles cantavam animadamente como era do feitio dos viajantes em longas viagens.

The dornishman's wife was as fair as the sun

And her kisses were warmer than spring

But the dornishman's blade was made of black steel

And its kiss was a terrible thing

The dornishman's wife would sing as she bathed

In a voice that was sweet as a peach

But the dornishman's blade had a song of its own

And a bite sharp and cold as a leech

As he lay on the ground with the darkness around

And the taste of his blood on his tongue

His brothers knelt by him and prayed him a prayer

And he smiled and he laughed and he sung

"Brothers, oh brothers, my days here are done

The dornishman's taken my life

But what does it matter, for all men must die

And I've tasted the dornishman's wife

Foi então que ambos riram ao final da música enquanto o rapaz de cabelos castanhos puxou algo que carregava ao redor do pescoço e dissera que tinha algo para mostrar ao primo. O loiro então voltou o olhar a Rodwell Karstark.

“O que achou?” Perguntou Rodwell enquanto mostrava um pingente em forma de um B ornamentado, brilhava como a mais pura prata e tinha um pedaço de fita cinza que lhe prendia. O loiro sorriu ao entender do que se tratava.

“Um pequeno agrado a sua princesa ou estás a torna-se suspeito com suas preferencias para joias novas, primo.” Concluiu Tyr rindo então encarando o moreno pelo canto dos olhos. “Conseguiu então mais do que alguns beijos roubados da loba gentil?” dera um sorriso de canto “Deixe que saibam que foi além do que deveria com a moça e terá problemas com os irmãos dela e o rei”.

“Brie não é uma garota que cederia as minhas investidas assim” Falou Rodwell “Eu só a terei depois de nosso casamento e é melhor que seja assim até lá terei de satisfazer-me em ter apenas sua companhia que por si só é agradável”. Ele guardara o pingente dentro das vestes então retornando a outra mão para os arreios da sua montaria.

“Ao menos escolheu algo diferente do que está acostumado a dar para as moças que conhece” falou Tyr enquanto o primo procurava acertar-se melhor na sela certamente incomodado pelas horas de cavalgada.

“É minha futura esposa” Falou Rodwell “Tinha que ser algo especial nada comparado com que eu dê as outras garotas”. Ele franziu a testa. “Talvez eu nem as veja mais depois que for um homem casado, sei que muitos ainda continuam tendo aventuras por fora só que eu tentarei cumprir com os meus votos”.

“Então espero que ela seja boa para você quem sabe o agrado não consiga que saiba como ela é antes das núpcias”. Provocou Tyr e o herdeiro levou o cavalo para o lado do loiro que teve de puxar o seu animal para o lado.

“Não é algo que se fale de uma princesa” Falou Rodwell.

“Eu estava apenas provocando” Respondeu Tyr “Acredito que ao menos princesas valorizem essa castidade que é imposta já estive com moças tanto da plebe quanto nobres se bem me entende e por vezes as de bom nascimento se mostraram mais ardentes”.

“Sim, eu sei...” Falou Rodwell com um sorriso “Pergunto-me quando é que encontrarás com alguém que lhe faça tomar os votos”.

“Quando eu for velho” falou Tyr “Não é como se muitos pais estivessem dispostos a dar a mão de suas filhas para um cavaleiro que vive à custa do tio se ao menos tivesse terras seria mais fácil, não conseguiria uma princesa como você, porém ao menos da nobreza seria”.

“Meu pai pode lhe conseguir uma” Falou Rodwell.

“Como se eu desejasse por agora” Riu Tyr “Seu irmão que tem de se ajeitar não eu, um segundo filho pode não ser um jogo tão bom quanto um primogênito só que ainda assim pode atrair a atenção para alianças...”. Ele deu de ombros. “Provável de eu acabar com a filha de algum cavaleiro ou de algum lorde menor”. O loiro não se importava muito com casamento não enquanto morasse em Karhold sobre o teto de Lorde Torrhen.

“Tyr?” Falou Rodwell assim que chegaram a uma ponte de madeira as margens do rio “A água se foi”.

Os dois estiveram concentrados que não tinha notado que o Rio Karlon que nos últimos dias estava perdendo o seu nível por conta da estiagem, agora tinha secado de vez. Sob as tábuas de madeira irregulares da ponte apenas restavam pedras.

“O Rio Karlon estava baixo quando partimos, mas ainda estava correndo em direção de Karhold”. Observou Rodwell.

“Secou enquanto estávamos na estrada” Respondeu Tyr como se aquilo fosse obvio “A falta de chuvas fez isso é bastante simples de compreender”. Rodwell terminara de atravessar a ponte e então desceu até a margem do rio. Tyr o imitou.

“Como pode ter secado tão rápido? Foram apenas três dias”. Rodwell respondera.

“O que temos que fazer além de escrever a seu pai quando chegarmos a Winterfell lhe avisando isso é se já não foi informado” Disse Tyr “O poço de Karhold ainda tem água então ficarão bem em casa não vamos encontrar todos mortos de sede quando retornarmos”.

"E quanto a aldeia? O poço deles está pela metade por conta da baixa do rio" Falou Rodwell "E os pastores que necessitam do rio para saciar a sede de seus animais?".

"O que quer que façamos?" Questionou Tyr.

“Vamos descer o rio” Disse Rodwell.

“Para que?” Questionou Tyr “Estaremos em terras dos Hornwood se seguirmos naquela direção só vamos nos desviar de nosso caminho”.

“Apenas vamos” falou Rodwell enquanto atiça seu cavalo naquela direção que em tempos normais seria contra a corrente do rio.

Três quilômetros mais ao sul e tinham chegado à barragem. Não era grande como era o costume de ser, mas parecia resistente e funcionar muito bem para o que tinha sido construída que era impedir que a água passasse.

Duas barricadas de troncos grossos e robustos que tinham sido erguidos através do riacho de uma ponta da margem a outra. Elas tinham sido preenchidas e escoradas com rochas brutas e cinzentas e terra.

A água represada ultrapassara as margens do rio e escorria pelas trincheiras que tinham sido escavadas em cada um dos lados. A água seguia em direção aos campos cultivados de Lorde Hornwood.

“A barragem está servindo como um sistema de irrigação” Dissera Rodwell Karstark ”Já ouvi falar deles sendo construídas nas terras ao sul”.

“Bem, aparentemente tem uma no Norte agora também” Respondeu Tyr Karstark ao primo.

“Eu entendo existir algo assim em outros lugares como Campina e Terras Ocidentais” Comentou Rodwell Karstark. “Mas não imaginava que fosse haver uma aqui ainda mais com o Rio Karlon”. O rapaz ficara em pé nos estribos para ter uma visão melhor. “Estão roubando nossa água”.

A visão daquilo encheu a ambos de indignação. O Rio Karlon corria para as terras dos Karstarks e era dele que os pastores de carneiros, ovelhas e cabras tiravam a água para dar de beber aos seus animais. Isso explicava porque os rebanhos estavam se reduzindo gradativamente não era por conta do rio esta secando e sim porque a água estava sendo desviada.

“Bem, não há o que fazer agora”. Respondeu Tyr “Ali estão os trabalhadores que foram responsáveis por isso”. Ele puxou os arreios do seu cavalo. “É melhor colocar um pouco de medo neles e mandar um recado para o Velho Alce”.

Atiço o seu garanhão com as esporas e galopou colina abaixo. Pode escutar os galopes do cavalo do primo que não tinha muita escolha senão segui-lo até porque era fato de que ele estava querendo respostas assim como o cavaleiro. É claro que diferente de Rodwell não era como se Tyr seria educado em perguntas.

Tyr sabia como alguns plebeus eram. Eles tratavam os nobres a quem serviam com respeito, mas com exceção deles e se você não fosse da realeza provavelmente não iriam lhe tratar com muita boa vontade. E eles eram covardes em seus melhores dias, uma parte do cavaleiro esperava que eles fugissem assim que os notassem cavalgando naquela direção.

Enquanto se aproximava Tyr puxou a sua espada da bainha. Uma espada longa forjada de aço e pelo melhor ferreiro em Karhold. Se esses homens tivessem um pouco de senso iriam correr mesmo antes que eles o alcançassem.

“Parem” Gritou Tyr em um quase rugido “Em nome de Lorde Torrhen Karstark e do bom Rei Brandon”. Os homens lhe encararam enquanto se aproximava. “Ordeno-lhes que parem o que estão fazendo e me escutem”.

Os cascos do cavalo de Rodwell se aproximaram e emparelharam com o do primo. O rapaz não tinha sacado a espada como cavaleiro, porém mantinha a mão sobre a empunhadura e o cenho franzido no rosto.

Ninguém correra em covardia apenas cessaram como fora ordenado por Tyr Karstark. Alguns foram sábios em soltar as ferramentas, pás e picaretas enquanto outros foram ainda mais em mantê-las em mão. Mas todos sem exceção agora lhes encaravam cerca de dez ou doze pares de olhos postos sobre dos dois nobres.

Os trabalhadores estavam visivelmente cansados e suados fora a sujeira de terra que havia neles. Nenhum tinha porte de saber usar uma espada o que não era surpresa alguma. Homens baixos e altos, magros e gordos, velhos e jovens.

Os trabalhadores foram aproximando-se em uma fileira irregular enquanto Tyr começava a fazer seu cavalo trotar de um lado para o outro apontando a espada para aqueles que ainda mantinham as ferramentas e dizendo:

“Soltem” Dizia Tyr lentamente, porém ameaçador “Agora”.

“Estas são terras Hornwood” Um deles enquanto largava a pá no chão.

“Vocês sabem que rio é esse? Ele é o Rio Karlon nomeado depois do fundador da Casa Karstark” Disse Rodwell “Quem lhes ordenou que o represassem?”.

“Lorde Lyonel, o filho mais velho de Lorde Hornwood.” respondeu um dos trabalhadores dando dois passos na direção de Rodwell, porém parou ao notar Tyr aproximando-se. “Foi quem deu a ordem”.

“Então vocês podem muito bem desfazer”. Respondeu Rodwell “Porque o rio não pertence ao seu senhor ou ao filho dele para o represarem. Karhold depende dessas águas tanto quanto vocês...”. Os olhares dos homens mantiveram-se sérios e profundos, porém nenhum deles falou o que incomodou o cavaleiro.

“Vocês ficaram surdos por acaso? Não ouviram o que Lorde Rodwell lhe falou então respondam” Disse Tyr “Talvez deva começar cortar suas orelhas como parecem não estar funcionando direito. Vamos lá, quem será o primeiro?”.

“Estas são terras Hornwood” Um homem calvo e enrugado soou “Nós não obedecemos outro lorde que não responda por esse nome. O Rio Karlon pode ter o nome de um Karstark só que ele nasce em terras do Velho Alce”.

“Vocês não têm direito de estar aqui” Falou outro “Fira alguém nessas terras e Lorde Hornwood irá fazê-lo pagar”. Tyr cavalgou para mais perto do outro que falara.

“Não vejo nenhum Hornwood aqui. Apenas camponeses de língua grande...” Falou Tyr e cutucou o rosto do trabalhador com a ponta da espada “Talvez devamos mandar uma mensagem para o seu senhor e ao filho dele através de você...” E com força suficiente só para tirar uma gota de sangue no pequeno corte que se formara.

“Afaste-se dele e abaixe sua arma, Sor”. Ordenou Rodwell e o primo lhe acatou ao ordenar o tom sério do rapaz “São apenas trabalhadores que foram contratos para fazerem o que estão fazendo. Lyonel Hornwood lhes deu a tarefa”.

“Ouvi falarem o meu nome” Disse uma voz e então eles perceberam dois cavalos aproximando-se a trote em um deles vinha Lyonel e no outro sua irmã, Elenya. Rapidamente os trabalhadores curvaram-se fazendo reverência enquanto os irmãos se aproximavam dos visitantes “Vieram ver a barragem e o sistema de irrigação que eu projetei? Infelizmente ainda não está pronto, mesmo assim é um bom trabalho”. E sorriu.

“O Rio Karlon não lhe pertence” Disse Rodwell com seriedade.

“Está em minhas terras e acho que isso diz o contrário” Respondeu Lyonel “Não tem ocorrido chuvas e nossas plantações necessitam de água. Nossas macieiras, pereiras, parreiras... Mesmo nosso trigo”.

“Nossos animais também necessitam” Respondeu Rodwell “Tudo o que queremos é nossa água”. Ele fez o cavalo marchar na direção do herdeiro Hornwood “Nossas criações estão morrendo de sede”.

“Meu irmão...” chamou Elenya, porém Lyonel fez um sinal para que ela se calasse.

“Fomos muito além do momento em que poderíamos abandonar o projeto” Disse Lyonel como se explicasse as coisas para uma criança “Quer conversar sobre nossa barreira? Venha com o senhor seu pai a nosso castelo e converse diretamente com Lorde Hornwood. Veremos se algumas palavras farão com que meu pai escolha entre algumas cabras de nosso vizinho ou nossas plantações que estão morrendo”.

“Ah, vamos dizer para ele, milorde” Prometeu Tyr ainda segurando a espada “Faremos isso”.

“Isso é uma ameaça, Sor?” questionou Elenya ao ver a lâmina ainda erguida em sua direção e a de Lyonel. Em suas mãos havia um arco com a flecha já colocada e então ela mirou bem na direção do cavaleiro. “Guarda sua espada e afaste-se de meu irmão agora”.

“Tyr, guarde a espada” disse Rodwell ao primo.

O loiro encarou a moça a sua frente pela primeira vez a analisando com cuidado. Era bonita de fato e bem o tipo de mulher com quem o cavaleiro geralmente gostava de compartilhar uma cama.

“Só quando ela abaixar o arco também” Respondeu Tyr e então pode ver a moça desviar seu olhar para o irmão. Lyonel lhe assentiu levemente com um aceno e ela obedeceu e foi então que o cavaleiro embainhou a espada ainda mantendo a expressão séria. “Boa menina...” E ele então sorrira da melhor forma cafajeste. Sete Infernos, Alys tinha razão quando dizia que o rapaz tinha uma fraqueza especial para mulheres loiras.

“Deveria manter uma coleira no seu cão, Lorde Rodwell” Disse Lyonel “A menos que sua intenção fosse de ameaçar-me e a minha irmã”.

“Não” falou Rodwell com o tom de voz típico de um lorde “Não é uma ameaça, porém não estamos aqui em suas terras de bom grado. Não queremos começar uma guerra...”.

“Não foi o que pareceu com ele ameaçando nossos trabalhadores” Respondeu Elenya com um tom de voz agressivo.

“Nós exaltamos um pouco” Respondeu Tyr “Nada demais”.

“O que importa é que não derramamos sangue de ninguém” Disse Rodwell “Não houve nada além de palavras e emoções fortes aqui”.

“Exatamente, concordo com o que diz”. Disse Lyonel “Nós não gostaríamos de começar uma guerra. Mas é o que pode vir a acontecer não é mesmo?”.

“Talvez” disse Rodwell “Podemos querer apenas água, mas acabar tendo sangue”.

“O seu ou o meu, provavelmente”. Respondeu Lyonel enquanto dava meia-volta no seu cavalo e partia sendo acompanhado pela irmã. “Avisarei ao meu pai do nosso encontro e enquanto a vocês...” Dirigiu-se aos trabalhadores “Podem continuar cavando”. E então os Hornwood se foram.

“Vontade de atravessar esse merdinha com minha espada” Disse Tyr ao primo depois que os dois também partiram para fora das terras seguindo colina acima de volta para a estrada “O que faremos, Rod?”.

“Escreveremos ao meu pai quando chegarmos a Winterfell” Disse Rodwell “Também conversarei com o Rei Brandon a respeito. Mesmo que os Hornwood sirvam aos Bolton ainda assim um rei é um rei”.

Mas os reis preferiram fechar os olhos e deixar seus vassalos decidissem aquilo na diplomacia ou nas armas, ambas às formas foram tentadas e no final Rodwell propôs um combate final em que cada lado teria seu campeão e o vencedor teria a vitória naquela guerra. Lyonel aceitara a condição desde que fosse um contra o outro.

Depois daquilo foi que o filho mais velho de Lorde Torrhen retornara para Karhold com o coração destruído pela espada de Lyonel que atravessara seu peito e saiu pelas costas. Mas no final, os reis tanto o lobo quanto o homem esfolado ordenaram a destruição da represava. Uma morte prematura e vazia, fora esse o fim de Rodwell Karstark.

...

Mata dos Lobos

Brianna estava caminhando por cerca de dois dias. Não necessariamente que estivesse seguindo sempre no caminho aberto na Mata dos Lobos, mas ia naquela mesma direção que dava até a estrada principal que a levaria para Winterfell.

Uma parte dela dizia que era melhor manter-se na floresta por precaução, como viajantes solitários por vezes poderiam atrair companhias indesejáveis e por mais que estivesse com sua lança a mão ainda assim não era como se estivesse procurando uma boa luta.

Mantinha o capuz de sua capa de viagem sobre a cabeça de maneira a evitar que vissem que ela era uma moça porque era um fato de que uma garota sozinha numa floresta nunca acabava bem. Naquelas últimas horas tinha visto algumas coisas na floresta em seu percurso, alguns vislumbres naturais e outros que a deixaram um pouco tensa.

Havia outras pessoas na floresta. Lenhadores em sua jornada de trabalho em áreas madeireiras, guardadores de suínos com seus porcos que iam pela estrada bem como uma velha leiteira conduzindo uma vaca, um carroceiro com seus burros a puxar uma carga de pescado certamente de alguns pescadores da Baia de Gelo. De toda a forma não parou para conversar com nenhuma daquelas pessoas.

Além disso, ser vista e notada não era seguro. Ela tinha notado em uma pausa para descanso conversas e quando se esgueirou para ver foi que notara que se tratava de um acampamento pequeno. Eram soldados em mantos laranja e elmos de bronze, com o alce dos Hornwood esvoaçando em um estandarte em um dos cantos.

“Inimigos do Rei”. Tinha pensado consigo mesma enquanto escapava sem ser notada das intermediações do acampamento secreto. “Tenho que ter cuidado para não esbarrar com eles mais”.

Eles poderiam nunca ter a visto, mas se vissem o urso entalhado no cabo de sua lança era provável que a associassem com a casa a qual pertencia, Mormonts da Ilha dos Ursos. Pegou-se pensando no pai, Donnel Mormont outrora chamado de Urso Espadachim pela forma magnifica que ele lutava com as espadas duplas. Em sua juventude contavam historias de como o filho mais novo de Lady Maege tinha evitado um ataque dos homens de ferro a Ilha com maestria, porém isso fora o passado e hoje ele evitava combates.

Perguntou-se como o pai teria reagido ao ver que não estava mais no Solar dos Mormonts. Provavelmente estavam buscando por ela na Ilha dos Ursos, será que alguém pensaria que ela roubou um barco e remara até o continente? Talvez, nunca deveria duvidar de nada.

Ela não tinha chegado ainda naquele estágio de arrepender-se daquela aventura até porque tudo que ela mais queria era ir para Winterfell e participar de perto de tudo que estava acontecendo. Talvez Rian a fizesse sua escudeira, poderia sonhar não é mesmo?

Era a manhã do segundo dia, quase não dormira em seu tempo na floresta até porque ter um bom sono dependurada no alto de uma árvore era arriscado, porém mais seguro do que dormir no chão.

Tinha acabado de encher seu cantil com a água vinda de um pouco de neve descongelada. Fora quando escurara os gemidos e vira sentado no chão e com as costas contra o tronco de um carvalho caído, um rapaz moribundo.

— Se és o Estranho que viesse me buscar saiba que não é como o pintam – disse o homem ao vê-la se aproximar – É tão bela quanto a Donzela – Ele falava dos deuses da Fé dos Sete o que a primeira vista deixou a moça um tanto confusa. O sotaque nortenho, porém falava de divindades sulistas.

— Sou apenas uma moça – disse Brianna – Quem é você e o que faz aqui?

Vestia-se bem, ao menos o que poderia identificar com o que um dia foi vestes de tecido caro. O símbolo que trazia ao peito exibia um tritão branco com cabelo verde escuro, barba e cauda, carregando um tridente preto, sobre um campo azul-verde.

Ele contou-lhe que era um homem de Lorde Raymond Manderly de Porto Branco. Um mensageiro, contou. O ombro esquerdo estava necrosado, bem no local onde se juntava ao braço tinha um profundo corte onde vermes que habitavam. Um golpe de machado dado por alguém que lhe atacara quando a caminho dali. Tal força tinha enterrado a cota de malha em sua carne.

— Quem fez isso com você? – perguntou Brianna – Um assaltante de estrada?

— Foi um homem com o estandarte de machados negros em fundo amarelo — choramingou o mensageiro — Ele me golpeara tentando derrubar-me de meu cavalo, mas eu me mantive firme em minha sela e não cai. Cavalguei, mas minha dor e o sangue... Eram tão grandes que eu acabei me desviando do meu caminho. – Sua testa estava molhada em suor e seus olhos eram profundos e febris — Onde eu estou?

— Mata dos Lobos, próximo da estrada principal que leva a Winterfell – disse Brianna.

— Tão perto – falou o mensageiro – Você está indo para lá?

— Sim – respondeu Brianna.

— Bom – disse o mensageiro enquanto tirava um pergaminho das vestes e entregou-lhe com a mão tremula – Serve a que casa?

— Aos Mormonts – respondeu Brianna e o homem assentiu.

— Entregue ao Rei Brandon ou a Rainha Lyra – disse o mensageiro – É o último pedido de um homem morto – Ela encarou o pergaminho e passou o dedo sobre o lacre de cera do tritão de Porto Branco — Eu não pude entregar essa última mensagem então faça a mim.

Não havia como dizer que ele sobreviveria. O ombro estava destruído e enegrecido de forma grotesca. Havia sangrado por horas e tinha lhe empapuçado todo o lado esquerdo do ombro até a cintura se encontravam em um vermelho amarronzado de sangue seco. E o cheiro era o pior, fedia e atraia mosca. Era como se já fosse um cadáver.

— Posso dar-lhe água – disse Brianna lhe mostrando o seu cantil.

— Sim. — O mensageiro aceitara — E a misericórdia. Por favor.

Ela pegara o queixo do mensageiro e ergueu seu rosto então despejou a água na boca dele. Ele engoliu-a tão depressa que parecia beber vinho, mas era apenas a sede causada pela febre da infecção. E aquilo que não conseguiu engolir escorreu por seus lábios, indo misturar-se com o a barba que lhe crescia rala no rosto, a loira perguntou-se qual seria a idade do mensageiro.

— Ótimo — disse. — Mas preferia que tivesse sido vinho. Um último trago teria sido bom...

— Sinto muito, mas é o que tinha... – disse Brianna – Você quer que eu lhe dê misericórdia?

— Também gostaria de um beijo, milady. – confessou o mensageiro – Sempre imaginei partir com um último beijo de uma esposa que sei que nunca terei. Poderia fazer essas duas coisas por mim? – Ela assentira então se aproximando e lhe depositando um selinho em seus lábios.

Brianna nunca se imaginou naquela situação, mas mesmo assim fizera afinal era um ato de nobreza confortar um homem em seus momentos finais no lugar de deixa-lo morrer sozinho. Foi então que pegara o punhal que trazia consigo.

— Feche os olhos – pediu Brianna.

— Obrigado – agradeceu o mensageiro. E a jovem donzela lhe enfiou o punhal no peito do homem quase com carinho, o peso do corpo empurrando a ponta através do manto de viagem da cota de malha e do almofadado que usava por baixo. Quando voltou a puxar a lâmina para fora foi que viu os olhos já mortos lhe encarando. E então ela os fechara.

“Devo enterrá-lo?” pensou Brianna. “Não, eu já fiz o que podia, lhe confortei em seu sofrimento e dei-lhe misericórdia”. O primeiro homem que ela tinha matado, completou depois em sua mente.

Havia três peças de prata na bolsa do mensageiro, e quase quarenta moedas de cobre sendo que as pegou para si e quando chegasse a Winterfell as daria ao Rei Brandon para que enviasse a família daquele homem certamente Lorde Manderly saberia de quem se tratava.

O punhal do homem tinha uma bonita uma perola no cabo. Ela pegou-a pelo cabo, enfiou-a no cinto. Brianna também ficou com seu capacete, também ficaria com a espada se houvesse alguma afinal certamente seria algo que serviria para confortar a alma em luto de uma mãe se ele tivesse. Também deveria ter um cavalo, mas certamente o mensageiro tinha caído e o animal se perdido na floresta.

— Pode ir deixando as coisas dele ai – falou uma voz atrás dela e ela pode ouvir o som de espada sendo desembainhada – E aproveite, coloque as suas também. – Quando a loira virou-se para encarar encontrou com uma parte dos mesmos soldados Hornwood que tinha visto no dia anterior.

— É uma bela lança – disse um dos soldados – Acho que vou ficar com ela depois de nós divertirmos e acabarmos com você.

— Sabe usa-la? – perguntou outro em tom de deboche.

— Você verá – falou Brianna deixando as coisas do rapaz no chão e pegando sua lança. – Podem vir – E se pós em posição de combate.

Notas finais
Bem, meus leitores esse é o capitulo da semana do natal. Então Feliz Natal e Prospero Ano Novo (provavelmente só nos veremos em janeiro). Obrigado a todos que chegaram até aqui. Agora algumas curiosidades do capitulo: ~ A música que o Tyr e o Rodwell estavam cantando é a Mulher do Dornês, para aquele s que não reconheceram. É a música que o Bronn canta quando ele e o Jaime estão em Dorne (é só jogar no Youtube que vocês acham). ~ O lance do confronto entre duas casas por conta da barragem de um rio é algo que me baseei num dos contos do livro chamado O Cavaleiro dos Sete Reinos. Ele conta a historia de Sor Duncan, o Alto e seu escudeiro Aegon (Egg) Targaryen, o improvável. Recomendo para quem ainda não leu. ~ O Rio Karlon não existe no canon, não há nenhum rio que tenha essas características só que bem que podia haver até porque eu gostei de como o nome soa. ~ O cavalo que Tyr comprou é o cavalo do mensageiro morto que a Brianna encontrou. Espero que tenham gostado. Deixem seus comentários.