Notas iniciais
Um capitulo para vocês introduzindo personagens. Espero que gostem deles. Boa leitura.

Gêmeas

Elena se lembrou de como tinham chegado as Gêmeas para assistirem ao torneio em celebração ao casamento de um dos filhos de Lorde Frey. Seu irmão, Rodrik, tinha sido chamado para participar das festividades como a cerca de um ano tinha desposado a quinta filha do Senhor da Travessia.

Ela e sua irmã por casamento, Lady Elia Frey, tinham acabado por ser tornar muito próximas até mais do que imaginava que seriam. Elena ainda lembrava-se da primeira esposa de Rodrik, uma mulher mesquinha que se revelara invejosa do relacionamento próximo que o primogênito dos Forrester tinha com ela.

Era bom ter alguém tão mais agradável como era Elia que era uma brisa de primavera para alguém que crescera em uma família apenas com homens. A garota simplesmente não era o que esperava de uma Frey como podia ver dentre os parentes dela.

O Senhor da Travessia tinha esbanjado seu ouro para garantir que o torneio fosse algo belíssimo. Era uma decoração de saltar aos olhos como um mundo inteiro em cinza e azul, tinham se erguido uma centena de pavilhões juntos a margem do rio e ao longo da estrada do rio podia-se ver vários plebeus se aproximando para assistir aos jogos.

As armaduras brilhantes, os grandes cavalos ornados, os estandartes esvoaçando pelo vento vindo não apenas das Terras Fluviais como alguns também haviam vindo de outros reinos assim como seu irmão. Elena ficou perguntando-se todos que ali estavam realmente gostavam dos Freys ou simplesmente viam como uma obrigação a se cumprir (no caso do irmão dela) ou vieram pela oportunidade dos prêmios em ouro.

Os bardos tocando suas músicas que quase não podiam ser ouvidas em meio às aclamações da multidão em meio aos combates de espadas e de tiro ao alvo. Mas os cavaleiros estes sim eram as grandes atrações com suas armaduras e montados em seus cavalos e as lanças de justa nas mãos.

Já nas suas estava segurando a carta que havia sido trazida por um corvo de casa. Ela estava endereçada a Rodrik, mas como seu irmão estava se preparando para a justa fora quem recebera do meistre das Gêmeas o pergaminho.

Elena não esperava que fosse ser um assunto tão serio quanto realmente fora, esperava algo como o pai dando-lhes notícias e lhes questionando sobre quando retornariam. No lugar disso foi que encontrara uma revelação que lhe chocara: O Norte estava em guerra, seu pai solicitava o retorno deles para casa para que seu irmão o acompanhasse nas batalhas que estavam por vir.

A nortenha não contara nada a esposa dele, os dois estavam cerca de um ano casados e Elia era jovem bem como apaixonada demais para os pensamentos de perder seu marido assim tão cedo. Rodrik saberia como lhe dar a noticia com as palavras certas e o faria quando ela fosse procura-lo na sua tenda depois do torneio. Esperava que ele não ficasse bravo por não ter sido procurado antes, mas Elena não queria estragar o momento como seu irmão tinha chegado as finais com grandes chances de vencer.

Duncan Tully foi o primeiro cavaleiro a aparecer. Trazia um manto azul com vermelho sobre a armadura de um cinza-fuliginoso. O manto e o elmo com a truta saltadora de Correrio eram as suas únicas concessões à ornamentação.

— Dez moedas no Peixe Vermelho – disse Evan Umber para o segundo irmão de Elena, Aaron.

Foi quando Edric Piper entrou na arena, montando um elegantemente em seu cavalo branco, que trazia uma cobertura de cota de malha azul e o elmo dele trazia uma longa franja dourada como os cabelos de uma donzela.

Por debaixo daquele elmo era um cavaleiro belíssimo sendo que ambos tinham sido apresentados na noite anterior por Aaron. Mas beleza nenhuma faria com que ela esquecesse seu Jovem Urso, nenhum homem se equiparava a Rian Mormont. O herdeiro da Ilha dos Ursos sempre seria seu cavaleiro das canções.

Edric Piper recebeu a lança de seu escudeiro e nela encontrou-se pintada o símbolo da sua casa: uma donzela rosa coberta por panos brancos em um fundo azul. Um tanto indecente, mas não deixava de ser belo.

— Está apostado – respondeu Aaron para Evan Umber.

— Vamos ver se aquela sua donzela sabe nadar – debochou Evan Umber para Aaron em tom de brincadeira como ambos tinham uma amizade de anos – Ou se a truta vai ter de ensina-la.

— Não o menospreze, meu amigo. Edric é como o lema de sua casa: Bravo e Belo – respondeu Aaron. Evan Umber estava em um de seus melhores dias tinha conquistado o premio no torneio de arquearia. No colo do rapaz ainda repousava seu arco e a aljava tinha sido depositada entre suas pernas.

Duncan Tully ergueu sua lança enquanto seu cavalo pisoteava o chão da arena, ele já tinha tomado a sua posição. Edric Piper ergueu sua lança para o alto e a plateia gritou e vibrou por ele mostrando o quanto rapaz gostava do calor oferecido pelo público. Ele sorriu com os dentes perfeitamente brancos e atirou um beijo a uma mulher qualquer que estava nas arquibancadas.

Então se encaminhou para a ponta da arena. Os dois homens abaixaram as lanças, e Elena olhou rapidamente de um para o outro. Daqueles dois sairia aquele que enfrentaria seu irmão nas finais, perguntava-se qual dos dois venceria. Ela não pode deixar de esquecer um pouco da guerra que acontecia no Norte por instante enquanto observava ansiosa.

Os rastros ficaram marcados no terreno lamacento e as arquibancadas estremeceram com as vibrações quando os cavalos romperam a galope. Edric Piper inclinou seu corpo para a frente enquanto seu cavalo avançava. Estava com a lança firme e o olhar fixo, mas Duncan Tully mudou habilmente de posição no instante anterior ao impacto.

A ponta da lança de Piper foi inofensivamente atirada contra o escudo com o desenho do peixe de Correrio, Elena teve impressão de a madeira se estraçalhando ao bater exatamente na altura da boca da truta. Enquanto a do Tully atingia o adversário em cheio fazendo com que o corpo de Edric Piper pendesse perigosamente para trás.

O corpo do Cavaleiro da Donzela cambaleou, porém não caiu. Elena viu Aaron comemorando e não pode deixar de sorrir afinal mesmo não gostando da ideia de ele apostar ainda assim preferia ao menos que ele vencesse.

— Estou aqui pensando em que poderei gastar seu dinheiro – respondeu Aaron a Evan – Talvez queira repensar sobre aquelas dez moedas. Sabe, nós poderíamos dobrar o valor se você quiser.

— Nem pensar – disse Evan Umber – E pelo que sei, não precisa tanto assim já que tem os pagamentos que recebe pelos negócios com pau-ferro.

— Está com medo de perder? – questionou Aaron.

— Não, apenas quero evitar que você perca muito de seu ouro – respondeu Evan.

Edric Piper tinha conseguido manter-se sobre a sela. Então fez seu cavalo dar meia-volta com graciosidade como se não tivesse acabado de receber uma lança diretamente contra a armadura já com a outra mão acenava para o publico. E regressou à arena para o segundo encontro.

Duncan Tully atirou ao chão a lança quebrada e apanhou uma nova e então esporeou o seu cavalo paga iniciar a cavalgada e ir ganhando velocidade. Edric Piper avançou para enfrentá-lo. Desta vez, quando Tully mudou de posição, Piper o imitou.

Ambas as lanças explodiram em um ruído forte de madeira se rompendo e quando os estilhaços assentaram contra o chão já tinha acabado. Um cavalo pardo sem cavaleiro parecia perdido na arena. Enquanto Edric Piper rolava na lama em toda sua bravura e beleza.

— Eu sabia que Peixe Vermelho iria ganhar. – respondeu Evan Umber enquanto aplaudia.

— Por que o chama assim? – perguntou Elena – As trutas são cinzentas.

— Por conta de ele ser tanto um Tully quanto um Mooton. – disse Evan Umber – Ambas as casas são representada por peixes. A Truta e o salmão vermelho, ele acabou criando seu próprio brasão com a truta vermelha.

Edric Piper estava de novo em pé, mas a franja loura de seu elmo tinha se lambuzado em lama. Ele arrancou o elmo e jogou-o para longe parecendo um mal perdedor. Elena achou uma derrota justa para uma apresentação medíocre, mas não falou nada em voz alta para não irritar Aaron. O segundo irmão se ergueu de seu lugar lançando um olhar preocupado para o cavaleiro derrotado e ameaçando de ir atrás então parando após ver algo.

— Lá está ele – disse Aaron para as duas damas a sua frente – É nosso irmão, Lena.

Por essa altura já tinham retirado o Cavaleiro da Donzela da arena e lhe levado para seu pavilhão bem como o escudeiro tinha recuperado o cavalo de seu senhor derrotado. Fora então que Rodrik apareceu e colocou-se em posição no topo da arena.

Rodrik ostentava sua armadura prateada e a cota de malha negra, seu manto também era negro e nele havia representado o sigilo da casa Forrester: Uma árvore de pau ferro sem folhas em prata, com uma espada negra apontando para o chão em seu tronco naquele campo negro.

— Lorde Evan – chamou um dos criados dos Freys que se aproximou do filho de Grey Jon – Eu tenho uma mensagem para o senhor. – Elena percebeu o amigo de seu irmão recebendo uma carta lacrada com cera vermelha com o relevo das correntes típicas dos Umber — Chegou de um corvo vindo da Última Lareira...

— Eu vou me ausentar, Aaron. – disse Evan Umber – Preciso ler isso agora porque essa letra é da minha mãe – Havia certa preocupação na voz do rapaz e ele então se ergueu e saiu de seu lugar na arquibancada.

Elena sabia que deveria se tratar da noticia de guerra que havia chegado para Evan. Uma parte de si pegou-se pensando que teria sido melhor mostrar a carta ao menos para Aaron só que outra desejava tanto ver aquele torneio sendo concluído. Não havia nada que eles fariam além de fazer com que Rodrik desistisse de competir. Foi naquele momento que voltou a encarar seu irmão mais velho.

Rodrik era bonito, com seus cabelos e barba negros e olhos verdes claros assim como os dela e de Aaron. Os irmãos eram muito parecidos entre si, os dois mais novos possuíam a mesma cor castanha de cabelo e os mesmos traços que tinham herdado da mãe. Só que era notório quem se destacava mais era o herdeiro de sua casa.

— Ah, ele é tão lindo. – disse Elia Frey sobre o marido – Eu nunca o tinha visto em sua amadura antes. É um cavaleiro de verdade... – ela dera um sorriso tímido — Como o das canções.

Duncan Tully retornara após sua vitória com todos os aplausos do público tanto nobre quanto da plebe. Afinal era o único dos cavaleiros da região que tinha chegado as finais e era fato que ninguém queria um nortenho ganhando um torneio nas Terras Fluviais.

Peixe Vermelho esporeou seu garanhão castanho e o colocou na ponta da arena. Rodrik Forrester passou em frente de onde eles estavam sentados e os saudou com um maneio de cabeça, ele usava o favor que Elia tinha lhe dado que se tratava de um lenço de babados que ele tinha amarrado em seu cinto. O Forrester dirigiu-se à extremidade mais distante da arena e abaixou a lança. O cavaleiro nortenho estava pronto.

E de súbito começou. O garanhão de Duncan rompeu num galope duro e forte atirando-se para frente. Ele pôs o escudo em posição e equilibrou a lança com dificuldade, Elena acabou desviando o olhar quando viu que ele se chocaria contra Rodrik. Porém lá estava seu irmão sobre Duncan, colocando a ponta da lança em uma boa posição que fez com que se quebrasse e num instante Tully estava caindo. A lança do cavaleiro de Correrio não se quebrara apenas se lascou ao esbarrar no escudo do herdeiro de Ironrath.

Duncan Tully tombara e rolara na lama para evitar ser pisoteado pelo seu cavalo que se assustara e fugiu. Elena estava chocada com a forma como logo na primeira investida seu irmão tinha derrotado o Peixe Vermelho. Conseguia ouvir os aplausos, aclamações e assobios bem como suspiros chocados, reclamações e especialmente os gritos de Elia Frey para seu marido vencedor.

Rodrik Forrester puxou as rédeas no fim da arena. Jogara sua lança destroçada no chão e pegara uma segunda e encaminhou-se até a frente do camarote do Lorde Frey, onde foi lhe entregue a coroa da rainha do amor e da beleza.

Sua testa estava suada quando ele removeu o elmo com a mão livre e o entregou ao seu escudeiro, ele fez uma reverência ao Senhor da Travessia quando este lhe premiara e então anunciou que ele poderia coroar sua rainha. Rodrik sorrindo trotou até onde eles estavam e ergueu a lança na direção de Lady Elia.

— Minha esposa, hoje lhe faço minha rainha – disse Rodrik Forrester enquanto entregava a coroa feita de prímulas e flores do campo para a sua jovem senhora.

Lady Elia tinha a metade da idade de seu marido. Quando Rodrik aceitara se casar com ela fora mais por seu dever em assumir uma aliança que serviria como uma trégua de paz entre as famílias Frey e Reed que era famoso por suas desavenças. Lorde Reed era o avô materno dos Forresters de maneira que o contrato acabou sendo honrado por seu neto mais velho. Mesmo porque Rodrik precisava casar-se de novo após ter se tornado um viúvo sem filhos.

Elena aplaudiu emocionada enquanto via sua irmã de casamento colocando a coroa na cabeça tendo as bochechas coradas. Elia reagira como uma verdadeira dama, bem diferente da princesa Atena quando Edwyn Karstark lhe coroara ao vencer o torneio do festival da colheita há cerca de dois anos.

Mas ela não pensara muito sobre Starks e Karstarks. Naquele momento a cabeça da jovem donzela Forrester flutuara para os pensamentos com seu amado urso, porém foi trazia a dura realidade quando sentira a textura do papel que tinha em mãos. Suspirando pensou que era chegada a hora de revelar ao irmão a verdade.

...

Elena tinha acompanhado Lady Elia ao pavilhão de Rodrik enquanto viam o escudeiro dele ajuda-lo a remover a armadura. A garota de cabelos castanhos pode ver o irmão beijando a esposa antes de voltar o olhar dela e vê-la lhe estender a carta.

Rodrik pegou em mãos e desenrolou o pedaço de pergaminho então passando um tempo enquanto seus olhos liam as linhas escritas pelo pai deles, Lorde Gerold Forrester. A seriedade vinha em suas expressões a medida que a leitura ia seguindo até que por fim voltou o olhar para Elena.

— Estamos em guerra – disse Rodrik então voltando o olhar para Elia que parecia surpresa e confusa – Enquanto estamos aqui, o Rei Brandon convocou as suas casas aliadas para apresentar armas em Winterfell.

— Guerra contra quem? – disse Elia surpresa.

— Os Boltons se rebelaram e somos chamados para cumprirmos com nosso dever. – falou Rodrik — Ironrath serve aos Glover e Lorde Godric convocou meu pai como um de seus generais em batalha.

— Então vamos voltar – disse Elena – Tudo bem, eu compreendo só que o que será de mim e Lady Elia? – ela olhou para o irmão com mais intensidade e ansiedade por sua resposta – Eu e ela não vamos lutar nessa guerra e não diga que irá nos deixar para trás.

— Isso fica a cargo de vocês decidirem – disse Rodrik – Eu sei que preferiria vê-las em segurança seja aqui nas Gêmeas ou em Ironrath. Poderiam ceder alguns homens para escolta-las até em casa se vocês preferirem retornar. – Então olhou para Elena – O lacre foi rompido o que significa que você leu... Quando que isso chegou?

— Eu o recebi do meistre enquanto me dirigia para ver a sua justa nas quartas de final – disse Elena – Ele pediu que eu entregasse para você.

— Mas você não entregou – disse Rodrik – Esperou que eu terminasse esse estupido torneio.

— Porque eu sabia que você não ia competir se eu te mostrasse – disse Elena – Deuses, eu estava pensando em como iria ser ótimo vê-lo como campeão. Eu errei, sei disso só que o que você poderia fazer aquele momento que não pode fazer agora?

Ela pensara em seu irmão em sua futura vitória e tinha pensado também em Lady Elia Frey sendo nomeada rainha do amor e da beleza. Ela sabia o quanto a esposa de seu irmão nunca tivera muito destaque em sua vida por ser uma quinta filha, então foi por conta disso que achou que ela merecia um pouco de reconhecimento. Sem falar na lembrança que aquilo seria para toda uma vida e que seria contada para filhos e netos. Mas é claro que Rodrik não compreendia dessa maneira.

— Isso é inaceitável, Lena. – falou Rodrik irritado – Você recebe essa noticia e não a trás até a mim. – Ele olhou para a irmã parecendo descrente que ela havia feito aquilo — Eu deveria ter sido avisado quando esse corvo tivesse chegado trazendo a mensagem do nosso pai sobre a guerra. Nós poderíamos já estar reunindo homens e partir para o Norte enquanto ainda temos a luz do sol... – Então suspirou ao ver a face triste da garota – Não me olhe assim.

— Assim como? – questionou Elena.

— Dessa maneira – disse Rodrik – Quer saber, não vou ficar falando com você a respeito disso. Tenho que reunir os guardas que trouxe conosco e preparar os suprimentos para a minha viagem de volta...

— Você não precisa ir – falou Elia – Queime essa carta e faça de conta que nunca recebeu.

— Elia, o que você quer dizer? – perguntou Rodrik — Para que eu fuja da guerra e abandone o chamado de meu pai.

— Eu não quero que você morra – disse Elia e naquele momento foi que Elena soube que deveria sair e começou dar alguns passos lentos para trás foi quando trombou num dos estandartes de sua casa o derrubando e então chamando a atenção para si. Tanto Rodrik quanto Elia a encararam.

— Eu acredito que deveria sair e deixar que vocês consigam resolver isso como um casal em particular sem ninguém para observar – disse Elena – Eu vou procurar o Aaron e contar a ele a respeito da carta de nosso pai. – E então se retirou.

...

Evan Umber leu a carta que sua mãe lhe mandou e nela dizia que o Norte estava em guerra. Nas palavras dela ainda continham um pedido em nome do pai que ele permanecesse nas Terras Fluviais ou que continuasse em sua viagem. Eles não queriam que ele retornasse para casa para ajudar naquela guerra e a razão era bastante simples: O pai dele.

Desde muito cedo, Evan cresceu sobre o estigma de um terceiro filho se contassem o primogênito morto de seu pai ao qual o rapaz nunca conhecera. A verdade é que seu pai nunca lhe deu muito valor ou reconhecimento pelo que ele era enquanto Young Jon era criado como o predileto e colocado em um pedestal como o orgulho da casa.

Lorde Grey Jon Umber nunca admitiria, mas havia diferenças na forma com que ele tratava os seus filhos. Eles eram cinco filhos fora o falecido Gerion que perecera na batalha de vinte anos atrás. Gerion tinha deixado um filho, Gabriel, mas mesmo assim quem tinha sido proclamado o herdeiro fora Jon. O pai tinha desconsiderado o neto e preparado o seu segundo filho para comandar depois dele.

Evan era o mais velho dentre as crianças do segundo casamento de seu pai com Lady Dacey Mormont, mesmo assim o favorito sempre seria o meio-irmão que levava o mesmo nome do Lorde da Última Lareira.

Era fato que o pai tinha tentado fazer Evan desaparecer sobre a sombra do fabuloso herdeiro só que ele não iria viver daquela forma. O rapaz queria reconhecimento e que as pessoas vissem que havia mais nele do que se esperava. E ele usaria aquela guerra como sua oportunidade para provar isso não apenas ao pai como para sua família.

O moreno cruzou a entrada do pavilhão nas cores azul e vermelho. Em seu interior havia Duncan Tully e o seu pai, Lorde Hugh e cerca de mais três criados bem como o escudeiro que ajudava o cavaleiro a remover a armadura. Todos voltaram o olhar para ele quando entrara e foi naquele momento Evan fizera uma reverência ao senhor de Correrio.

— Lorde Tully, é uma imensa honra revê-lo após tanto tempo – disse Evan – Não creio que se lembre de mim, sou o filho de Lorde Jon Umber de Última Lareira. – ele aproximou-se — Estivemos em seu castelo a cerca de um ano atrás.

Lorde Hugh era um homem mediano com uma volumosa barriga que vestia roupas que certamente caberiam fácil em um barril de cerveja. Braços curtos e mãos rechonchudas e rosadas bem como seu rosto redondo, seu rosto papudo e gorduroso com protuberantes bochechas e um queixo duplo escondido debaixo da barba ruiva.

Em sua juventude Lorde Hugh Tully era chamado de Peixe Feroz por ser um grande guerreiro sendo que hoje era chamado de Peixe Gordo pelas costas já que não ousavam usar esse nome frente a ele.

— Recordo-me de você o resto de sua família em Correrio – disse Lorde Hugh – Seu pai e eu somos parentes algo como a mãe dele sendo neta de algum tio-avô ou algo assim. Quando entrou em contato conosco propondo a mão de uma de suas filhas ao meu herdeiro, minha mulher me convenceu que seria algo bom. – Ele aproximou-se do Umber — Nosso filho estava em idade de se casar e minha senhora era fascinada com a ideia de ter uma criança correndo pelos corredores de nosso castelo. Porém, a sua irmã simplesmente destruiu qualquer aliança a ser feita entre nossas famílias ao empurrar o meu filho-herdeiro no rio.

Evan teve que admitir que entendesse que não seria bem recebido depois de Maryanne quase matar o herdeiro de Correrio. Porém aquele Peixe Gordo estava recordando-se de um fato interessante e era de responsabilidade do nortenho lhe contar o que parecia ter sido esquecido.

— Seu filho quase se afogou – disse Evan – Teria sido uma tragédia, porém é um fato de que alguém o retirou daquele rio e lhe fez com que cuspisse toda a água que se encontrava em seus pulmões.

— Você é Evan – disse Duncan Tully saltando para fora do banco alto em que estava sentado afastando o criado lhe passava um pano molhado limpando a lama para fora de seu rosto – Evan Umber, o homem que salvou meu irmão. – ele aproximou-se do nortenho — Ouvi falar sobre seu ato de bondade e coragem...

— Eu agradeço por suas palavras, Sor Duncan. – agradeceu Evan então encarando Lorde Hugh – Eu também me desculpo em nome de minha família pelas ofensas e traumas que possamos ter deixado em Lorde Derek.

— Meu irmão se encontra bem, Lorde Evan – disse Duncan – O suficiente para ter tomado uma esposa uma lua ou duas depois do incidente.

— Quem foi a felizarda noiva que se tornou a mais nova Lady Tully? – perguntou Evan.

— Uma das filhas de Lorde Swann de Pedrelmo – falou Lorde Hugh – Uma garota mais adorável do que aquela selvagem que seu pai tentou empurrar para meu herdeiro. E fértil também já que carrega meu primeiro neto legitimo.

— Eu não os vi durante as festividades do torneio – falou Evan – Gostaria de cumprimenta-los pelo casamento e felicitá-los pela benção que é está gravidez.

— Meu irmão e sua esposa estão visitando os pais dela – respondeu Duncan – Creio que não terá oportunidade de revê-lo e de conhecê-la.

— Isso é uma pena – disse Evan – De toda a forma, venho cumprimenta-lo pelo seu desempenho nas justas, Sor Duncan. Eu não pude ver sua última competição e devo dizer que não importaria de ver um nortenho perder se tivesse como vencedor o Peixe Vermelho.

— O que realmente deseja aqui com meu filho, garoto? – perguntou Lorde Hugh – Seu tom manso e gentil não me engana que há intenções escondidas em meio suas palavras. – e cutucou um de seus dedos roliços contra o ombro do nortenho — Porque não abre seu jogo e nos revela a verdade.

— Concordo com meu pai, Lorde Evan. – disse Duncan – O que deseja conosco?

— Se for outra tentativa de aliança de casamento pode considerar como perda de seu tempo vindo até aqui – disse Lorde Hugh – Os Tully não estão dispostos a unir-se com nenhuma outra selvagem nortenha.

— Nem mesmo se for uma princesa? – questionou Evan os deixando calados.

— Ao que está se referindo? – perguntou Duncan cruzando os braços.

— Creio que saibam que Rei Brandon Stark busca um marido para sua filha – disse Evan.

— A filha que foi sequestrada? Por favor, nós sabemos disso como o Rei Bryrden Blackwood mandou um mensageiro até Winterfell na tentativa de conseguir a mão da garota para seu filho. – disse Lorde Hugh Tully — E terminou com o pobre rapaz sendo morto no grande salão do seu Rei do Norte.

— É, foi um acontecimento lamentável – disse Evan – A princesa foi sequestrada pelos Bolton e o Norte está em guerra. Porém, posso lhe dizer que a mão da princesa será decida após o termino das batalhas e o que irá determinar isso será a participação.

— O que está se referindo, Lorde Evan? – disse Duncan Tully – Que lutemos uma guerra que não é a nossa apenas por conta da possibilidade de um casamento com uma princesa? Isso não parece algo esperto.

— Muito pelo contrário é um ótimo jogo – disse Evan – Rei Brandon irá retribuir o auxilio prestado pelas casas sulistas que se compadeçam de sua causa. Mesmo porque o Rei Brandon deseja que Princesa Brie case-se com uma casa importante do sul – então se voltou para o Peixe Gordo – Creio eu que saiba o quanto alianças com casas de outros reinos é algo valioso. Seu filho herdeiro fez um contrato duas vezes com casas estrangeiras.

— Nossa casa não é tão importante ao ponto de termos reis em nossa família – disse Lorde Hugh coçando a barba – E Duncan é um segundo filho o que não faz dele um bom jogo para os Starks de Winterfell.

— Rei Brandon é um homem honrado – disse Evan – Mesmo que não sejam da realeza ainda assim se lhe apoiarem é fato que serão recompensados. – Ele olhou de um para o outro – Podem receber em forma de ouro, favores ou até mesmo poderão exigir um casamento com Princesa Brie para Sor Duncan.

Evan então sorriu para eles e ergueu as mãos diante daquela proposta. Pode perceber o silêncio naquele lugar e notou as engrenagens que funcionavam no interior da cabeça daqueles dois bem como a troca de olhares. Parte do Umber fazia ideia do que os dois estavam pensando.

...

Os tambores retumbavam tão forte quanto às gargalhadas no salão das Gêmeas naquela noite ao fim do torneio. As gaitas soavam e as flautas soltavam os seus assobios melódicos na galeria dos músicos na extremidade do salão. Os sons ecoavam nas galerias, enquanto os convidados comiam, bebiam e gritavam uns para os outros logo abaixo.

Evan puxou a jarra de vinho para mais perto ao perceber que seu copo já se encontrava vazio. Ao seu lado Aaron Forrester parecia lutar com o que havia acabado de escutar. Havia poucas pessoas que seriam dignas de ouvirem um plano tão mirabolante e arriscado como aquele e o Umber sabia que o amigo de olhos verdes era uma dessas.

— Você fez isso? – disse Aaron sem acreditar no que tinha ouvido do amigo – Mentiu para os Tully. – Ele parecia verdadeiramente chocado enquanto via o amigo servindo-se de vinho – Tem ideia de o quão é errado apenas de cogitar fazer isso.

— Bem, já foi feito e não tem como dar para trás – disse Evan – E agora você sabe então terá de manter meu segredo. E cá entre nós nem chega a ser mentira se pararmos para pensar que o Rei Brandon é bem capaz de recompensar Lorde Hugh com um casamento para o filho dele.

— Você prometeu com uma princesa – disse Aaron – Mais especificamente com a filha que foi capturada pelos selvagens. Você sabe o quão errado é mentir dessa forma? Você falou que ela foi levada pelos Bolton.

— Sim – disse Evan – E caso descubram que não foi então direi que interpretei errada aquela informação que recebi. Se vão acreditar apenas irá depender de como eu vou mostrar a eles... – então tomou um gole de sua taça então vendo o amigo ainda lhe encarando — Ora, eu os convenci uma vez de que era verdade. E fui muito bom que se você estivesse lá também teria se convencido.

— Como você conseguiu convence-los tão facilmente? – perguntou Aaron.

— Aparentemente os Tully têm cérebros de peixe – disse Evan sorrindo com se achasse aquilo engraçado – A verdade é que eu consegui fazê-los levantarem suas armas em apoio a causa dos lobos.

— Você vai perder a cabeça se isso der errado ou se eles forem bondosos é capaz de apenas lhe cortarem a língua fora. Deuses, isso é deplorável. – disse Aaron – É uma mentira muito pesada para se manter e você terá de sustenta-la. E depois, como será quando chegar ao Norte e for revelada a verdade?

— Eu fiz o certo – respondeu Evan – Por mais perfeito que Young Jon possa ser. – o rapaz deu um sorriso — Ele nunca deu um exercito para meu pai já eu consegui... – e então ergueu sua taça – Vamos brindar a minha conquista de hoje.

— Eu não vou brindar a isso – disse Aaron.

— Você diz como se não vivesse uma mentira a sua vida toda – disse Evan – O que é a minha comparada a sua? – O outro ficara em silêncio frente a implicância do mais novo – O resto do mundo entendo que não deva saber, mas a sua família...

— Iria destroçar meu pai seu eu lhe contasse – disse Aaron – É por isso que eu não conto. O que ele pensaria se soubesse que o filho dele é um... – ele não terminara a frase – Eu apenas quero evitar o desgosto dele comigo.

— Ele não falou sobre casamento com você? – disse Evan.

— Ele espera que em minhas viagens eu consiga uma noiva de alguma casa sulista – disse Aaron – Na cabeça dele pensa que eu seja um galanteador com donzelas a encantar-se por mim – Então bebera seu vinho – Acho que espera que um dia eu escreva para ele contando sobre uma garota nobre de alguma família abastada que esteja disposta a casar-se com um segundo filho de uma casa nortenha pequena como a nossa.

— Mal sabe ele que o filho prefira outro tipo de companhia – falou Evan – Que não seja das damas – E encarou-o – Como está Edric após a derrota dele? Seu Cavaleiro da Donzela encontrasse com algo ferimento?

— O orgulho dele é o que saiu mais machucado naquela justa – disse Aaron – Mas ele irá sobreviver irei cuidar dele mais tarde – E tornou a olhar ao redor e Evan sabia que era ao cavaleiro que o amigo estava procurando.

— Poupe-me dos detalhes – disse Evan rindo quase se engasgando com o vinho – Deveria falar com ele e apresentar-me? – e então falou em um tom mais baixo mesmo que com aquela música fosse difícil de ouvir a conversa deles — Mostrar que não sou qualquer concorrente em seu coração.

— Falei com Edric que somos amigos. – disse Aaron — Não da mesma maneira intima que compartilho com ele... Eu lhe confessei que estava tentando empurra-lo para cima da minha irmã. Edric concordou comigo que você e Elena fariam um belo casal tradicionalmente nortenho.

— Só nos olhos de vocês – disse Evan – Sua irmã não parece muito interessada em mim.

— Você nem tentou corteja-la – respondeu Aaron como se fosse obvio – Ela seria uma boa esposa, tem todos os atributos e predicados de uma. E eu te digo que os Forresters darão um bom dote para o felizardo que desposar a única filha de seu lorde.

— Não estou interessado em dotes – disse Evan – É que sua irmã parece meio... – ele apontou para a própria cabeça — Você sabe?

— Avoada? – disse Aaron – Ela é meio desastrada é um fato.

— Parece com a cabeça nas nuvens – falou Evan – Ela é bonita, mas é uma sonhadora que certamente está esperando pelo príncipe das canções em um cavalo branco.

— É mais para um urso negro – disse Aaron – Minha irmã é meio que encantada pelo herdeiro dos Mormont há alguns anos. Ele tem um charme bruto de fato, mas está longe do alcance dela e antes que quebre seu coração quero que ela tenha um novo amor.

— Rian Mormont, não me admira mesmo se eu fosse uma mulher ou então um homem que gostasse da companhia de outros... – disse Evan – Também iria gostar. O Jovem Urso é o sonho de muitas donzelas não apenas da sua irmã.

Então foi que o Umber viu Elena sentada em uma dos bancos em uma mesa afastada da deles. A moça conversava com outras ladies enquanto observavam os casais dançando na pista de dança. Um deles eram Rodrik Forrester e sua jovem esposa, Elia Frey. Elena acabou aceitando um parceiro de dança que lhe levou pela mão até o salão.

— Vá chama-la para dançar – disse Aaron – Quem sabe não a impressiona com seus movimentos na pista, minha irmã adora música e seria bom que fosse você e não um dos irmãos de Elia.

— Ela já tem um par – respondeu Evan dando mais um gole no vinho – Quem sabe na próxima. Não vejo como sendo algo educado interromper uma dança... – o rapaz de olhos verdes riu para aquela resposta.

— Está com medo de Elena? – disse Aaron.

— De maneira alguma – respondeu Evan e o outro rira.

E os dois prosseguiram com a conversa e foi assim até que a música mudar. Elena então interrompeu a dança com o rapaz que a tinha lhe convidado, agradecendo-o e educadamente se retirando. Ela seguiu na direção da mesa em que antes estava.

— Espero que você não esteja muito bêbado para dançar – disse Aaron enquanto puxava a taça para fora das mãos do amigo. Evan ergueu-se então do banco e cruzou o salão seguindo os passos da donzela de Ironrath. Ele aproximou-se, tocou-lhe o ombro e quando ela se virou foi que estendeu a mão.

— Aceitaria dançar comigo, milady? – perguntou Evan cortês.

— É um prazer, milorde. – respondeu Elena com uma reverência e os dois foram para o meio do salão. Ela estava desempenhando o seu dever como uma lady e ele estava cumprindo seu combinado em corteja-la.

Evan se perguntou a si mesmo se o Senhor da Última Lareira ficaria satisfeito em ver que ao menos um de seus filhos planejava casar-se sem esperar que ele lhe encontrasse um bom partido.

Os Forresters eram uma boa família, leais a coroa e que prosperavam por mérito próprio. Mas era um fato que como casa não eram das mais influentes em alianças para casamentos com grandes famílias como a dele. Young Jon certamente não iria se casar com alguém como Elena já ele o assunto era diferente.

Evan não se importava com de que casa seria sua futura esposa nem ao menos sabia se desejava que fosse aquela moça que agora dançava com ele no salão. Poderia não dar certo e ele acabar com alguma outra nobre nortenha ou mesmo uma sulista. Ele mal a conhecia e sabia que Elena tinha seus pensamentos em outro.

— Você dança bem – falou Evan sendo gentil – Eu espero não estar sendo muito desajeitado com você – E ela soltou um pequeno riso.

— Não, você não pisou nos meus pés então acho que não está tão ruim assim – falou Elena com um sorriso enquanto ambos dançavam.

Rian Mormont não poderia dançar com ela, os deuses o tinham privilegiado como um grande guerreiro só que para dança o herdeiro da Ilha dos Ursos tinha nascido com dois pés esquerdos. Mas é fato que Elena já devia ter dançado com ele em seus sonhos, imaginou Evan.

Para infelicidade de Elena não passava de uma ilusão infeliz em sonhar com um herdeiro de uma grande casa. O máximo que aquela moça poderia ter era ele. Ele era um terceiro filho que não se sentia amado pelo pai tão diferente dela que fora tratada como o maior tesouro por sua família. Era de certa forma, irônico e um pouco de ironia costumava agrada-lo.

Notas finais
Espero que tenham gostado da Elena e Evan. Deixem seus comentários. Até mais.